sexta-feira, 30 de março de 2018

Conversas Improváveis (24)

"As pessoas agora a limpar as matas parece que estão a limpar a casa para a visita pascal."


Via Google Images

A Mulher que Nasceu no Mesmo dia que Eu

A mulher que nasceu no mesmo dia que eu, nasceu mesmo no mesmo dia que eu. Porque não é a mesma coisa quando se diz alguém faz anos no mesmo dia que nós mas nasceu num ano diferente. Curiosamente eu nem sequer conheço ninguém que faça anos no mesmo dia que eu. Tirando a mulher que manda no Reino Unido, mas ainda assim eu nasci uns anitos mais tarde.
E a mulher que nasceu no mesmo dia que eu, num determinado ano que não lembro qual, mas que foi certamente nos primeiros anos do novo milénio, foi rainha da Viagem Medieval de Santa Maria da Feira. E há sempre coisas muito rebuscadas a acontecer na minha vida. Certamente que acontece com todas as outras pessoas, eu não serei propriamente especial de corrida, mas são coisas que têm a sua rara probabilidade de acontecerem.


E nesse mesmo ano que esta mulher foi rainha da feira medieval, também eu lá estive. Ela passou mesmo à minha frente e fotografei-a, acompanhada pelo seu rei. 

Passaram-se vários anos até que esta mulher, vá lá saber porquê, aterrou na minha página de uma rede social da altura (pré-facebuquiana), onde eu tinha um álbum com fotografias da Viagem Medieval. Ela viu a sua fotografia e certamente terá achado curioso. Acabamos por falar umas quantas vezes e fiquei a saber da sua vida como ela da minha, até que, entretanto, aquela rede social foi preterida pelo surgimento duma nova (aquela que anos mais tarde iria vender os dados de toda a gente) e, como seria natural, acabamos por nos perder desse mundo digital que é a internet. 

E também já não sei porque motivo, mas imprimi umas quantas fotografias dessa altura em folhas de papel normal de impressora a preto e branco. E essa papelada antiga esteve guardada durante muito tempo, até que, fruto de umas recentes arrumações dei de novo com elas. E pronto, foi assim que, de novo, voltei a tropeçar na mulher que nasceu no mesmo dia que eu. 

(Editado: entretanto descobri a fotografia)


domingo, 25 de março de 2018

Conversas Improváveis 23

Sabes quem são as pessoas que levam mais compras para casa? 
Não.
São os ciganos e as freiras.


sábado, 24 de março de 2018

Os Portugueses estão Mais Felizes

Segundo o Relatório Mundial da Felicidade, que começou a ser publicado em 2012, os portugueses estão mais felizes. Este relatório mediu a felicidade em 156 países e mede coisas tão diferentes como o PIB per capita, apoio social, esperança de vida saudável, liberdade social, generosidade e ausência de corrupção. 

E se há três anos Portugal estava classificado no lugar 94 e há dois anos estava no lugar 89, este ano Portugal subiu 12 lugares, situando-se em 77º. Curiosamente não ouvi qualquer eco desta notícia nos média portugueses. Mas suspeito que se Portugal tivesse descido já alguém iria achar interessante divulgar a notícia, primeiro porque os média portugueses têm uma especial predileção por notícias negativas, depois, porque têm critérios editoriais muito bem definidos e parciais. 


Acho que seria para este resultado que os políticos deveriam trabalhar. Trabalhar numa política de felicidade, para que as pessoas se sintam cada vez melhor, e não o contrário, levando milhares de portugueses a emigrar para outras paragens, na procura de melhores condições de vida. 

Quer isto dizer que está tudo bem? Não, pelo contrário. Portugal está no lugar 77 em 156 países! É miserável a felicidade dos portugueses! Portugal está agora, só um lugar acima da metade dos países! E tem à sua frente países como Paquistão, Filipinas ou Líbia, e bem mais à frente os países da América do Sul: Equador (44), Colômbia (36), Uruguai (28), Argentina (24) e Brasil (22). 

