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sábado, 16 de novembro de 2019

dos Lugares no Céu aos Laiques nas Redes Sociais

"Assim que uma moeda tilinta no cofre, uma alma sai do purgatório".

Tenho para mim, e ninguém me tira mesmo da cabeça, que foi a Igreja Católica, de forma pioneira, que inventou o capitalismo selvagem tal como o conhecemos hoje. A basílica de São Pedro não se construía sozinha e era preciso muito dinheiro, e vai daí surgiu a ideia: e se começássemos a permitir que as pessoas cometessem pecados mortais e cobrássemos uma taxa para meter uma cunha a Deus? Todos aprendemos na escolinha sobre a bula das indulgências, no fundo como o pobre endinheirado pecador poderia comprar a sua salvação desde que, claro, pagasse a quantia certa!  

BBC
Entretanto a Idade Média já lá vai à uns tempitos, mas também hoje, em pleno século XXI as pessoas compram a entrada no céu, a sua vida perfeita através das redes sociais. Vem isto a propósito de eu ter estado a ler sobre o Instagram estar já a estudar a possibilidade de banir os gostos e isso estar a deixar muita malta apreensiva porque seria o mesmo que a Igreja da Idade Média passasse a não aceitar avultadas quantias de dinheiro para conduzir à salvação eterna! Porque tudo se compra e tudo se vende. Hoje os utilizadores das redes sociais compram a sua entrada no reino dos céus dos que têm mais laiques e seguidores, comprando gostos e seguidores! Fiquei a saber que cerca de 64% dos influenciadores admitiram que compram gostos!, e dei-me conta também como é que a senhora Dolores é a personalidade portuguesa mais seguida nas redes sociais. Basta comprar não é?, e tendo em conta que o seu filho não recebe o salário mínimo e até pagou a sua própria estátua para se auto-homenagear, ficou claro como água como é que a senhora é a rainha das redes sociais em Portugal, apesar de não lhe ser conhecida qualquer vocação ou especial capacidade física ou intelectual.  

Frequentemente digo que a nossa vida hoje não é assim tão diferente da Idade Média. E a verdade é que as novas Igrejas são agora as redes sociais, onde até um gajo que nem saiba falar pode ser eleito presidente com recurso a exércitos de bots, desde que, obviamente, os possa comprar!

Cada Gosto que cai no perfil, é mais uma vida perfeita que se constrói na rede social. 

sábado, 9 de novembro de 2019

O que é que Haveria de ser dos Ricos e da Religião sem os Pobrezinhos?

"O "pobrezinho"era uma entidade que povoou a minha infância e que recolhia o amparo e o carinho de todos (...) Em todas as "boas" casas da minha meninice meiga e temente cultivavam-se os pobrezinhos, regavam-se com bocadinhos de pão com conduto, com pequenas moedas de cobre, e cultivava-se sobretudo a sua pobreza. Havia a comida dos pobres, a esmola dos pobres, as visitas dos pobres e a sexta-feira, sobre ser diz aziago, era também o dia dos pobres (...) As coisas para os pobres eram objetos intermédios entre o uso e o lixo. Estavam pré-determinadas e correspondiam ainda à dificuldade do desapossamento das coisas, mesmo as que já não servem, que está na base da civilização em que vivemos.

(...) Sinto que, se não houvesse pobrezinhos, a vida espiritual da minha infância teria sofrido uma lacuna tão grave como se não tivesse havido missa (...) Os ricos deliravam com estes pobrezinhos assim cordatos, submissos e respeitadores. Havia muitas espécies de pobres. Quanto ao modo como adquiriam os meios de subsistência, havia os pedintes, os necessitados e os envergonhados (...) quanto à sua conformação psíquica, havia os preguiçosos, os bêbados e os mmaluquinhos propriamente ditos.
Alguns atrasados mentais davam muito jeito numa casa. Faziam pequenos serviços: regar as flores, ir a uma loja certa buscar isto e aquilo. Acomodavam-se aos trabalhos de uma certa estrutura doméstico-provinciana, ganhavam menos, ficava-se muito bem visto (...) Quem não viveu como eu vivi a monotonia dos anos trinta não pode imaginar como estas coisas eram importantes e divertidas. De resto, com alguma razão a avó do Otto Lara dizia: "Boa criada só meio retardada".

