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terça-feira, 26 de maio de 2020

Telospital



Depois de há mais de trinta anos ter feito o Ciclo Preparatório na Telescola, hoje tive a primeira consulta via Telospital. Nas últimas semanas recebi finalmente cartas para as consultas e análises que ficaram por fazer dos últimos meses devido à pandemia e, aos poucos, com os devidos cuidados, as coisas começam a voltar à normalidade.

Em boa verdade, com tanto digital e simplex, com a receita eletrónica e o Portal da Saúde, porque é que um doente crónico, que muitas vezes tem que fazer dezenas ou até mesmo centenas de quilómetros para se deslocar à consulta da especialidade, não pode simplesmente, e porque estamos a tratar de um ato médico, burocrático, que não implica ser analisado fisicamente, ir trabalhar normalmente e aguardar uma chamada telefónica do médico que envia as receitas, próximas e análises para casa? Poupam-se viagens e despesas de deslocação, poupa-se tempo e absentismo ao trabalho e perdas de produtividade e perdas de salário ao fim do mês. E o ambiente também agradece. 

Claro que isto não pode ser usado para todas as situações, para todo o tipo de doentes, mas não tenho quaisquer dúvidas que a pandemia pode ter sido uma oportunidade para repensarmos a forma como sempre fizemos determinadas coisas que podem ser otimizadas seja o teletrabalho (ainda que se tenha de ter muito cuidado com os abusos) ou, neste caso o Telospital!|

sábado, 4 de abril de 2020

Estados Unidos: o Desprezo pela Vida Humana

Reuters
Vivemos um período complicado das nossas vidas e dos diferentes países por todo o mundo, sob a ameaça de um vírus invisível que causa uma doença, e que, nas pessoas de mais idade e nos mais fragilizados, pode levar à morte e tem sido a tragédia que se conhece. 

Apesar de por estes dias não andar a acompanhar grande coisa das notícias, até para a minha saúde mental, vou no entanto vendo o essencial; as capas dos jornais, dou uma vista de olhos, principalmente, no Público e no The Guardian e vou acompanhando o que os jornalistas que sigo no Twitter vão dizendo e partilhando. 

Mas houve uma coisa por estes dias que realmente me chocou, e que acho que deve chocar qualquer pessoa. Nos Estados Unidos, que é um país considerado rico, não é?, em Las Vegas (estado do Nevada mesmo ao lado da Califórnia) foi decidido uma coisa espantosa para ajudar os sem abrigo! Então, neste país rico, dos mais capitalistas e poderosos do mundo, que é que se lembraram de fazer?Decidiram usar um parque de estacionamento e pintar umas linhas de metro e meio, como mandam as regras da distância social, fazendo assim um parque de estacionamento isolado para os sem abrigo! Não é genial? De que mente brilhante terá saído esta ideia genial? É que isto merece um Nobel da economia!

Getty Images
Não, infelizmente não merece e eu estava a ser irónico. É desumano. Não tem outro nome, é desumano. É o desprezo pela vida humana levado ao extremo. Eu certamente teria vergonha de viver num país assim. Com tantos hotéis fechados, com tantos pavilhões desportivos fechados, com tantas outras infraestruturas fechadas e nos Estados Unidos, num dos ditos países mais ricos do mundo, é desta forma que tratam as pessoas? Por que é que, por exemplo, o presidente americano, conhecido empresário multimilionário não dá o exemplo e disponibiliza os seus hotéis e resorts de golfe para ajudar os sem abrigo? Não, tratam-se as pessoas como um monte de esterco.

Já eu vivo em Portugal, num país da Europa mas um país dito pobre. Não fomos à lua, não criamos guerras artificiais para explorar as riquezas dos outros países, vivemos com as nossas dificuldades de salários baixos e em que as pessoas muitas vezes têm que emigrar para terem melhores condições de vida. Mas no meu país pobre, que vive com as dificuldades que se conhece, vindos, ainda por cima, de uma grave crise económica mundial, que nos meteu o pé no pescoço, neste meu país tratam-se todas as pessoas doentes todas por igual, sejam ricos ou sejam pobres. No meu país dito pobre, um adolescente de 17 anos não é impedido de ser tratado num hospital porque não tem seguro de saúde. Nos Estados Unidos esse jovem morreu sem ser tratado. Em Portugal certamente que se tinha feito tudo para que isto não acontecesse. 

Mas veio agora esta pandemia e já nos está a mostrar muitas coisas. Mesmo em Portugal, com gente que defende o capitalismo selvagem americano a quase ter virado comunista!
Branko Milanovic,  um dos mais reconhecidos economistas da desigualdade e autor, por exemplo, dos livros "A desigualdade no Mundo" e  de 2019 "Capitalism, alone", escreveu no Twitter:

"The rich people in the US never thought that a broken health care system will ever matter to them. Now it does."

("Os americanos ricos nunca pensaram que um sistema de saúde falido lhes interessaria. Mas agora interessa)

E o que eu acho é que países ricos têm capacidade financeira para tratar dos seus doentes. Todos, sejam ricos ou pobres. Países ricos não têm 140 milhões e pobres e 41 milhões de sem abrigo como tem os Estados Unidos. Países ricos preocupam-se com todos os seus cidadãos, não se preocupam só com as contas bancárias dos mais ricos fazendo leis para que os mais ricos paguem cada vez menos impostos. Os Estados Unidos é um país rico, mas só para alguns. Muito poucos. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Foi o SNS Que me Salvou Porque os Hospitais Privados é Só Fachada

https://www.thisismoney.co.uk/
Dia de análises. Lá fui em jejum até à cidade. Meia hora no pára-arranca do Freixo ao Túnel da Ribeira. Aproveitei e pelo caminho encontrei-me com o John para lhe entregar um agave dragão que há meses tinha encomendado para ele. É sempre uma oportunidade para praticar o inglês. Lá me desenrasquei e ele percebeu onde é que eu estava e depois ainda lhe dei boleia até perto da zona onde ele vive. Antes das análises passei na farmácia do ambulatório para levantar a droga que o meu Estado paga para eu me injetar. São cerca de mil euros todos os meses - obrigado Sistema Nacional de Saúde!, ainda que pareça que muita gente queira implementar em Portugal o sistema de saúde dos Estados Unidos, baseado no segurozinho de saúde privado, e em que se paga 2500€ por chamar uma ambulância ou em que as pessoas estão todas a morrer porque nem sequer têm dinheiro para pagar a insulina. Antes do número 22 ser chamado saquei d' As noites Brancas e li mais algumas  páginas e depois lá rumei hospital adentro para as análises. 

Antes de vir embora, junto à saída, duas senhoras que não se conheciam encetaram uma conversa de circunstância. Mal ouvi "foi o serviço público que me salvou" fiquei de orelhas espetadas para ouvir o resto.

"Eu tenho uma doença degenerativa, neurapatia, que é a doença dos músculos e já tinha um linfoma. No hospital privado já tinha gasto mais de cinco mil euros e não conseguiam descobrir o que tinha. A minha sorte foi ter vindo para o serviço público porque descobriram logo o que tinha. Os hospitais privados é só fachada".

