sábado, 23 de fevereiro de 2019

Trabalhadores Pseudo-Dedicados

"Um estudo conduzido no Reino Unido pela Ashridge, da Hult International Business School, uma faculdade de gestão, concluiu que em 28 empresas existem colaboradores que parecem ter um elevado grau de empenho, parecendo sempre muito ocupados, quando na realidade trabalham pouco e prejudicam a produção coletiva, noticia a BBC.

Estes trabalhadores, que a equipa de pesquisa batizou de “pseudo-dedicados” caracterizam-se por se saberem vender bem, promovem-se em reuniões de equipa e têm a tendência de se juntarem às conversas que lhes convém, no local de trabalho. Por isso, são normalmente encarados como colaboradores “altamente dedicados”. (Jornal Económico)

Conheço-os bem. Todos conhecemos não é? Todos, vírgula, pois na verdade, só um bom trabalhador pode identificar um trabalhador pseudo-dedicado. Quando um pseudo-dedicado está na presença de outro pseudo-dedicado o mundo deles é aquele, são ambos espertos, os outros, os verdadeiros bons trabalhadores é que são uns otários.

Na imagem abaixo vemos um exemplo do trabalhador pseudo-dedicado. Mal o patrão ou a chefia abriu a porta ou ficou num ângulo em que o possa observar, ele ataca furiosamente o teclado:



Mal o chefe ou o patrão vira costas e o trabalhador pseudo-dedicado lá volta à sua rotina de fazer o menos possível. Não há como dizê-lo doutra forma. O trabalhador pseudo-dedicado é um especialista, especialmente na arte de não fazer um caralho! Mas aparenta, sempre, logicamente quando as chefias estão por perto, muita pró-atividade e dinamismo! Está sempre preocupado com a empresa! O trabalhador pseudo-dedicado passa o dia a consultar páginas da internet que não era suposto, de telecrã na mão a atualizar a rede social mas, subitamente, quando alguém se aproxima, rapidamente comuta para o que era suposto estar a fazer. Só que por vezes é lento, e quando a porta abriu lá vemos aquela comutação de janelas tããããão lenta! Acho que há trabalhadores pseudo-dedicados que deveriam fazer um curso para pseudo-dedicados, para se tornarem mais rápidos na arte  invisível de mudar de janela sem ninguém se aperceber!

O trabalhador pseudo-dedicado tem um ego imenso. É o maior. Não há ninguém como ele. Os outros é que são uma merda. Ele é que trabalha muito e os outros é que não fazem nenhum. São super despachados, principalmente a despachar o seu trabalho para os outros! Mas quando entram mais pessoas para a empresa "no tempo deles é que era"! Sozinhos faziam o trabalho de três ou quatro pessoas! Eu nem quero imaginar como seria!

O trabalhador pseudo-dedicado é especialmente dedicado na arte da coscuvilhice. A informação é poder, logo, há que se fazer amigo de toda a gente, ou, no mínimo, tentar parecer amigo de toda a gente, estar sempre em cima do acontecimento, ter o máximo de informação para se conseguir sempre antecipar ao que irá acontecer. Por exemplo, se há uma auditoria ou um trabalho mais chato de se fazer, convém antecipadamente saber a data, para que, com tempo se elabore uma estratégia de fuga, de fugir com o rabo à seringa! Porque a verdade é essa, o pseudo-dedicado é muito esperto, principalmente na arte de fazer o menos possível da forma mais rápida possível, nem que para isso tenha de atalhar caminho e deixar tudo mal feito!