Segundo este relatório da ONU são os países nórdicos que sempre lideraram o ranking dos países mais felizes: Noruega, Dinamarca, Islândia, Suiça, Finlândia. 

O que não deixa de ser irónico, é ser estes países gélidos, com um clima tão rigoroso e com as mais altas taxas de suicídio que as pessoas mais felizes se sintam, mas não será alheio o facto de viverem nos países com mais qualidade de vida do mundo. Por outro lado, nós portugueses, que vivemos no sul da Europa, com um clima espetacular, no terceiro país mais pacífico do mundo e com bem condições condições de vida que os países da América Latina somos extremamente infelizes. 
Porque será que os portugueses se sentem sempre tão desgraçadinhos?

World Happiness Report

domingo, 18 de março de 2018

Perdidos na Desolação do Amor


"Aqui eu me sento junto ao fogo,
As chamas amargas do licor aquecem minha alma lânguida.
Aqui eu bebo sozinho e lembro,
Uma vida esculpida, a memória dela.
Neste copo, o veneno do amor,

Porque o amor é o veneno da vida.

Perdidos na desolação do amor,
As paixões que colhemos e semeamos.
Perdidos na desolação da vida,
Este caminho que trilhamos...


"A Desolation Song" / The Mantle / Agalloch / 2002

Não Basta Gostar

"Não. Há pessoas que ainda gostam uma da outra (eu sei que isto faz muita impressão a determinadas mentes) mas é assim, há pessoas que ainda gostam uma da outra, e chegam à conclusão que não conseguem viver juntas. Estou completamente disponível para aquele argumento, "mas se gostassem mais, tentavam mais". Eu lamento muito mas, do que a experiência me diz (o que é muito pouco romântico) é que não basta gostar. De vez em quando, nós temos maneiras de estar na vida, que tornam a convivência impossível." 
(Júlio Machado Vaz)

"Criar um filho com o "Ex" - O Amor é / Antena 1




Universidade Certifica a Ignorância de Passos Coelho

O Karma é de facto muito fodido Pedro. 

Estávamos em plena campanha eleitoral para as Legislativas de 2011, quando o nosso ex-querido Executor de Penhora do FMI, Passos Coelho, afirmou que "o programa Novas Oportunidades pretendia certificar a ignorância".

Foi até mais longe quando, numa ação de campanha, uma aluna do programa foi ter com ele e lhe disse na cara que não gostou do que ele lhes chamou. E o Pedro, já quando a aluna lhe havia virado as costas, teve a elegância de lhe dizer: "Espero que o curso lhe sirva para muito". 


Já depois de ter sido eleito como Primeiro-Ministro, no mesmo ano de 2011, o Pedrito mandou os professores emigrar e, perante um desemprego brutal, chamou mesmo os portugueses de piegas. Saiam da vossa zona de conforto e emigrem, porque aqui, comigo, não terão qualquer esperança no futuro.   


Entretanto, chegaram as Legislativas de 2015, e sem perceber muito bem (porque nunca soube o que está escrito na Constituição), Passos Coelho foi destituído de Primeiro-Ministro e passou para a oposição. Como não tinha qualquer projeto alternativo para o país além do discurso "sem mim será o caos", e como o Diabo teimava em não vir, acabou então por não ter outro remédio senão demitir -se da liderança do PSD depois da valente derrota nas eleições autárquicas. 

E então o que é que ele iria fazer depois de uma vida passada na política? Eu cheguei a pensar que ele ia fazer o que sugeriu aos outros e fosse emigrar, por exemplo, ir estudar (coisa que os políticos fazer muito pouco visto que compram os cursos em universidades privadas) e fazer, por exemplo, como o seu anterior homólogo José Sócrates que foi estudar para Paris. 