Testemunho tão revelador que não tenho mais nada a acrescentar. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Junta Trolha



Ao longo da minha vida terei ido talvez a uma ou duas juntas médicas e terei tido necessidade de uns quantos atestados para os mais variados fins. 
Entretanto há poucos dias os médicos reuniram e ameaçam deixar de fazer juntas médicas porque acham que estão a ser desaproveitados com tarefas menores como atestar que determinada pessoa está doente ou incapacitada para o trabalho. E como brevemente estou a pensar submeter-me a um processo de apuramento de incapacidade, e visto que corro o risco de não poder ser visto por médicos, talvez o melhor seja deslocar-me a um edifício em obras para ser visto por uma Junta Trolha. Talvez os trolhas ou outros quaisquer profissionais, sejam as pessoas indicadas para atestar perante o Estado a minha incapacidade de reivindicar os apoios que tenho direito, visto que os médicos acham que não devem fazer esse tipo de trabalho menor. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Partidos de Direita Caladinhos Que nem Ratos sobre Medicamento Mais Caro do Mundo

Por estes dias, e por diferentes motivos, tenho-me lembrado muito de Manuela Ferreira Leite. Uma das coisas que a ex-ministra da educação de Cavaco Silva e ex-ministra das Finanças de Durão Barroso me fez lembrar foi quando, na SIC Notícias (televisão do fundador do PSD Pinto Balsemão) o que disse sobre os hemofílicos.




À pergunta humana da jornalista:

- "Não acha abominável que se discuta se alguém que tem 70 anos tem direito à hemodiálise ou não?”

A senhora tem a lata de responder:

"Tem sempre direito se pagar. O que não é possível é manter-se um Sistema Nacional de Saúde como o nosso, que é bom, gratuito para toda a gente."



Ora isto faz todo o sentido, vindo desta senhora que está num partido (PSD) que, à semelhança do CDS, votou contra a criação do Sistema Nacional de Saúde. Os pobres que se fodam. Não têm dinheiro? Que morram! Saúde só para quem puder pagar!

E todos nós ainda nos lembramos muito bem, eu pelo menos lembro-me, como o governo anterior do senhor Passos e Portas, deixaram morrer vários doentes com Hepatite C com a desculpa do alto custo do medicamento, que custava 48 mil euros.

Mas agora, está a ser aplicado um medicamento que custa 2 milhões de euros, mas não vi nenhum líder dos partidos de direita insurgir-se contra este gasto absurdo e que os bebés deveriam era morrer, ainda para mais quando as famílias até fizeram um peditório e reuniram o dinheiro todo para o medicamento. Não o terem feito, e terem ficado caladinhos que nem ratos, só demonstra que são todos uma cambada de hipócritas. Enquanto isso, falam de quartos de banho nas escolas, uma lei  que até foi aprovada no parlamento há um ano.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Maratona da Saúde - Doenças Autoimunes - Antena 1



"Há cerca de 100 doenças autoimunes já identificadas. Estas doenças dificultam o diagnóstico  que pode ser muito difícil em alguns casos. Quais são os principais sintomas e sinais de alerta destas doenças?

A doenças autoimunes, e decompondo a palavra "Auto" "Imune", é o nosso sistema autoimune, o sistema de defesas que se vira contra nós. E se se vira contra nós pode-se virar contra nós em qualquer parte do corpo.

É possível fazer a prevenção?
De alguma forma é possível. Se nós decompormos tudo o que sabemos que pode levar á doença nós temos três grandes grupos: parte genética; depois a parte pessoal. Por exemplo nós sabemos que muitas das doenças autoimunes atingem as mulheres. E qual é a diferença de mulheres para homens? Principalmente as mulheres normalmente em idade hormonalmente ativas. Após a primeira menstruação ou quando começam o primeiro anticoncecional. Outra coisa ainda relacionada com a própria pessoa é que sabemos que o stress e a depressão pode também ser a gota de água que empurra nesse sentido. E em relação ao ambiente sabemos que, por exemplo,  a falta de Vitamina D pode ser também um fator que contribuiu. Ou seja, isto é um puzzle. E à luz de uma das teorias que aponta muito a possibilidade de ocorrência de doenças autoimunes, é a teoria da higiene. Diz que, à medida que os países se foram desenvolvendo e foram tendo mais higiene e controlando mais as infeções,  sistema imune começou a atacar a si próprio. E essa teoria da higiene diz por exemplo que, os miúdos devem ir para o infantário cedo, devem andar no quintal das avós, deixar-se sujar, para irem tendo as infeções correntes. Prevenção passa por isto. 

(O Dr. Carlos Vasconcelos é médico de Medicina Interna com doutoramento na área das Doenças Autoimunes. É ex-diretor e atual colaborador da Unidade de Imunologia Clínica do Hospital de Santo António, Centro Hospitalar do Porto e Professor Catedrático no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.)


domingo, 11 de março de 2018

Eutanásia: as perguntas que verdadeiramente interessam!

Mais dia menos dia a eutanásia acabará por ser legal em Portugal. Portugal está sempre à frente nestes temas quentes. Fomos dos primeiros a abolir a escravatura; dos primeiros a abolir a pena de morte; dos primeiros e até apontados como exemplo a despenalizar o consumo de droga; dos primeiros a descriminalizar o aborto; dos primeiros a permitir o casamento de pessoas do mesmo sexo; Veja-se que Portugal até também foi dos primeiros países a avançar com o vídeo-árbitro no futebol! Portugal está sempre um passo à frente, só é pena não querer estar à frente nos baixos níveis de corrupção!

Mas, como se vê, não é de agora que os políticos portugueses gostam de estar sempre na vanguarda, à frente dos outros neste tipo de coisa, e já se vai falando de eutanásia há algum tempo, logo, é de esperar novidades para breve. E toda a gente opina, a favor ou contra, mas há questões muitíssimo importantes que ainda não ouvi ninguém colocar. Questões parvas é verdade, que só eu me lembro sim!, mas mesmo assim, questões muito pertinentes!

Desde logo, vamos imaginar que alguém, por este ou aquele motivo, decide morrer. O ex-futuro contribuinte tem de pagar taxas "moderadoras" ou não? Para morrer vai ser preciso pagar ou não?

Eu, doente crónico, tenho de pagar taxas moderadoras na saúde e o argumento é mais ou menos este. Malandro do doente crónico, que fica doente só para dar despesa ao Estado, vai mas é começar a pagar taxas para ver se vai menos vezes ao hospital, para ver se fica curado! Foi mais ou menos o mesmo argumento que Passos Coelho e Paulo Portas também usaram para roubar os desempregados que, apesar de terem descontado para terem um subsídio de desemprego, aplicaram uma lei que cortava 10% do subsídio de desemprego ao fim de seis meses! Não havia ofertas de emprego, diziam para os portugueses não serem piegas e emigrarem, mas sendo roubados, como que por magia as pessoas iam encontrar trabalho, o tal trabalho que não havia para ninguém!



Então, vamos imaginar que alguém decide morrer, vai ter de pagar para morrer, ou é como no aborto, em que este novo parlamento aboliu a taxa moderadora? Doenças crónicas "moderam-se", abortos podem-se fazer quantos se quiser que ninguém paga nada! Ao menos na eutanásia a pessoa só pode ir à consulta de morte uma vez! "Ah e tal eu morri uma vez mas não fiquei satisfeito, olhe queria morrer outra vez!"

E quem é que vai fazer este trabalho? Será só o Sistema Nacional de Saúde ou os hospitais privados também vão poder entrar no negócio de matar as pessoas? 