Só que, infelizmente, não se consegue enganar toda a gente ao mesmo tempo. Há ângulos de visão diferentes e, aos poucos, estes pseudo-dedicados começam a ser apanhados nos seus estratagemas. E nós, os trabalhadores comuns, até fazemos de conta, mas por favor, não insultem a nossa inteligência ou os nossos ouvidos! Eu estou-me a cagar se os pseudo-trabalhadores não fazem um caralho! Não sou eu que lhes pago o salário! Eu não sou polícia, quem paga que abra os olhos, se quiser. Mas já me incomoda um bocadinho, quando vejo certos espertinhos a picar o ponto depois de almoçar, ficando assim com quase meia hora de almoço que eu. Contudo, também não me estou a ver no papel de queixinhas. Incomoda-me e revolta-me, mas, o papel de queixinhas está reservado aos pseudo-dedicados. No entanto, quando elas tiveram que sair, certamente que sairão.

Mas como os pseudo-dedicados gostam de mostrar que se preocupam muito com a empresa, passam a vida a enviar e-mails às chefias. A fazer queixinhas, a mostrar como os outros é que são maus trabalhadores, para que eles passem pelos pingos da chuva. Daí que seja normal ver um pseudo-dedicado chegar a chefe. Porquê? Porque um chefe não tem de trabalhar como os outros, só tem que mandar os outros fazer!

Por isso, muito cuidadinho com risinhos e palmadinhas nas costas. Pode ser só um trabalhador pseudo-dedicado a espetar-te uma faca nas costas. 

Em Breve Mil Bicicletas Elétricas "Como Novas" à Venda No OLX e Custo Justo


Há coisas que me fazem mesmo muita confusão. 
De repente, há uma vertigem pelo elétrico, pelas baixas emissões. Depois dos Toyota Prius, que até nos Estados Unidos faziam furor, é agora o elétrico que é mordenaço, verde e sinal de status, até porque um carro elétrico ou uma bicicleta elétrica não são propriamente baratos e acessíveis à generalidade das pessoas. 
Então vai daí o Estado, aprovado pelo parlamento, aprovou um incentivo de 250€ para a compra de mil bicicletas elétricas. 

Perante este cenário, a minha pergunta, senhores e senhoras deputados(as) é: 
- Por que é que em vez de andarem com medidas avulsas, que apesar de ficarem sempre bem na comunicação social, porque são "verdes" - "vejam o que estamos a fazer pela melhoria do ambiente"! - e apoiarem a compra de mil bicicletas elétricas (e claro que tem mil euros para dar por uma bicicleta, certamente que será uma pessoa que ganha um salário mínimo de 600€!) medidas esse avulsas que nada mudam na vida das pessoas em geral (unicamente na carteira de mil burgueses), por que é que não isentam de IVA a compra de todas as bicicletas comuns, aquelas que são movidas à energia dos músculos sobre os pedais, e bicicletas essas verdadeiramente zero emissões?

Uma bicicleta é veículo verdadeiramente ecológico, que faz bem à saúde e previne doenças, e que tem zero emissões para o ambiente (a não ser o cheiro a suor!) e que ainda por cima são fabricadas nas fábricas portuguesas, por trabalhadores portugueses, mas pagam de imposto 23%!
Mas já sabemos que, o que é preciso isentar ou beneficiar, senhores e senhoras deputados(os) é o IVA das touradas, um espetáculo de incentivo à tortura animal ou então o golf, como fez o anterior governo, pois como todos sabemos o golf só é praticado por pessoas com dificuldades económicas!  

Sabem o que é que vai acontecer à vossa linda medida de apoio com 250€ na compra de uma bicicleta elétrica? Vai originar que, daqui a uns tempos, todas elas, estejam à venda em sites como o OLX e Custo Justo, tal e qual como aconteceu com os computadores Magalhães. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

O Mundo Divide-se em Dois Tipos de Pessoas

Por vezes no pouco se vê muito.
O mundo divide-se em dois tipos de pessoas: as que vão ao quarto de banho e quando acabam com o papel higiénico vão buscar dois novos rolos; e as pessoas que usam o último pedacinho de papel e depois vão à sua vidinha. Quem vier depois que vá buscar, se quiser, ou então que se foda, que se limpe aos dedos.

