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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

119 Dias Por uma Consulta, Luís?

 Aos cinquenta anos vou ser atleta federado e, como tal, preciso de um exame médico desportivo. O senhor que me viu, também ele atleta da mesma modalidade que pratico, pediu-me para fazer um exame ao coração, que pode ser pedido no centro de saúde. Hoje ligaram-me do centro de saúde a informar que necessitava de ir a uma consulta e que poderia agendar on-line.

Pois muito bem, vamos lá ao portal do SNS e agendo isso. Qual não é o meu espanto, que só tenho consulta para daqui a 119 dias!!, a 21 de Janeiro do próximo ano! Estamos em setembro mas eu nem sequer consigo tomar nota na agenda deste ano!

Isto é absolutamente ridículo. Mas as clínicas privadas agradecem. 




sexta-feira, 6 de junho de 2025

Crime é Currículo


 
Então diga-me lá porque é que acha que deveria fazer parte deste governo do grande Luís...

- Bom, assim de repente, como bem se lembra, no governo anterior e, de forma totalmente incompetente, consegui matar ao desmazelo 12 pessoas doentes que só estavam a dar despesa ao Estado e com a maior lata do mundo ainda consegui dizer que a culpa não foi minha. Conta?

Está contratadíssima!

quinta-feira, 5 de junho de 2025

O Que a Ciência nos Diz Sobre a Força do Corpo Feminino

Crónica de Starre Vartan no jornal Washington Post, autora do livro "The stonger sex", que será publicado no próximo mês de julho:


"Em setembro, Tara Dower tornou-se a pessoa mais rápida de sempre a completar o Trilho dos Apalaches. O seu recorde - 40 dias, 18 horas e 6 minutos - foi 4 dias e meio mais rápido do que o anterior detentor do recorde, um homem. Nesse mesmo ano, Audrey Jimenez, de 18 anos, fez história no Arizona ao tornar-se a primeira rapariga a vencer um título estadual de wrestling do secundário da Divisão 1 — competindo contra rapazes.

Em diversas modalidades, as mulheres não estão apenas a recuperar terreno após gerações de exclusão do desporto - estão a ditar regras. Nas ultramaratonas, as mulheres superam regularmente os homens, especialmente em distâncias extremas. Jasmin Paris, que em 2024 se tornou numa das únicas vinte pessoas a terminar a brutal corrida Barkley Marathons, de 160Km, em menos de 60 horas - enquanto extraía leite materno.

Na natação de longa distância, as atletas femininas destacam-se de tal forma que, dentro da comunidade, os seus recordes já são considerados parte integrante da modalidade. Na escalada, no ano passado, Barbara “Babsi” Zangerl tornou-se a primeira pessoa, homem ou mulher, a fazer um “flash” - escalar sem prática prévia e sem quedas - a imponente formação rochosa El Capitan, em Yosemite, em menos de três dias.

Estes não são apenas feitos atléticos. São mudanças culturais. Especialistas afirmam que estamos finalmente a despertar para o que os corpos femininos são realmente capazes de fazer.

E não são apenas mulheres jovens a abrir novos caminhos físicos.

“Na categoria Masters 70+, acabou de ser estabelecido um novo recorde feminino de levantamento de peso morto”, diz Stacy Sims, fisiologista do exercício que leciona na Universidade de Stanford e na Universidade de Tecnologia de Auckland, na Nova Zelândia. “As mulheres mais velhas estão a demonstrar que ‘sou forte e consigo fazer isto’.”

Feitas para resistir

Normalmente, as discussões sobre “força” têm-se centrado na força bruta e na velocidade em curtas distâncias - qualidades historicamente associadas à fisiologia masculina. Mas resistência, recuperação, resiliência e adaptabilidade são igualmente essenciais para o desempenho atlético. E nessas áreas, a fisiologia feminina apresenta verdadeiras vantagens, segundo especialistas em ciência do desporto, fisiologia humana e antropologia biológica.

O mito da fragilidade feminina é relativamente recente. Durante grande parte da história humana, as mulheres carregavam equipamentos, seguiam presas e caminhavam entre 13 e 16Km por dia - frequentemente grávidas, menstruadas, a amamentar ou a carregar crianças (uma estimativa indica que mulheres caçadoras-recoletoras percorriam mais de 4.800 km nos primeiros quatro anos de vida de um filho).

Essa base evolutiva sustenta os feitos atuais, dizem os especialistas. “Os corpos femininos têm uma resistência superior à fadiga”, afirma Sophia Nimphius, vice-reitora do desporto na Universidade Edith Cowan, em Perth, Austrália.

Teste após teste, os músculos femininos superam os masculinos quando se trata de trabalho repetitivo com pesos mais leves, segundo a investigação pioneira de Sandra Hunter, fisiologista do exercício na Universidade de Michigan. A investigação de Hunter - e outras posteriores - mostrou que os músculos das mulheres se cansam-se mais lentamente, permitindo-lhes realizar mais repetições de forma consistente. Os homens podem começar com mais força, mas quando o treino se prolonga? As mulheres conseguem continuar, por vezes o dobro do tempo, ou mais, superando até os homens mais musculados.

Essa capacidade de resistência deve-se provavelmente ao facto de os corpos femininos utilizarem preferencialmente gordura (de combustão lenta) em vez de hidratos de carbono (que se esgotam rapidamente), tanto em atletas como em pessoas menos desportistas.

Os nossos músculos fazem mais com menos”, diz Nimphius. Para além de usarem gordura para manter o rendimento, as fibras musculares de contração lenta - resistentes à fadiga - são geralmente mais comuns nos corpos das mulheres (embora todos os corpos variem consoante a genética individual). Este tipo de fibra também é mais eficiente do que as de contração rápida, que são mais comuns nos homens.