É que eu já estou a ver as campanhas dos hospitais privados! "Venha morrer connosco, com todo o conforto e comodidade"! Até pode filmar a sua morte se quiser! Deve ser mais ou menos como os partos, em que de repente é moda pagar para ter a cria no privado, "porque é melhor"! Não sei em quê, mas vende-se a ideia que é melhor, e que quem tem os filhos nos hospitais públicos é pobre!
E por "melhor" significa pagar quatro ou cinco mil euros! A pessoa paga por algo que poderia ser totalmente gratuito e com maior segurança até porque, com se sabe, os hospitais privados não têm serviço de urgência, e se algo corre mal, toca a ser transladado para o hospitalzinho público que inicialmente não prestava! 

Curioso. De repente lembro-me de novo das "taxas moderadoras"! Ser doente implica pagar para moderar as doenças, como se o doente pudesse escolher ficar bom de um dia para o outro para não sobrecarregar o SNS! Como se o doente tivesse prazer em ser doente! Já decidir ter um bando de filhos não implica qualquer gasto, pelo contrário, até é incentivado e não se pagam consultas nenhumas. Porquê? Porque as pessoas estão a fabricar novos contribuintes e os trabalhadores até pagam bem menos IRS por isso e tudo. Quando na verdade, na maioria dos casos, quem tem muitos filhos é porque tem maiores rendimentos para os poderem ter! Irónico não é?

E numa eutanasiação (acabei de inventar agora a palavra!) depois se é aplicado um tratamento de morte mas por incompetência a pessoa não morre? Pode muito bem acontecer! Quantos condenados à morte, nesse país de terceiro mundo que são os Estados Unidos, não morrem depois de serem injetados com a injeção letal ou depois de terem levado um belo choque na cadeira elétrica? Ah pois é! Como é que vai ser?

Será que as seguradoras vão ter seguros específicos? "Faça já o seu seguro de morte e tenha uma morte segura"!

Vamos imaginar que alguém está paraplégico  e quer morrer, mas leva uma injeção e depois em vez de morrer fica num estado vegetativo? Como é que é? Vem depois alguém de machado em punho e corta a cabeça à pessoa para acabar com o trabalho?

E se a pessoa não morre em condições, quem é que vai apresentar reclamação ou levar o hospital a tribunal por esta pessoa? Isto vai ter de estar escrito no testamento vital? Ou será que a pessoa a partir do momento que decidiu morrer não tem mais direitos? Isto são tudo perguntas que gostaria de ver discutidas! Ou talvez não!


sábado, 24 de fevereiro de 2018

Conversas Improváveis 22

Entra uma senhora num estabelecimento de comércio tradicional no Porto, com uma cara de grande sofrimento. A dona do estabelecimento, que conhece a cliente, pergunta-lhe:

- "Ó doutora por que é que está com uma cara tão abatida?
Olhe, é um joelho que me anda a dar muitas dores..."

Que os médicos fiquem doentes não me surpreende, afinal, são humanos. Mas que os médicos, que entopem os outros de comprimidos e mais comprimidos, de exames e mais exames, e que depois eles mesmos, que tudo sabem de todas as drogas que há no mercado, andem cheios de dores, isto é algo que me deixa a pensar. 

Acho que é caso para dizer: "Em casa de médico, medicamentos de grilo"! 
Talvez não os tomem por saberem o quão mal que eles fazem. E tudo isto, sem dúvida, que é muito revelador. 


domingo, 26 de novembro de 2017

Conversas Improváveis 10


Via Google Images
No trabalho:

"Eu tenho de pedir um atestado médico para fazer exercício e ir para um ginásio que é algo que faz bem à saúde. Mas ninguém tem de pedir um atestado médico para dar cabo da saúde! Por acaso alguém é obrigado a pedir um atestado médico para começar a fumar ou para ir ao Macdonald's? Mas isto faz algum sentido"?

sábado, 21 de janeiro de 2017

Vacina: a melhor forma de apanhar a gripe!

Há muitos anos, a médica de família incentivou o meu avô, pessoa do  campo e rijo como um pêro, saudável e pouco dado a gripes, incentivou-o a tomar a vacina da gripe. E ele lá acabou por aceder, final, os médicos, supostamente, devem saber o que dizem.
Resultado: passado pouco tempo, apanhou uma valente gripe como nunca se lembrava de ter tido! "Nunca mais tomo o raio da vacina da gripe" disse. 

Há poucas semanas, ainda antes da vinda deste frio gélido que assola Portugal, a minha colega de trabalho disse-me que ao fim da tarde ia tomar a vacina da gripe, apesar de nem sequer costumar ficar com gripe. Desde logo a preveni "não tomes porque de certeza vais ficar doente"! E eu mesmo, que sou doente crónico, e que tal como ela tenho uma doença auto-imune, disse-lhe que nunca tomei a vacina da gripe, apesar de já ma terem prescrito inúmeras vezes, e mesmo estando a tomar imunossupressores há seis anos, nunca tive nenhuma gripe.
Resultado? Já há duas semanas não tinha andado muito bem, melhorou mas voltou a piorar, e esta semana foi andando sempre mal, com muita tosse, até ter mesmo que ter faltado ontem ao trabalho. 



Custo/benefício é sempre a ponderação que devemos fazer em tudo. Já aquando da suposta enorme pandemia que vinha aí em 2009 - parecia o Passos Coelho a anunciar a vinda do Diabo! - que acabou por ser um fiasco, mais de metade dos médicos e enfermeiros, grupo de risco por lidar com doentes, não quis ser vacinado contra a gripe A (H1N1)por considerar que os benefícios eram muito poucos em face dos efeitos secundários.


se os próprios médicos não a tomam, com que lata é que incentivam e prescrevem a vacina da gripe aos outros? Se calhar é porque há muita gente a ganhar muito dinheiro com a venda das vacinas não?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

IVG e as Taxas Moderadoras

Ouvi falar de novo das Taxas Moderadoras na Interrupção Voluntária na Gravidez esta semana na rádio, aquando da nova votação na Assembleia da República no sentido de obrigar, o ainda em exercício Presidente da República, a promulgar a lei que voltará a permitir que as mulheres não tenham de pagar para realizar um ato médio, nomeadamente para que possam abortar livremente quantas vezes quiserem sem terem de pagar qualquer importância, ainda que essa importância de 7,75€ seja a dividir por dois, visto que ninguém engravida sozinha. 

Mas antes de expor os meus argumentos gostaria de deixar uma declaração de intenções a quem quer que possa ler este texto:

Primeiro. Sinto-me completamente à vontade, pois nenhum dos deputados que alapam o cu na Assembleia da República me representa, visto não ter votado em nenhum dos partidos que obtiveram representação parlamentar. Acrescento ainda, para que não haja dúvidas: nunca votei num partido de direita.

Segundo. Sou completamente favorável a que a Saúde seja gratuita para todos, sem que ninguém tenha de pagar para se tratar, pois entendo que a Saúde não é um negócio, mas sim uma obrigação do Estado. Acho que é principalmente para isso que pagamos impostos e não, por exemplo, para pagar as dívidas de bancos ou outras empresas privadas. 

Terceiro. Sou totalmente favorável à atual lei do aborto.