(...) Entre o pessoal efetivo das casas e os pobres de pedir havia uma zona intermédia de seres que viviam da esmola mas não eram tratados, nem gostariam, de ser profissionais propriamente ditos. Eram normalmente mulheres, e eram chamadas "meninas" até à decrepitude. Faziam pequenos trabalhos de costura, algumas tinham jeito para bordados, outras faziam bolos (...) Vestiam do vestir que sobejava dos guarda-fatos quando já estava no fio, comiam do comer que sobejava da mesa quando já estava frio.

(...) Toda a minha infância ficou assim povoada de pobres de que estes eram os mais valiosos, porque mais autónomos, alguns mesmo marginais às estruturas, mas havia outros que estavam completamente integrados no nosso status comum em conluiado contraponto.
Todos os que faziam parte do chamado "mundo do trabalho" também eram pobres se se mantinham submissos e respeitadores. Caso contrário eram "bolchevistas". Quando aprendi a palavra  "bolchevista", longe estava de saber que eles tinham tido coisas lá na Rússia com os "menchevistas".

(...) Todo este clima justificava a filosofia do velho Meneses:
"Nosso Senhor acuda aos ricos, que os pobres com qualquer coisa se governam". E era.

Como o mundo dos ricos tinha grandes contestações ao nível da ética tradicional e porque, evidentemente, havia pessoas muito mais ricas que nós, isso dava-nos alguma margem de manobra para singrar entre a riqueza, que implicaria uma série de imprecações em relação aos preceitos evangélicos e não justificava o ritmo de poupança em que estávamos sendo criados e que era o nosso estilo de viver, e a pobreza, que não era manifestamente o nosso estado.
Recorria-se então a um truque  de linguagem: "éramos remediados". A situação de "remedido" era extremamente cómoda porque, sem as dificuldades da pobreza e sem o odioso da riqueza, permitia que vivêssemos de boa consciência o nosso quotidiano privilegiado, sendo certo também que os pobres, desconhecedores destas subtilezas  linguísticas, nos enquadrava, muito justamente no mundo dos ricos, mas nunca nos trouxeram por isso qualquer espécie de dificuldades (...)

Mansos, cordatos, "òmildes", respeitadores, obedientes ao senhor e ao Senhor, por eles não vinha ao mundo qualquer espécie de males. Pretendiam só que lhes fosse permitido viver o seu dia-a-dia da miséria e que lhes assegurassem aquele mínimo que os deixasse subsistir. Em troca, forneciam a boa consciência aos ricos e deixavam até que os poetas os tomassem para pretexto do seu lirismo barato.
A cariente disso. Não, de maneira dosa burguesia tradicional cultivou por tudo isto a pobreza dos outros com um carinho enternecedor. Nunca lhes passou pela cabeça que cabeça que talvez fosse possível acaba com ela ou, pelo menos, tratar muito seriamnenhuma. A pobreza fazia parte integrante do universo económico, religioso e moral dos ricos que encontraram sempre nos pobres a mais devotada das colaborações (...)

Logo que a classe operária teve, nos tais países desenvolvidos, teve acesso aos benefícios do capitalismo, passou a incomodar-se menos com a transcendente missão de que os outros a tinha encarregado e, muito naturalmente, passou a preocupar-se mais com o frigorífico, a televisão e o automovelzinho, que são coisas que dão muito jeito e só quem as tem é que sabe a falta que isso faz (...)

Acresce que as pessoas talvez não se tivessem dado bem conta de que uma sociedade capitalista cria, muito naturalmente, um proletariado de mentalidade capitalista porque os processos, as motivações, os valores, são exatamente os mesmos. Por essa razão, natural é também que tudo assim aconteça: o condicionamento global em que a sociedade capitalista vive não é de molde a dar ao problema uma solução adequada (...)