Mas qual emigrar qual quê! Passos Coelho, como qualquer ex-ministro (a melhor profissão em Portugal!) arranjou uma bela cunha e vai ser - pasme-se! - vai ser professor! Mas não um professor qualquer!! Passos Coelho vai ser "Professor Catedrático convidado", seja lá isso o que for. E, com a sua licenciatura mal amanhada completada aos 37 anos de idade, numa universidade privada, e depois de não ter feito mais nada na vida do que estar num partido político, vai agora ser professor de mestres e doutores, gente com mais habilitações do que ele. Bom, sinceramente, eu espero que o que tu vais ensinar aos teus alunos lhes sirva de muito no futuro!

Mas o Karma é mesmo muito fodido não é Pedro? 

É que realmente há coisas muito curiosas.Tu que tanto criticaste o facilitismo e disseste que as Novas Oportunidades certificavam a ignorância e mandaste os professores emigrar para arranjarem emprego e chamaste os portugueses de piegas, arranjaste agora uma cunha para que uma universidade certificasse a tua ignorância como professor catedrático. 

De facto, pimenta no cu dos outros é refresco, e o Karma é mesmo muito fodido.

sábado, 17 de março de 2018

Cães que Gostam de Bancos de Jardim


Uma Estupidez para a Vida Toda

Carolina, até este mesmo exato momento em que voltei, agora mesmo, às oito da manhã, a apanhar a tua música na Antena1, devo afirmar que não te conheço. Se passasse por ti na rua serias uma ilustra anónima, tal como eu seria para ti. Não te conheço, portanto nem gosto nem desgosto de ti, tão simplesmente porque nem sei quem tu és. E a única coisa que sei de ti é a tua música que me entra ouvidos adentro inúmeras vezes quando estou a ouvir rádio, como é agora o caso.  Bom, na verdade sei mais algumas coisas, que a minha colega de trabalho me contou: que a tua música conta a história da tua relação e do teu filho, com um músico qualquer que até já teve uma relação com outra cantora. 

Queres saber o que é que eu acho da tua música? Gosto, ouve-se bem, fica no ouvido (também pudera, tu repetes onze vezes (sim eu contei) "a vida toda"! E se assim não fosse acho que não passaria tantas vezes numa rádio como a Antena 1 que se deve primar mais pela qualidade e serviço público que pelas modas. 

Mas o que me levou a escrever sobre ti é o teor da letra da tua música. E o que eu acho é que, por mais feliz que tu estejas neste momento, satisfeita com o teu companheiro como com o nascimento do teu filho, acho que ninguém, no seu juízo perfeito escreve uma letra a dizer que vai ser feliz para "a vida toda"! Ninguém faz isso Carolina! Ninguém faz uma tatuagem com o nome do namorado por achar que é para a vida toda! Ninguém! Sim, eu estava a ser irónico. Sim, eu sei que fazem, mas depois arrependem-se!
Tu tens ideia que Portugal é o país campeão da Europa em divórcios? Em cada cem novos casamentos há setenta divórcios. Tu tens ideia que nunca como agora as pessoas estão juntas e passado algum tempo, seja lá por que motivos for, já não estão para se aturar e muitas vezes partem logo para outra relação? Tens ideia  que já não há amores para "a vida toda"? 

E sabes o que acontece às pessoas que cometem a estupidez de tatuar os nomes dos companheiros no corpo? Depois apagam-nos. Olha, como fez, por exemplo, o Johnny Depp com a Winona Rider. Toda a gente achava que eram o casal perfeito, que tinham tudo em comum. Adoravam-se. Mas sabes quantos anos durou a relação "perfeita" dos atores namoradinhos dos anos noventa? Quatro! Durou quatro anos! E sabes o que ele fez à tatuagem "Winona Forever"? Removeu-a! Pois é!

O que tu fizeste com a música "A vida toda" foi uma tatuagem musical. Não foi escrever, mas foi tatuar com música. A música ficará para sempre. E o amor só será eterno enquanto durar. E as tatuagens ainda se conseguem apagar como o Johnny Depp fez. Mas músicas não. Eu espero mesmo estar errado, mas no meu entender, o que tu fizeste, foi uma estupidez para a vida toda. 

quarta-feira, 14 de março de 2018

Maratona da Saúde - Doenças Autoimunes - Antena 1



"Há cerca de 100 doenças autoimunes já identificadas. Estas doenças dificultam o diagnóstico  que pode ser muito difícil em alguns casos. Quais são os principais sintomas e sinais de alerta destas doenças?