Posto isto dizer que é revoltante para mim, ver os deputados dos partidos de esquerda, em uníssono, venham legislar no sentido de que as mulheres possam voltar a abortar sem terem de pagar taxas moderadoras. Não é para mim o valor que está em causa, nem tenho nada contra as mulheres que querem abortar, mas uma questão de moral, de um sinal que se dá, de prioridades muito invertidas. Olho para outros os casos, desde logo o meu e vejo a enorme discriminação que pessoas como eu são alvo. 

A minha primeira pergunta é: - Por que é que eu, doente crónico, portador de duas doenças auto-imunes, que nada fez através do seu comportamento para as ter, tenho de pagar taxas moderadoras - que moderam afinal o quê? - como é que se modera uma doença genética conseguem-me explicar como se eu fosse muito burro?  - e se tenho de pagar as frequentes consultas das inúmeras especialidades em que tenho de ser seguido; e se tenho de pagar as inúmeras análises e exames a que frequentemente estou sujeito, pergunto: porque raio uma mulher, que tem preservativos gratuitos nos centros de saúde, que tem consultas de planeamento familiar em que são dadas pílulas contracetivas igualmente de forma gratuita, e que ainda têm, em caso de algum imprevisto ocorrer, a pílula do dia seguinte nas farmácias para solucionar o "problema", e se ainda assim conseguem engravidar, por clara irresponsabilidade, expliquem-me então por que é que para vós, é esse o maior ato de justiça e de prioridade nas taxas moderadoras? É só por uma questão ideológica ou é só mesmo para chatear o Presidente da República e os partidos de direita agora que têm uma maioria no parlamento? Porque se é então estamos muito mal. 

O que daqui posso entender é que: para os deputados dos partidos de esquerda, que votaram favoravelmente este diploma, é que afinal o aborto é um método contracetivo. A mensagem que passam é: façam sexo à vontade, não se dêem ao trabalho de usar métodos contracetivos, que em último caso vão abortar ao hospital de borla! Estão os hospitais públicos, pagos com os impostos de todos nós, ali de pernas abertas para passar a mão pela cabeça das mulheres irresponsáveis, que engravidam uma, duas, três quantas vezes for preciso num ano! 

Doentes crónicos que têm doenças para toda a vida: Sim! Que paguem consultas, que paguem análises, que paguem exames, afinal são culpados por terem nascido com uma (ou duas) doença que não tem cura.

Mulheres que fodem irresponsavelmente, que engravidam por culpa exclusivamente própria, porque têm à sua disposição contracetivos gratuitos nos centros de saúde: Não! Coitadinhas, não podem pagar os 7,75€ de taxa moderadora que é a dividir por dois, por si e pelo homem que consigo engravidou.

Só pode mesmo haver algo de muito de errado com as prioridades dos nossos excelentíssimos deputados. 

domingo, 16 de novembro de 2014

Caça à consulta e ao examezinho

Quando se fala em Polícia, por norma, e às vezes com alguma razão, costuma-se falar em "Caça à multa". Pois bem, nos últimos anos, e porque as coisas não acontecem por acaso, desde que o povo colocou no poder os fascistas, que os centros de saúde mudaram de paradigma. 

Antigamente, quando a Saúde, e fazendo jus ao que ainda está escrito na Constituição, era tendencialmente gratuita, muitas pessoas vinham sempre com as mesmas queixas, que o seu médico de família não queria passar exames, provavelmente porque os médicos estavam com pena do Sistema Nacional de Saúde, pois tudo era quase gratuito. 

Mas agora que os fascistas privatizaram a Saúde, como convinha ao grande capital, e ir a um qualquer Centro de Saúde ou Hospital Público, é mais caro que ir à clinicazinha privada, as coisas mudaram redondamente.

Agora tenha muito cuidado se for acompanhar alguém ao Centro de Saúde! É que se o seu médico de família passa por si, de imediato liga para o balcão e obriga-o a ir a uma consulta naquele exato momento! Não está doente nem nada que se pareça, até anda a fazer exames num hospital privado, mas isso não interessa nada! Vai ser caçado e vai pagar os 5€ da consulta só porque sim, porque abriu a caça à consulta e ao examezinho! E isto passou-se ainda por estes dias com os meus pais.

Agora, depois de uma certa idade, os médicos passam exames a tudo e mais alguma coisa, e não, não é por estarem preocupados com a saúde dos "clientes", e com toda a certeza que vão descobrir algum que ainda não tenha feito, nem que seja o exame da merda, em que tem de - literalmente - enfrascar-se um bocado, para depois ser analisada, e ver se cumpre os requisitos da merda normal. Paga-se uma consulta, pagam-se montes de exames, e depois paga-se de novo para ir saber dos exames, e é assim que financiamos duplamente a Saúde neste país. Descontamos no salário para depois quando precisamos, pagar tudo, seja no Centro de Saúde, seja no Hospital Público. Mas afinal pagamos impostos para quê?

E é neste estado em que está a Saúde Pública neste país. Tudo se paga. São as consultas, os exames, as idas à enfermagem, Quero um medicamento para a doença crónica que tenho, e  que custa 2€, mas tenho de pedir para me passarem uma receita que custa 3€!! Mas pior, quando vou a ver, e em vez de me passaram 3 vias como pedi, não, passam-se uma só uma bisnaga que me dará para meia dúzia de dias...  Conclusão pago mais do dobro do que o medicamento custa, só por a médica inserir o meu nome no computador e fazer "Enter".

Por outro lado, há quanto tempo o seu médico de família não lhe mede a tensão arterial e lhe ausculta o coração e pulmões? Nunca o fazem. E porquê? Porque os médicos de família agora são passadores-de-receitas e de exames. Tantos anos nas universidades e é o que sabem fazer, muitos ainda nem aprenderam que é falta de educação, atender os doentes, sem nunca os olhar nos olhos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O elogio ao hospital público

Consulta marcada para as 12h30 no Hopital Santo António no Porto. O relógio da parede marcava 12h25 quando o médico abre a porta da sala 212, e chama pelo meu nome, precisamente cinco minutos antes da hora marcada. 

Porque também é preciso dizer bem, e porque é muito mais difícil elogiar que reclamar do que está mal. Porque este governo dos partidos de direita tudo tem feito para matar o Sistema Nacional de Saúde (que até votaram contra ele há mais de trinta anos) mas ainda assim há hospitais que contra todas as adversidades ainda vão funcionando bem. Desde que a minha zona de residência mudou para este hospital, que eu só tenho a dizer bem da forma como funciona este hospital público.

Quanto ao governo, terá de se esforçar ainda mais por fazer ainda mais estragos ao que é de todos, para levarem ainda mais clientes para os amigos da saúde privada. Curiosamente, isto aconteceu quando no mesmo dia, dizia-me a minha mãe: "estou farta de clínicas privadas e de médicos chupistas".

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Psoríase: não morrer da doença, morrer do tratamento

Por estes dias uma amiga comentava comigo que, a mãe estava a ler um livro sobre o cancro, coisa séria ao que parece, e não um qualquer livro sensacionalista, e então como abordava lá a psoríase, resolveu enviar-me as páginas que descriam os riscos associados ao uso dos medicamentos para tratar tanto a psoríase como a artrite reumatóide (e psoriática a que tenho), para eu dar uma vista de olhos.

Como é lógico, eu não sou ingénuo, sei perfeitamente que a medicação que estou a fazer acarreta bastantes riscos (por isso ando sempre a fazer análises a tudo e mais alguma coisa) mas de qualquer forma achei por bem, nunca me pôr a ler a bula dos medicamentos, porque se não era estar a preocupar-me desnecessariamente, pois a alternativa a não tomar não é melhor. O importante é que a medicação me trouxe qualidade de vida, foi sempre o que pensei.


