sábado, 29 de julho de 2023

Foi Então Que Jesus Foi ao Microfone e Disse:


Naquele tempo os chefes romanos Augustus Rebelo de Sousa e Pôncio Moedas Pilatos tinham ficado muito contentes com a vinda das Jornadas Mundiais da Pedofilia para Portugal. Augustus Rebelo de Sousa disse mesmo:

"Portugal, Lisboa, esperávamos, desejámos, conseguimos. Vitória! Vamos gastar aqui uns belos milhões de euros do Estado para meter no cu dos nossos amigos"!

Então decidiu-se gastar milhões de euros num palco e muitos mais milhões num monte de inutilidades, porque o que é preciso é gastar e fazer ajustes diretos aos amigos. E depois temos que ter em conta que Portugal é um país rico, dos mais ricos do mundo e Lisboa é uma cidade onde qualquer habitante pode comprar casa para viver, já para não falar que não faltam médicos de família e médicos nas urgências dos hospitais, mas também porque Portugal é um país religioso onde quem manda é a Igreja Católica e não desses países modernos e perdidos e que inscrevem a laicidade na Constituição. E, precisamente, por a Igreja Católica cá mandar, os criminosos até foram amnistiados! porque vem aí o Papa e os funcionários públicos até terão dois dias de tolerância de ponto. Mas só os da função pública porque há trabalhadores de primeira e trabalhadores de segunda e porque o governo que tem "socialista" no nome tem muita peninha dos patrões e dos bancos que nesta fase estão a ganhar milhões com a subida dos juros.

Estava próxima a chegada dos avecs com os seus bólides com o símbolo da federação no vidro detrás e aquele tempinho de merda de agosto, que espalha incêndios por todo o lado, até porque também é a época do ano em que as pessoas mais andam desocupadas e têm que se entreter com qualquer coisa e ver a natureza a arder é um lindo espetáculo para ver na televisão ao fim do dia e dizer "pá, sou mesmo bom a botar incêndios"! 

Milhares de jovens vêm de todos os países do mundo para o evento. As jornadas Mundiais da Pedofilia que são uma mistura de mega Festa do Continente com o Domingão. Só faltava trocar o Papa pelo Fernando Mendes e convidar o Quim Barreiros ou o Marante!

Até que chegou o dia tão aguardado e o recinto estava repleto de jovens virgens que fazem de conta que não sabem o que é um felatio ou cunilingus ou sentar no colinho do senhor abade. 

E eis senão quando, Jesus aparece do cimo de um drone celestial e desce para o palco. Fez então um chicote de cordas e expulsou a pontapé todos os padres e acólitos, e até o próprio Papa que estavam em cima do palco; Foi ao microfone e disse: “Tirai esta merda toda daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”

sábado, 15 de julho de 2023

E falar... Porque eu acho que as pessoas não falam

 "E falar... Porque eu acho que as pessoas não falam. E eu tenho sentido isso. Não é só nos casamentos. É nas amizades, com os filhos... Não há essa disponibilidade para escuta. Tudo muito acelerado à procura de não sei quê. Esse lado de cuidar, de regar o casamento vem muito do exemplo que eu tive dos meus pais que eram grandes companheiros e acho que é isso que nos une. Nós somos bons companheiros, cumplices, apaixonados, porque há momentos maus. Qual é o casamento que não tem problemas? Estaria a mentir e quem disser isso está a mentir de certeza absoluta. Todos temos maus momentos, bons momentos, mas há que estar atento a esses maus momentos. "Ui! Isto está aqui qualquer coisa que está diferente. Olha, vamos jantar"? Está tudo bem. Ou da parte de um ou da parte do outro. E eu sou uma pessoa que escuto muito - e eu sei e o Gonçalo muitas vezes diz: "o nosso casamento dura porque tu és uma pessoa muito atenta" - e não há mal nenhum de um lado ser mais atento que o outro. O Gonçalo é extremamente esforçado, mudou muitas coisas na nossa relação e isso também é importante. Nós evoluirmos e crescermos juntos porque eu conheci o Gonçalo e ele tinha vinte e tal anos. Eu casei com 27 e ele com 23. Foi pai com 25, foi pai muito cedo, não é? E eu sempre quis ter uma família. E, de alguma forma, eu também o arranquei para este lado, família, unidos... Eu tenho muito esse lado, se calhar norte de que levo tudo à frente. Ele teve uma educação diferente da minha e eu levei um bocadinho para isso e esta atenção é muito importante nas relações. 

E não é só no casamento. É nos amigos Está tudo muito virado para o ego e isto chateia-me, fico desiludida porque eu sou uma pessoa que dou mas que não estou à espera. O problema é que as pessoas depois só vêem aquilo. Estão à espera que a gente alimente os egos e não podemos fazer isso. Um bom casamento é tu dizeres ao teu marido que fizeste porcaria e que isto não é bom, eu não gosto. Ah, mas não gostas porquê? Então eu vou-te explicar. Vamos conversar. Porque agora gosta-se de tudo. Porque se a gente disser que não gosta ou é porque temos inveja ou é porque somos uns ressabiados. E não, não há espírito crítico, não há espírito de reflexão. E isso num casamento tem que existir, sobretudo para nós os dois que somos atores, criadores, trabalhamos os dois juntos... Quem nos conhece nós estamos sempre a discutir mas as discussões são de evolução, construção. O Gonçalo muitas vezes escreve qualquer coisa, mostra-me e eu: "queres a minha opinião sincera"? Sempre. Eu sempre fui verdadeira e sempre fui sincera com ele, com os meus amigos, com os meus filhos. Eu não consigo ser de outra forma. E muitas vezes vezes até sinto que isso vai contra mim. 

Hoje em dia não encontras muitas pessoas que sejam realmente e efetivamente sinceras. Isto é muito importante nas relações, a frontalidade e a sinceridade. Porque já se deixou de discutir. Antigamente - pareço uma velha a falar não é? - mas no Porto havia muitos cafés depois do espetáculo em que íamos beber uma cerveja e as pessoas que nos iam ver e falava-se sobre os espetáculos, sobre o que tinham gostado, o que tinham achado, o que tinham sentido. Hoje já não se fala de nada, vai tudo para as redes sociais falar e escrever. E acabou o confronto, os olhos-nos-olhos, que isso é muito importante na vida. 

Carla Maciel / Fala com Ela / Antena 1 (a propósito do filme Légua)

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Amor Contactless


Uma das notícias desta semana é que o nosso cartão de cidadão vai passar a ser contactless, sem contacto, basta aproximar e já está, tal e qual os cartões multibanco (e nunca foi tão fácil comprar, pagar e ficar sem dinheiro na conta!) 

Tudo está cada vez mais rápido, mais fácil, mais descartável. Tudo está cada vez mais contactess.

A sociedade humana evoluiu tanto e estamos tão modernos que também as relações humanas, quer sejam de amizade ou amor, também elas passaram a ser contactless. Sem contacto, sem afeto, sem toque, sem conversa, sem presença. Contactless.

Bem vejo à minha volta. Não se conversa, mete-se os fones nos ouvidos e está cada um no seu mundo virtual a ser escravo do divertimento muitas vezes idiota.

Ainda por estes dias o Júlio Machado Vaz dizia que as queixas dos casais no que se refere à intimidade evoluíram do "ela fica a ler na cama" para "ele fica a ver televisão" para "fica cada um na cama a olhar para o telemóvel. 

A ditadura do divertimento matou as relações humanas. E o amor passou a ser contactless.