A doenças autoimunes, e decompondo a palavra "Auto" "Imune", é o nosso sistema autoimune, o sistema de defesas que se vira contra nós. E se se vira contra nós pode-se virar contra nós em qualquer parte do corpo.

É possível fazer a prevenção?
De alguma forma é possível. Se nós decompormos tudo o que sabemos que pode levar á doença nós temos três grandes grupos: parte genética; depois a parte pessoal. Por exemplo nós sabemos que muitas das doenças autoimunes atingem as mulheres. E qual é a diferença de mulheres para homens? Principalmente as mulheres normalmente em idade hormonalmente ativas. Após a primeira menstruação ou quando começam o primeiro anticoncecional. Outra coisa ainda relacionada com a própria pessoa é que sabemos que o stress e a depressão pode também ser a gota de água que empurra nesse sentido. E em relação ao ambiente sabemos que, por exemplo,  a falta de Vitamina D pode ser também um fator que contribuiu. Ou seja, isto é um puzzle. E à luz de uma das teorias que aponta muito a possibilidade de ocorrência de doenças autoimunes, é a teoria da higiene. Diz que, à medida que os países se foram desenvolvendo e foram tendo mais higiene e controlando mais as infeções,  sistema imune começou a atacar a si próprio. E essa teoria da higiene diz por exemplo que, os miúdos devem ir para o infantário cedo, devem andar no quintal das avós, deixar-se sujar, para irem tendo as infeções correntes. Prevenção passa por isto. 

(O Dr. Carlos Vasconcelos é médico de Medicina Interna com doutoramento na área das Doenças Autoimunes. É ex-diretor e atual colaborador da Unidade de Imunologia Clínica do Hospital de Santo António, Centro Hospitalar do Porto e Professor Catedrático no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.)


O Outro Lado dos Provérbios




"Quem tem a terra do seu terreno toda levantada não fala das toupeiras do vizinho, até porque vem sempre um castor pelo caminho". 

domingo, 11 de março de 2018

Eutanásia: as perguntas que verdadeiramente interessam!

Mais dia menos dia a eutanásia acabará por ser legal em Portugal. Portugal está sempre à frente nestes temas quentes. Fomos dos primeiros a abolir a escravatura; dos primeiros a abolir a pena de morte; dos primeiros e até apontados como exemplo a despenalizar o consumo de droga; dos primeiros a descriminalizar o aborto; dos primeiros a permitir o casamento de pessoas do mesmo sexo; Veja-se que Portugal até também foi dos primeiros países a avançar com o vídeo-árbitro no futebol! Portugal está sempre um passo à frente, só é pena não querer estar à frente nos baixos níveis de corrupção!

Mas, como se vê, não é de agora que os políticos portugueses gostam de estar sempre na vanguarda, à frente dos outros neste tipo de coisa, e já se vai falando de eutanásia há algum tempo, logo, é de esperar novidades para breve. E toda a gente opina, a favor ou contra, mas há questões muitíssimo importantes que ainda não ouvi ninguém colocar. Questões parvas é verdade, que só eu me lembro sim!, mas mesmo assim, questões muito pertinentes!

Desde logo, vamos imaginar que alguém, por este ou aquele motivo, decide morrer. O ex-futuro contribuinte tem de pagar taxas "moderadoras" ou não? Para morrer vai ser preciso pagar ou não?