Recuperação e Resistência

Para além da resistência, vários estudos indicam que as mulheres também recuperam mais rapidamente de treinos intensos, como sprints e levantamento de pesos pesados. As fibras de contração lenta têm, por si só, uma maior capacidade de recuperação, mas a vantagem feminina poderá também dever-se a uma cicatrização mais rápida: um estudo demonstrou que os músculos de ratos fêmea recuperam duas vezes mais depressa (embora estudos com ratos nem sempre se traduzam diretamente em humanos). A razão? Há fortes indícios de que o estrogénio reduz a inflamação e favorece a reparação muscular (uma das razões pelas quais Sims recomenda que mulheres na pós-menopausa recebam treino e apoio à recuperação adequados).

Contudo, alguns estudos indicam que as mulheres são mais propensas a certos tipos de lesões desportivas, especialmente ao nível dos joelhos e ligamentos cruzados anteriores (LCA), embora ainda não se saiba se isso se deve a diferenças biomecânicas, hormonais ou a métodos de treino inadequados.

Alguns investigadores afirmam que as maiores taxas de lesão nas mulheres se devem ao facto de a investigação existente ter sido baseada em corpos masculinos: “Os corpos femininos são diferentes - digo às [mulheres] que os protocolos que estão a seguir não foram feitos para o seu corpo”, diz Sims.

Acredito que há uma força mental, um fator de resistência que ajuda as mulheres a alcançar um estado mental que lhes permite continuar a ultrapassar os limites”, diz Emily Kraus, diretora do Programa de Ciência e Investigação Translacional da Atleta Feminina (FASTR) da Universidade de Stanford.

Um futuro em mudança

Os homens têm, historicamente, definido a força pelas capacidades em que se destacam — como pesos máximos no supino ou tempos rápidos em sprints — mas estas são apenas algumas das formas de medir o corpo humano. Se, em vez disso, focássemos a resistência, a resiliência, a longevidade e a recuperação, a narrativa sobre quem é “forte” teria provavelmente uma forma feminina, dizem muitos especialistas.

Atualmente, as jovens atletas ainda não recebem o mesmo nível de incentivo, treino e atenção científica que os rapazes, afirma Nimphius. A investigação sobre a saúde de raparigas e mulheres, embora lentamente em progresso, continua atrasada — apenas 6% da investigação em desporto e exercício focou exclusivamente corpos femininos, segundo um estudo de 2021.

Tendo em conta todas as vitórias já conquistadas por mulheres, como seria o panorama se a ciência desportiva fosse desenhada à medida da fisiologia feminina em vez de adaptar rotinas criadas para homens? A geração atual de atletas está a desafiar toda a estrutura do desportivismo. Em breve, dizem os especialistas, terão melhor informação para compreender e treinar os seus corpos e isso será verdade tanto para atletas de elite como para quem corre apenas aos fins de semana. Estudos em curso e futuros em ciência do desporto serão “um ponto de viragem para raparigas e mulheres - não só agora, mas daqui a cinco, dez, quinze anos”, diz Kraus. “E isso é verdadeiramente entusiasmante.”


Quatro coisas que os corpos femininos fazem excecionalmente bem

● Tolerância à dor:

Os corpos humanos suportam diversos tipos de dor - desde cólicas menstruais e parto até lesões nas costas e ossos partidos. A dor é subjetiva e difícil de medir, mas a maioria dos estudos concorda com as nossas avós - as mulheres parecem lidar melhor com a dor. Atletas são especialistas em dor, e inúmeros estudos mostram que têm uma tolerância superior à dor em comparação com não atletas — e, entre os sexos, a pesquisa limitada indica que as atletas femininas não diferem significativamente dos seus colegas masculinos, apesar de uma maior sensibilidade à dor. As mulheres são também mais propensas a continuar a competir mesmo lesionadas. Isto deve-se provavelmente tanto à biologia como à experiência, afirma Nimphius. Um estudo de 1981 foi direto: “As atletas femininas apresentaram a maior tolerância e limiar de dor.

● Imunidade:

Entre os mamíferos, incluindo os humanos, é amplamente aceite que as fêmeas têm sistemas imunitários mais fortes do que os machos. Isso deve-se ao poder do estrogénio e também ao cromossoma XX, presente nas mulheres, que confere maior variabilidade na função imunitária. Como escreveu Marlene Zuk, bióloga evolucionista da Universidade do Minnesota, num artigo de 2009: “Não há dúvidas quanto à identidade do sexo mais doente - são os homens, quase sempre. Toda a gente sabe que os lares de idosos têm mais viúvas do que viúvos, mas a disparidade vai muito além dos idosos.” (Há, no entanto, um lado negativo: a maioria dos doentes com doenças autoimunes são mulheres. É o preço de um sistema imunitário agressivo.)

● Resistência:

Os corpos femininos parecem ser mais bem preparados para o longo prazo - menos desgaste, maior capacidade de manutenção, segundo a pesquisa disponível. Os dados sobre exercício a longo prazo sugerem que as mulheres podem pagar um preço mais baixo pelo esforço físico. Por exemplo, a Fundação Britânica do Coração estudou a condição vascular de 300 atletas Masters (com mais de 40 anos), entre corredores, ciclistas, remadores e nadadores. Nos homens, o envelhecimento vascular aumentou - por alguns marcadores até 10 anos, aumentando o risco de problemas cardíacos. Nas mulheres, verificou-se o contrário: tinham sistemas vasculares biologicamente mais jovens, reduzindo o risco cardiovascular.

● Longevidade:

Provavelmente, o teste mais verdadeiro para qualquer corpo é a longevidade. E com raras exceções, independentemente da espécie ou cultura, as mulheres vivem mais tempo. Isso deve-se em parte a fatores comportamentais - os homens tendem a correr mais riscos - mas também a fatores biológicos. As mulheres tendem a sobreviver melhor a doenças, fome e lesões do que os homens. Estudos mostraram que o cromossoma Y, exclusivo dos homens, pode degradar-se ao longo do tempo - um fenómeno conhecido como perda em mosaico do Y. Essa degradação tem sido associada a vários problemas de saúde nos homens, incluindo maior risco de doenças cardíacas e cancro.

domingo, 16 de março de 2025

Prever o Teu Futuro

"Para prever o teu futuro é preciso saber a hora exata a que nasceste e se foi num hospital público ou privado". (Riki Blanco)



quarta-feira, 1 de novembro de 2023

80% Multirresistente

 "Muitas vezes as pessoas vêm para cá iludidas".