Via Pinterest

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Os Ignorantes de Direita

Sempre que nas discussões começam a faltar os argumentos, parte-se para o insulto gratuito e o ataque pessoal. Em vez de se tentar mostrar que o outro está enganado, que a nossa linha de raciocínio é que faz sentido, não, insulta-se o outro. Diz-se que é este ou aquele, tentando rebaixá-lo de ignorante para que quem insulta passe por superior.

Mas quando o tema em discussão é política, na maior parte das vezes, os contendores de direita acabam, sem se aperceberem, a elogiar as pessoas que pensam diferente deles. 

Um dos ataques pessoais mais comuns é dizerem que as pessoas de Esquerda são intelectuais. (ainda à bocado alguém comentava aqui neste blogue mandando isso para o ar "os intelectuais de Esquerda"...)

Mas será que a malta da Direita ainda não percebeu que, ao tentar rebaixar as pessoas de Esquerda rotulado-as de intelectuais - já agora isso é o quê, complexo de inferioridade? - acabam por se colocar no outro lado da barricada da inteligência?

Todos nós sabemos que a malta da Direita não gosta de cultura, nem gosta que as pessoas estudem. O que é preciso é o exame da quarta-classe, como fez o anterior governo dos senhores Passos e Portas (transformando Portugal no único país da Europa com exame na primária) e depois do exame é dar uma enxada aos pobres (porque no entender deles só os ricos é que devem estudar) para estes irem fazer o que a malta que tem dinheiro não quer fazer. E todos nós sabemos, por exemplo, que a senhora Conceição Cristas (como a Ágata, apoiada pelo CDS lhe chamou) é contra o ensino obrigatório até ao 12º ano.

Mas voltando aos intelectuais de Esquerda. Se a malta de Esquerda, aos olhos das pessoas da Direita, é toda intelectual, e isto indo à definição significa que são pessoas cultas e inteligentes, então, o que é que fica do outro lado da barricada? O que é o oposto, o antónimo de intelectual? O que é que são as pessoas de Direita?


Algumas possibilidades encontradas aqui num sítio de antónimos:

burro / estúpido / idiota / imbecil / palerma / pateta / tolo / tonto / ignorante / lerdo / tapado / lento
néscio / bronco / cavalgadura

Será que é desta forma que as pessoas de Direita, aquelas que estão sempre com os "Intelectuais de Esquerda" na boca se vêem? Como uns ignorantes? 

Pode-se Estar Apaixonado por Duas Pessoas ao Mesmo Tempo?

Peguei no livro e abri mais ou menos a meio, ao calhas:



Não. Não se pode estar apaixonado apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo. (enamorado parece-me uma palavra bem mais interessante e a cair em desuso) 

Conversas Improváveis (36) - Respect

Um casal passou cá por casa hoje. Enquanto eu conversava com o homem, a mulher, de cabelo loiro e tez muito branca, investigava todos os cantos ao jardim, e até descobriu, sozinha, o espaço das tartarugas e veio-me perguntar, com um resto de poda na mão, que planta era aquela que tinha aquele cheiro e aquele óleo pegajoso. 

O senhor é português, a senhora russa. "São cada vez mais os russos em Portugal. Aumentam cerca de 1000% ao ano." (Ai é? Então deve haver por aí muita mulher russa.... tenho de experimentar visto que com as portuguesas não ando a ter muita sorte!)

Conversa vai, conversa vem, "temos o seu contacto e qualquer coisa falamos consigo" e a senhora ia tirando algumas dúvidas em russo com o marido, e por fim, consigo perceber:

- У вас есть blablabla Facebook?
Bem, esta até eu percebi. 
Não, não tenho Facebook. Eu gosto de internet, mas (ainda) não estou no Facebook, nem sequer uso internet no telemóvel. 

E isto também a senhora percebeu bem e respondeu com uma cara de admiraçao:
- Respect.
E acrescentou:
Это правда resistente.
Sim. Um verdadeiro multirresistente.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Há uma Luz que Nunca se Apaga




"There Is a Light That Never Goes Out" - The Smiths (1992)

Conversas Improváveis (35) - A Sopa




"Esta sopa poderia estar muito boa... mas eu fiz uma coisa que nem te conto...
- Vou-te contar!
Não sei como é que me enganei e meti pepino em vez de courgette..."
Olha que nem são assim tão diferentes!