Eu, doente crónico, tenho de pagar taxas moderadoras na saúde e o argumento é mais ou menos este. Malandro do doente crónico, que fica doente só para dar despesa ao Estado, vai mas é começar a pagar taxas para ver se vai menos vezes ao hospital, para ver se fica curado! Foi mais ou menos o mesmo argumento que Passos Coelho e Paulo Portas também usaram para roubar os desempregados que, apesar de terem descontado para terem um subsídio de desemprego, aplicaram uma lei que cortava 10% do subsídio de desemprego ao fim de seis meses! Não havia ofertas de emprego, diziam para os portugueses não serem piegas e emigrarem, mas sendo roubados, como que por magia as pessoas iam encontrar trabalho, o tal trabalho que não havia para ninguém!



Então, vamos imaginar que alguém decide morrer, vai ter de pagar para morrer, ou é como no aborto, em que este novo parlamento aboliu a taxa moderadora? Doenças crónicas "moderam-se", abortos podem-se fazer quantos se quiser que ninguém paga nada! Ao menos na eutanásia a pessoa só pode ir à consulta de morte uma vez! "Ah e tal eu morri uma vez mas não fiquei satisfeito, olhe queria morrer outra vez!"

E quem é que vai fazer este trabalho? Será só o Sistema Nacional de Saúde ou os hospitais privados também vão poder entrar no negócio de matar as pessoas? 

É que eu já estou a ver as campanhas dos hospitais privados! "Venha morrer connosco, com todo o conforto e comodidade"! Até pode filmar a sua morte se quiser! Deve ser mais ou menos como os partos, em que de repente é moda pagar para ter a cria no privado, "porque é melhor"! Não sei em quê, mas vende-se a ideia que é melhor, e que quem tem os filhos nos hospitais públicos é pobre!
E por "melhor" significa pagar quatro ou cinco mil euros! A pessoa paga por algo que poderia ser totalmente gratuito e com maior segurança até porque, com se sabe, os hospitais privados não têm serviço de urgência, e se algo corre mal, toca a ser transladado para o hospitalzinho público que inicialmente não prestava! 

Curioso. De repente lembro-me de novo das "taxas moderadoras"! Ser doente implica pagar para moderar as doenças, como se o doente pudesse escolher ficar bom de um dia para o outro para não sobrecarregar o SNS! Como se o doente tivesse prazer em ser doente! Já decidir ter um bando de filhos não implica qualquer gasto, pelo contrário, até é incentivado e não se pagam consultas nenhumas. Porquê? Porque as pessoas estão a fabricar novos contribuintes e os trabalhadores até pagam bem menos IRS por isso e tudo. Quando na verdade, na maioria dos casos, quem tem muitos filhos é porque tem maiores rendimentos para os poderem ter! Irónico não é?

E numa eutanasiação (acabei de inventar agora a palavra!) depois se é aplicado um tratamento de morte mas por incompetência a pessoa não morre? Pode muito bem acontecer! Quantos condenados à morte, nesse país de terceiro mundo que são os Estados Unidos, não morrem depois de serem injetados com a injeção letal ou depois de terem levado um belo choque na cadeira elétrica? Ah pois é! Como é que vai ser?

Será que as seguradoras vão ter seguros específicos? "Faça já o seu seguro de morte e tenha uma morte segura"!

Vamos imaginar que alguém está paraplégico  e quer morrer, mas leva uma injeção e depois em vez de morrer fica num estado vegetativo? Como é que é? Vem depois alguém de machado em punho e corta a cabeça à pessoa para acabar com o trabalho?

E se a pessoa não morre em condições, quem é que vai apresentar reclamação ou levar o hospital a tribunal por esta pessoa? Isto vai ter de estar escrito no testamento vital? Ou será que a pessoa a partir do momento que decidiu morrer não tem mais direitos? Isto são tudo perguntas que gostaria de ver discutidas! Ou talvez não!


terça-feira, 6 de março de 2018

O que Significa Novo?

