Os cãezinhos desataram a correr e a latir na direção de um homem e regressaram para logo depois desatarem a correr de novo na direção dele que abriu os braços como o Cristo Redentor e os quisesse acolher. Ao passarmos por ele começamos a conversar e percebi que ele dormia ali ao relento e talvez por ali se tivesse fixado recentemente.
Contou que deixou as drogas e, como creio ser habitual nestes casos, mudou-se para o álcool, porque o vinho e a cerveja são baratos, e digo eu que nunca bebi, ajudam a esquecer e a passar melhor as noites.
Dissemos-lhe para procurar ajuda apesar de ele responder que não quer nada com a segurança social. Disse-lhe que todos nós pagamos os nossos impostos para isso mesmo, para o que o Estado quem mais precisa, como ele precisa neste momento.
É bem mais novo do que eu. Insisti para pedir ajuda porque não pode continuar a dormir na rua. Agora está calor, mas, e depois, quando vier o frio e a chuva?
Ele começou a chorar e eu dei-lhe um abraço.
No dia seguinte acordei a pensar nele. E lembrei-me do filme "Pay It Forward" (Favores em Cadeia) que gostaria de rever.
Afinal, o que é que cada um de nós está a fazer para melhorar o mundo?
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