Foram quase sempre "traidores" da burguesia que criaram as motivações capazes de mobilizar as forças que originaram as grandes mutações sociais (...)

Este tipo de situação que aparece de forma clara na sociedade em geral tem muito naturalmente os seus reflexos na sociologia duma religião que enfiou como uma luva a sociedade burguesa com as suas grandezas e misérias. Em vez de, como esperava, a religião ter modificado as estruturas, foram as estruturas que modificaram a religião. A conveniência dos pobres dos ricos corresponde exatamente à conveniência dos pobres da Igreja. Os mesmos sinais de perigo iminente soltam-se, simultaneamente, dos senhores da burguesia e dos senhores da Igreja, preocupados com "a agitação e a subversão que se pode provocar nos seus queridos pobrezinhos".

domingo, 11 de agosto de 2019

Cruzes Canhoto!

Dicionário Porto Editora

Acordei, liguei o computador, e, como é habitual, fui ler as capas dos jornais. Choque e pavor: "Dragão entra com o pé esquerdo no campeonato" lia-se n'A Bola!

Que significa isto? Que o FCP entrou no campeonato a ganhar qual melhor jogador de futebol de sempre, o esquerdino Maradona? Não! porque afinal fiquei a saber que a equipa das Antas perdeu 2-1 em Barcelos. 

Historicamente, e vá lá saber-se desde quando, os canhotos sempre foram perseguidos, descriminados, e até mortos. Mas ainda hoje, em pleno século XXI, em muitos países, continuam a ser vítimas de estigma social, porque, lá está, são uma minoria e como todas as minorias, são descriminados pela maioria. 

Naquele livro que "nunca mente" Jesus senta-se "à direita do pai", e o lado direito é sempre referido como o lado bom, ao passo que, além de ser referido muito menos vezes, o lado esquerdo é sempre referido de forma negativa. E foi por causa da Bíblia que se iniciou esta cruzada contra as pessoas que usavam naturalmente a mão esquerda para fazer as coisas, até porque, por exemplo, os Celtas (povo tão à frente do seu tempo, mesmo à frente deste nosso tempo do século XXI) valorizavam os canhotos porque tinham clara vantagem em combate. E também os Maias e os Incas olhavam para os canhotos de forma favorável. 

Mas por causa dessa interpretação bíblica fundamentalista, a Igreja Católica começou a perseguir quem é diferente, quem usa a mão esquerda para fazer as coisas, e quem o fazia começou a ser conotado com o Diabo! Para a Igreja, ser homossexual, ruivo, preto, ou conhoto é a mesma coisa! Fogueira com eles! E certamente que também muitos conhotos fizeram-se passar por dextros para que sobre si não fossem levantadas suspeitas. Certamente que muito canhoto viveu dentro do armário. 

E muitos outros, mesmo em pleno século XX, como eu por exemplo, foram forçados a ser dextros porque em pleno século XX os professores puniam os canhotos, como se tivessem uma doença venérea! E eu nem sequer nunca soube que era canhoto de origem, até ao dia em que olhei para a forma como descascava uma laranja e perguntei... e sim "quando eras bebé pegavas em tudo com a mão esquerda, mas nós púnhamos-te na mão direita". 

Mas apesar disso ter acontecido na Idade Média!, ainda hoje, gente que até faz da comunicação a sua profissão, como os jornalistas por exemplo, continuam a atribuir a conotação negativa ao lado Esquerdo. Uuuhh cuidado, o Dragão entrou de pé Esquerdo e o Benfica entrou com o "pé direito" no campeonato!