No·vo |ô|
(latim novus, -a, -um)


Adjectivo1. Feito recentemente.
2. Que existe há pouco.
3. Moderno.
(Via Priberam.pt)


De facto, esta mesa de Ping Pong à venda no OLXulos está mesmo nova! Pelo menos o preço é de novo!!

segunda-feira, 5 de março de 2018

Ferraz: As Pessoas Querem Trabalhar, Não Querem é Ser Escravas dos Patrões

Há duas semanas Ferraz da Costa, conhecido por ter sido, aos 34 anos, o "patrão dos patrões", fazia a capa do Jornal I, e podia-se ler o título: "As empresas não conseguem contratar porque as pessoas não querem trabalhar". 

Isto é não é nada de novo. Alguém que nunca teve dificuldades na vida, que nasceu numa bolha onde até se pode escolher a empresa para onde se quer trabalhar, venha chamar os outros de piegas, malandros ou pior.

Mas em primeiro lugar eu gostaria que me explicassem, que o Ferraz explicasse, como é que, entre 2011 e 2015, segundo o INE, cerca de 500 mil portugueses emigraram, indo à procura de melhores condições de vida, condições essas que não encontravam no seu próprio país. Ora bem, seguindo a lógica do Ferraz, como os portugueses são malandros e não querem trabalhar, então, emigraram para outros países para continuarem a ser malandros e a não fazer nenhum! Mas que puta de lógica é essa? 

Depois, eu gostaria que o Ferraz explicasse muito bem, como é que só os patrões portugueses se queixam dos trabalhadores portugueses. É que, nos países de destino, os emigrantes portugueses são conhecidos por serem bons trabalhadores e garantia de produtividade. Então espera lá. Cá, no seu próprio país os portugueses são malandros e não querem trabalhar, mas emigram para o estrangeiro e, em vez de continuarem a não querer fazer nada, como que por milagre trabalham muito e bem! 

Eu vou fazer um desenho. Os trabalhadores portugueses são os mesmos. Mas o que muda são os patrões. Então onde é que está o defeito Ferraz?


Ferraz, eu até te vou dar dois exemplos que, nem de propósito, acompanhei bem de perto na semana que passou. Duas pessoas, uma à procura de trabalho, a outra que, apesar de já estar a trabalhar, procura um trabalho pós laboral para ganhar mais algum dinheiro. 

O primeiro caso é de uma uma amiga minha. Acabou o curso e teve ofertas de trabalho na sua área no grande Porto. O salário que lhe ofereciam? Era o salário mínimo para um tipo de trabalho que é altamente especializado! A mesma oferta mínima que dá para qualquer trabalho indiferenciado que não precisa de qualquer formação. Só que o salário mínimo mal chegava para pagar o aluguer da casa onde estava e para comer. Não dava para mais nada! Então o ela que fez? Voltou para a sua terra natal, onde pretendia arranjar um trabalho que lhe permitisse ir juntando algum dinheiro para ir comprando alguma maquinaria para montar o seu próprio negócio.

Enviou dezenas de currículos para tudo e mais alguma coisa. Ela queria era trabalhar e ganhar algum dinheiro, mesmo que fosse o salário mínimo. E na sua cidade natal, na casa da mãe não tinha que pagar o aluguer de uma casa. E de tanto currículo enviado chegou uma oferta de trabalho para ficar "à experiência" num restaurante da cidade. Ia ganhar o salário mínimo mesmo tendo que trabalhar 11-12 horas às sextas-feiras e sábados e teria ainda de trabalhar aos domingos! Tudo isto por um salário mínimo! É espetacular não é?

Mas só lá trabalhou uma semana. Nem sequer lhe deram qualquer contrato a assinar. Mas afinal parece que as outras pessoas que lá trabalhavam também não tinham qualquer contrato de trabalho. Tudo na paz do senhor! Ela saiu porque começou a odiar aquilo. A forma como era tratada, quase humilhada por vezes. Pressão e mais pressão. Veio-se embora. Ligaram-lhe de novo no sentido dela mudar de ideias. Ela não mudou. Ela quer muito trabalhar sim, mas não quer ser escrava. 

