domingo, 19 de maio de 2019

Alphaville é um bom nome para um Motel

"
- Boa pergunta. Creio que foi o patrão que escolheu o nome. É preciso ver que os nomes dos love hotels não querem dizer nada. Afinal, trata-se de um local onde homens e mulheres se encontram para aquilo que toda a gente sabe. Tudo o que é preciso é uma cama e uma casa de banho. Toda a gente se está nas tintas para o nome, desde que lhes cheire a love ho. Porque perguntas?
- Ahphaville é o título de um dos meus filmes preferidos. De Jean-Luc Godard.
- Nunca ouvi falar.
- É um velho filme francês dos anos 60.
- Deve ser daí que vem o nome. Da próxima vez que estiver com o patrão, já lhe pergunto. Quer dizer o quê, Alphaville?
- É o nome de uma cidade imaginária do futuro - explica Mari. - Uma cidade algures na nossa galáxia. 
- Nesse caso, trata-se de um filme de ficção científica? Como A Guerra das Estrelas?
- Não, não tem nada que ver com A Guerra das Estrelas. A acção e os efeitos especiais são coisas que não existem. Como explicar? É um filme abstracto, mais conceptual. A preto e branco. Povoado de diálogos. Passa muito nos cinemas de arte e ensaio...
- Conceptual? E isso quer dizer o quê?
- Por exemplo, em Alphaville, as personagens que choram são presas e executadas em público.
Porquê?
Porque em Alphaville as pessoas não podem ter sentimentos profundos. Como tal, não existe amor. Assim como não há lugar para a ironia nem para a contradição. Tudo se resume a fórmulas matemáticas, de maneira concentracionária.
Kaoru franze a testa.
- Ironia?
- Ironia é quando as pessoas se observam a si mesmas e analisam os outros à luz de um olhar objetivo, para aí descobrirem o lado cómico e grotesto da coisa. 
A explicação de Mari deixa Kaoru pensativa.
- Não se pode dizer que compreenda lá muito bem - confessa ela. - Diz-me uma coisa: e em Alphaville, existe sexo?
- Sim, há sexo em Alphaville.
- Sexo não implica amor nem ironia. 
- É isso.
Divertida, Kaoru solta uma gargalhada.
- Pensando bem, Alphaville é um nome bem achado para um hotel de amor.   

After Dark - Os Passageiros da Noite / Haruki Murakami (2007)

Dinheiros Públicos Vão Ser Obrigados a Usar Chip

Imagem emprestada da net
Um dos principais problemas da economia portuguesa é a corrupção, a lavagem de dinheiro, a fuga ao fisco, o desvio de dinheiros públicos para o bolso dos privados. 

Em face deste cancro que nos torna a todos mais pobres, fazendo por outro lado engordar os mais ricos, e depois do escândalo das declarações de Joe Berardo na Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósito, a coligação de Esquerda no Parlamento acaba de fazer aprovar, à semelhança do que já se passa com os animais de "companhia", o uso do Microchip nos dinheiros públicos. 

A partir de agora facilmente qualquer empresário ou contribuinte que ande a criar Fundações para fugir ao fisco será apanhado. Toda e qualquer tentativa de lavagem de dinheiro será imediatamente descoberta e responsabilizará o seu verdadeiro dono. Todo e qualquer dinheiro público que for inadvertidamente parar ao bolso de qualquer empresário privado, de imediato será descoberto e será forçosamente obrigado a voltar à esfera pública.

Espera-se que, com esta medida os ricos comecem a pagar impostos e a economia portuguesa comece a crescer 50% ao ano. Em face disso já foi anunciado um salário mínimo de 1500€ mês bem como um aumento nos dias de férias, que passarão dos atuais vinte e dois para trinta e cinco dias. O horário de trabalho passará a ser de, tanto no público tal como no privado de cinco horas por dia.

sábado, 18 de maio de 2019

Qual o Partido com que Mais te Identificas nas Eleições Europeias 2019?

Vale o que vale (porque uma coisa são as propostas ou aquilo que os partidos defendem em teoria e depois o que fariam na prática), mas não deixa de ser curioso fazer o questionário do jornal PÚBLICO  e depois ver os resultados, sem estarmos condicionados por cores ou simpatias deste ou daquele partido ou  desta ou daquela pessoa. Os meus resultados fazem bastante sentido, situando-me mais perto do PAN,  LIVRE, PS e BE  e extremamente distante do populista-salazarista BASTA:


Espinho - Praia do Furadouro

Primeiro passeio de bicicleta do ano. Meti a bicicleta na carroça lá me fui encontrar com o meu amigo em Espinho, ainda que, em piscinas diferentes!!

- Já cheguei. 
- Eu também. Onde estás? 
- Junto à piscina.
- Eu também, em que zona?
- Junto ao mar.
- Mas eu também! Espera que eu vou dar uma volta e já te encontro. Afinal não.
- Tens a certeza que Espinho não tem duas piscinas?

Partimos de Espinho, com passagem pela Barrinha de Esmoriz e paramos no Parque do Buçaquinho. Por ali repusemos energias, que pedalar dá fome, e rumamos pela Ecopista do Atlântico até ao destino, na Praia do Furadouro. Depois foi fazer a viagem de regresso a Espinho.

Uma tarde bem passada e mais de quarenta quilómetros nas pernas. 





domingo, 12 de maio de 2019

Segredos duma Barba Bem Cuidada


 - Não usar champô.
- Não usar amaciador.
- Não usar máscara.
Não usar tintas.
- Não usar toalha.
- Não usar secador.
- Não lavar.
- Não pentear.

Coisas Que Me Lembram de Ti (3) - O Teatro


Uma cidade que tu gostas. Um filme que abortou antes de começar. Um dia de chuva miudinha. O surpreendente conforto da traseira do meu carro.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

O Mito da Monogamia

"No que respeita aos mamíferos, a monogamia é desde há muito reconhecida como uma raridade. Das quatro mil espécies de mamíferos, não mais do que algumas dúzias constituem pares estáveis, embora em muitos casos sejam difíceis de caracterizar com exatidão, já que a vida social e a vida sexual dos mamíferos tendem a ser mais furtivas do que as das aves. 
Na lista dos mamíferos monogâmicos encontramos muito provavelmente os morcegos (apenas algumas espécies) certos canídeos (raposas), alguns primatas, meia dúzia de ratos e ratazanas, diversos roedores sul-americanos, a lontra gigante da América do Sul, o castor do  Norte, meia dúzia de espécies de focas e um grupo de pequenos antílopes africanos. Uma lista miserável. (...)

sabemos agora que não é invulgar 10 a 40 por cento das crias de aves "monogâmicas" terem como progenitor um macho exterior ao casal - isto é, diferente do companheiro social identificado da fêmea em questão (...)

Mesmo antes do ADN, os estudos de grupo sanguíneo na Inglaterra mostraram que o pai presumível era o pai genético em cerca de 94% das vezes; isto significa que, para seis em cada cem casos, o homem que criou os filhos não é o seu pai genético. (...)

O efeito Coolidge é bem conhecido e tem sido confirmado em numerosos estudos de laboratório: ponham-se frente a frente, por exemplo, um carneiro e uma ovelha sexualmente recetiva, e é provável que dos dois copulem, tipicamente mais do que uma vez. Depois a frequência das cópulas diminui, geralmente de forma muito rápida. Mas substitua-se a fêmea por outra, e o aparentemente "exausto" carneiro fica - em certa medida - sexualmente revigorado. A novidade é estimulante

Quanto aos humanos, consideremos este relato de um homem da tribo africana Kgatla, descrevendo o que pensa sobre as relações sexuais com as suas duas mulheres:
Acho-as igualmente desejáveis, mas depois de dormir com uma três ou quatro noites seguidas, ao quarto dia já me cansou, e quando vou para a outra descubro que sinto uma paixão maior; ela parece mais atraente do que a primeira. Mas na verdade não é assim, pois quando regresso à primeira sinto a mesma paixão renovada. Não há razão para pensar que os homens que habitam as sociedades tecnológicas modernas sejam diferentes. Na verdade, a famosa equipa de investigação sobre sexo chefiada pelo Dr. Alfred Kinsey assinalou que (...)