E anda muita gente traumatizada, especialmente aquela malta urbana que vota no PAN e tem cães dentro de apartamentos, que ai-jesus-que-não-se-podem-usar-expressões como "a porca torce o rabo" ou "pegar o touro pelos cornos" mas depois não vejo literalmente ninguém a insurgir-se contra estas descriminações bacocas, que estão tão enraizadas que as próprias pessoas nem notam que estão a descriminar ao usá-las. É mais ou menos como a história de chamar "encarnados" ao Benfica porque o ditador Salazar não queria que se associasse a palavra "Vermelho" à palavra "Vencedor", e o lápis da censura era azul. Mas ainda hoje, os jornalistazinhos, não vá o ditador levantar-se da tumba, referem-se ao Benfica como "encarnados". Pois como disse um certo senhor:


Também não vejo ninguém incomodado com a própria definição que vem nos dicionários. E, se muito se falou em alterar a definição da palavra "Mulher" que estava associada (também por causa da merda da religião católica) ao "sexo fraco", até porque o Deus inventado pelos católicos é machista e misógino, pergunto: não seria também já tempo de retirar a conotação negativa e religiosa da palavra canhoto? 


terça-feira, 11 de junho de 2019

O que Deus Uniu Descola Mais Rápido?



Números oficiais PORDATA, hoje, na primeira página do Jornal I:

"Quem casa pela Igreja divorcia-se mais do que quem casa pelo civil".

E temos que ter em conta que, pessoas do mesmo sexo não podem casar (nem divorciar-se) pela Igreja, pelo que vão para o bolo dos casamentos e consequentemente divórcios civis. 

O que eu me pergunto, e seria certamente uma reportagem interessante, era perguntar aos responsáveis da Igreja Católica - o que acham destes resultados?, afinal, segundo julgo saber, pelo menos por aqui na aldeia que há uns anos, quem queria casar pela Igreja Católica, até tinha que fazer um curso de preparação e tudo!, ainda que, esse curso fosse ministrado - ironicamente! - por alguém que nunca soube o que são os desafios de estar casado!

O que é que isto poderá querer dizer? 

Na minha opinião que quem casa pela Igreja, se calhar fá-lo de forma menos esclarecida, se calhar querendo corresponder e ir de encontro a determinadas expectativas, dogmas e pressões familiares, não fosse até corrente que o casamento é a cerimónia dos pais (que muitas vezes a pagam) e não dos dois principais interessados. Mas para mim quer também dizer outra coisa: a completa falência da instituição casamento, até porque, e já aqui falei do assunto: mais de 50% das crianças que nascem em Portugal, nascem fora do casamento.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Como Comprovar um Milagre?

Ora bem, daqui por dois dias, no 13 de Maio de 2017 faz cem anos que a Igreja anda a enganar os crentes - por alguma coisa se diz "és mesmo crente!" - e então, para se comemorar a efeméride, nada melhor que arranjar assim à pressão um milagre qualquer para canonizar dois pastorinhos (logo os que nada viram! e as voltas que a Lúcia deve estar a dar na campa!) e vai daí, dizem que há uma criança brasileira! (quão conveniente!) que se curou graças a um milagre dos pastorinhos. 



Mas eu tenho um método muito mais eficaz para comprovar realmente que a criança brasileira está a dizer a verdade, e se de facto está protegida pelos santos!

Pega-se no puto e leva-se lá acima da basílica, que nem é muito alta (só tem 18 metros) e manda-se o puto lá de cima. Se perante o grande malho que ele vai dar, chegar cá abaixo, e se levantar pelo próprio pé e fizer um quatro, está comprovado! É milagre!! Caso o puto se esbardalhe todo ao comprido no chão, como é previsível que aconteça, e morra ou vá para o hospital, então, é por demais evidente que estamos perante mais uma, das muitas aldrabices da Igreja Católica. 

domingo, 4 de setembro de 2016

A Canonização da Sádica Fascista

Hoje, domingo, dia 4 de setembro de 2016, os católicos têm mais um santinho a quem pedir milagres: a velha fanática albanesa que em vida era amiga dos ricos, corruptos e ditadores, e que se serviu dos doentes e moribundos que acolhia e os deixava morrer sem quaisquer condições e que com isso granjeou fama e proveito, chegando mesmo a prémio Nobel,  e que no seu discurso disse esta aberração: "o maior destruidor da paz hoje é o choro da criança inocente não nascida"!