O segundo caso duma colega de trabalho. A minha colega, junto de pessoas conhecidas, arranjou o contacto de uma padaria/pastelaria onde pretendiam contratar um serviço de limpeza diário. Seria um trabalho para três horas diárias e ela viu ali a oportunidade de, por um lado ganhar um dinheiro extra, que dá sempre jeito, e por outro, quem sabe, a oportunidade de começar a trabalhar por conta própria, até porque tem a ambição de, um dia, quem sabe ter um negócio seu, e pode muito bem passar por uma empresa de limpezas.

Chegada lá, indagou o patrão sobre quanto é que ele pretendia pagar à hora por aquele serviço de três horas diárias. O senhor disse-lhe que tinha pensado em 2,75€ à hora!! Portanto, ela sairia da minha empresa, ia-se deslocar para este segundo local de trabalho para, ao fim de três horas de andar a limpar, que é um trabalho desgastante, e ganhar essa exorbitância de 8.25€!!! Parece que o senhor não queria gastar muito dinheiro. Pois é... mas se não quer gastar dinheiro então que limpe ele! Assim não gastaria qualquer dinheiro, era só poupar!

Sabes Ferraz, os portugueses querem muito trabalhar até porque o dinheiro não cai do céu para aqueles que não tiveram a sorte de serem filhos de pais ricos. E as pessoas precisam de dinheiro para comer. As pessoas querem muito trabalhar mas não querem é ser escravas dos patrões. 

domingo, 4 de março de 2018

No Abraço da Morte

Nos últimos dias tenho andado a ouvir esta senhora a tocar:


É verdade que não percebo nada de música, e quem sou eu, um leigo a fazer crítica musical, mas tenho ouvidos, e acho esta composição muito boa. É poderosa, mexe connosco. E a grande mais valia da música é essa, a capacidade de mexer com o nosso estado de espírito. 

Na verdade até no trabalho a estive a ouvir. Muitos meses depois voltei finalmente para a minha caverna, ao meu trabalho específico, mais isolado e solitário, em que passo horas sem falar com ninguém, e então, muitas vezes, coloco um pouco de música de fundo. E esta senhora foi uma das escolhas.

O mais irónico disto tudo é as pessoas passarem e acharem interessante eu estar a ouvir "música clássica", quando nem fazem a mais pequena ideia que isto é uma música de 1996, de uma banda norueguesa de Black Metal que se chama Dimmu Borgir. Sim uma daquelas bandas em que os músicos têm cabelos compridos, se vestem de preto, e muitas vezes andam com cruzes invertidas ao peito. 


Sim, esta composição que a senhora lasciva do piano está a tocar é de uma banda de Black Metal. Uma banda que, se a maioria das pessoas ouvisse achariam, inocentemente, que aqueles músicos só fazem barulho, se calhar nem sabem tocar, berram como se não houvesse amanhã e não estão sequer a cantar nenhuma letra. Mas isso é o erro de julgar sem conhecimento de causa. É constatar o óvio mas não ver o essencial. E o essencial é que a composição é lindíssima. 


...Unhallowed by the infernal one
We are forever captured
By the embrace of death

As Médias Altíssimas Não Provam Rigorosamente Nada

"Quando as pessoas iniciam um curso de medicina, deveria ou não deveria haver mais algum critério, que não apenas uma média altíssima? As pessoas podem ter a opinião que quiserem. Um facto é indiscutível. As médias altíssimas não provam rigorosamente nada da capacidade daquela pessoa para aquilo que eu considero o fulcro de qualquer relação de ajuda, neste caso a medicina, a sua capacidade para estabelecer uma relação de ajuda. Nada. Lembra-se de eu lhe dizer, num registo paralelo, que uma vez as três médias de 18 do meu curso iam calmamente no corredor do Hospital de São João e, de repente, uma pessoa teve uma crise epilética à nossa frente. E as três médias mais altas ficaram petrificadas. E um colega nosso, que se bem me lembro se deve ter formado com uma média de 11, 12 ou 13, imediatamente tomou as medidas necessárias para ajudar aquela pessoa. Uma coisa é ter notas altas nos exames, outra coisa é estar à cabeceira da cama do doente, ter o doente à nossa frente, etc. E portanto, é bom dizer que há quem defenda, que deveria haver uma avaliação mais diversificada, mais complexa, dos candidatos para medicina.