Começo a chegar à conclusão que anda meio mundo a tentar aproveitar-se de benefícios a que não têm direito, e outros, os que naturalmente os têm, quase têm vergonha de os vir a usufruir. É mais ou menos como quando temos vergonha de pedir aquilo que é nosso, que emprestamos e que não nos devolveram. 

Há mais de dez anos que a médica tinha-me dito que eu teria direito a uma incapacidade por causa da minha doença. Foi pedido um relatório médico mas depois quando ia tratar de pedir a junta médica, fiquei a saber que o governo de Passos Coelho roubava - sim, tratava-se de um roubo - 50€ de taxa moderadora para meramente solicitar o pedido para uma junta médica avaliar a percentagem de incapacidade. Isto não era taxa moderadora nenhuma, era sim uma tentativa de limitar ou desincentivar os pedidos de junta médica e baixar o número de pessoas que passaria a ter mais direitos.

Uma das vantagens de ter uma incapacidade superior a 60% era não ter que pagar "taxas moderadoras", entre aspas porque nunca ninguém me explicou como é que se "moderam" doenças auto-imunes crónicas para as quais nada fizemos para as ter. Mas como na altura estava desempregado e por essa via já não as pagava, achei que, com grande azar poderia ter só 50% de incapacidade e acabava de deitar 50€ ao lixo. 

O tempo foi passando, mudei de médico, o país mudou de governo e fui deixando andar... Voltei a tentar por alturas da pandemia, mas tudo atrasou, e um relatório ficou perdido anos sem me ser entregue e já não tinha valor porque diz a burocracia que só se pode apresentar o relatório com seis meses (como se seis meses depois uma doença crónica - e crónico significa que é para sempre - pudesse estar diferente do que estava antes. 

Voltei definitivamente à carga sobre este assunto este ano. Isto tinha que se resolver, desse por onde desse, tivesse eu a percentagem de incapacidade tivesse, mas ao menos ficaria a saber. O custo foi substancialmente menor, 12€.

Solicitei novo relatório, fui ao centro de saúde fazer o pedido, e a senhora lá que me disse que "muitas vezes as pessoas vêm para cá iludidas". Mas lá entreguei a papelada e fiquei a saber que seria chamado dali a uns quatro meses, e logo pensei que iria ser chamado em período nas férias. E não me enganei. 

No dia agendado lá fui ao centro de saúde muito tranquilamente, afinal, não tinha nada a perder. Entreguei a requisição e o cartão de cidadão, paguei e aguardei ser chamado. 

Não devo ter estado lá dentro mais do que dois minutos. Respondi à pergunta e, melhor do que um atestado médico, mostrei algumas deformações que comprovam o diagnóstico. Mandaram-me sair e disseram que iam então redigir o documento. 

Cá fora devolveram-me o cartão de cidadão e aguardei mais uns quantos minutos. Até que me chamam novamente, e no balcão pergunto: "então o que é foi decidido"? 

"A decisão foi-lhe muito favorável", disse-me a senhora. Eu olho para o papel em cima do balcão, começo a descer com os olhos e leio "incapacidade: 80%.

A senhora parecia muito surpreendida. A questão é que muitos problemas de saúde, que resultam em incapacidades não estão escritas na testa nem se vêem na cara. E por isso é que só uma junta médica, com recurso a relatórios médicos, pode atestar a incapacidade de determinada pessoa. 

Já depois de ter o estado multiuso de incapacidade superior a 60% (que deve ser entregue uma cópia nas Finanças, Segurança Social e centro de saúde) é que tomei verdadeiro conhecimento de alguns direitos que a pessoa tem, tais como isenção de taxas moderadoras, benefícios fiscais (IRS), isenção de ISV na aquisição de um carro ou ainda isenção do IUC (dentro de algumas regras). 

Mas o conselho que deixo é: não abdicar de nenhum direito que não gostarias de ter. 

sábado, 27 de maio de 2023

Pela Sua Saúde, Fume. É "Recomendado Pelos Médicos"!


Não há tanto tempo assim, os médicos - não sei se nesse tempo já eram pela "verdade" ou não! - recomendavam que se fumasse. Ou a propaganda dizia que sim "recomendado pelos médicos", talvez como hoje os cremes são recomendados pelos "dermatologistas". Mas coloquemos por isso as coisas sempre em perspectiva e decidamos ousar pensar sempre pela nossa cabeça. Ir à procura daquilo que se possa aproximar da verdade e não por aquilo que a propaganda nos dá a comer. Sempre! 

sábado, 7 de janeiro de 2023

A Americanização dos Serviços de Saúde Europeus em Curso


 Os governos conservadores sucedem-se no Reino Unido, a descapitalização dos serviços de saúde avança e o caos instala-se com centenas de mortos todas as semanas. As pessoas não conseguem consultas, automedicam-se, recorrem à internet e começaram as greves dos profissionais como nunca se viram. 

Nesta mesma semana em que saem notícias do caos da saúde britânica (esta notícia li-a no La Vanguardia)  abordou-se também no primeiro Old Friends do ano da Antena 1 a temática da saúde e, relembrar que os dois intervenientes são Júlio Machado Vaz e Sobrinho Simões são dois médicos e, como tal, com opiniões avalizadas sobre o tema. Aqui ficam alguns excertos bastante reveladores:

"Os serviços nacionais de saúde na Europa estão em risco de colapsar e não é por causa da Covid. É por questões de subfinanciamento e falta de pessoal. Nós não podemos dizer à malta: "não envelheçam"!