Via Pinterest

Recebeu milhões e milhões, e podia ter ajudado os doentes, mas não, deixava-os morrer e nem analgésicos lhes dava, porque pregava o culto do sofrimento, parece que era para estarem mais perto de Deus! 

Mas curiosamente quando foi ela mesma que ficou doente, a puta, (sem querer ofender as putas a sério que trabalham para ganhar a vida) a puta foi internada numa clínica moderna e cara! Ela já não quis morrer sem condições, nem quis estar perto de Deus! 

Quem não lhe conhecer a santidade, pode sempre ver o documentário dos anos noventa Hell's Angel (Anjo do Inferno) que é bastante elucidativo das suas santas façanhas:


Mas a verdade não interessa para nada. O que importa é o que parece que é, e as pessoas comem o que lhes dão a comer sem questionar. Mesmo que hoje exista uma coisa chamada internet! E se o Vaticano e o Papa dizem que esta velha sádica era uma santa então deve mesmo ser verdade, afinal é o santo Papa! E é tão bom este Papa, este é que é fixe!

E o que fica para a história é isto, uma velha sádica, corrupta, fascista, que não prestava qualquer auxílio aos doentes e os deixava morrer ao desmazelo sem qualquer assistência médica, vai passar a ser uma santa, e certamente vai ser fazer muitos milagres. É para isso que os santos servem não é? Para lhes fazerem promessas que eles fazem milagres certo?

Posto isto, eu deixava também algumas sugestões de canonizações futuras ao cuidado do Vaticano: 
Hitler, Estaline, sei lá, por que não Salazar por exemplo? Ah, e esperem que a Isabel Xoné do Banco Alimentar morra e canonizam-na também. Que exemplo de mulher que faz a caridade, que santa mulher.

terça-feira, 21 de junho de 2016

O Placebo Espiritual

Ao longe, ouvia o senhor, com mais de setenta anos, que já percorreu grande parte das freguesias aqui do concelho, e que já me falou do que é isso de ser realmente amigo, falar disso do benzer dentro da igreja. 

Eu entro numa igreja romana, maior ou mais pequena, riquíssima ou mais modesta, como entro em qualquer outro sítio. Tenho no entanto algum pudor na forma como me comporto. Não acho de bom tom pôr-me a rir e a dizer graçolas e caralhadas, como vi alguém fazer no dia anterior, quando ali ao lado, a dois passos, decorria um batizado. 

Eu não sou crente na igreja do império romano, que ao contrário do que ensina nas escolas ainda não ruiu e continua a dominar o mundo através da igreja que inventou para o efeito, e sou muito corrosivo quando falo desse bando de ladrões e pedófilos que são os padres e a restante corja, mas acho que se lá entro dentro então devo comportar-me com algum respeito, com o mesmo respeito que entraria noutro templo de outra religião qualquer. 

Mas entro como turista, e tenho entrado sempre porque estou com outras pessoas que querem entrar para ver (como se as igrejas não fossem todas iguais!) e então entro também para admirar a ostentação religiosa, vinda dos tais que apregoam o despojamento dos bens materiais e que dizem que é mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus, mas que aplicam o "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço"! E como é lógico, não me benzo, muito menos faço a genuflexão quando cruzo o altar e bem que os meus joelhos agradecem. 

Mas este senhor, talvez fruto da idade, sentiu-se à vontade para proferir umas observações bem ao jeito multi-resistente:

"Essa coisa do benzer..." ouvia-o ao longe, e comecei logo a prestar atenção. 

