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quarta-feira, 3 de junho de 2020

O Racismo e a Polícia nos Estados Unidos

"Terras boas, diz você? E ninguém as cultiva?

- Não senhor. É assim mesmo. E quando vocês virem isso ficam danados. E ainda não viram nada. Aquela gente tem uma maneira de olhar para nós que até faz ferver o sangue. Olham para nós e dizem: "Não gosto de ti meu filho da puta". Depois vêm os delegados do sheriff e vocês são perseguidos. Acampamos em qualquer lugar à beira da estrada, e eles mandam-nos embora. Basta olhar para a cara deles; logo se vê a raiva que têm à gente. E... vou-lhes dizer uma coisa: eles têm-nos raiva porque têm medo. Sabem que, quando alguém tem fome, trata de arranjar comida, ainda que tenha de a roubar. Sabem que deixar as terras abandonadas é um pecado, e que alguém se dispõe logo a tomá-las . Diabo! Ainda ninguém vos chamou "Okies"?
Tom perguntou:
- "Okies"? Que quer isso dizer?
- Bem, antigamente, "Okie" era aquele que vinha de Oklahoma. Agora é o mesmo que chamar a um tipo filho da puta. "Okie" quer dizer que o sujeito é uma merda. A palavra, em si, não quer dizer nada; o que mete raiva é a maneira como eles a dizem. Mas não vale a pena dizer mais nada. Vocês têm que ver a coisa pessoalmente. Têm que ir para lá. Ouvi dizer que há por lá agora umas trezentas mil pessoas, da nossa região, gente que vive como porcos, porque tudo na California tem dono. Não sobra coisa nenhuma. E os donos disso tudo agarram-se às suas coisas que eu cá sei. Até são capazes de matar. Têm tanto medo que ficam doidos. Vocês vão ver, vão ouvir o que por lá se diz. É a mais linda terra do Mundo, mas o povo de lá é um bocado ruim. Tem tanto medo e tantos cuidados que até desconfia da sua própria gente. 
Tom olhou a água e enterrou os calcanhares na areia. 
- Mas, se alguém trabalhar e fizer economias, pode comprar um pedacinho de terra, não pode?
O homem mais idoso riu e olhou para o filho, e o rapaz, calado, arreganhou os dentes numa expressão quase triunfal. E o homem disse:
- Vocês não conseguirão nenhum trabalho certo. Terão de arranjar dia a dia o dinheiro para a comida. E vão precisar trabalhar para uma gente mesquinha como o Diabo. Se apanharem algodão, podem estar certos que a balança está viciada. Talvez não aconteça sempre, mas geralmente é o que se dá. Terão, por isso, de partir do princípio que todas as balanças estão viciadas, porque lhes é impossível saber quais é que estão certas. E não poderão fazer nada, mesmo nada. 
O pai perguntou em voz baixa:
- Então... então aquilo por lá não é nada bom, pois não?
- É bom, muito bonito tudo aquilo, mas a gente não consegue nada. Há, por exemplo, um pomar cheio de laranjas maduras... e um sujeito armado de revólver, que dá um tiro no primeiro que mexer nelas. E há um sujeito, dono de um jornal, lá perto da costa, que tem um milhão de acres de terra...
Casy ergueu vivamente a cabeça:
 - Um milhão de acres? Que diabo faz o homem com tanta terra?

(...)

- Vocês vão-se embora daqui?
- Não sei, disse Tom. Você acha melhor?
Floyd riu com azedume.
- Não ouviu o que o polícia disse? Se a gente não abalar deitam fogo a todo o acampamento. Se você pensa que esse delegado aguenta uma coisa daquelas sem mais nem menos e não vai tratar de se vingar, é porque não está bom da cabeça. Garanto que essa gente volta hoje mesmo à noite, para queimar tudo(...)
- O que eu não sou capaz de compreender é porque é que aquele polícia se armou se armou em teso. Parece que queria à viva força armar uma zaragata. O que ele queria era aquilo - disse Tom. 
- Nao sei como é a coisa por aqui, mas no norte conheci um polícia que era uma excelente criatura - afirmou Floyd. - Ele contou-me que, na zona dele, os polícias têm de caçar gente para meter no xadrez. O sheriff ganha 75 por dia por cada preso que meter na cadeia e só gasta 25 para lhe dar de comer. Não tendo presos deixa de ganhar dinheiro. O tal polícia disse-me que passou uma semana sem prender ninguém, e então o sheriff disse-lhe que tratasse de arranjar presos ou então que entregasse o emblema. Também esse gajo que esteve por aqui parecia disposto a prender gente de qualquer maneira. 