Em Inglaterra é caótico.
Há numerosas organizações a dizer que os governos conservadores têm tido um sistemático subfinanciamento. Depois a questão dos salários e de fuga de profissionais.

Está a acontecer uma americanização dos serviços de saúde na Europa?
É verdade. Está a acontecer isso que é péssimo pq o sistema americano do ponto de vista da eficiência é péssimo. O sistema é mais caro e muito pior que a Europa. Qualquer país da Europa, mesmo nestes fraquinhos, são melhor que os americanos em termos do custo-benefício. A América é extraordinariamente cara e é obsceno.

Todos nós portugueses ficamos espantados como é que há tantos hospitais privados e continuam a fazer hospitais privados num país pobre. Grande parte da medicina privada portuguesa é paga pelo contribuinte, por exemplo a ADSE.Sou a favor de manter a medicina privada e social mas não pode é ser à nossa custa.

Se há um tipo que tem um cancro e vai para uma instituição privada e nós já sabemos que se demorar mais de X semanas ele vai chegar ao teto e eles mandam-no para casa para um hospital público. Eles ganharam durante muito tempo com medicamentos caríssimos e ganharam uma vantagem económica enorme para os privados e depois os chaços vão para o público.

Acontece o mesmo com os partos. Se as crianças nascem bem é um sucesso e foi por cesariana e toda a gente fica felicíssima. Se por ventura ao terceiro dia a criança está mal, é pá chama-se o INEM e eles levam para o hospital público. E estes custos caem depois só no público.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Telospital



Depois de há mais de trinta anos ter feito o Ciclo Preparatório na Telescola, hoje tive a primeira consulta via Telospital. Nas últimas semanas recebi finalmente cartas para as consultas e análises que ficaram por fazer dos últimos meses devido à pandemia e, aos poucos, com os devidos cuidados, as coisas começam a voltar à normalidade.

Em boa verdade, com tanto digital e simplex, com a receita eletrónica e o Portal da Saúde, porque é que um doente crónico, que muitas vezes tem que fazer dezenas ou até mesmo centenas de quilómetros para se deslocar à consulta da especialidade, não pode simplesmente, e porque estamos a tratar de um ato médico, burocrático, que não implica ser analisado fisicamente, ir trabalhar normalmente e aguardar uma chamada telefónica do médico que envia as receitas, próximas e análises para casa? Poupam-se viagens e despesas de deslocação, poupa-se tempo e absentismo ao trabalho e perdas de produtividade e perdas de salário ao fim do mês. E o ambiente também agradece. 

Claro que isto não pode ser usado para todas as situações, para todo o tipo de doentes, mas não tenho quaisquer dúvidas que a pandemia pode ter sido uma oportunidade para repensarmos a forma como sempre fizemos determinadas coisas que podem ser otimizadas seja o teletrabalho (ainda que se tenha de ter muito cuidado com os abusos) ou, neste caso o Telospital!|

sábado, 4 de abril de 2020

Estados Unidos: o Desprezo pela Vida Humana

Reuters
Vivemos um período complicado das nossas vidas e dos diferentes países por todo o mundo, sob a ameaça de um vírus invisível que causa uma doença, e que, nas pessoas de mais idade e nos mais fragilizados, pode levar à morte e tem sido a tragédia que se conhece. 

Apesar de por estes dias não andar a acompanhar grande coisa das notícias, até para a minha saúde mental, vou no entanto vendo o essencial; as capas dos jornais, dou uma vista de olhos, principalmente, no Público e no The Guardian e vou acompanhando o que os jornalistas que sigo no Twitter vão dizendo e partilhando. 

Mas houve uma coisa por estes dias que realmente me chocou, e que acho que deve chocar qualquer pessoa. Nos Estados Unidos, que é um país considerado rico, não é?, em Las Vegas (estado do Nevada mesmo ao lado da Califórnia) foi decidido uma coisa espantosa para ajudar os sem abrigo! Então, neste país rico, dos mais capitalistas e poderosos do mundo, que é que se lembraram de fazer?Decidiram usar um parque de estacionamento e pintar umas linhas de metro e meio, como mandam as regras da distância social, fazendo assim um parque de estacionamento isolado para os sem abrigo! Não é genial? De que mente brilhante terá saído esta ideia genial? É que isto merece um Nobel da economia!

Getty Images
Não, infelizmente não merece e eu estava a ser irónico. É desumano. Não tem outro nome, é desumano. É o desprezo pela vida humana levado ao extremo. Eu certamente teria vergonha de viver num país assim. Com tantos hotéis fechados, com tantos pavilhões desportivos fechados, com tantas outras infraestruturas fechadas e nos Estados Unidos, num dos ditos países mais ricos do mundo, é desta forma que tratam as pessoas? Por que é que, por exemplo, o presidente americano, conhecido empresário multimilionário não dá o exemplo e disponibiliza os seus hotéis e resorts de golfe para ajudar os sem abrigo? Não, tratam-se as pessoas como um monte de esterco.

Já eu vivo em Portugal, num país da Europa mas um país dito pobre. Não fomos à lua, não criamos guerras artificiais para explorar as riquezas dos outros países, vivemos com as nossas dificuldades de salários baixos e em que as pessoas muitas vezes têm que emigrar para terem melhores condições de vida. Mas no meu país pobre, que vive com as dificuldades que se conhece, vindos, ainda por cima, de uma grave crise económica mundial, que nos meteu o pé no pescoço, neste meu país tratam-se todas as pessoas doentes todas por igual, sejam ricos ou sejam pobres. No meu país dito pobre, um adolescente de 17 anos não é impedido de ser tratado num hospital porque não tem seguro de saúde. Nos Estados Unidos esse jovem morreu sem ser tratado. Em Portugal certamente que se tinha feito tudo para que isto não acontecesse. 