Livros: Últimas Compras e Uma Surpreendente Oferta

É verdade que me chegaram muitos livros fruto daquela ideia que tive, e é verdade que haverá por lá tanta coisa interessante para eu ler, e como se não bastasse também acumulei mais uns quantos que eu mesmo, por este ou aquele motivo quis comprar. Mas, ainda assim, comprei mais uns quantos. Eu sei que não terei vida suficiente para ler tudo o que gostaria de ler, porque se calhar não me empenho em arranjar tempo para ler mais, e depois porque, ainda por cima, perco também tempo a escrevinhar umas coisas e, claro, enquanto se escrevinha não se lê, tal como não se pode cantar e assobiar ao mesmo tempo. 

Das últimas coisas que comprei, em que alguns vieram por arrasto, encontra-se desde logo o "Príncipe e o pobre" de Mark Twain (de quem nunca li nada), mais dois do Alberoni, "Pátria" de Guerra Junqueiro, Fausto de Goethe, e "Cartas Portuguesas" de Mariana Alcoforado, que tinha lido na net num dos piores momentos da minha vida, o que não deixou de ser terapêutico!


Mas verdadeiramente surpreendente foi ter conhecido um casal, mais ou menos da minha idade, que - coitados!, tiveram que me ouvir durante um bom bocado de tempo (e como a minha mãe diz "tu secas uma figueira"!) e, depois de ter falado de livros, e querendo retribuir uma pequena simpatia da minha parte (mas mesmo muito pequena!) acaba a dizer-me que me vai oferecer um livro. 
E eu até cheguei a pensar - "mas que livro é que a senhora (que insistiu para que a tratasse por tu "porque somos da mesma idade") me iria oferecer? Na verdade eu tinha as minhas suspeitas... E até que, lá chegou o dia em que abri a caixa do correio e lá estava um envelope com o livro que me enviara. Abri, curioso, e as minhas suspeitas acabaram por se confirmar, pois não é que, por grande coincidência! - não é que o livro que me ofereceu, é duma autora que tem o mesmo nome desta senhora? 

Peguei no livro, sem sequer abrir ou ler sequer a contracapa e guardei. Sempre fui assim com as coisas que me oferecem. Às vezes até pode parecer má educação ou desvalorizar. Mas não acho que seja, talvez seja outra coisa. Mas cheguei sim à conclusão que seria má educação se não fosse este o próximo livro que me dedicasse a ler antes de todos os outros. Comentaram aqui no blogue há uns meses (quando contei como li o primeiro livro de Pitigrilli) que, por vezes, não somos nós que escolhemos os livros, são os livros que nos escolhem a nós. Acho que este foi um desses casos. 

O próximo livro que irei ler não escolhi, escolheu-me a mim. Veio com dedicatória da escritora. E não, não irei pesquisar absolutamente nada desta autora de quem nada sei. Apenas a conheci pessoalmente. E isso basta-me.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Vamos Fazer um Joguinho?

Como a mais nova congressista americana de sempre, com umas simples perguntas de criança perante uma comissão de ética, põe a nu como está institucionalizada a corrupção na politica americana. Mas o pior (nada de novo) é saber que as leis defendem com unhas e dentes quem quiser mesmo ser mesmo um filho da puta da pior espécie! E o mais defendido de todos os filhos da puta, é o presidente do país! Depois espantam-se que eu diga que os Estados Unidos (com os seus 41 milhões de sem abrigo) seja um país de terceiro mundo:


E a inteligência é uma coisa muito sexy, não é?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Vidas de Pladur

São curiosas as construções contemporâneas que os arquitetos desenham. Caixotes sem telhados nem beiradas em que ninguém se pode sequer abrigar da chuva. Casas que são caixotes que se aparafusam. Interiores com paredes lisinhas e afagadas. Paredes falsas que abanam se lhes tentamos meter um parafuso; paredes e tetos que se desfazem com a humidade; paredes que se desfazem se lhes tocamos com um bocadinho mais de força e que devem ser o sonho de um qualquer gato urbano-depressivo, afiar as unhas nestas paredes. 