A vigilância da parceira é também uma estratégia masculina comum entre os mamíferos, especialmente quando a fêmea está no cio. Uma vez mais, a finalidade é impedir as cópulas extra-casal (CEC). A vigilância da parceira é também generalizada, quase universal, entre essa espécie de mamíferos a que chamamos Homo Sapiens: um estudo antropológico, hoje clássico, registou que apenas 4 de 849 sociedades humanas não mostravam quaisquer vigilância da parceira, através da qual os homens controlam de perto as suas companheiras. (...)

Por outro lado, apesar de toda a sua lógica, a vigilância da parceira oferece-nos - assim como aos machos vigilantes - uma interessante ironia. O estratagema não seria necessário se os próprios machos não andassem a galantear aqui e ali, em busca de CEC. Se ninguém galanteasse, ninguém teria de vigiar as parceiras. (...)

(No que respeita ao tamanho dos testículos, os seres humanos situam-se algures a meio caminho entre o gorila poligínico e o chimpanzé promíscuo, o que sugere que somos moderadamente poligínicos. Adiante veremos mais - muito mais - sobre este assunto.) (...)



Por esta altura, deve ter ficado claro que os machos trabalham de um forma tremendamente árdua para obterem CEC e, igualmente, para evitarem que machos rivais as obtenham à sua custa. Para os animais, pelo menos, a razão subjacente a todos os estratagemas  - vigilância da parceira, devaneios amorosos e competição de espermatozóides - é o proverbial resultado final: não o lucro financeiro, mas um bónus evolucionário sob a forma de sucesso reprodutivo. O sucesso reprodutivo de um macho é gravemente ameaçado é gravemente ameaçado se a sua parceira pratica uma CEC ou - pir ainda - uma FEC (fecundação extra-casal). Para falar cruamente, não há vantagem nenhuma em criar os filhos de outrem. (...)

Sabemos desde há muito tempo que existe uma variação considerável no grau dos cuidados parentais masculinos; geralmente, os machos das espécies mais inclinados à monogamia têm probabilidade de ser bons pais. Recentemente, tornou-se claro que existe também toda uma gama de comportamento parental dentro da maioria das espécies. Os machos atraentes geralmente dispensam menos cuidados parentais, de forma que as fêmeas acabam por fazer relativamente mais tarefas maternas quando estão acasaladas com "machões". Esta tendência é captada no título aparentemente seco deste artigo científico: "O contributo paternal para a condição da descendência é previsível com base no tamanho dos caracteres sexuais secundários do macho". Quanto maiores são os caracteres sexuais secundários do macho, menor é o seu contributo paternal. É como se os machos machos desejáveis soubessem que são desejáveis e, por isso, inclinados a fazer render essa capacidade de atração; do mesmo modo, as afortunadas fêmeas que conseguem acasalar com tais garanhões tornam-se menos afortunadas quando se vêm sobrecarregadas com a maior parte das canseiras domésticas. (...)

As fêmeas dos primatas, por sua vez, evidenciam frequentemente um interesse particular em acasalar com machos que são "novos na vizinhança" (...) O equivalente humano - se é que existe - não está claro, mas o interesse e mesmo fascínio muitas vezes gerados pelos forasteiros, pelos recém chegados misteriosos, pode fornecer-nos uma pista. (...) A nível evolucionário, é pelo menos possível que esta "preferência pelo macho estranho" derive de um impulso para evitar a consanguinidade. Se for este o caso, o fenómeno não é assim tão estranho. (...)

Primeiro, notemos que o divórcio não é desconhecido entre os animais; tal como se formam, os pares podem desfazer-se e não apenas pela morte de um dos parceiros. (...)

Um dos fenómenos mais bem documentados no que toca à corte e seleção do parceiro no mundo animal (e humano) é o chamado "acasalamento combinativo", pelo qual os parceiros tendem a ser semelhantes (...) é notável o número de indivíduos que escolhem membros do sexo oposto semelhantes a si próprios. Seja em termos de estatura física, formação cultural, inteligência, inclinação política ou grau geral de beleza pessoal, as pessoas gravitam para parceiros que se assemelhem a si próprios.

Assim, como já vimos, as fêmeas escapam por vezes à vigilância  dos parceiros, envolvendo-se em CEC sempre que possível. Quando os papeis se invertem, o objetivo das fêmeas vigilantes é semelhante: impedir que os machos consigam obter parceiras - ou cópulas - adicionais. Desta perspetiva manifestamente sombria, a monogamia não deixa de ser, contudo, uma espécie de história de sucesso: cada um dos sexos é igualmente bem sucedido na arte de frustrar ou desejos do outro! (...)

Entre os mamíferos, consideramos já a possibilidade de o sincronismo menstrual constituir uma contra-adaptação das fêmeas à poliginia, tornando mais difícil a um único macho fertilizar - ou mesmo vigiar - todas as fêmeas férteis do seu harém. No sentido em que este sincronismo intensifica as oportunidades de CEC das fêmeas, a estratégia é provavelmente do interesse destas, mas contrário ao interesse dos machos. (...)

Como veremos, são avassaladoras as provas de que a monogamia não é mais natural para os seres humanos do que para os outros seres vivos. Primeiro voltemo-nos para a poligina.
As provas incluem o "dimorfismo" sexual combinado com a "bimaturidade" sexual. O dimorfismo ("dois corpos") refere-se ao facto de que machos e fêmeas são significativamente diferentes, não apenas nos órgãos genitais, mas também nos atributos corporais básicos, especialmente o tamanho. (...)
A acrescentar a isto em a prova da bimaturidade sexual, o fenómeno singular pelo qual as raparigas se tornam mulheres um ano ou dois antes de os rapazes se tornarem homens. Tal como o dimorfismo sexual, a bimaturidade sexual é um traço consistente que abrange toda a espécie. E, tal como o dimorfismo sexual, a bimaturidade sexual tem tudo a ver com a poliginia. (...)
Há ainda mais provas. Os homens são normalmente mais violentos do que as mulheres, o que é de novo um traço previsível do sexo mais competitivo, detentor de haréns.  (...)



Os Toda, um povo da Índia, por exemplo, não tinham a noção de adultério e até consideravam imoral um homem recusar a sua mulher a outro. (...)

Uma análise de 54 sociedades humanas diferentes revelou que, em nada menos de 14 por cento, quase todas as mulheres se envolviam em CEC, ao passo que em 44 por cento a proporção que o fazia era moderada, e em 42 por cento relativamente poucas - mas, mesmo assim, algumas - o faziam. É revelador comparar estes números com os das contrapartidas masculinas: quase todos os homens se envolviam em CEC em 13 por cento das sociedades, uma proporção moderada faziam-no em 56 por cento, e só uns poucos - mas mesmo assim alguns - faziam-no em 31 por cento. Em resumo, a análise transcultural dos índices de infidelidade mostra que as fêmeas e os machos são notavelmente semelhantes. (...)

A espécie humana é preferencialmente e biologicamente poligínica, mas também principalmente monogâmica e - quando as ocasiões se proporcionam - avidamente adúltera... tudo ao mesmo tempo. Não há nenhum modelo anima único que abargue toda a condição "natural" humana. Assim, nalgumas espécies, os machos buscam CEC; noutras são as fêmeas que o fazem. Qual é o modelo para os humanos? Provavelmente ambos. (...)