Certo dia, a Guilhermina, a minha vizinha, sabendo que eu ia a Fátima, veio pedir-me se lhe trazia água de lá para beber... Na volta, estava já a uns dez quilómetros de Fátima, quando me lembrei da água para a mulher. Então lá enchi numa torneira qualquer a água  para lha dar. Dias mais tarde, veio-me lá a senhora agradecer. Ai que a água fez-me tão bem....

quinta-feira, 31 de março de 2016

Deus: O Pai de todos os Misóginos

Ultimamente muita gente se tem insurgido contra algumas pessoas que, em pleno século XXI, continuam a achar que a mulher é, basicamente, um monte de merda. Ainda por estes dias, lia a revolta de algumas pessoas, quer contra um troglodita comentador do Porto Canal. quer contra um tipo americano que também escreve umas barbaridades no seu blogue, afirmando, entre outras coisas, que a mulher basicamente serve para ser tratada como algo descartável, que se usa e deita fora, e depois vai-se pegar noutra mulher qualquer quando se precisar.

E ultimamente muito se tem falado de misogenia. Ainda há minutos, quando folheava virtualmente a imprensa estrangeira, lia de relance a palavra em inglês, associada a um qualquer candidato troglodita às presidenciais americanas.

Mas sinceramente eu não percebo esse tipo de indignação. Ou melhor, eu indigno-me é, como é possível que, em pleno século XXI, continuemos a ter mais de 90% da população que se diz católica apostólica Romana, ou cristã, e existe uma imensidão de diferentes religiões cristãs, e muita gente, ainda que seja só "pelo-sim-pelo-não" e  não vejo ninguém que se insurja contra o Deus que os romanos inventaram à sua imagem.

Sim, o Deus que os romanos inventaram à sua imagem, mas venderam a ideia oposta, de que "Ele" é que nos fez à sua imagem! Mas não. Os Romanos é que inventaram um novo Deus, à imagem das suas conveniências políticas. Lá está, sempre a política.
Os gaijos tinham deuses para todos os gostos. Até tinham um Deus só para os bacanais! E de repente (supostamente) mataram um criminoso que até foi crucificado, e mais à frente, renunciam a todos os deuses em que acreditavam, e passaram a acreditar na palavra do criminoso que condenaram à morte! Se não é estranho para 90% da população, para mim é mesmo muito estranho!

E esse Deus que grande parte da população mundial come, sem se questionar, porque lhes foi dado a comer pelos romanos desde há dois mil anos, e porque as pessoas nascem, crescem, e acreditam naquilo que passa de boca em boca durante milénios, e depois porque pensar pela própria cabeça é uma chatice!

E para mim é esse Deus, o pai de todos os misóginos. O pai de todos aqueles que odeiam as mulheres, que acham que as mulheres são inferiores, que na verdade são um monte de merda, e que devem ser tratadas com tal.



E é revelador o que este Deus feito à imagem dos Romanos pensa sobre a mulher, e revela-o logo no Génesis, o primeiro livro da Bíblia, e que continua por aí adiante, com aberrações para todos os gostos:

Deus disse à mulher: ‘Multiplicarei grandemente os teus sofrimentos e a tua gravidez; darás à luz teus filhos entre dores; contudo, sentir-te-ás atraída para o teu marido, e ele te dominará’. (Génesis 3:16)

Quando um homem se casa com uma mulher e consuma o matrimónio, se depois ele não gostar mais dela, por ter visto nela alguma coisa inconveniente, escreva para ela um documento de divórcio e o entregue a ela, deixando-a sair de casa em liberdade. (Deuterónimo 24,1)

Como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja . (Coríntios 14, 33-35)

É melhor a maldade do homem do que a bondade da mulher: a mulher cobre de vergonha e chega a expor ao insulto. (Eclesiastes 42, 14)

Pois eu respeito tanto ou mais as mulheres que os homens. Não acho que os homens são melhores ou piores, mais inteligente ou mais burros. São diferentes. Nunca um homem será uma mulher, tal como uma mulher será um homem (e claro que não estou a contar com as mudanças de sexo que hoje em dia permitem quase o impossível!)