Mas veio agora esta pandemia e já nos está a mostrar muitas coisas. Mesmo em Portugal, com gente que defende o capitalismo selvagem americano a quase ter virado comunista!
Branko Milanovic,  um dos mais reconhecidos economistas da desigualdade e autor, por exemplo, dos livros "A desigualdade no Mundo" e  de 2019 "Capitalism, alone", escreveu no Twitter:

"The rich people in the US never thought that a broken health care system will ever matter to them. Now it does."

("Os americanos ricos nunca pensaram que um sistema de saúde falido lhes interessaria. Mas agora interessa)

E o que eu acho é que países ricos têm capacidade financeira para tratar dos seus doentes. Todos, sejam ricos ou pobres. Países ricos não têm 140 milhões e pobres e 41 milhões de sem abrigo como tem os Estados Unidos. Países ricos preocupam-se com todos os seus cidadãos, não se preocupam só com as contas bancárias dos mais ricos fazendo leis para que os mais ricos paguem cada vez menos impostos. Os Estados Unidos é um país rico, mas só para alguns. Muito poucos. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Foi o SNS Que me Salvou Porque os Hospitais Privados é Só Fachada

https://www.thisismoney.co.uk/
Dia de análises. Lá fui em jejum até à cidade. Meia hora no pára-arranca do Freixo ao Túnel da Ribeira. Aproveitei e pelo caminho encontrei-me com o John para lhe entregar um agave dragão que há meses tinha encomendado para ele. É sempre uma oportunidade para praticar o inglês. Lá me desenrasquei e ele percebeu onde é que eu estava e depois ainda lhe dei boleia até perto da zona onde ele vive. Antes das análises passei na farmácia do ambulatório para levantar a droga que o meu Estado paga para eu me injetar. São cerca de mil euros todos os meses - obrigado Sistema Nacional de Saúde!, ainda que pareça que muita gente queira implementar em Portugal o sistema de saúde dos Estados Unidos, baseado no segurozinho de saúde privado, e em que se paga 2500€ por chamar uma ambulância ou em que as pessoas estão todas a morrer porque nem sequer têm dinheiro para pagar a insulina. Antes do número 22 ser chamado saquei d' As noites Brancas e li mais algumas  páginas e depois lá rumei hospital adentro para as análises. 

Antes de vir embora, junto à saída, duas senhoras que não se conheciam encetaram uma conversa de circunstância. Mal ouvi "foi o serviço público que me salvou" fiquei de orelhas espetadas para ouvir o resto.

"Eu tenho uma doença degenerativa, neurapatia, que é a doença dos músculos e já tinha um linfoma. No hospital privado já tinha gasto mais de cinco mil euros e não conseguiam descobrir o que tinha. A minha sorte foi ter vindo para o serviço público porque descobriram logo o que tinha. Os hospitais privados é só fachada".

Testemunho tão revelador que não tenho mais nada a acrescentar. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Junta Trolha



Ao longo da minha vida terei ido talvez a uma ou duas juntas médicas e terei tido necessidade de uns quantos atestados para os mais variados fins. 
Entretanto há poucos dias os médicos reuniram e ameaçam deixar de fazer juntas médicas porque acham que estão a ser desaproveitados com tarefas menores como atestar que determinada pessoa está doente ou incapacitada para o trabalho. E como brevemente estou a pensar submeter-me a um processo de apuramento de incapacidade, e visto que corro o risco de não poder ser visto por médicos, talvez o melhor seja deslocar-me a um edifício em obras para ser visto por uma Junta Trolha. Talvez os trolhas ou outros quaisquer profissionais, sejam as pessoas indicadas para atestar perante o Estado a minha incapacidade de reivindicar os apoios que tenho direito, visto que os médicos acham que não devem fazer esse tipo de trabalho menor. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Partidos de Direita Caladinhos Que nem Ratos sobre Medicamento Mais Caro do Mundo

Por estes dias, e por diferentes motivos, tenho-me lembrado muito de Manuela Ferreira Leite. Uma das coisas que a ex-ministra da educação de Cavaco Silva e ex-ministra das Finanças de Durão Barroso me fez lembrar foi quando, na SIC Notícias (televisão do fundador do PSD Pinto Balsemão) o que disse sobre os hemofílicos.




À pergunta humana da jornalista:

- "Não acha abominável que se discuta se alguém que tem 70 anos tem direito à hemodiálise ou não?”

A senhora tem a lata de responder:

"Tem sempre direito se pagar. O que não é possível é manter-se um Sistema Nacional de Saúde como o nosso, que é bom, gratuito para toda a gente."



Ora isto faz todo o sentido, vindo desta senhora que está num partido (PSD) que, à semelhança do CDS, votou contra a criação do Sistema Nacional de Saúde. Os pobres que se fodam. Não têm dinheiro? Que morram! Saúde só para quem puder pagar!

E todos nós ainda nos lembramos muito bem, eu pelo menos lembro-me, como o governo anterior do senhor Passos e Portas, deixaram morrer vários doentes com Hepatite C com a desculpa do alto custo do medicamento, que custava 48 mil euros.

Mas agora, está a ser aplicado um medicamento que custa 2 milhões de euros, mas não vi nenhum líder dos partidos de direita insurgir-se contra este gasto absurdo e que os bebés deveriam era morrer, ainda para mais quando as famílias até fizeram um peditório e reuniram o dinheiro todo para o medicamento. Não o terem feito, e terem ficado caladinhos que nem ratos, só demonstra que são todos uma cambada de hipócritas. Enquanto isso, falam de quartos de banho nas escolas, uma lei  que até foi aprovada no parlamento há um ano.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Maratona da Saúde - Doenças Autoimunes - Antena 1



"Há cerca de 100 doenças autoimunes já identificadas. Estas doenças dificultam o diagnóstico  que pode ser muito difícil em alguns casos. Quais são os principais sintomas e sinais de alerta destas doenças?