De acordo com Bertrand Russel, em Marriage and Morals,
A perspetiva cristã de que toda a relação sexual fora do casamento é imoral foi (...) baseada na perspetiva de que toda a relação sexual, mesmo no casamento, é deplorável. Uma perspetiva deste género, que vai contra os factos biológicos, só pode ser vista pelas pessoas sãs como uma mórbida aberração. (...)

O mundo tem uma adoração pelos amantes, e quanto mais profundamente ele ou ela amam, melhor. Não é comum falar-se de um "casamento apaixonado". Falamos, sim, de um bom casamento, de um casamento feliz, confortável ou compatível, mas raramente de um casamento apaixonado. Ou, pelo menos, não por muito tempo. "E viveram felizes para sempre." Está bem, pronto. Mas será que "viveram apaixonados para sempre"? Dificilmente. (...)

Habituámo-nos aos cheiros, aos sons, e mesmo às vistas, tal como quando deixamos de ver os quadros e fotografias com que decorámos as paredes da nossa casa. Uma forma de contrariar a habituação é mudar os estímulos: podemos estar habituados ao som do motor do frigorífico, mas quando este se desliga, ou muda de tom, voltámos subitamente a ouvi-lo. Algumas pessoas alteram periodicamente a posição dos quadros para poderem voltar a apreciá-los. Reordenar a nossa vida amorosa, contudo, é uma questão bem diferente. (...)

O Mito da Monogamia / David Barash & Judith Eve Lipton (2001)

terça-feira, 7 de maio de 2019

7777777 ou Quando Só Vemos o Que Queremos Ver

No dia 7 recebi o livro que me ofereceste. Reparei, por curiosidade, que o tinha acabado um mês depois, precisamente no mesmo dia 7. E há tanto tempo que andava para te dizer o que achei do livro, aquele que a autora tem o mesmo nome que tu, e penitenciava-me, porque, o tempo vai passando, passando, e até já passaram dois meses que o terminei. Que vergonha!
Talvez hoje, quando me apercebi que era dia 7, talvez fosse um bom dia para, finalmente, te dizer o que achei do livro. E estava, precisamente a escrever-te, dizendo o que achei do livro, quando é a minha vez de ser atendido. 

De papel na mão, dirijo-me ao balcão de atendimento olhando e sorrindo para os números, porque no dia 7, por ali cheguei às nove horas e 7 minutos, e o meu número era o dez mais 7...



Na numerologia o número 7 é considerado o número da perfeição e está associado (entre outras coisas) ao misticismo. 

domingo, 5 de maio de 2019

Rezemos Todos Pelo CDS de Conceição Cristas. Amén.

PSD e CDS Descobriram Agora na Oposição que São de Esquerda?

Esta semana aconteceu o insólito! 

PSD e CDS votaram ao lado de Bloco de Esquerda e PCP no parlamento, a favor da contagem integral de tempo dos professores. Tão preocupados que estes partidos de direita estão com os funcionários públicos!

- Mas será que já se esqueceram do que eles mesmos disseram em campanha eleitoral, e o que depois  fizeram mal tomaram o poder em 2011?



É uma pena que PSD e CDS só descubram a sua veia de Esquerda quando estão na oposição! Eu sugiro desde já, que proponham medidas no parlamento para que devolvam todo o dinheiro que roubaram enquanto eles mesmos foram governo! Isso é que era verdadeiramente coerente!



Há Profissões que Justifiquem Diferenças Salariais Tão Grandes?

Nos últimos tempos temos sido confrontados com sucessivas greves e contestações, em que diferentes profissões (maioritariamente vindas do setor Estado) reivindicam melhores salários. São os enfermeiros, os médicos, os professores, os juízes, etc. Na verdade é tudo gente que trabalha imenso e ganha muito pouco! Suponho que lixeiros, auxiliares, e indiferenciados ao serviço do Estado ganhem mesmo muito bem, porque desses nunca ouço dizer que estão em greve.  

E o que eu acho é que os salários deveriam ter diferenças mínimas. Sim, mínimas e não como se vê em Portugal, que temos das maiores diferenças salariais na Europa, e pelos vistos irão aumentar ainda mais.



“Ah, mas eu sou juiz, tive que aprender a aplicar a lei da idade média e a favorecer a maçonaria e os ricos. Tenho muita responsabilidade, tenho até que ganhar mais que o primeiro-ministro”.

“E eu que sou enfermeiro ou médico, tenho que ganhar muito mais que os outros porque estudei muitos anos e sou doutor”.

Pois é, uns acham que precisam de ganhar muito mais que os outros (a eterna guerra de classes em que cada um só olha para o seu umbigo) mas depois vêm uns tipos que até podem só ter a quarta classe, mas que conduzem uns camiões, e se esses tipos se recusam a trabalhar, os juízes, médicos, enfermeiros, professores, deputados (que parece que também ganham muito mal no nosso país), toda essa gente fica em casa e não pode ir trabalhar porque não há combustíveis nas bombas. 

Então por essa lógica de pagar muito a uns e mal a outros, pela “importância”, então digam-me lá qual é mais importante: um juiz, um médico, um deputado, um professor, ou um motorista de matérias perigosas que pode simplesmente paralisar o país?

Quem sabe o que é uma linha de produção, sabe que tão importante é o tipo que aperta parafusos, como o que está no fim a fazer o controlo de qualidade. E numa linha de produção, dependem todos uns dos outros. A linha de produção (e a empresa) vale sempre por aquilo que o trabalhador mais lento fizer! De nada adianta ter cinquenta trabalhadores muito rápidos, se um for muito lento. Todos dependem uns dos outros, todos têm que se ajudar, tudo tem que funcionar verdadeiramente em equipa. 

E para mim, uma sociedade é como uma linha de produção. Todos dependem uns dos outros. Todos são importantes. Hoje não fazemos troca direta de produtos, como antigamente, existe o salário em  dinheiro (e não em sal), mas todos são precisos, todos são importantes. Só numa sociedade muito injusta é que se permite que 1% das pessoas tenha tanto dinheiro como todas as outras juntas. Os ricos são muito ricos, mas se os pobres deixarem de trabalhar para eles, todo o dinheiro que eles possam ter no banco não vale nada! E nem sequer podem limpar o cu às notas porque todos esse dinheiro é virtual, são zeros e uns e não existe na realidade.

E num país justo, nunca que poderia haver pessoas a ganhar cinco, dez, vinte, cem salários mínimos ou cem vezes mais. Porque não há nenhuma pessoa, por melhor que seja, que valha por outras cem. 

sábado, 4 de maio de 2019

Por Que é Que Ninguém Está Empenhado nas 35H Semanais para Todos os Trabalhadores?



Nesta última semana comemorou-se o dia do Trabalhador, mas ironicamente, aos poucos, no 1 de Maio, começa a ser instituído o Dia da Promoçãozinha, à custa de trabalhadores que, em vez de folgarem este feriado (como antigamente) não, vão mas é trabalhar que os mais ricos de Portugal, os merceeiros, querem ganhar mais um bocadinho de dinheiro à custa do dia do escravo. 

De relance apanhei as reivindicações da CGTP. Querem a curto prazo um salário mínimo de 850€.

Mas o que eu não entendo é o porquê de ninguém, nem partidos nem centrais sindicais, nem governo, estarem empenhados em dar as 35 horas de trabalho semanal para todos, e não só para alguns, como aconteceu com a devolução aos funcionários públicos por parte deste governo. 