E este Deus não é "amor", tal como é a ideia que as religiões cristãs vendem. E não é certamente o meu Deus. Se eu algum dia decidisse acreditar num Deus qualquer, nunca que acreditaria num que acha que mulher é um monte de merda, e que só serve para ser submissa ao homem. Até porque às vezes sou eu que gosto de ser submisso para elas. Fetiches condenados ao fogo do Inferno.(Inferno que há pouco a Igreja Católica decidiu que deixou de existir!)

E depois não deixa de ser irónico, termos uma religião Católica que abomina as mulheres, que as trata, à semelhança deste Deus, como um monte de merda, e no entanto são elas que ainda vão correndo para as igrejas, e muitas vezes, se não fossem elas, essas igrejas, construídas graças à fome que se dava ao povo, estariam ainda mais vazias. E eu juro que não entendo. Como é possível, que uma só mulher possa acreditar nesse Deus? Tal como acho incrível que um só homossexual (ou bissexual) possa seguir este Deus. Ou que um só preto possa ser Católico. Não entendo. 
Porque Eu, eu não corro atrás de quem acha que eu sou uma aberração. Ou que sou um monte de merda. 

E é este Deus, machista, misógino, racista, hipócrita, calaceiro e vingativo, o culpado de todo este atraso de vida em que vivemos. É a palavras deste Deus, que legitima todos os trogloditas que ainda hoje em dia maltratam as mulheres, pois estão a coberto da "palavra sagrada" d'Ele.

Eu amo a mulher. Não amo este Deus inventado à semelhança dos Romanos. 

Seja Feita a Minha Vontade. 
Amén. 



sexta-feira, 25 de março de 2016

Quando a Igreja é um Problema de Saúde Pública

Hoje é feriado. Não se trabalha. É por isso ainda estou aqui, no quentinho da cama, a ver se começo a escrever alguma coisa em vez de estar a tomar o pequeno-almoço e a preparar-me para mais uma sexta-feira de trabalho.

Na verdade até foi uma colega de trabalho que me deu a boa nova (expressão mesmo apropriada!) no início da semana, porque eu nem sequer tinha antecipado este feriado do 25 de Março. E eu que até conheço muito bem todos os feriados. Parece que é um dia "santo", um daqueles feriados religiosos, daqueles que não deveriam existir, porque para quem não saiba, vivemos num Estado Laico, que significa que não tem religião, logo não deveriam existir feriados religiosos.  Mas a discussão dos feriados religiosos ficará para outra altura. Para mim, todos os feriados são dias "santos", sejam religiosos ou não. 

Falou-se em Páscoa, e de imediato me assaltaram duas ideias. A primeira é a de que, se não houvesse Páscoa,  os católicos - que apesar destes não fazerem a mínima ideia do que é a Páscoa! - nunca que lavariam as suas casas e passeios, tal é a azáfama em que andam nestes dias, como não se vê em mais nenhuns dias do ano!  A segunda questão, e essa que me preocupa verdadeiramente, é o facto da visita pascal ser um verdadeiro atentado à saúde pública, e não vejo nenhuma autoridade, seja política ou policial a fazer o que quer que seja. 

Via Pinterest

No próximo domingo lá vem o compasso de casa em casa, entrando pelas casas adentro com a ladainha do costume:

"Cristo ressuscitou, Aleluia Aleluia 
Passa mas é para cá o dinheirinho
Aleluia Aleluia"

Mas eu não tenho absolutamente nada contra com as tradições católicas, muito menos com questões de fé. Cada um acredita no que quer, que faça o que muito bem o que entender, tal como que eu faço. Mas o que eu não posso tolerar, é que se continue a perpetuar um comportamento grave, e atentatório da saúde pública. 

Já não estamos na Idade Média, em que as pessoas, mesmo as ricas, cagavam e mijavam dentro dos palácios, fosse diretamente para as paredes ou para o chão, tal como os animais, e em que as doenças proliferaram e se transmitiam rapidamente pela evidente falta de higiene. 