São paredes muito robustas, feitas de cartão e de gesso!, ainda que toda a gente diga que são paredes de pladur, mais ou menos como quando o pessoal compra um casaco na Zara e diz que é um Kispo, porque também neste caso, Pladur é a marca que já se confunde com o objeto e certamente que há diferentes marcas a produzir gesso cartonado. 

Mas se observarmos bem, e eu pensava nisto quando neste fim-de-semana via alguém a meter parafusos numa imensa parede de pladur que abanava por todos os lados!, hoje em dia, nas vidas das pessoas tudo é lisinho e afagado, aparentemente robusto mas vergonhosamente frágil. 

As mulheres (e cada vez mais os homens também) metem estuque na cara logo pela manhã. E o que é a maquilhagem senão um gesso para mascarar, ocultar, colocar uma máscara, esconder, para deixar aparentemente a pele lisinha e afagada? Coloca-se gesso e estuque na cara, pintam-se os cabelos à cor desejada, tal como hoje os arquitetos pintam as portas de madeira, porque hoje em dia já nem a madeira pode ter a cor de madeira, tudo tem de ser camuflado e as portas passaram a ser brancas ou em qualquer outra cor desejada. Tudo menos a cor natural da madeira, porque tudo que é natural passou a ser repugnante. 


As pessoas maquilham-se e pintam os cabelos. Pegam nas espátulas e emassam as rugas, os narizes, as conas e as pirocas. Injetam gesso nos lábios, nas mamas e no cu e duplicam-lhes o volume. Arrancam os pêlos do corpo, tomam banho três vezes ao dia e besuntam-se com anti-transpirantes porque é mais aceitável ter um cancro provocado por metais pesados do que cheirar a humano, porque é vergonhoso ser humano. Hoje é vergonhoso ser ou parecer sequer que se é humano. Todos querem ser humanos de papel, feitos de cartão e de gesso. Os novos humanos são feitos de pladur. 

Os arquitetos também mandam colocar relva artificial. Não dá trabalho cuidar. E é verdinha! E a relva artificial, plástica, muito ecológica e sustentável, tem a qualidade de ainda ser mais verde que a relva natural. E esta é uma das melhores metáforas da vida quotidiana. Hoje em dia tudo tem de ser falso, mas tem de parecer bonito, mais bonito ainda do que se fosse verdadeiramente real. 

Hoje os sentimentos são de pladur. As amizades e os amores são feitos de pladur. São relações são de pladur. Tudo é muito bonito por fora, mas mal tocamos com uma unha na merda do pladur (e eu  não duvido que até a merda seca é bem mais robusta que o pladur) e este desfaz-se imediatamente. Tudo parece tão bonito por fora mas é mesmo só para se ver. Não é para lhe tocar porque não é real. É tudo falso. São autênticas vidas de pladur.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Quando os Média Portugueses Mentem por Omissão

Neste sábado, que até passei a trabalhar, tropecei por diversas vezes em notícias sobre o primeiro congresso do novo partido de Santana Lopes. Ironicamente na semana passada, o LIVRE do Rui Tavares - que foi só considerado o político português mais influente do Twitter - também teve um congresso mas neste caso nem um pio em lado nenhum. 

Ocultar é manipular. Quando os média portugueses ocultam, mentem por omissão e manipulam  e distorcem a realidade quando dão destaque a outros. Depois perguntam-se por que é que, em Portugal, as pessoas votam sempre nos mesmos partidos e novos movimentos quase não têm expressão. E a resposta é simples, porque são sempre os mesmos partidos que têm direito de antena na imprensa e na televisão. Há uma clara descriminação e quem não aparece é como se não existisse e se não existe não pode ter votos.