Neste momento uns trabalham 35 horas por semana, os outros que se fodam, que trabalhem mais um mês e meio por ano!! Sim, disse bem, os funcionários públicos trabalham, só no horário de trabalho normal, menos um mês e meio por ano! Que ricas férias! E ainda passam a vida em greves! 

Acho que não me enganei, e não é preciso ter um curso de matemática para fazer (como a outra) as contas. 

1 Hora a menos por dia são:

5 Horas a menos numa semana

Como trabalhamos 11 meses por ano, são 5 horas x 48 semanas:

Que dá o belo número de 240 Horas!! 

Como um mês de trabalho são 160 Horas, 240 Horas representam, precisamente, um mês e meio a mais de trabalho para um trabalhador do privado. 

Mas um trabalhador numa empresa privada trabalha bem mais que 240 horas num ano, quando comparado com um funcionário público. Nada contra a devolução de direitos cortados pela coligação de Direita, mas, se somos todos trabalhadores, todos devemos trabalhar o mesmo número de horas, e ter os mesmos dias de férias. Isso sim é Igualdade, e não haver trabalhadores de primeira, de segunda e de terceira categoria. Contudo não vejo Ninguém, nem partidos, nem sindicatos, nem governo, empenhados em combater essa tremenda Injustiça. 

terça-feira, 23 de abril de 2019

Tenho Amor Verde em Botão



... Mas no meu coração
Para um dia tu colheres
Tenho amor verde em botão.


Flores para Sylvia - Carlos Lança - 1982

domingo, 21 de abril de 2019

E Por Falar em Notre Dame...



"Ajudas-me a soprar as velas? Não é o que tu pensas..."



Black Birthday / Notre Dame (1999)


sábado, 20 de abril de 2019

Dúvida Existencial 9 - Vaticano e Notre Dame

Já alguém sabe quantos milhões é que o Estado do Vaticano, dono e senhor de todas as igrejas católicas, e que tem dinheiro para acabar com a fome do mundo, vai aplicar na reconstrução da Notre Dame?


Imagem emprestada da net

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Petição: Pela Justiça nos Debates Televisivos



Assinar petição AQUI

Não Há Desgosto de Amor Como o Primeiro


Imagem emprestada da net

Frases feitas. "Não há amor como o primeiro".
Mas será mesmo assim? Afinal isso significa concretamente o quê? Que nunca iremos viver um amor tão intenso como com aquela primeira pessoa que, muitas vezes, o único mérito que teve foi, simplesmente, no nosso pequeno universo, ter sido a primeira a aparecer? E, se tantos anos depois, pudéssemos voltar atrás, e fizéssemos uma troca temporal na nossa vida? E essa pessoa, que teve a sorte de ter sido a primeira, aparecesse mais para a frente no tempo, e outra pessoa, de quem também gostamos muito, passasse a ter sido a primeira pessoa que amamos? Como é que seria? A importância das pessoas seria a mesma? Qual seria agora o amor mais importante? Seria a mesma pessoa, independente do lugar em que aparecesse, ou já seria a primeira? Mas então a relevância do amor mede-se só pelo acaso de termos esbarrado em determinada pessoa em primeiro lugar?

Para mim, o encanto do primeiro amor tem unicamente que ver com uma coisa: a descoberta das novas sensações. Foi com aquela determinada pessoa que descobrimos aquele sentimento forte, o amor, sentimento esse que, todos aqueles que o sentiram, acreditaram e quiseram que tivesse sido para todo sempre. Tal como foi com essa pessoa que, muitas vezes, se descobriram tantas outras coisas em conjunto. Mas, por este ou por aquele motivo, as pessoas afastaram-se, e, como que traíram esse sentimento. E o tempo há-de passar, e muitas vezes um novo amor há-de aparecer e as pessoas voltarão a estar sozinhas, e em vários momentos das suas vidas voltarão de novo a olhar o passado com nostalgia.

A nostalgia dos tempos passados. A mesma nostalgia que invade as pessoas quando se lembram de coisas que faziam na sua infância, quando se lembram dos colegas de escola ou amigos de longa data que não vêem há anos. Lembrar o primeiro amor é mergulhar na nostalgia do primeiro encantamento, no tempo em que ainda se pensava que o primeiro amor seria para sempre. Mas afinal não foi. E não raras vezes o segundo e o terceiro também não. E, se calhar, o melhor seria voltar ao passado, ao tempo do primeiro amor, e fazer tudo de novo, para que o primeiro amor pudesse dar certo e não tivesse sido preciso falhar tantas vezes de novo. Certo? Não, errado.

Eu, sarcasticamente, costumo dizer que não há amor como o segundo. Mas, em boa verdade, acho que não deveria haver amor como o último que vivemos. Porque é sempre desse que temos que nos curar. Não é do primeiro. O primeiro já lá vai, longe, distante, tantas vezes já lembrado e esquecido. Mas, quando o primeiro amor não resulta, as pessoas descobrem uma outra coisa, por vezes tão intensa e trágica: o primeiro desgosto de amor. E, por mais amores que voltem a ter, não mais voltarão a ter outro primeiro desgosto de amor, será, tão simplesmente, só mais um.

Então, se voltamos a amar alguém, que não se comparem amores, independente do lugar espaço-temporal que tenham ocorrido. Contudo, por mais amores que possamos viver, só por uma vez perdemos a ilusão que o primeiro amor seria para sempre. Daí que, se calhar, não se deveria dizer que não há amor como o primeiro, mas sim, que não há desgosto de amor como o primeiro.

Um Carro Não é Para Ser Bonito

Não. Para já ainda não ando à procura de outro carro, mas, por vezes, tropeçamos em anúncios que, pela sua descrição e, neste caso pela frontalidade que apresenta, são por si só muito divertidos:




sexta-feira, 12 de abril de 2019

Consegues Encontrar-me no Teu Coração?




"Pale Tortured Blue" / Draconian (2015)

Não Invoques o Passado... Porque Ele Pode Entrar-te Pela Janela Sob a Forma dum Passarinho

Foto Emprestada da Net

Há coincidências verdadeiramente curiosas. 

Na mesma semana em que, estupidamente, decidi colocar o teu nome lá na rede social onde as pessoas colocam fotografias de si mesmas a olhar para o chão ou em frente de espelhos, um passarinho entrou-me sala adentro e confirmou-me o que há muito suspeitava. Estás separada.

Sim, não sei que me passou pela cabeça para colocar o teu nome. Sempre que me lembro disso apetece-me ir buscar o cilício e malhar com ele forte e feio nas costas para não voltar a cometer tamanha estupidez. O pior é que tu estavas mesmo lá. Felizmente que a tua conta está privada e só vi a foto de perfil com os três nomes com que sempre assinaste. Entrei em choque. E espero mesmo esquecer-me desse vislumbre atual e manter na memória a imagem da pessoa que conheci há mais de vinte anos. 

Foi uns dias depois de ter comprado uma estante preta, toda modernaça, e vê lá tu que é o primeiro móvel IKEA que comprei para minha casa (aquela que eu sempre dizia que era a nossa casa) e logicamente que foi uma estante usada (como nova) e a um excelente preço, porque, como já não te lembrarás, eu não brinco com essas coisas de gastar dinheiro, e, depois de a ter montado (parecia que tinha voltado atrás no tempo para montar os Legos que não tive em criança) entrou-me um passarinho preto, de tons azulados na sala e, no meio de todas as pilhas de tralhas que estavam por lá dispostas, ao ver uma pequena moldura, com várias fotografias tuas e com uma minha no meio, disse-me, assim do nada, que estavas separada. Nada que eu já não suspeitasse há anos, afinal, tu mesma me confidenciaste. Ele não iria ficar contigo para sempre como eu ficaria...