SIPNOPSE:
Na década de 1930, as grandes planícies do Texas e do Oklahoma foram assoladas por centenas de tempestades de poeira que causaram um desastre ecológico sem precedentes, agravaram os efeitos da Grande Depressão, deixaram cerca de meio milhão de americanos sem casa e provocaram o êxodo de muitos deles para oeste, rumo à Califórnia, em busca de trabalho. Quando os Joad perdem a quinta de que eram rendeiros no Oklahoma, juntam-se a milhares de outros ao longo das estradas, no sonho de conseguirem uma terra que possam considerar sua. E noite após noite, eles e os seus companheiros de desdita reinventam toda uma sociedade: escolhem-se líderes, redefinem-se códigos implícitos de generosidade, irrompem acessos de violência, de desejo brutal, de raiva assassina. Este romance que é universalmente considerado a obra-prima de John Steinbeck, publicado em 1939 e premiado com o Pulitzer em 1940, é o retrato épico do desapiedado conflito entre os poderosos e aqueles que nada têm, do modo como um homem pode reagir à injustiça, e também da força tranquila e estoica de uma mulher. As Vinhas da Ira é um marco da literatura mundial.

domingo, 31 de maio de 2020

Cinco Mil Negros Linchados Neste País

 " - Não posso crer que qualquer americano com dois dedos de testa possa acreditar que as tropas comunistas da Coreia do Norte se metam em barcos, atravessem dez mil quilómetros de mar e invadam os Estados Unidos. Mas é o que as pessoas andam por aí a dizer. "Cuidado com a ameaça comunista. Eles vão dominar este país". O Truman quer fazer uma exibição de força para os republicanos... é isso que ele quer. É disso que se trata. Fazer uma exibição de força à custa do inocente povo coreano. Nós vamos atacar e bombardear aqueles filhos da puta, 'tás a perceber? É tudo para apoiar esse fascista do Syngman Rhee. O maravilhoso presidente Truman. O maravilhoso General MacArthur. Os comunistas. Os comunistas. Não o fascismo deste país, não as iniquidades neste país. Não, o problema são os comunistas! Cinco mil negros linchados neste país e, por enquanto, nem um só linchador foi condenado. Isso é culpa dos comunistas? Noventa negros foram linchados desde que Truman veio para a Casa Branca com a boca cheia dos direitos dos cidadãos. Isso é culpa dos comunistas ou culpa do procurador geral do Truman, o maravilhoso Mr. Clark, que se lança numa vergonhosa perseguição judicial a doze líderes do Partido Comunista e lhes destrói a vida sem piedade por causa das suas ideias, mas que, quando se trata dos linchadores, se recusa a levantar um dedo! Guerra aos comunistas... e, para onde quer que a gente vá neste mundo, os primeiros a morrer na luta contra o fascismo são os comunistas! Os primeiros a lutar em defesa dos Negros, em defesa dos trabalhadores...
SINOPSE:
Casei com Um Comunista é a história da ascensão e queda de Iron Rinn, uma popular estrela da rádio, que vê a sua vida pessoal e profissional destruída na era da caça às bruxas de McCarthy. Nos seus dias de glória, casa com a famosa estrela de cinema mudo Eve Frame. O idílico romântico é breve e o seu casamento transforma-se num drama de lágrimas e traições, passando da esfera privada a escândalo nacional quando Eve faz revelações estrondosas a um colunista, denunciando o seu marido como espião comunista e sabotador. Uma história de crueldade, humilhação, traição e vingança, onde Philip Roth retrata de forma brilhante a conturbada época do pós-guerra, quando a febre do anticomunismo não só contaminava a política nacional mas também a intimidade das vidas de amigos e famílias, maridos e mulheres, pais e filhos.