De qualquer forma, é sempre um choque quando lemos o que eu li, que precisamente a droga caríssima que estou a tomar (Enbrel) e que vai começando agora a perder efeito, é um desses medicamentos que aumenta tremendamente o risco de eu desenvolver um cancro. A psoríase não mata, a artrite psoriática também não, mas ironicamente ao que parece estas drogas podem mesmo curar as doenças, ainda que para isso tenham de matar o hospedeiro.



Claro que estamos sempre a ouvir que isto ou aquilo aumenta o risco de cancro, no fundo hoje em dia está tudo contaminado - ainda há semanas via um filme no cinema sobre vampiros, coisa gó como eu costumo gostar "Só os amantes sobrevivem", e já os pobres coitados dos vampiros se viam à rasca para arranjar sangue não contaminado! - mas é sempre um choque pensar que, ao tratarmos uma doença nesta medicina convencional que só ataca as consequências da doença e não propriamente as suas causas, no fundo, estamos a contribuir para acelerar a nossa morte.

Por outro lado, como eu sempre pensei, de nada adianta durar até aos cem anos se for para estar enfiado numa cama, mais vale durar metade mas com qualidade de vida. Resta-me aproveitar os dias que me restam - eu e todas as pessoas, porque meus caros, com cancro ou cheios de saúde vamos todos c'o caralho! - e devemos é aproveitar da melhor forma possível, fazendo o que nos dá prazer, viver e não nos deixarmos meramente existir, aproveitar os bons momentos pois é o que uma pessoa leva desta vida!

Só os amantes sobrevivem - Jim Jarmusch

P.S: Se acidentalmente alguém passar por aqui que esteja a fazer um destes medicamentos "biológicos" no tratamento da psoríase/artrite comunique, eu gostava de conversar com alguém que esteja a fazer o mesmo tipo de tratamento que eu.

sábado, 10 de maio de 2014

Bata palmas

Há uns anos, quando fui pela primeira vez a uma primeira junta médica, tinha em mente que iria a um sítio, onde seria visto e analisado por diferentes médicos, para atestar realmente que estava realmente incapacitado para o trabalho. Mas que ingénuo que era, e não poderia estar mais enganado! A junta nada tem de ato médico, pois aquele trabalho pode ser feito por qualquer pessoa, desde que saiba ler e escrever, visto tratar-se unicamente de um processo burocrático-administrativo com vista a cortar baixas a quem está a dar prejuízo ao governo. Em última análise, afinal, esta junta médica, depende só, e exclusivamente, do bom ou mau humor da pessoa que encontramos à frente.
  
Esta semana encontrei um antigo colega de escola, que está de baixa há uns meses, devido a uma doença incapacitante que entretanto lhe apareceu. O próprio médico da medicina do trabalho, já lhe disse que ele não poderia fazer levantamentos de pesos, superiores a 10Kg. Só que o problema é que o trabalho dele implica pegar em pesos, não é estar a uma secretária a escrever.

freeimages.com

Está de baixa, anda a ser acompanhado no hospital e a tomar imensas drogas, mas o problema é depois quando é chamado para ir às juntas médicas. Se por vezes quando lá chega, a pessoa que lê os exames e os relatórios médicos lhe diz de imediato "não, realmente você não pode trabalhar assim", noutros casos acontecem verdadeiras aberrações. 

Numa das vezes chega lá, a gaija (sôtôra faz favor) olha para ele e diz:
"Ora bata palmas". 
Ele lá bateu palmas, e a mulher "Está apto para poder ir trabalhar". 
Ao que ele argumenta "mas ò sôtôra, o meu trabalho não é bater palmas!"

Na volta ela deveria pensar que o trabalho dele, é estar naqueles programinhas deprimentes da televisão, em que está lá uma plateia cheia de gente, em que o trabalho deles é que têm é mostrar os dentes e bater palmas. 

 Mas a pergunta que me ocorre é - e o que é que merecia esta sôtôra puta?

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Psoríase: um amor para a vida II

(1ª parte)

E começava aqui um novo capítulo na fase da doença.

Cheguei à consulta, e percebi de imediato que a médica me queria internar, naquele mesmo dia até, se tivesse cama disponível. Naqueles instantes, senti de novo o trauma dos vários internamentos por que já havia passado no outro hospital. Mas esta médica conseguiu-me apazigar.

De um médico eu não espero só competência, essa, todos devem-na ter, senão, supostamente não seriam médicos não? Mas a minha relação com os médicos nunca foi muito fácil. Na maioria dos casos acham-se uns seres superiores, muito pouco humildes, e depois falham redondamente no trato com o doente. Muitas vezes não ouvem aquilo que temos para dizer. Eu não espero que um médico queira ser o meu melhor amigo, ou que viva os dramas da minha doença, mas no mínimo, gosto que  naqueles minutos que tem para me observar, que me olhe nos olhos e estabeleça uma relação de confiança. Bem sei que hoje eles têm pouco tempo. Fala-se muito em produtividade. As consultas têm um tempo limite, e quase não há tempo para olhar nos olhos do doente, vão fazendo perguntas, enquanto que, ao mesmo tempo, vão escrevendo no computador.
Mas esta médica que encontrei neste novo hospital público para onde fui encaminhado, para mim, foi quase uma espécie de anjo da guarda que me apareceu num dos piores momentos da minha vida. Quando me viu pela primeira vez, até para me despir tinha dificuldade, e vergar-me para desapertar o calçado só mesmo muito lentamente.

Internou-me porque já sabia que eu seria o doente-tipo para fazer um tratamento recente, e que ao que parece, tinha ótimos resultados em casos graves de psoríase artropática. Explicou-me que o internamento de uma semana, era unicamente para fazer o despiste de todos os exames que eram necessários para que pudesse fazer esta nova droga, e se os fizesse por marcação isso demoraria bastante, e assim numa questão de dias ficava tudo feito.

No internamento, tudo foi diferente para melhor, quando comparado com o anterior hospital onde havia estado. Gente mais jovem, quer médicos e enfermeiros, e até pessoal auxiliar. Claro que nunca é agradável estar fechado, sozinho, ali num hospital, sem grandes ocupações para me entreter. Mas desta vez sabia que tinha um prazo, era só uma semana e uma semana também passa depressa, e era nessa contagem decrescente que pensava. Andava muitas vezes pelos corredores, e olhava pelas janelas para ver a vida lá fora.

Feitos os exames no internamento, continuei a ser acompanhado nas consultas externas e fiquei à espera de iniciar um novo tratamento. Chamam a esta nova droga "tratamento biológico". Sei que é mais uma droga que me baixará bastante as defesas, e no entender de leigo, que vá inibir o meu corpo de se atacar a si mesmo. Daí que tenha feito exames a tudo e mais alguma coisa, para que esteja tudo controlado, pois sem defesas, se tivesse outros problemas, facilmente se percebe que poderia ser uma chatice.

O medicamento é injetável por uma pequena seringa e pretende-se que o doente se injete a si mesmo. Na enfermagem do hospital, as senhoras enfermeiras deram-me uma formação como tudo se processa. Existem vários pontos no corpo onde é possível administrar a droga: braços, barriga, pernas. Faz-se a prega com as mãos, e espeta-se a seringa na diagonal. Mas aquilo faz-me muita confusão, eu nunca consegui injetar-me a mim mesmo, e é a minha mãe que ma administra, apesar de saber que também não lhe é muito agradável dar-ma.