Sorrio cinicamente quando penso que, tantos anos depois, estamos ambos na Casa da Partida. Não me invade nenhum sentimento de regozijo ao saber disso. Pelo contrário. Tenho pena. A sério. Não por nós, mas por ti. Tinhas obrigação de saber que o Karma é muito fodido. 

E ontem tinha ido ao carro buscar uma esferográfica para escrever umas coisas com a minha camarada de trabalho, quando olhei para a caneta e lhe disse que a tinha recebido numa entrevista de emprego há uns bons anos. Éramos uns nove candidatos para uma só vaga. E como é que eu poderia ter ficado com a vaga? Até o meu ex-chefe (com melhor currículo) estava lá!

E não é que hoje, estávamos os dois, lado a lado a trabalhar, quando o senhor administrador, que tinha entrado com alguém de fora da empresa, me chama.... Olho, ainda à distância, e... é o Carlos!!
O que é que estava ali a fazer o Carlos?, o meu primeiro formador da anterior empresa onde trabalhei até ter encerrado portas? Estava lá, precisamente, de camisola vestida com o nome da empresa para a qual eu tinha concorrido e eram nove candidatos, e onde também tinha estado o meu ex-chefe, que era ele, e que por ali entrou hoje, um dia depois! Então foi mesmo ele que ficou com a vaga!

Claro que não fiz vista grossa, cumprimentei-o efusivamente, tendo-me até alheado do que o senhor administrador me havia pedido. Não foi por mal!

E devo ter repetido umas duzentas vezes "que engraçado"....
- Tens falado com alguém que trabalhou lá na empresa?
Não, não estou no Facebook e afins, não tenho falado com ninguém.
Como te compreendo!

Mexer na merda implica sempre um cheiro nauseabundo. Seria impossível remexer no passado e não ficar a pensar nele. Como é que se chamava a última empresa onde trabalhaste nos últimos meses que estivemos juntos? Não me conseguia lembrar... Mesmo tendo sido eu a ter visto o anúncio no Expresso e a incentivar-te que enviasses, de novo, para lá o currículo, para  que para lá regressasses... Mas como é que se chamava a merda da empresa? De vez em quando temos brancas.... O Freud é que explicava isso bem. Deves saber melhor que eu, afinal, tu é que és de psicologia. Mas é sabido que por vezes apagamos mesmo certas informações. Não acho que tenha sido o caso, mas pronto, queria-me lembrar da merda do nome da empresa! Mas nada que com a internet hoje em dia não se descubra, não é? E de novo o choque. Eu sempre digo que nós andamos sempre à volta uns dos outros, mas estar a trabalhar a cinco minutos dessa empresa é um bocado coincidência demais, não?

E para finalizar em grande a semana, o reencontro com o João.

"Eu sento-me como quiser"!

Como assim, não estou ver. Relembra-me...

Quando tu não estavas corretamente sentado, e passa uma empregada e diz-te que não é assim que se senta e tu: "eu sento-me como quiser", e o pessoal todo a olhar... Hei....

A sério, já não me lembrava como era tão rebelde!

De tarde quando me ligavas, falavas que o passado tinha regressado - também a ti?, perguntei!

Foi muito bom o reencontro que aconteceu há meia dúzia de minutos. Histórias semelhantes. Relações que acabam de forma semelhante. Olhar o passado com os olhos de quem já cá está há algum tempo. O que correu mal... como poderia ter sido tão diferente... ou tão igual. As mesmas histórias repetidas até à exaustão, porque se calhar todas as histórias de amor são iguais.

Mas todos os dias voltamos à Casa da Partida. Todos os dias são novas oportunidades. Quanto ao passado, bom, é melhor não invocá-lo, porque ele pode mesmo decidir aparecer.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Conversas Improváveis 39 - Quanto Litros de Água Bebe um Cavalo aos Cem?

Palácio do Bussaco - Luso

(com voz de tia de Cascais)

- Sabe que antigamente, nos anos vinte, a elite ia toda para o Palácio de Vidago.
Sim, Vidago e Bussaco, não?
Sabe que o rei ia para lá para o truca-truca com a badalhoca da atriz francesa.
- Que rei?
O Dom Manuel...
Mas no Bussaco ou em Vidago?
Bussaco. Acha que o rei ia lá para cima? Antigamente os cavalos bebiam muita água...
Pois. Nem imagino quantos litros de água é que os cavalos beberiam aos cem... 

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Conversas Improváveis (38): Secar uma Figueira

Ui, ela começando a falar seca uma figueira!
Não! Uma figueira não! Que seque antes um eucalipto, que uma figueira dá bons figos!


Foto emprestada da net

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Dúvida Existencial 8

Os casais que têm uma só conta nas redes sociais, funcionando duas pessoas como um só siamês, também só têm um número de telemóvel para os dois?

Foto emprestada da net

domingo, 7 de abril de 2019

Teatro: Odeio este Tempo Detergente


Já tinha ouvido falar da peça na rádio. Ana Nave apresentava em palco a poesia de Ruy Belo, interpretada por si e por Maria João Luís, acompanhadas musicalmente por José Peixoto que reconhecemos, por exemplo, dos Madredeus. 

Eu nunca li Ruy Belo, quase não leio poesia, não sei se iria gostar da poesia de Ruy Belo. Bom, mas certamente que iria gostar da Ana Nave. Há pessoas de quem os nossos olhos gostam muito de olhar. E a Ana Nave é uma pessoa que os meus olhos gostam mesmo muito de olhar e os ouvidos de ouvir. 

Em boa verdade eu não vou ao teatro e ficava sempre bem acrescentar que não sei bem porquê. Mas na verdade até sei. Eu não vou ao teatro porque nunca fui habituado a ir. Nunca me convidam a ir, não me relaciono com pessoas que tenham por hábito ir; não me relaciono com pessoas que me digam que foram ver determinada peça e que me aconselham a ir ver.

Mal soube que a peça ia estar no Teatro Constantino Nery em Matosinhos, fiquei inclinado a ir. Comentei com uma amiga que vive nessa cidade, e estava tudo acertado para irmos juntos ver esta peça. Mas, à última hora, por questões pessoais, ela não pôde ir.

E ainda bem que foi à última hora, pois já eu tinha estacionado a trezentos metros do teatro. Se me tivesse dito com muitas horas de antecedência, eu poderia ter encontrado aqui uma desculpa para ter ficado em casa, afinal, quem é que vai ao teatro sozinho? 

Fiquei no carro a ler enquanto esperava que a chuva parasse e fui comprar o bilhete. Dias antes tinha telefonado e a senhora que simpaticamente me devolveu a chamada, disse-me que, para duas pessoas, no próprio dia arranjava bilhetes, e que se viesse um pouco mais cedo, até arranjava melhores lugares. Fiquei na terceira fila, a meio, muito bem situado, a poucos metros do palco. 

Antes do teatro fui jantar. Imensos restaurantes por aquelas ruas de Matosinhos junto ao Porto de Leixões e o Rio Leça. Entrei, sim, é uma mesa só para mim, e escolhi um bife. Saquei do livro que ando a ler e coloquei-o em cima da mesa. É sempre bom aproveitar estes tempos mortos para adiantar umas páginas. O bife estava bom, mas achei que havia bife demais e batatas a murro e verduras de menos. Come-se demais. Come-se carne demais. 

E lá fui para o teatro. Perguntei ao segurança onde era a casa de banho. Subi ao primeiro piso. Quando saía entrava um senhor, alto, forte, de grandes barbas brancas. O rosto fez-me lembrar o Alfred Molina no filme Fridha Kahlo. Desci e encostei-me a um canto. À minha frente um casal. Ela tinha uns sapatos um tanto ao quanto góticos. Quando subi os olhos vi que o estilo condizia com a argola que tinha no nariz. 