"Casei com um comunista" / Philip Roth (1998)

sábado, 18 de abril de 2020

Sabias Que a Califórnia Foi Roubada aos Mexicanos?

"A Califórnia já pertenceu ao México, e as suas terras aos mexicanos; uma horda de americanos andrajosos e febris inundou a região. E tal era a sua fome de terra que as tomaram, roubaram as terras dos Suters e dos Guerreros, roubaram e destruíram as concessões e esses homens esfomeados e raivosos brigaram uns com os outros sobre a presa e guardaram de armas na mão as terras de que se tinham apoderado. Isto era a apropriação e a apropriação equivaleria a um título de posse. 
Os mexicanos eram moles por excesso de alimentação. Não puderam resistir porque nada se desejava no mundo como os americanos desejavam aquelas terras. 
Depois, com tempo, os acocorados deixaram de ser acocorados para passarem a proprietários; os seus filhos cresceram, e por sua vez tiveram filhos. E a fome acabou-se entre eles, essa fome animalesca, essa fome corroedora e lacerante da propriedade, da água e de um céu azul sobre ela, da relva fresca exuberante , das raízes entumecidas.
Tinham tudo isso, e com tal abundância que deixaram até de ver essa riqueza. Já não se sentiam corroídos pela ânsia de obterem um acre de terra fértil ou um arado brilhante para nela abrir sulcos, sementes ou um moinho agitando o ar com as pás. Já não acordavam nas madrugas escuras, para ouvir o primeiro chilrear dos pássaros ainda ensonados, ou o ruído do vento matinal em torno de casa enquanto aguardavam os primeiros clarões, à luz dos quais deveriam ir para os seus amados campos. Tudo isso fora esquecido, e as colheitas eram avaliadas em dóllars e as terras eram-no em capital mais juros e as colheitas compradas e vendidas mesmo antes de se fazer a plantação. Nessa altura, já o malogro das colheitas, as secas e as inundações haviam deixado de significar pequenas mortes dentro da vida, mas simplesmente perda de dinheiro. E todos os seus afetos eram medidos pelo dinheiro, e toda a sua impetuosidade se diluía, à medida que lhes aumentava o poder, até que finalmente eles deixaram de ser fazendeiros ou rendeiros, para se transformarem em homens de negócios dos produtos da terra, pequenos industriais que tinham de vender antes de terem produzido qualquer coisa. E os fazendeiros que não eram bons negociantes, perdiam as suas terras, em favor dos que eram bons negociantes. Não importava que fossem trabalhadores diligentes e que amassem a terra e tudo quanto nela crescia, desde que não fossem também bons negociantes. E, com o tempo, os bons negociantes apropriaram-se de todas as terras e as fazendas foram aumentando de tamanho, ao mesmo tempo que diminuam em quantidade....


sábado, 4 de abril de 2020

Estados Unidos: o Desprezo pela Vida Humana

Reuters
Vivemos um período complicado das nossas vidas e dos diferentes países por todo o mundo, sob a ameaça de um vírus invisível que causa uma doença, e que, nas pessoas de mais idade e nos mais fragilizados, pode levar à morte e tem sido a tragédia que se conhece. 

Apesar de por estes dias não andar a acompanhar grande coisa das notícias, até para a minha saúde mental, vou no entanto vendo o essencial; as capas dos jornais, dou uma vista de olhos, principalmente, no Público e no The Guardian e vou acompanhando o que os jornalistas que sigo no Twitter vão dizendo e partilhando. 

Mas houve uma coisa por estes dias que realmente me chocou, e que acho que deve chocar qualquer pessoa. Nos Estados Unidos, que é um país considerado rico, não é?, em Las Vegas (estado do Nevada mesmo ao lado da Califórnia) foi decidido uma coisa espantosa para ajudar os sem abrigo! Então, neste país rico, dos mais capitalistas e poderosos do mundo, que é que se lembraram de fazer?Decidiram usar um parque de estacionamento e pintar umas linhas de metro e meio, como mandam as regras da distância social, fazendo assim um parque de estacionamento isolado para os sem abrigo! Não é genial? De que mente brilhante terá saído esta ideia genial? É que isto merece um Nobel da economia!