Esta medicação funciona em regime de ambulatório. A médica prescreve, e com a receita vou levantá-la só na farmácia do hospital. A medicação, que é caríssima (perto de 1500€/mês) é totalmente comparticipada pelo Estado, mas como muita coisa mudo no país desde que iniciei o tratamento, temo que ainda me possa ser cortada. Como disse uma senhora muito caridosa do PSD, ex-ministra e agora comentadora, quando questionada se alguém com setenta anos não teria direito à hemodiálise, a tal senhora muito caridosa respondeu: "Tem sempre o direito se pagar". Tão queridos estes fascistas laranjolas não são?

Em janeiro de 2010, o parlamento aprovou o reconhecimento da psoríase como doença crónica. Doença crónica sempre foi, mas reconhecê-lo por parte do Estado, implicaria ajudar os doentes na comparticipação dos medicamentos, algo que nunca aconteceu até então. Se noutros países, os doentes com psoríase têm tudo e mais alguma coisa por forma a serem ajudados, quem tivesse a infeliz sorte de nascer em Portugal, só teria mesmo era de pagar do seu bolso caso se quisesse tratar. Até então, o Ministério da Saúde via esta doença crónica como um problema de "beleza", uma questão inestética. Daí que, a maioria das pessoas, não podendo comprar os cremes caríssimos, não se podia tratar convenientemente. Ao reconhecer-se a psoríase como doença crónica, foi atribuída a isenção de taxas moderadoras, e a comparticipação a 95% de alguns medicamentos (não todos) usados no seu tratamento.

Foi considerada doença crónica em 2010, mas muda o governo no ano seguinte, entra em funções a canalha fascizóide, e de repente, tudo volta a mudar, para pior claro. Um ano antes, aos olhos do Estado, eu tinha uma doença crónica, que é para toda a vida, muda o governo, o Estado já diz que não é bem assim, como se andassem a gozar com a vida das pessoas. Subitamente tenho, de passar a pagar as consultas, análises e todos os exames que forem precisos. De referir que só por causa da psoríase, fui acompanhado em consultas de cinco ou seis especialidades no hospital, e por causa do tratamento, tenho de fazer frequentes recolhas de sangue, e pelo menos uma vez por ano um raio-x ao tórax.

A Constituição diz que temos direito a saúde gratuita, mas como se sabe é só para inglês ver. Os fascistas aumentaram as taxas moderadoras de forma absurda, claro, nós sabemos, que é para que os doentes fujam para o privado. E se eu quisesse agora isenção, por doença crónica, tinha de me sujeitar a uma junta médica, e teria de ter um resultado de 60% de incapacidade, mas o detalhe sórdido é este: teria de pagar cinquenta euros pelo pedido de isenção! E vamos supor que só tinha 59% de incapacidade, os cinquenta euros iam para o lixo. No fundo, o governo cria uma taxa moderadora para moderar os próprios pedidos de isenção! Vamos lá pôr o pessoal a pagar para pedir o que tem direito, que assim, muitos não pedem, e se ainda assim pedirem, facilmente podem não atingir os 60% de incapacidade e assim os doentes estão duplamente fodidos. E nada invalida que, de um momento para o outro, as regras voltem a mudar.

Comecei a tomar esta nova droga, o "biológico" (Etanercept da Enbrel) e melhorei logo espetacularmente. Preferi nunca ler a bula do medicamento, mas felizmente o único efeito secundário que senti, foi ter aumentado de peso. Não sei ao certo, mas deveria ter talvez 90% do corpo coberto por psoríase. Excetuando as palmas das mãos, plantas dos pés, genitais e cara, todo o resto, estava coberto por extensas áreas de psoríase. Mas poucas injeções depois, além da psoríase regredir eu voltava a poder andar, normalmente, sem dores, como qualquer outra pessoa e isso foi a grande mudança na minha qualidade de vida.

Até então as dores estavam sempre presentes, não podia andar em passo apressado, muito menos correr, ou fazer grandes coisas. Com a medicação ganhei imensa qualidade de vida, e era nisso que pensava. Claro que por vezes me intrigava, quanto é que uma droga destas iria cortar na minha esperança média de vida, mas sempre pensei que é melhor viver bem poucos anos, que estar preso numa cama durante muitos anos. E poder voltar a fazer coisas tão simples como correr ou andar de bicicleta, deixava-me imensamente feliz. E claro que poder olhar para o meu corpo com normalidade também me dava toda uma auto-estima que julgava perdida para sempre. Acho que só me apercebi quão mal estava antes, quando me diziam agora, e só de olhar para a minha cara: "Estás muito bem".

Entretanto a minha médica encaminhou-me finalmente para um outro médico, já depois de várias abordagens que eu fui sempre contornando. Disse-me desta última última vez, que era o melhor para mim, pois este jovem médico, é quem está com todos os doentes mais graves de psoríase do hospital, e tem todo o retorno das terapêuticas. "Se fosse uma pessoa da minha família era o que eu aconselhava. E ele é excelente, foi meu interno" tranquilizou-me.  Mudar nem sempre é fácil, por isso, fui-me deixando estar com a mesma pessoa, que já conhecia e que sempre me tratou bem. É verdade que já tinha ouvido falar muito bem deste médico, mas se nos sentimos bem com o que temos, é normal que se resista a mudar, porque vai implicar sempre um novo processo de confiança na relação médico-doente.

A primeira consulta correu bem. Pareceu-me uma pessoa extremamente acessível. Ainda não se completaram quatro anos desde que iniciei este novo tratamento, mas começa a parecer óbvio que a medicação está a perder eficácia. No entender do médico seria melhor, ou mudar de medicação, ou então adicionar uma nova droga, ao que eu preferi adiar e ver em que modas as coisas param, e ele disse que o doente é que sabe o que melhor para si, ele só orienta.

A médica dizia-me, e cheguei ouvi-la dizer para alguns jovens futuros médicos que por vezes assistiam às consultas, que eu não era um doente como os outros, e chegou-me a dizer que eu era um doente até muito positivo... Não sei se sou. Simplesmente quando já estivemos tão mal, aprendemos a relativizar quando estamos a piorar, mas ainda num estado que nos aceitamos. E a verdade é que estou a piorar, tenho consciência disso e isso deixa-me apreensivo. Também de inverno não podemos apanhar sol, algo que por norma faz sempre muito bem à pele com as devidas proteções, nomeadamente usando protetor solar.
Mas vamos ver como tudo isto evolui, mas o facto de estar a piorar, trás de volta alguns fantasmas de um passado recente. Veremos. A próxima consulta é já amanhã. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Psoríase: um amor para a vida

Era verão, e eu estava em plenas férias grandes da escola. Comecei a notar que andava com alguma comichão na cabeça, e comecei também a reparar nas pequeníssimas partículas brancas que ficavam em cima da escrivaninha preta que tinha no meu quarto. Algum tempo depois, estava com o corpo todo salpicado de pintas vermelhas, assemelhando-se a uma espécie de varicela. Infelizmente não era uma simples alergia a roupa, ou algo que tivesse comido, ou outra coisa qualquer passageira. A comichão no couro cabeludo e as pintas espalhadas pelo corpo eram uma doença crónica e tinham um nome: Psoríase. 