As portas abriram-se. Procurei o meu lugar e sentei-me. A sala estava quente. Tirei o casaco e dobrei-o por cima das pernas. No palco de um chão preto, estava disposta do lado direito uma mesa com um computador portátil e uma cadeira, na frente dum ecrã onde se projetavam imagens, e do lado esquerdo do palco, sozinhos, estavam dois pares de sapatos.... à espera que as atrizes entrassem em cena para os virem calçar.

"Odeio este tempo detergente" é um espetáculo de sessenta minutos, com duas atrizes e um músico reconhecidos, e que custa menos que um bife na brasa. E se calhar deveríamos todos ir mais vezes ao teatro. Ali não são precisos óculos porque ali tudo é tridimensional, real e genuíno. Nem há pipocas, nem gente a falar e a olhar para o telemóvel. E no fim há aplausos e as atrizes curvam-se perante o público.

(e não deixa de ser absurdo que o Estado cobre mais do dobro do IVA por uma ida ao teatro que por uma tourada)

Onde Está o Mundo que Eu Vi Nos Teus Olhos?


Onde está o mundo que eu vi nos teus olhos?
Ele viveu durante noite mas depois despediu-se.
Os cortes na tua pele e o vermelho nos meus olhos.
Este Inverno esmaga-me por dentro. 

"... não me lembro de te esquecer, apenas resisto à tempestade"

O amor que eu tive afogou-se com a maré, 
agitando as águas onde o coração fica nu....

"Rivers Between Us / Draconian (2015)

Chuva e Frio em Abril - Onde Já se Viu?

Habitualmente levo comida de casa para almoçar na empresa, mas na sexta-feira isso não aconteceu e fui almoçar ao restaurante mais perto. Eu por norma até me sento de costas para a televisão, mas já no restaurante e a pensar em tirar o livro que estou a ler do saco, sento-me na primeira cadeira da primeira mesa livre que encontro, mas desta feita de frente para o grande televisor (ou telecrã) plano lá ao fundo da sala. 

Meto a mão ao saco para sacar do tal livro que ando a ler e me abstrair do que se passa ao meu redor, mas constato que, afinal, o livro tinha ficado no carro. Merda! E pronto, lá fiquei eu sentado, sozinho, como se fosse a primeira vez que ia a uma praia de nudistas, com uma mesa de seis pessoas mesmo coladinha a mim, todos nus a conversar lá sobre as suas vidas. E não tive outro remédio se não olhar em volta. 

Como é muito raro não levar comida de casa (nem que seja só uma sopa) são raras as minhas visitas a este restaurante. Reparei na empregada de mesa nova, de cabelo preto apanhado para trás, que muito vagarosamente tomou nota de todos os pedidos da mesa de seis pessoas ao meu lado, mas que a mim preferiu não me ver, ou fez de conta, ou acho talvez aquela mesa estivesse destinada a outros empregados. Não sei. Mas o que sei é que se eu fosse preto já podia já dizer que fui vítima de racismo, não sendo preto, acho que fui vítima de outra descriminação qualquer. Incompetência, provavelmente. 

Tudo demasiado lento. Talvez quando já se tratam os clientes pelo nome e se conhece as suas preferências, já achem que se podem desleixar, porque este no dia seguinte voltará. Ainda assim eu não facilitaria, e segundo sei o que não faltam por ali são restaurantes.


Contei as mesas, reparei nas pessoas e constatei que, apesar de só haver dois pratos do dia, apesar de só ser preto ou branco, houve pelo menos dois pratos que chegaram à mesa e o cliente disse que não foi aquilo que havia pedido. Tudo muito lento e nem por isso eficaz.
E pronto, lá fui olhando também para a televisão que estava no mesmo canal de sempre: a TVI. Talvez neste restaurante ainda não tenham sabido da notícia que a Cristina Ferreira foi para a SIC, e que é líder de audiências, ou então porque deve dar muito trabalho mudar de canal; ou então porque talvez achem mesmo que, aquela hora, e apesar dos não sei quantos canais de televisão que os restaurantes têm, talvez achem mesmo que, aquela hora de almoço, o melhor que se podem mostrar aos clientes é um programa a fazer conversa de café a falar de assassinatos.

Entretanto começam as notícias das 13h. Bem, deixa-me lá ver quais são as notícias mais importantes do dia para a TVI, pensei. 
Notícia de abertura: Estava a nevar na Serra do Alvão mas a reportagem mostra de imediato neve na Serra da Estrela! E lá estava um reporter a tilintar de frio e a entrevistar um casal e um criança. De seguida sim, fazem uma reportagem na Serra do Alvão. Terceira notícia mais importante do dia: "Choveu no Algarve e afastou os turistas das esplanadas"! Quarta notícia: "Acidente na A1 provoca quatro feridos ligeiros"! 

Para a TVI, a notícia mais importante no dia 5 de Abril de 2019 é que estava chuva e frio. Acho que estes jornalistas certamente não andaram na escola, ou se andaram, ficaram em casa quando se deram alguns dos muito provérbios de Abril:

"Em Abril águas mil"  ou "Em Abril queima-se o carro e o carril". 

Mas para os jornalistas da TVI (bem como para muitos outros canais)  há agora um novo provérbio: "Chuva e frio em Abril - onde já se viu"?

sábado, 6 de abril de 2019

Nome em Árabe


O meu nome em árabe. 
(isto se o sujeito não escreveu para ali outra coisa qualquer!) 
Esta pintura (chamemos-lhe assim) foi feita há uns 15-19 anos na Viagem Medieval de Santa Maria da Feira. 

Para Ser Mais Ético que o Cavaco Silva é Preciso Nascer Duas Vezes


Será que Há uma só Oficina Automóvel em Condições neste País?

"Se não fosse um amigo meu que lá trabalha, 
e que me tivesse dito, eu não acreditava: 
na Bosh Car Service não mudam o óleo, 
acrescentam"

Imagem emprestada da net


Começo a achar que não. 

O primeiro mecânico sempre me pareceu bom, ainda que nessa altura, do meu primeiro cavalo, que era branco, a mecânica era outra. Basicamente era mesmo só mecânica e não tanta eletrónica como agora, em que os vidros deixam de funcionar por tudo e por nada, um qualquer sensor passa-se e o carro já só anda a 50Km/hora.

O primeiro mecânico sempre me pareceu bom mas a verdade é que o carro, apesar de ter 1200cc a gasolina e ter 300 mil Km, também nunca dava problemas. Mudava o óleo e o filtro, trocava pneus, e calços, e basicamente o carro só tinha que ver substituídas peças de desgaste. E o mecânico sempre me pareceu bom, mas passados uns anos logo aí começaram os problemas. 
- Não é que o mecânico decidiu ter um AVC e morrer?!

Fiquei sem mecânico, e entretanto também decidi comprar o meu atual cavalo preto, carro que está comigo há já bem mais tempo que qualquer relação amorosa: onze anos! Bom, o carro foi comprado com 50 mil km, num estado quase semi-novo, e assim sendo, achei por bem meto-lo na Renault. E tudo foi correndo bem - tirando que logo na primeira vez que me deram cabo da pintura e tentaram convencer-me que aquilo terá ficado assim, porque "se calhar" vim para casa atrás de um camião que salpicou qualquer coisa e estragou a pintura... Espera lá, mas qual foi a parte do carro estar com a pintura toda picada, a toda a volta, incluindo o vidro da frente em que mais parece que andaram a fazer tiro ao alvo que vocês não perceberam? Não acham que se calhar foi da lavagem automática que eu não solicitei?