Getty Images
Não, infelizmente não merece e eu estava a ser irónico. É desumano. Não tem outro nome, é desumano. É o desprezo pela vida humana levado ao extremo. Eu certamente teria vergonha de viver num país assim. Com tantos hotéis fechados, com tantos pavilhões desportivos fechados, com tantas outras infraestruturas fechadas e nos Estados Unidos, num dos ditos países mais ricos do mundo, é desta forma que tratam as pessoas? Por que é que, por exemplo, o presidente americano, conhecido empresário multimilionário não dá o exemplo e disponibiliza os seus hotéis e resorts de golfe para ajudar os sem abrigo? Não, tratam-se as pessoas como um monte de esterco.

Já eu vivo em Portugal, num país da Europa mas um país dito pobre. Não fomos à lua, não criamos guerras artificiais para explorar as riquezas dos outros países, vivemos com as nossas dificuldades de salários baixos e em que as pessoas muitas vezes têm que emigrar para terem melhores condições de vida. Mas no meu país pobre, que vive com as dificuldades que se conhece, vindos, ainda por cima, de uma grave crise económica mundial, que nos meteu o pé no pescoço, neste meu país tratam-se todas as pessoas doentes todas por igual, sejam ricos ou sejam pobres. No meu país dito pobre, um adolescente de 17 anos não é impedido de ser tratado num hospital porque não tem seguro de saúde. Nos Estados Unidos esse jovem morreu sem ser tratado. Em Portugal certamente que se tinha feito tudo para que isto não acontecesse. 

Mas veio agora esta pandemia e já nos está a mostrar muitas coisas. Mesmo em Portugal, com gente que defende o capitalismo selvagem americano a quase ter virado comunista!
Branko Milanovic,  um dos mais reconhecidos economistas da desigualdade e autor, por exemplo, dos livros "A desigualdade no Mundo" e  de 2019 "Capitalism, alone", escreveu no Twitter:

"The rich people in the US never thought that a broken health care system will ever matter to them. Now it does."

("Os americanos ricos nunca pensaram que um sistema de saúde falido lhes interessaria. Mas agora interessa)

E o que eu acho é que países ricos têm capacidade financeira para tratar dos seus doentes. Todos, sejam ricos ou pobres. Países ricos não têm 140 milhões e pobres e 41 milhões de sem abrigo como tem os Estados Unidos. Países ricos preocupam-se com todos os seus cidadãos, não se preocupam só com as contas bancárias dos mais ricos fazendo leis para que os mais ricos paguem cada vez menos impostos. Os Estados Unidos é um país rico, mas só para alguns. Muito poucos. 

sexta-feira, 27 de março de 2020

Os Jogos Olímpicos da Pandemia 2020 - Estados Unidos Sobe ao Primeiro Lugar

Os Estados Unidos são fortíssimos no desporto, e tal como havia referido, por certo não deixariam cair os seus créditos por mãos alheias. Em apenas três dias passaram a China e a Itália e estão agora em primeiro lugar nos Jogos Olímpicos da Pandemia 2020:

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

É Por Causa da Religião que os Americanos São Tão Atrasadinhos da Cabeça?


Por vias travessas, sim, para o que me havia de dar!, ontem aterrei a ler uma notícia de um jornal do Alabama, estado que fica no sul dos Estados Unidos (aquela zona mais perto dos Açores) e relativamente perto de um outro estado mais conhecido que é o Texas. A notícia chamou-me a atenção pelo título:

Losing our religion? Faith is part of identity in the South, but it’s changing
Em português qualquer coisa como: "Estamos a perder a fé? A fé é parte da identidade no Sul, mas as coisas estão a mudar".

A notícia começa por nos dizer que não há símbolo mais tradicional no Alabama que nos mostra como é a fé por aquelas bandas, do que aquela enorme placa junto da estrada, e que diz "Vai à missa ou o Diabo te apanhará". 

Um dos traços mais vincados deste Estado é a fé e a religião. No Alabama dá-se graças antes das refeições, participa-se de avivamentos, envia-se as crianças para acampamentos religiosos etc, ou seja, facilmente percebemos que por lá a fé é uma coisa séria, tão séria que colocaram o nome de Deus no dinheiro! "In God We Trust"!