Não tinha passado por nenhuma experiência traumática recentemente, nem física nem psicológica, nem tinha estado doente com nenhuma infeção que pudesse despoletar a doença. Os meus pais e avós também não tinham a doença, e eu não fumava nem nunca tinha experimentado bebidas alcoólicas. São estes alguns dos fatores que os especialistas apontam como potenciadores da doença, mas aparentemente não tinha nenhum deles. E não me parece que um jovem adolescente em plenas férias estivesse a sofrer de grande stress emocional.

A psoríase afeta, cerca de 2 a 3% da população, o que equivale dizer que em Portugal afetará, mais coisa menos coisa, cerca de duzentas mil pessoas. É uma doença de pele, auto-imune, e que na maioria dos casos ataca de forma muito localizada e os doentes conseguem conviver bem com ela, sem grandes perturbações na sua vida diária, conseguindo até escondê-la das outras pessoas. Noutros casos infelizmente não é bem assim. A psoríase além de atacar uma grande parte da pele do corpo, ataca também as articulações, naquilo que se designa por artrite psoriática (ou psoríase artropática) provocando, além das grandes perdas de auto-estima, dores, e limitando muito a vida do doente. Só cerca de 5% dos doentes com psoríase é que têm problemas com a artrite. A minha sorte foi dupla, e eu sou um desses 5% dos 2% de pessoas que tem psoríase. 

Após a primeira consulta no médico de família, comecei a aplicar as primeiras pomadas pegajosas na pele, que nada resolveram, e fui então encaminhado para a consulta da especialidade. Ainda me lembro bem da primeira médica dermatologista que me viu. "Oh rapaz, tu tens de ir à bruxa!"
Passou-se um ano, e várias consultas depois. Como as pomadas, manipulados e champôs mal-cheirosos não produziram grandes melhorias, ela escreveu uma carta ao médico responsável num dos hospitais da cidade, e encaminhou-me para lá. E a partir dos dezasseis anos, os hospitais passaram a fazer parte das minhas rotinas.

No hospital comecei por fazer PUVA, o tal tratamento que recentemente saiu nas notícias, em que uma senhora de Braga morreu queimada, e em que se calhar, eu nunca tive consciência que poderia correr risco de vida estando enfiado lá dentro. O PUVA ou puvaterapia consiste em dar uma medicação ao doente (eu tomava umas cápsulas antes de sair de casa) medicamento esse que aumenta a sensibilidade da pele à luz, e depois já no hospital, entrava para dentro de uma espécie de cabine telefónica, que por acaso era circular, e lá dentro estava preenchida por lâmpadas fluorescentes com radiação UVA. As sessões eram três vezes por semana, e o tempo em que ficava a tostar ia aumentando gradualmente. Antes deste tratamento, tive que ir a uma consulta de oftalmologia e comprar uns óculos de sol com proteção UVA e UVB pois tinha de os usar nos dias em que tinha as sessões de PUVA.

http://uvtreatment.org/
Não era uma rotina fácil. Levantar bem cedo com as galinhas, apanhar não sei quantos autocarros, ir para o hospital, fazer o tratamento, voltar a apanhar mais uns quantos autocarros, e ir para as aulas de óculos de sol, fizesse sol ou chuva. Mas o PUVA teve ótimos resultados e a psoríase desapareceu.

Desapareceu durante um ou dois anos. Depois, aos poucos e poucos, começou a reaparecer e não mais parou de piorar, mesmo tendo começado a tomar drogas via oral com muitos efeitos secundários. Mas não havia jeito de melhorar. A situação no hospital também era um caos, por vezes parecia que tinha de meter um requerimento para falar com o médico, e esperar várias horas, à espera que sua excelência se dignasse a falar comigo. O tempo foi passando e acabei mesmo por aparecer no consultório particular do médico. Ali, certamente sempre teria mais tempo para mim a troco de uma boa quantia de dinheiro. Diz-me qualquer coisa como, o meu estado era tanto inaceitável tanto para mim como para a medicina, e que iria melhorar brevemente. Quem ouvisse julgaria que eu me desmazelava, e que não tinha feito tudo o que ele me havia dito para fazer no hospital, mas infelizmente, parece que a minha psoríase estava a ganhar à  medicina dele. 

Como já referi, as lesões da psoríase, na maioria dos casos, aparecem em sítios escondidos, e durante este tempo todo, fui conseguindo esconder a doença de olhares indiscretos, e mesmo de pessoas que conviviam muito de perto de mim. Mas uma coisa é conseguir esconder o problema, outra coisa completamente diferente é a pessoa aceitar-se no estado em que está. É muito bonito dizerem-nos que temos de nos aceitar, que isso até ajuda no processo de melhoria, mas por norma, fala quem não sabe como é ter a doença. E não é fácil, é até muito revoltante. Não é à toa que estudos apontam que, por exemplo, a psoríase tem taxas de suicídio superiores às dos doentes com cancro. A psoríase não mata, mas arruína a auto-estima, e isso é tão complicado que leva algumas pessoas a preferirem acabar com a própria vida.

Já tinha mais de vinte anos quando o médico decidiu internar-me no hospital pela primeira vez. E não foi mesmo nada fácil para mim. Se dizem que a psoríase precisa de tranquilidade e de pouco stress, não foi ali que a encontrei, bem pelo contrário. Estive sob grande stress, angústia e revolta. Eu ia estar internado umas quantas semanas, a ocupar uma cama de hospital, unicamente para aplicar uns cremes na pele (cignolina e coaltar saponinado) porque, vá lá saber-se porquê, não os podia usar fora do hospital, e continuava  também com as mesmas drogas fortes que já tomava antes.

Ter grandes extensões de pele com psoríase, implica todos os dias hidratar, porque senão a pele seca e torna-se mesmo muito desconfortável. Depois ao aplicar estes cremes gordurosos suja-se a roupa, e esta tem um prazo de vida muito inferior visto que tem de ser lavada a temperaturas superiores.
Mesmo hidratando de manhã, a pele vai secando, e aos poucos e poucos começam-se a soltar as peles, e estas caem e ficam em todos os sítios por onde passamos, ficam em todas as coisas onde tocamos.
Não bastassem já todos estes problemas que a doença sozinha causa, e entretanto a medicação, além de não combater a doença, ainda ajudava a piorar mais a auto-estima. Uma das drogas que tomei (Neotigason), começou a fazer-me cair o cabelo todo, era como se estivesse a fazer quimioterapia. Lembro-me muito bem, de estar no banho, e por mais levemente que passasse as mãos pelo cabelo, ele desprendia-se e ficava com as mãos cheias de cabelo... A doença dá cabo da auto-estima que origina problemas emocionais, a medicação não resolve e ainda por ainda nos enterra mais para baixo.

O hospital foi uma espécie de cadeia. Existem horários e rotinas para tudo, e só se tinha uma hora ou uma hora e meia de visita na altura. Não foi mesmo nada fácil para mim. Naquele hospital sentia-me como um animal no zoológico. As quintas-feiras então eram detestáveis. Vinham todos os médicos em desfile, com um bando jovens médicos ou alunos a acompanhar. Sei que eram sempre muitos. Chegavam ao pé da cama de cada doente e falavam entre eles, na sua linguagem técnica, como se o doente não estivesse ali, e fosse uma atração numa espécie de circo dos horrores.