As manutenções programadas lá foram sendo feitas, e eram bem caras e, mesmo que no centro de inspeções dissessem que estava tudo bem, conseguiam arranjar qualquer coisa que "se calhar era melhor mudar"! Isto até ao dia em que, por culpa da marca, que, mesmo tendo sido alertada por mim, se não deveriam fazer uma certa substituição de peças (que já me haviam alertado) dizem-me que não, que não é preciso porque aquelas peças não avariam (fartos e cheios de saber que é o cancro daqueles motores DCi) e o carro avariar 5 mil Km depois e me ter dado um prejuízo de mais de mil euros! Claro, não assumiram o erro e o comportamento totalmente negligente que tiveram (apesar de tudo ter ficado escrito) e, depois de escrever no Livro de Reclamações e ter recorrido a Tribunal Arbitral (que é uma autêntica anedota!) tive que arcar com as despesas numa outra oficina porque caso contrário teria que gastar ainda mais dinheiro num tribunal comum.

Nova oficina mesmo ao lado do emprego. Da primeira vez correu bem, não tive nada a apontar. Lá voltei da próxima vez e eis que começaram os problemas. Mecânico demasiado voluntarioso! Uma pessoa diz que é só para mudar o óleo, previne-o que se encontrar mais alguma coisa é para avisar antes (como antes já não tinha avisado) e chegados lá apercebemo-nos que mudou mais peças, trocou as rodas da frente para trás, lavou o motor e aplica-nos uma conta (sem IVA!) mais ou menos do dobro que estávamos à espera! 

O melhor livro de reclamações é não pôr mais os pés na oficina e então, depois de ter falado com uma pessoa de família, passei a deixar os carros numa oficina perto da terrinha .

As primeiras vezes tudo bem. Preços bastante acessíveis, parecia que, finalmente, tinha encontrado a oficina da minha vida! Até que, depois dum tio meu ter tido um acidente, e ter ficado com o carro com algumas amolgadelas, sugeri-lhe que lá deixasse o carro. Entretanto, e vários telefonemas depois, o carro já lá está há mais de três meses, e do outro lado só ouço desculpas. 

Os mecânicos ganham imenso dinheiro, e têm, por exemplo, grandes comissões só nas peças. Mas ainda assim, trocam coisas que não são precisas, cobram serviços que não fazem (ainda me lembro do colega arquiteto se queixar que levou o Smart à marca, e cobraram-lhe uma carga de ar condicionado, quando o carro simplesmente nem ar condicionado tem!) sem falar nas peças usadas que metem, quando dizem que metem e lá continuam as mesmas peças velhas, e, juntando a isso, muitas vezes toda uma série de reparações mal efetuadas. 

Acho que é mesmo caso para começar a pensar que não há uma oficina automóvel em condições neste país... E não exijo muito. Só peço: competência, seriedade e profissionalismo. Se alguém conhecer alguma que avise.

domingo, 31 de março de 2019

Conversas Improváveis (37): Casamento

"Quero-te ver casado antes de um de nós se ir embora daqui".

(a sério que achei isso muito bonito... ainda que isso possa não ir de encontro aos meus objetivos)

Imagem emprestada da net

terça-feira, 26 de março de 2019

Que Eurodeputados Portugueses Votaram a Favor da Censura na Internet?


Não me vou esquecer de quem votou a favor, que foi a maioria dos 21 eurodeputados, excluindo a eurodeputada Ana Gomes (PS), Marisa Matias (BE) e os três deputados do PCP.

Ajudar Moçambique em 2032

Se um envio que fiz em correio normal, do Porto para Barcelos demorou um mês e meio a chegar, estou em crer que a ajuda solidária dos CTT chegará a Moçambique, não sei, mas com boa sorte, talvez lá para 2032. 


segunda-feira, 25 de março de 2019

A Citação que Aprendi Hoje...

... e que me deixou a pensar:


(Ouvi esta citação no programa "O ar do tempo" de Gabriela Canavilhas, na Antena 2).

terça-feira, 19 de março de 2019

Um Abraço de Dois Anos

Não me esqueço de quem se lembra de mim e não me esqueço que faz hoje dois anos que vieste, lá de tão longe, só para me ver e constatar que, apesar da falta de algumas peças e um bocado remendado, eu ainda estava inteiro. Não esqueço também de quem me telefonou, todos os dias, sem falta, para saber como estava, de quem se preocupou, e, de uma ou outra forma, esteve presente num momento complicado, e é nos momentos difíceis que fazemos a chamada e vemos quem está presente. 

Mas, por este ou aquele motivo, acabaste por ser a única pessoa que o fizeste pessoalmente, e mesmo que tivesses tido oportunidade de ter ficado só umas dezenas de minutos, a verdade é que vieste na mesma. E essas coisas não se esquecem.


Eu não cuidava era que aquele abraço, um bocadinho menos forte que o habitual, mas só para que não me pudesses rasgar pelo picotado, tivesse que aguentar tanto tempo, sem que as tuas águas viessem, de novo, banhar a minha areia...

Terra Sagrada



"Hallowed Land" / Paradise Lost (1995)

Coisas Que me Lembram de Ti (2) - Árvore das Rosas




Um pouco por todo o lado vêem-se agora rododendros em flor. E agora, como todos os anos por esta altura, sempre que os vejo em flor, em especial com flores vermelhas, vejo-te a posares para esta fotografia num dos sítios mais bonitos do país, sítio esse que te levei a descobrirmos, os dois, juntos, pela primeira vez. 

Ensinei-te o nome, e repeti-te em diferentes alturas: "ro-do-den-dro"!
- Acho que já não te lembrarás! É normal. Eu sei que não é propriamente um nome de muito fácil memorização e podia-te ter explicado o nome, bem mais interessante que tem em português.

Rododendro vem de "Rhodon" + "dendron". Em que "rhodon" significa "rosa" e "dendron" significa "árvore". Ou seja, a um rododendro podes chamar-lhe: "Árvore das rosas".

Já viste que bonito que é? E agora já sabes que sempre que vejo uma árvore das rosas é-me impossível não me lembrar de ti...

domingo, 17 de março de 2019

Os Utilizadores do Facebook São Vítimas da Violência Doméstica?



Por estes dias, depois de ter tomado conta do mais recente escândalo facebuquiano, em que, qualquer pessoa, (mesmo não estando registado) dessa rede social, pode, através de várias aplicações, informar o Facebook de dados pessoais como, por exemplo, quando determinada mulher está menstruada ou quando está no período fértil, e depois dessas informações privadas terem sido comprometidas, surgiu-me a pergunta:

Nos dias de hoje, depois de tantos escândalos que se sucedem uns atrás dos outros, será que um ainda utilizador de Facebook não é como uma vítima de violência doméstica que tolera o seu agressor porque acredita, lá na sua cabeça, que o agressor bate-lhe porque gosta de si?



Eu devo ser o último português (ou quase) sem Facebook. Nunca me registei apesar das muitas pressões, e só eu sei pelas pressões por que passei. É que nem se compara às pressões que vou tendo agora para usar um tal de Whatsapp (fui agora ao Google ver como se escreve) porque descobri agora que, afinal, segundo algumas pessoas, enviar e-mails dá muito trabalho! Anexar imagens nem se fala! Mas não sei, talvez com esse Whatsapp baste às pessoas pensarem e as outras pessoas amigas com quem queremos comunicar, recebam de imediato, virtualmente, o que queremos dizer! Se assim é deve ser realmente espetacular! Não dá trabalho nenhum!