Mas vamos a números. Um estudo de 2014 dizia que:

86% das pessoas no Alabama identificam-se como cristãos
78% são Protestantes de diferentes tipos 
7% são Católicos

82% Acreditam em Deus com "Certeza Absoluta"
12% Acreditam em Deus e estão bastante seguros da sua existência

Entretanto em dez anos:

Ateus: Passaram de 1% para 3%
Agnósticos: Passaram de 2% para 4%
Sem religião: Passaram de 10% para 16%

Eu estou muito pouco interessado na ligeira perda de fé dos habitantes do Alabama e de todos os outros estados todos. O que me chamou a atenção foram mesmo os números impressionantes de crentes por aquelas bandas. Mas para o percebermos melhor comparemos por exemplo com as taxas de crentes deles com a Europa, no caso no intervalo de idades entre os 16 e os 29 anos divulgados no ano passado:



Excluindo os três países mais crentes (Israel, Polónia e Lituânia) na Europa as pessoas que se dizem sem religião vão dos cerca de 40% da Áustria, Eslovénia, Irlanda e Portugal, até aos 91% de ateus na República Checa! 

E agora façamos outra análise. E a religião, tem alguma influência e importância na política americana? Se eu vos disser que todos os presidentes americanos, desde a fundação da nação, de George Washington até ao último presidente Donald Trump, todos eram religiosos responde à pergunta? 


Temos então que a religião nos Estados Unidos é coisa muito séria, como já referi, eles até escrevem nas notas que confiam em Deus! E não importa a religião que tenhas, o que importa é que tenhas fé e acredites em Deus, aquele mesmo Deus que também se acredita cá por estas bandas. 

Agora vejam este vídeo da FOX NEWS, a CMTV lá do sítio que contribuiu para a eleição de Donald Trump, e respondam à pergunta do titulo desta publicação:


E, se nos Estados Unidos são muito tementes a Deus e são todos cristão e boas pessoas, como é que se reflete isso na política? Eles preocupam-se com os pobres e os mais desfavorecidos? Não! De todo! Os Estados Unidos praticam desde sempre o capitalismo selvagem. Têm quarenta e um milhões de sem abrigo! Usam armas, matam primeiro e perguntam depois, uma atitude verdadeiramente cristã diga-se! Um em cada seis americanos não consegue tratar da sua saúde e um estudante universitário quando acaba o seu curso tem um empréstimo de cem mil euros para pagar!

Acho que este é um daqueles casos para dizer, como nós dizemos em bom português:
"Fia-te na Virgem e não Corras"!

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Tiroteios nos Estados Unidos? É Tudo Fakes News de Jornais Comunistas!

É tudo mentira! Não houve tiroteios nenhuns porque nos Estados Unidos da América qualquer pessoa pode ter uma arma, e isso faz com que ninguém ouse sacar de uma arma para disparar sobre quem quer for! Porque só as armas evitam as mortes por armas de fogo!
Isto é tudo obra da esquerdalha, dos comunistas que têm inveja de um grande senhor como é Donald Trump, que está a fazer crescer a economia americana como ninguém, e que só pensa no bem da humanidade. Ele merecia era o prémio Nobel. Não acreditem em nada disto! É tudo falso! Tudo Fake News!






terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Vamos Fazer um Joguinho?

Como a mais nova congressista americana de sempre, com umas simples perguntas de criança perante uma comissão de ética, põe a nu como está institucionalizada a corrupção na politica americana. Mas o pior (nada de novo) é saber que as leis defendem com unhas e dentes quem quiser mesmo ser mesmo um filho da puta da pior espécie! E o mais defendido de todos os filhos da puta, é o presidente do país! Depois espantam-se que eu diga que os Estados Unidos (com os seus 41 milhões de sem abrigo) seja um país de terceiro mundo:


E a inteligência é uma coisa muito sexy, não é?

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

O Americano Médio Não Consegue Juntar 450 Euros Para Emergências

"O americano médio não consegue juntar 450€ para uma emergência . Um terço dos americanos não pode pagar comida, abrigo e cuidados de saúde. Os cuidados de saúde para uma família agora custam 25 mil Euros - cerca de metade da renda média, que é de 50 mil Euros."