A doenças autoimunes, e decompondo a palavra "Auto" "Imune", é o nosso sistema autoimune, o sistema de defesas que se vira contra nós. E se se vira contra nós pode-se virar contra nós em qualquer parte do corpo.

É possível fazer a prevenção?
De alguma forma é possível. Se nós decompormos tudo o que sabemos que pode levar á doença nós temos três grandes grupos: parte genética; depois a parte pessoal. Por exemplo nós sabemos que muitas das doenças autoimunes atingem as mulheres. E qual é a diferença de mulheres para homens? Principalmente as mulheres normalmente em idade hormonalmente ativas. Após a primeira menstruação ou quando começam o primeiro anticoncecional. Outra coisa ainda relacionada com a própria pessoa é que sabemos que o stress e a depressão pode também ser a gota de água que empurra nesse sentido. E em relação ao ambiente sabemos que, por exemplo,  a falta de Vitamina D pode ser também um fator que contribuiu. Ou seja, isto é um puzzle. E à luz de uma das teorias que aponta muito a possibilidade de ocorrência de doenças autoimunes, é a teoria da higiene. Diz que, à medida que os países se foram desenvolvendo e foram tendo mais higiene e controlando mais as infeções,  sistema imune começou a atacar a si próprio. E essa teoria da higiene diz por exemplo que, os miúdos devem ir para o infantário cedo, devem andar no quintal das avós, deixar-se sujar, para irem tendo as infeções correntes. Prevenção passa por isto. 

(O Dr. Carlos Vasconcelos é médico de Medicina Interna com doutoramento na área das Doenças Autoimunes. É ex-diretor e atual colaborador da Unidade de Imunologia Clínica do Hospital de Santo António, Centro Hospitalar do Porto e Professor Catedrático no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.)


domingo, 11 de março de 2018

Eutanásia: as perguntas que verdadeiramente interessam!

Mais dia menos dia a eutanásia acabará por ser legal em Portugal. Portugal está sempre à frente nestes temas quentes. Fomos dos primeiros a abolir a escravatura; dos primeiros a abolir a pena de morte; dos primeiros e até apontados como exemplo a despenalizar o consumo de droga; dos primeiros a descriminalizar o aborto; dos primeiros a permitir o casamento de pessoas do mesmo sexo; Veja-se que Portugal até também foi dos primeiros países a avançar com o vídeo-árbitro no futebol! Portugal está sempre um passo à frente, só é pena não querer estar à frente nos baixos níveis de corrupção!

Mas, como se vê, não é de agora que os políticos portugueses gostam de estar sempre na vanguarda, à frente dos outros neste tipo de coisa, e já se vai falando de eutanásia há algum tempo, logo, é de esperar novidades para breve. E toda a gente opina, a favor ou contra, mas há questões muitíssimo importantes que ainda não ouvi ninguém colocar. Questões parvas é verdade, que só eu me lembro sim!, mas mesmo assim, questões muito pertinentes!

Desde logo, vamos imaginar que alguém, por este ou aquele motivo, decide morrer. O ex-futuro contribuinte tem de pagar taxas "moderadoras" ou não? Para morrer vai ser preciso pagar ou não?

Eu, doente crónico, tenho de pagar taxas moderadoras na saúde e o argumento é mais ou menos este. Malandro do doente crónico, que fica doente só para dar despesa ao Estado, vai mas é começar a pagar taxas para ver se vai menos vezes ao hospital, para ver se fica curado! Foi mais ou menos o mesmo argumento que Passos Coelho e Paulo Portas também usaram para roubar os desempregados que, apesar de terem descontado para terem um subsídio de desemprego, aplicaram uma lei que cortava 10% do subsídio de desemprego ao fim de seis meses! Não havia ofertas de emprego, diziam para os portugueses não serem piegas e emigrarem, mas sendo roubados, como que por magia as pessoas iam encontrar trabalho, o tal trabalho que não havia para ninguém!



Então, vamos imaginar que alguém decide morrer, vai ter de pagar para morrer, ou é como no aborto, em que este novo parlamento aboliu a taxa moderadora? Doenças crónicas "moderam-se", abortos podem-se fazer quantos se quiser que ninguém paga nada! Ao menos na eutanásia a pessoa só pode ir à consulta de morte uma vez! "Ah e tal eu morri uma vez mas não fiquei satisfeito, olhe queria morrer outra vez!"

E quem é que vai fazer este trabalho? Será só o Sistema Nacional de Saúde ou os hospitais privados também vão poder entrar no negócio de matar as pessoas? 

É que eu já estou a ver as campanhas dos hospitais privados! "Venha morrer connosco, com todo o conforto e comodidade"! Até pode filmar a sua morte se quiser! Deve ser mais ou menos como os partos, em que de repente é moda pagar para ter a cria no privado, "porque é melhor"! Não sei em quê, mas vende-se a ideia que é melhor, e que quem tem os filhos nos hospitais públicos é pobre!
E por "melhor" significa pagar quatro ou cinco mil euros! A pessoa paga por algo que poderia ser totalmente gratuito e com maior segurança até porque, com se sabe, os hospitais privados não têm serviço de urgência, e se algo corre mal, toca a ser transladado para o hospitalzinho público que inicialmente não prestava! 

Curioso. De repente lembro-me de novo das "taxas moderadoras"! Ser doente implica pagar para moderar as doenças, como se o doente pudesse escolher ficar bom de um dia para o outro para não sobrecarregar o SNS! Como se o doente tivesse prazer em ser doente! Já decidir ter um bando de filhos não implica qualquer gasto, pelo contrário, até é incentivado e não se pagam consultas nenhumas. Porquê? Porque as pessoas estão a fabricar novos contribuintes e os trabalhadores até pagam bem menos IRS por isso e tudo. Quando na verdade, na maioria dos casos, quem tem muitos filhos é porque tem maiores rendimentos para os poderem ter! Irónico não é?