Mas entretanto os mais jovens começaram a debandar do Facebook e muitos agora já nem se registam lá ("porque não querem frequentar o mesmo sítio de pais e avós") e, aos poucos, começaram os sucessivos escândalos. O senhor Zuckerberg, qual criancinha que fez uma asneira, teve que dar explicações no Senado americano e no Parlamento Europeu, e ficamos a saber, verdadeiramente, como eram tratados os utilizadores do Facebook, e mais grave ainda, pessoas que, como eu, que nunca sequer lá estiveram registados, mas que, mesmo assim, podem lá ter dados pessoais por causa de pessoas comuns que lá estejam e interajam connosco.

A DECO/Proteste colocou o Facebook em tribunal e as pessoas querem indemnizações. Claro que querem algum dinheiro que venha, contudo, o que eu pergunto é: toda essa gente que subscreveu a petição para ser indemnizada apagou as suas contas de Facebook ou ainda continuam por lá?

E esta semana, todos os sites do senhor Zuckerberg (Facebook, Instagram, Whatsapp) estiveram em baixo. E foi o caos! Houve mesmo uma televisão australiana que pediu à população para não chamar a polícia! Afinal, como é que as pessoas conseguem viver sem redes sociais, sem gostos ou sem cuscar a vida das outras pessoas? Felizmente que foi só um dia, e o Twitter estava a funcionar, senão, certamente iriam acontecer suicídios em massa! 




Será que não poderemos então dizer que os utilizadores do Facebook estão para a internet como as vítimas de violência doméstica para com os agressores? Repare-se que, neste apagão do Facebook, é como se a vítima de violência doméstica, reclamasse por não ter o seu agressor para lhe dar porrada! 
Mas o mais grave é que, uma vítima de violência doméstica, na pior das hipóteses pode morrer; uma vítima do Facebook, se morrer, ainda assim continuará a ter a sua conta por lá, eternamente, a ser interagida pelas outras pessoas. 

quarta-feira, 13 de março de 2019

Deste Lado do Mar Vermelho

"Numa das tardes antes da vinda de Emídio, a poucos metros do casebre, um homem vindo de nenhures dirigiu-se-lhes. O olhar do tio alterou-se e ordenou que fossem imediatamente para dentro. Jaime empoleirou-se no janelo e, mergulhado numa espécie de ingénua especulação, ficou a espreitar. Quando o desconhecido se afastou, Anselmo veio contar-lhes uma longa história. Num certo sítio da terra chamado Egipto, muito longe dali, reinava um faraó. Sob o domínio desse faraó e desse povo, os egípcios, viviam os hebreus. Todos os hebreus eram escravos. Homens, mulheres e crianças eram obrigados a trabalhar noite e dia, carregavam fardos pesadíssimos, cultivavam, limpavam e tratavam das cabras. Uns morriam de fome e, outros, de cansaço. Sempre que queriam dormir ou quando ficavam doentes, os egípcios batiam-lhes. Apesar das duras condições, os hebreus eram cada vez mais. Posto isto, o terrível faraó começou a temer que se revoltassem. Decidiu, então, que todas as crianças hebreias fossem atiradas ao rio. Algumas mães, não muitas, conseguiram esconder os bebés e levá-los até ao mar vermelho. Era o único mar vermelho à face da terra e dividia o Egipto do resto do mundo, mas era muito difícil atravessá-lo. Anselmo era um dos poucos homens que conseguiram fazer a travessia e os meninos, bebés hebreus que as mães trouxeram às escondidas. Contudo, não estavam completamente a salvo. De tempos a tempos, os egípcios vinham por toda a terra à procura dos fugitivos e, sempre que apanhavam crianças, matavam-nas. Convencidos de quão importante era que se escondessem mal avistassem um estranho, ainda que ao longe, os meninos ajudaram a tecer o próprio casulo. Jaime foi o primeiro a passar pela metamorfose. Depois do pânico, perante polícias e médicos estupefactos, jurou a pés juntos que era egípcio, talvez assim lhe poupassem a vida. Quanto aos mais novos, trazidos pelo próprio Anselmo não sem antes conversar com eles, a mudança foi menos dramática. 
Apercebi-me, depois, que tinha acabado de ler o livro no dia sete, precisamente um mês depois de o ter tirado da caixa do correio. O dia sete não foi um dia bom para mim. Foi triste e continua a ser triste sempre quando me lembro. Mas ao fim da tarde, quando cheguei do trabalho, abri a porta da caixa do correio, e vi que tinha lá um livro, o tal livro que me tinhas dito que me querias oferecer, fiquei curioso. Abri o envelope, olhei para a capa, e não pude deixar de sorrir quando vi que me tinhas oferecido um livro de uma autora com o mesmo nome que o teu. Olha que coincidência!, pensei.

Trouxe o livro para casa e guardei-o muito bem guardado. Nem o abri. Eu sei bem que sou um bocado estranho com as coisas que me oferecem. Só dias depois, quando peguei nele para o começar a ler, é que vi que tinha a dedicatória. E outra coincidência! Além de me teres oferecido um livro de uma autora que tem o teu nome, dentro, fiquei mesmo espantado com as parecenças da fotografia. Podia jurar que eras tu! 

Gostei do livro. Gostei de ir desvendando a história daquelas três crianças, e do Anselmo, que vai prendendo a curiosidade do leitor. Gostei de pormenores como aquele do Custódio ter contratado o Jaime para ver se havia toupeiras lá no terreno dele, e da resposta que lhe deu; gostei da comparação entre as mulheres do Custódio e os goivos; gostei daquela metáfora sobre a morte:

"A morte é uma represa a interceptar cursos de vida, projetos quase sempre embargados a pique para a cova":

Gostei do livro que me ofereceste mas não pesquisei rigorosamente nada sobre a autora. Não sei, acho que não me sentiria confortável, seria como estar ali a bisbilhotar; imagino que seja assim que as pessoas fazem quando acabam de conhecer alguém, e vão logo logo ao Facebook ver o perfil da pessoa. Imagino, porque eu nunca estive no Facebook.
Não fui pesquisar nada sobre a autora porque acho que me bastou tê-la conhecido pessoalmente. Mas é provável, até porque eu costumo voltar a autores que goste, que um dia venha a querer pegar noutro livro da mesma autora do livro que me ofereceste. E, já agora, e tal como vos disse, eu tenho andado realmente a conhecer pessoas muito interessantes...

Deste Lado do Mar Vermelho / Sónia Cravo (2013)

domingo, 10 de março de 2019

O que o Google mostra Primeiro de Mim


Curioso como o Bucólico-Anónimo só aparece na quarta página, e este blogue pessoal não aparece sequer nas primeiras dez páginas. Por outro lado o blogue de uma amiga aparece logo nos primeiros resultados. Insondáveis os desígnios dos algoritmos do Google...

sábado, 9 de março de 2019

Obrigado Brasil pela Eleição de Bolsonaro (3) - A Autoproclamação de José de Abreu



Ainda só passaram dois meses desde que Bolsonaro está na presidência do Brasil e já se fala de impeachment porque o presidente cometeu a burrice de se meter com o Carnaval, e, como todos nós sabemos, o Carnaval é só a coisa mais importante para os brasileiros!

Bolsonaro conseguiu mesmo o feito de pôr o The New York Times a falar de "golden shower", tudo por causa dos vídeos que partilhou na sua conta do Twitter, tentando demonizar a comunidade LGBT brasileira, só que, misturar isso com Carnaval não correu lá muito bem, e, como disse, já há quem esteja a falar de impeachment e outros a querer avaliar a sanidade mental do senhor presidente.  


Mas esta foi uma semana deveras divertida para os lados do Brasil, tendo começado logo na segunda-feira com José de Abreu (conhecido ator) que se autoproclamou Presidente do Brasil. Só em dois meses e o que o povo brasileiro já nos está a fazer rir! Muito obrigado!