E não há democracia quando um país tem uma imprensa e restantes meios de comunicação que manipulam e mentem por omissão. 


Pedro Vieira nas Manhãs da 3

Ó Pedro, o que é que te faz escrever livros? Qual é essa motivação... porque enriquecer não se enriquece... 
Que sarna foi esta que tu gostas de arranjar para te coçares?

Eu gosto muito de falar, de estar sempre a dizer qualquer coisa e isto é uma maneira de dizer durante mais tempo seguido, com a vantagem de as pessoas não terem de ouvir a minha voz. 

Mas dá muito mais trabalho do que só falar....

Dá dá muito mais trabalho. Na verdade eu comecei porque fui desafiado para isso, pelo meu amigo Paulo Ferreira, foi ele que achou que eu deveria escrever livros, que era uma coisa que nunca me tinha passado pela cabeça, porque lá está, eu sabia que era uma coisa que iria dar muito trabalho de certeza. Só que depois pronto, pôs-me este vírus e agora... gosto de contar e escrever em geral. 

É engraçado porque eu pessoalmente (*Luís Oliveira) não te conhecia mas sigo-te até nas redes sociais, e às vezes há aquela ideia de: Ok, este gajo escreve muito bem, eu sigo-o no Facebook porque ele pensa muito bem ou eu gosto da maneira como ele pensa ou da maneira como ele escreve, mas passar daí para a escrita pesadona, para cometer um livro, é um desporto diferente digamos assim. Tu nunca tiveste esse medo, ou seja, muitas pessoas que diziam "é pá, tu até tens jeito", mas se calhar estavam a olhar para um Pedro Vieira mas que não é necessariamente um Pedro Vieira autor, romancista, etc e tal...

Sim sim tive. Agora sinceramente é uma coisa que não me preocupa. Mas sobretudo quando publiquei o primeiro livro tinha esse medo de facto. 

Na escrita há sempre essa questão da legitimação, não é?

Eu quando publiquei o primeiro, aliás, eu só me decidi a escrever o primeiro livro, mas quando os mostrei os dois primeiros capítulos ao editor do meu livro, que foi no caso o Francisco José Viegas, ele mandou-me um e-mail a dizer "isto está ótimo, avança". E eu pensei "eh pá, se este tipo diz isto, deve ter outras coisas que lhe apeteça ler, mas se ele acha que isto tem algum potencial então 'bora. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Dúvida Existencial (5) - Carros Elétricos



Diz-se agora que os carros elétricos é que são o futuro, apesar da ideia já ter mais de cem anos!, mas ainda assim assalta-me uma dúvida. 

De vez em quando lá vejo uma pessoa apeada, de garrafão na mão, a caminhar apressadamente até à próxima bomba  para ir buscar cinco litros de combustível para meter no depósito e poder prosseguir viagem.

E num carro elétrico, como é que as pessoas vão fazer quando ficarem sem bateria? É que não dá para ir à loja comprar umas pilhas novas! Ou compram uma extensão com uns quinhentos metros? Mas e se a bateria falhar na auto-estrada? Não há extensão que valha! Isto dos carros elétricos se calhar será é um bom negócio para os reboques!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

#1000 - Quando me seguravas a mão, isso não era real?

Há filmes que, por este ou aquele motivo, nos ficam na memória por muitos anos.
Estávamos em 2001, ano do Dragão (e também eu nasci num ano do Dragão) quando fui ao cinema ver o filme "O Tigre e o Dragão" de Ang Lee. Já não sei ao certo de quem terá sido a escolha do filme, se minha se dela, mas suspeito que terá sido minha. 