Vivemos felizmente outros tempos. Tempos em que se alerta constantemente a população, para que se lave muito bem as mãos, principalmente quem trabalha nos hospitais, para que não se contagie doentes e outras pessoas. Então, como é possível, que ano após ano, as visitas pascais continuem alegremente por esse país fora, em que se dá um boneco a beijar às pessoas, permitindo que se transmitam toda uma série de doenças, e como é possível que as autoridades, nomeadamente a ASAE nada faça?

Este não é um problema da Igreja Católica, é um problema de todos nós. Uma qualquer pessoa, com uma doença, que pode ainda nem saber que a tem, pode muito bem ao beijar o boneco, deixar ali uma fonte de contágio para todas as outras pessoas, nomeadamente pessoas (como é o meu caso) mais fragilizadas por serem doentes crónicos e sem defesas. Como é possível, que em pleno século XXI as autoridades não tenham ainda proibido este ritual aberrante? 

Mais!! E a água benta nas igrejas? 
Como é possível que esta ainda não tenha sido proibida pela ASAE? 
A água está ali, parada, não sei quantos dias, a ficar choca e toda a gente lá vai e mete a mão. Mão esta que pode antes ter andado sabe-se lá onde. E todos metem a mão. E a água benta ali fica parada, porca, de todas as mãos. Como é possível que nada se faça? 
Por que é que a ASAE não obriga as igrejas a ter, sei lá, por exemplo dispensadores de água benta? Ou então, por que é que não engarrafam a água benta? Até me parece que acabei de deixar aqui dois ótimos modelos de negócio para a Igreja Católica! Até podiam vender água benta nos supermercados! Mas acabem é de uma vez por todas com estes comportamentos medievais. 

Por último, dizer que é muito interessante verificar o pouco poder de encaixe dos católicos face às críticas que faço. Perante os meus argumentos, que são mais do que evidentes e que não dão qualquer hipótese de defesa, as pessoas defendem-se dizendo que também há outros problemas de higiene a que ninguém liga. Muito visto esse argumento, usa-se muito quando se fala, por exemplo, de política. Quando eu digo que este político é ladrão, não dizem que o homem é um santo! Não, defendem-se dizendo que há outros que também o são!

Mas ainda mais interessante é observar como rapidamente cai o véu a todas as pessoas que se dizem em favor da liberdade de expressão e de pensamento. No trabalho, e perante estas minhas chamadas de atenção, houve alguém, já muito exaltado, que se vira para mim e diz: "Vê lá como falas. Estás a desrespeitar as pessoas". 

Interessante! E eu respondi: "Então não éramos todos Charlie Hebdo? Então não andavam por aí todos solidários, afirmando-se Charlies, em defesa da liberdade de expressão"? Quando alguém satiriza Maomé e fazem dele um palhaço qualquer, temos de respeitar, agora eu, só porque chamo a atenção para um problema sério, já tenho de ter cuidado como falo? Mas era o que havia de faltar!
Mas vão quê? Queimar-me na fogueira por pensar pela própria cabeça? Ou amarrar-me de pés e mãos e atirar-me ao rio como se fazia com as supostas bruxas nos tempos da Inquisição? 

Meus caros, eu estou-me a cagar para a fé de cada um. Respeito todas as religiões por igual, não tenho nada a ver com isso, é uma questão pessoal, até está consagrada na Constituição. Mas a visita pascal não é uma questão de fé, é uma questão de saúde pública. 

E já agora, e só para esclarecer, porque 99,9% dos católicos nem sequer sabe o que é a Páscoa:
Páscoa é a festa que comemora (muito antes de Cristo ter sequer nascido!) a libertação e condução do povo judeu, por Moisés, do Egito à Terra Prometida. Nada tem a ver com os cristãos (Cristo nem era cristão sabiam disso certo?) nem tem a ver com católicos, nem com chocolates ou com ovos e coelhos, muito menos com envelopes cheios de dinheiro para dar ao padreco da freguesia.