E numa eutanasiação (acabei de inventar agora a palavra!) depois se é aplicado um tratamento de morte mas por incompetência a pessoa não morre? Pode muito bem acontecer! Quantos condenados à morte, nesse país de terceiro mundo que são os Estados Unidos, não morrem depois de serem injetados com a injeção letal ou depois de terem levado um belo choque na cadeira elétrica? Ah pois é! Como é que vai ser?

Será que as seguradoras vão ter seguros específicos? "Faça já o seu seguro de morte e tenha uma morte segura"!

Vamos imaginar que alguém está paraplégico  e quer morrer, mas leva uma injeção e depois em vez de morrer fica num estado vegetativo? Como é que é? Vem depois alguém de machado em punho e corta a cabeça à pessoa para acabar com o trabalho?

E se a pessoa não morre em condições, quem é que vai apresentar reclamação ou levar o hospital a tribunal por esta pessoa? Isto vai ter de estar escrito no testamento vital? Ou será que a pessoa a partir do momento que decidiu morrer não tem mais direitos? Isto são tudo perguntas que gostaria de ver discutidas! Ou talvez não!


sábado, 24 de fevereiro de 2018

Conversas Improváveis 22

Entra uma senhora num estabelecimento de comércio tradicional no Porto, com uma cara de grande sofrimento. A dona do estabelecimento, que conhece a cliente, pergunta-lhe:

- "Ó doutora por que é que está com uma cara tão abatida?
Olhe, é um joelho que me anda a dar muitas dores..."

Que os médicos fiquem doentes não me surpreende, afinal, são humanos. Mas que os médicos, que entopem os outros de comprimidos e mais comprimidos, de exames e mais exames, e que depois eles mesmos, que tudo sabem de todas as drogas que há no mercado, andem cheios de dores, isto é algo que me deixa a pensar. 

Acho que é caso para dizer: "Em casa de médico, medicamentos de grilo"! 
Talvez não os tomem por saberem o quão mal que eles fazem. E tudo isto, sem dúvida, que é muito revelador. 


domingo, 26 de novembro de 2017

Conversas Improváveis 10


Via Google Images
No trabalho:

"Eu tenho de pedir um atestado médico para fazer exercício e ir para um ginásio que é algo que faz bem à saúde. Mas ninguém tem de pedir um atestado médico para dar cabo da saúde! Por acaso alguém é obrigado a pedir um atestado médico para começar a fumar ou para ir ao Macdonald's? Mas isto faz algum sentido"?

sábado, 21 de janeiro de 2017

Vacina: a melhor forma de apanhar a gripe!

Há muitos anos, a médica de família incentivou o meu avô, pessoa do  campo e rijo como um pêro, saudável e pouco dado a gripes, incentivou-o a tomar a vacina da gripe. E ele lá acabou por aceder, final, os médicos, supostamente, devem saber o que dizem.
Resultado: passado pouco tempo, apanhou uma valente gripe como nunca se lembrava de ter tido! "Nunca mais tomo o raio da vacina da gripe" disse. 

Há poucas semanas, ainda antes da vinda deste frio gélido que assola Portugal, a minha colega de trabalho disse-me que ao fim da tarde ia tomar a vacina da gripe, apesar de nem sequer costumar ficar com gripe. Desde logo a preveni "não tomes porque de certeza vais ficar doente"! E eu mesmo, que sou doente crónico, e que tal como ela tenho uma doença auto-imune, disse-lhe que nunca tomei a vacina da gripe, apesar de já ma terem prescrito inúmeras vezes, e mesmo estando a tomar imunossupressores há seis anos, nunca tive nenhuma gripe.
Resultado? Já há duas semanas não tinha andado muito bem, melhorou mas voltou a piorar, e esta semana foi andando sempre mal, com muita tosse, até ter mesmo que ter faltado ontem ao trabalho. 



Custo/benefício é sempre a ponderação que devemos fazer em tudo. Já aquando da suposta enorme pandemia que vinha aí em 2009 - parecia o Passos Coelho a anunciar a vinda do Diabo! - que acabou por ser um fiasco, mais de metade dos médicos e enfermeiros, grupo de risco por lidar com doentes, não quis ser vacinado contra a gripe A (H1N1)por considerar que os benefícios eram muito poucos em face dos efeitos secundários.


se os próprios médicos não a tomam, com que lata é que incentivam e prescrevem a vacina da gripe aos outros? Se calhar é porque há muita gente a ganhar muito dinheiro com a venda das vacinas não?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

IVG e as Taxas Moderadoras

Ouvi falar de novo das Taxas Moderadoras na Interrupção Voluntária na Gravidez esta semana na rádio, aquando da nova votação na Assembleia da República no sentido de obrigar, o ainda em exercício Presidente da República, a promulgar a lei que voltará a permitir que as mulheres não tenham de pagar para realizar um ato médio, nomeadamente para que possam abortar livremente quantas vezes quiserem sem terem de pagar qualquer importância, ainda que essa importância de 7,75€ seja a dividir por dois, visto que ninguém engravida sozinha. 

Mas antes de expor os meus argumentos gostaria de deixar uma declaração de intenções a quem quer que possa ler este texto:

Primeiro. Sinto-me completamente à vontade, pois nenhum dos deputados que alapam o cu na Assembleia da República me representa, visto não ter votado em nenhum dos partidos que obtiveram representação parlamentar. Acrescento ainda, para que não haja dúvidas: nunca votei num partido de direita.

Segundo. Sou completamente favorável a que a Saúde seja gratuita para todos, sem que ninguém tenha de pagar para se tratar, pois entendo que a Saúde não é um negócio, mas sim uma obrigação do Estado. Acho que é principalmente para isso que pagamos impostos e não, por exemplo, para pagar as dívidas de bancos ou outras empresas privadas. 

Terceiro. Sou totalmente favorável à atual lei do aborto.