À primeira vista é só mais um filme de artes marciais de exímios guerreiros(as) com espadas, que levantam voo e saltam por cima de casas e andam sobre florestas de bambus. Mas o filme é muito mais que efeitos especiais e muito mais que artes marciais. Este filme é bem mais que um Matrix asiático. Tal como está descrito na sinopse do filme, O Tigre e o Dragão é um filme de amor:

Dois romances ligados às artes marciais, um incapaz de reconhecer o seu amor e o outro vivendo uma relação apaixonada, cruzam-se num cenário de crime e de disputas políticas da China Imperial, quando a preciosa espada "Destino Verde" é roubada. À medida que cada guerreiro luta pela justiça, depara-se com o seu maior inimigo - e o inevitável e sofredor poder do amor...

De diferentes filmes que vi no cinema guardo diversas memórias e diferentes sensações que me causaram. E o final deste filme, e talvez não consiga explicar bem porquê, teve o condão de me causar um grande impacto emocional. Ainda bem antes da cena final e de se perceber o que iria acontecer em seguida, já os meus olhos se enchiam de lágrimas...


Revi o filme por estes dias. Foi o segundo filme do ano que (re)vi. O primeiro foi o Cyrano de Bergerac (1990). E ao rever o Tigre e o Dragão, mal ouvi o nome Li Bu Mai como que fui, de novo, transportado no tempo para aquela sala de cinema. 

Não há eternidade nas coisas que podemos tocar. O meu mestre costumava dizer:
Não há nada a que nos possamos agarrar neste mundo. Só deixando ir é que podemos possuir o que é real". 
Mesmo para um velho tauísta como tu, nem tudo é real. Quando me seguravas a mão, isso não era real?
A tua mão é fria e tem calos de praticares com a faca. Todos estes anos nunca tive coragem de lhe tocar. Há tigres aninhados e dragões escondidos no submundo, tal como os sentimentos. As espadas e as facas têm perigos escondidos, tal como as relações humanas. 
Eu dei a Espada Verde do Destino com sinceridade, mas trouxe-nos problemas. 
Reprimir os sentimentos só os torna mais fortes. 
Eu não posso reprimir o meu desejo. Quero estar contigo. Estar sentado assim, dá-me uma sensação de paz.


O Tigre e o Dragão teve dez nomeações aos Oscares e é considerado por alguns críticos como um dos melhores filmes de sempre. Para mim, mais importante que a crítica mais ou menos positiva é tratar-se de um dos meus filmes preferidos. 

E esta é a publicação 1000 deste blogue. 


terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Obrigado Brasil pela Eleição de Bolsonaro (2)


Obrigado Brasil por teres eleito Bolsonaro. Teria sido uma catástrofe se ele não tivesse sido eleito. O que estaríamos a perder, por exemplo, não teríamos tido a oportunidade de conhecer esta sua ministra, que é uma espécie de Alexandra Solnado brasileira e que vê Jesus num Pé de Goiaba! Ah que pena que eu cá em casa não tenha um pé de goiaba. Será que Jesus também aparece num pé de azevinho? E a Maria, será que aparece numa laranjeira? Sei lá, assim de repente em lingerie sexy?!


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Daqui Por 4 Anos Todos os Pobres Andarão com um Carro Destes!




O ministro do ambiente afirmou que daqui por quatro anos um carro a gasóleo não vai valer nada.
Está visto, daqui por quatro anos os pobres portugueses andarão todos com estes carros como estes, que ninguém no seu juízo perfeito os quererá nem dados! Acho que daqui por quatro anos vendo a minha carroça e compro uma sucata híbrida destas a gasóleo! 

Ou então o senhor ministro estará muito equivocado...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Cristas: Dedica-te aos Cozinhados ou às Obras da Igreja


Ao que parece, disse-me a minha colega de trabalho, Assunção Cristas foi ao programa da Cristina Ferreira cozinhar e dizer que é uma mulher muito religiosa. Assim sendo, eu aconselhava-a a dedicar-se à cozinha ou às obras da igreja, visto que como, como já se viu, para a política não tem muito jeito. E é por isso normal que aches estranho quando os outros mandam fazer auditorias para saber o que se passa no Banco público.