"Todas as coisas que realmente elevam a qualidade de vida das pessoas - saúde, finanças, educação, transporte, moradia e assim por diante - passaram a consumir uma parcela tão grande da renda média das famílias que têm pouco para poupar, investir ou gastar. em qualquer outra coisa."

"Assim, os americanos não são apenas absolutamente ou relativamente pobres, mas pobres de uma maneira totalmente nova. Primeiro, os fundamentos da vida explodiram de preço, a tal ponto que agora são inacessíveis para muitos, talvez a maioria dos lares. Em segundo lugar, os americanos arcam com os riscos de pagar esses custos inacessíveis a um grau extremo, arcando com os riscos que as instituições deveriam ter, e, portanto, esses riscos estão agora ruinosamente altos." 

"Os americanos trabalham muito mais do que em qualquer outro lugar - eles estão sempre a um passo de perder tudo, da ruína genuína, mas os seus pares em países verdadeiramente ricos não o estão." 

"Os americanos vivem vidas bastante abismais - curtas, solitárias, infelizes, cheias de trabalho, stresse e desespero, em comparação com seus pares."



domingo, 11 de novembro de 2018

O Grande Feito de Donald Trump - E Quem São os Fanáticos Defensores Trump?

"Por exemplo, em relação a Trump eu acho que isso joga a favor dele, sabe? Porque, em entrevistas que eu por vezes oiço, a opinião das pessoas, e nomeadamente atendendo aquilo que são os pré-conceitos, joga a favor dele. Porquê? Por que é a estratégia da vitimização de, lá estão todos aqueles intelectuais de pacotilha, na CNN, no New York Times, etc, a atacar o "coitadinho", só porque ele não é um deles, só porque ele foi contra os interesses estabelecidos, que foi, se quiser, o grande feito dele. É que, pertencendo ele à alta finança americana, estando ele a vida inteira às cotoveladas com os políticos e os financeiros mais poderosos, ele conseguiu passar a mensagem de "eu sou contra o sistema (e como ele próprio disse): eu vou drenar o pântano de Washington".  A partir dessa altura, ele é o campeão dos desfavorecidos que, é tristemente irónico num tipo que nós sabemos que ainda por cima tem uma trajetória em termos de fortuna pessoal que não foi propriamente feita à custa de justiça para com os seus próprios trabalhadores(...)

Nós estamos a falar de um homem que mandou fazer Photoshop na cerimónia de investidura, para parecer que estava mais gente do que estava, para poder dizer que tinha sido a maior cerimónia. Está a ver a fragilidade de narcisismo desta pessoa?




Fascinante, para quem trabalha na área que eu trabalho é como, o núcleo duro de apoiantes de Trump, que dizem, vezes sem conta às televisões "estou-me nas tintas para isso tudo; mesmo que seja verdade o que dizem dele eu continuo a votar nele" quem são?

Os brancos. Homens. Os frustrados profissionalmente. E os com pouca educação. 

Ou seja, gente em que há um ressentimento muito grande. E às vezes com razão. A vida foi madrasta percebe? E as fake news sobre o Obama a dizer que ele tinha nascido no Quénia e que portantanto não se podia candidatar? E os sociólogos que estavam cheios de razão "Hillary Clinton não é uma boa candidata nas suas permanentes ligações à alta finança (como o próprio Trump, não é?), mas não é só isso que está em jogo. Nos Estados Unidos um homem negro vá que não vá, agora uma mulher, seja de que cor for, nem pensar"! Não estão preparados para isso. 