(Júlio Machado Vaz)

Dar Más Notícias / O Amor é / Antena 1



sábado, 3 de março de 2018

Ofereço-me para Trabalhar na Indústria Hoteleira Portuguesa

Farto de ouvir os empresários portugueses, especialmente os ligados ao turismo que, segundo eles, não encontram ninguém disponível para trabalhar no setor, motivo pelo qual não conseguem crescer mais e, por conseguinte, a economia portuguesa também ela deixa de poder crescer ainda mais, eu , num ataque de patriotismo, decidi desde já disponibilizar-me para trabalhar na industria hoteleira para qualquer trabalho indiferenciado. Seja fazer camas, limpar casas de banho, conduzir aqueles veículos arejados pela cidade com turistas, seja o que for. Faço o que for preciso. Aproveitem, têm aqui um trabalhador, de quem, julgo eu, nunca nenhuma entidade patronal teve o que dizer.

Estou pronto a abandonar a minha profissão, o ténis-de-mesa diário na empresa e, dois meses depois, ingressar nesta nova atividade. Não quero que fiquem novos hotéis ou novos negócios turísticos por abrir. Eu estou aqui! E digo presente! E todos os portugueses deveriam fazer o mesmo. 

É incompreensível que tantos portugueses abandonem o país, tantas vezes para trabalhar em hóteis, fazendo camas e limpando e que depois, em Portugal, os empresários do turismo não tenham gente para trabalhar! Não faz sentido nenhum.

Diário de Notícias
Mas por que é que os portugueses não querem afinal trabalhar em Portugal, no seu próprio país, onde têm família e amigos, e vão para tão longe trabalhar? Não fiz qualquer sentido não é?

Se calhar vão para tão longe, fazer as camas dos outros, limpar e trabalhar nos hotéis dos outros, porque se calhar os donos dos hotéis e empresários do turismo em Portugal querem é ter escravos para trabalhar. Não querem pessoas que recebam salários minimamente dignos. Querem é escravos, sem direitos, que trabalhem sábados e domingos, a troco - pasmem-se!! - de um salário médio de 632€ por mês!! Quando na maioria dos casos não contratam pessoas a falsos recibos verdes a troco de salários mínimos.

Pois bem, eu estou disposto a deixar a minha atividade e ir trabalhar para o turismo, e estou a falar muito seriamente, e nem exijo muito. Sé peço um mero salário mínimo. Mas é um salário mínimo do Luxemburgo. Arredondando são dois mil euros. E por um contrato de 2 mil Euros mensais, um mero salário mínimo do Luxemburgo, eu estou à vossa disposição para trabalhar no turismo, no que for preciso.

Ofereçam salários decentes. Deixem de ser um chupistas e de quererem ficar com o dinheiro todo. Portugal bate recordes no turismo, os empresários fartam-se de ganhar dinheiro, mas continuam a pagar salários miseráveis. E é por isso que as pessoas abandonam o país. Ofereçam salários decentes que as pessoas deixarão de abandonar o país. Deixarão de estar longe dos seus familiares e amigos, e trabalharão, com todo o gosto, fazendo no seu próprio país, as merdas que vão fazer para o estrangeiro.

Três Razões para Nos Armarmos (em Parvos!)

Nos Estados Unidos as Crianças Não se Matam com Ovos Kinder

Uma destas crianças segura nas mãos uma perigosa arma proibida nos Estados Unidos para sua própria proteção. Conseguem adivinhar qual das duas é?


Os Estados Unidos é de facto um país muito à frente do seu tempo, e que protege como ninguém as suas crianças. Lá não é como aqui em Portugal, um país atrasadíssimo, em que as crianças entram nas escolas livremente com ovos Kinder e podem matar-se umas às outras!