Após várias semanas de internamento tive finalmente alta, e não terá sido coincidência que, comecei a melhorar sim, mal saí de hospital! Mas também foi sol de pouca dura. Poucas semanas depois, dava de novo entrada no hospital, muito pior do que estava, com psoríase pustular nas mãos, e como pude olhar para os resultados das análises, vi que os valores estavam todos mal, e estaria com um infeção ou algo do género.

E a partir daqui não mais pude esconder a doença, pois a psoríase apareceu também nas mãos e tinha também por vezes a pele muito vermelha na cara. Por norma, o sol, com as devidas proteções, faz muito bem à pele, só que existe um pequenino problema. De novo a auto-estima a atrapalhar, porque como os doentes não se quererem expor, evitam a tão aconselhada praia. Se eu nunca fui grande amante de praia, de estar ali deitado horas a fio a torrar ao sol, com a doença então ainda pior. Não gostava de me sentir observado, costumava dizer que era como se fosse uma árvore de natal na praia. 

Saí do segundo internamento com uma descrição qualquer do género "o doente recusa-se a tomar a medicação". No hospital estavam afixados, por todo, uns cartazes com os direitos e os deveres dos doentes. É uma espécie de Constituição, e como se sabe são do género de coisas para inglês ver! Lá só haviam deveres, e quando um doente questiona o que lhe foi novamente receitado, porque já fez aquela medicação e a única coisa que aconteceu foi ter ficado sem cabelo, a coisa não corre bem, e a culpa, logicamente é do doente porque ousa fazer perguntas aos senhores doutores.

Desde a primeira vez que entrei naquele hospital que o dermatologista me questionava se tinhas dores nas articulações. Mas nunca percebi bem porquê. Fiquei a saber quando, dez depois anos de ter sido diagnosticado com psoríase, me ter inchado um joelho que quase não podia dobrar. E a partir daqui, aos poucos e poucos, a artrite foi fazendo das suas.

Parece-me óbvio que qualquer pessoa, minimamente informada, sabe que a psoríase não é doença transmissível. Nem pelo ar, nem pelo sexo, nem de qualquer outra forma!
Mas ainda há gentinha muito ignorante, e muitas vezes até com responsabilidades e formação. Aquando do terceiro internamento, por causa do joelho, estive com é lógico algumas semanas de baixa. Quando voltei ao trabalho, e depois de ter tido a visita no hospital de dois colegas de trabalho, a minha pele deve ter sido assunto na empresa. No primeiro dia que regresso ao trabalho, o responsável pelo departamento técnico (e acionista da empresa) vem ter comigo e exige que eu vá ao hospital buscar um documento médico, em que ateste que eu não tenho nenhuma doença transmissível "pois sabe como é, nós temos pessoas em casa, filhos..." Sem comentários.
Mas felizmente que também existem pessoas muito esclarecidas. Em 2001 candidatei-me a uma outra empresa, e fui recrutado, contudo, depois daquela experiência anterior, senti -me na necessidade de dizer desde logo ao administrador, "olhe que eu tenho uma doença de pele..." e ele quase não me deixa dizer mais nada, e de imediato me responde "não queremos saber disso para nada, queremos é pessoas que trabalhem bem". E assim foi, honra lhe seja feita, pois nunca tive o menor problema naquela empresa, nem sequer por ter tido algumas baixas motivadas pela artrite.

Entretanto, a frustração fez transbordar o copo, e abandonei o acompanhamento da especialidade. O meu caso era grave, tinha feito todos os tratamentos propostos, mas a cada tratamento acabava sempre por piorar e a paciência esgotara-se.
A doença foi-me tornando numa pessoa amarga. Tenho consciência que nem sempre fui uma pessoa fácil de trato para as pessoas que mais diretamente conviviam comigo de perto. A doença muda muito as coisas, e pode interferir muito na forma como nos relacionamos com os outros. Se não estamos bem na nossa pele, esse estado de espírito interferirá com tudo, e quando estamos pior, isso irá ter sempre reflexos na vida pessoal.  

Existem outras formas de tratar a psoríase que não exclusivamente a medicina convencional. Cheguei a experimentar a acunpuntura durante um ano, mas o único resultado foi que obtive, foi ver a minha conta bancária emagrecer substancialmente. Os tratamentos são muito caros, e cá, ao contrário do que acontece noutros países, em que a medicina tradicional chinesa faz parte do serviço nacional de saúde, aqui é o doente que tem de pagar tudo à sua conta, e nem sequer pode meter as despesas no IRS. Ia melhorando e piorando, como melhorava e piorava sem fazer qualquer tratamento e cerca de um ano depois deixei de ser picado pelas agulhas.

Muita gente também me falava constantemente que deveria experimentar as termas. Em particular as Termas de Monfortinho, muito indicadas para o tratamento da psoríase. Depois de muitos adiamentos por motivos vários, acabei mesmo por ir ver para crer, e fiz dois anos consecutivos, em 2008 e 2009, durante mais de duas semanas de cada vez. Fiz o pedido da credencial na médica de família, para depois de pagos os tratamentos, solicitar o reembolso da percentagem que o Estado comparticipava (na altura) este tipo de tratamento para fins medicinais. E lá fui experimentar as termas. Em conversa com algumas pessoas no hotel, e que frequentavam as termas há muitos anos, diziam-me que estava no sítio certo, que lá iria melhorar muito. Também os funcionários das termas me diziam o mesmo. Mas infelizmente não foi bem assim.
Os tratamentos (banhos, duche escocês, pulverizações) eram de manhã e à tarde, e o tratamento passava também por beber daquela água, conhecida por ser milagrosa.
Mas a verdade é que a água desidratava-me imenso a pele, esta secava muito depois de cada sessão, e até gretava, causando muito desconforto. Como tal, a minha rotina era, sair das termas e ir para o hotel, que ficava a uns duzentos metros, e hidratar-me. Ali tinha no entanto uma vantagem, a calma e tranquilidade, e aproveitei para passear e conhecer grande parte do concelho de Idanha. Aconselho mesmo vivamente aquela região: Monsanto, Penha-Garcia, Salvaterra do Extremo, Idanhas (Nova e Velha) etc.
Só que eu não estava ali para fazer turismo, estava sim para ver se melhorava da pele. Mas no fim de contas, ao fim daqueles dois anos de tratamentos, a verdade é que, mais uma vez contra todas as expectativas, não melhorei absolutamente nada, tendo gasto, mais uma vez, imenso dinheiro. Dinheiro esse que  hoje penso, que se calhar, teria sido melhor empregue num destino de sol e praia.

Entretanto a artrite piorava ano após ano. Vá lá saber-se porquê, começava a ter uma crise de artrite sempre em setembro. Já nem sequer metia férias neste mês, pois sabia que, mais semana, menos semana, iria estar de baixa. Até que no fim de 2009 piorei absurdamente, e estive vários meses de cama quase sem me poder mexer. A médica de família havia falado com a minha mãe, que eu deveria voltar a ser acompanhado no hospital, e eu como não tinha mais nenhuma alternativa, lá acedi. E estranhamente, passado muito pouco tempo, já tinha consulta para ir, agora num novo hospital, pois a localidade onde vivo, passou para a tutela desse outro hospital da região.

E iniciava-se aqui um novo capítulo... (continua)