A espada de Dâmocles - O Amor é / Júlio Machado Vaz


sábado, 3 de novembro de 2018

O Evangelho da Riqueza

"A santificação da propriedade privada e a conversão de qualquer valor mercantil têm por consequência a profunda desumanidade da classe dirigente, o seu desprezo pelo homem, a maior parte das vezes mascarado sob as aparências de uma falsa filantropia, mas então exibido cinicamente. Os homens são julgados pela sua força de trabalho e considerados como simples instrumentos. As relações humanas são vazadas de qualquer conteúdo que não seja utilitário e o trabalho de um assalariado pode ser comparado a qualquer mercadoria: "O trabalho como farinha ou o tecido de algodão, deveria ser sempre comprado ao preço mais baixo e vendido ao preço mais alto". A regra que comanda a retribuição dos operários ("qualquer salário é equitativo se é igual ao que obtém este tipo de trabalho no mercado livre") não deve sofrer nenhuma exceção nem ser submetida consideração de ordem humanitária. Pois "a beneficiência e os negócios são e devem permanecer eternamente dissociados. Um patrão não está mais adstrito a obrigações financeiras em relação aos seus operários após lhes ter pago salários ordinários, que estes a seu respeito ou ao de um desconhecido". A verdadeira ética do business está completamente contida nesta declaração de um industrial: "Eu considero os meus operários exatamente como considero as minhas máquinas. Enquanto puderem executar o meu trabalho por aquilo que decidi pagar-lhes mantenho-os tirando  deles o que posso tirar". E sem dúvida espera tirar ainda mais convencendo o operário que o triunfo está à mercê de todos, que só depende do mérito individual. Daí o regresso a um puritanismo militante e agressivo. 

O Capitalismo Selvagem nos Estados Unidos - Marianne Debouzy (1972)

sábado, 22 de setembro de 2018

Nos Estados Unidos Paga-se por ir para a Cadeia e se Não se Pagar Vai-se Preso de Novo!

"O que me fez perder a cabeça esta semana...

Os Estados Unidos tem uma das maiores populações carcerárias do mundo, perto de um milhão de pessoas e, em quarenta e nove dos cinquenta Estados norte-americanos, quem sustenta os prisioneiros não é a sociedade mas sim os próprios prisioneiros. No final de cumprir a pena eles levam para casa uma conta para pagar. Se não pagarem perdem os bens, perdem a casa, perdem tudo o que têm, e em alguns Estados, se eles não conseguirem pagar ainda vão para a prisão de novo

Na Florida por exemplo, depois de três anos de prisão, num caso, um senhor saiu com uma dívida de 55 mil dóllars. Bom, e ele trabalhou na prisão. Só que o problema é que o salário na prisão é 55 centavos de dóllar por hora. O salário mínimo nos Estados Unidos é de 8,45 dóllars por hora. Ou seja, se ele trabalhasse onze anos, sem tirar dinheiro nenhum dentro da prisão, ele talvez conseguisse pagar a dívida de três anos de prisão. Mas ele não estava mais na prisão para pagar. Com o salário mínimo da Florida ele precisaria de três anos sem gastar nada, sem comer, sem pagar aluguer, sem pagar nada, com o salário mínimo para poder o tempo de prisão que ele teve. 

Quer dizer, como é que eles querem reabilitar os criminosos...?

Jair Rattner / O Esplendor de Portugal / Antena 1


sábado, 3 de março de 2018

Nos Estados Unidos as Crianças Não se Matam com Ovos Kinder

Uma destas crianças segura nas mãos uma perigosa arma proibida nos Estados Unidos para sua própria proteção. Conseguem adivinhar qual das duas é?


Os Estados Unidos é de facto um país muito à frente do seu tempo, e que protege como ninguém as suas crianças. Lá não é como aqui em Portugal, um país atrasadíssimo, em que as crianças entram nas escolas livremente com ovos Kinder e podem matar-se umas às outras! 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Ouvi dizer que houve mais um Massacre nos Estados Unidos...

Não li nem vi nada sobre o assunto (e ainda bem!) mas ouvi dizer qualquer coisa lá no trabalho sobre mais um maluco que matou umas dezenas de pessoas nos Estados Unidos. Mas certamente que isso não tem nada a ver com o facto de, por lá, as pessoas poderem comprar livremente as armas que quiserem, visto que, por mera coincidência claro, os Estados Unidos da América até são o maior produtor mundial de armas e se não as venderem é uma chatice.


Em 1999 também ocorreu um massacre, e desse lembro-me bem. Aconteceu numa escola secundária, e que resultou na morte de quinze pessoas (alunos e professores) e de várias dezenas de feridos. Na altura, disseram que um dos culpados foi o Marilyn Manson. Agora, certamente, será culpa de outra coisa qualquer. Mas claro que nunca será culpa das armas, que ironicamente, só por mera coincidência, é que foram inventadas para matar os outros.