Posto isto dizer que é revoltante para mim, ver os deputados dos partidos de esquerda, em uníssono, venham legislar no sentido de que as mulheres possam voltar a abortar sem terem de pagar taxas moderadoras. Não é para mim o valor que está em causa, nem tenho nada contra as mulheres que querem abortar, mas uma questão de moral, de um sinal que se dá, de prioridades muito invertidas. Olho para outros os casos, desde logo o meu e vejo a enorme discriminação que pessoas como eu são alvo. 

A minha primeira pergunta é: - Por que é que eu, doente crónico, portador de duas doenças auto-imunes, que nada fez através do seu comportamento para as ter, tenho de pagar taxas moderadoras - que moderam afinal o quê? - como é que se modera uma doença genética conseguem-me explicar como se eu fosse muito burro?  - e se tenho de pagar as frequentes consultas das inúmeras especialidades em que tenho de ser seguido; e se tenho de pagar as inúmeras análises e exames a que frequentemente estou sujeito, pergunto: porque raio uma mulher, que tem preservativos gratuitos nos centros de saúde, que tem consultas de planeamento familiar em que são dadas pílulas contracetivas igualmente de forma gratuita, e que ainda têm, em caso de algum imprevisto ocorrer, a pílula do dia seguinte nas farmácias para solucionar o "problema", e se ainda assim conseguem engravidar, por clara irresponsabilidade, expliquem-me então por que é que para vós, é esse o maior ato de justiça e de prioridade nas taxas moderadoras? É só por uma questão ideológica ou é só mesmo para chatear o Presidente da República e os partidos de direita agora que têm uma maioria no parlamento? Porque se é então estamos muito mal. 

O que daqui posso entender é que: para os deputados dos partidos de esquerda, que votaram favoravelmente este diploma, é que afinal o aborto é um método contracetivo. A mensagem que passam é: façam sexo à vontade, não se dêem ao trabalho de usar métodos contracetivos, que em último caso vão abortar ao hospital de borla! Estão os hospitais públicos, pagos com os impostos de todos nós, ali de pernas abertas para passar a mão pela cabeça das mulheres irresponsáveis, que engravidam uma, duas, três quantas vezes for preciso num ano! 

Doentes crónicos que têm doenças para toda a vida: Sim! Que paguem consultas, que paguem análises, que paguem exames, afinal são culpados por terem nascido com uma (ou duas) doença que não tem cura.

Mulheres que fodem irresponsavelmente, que engravidam por culpa exclusivamente própria, porque têm à sua disposição contracetivos gratuitos nos centros de saúde: Não! Coitadinhas, não podem pagar os 7,75€ de taxa moderadora que é a dividir por dois, por si e pelo homem que consigo engravidou.

Só pode mesmo haver algo de muito de errado com as prioridades dos nossos excelentíssimos deputados. 

domingo, 16 de novembro de 2014

Caça à consulta e ao examezinho

Quando se fala em Polícia, por norma, e às vezes com alguma razão, costuma-se falar em "Caça à multa". Pois bem, nos últimos anos, e porque as coisas não acontecem por acaso, desde que o povo colocou no poder os fascistas, que os centros de saúde mudaram de paradigma. 

Antigamente, quando a Saúde, e fazendo jus ao que ainda está escrito na Constituição, era tendencialmente gratuita, muitas pessoas vinham sempre com as mesmas queixas, que o seu médico de família não queria passar exames, provavelmente porque os médicos estavam com pena do Sistema Nacional de Saúde, pois tudo era quase gratuito. 

Mas agora que os fascistas privatizaram a Saúde, como convinha ao grande capital, e ir a um qualquer Centro de Saúde ou Hospital Público, é mais caro que ir à clinicazinha privada, as coisas mudaram redondamente.

Agora tenha muito cuidado se for acompanhar alguém ao Centro de Saúde! É que se o seu médico de família passa por si, de imediato liga para o balcão e obriga-o a ir a uma consulta naquele exato momento! Não está doente nem nada que se pareça, até anda a fazer exames num hospital privado, mas isso não interessa nada! Vai ser caçado e vai pagar os 5€ da consulta só porque sim, porque abriu a caça à consulta e ao examezinho! E isto passou-se ainda por estes dias com os meus pais.

Agora, depois de uma certa idade, os médicos passam exames a tudo e mais alguma coisa, e não, não é por estarem preocupados com a saúde dos "clientes", e com toda a certeza que vão descobrir algum que ainda não tenha feito, nem que seja o exame da merda, em que tem de - literalmente - enfrascar-se um bocado, para depois ser analisada, e ver se cumpre os requisitos da merda normal. Paga-se uma consulta, pagam-se montes de exames, e depois paga-se de novo para ir saber dos exames, e é assim que financiamos duplamente a Saúde neste país. Descontamos no salário para depois quando precisamos, pagar tudo, seja no Centro de Saúde, seja no Hospital Público. Mas afinal pagamos impostos para quê?

E é neste estado em que está a Saúde Pública neste país. Tudo se paga. São as consultas, os exames, as idas à enfermagem, Quero um medicamento para a doença crónica que tenho, e  que custa 2€, mas tenho de pedir para me passarem uma receita que custa 3€!! Mas pior, quando vou a ver, e em vez de me passaram 3 vias como pedi, não, passam-se uma só uma bisnaga que me dará para meia dúzia de dias...  Conclusão pago mais do dobro do que o medicamento custa, só por a médica inserir o meu nome no computador e fazer "Enter".

Por outro lado, há quanto tempo o seu médico de família não lhe mede a tensão arterial e lhe ausculta o coração e pulmões? Nunca o fazem. E porquê? Porque os médicos de família agora são passadores-de-receitas e de exames. Tantos anos nas universidades e é o que sabem fazer, muitos ainda nem aprenderam que é falta de educação, atender os doentes, sem nunca os olhar nos olhos.