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sábado, 30 de novembro de 2024

Regressa Porto de 2010


Já aqui tinha mostradas as fotos da cidade do Porto que tirei em agosto de 2010, em que se vê uma cidade completamente deserta. O que eu não sabia e fiquei a saber foi que 2010 tinha sido o melhor ano do turismo até então. E talvez isto nos ajude a colocar as coisas em perspectiva. 

E qual Porto prefiro, o Porto de 2010 ainda intocado pela massificação do turismo, o Porto das putas e do cheiro a mijo, o Porto deserto às sete da tarde ou o Porto do melhor destino e dos hotéis, o Porto bem iluminado, dos hotéis cinco estrelas mas também o Porto do desprezo pelo STOP, o Porto sem portuenses, o Porto sem lojas típicas, o Porto sem livrarias e o Porto do vírus das lojas de ímanes e recordações?

Lamento, mas o progresso trouxe a miséria. Hoje, um solteiro como eu, com o salário mínimo, não conseguirá sequer pagar uma renda na sua própria cidade. O Porto expulsou as suas lojas e as suas pessoas. 

Lamento, mas eu preferia o Porto do mijo e das putas, o Porto mal iluminado ao Porto Best Urban Destination in the World de 2024. 
 

sábado, 6 de julho de 2024

Talvez Preferisses


A lo mejor preferirías pagar facturas en vez de
Cocinar salmón sobre piedras ardiendo al lado de una cascada 
Preferirías ir al bar de siempre a ver amigas
Nuevas y antiguas
Que en una panadería te saluden
Y no pagarle a alguien en Bali para que un mono amaestrado
Coja tu móvil
Y simule que hace contigo un sel fie /
Porque si no sabes quién eres
Cuando paseas por tu ciudad
Siento destriparte la historia:
Tampoco lo sabrás en Indonesia
Y no pasa nada,
Pero mejor no te gastes 3.000 euros

Poema Hit / Pol Guasch


domingo, 19 de novembro de 2023

Tudo que dá Milhões Não Prejudica o Ambiente

Estava aqui a folhear o Jornal de Notícias e fico a saber que:

"Os navios atracados em Lisboa são responsáveis por cerca de 3,5 vezes mais emissões de dióxido de enxofre que todo o parque automóvel da cidade num ano inteiro. É o reverso da medalha do terminal de cruzeiros de Lisboa, que recentemente comemorou seis anos de existência, durante os quais recebeu 1436 navios e gerou receitas de centenas de milhões de euros".



Mas é preciso entender uma coisa muito importante:

Aos olhos de câmaras municipais e governos, nada que dê muito dinheiro prejudica o ambiente! 

Por exemplo, se eu quiser entrar em Lisboa no meu pequenino Toyota de 1995 não posso! Faço muito mal ao ambiente da capital. Tenho de compreender que posso matar os lisboetas todos com a imensa poluição que o depósito de 40L do pequeno Starlet emite. Os barcos megalómanos que por lá atracam poluem mais do que todos os carros  juntos durante um ano, mas esse sim, podem lá entrar, porque dão muito dinheiro a muita gente!

No fundo, hoje em dia, o capitalismo defende o ambiente como a Igreja defendia as almas na Idade Média. Não podias fazer nada porque tudo é pecado e vais arder no fogo do Inferno mas, se pagares muito bem, a gente fala com Deus e arranja-te lá um lugarzinho lá no céu!

domingo, 30 de agosto de 2020

O Turismo na Cidade do Porto em Agosto de 2010

Estava por aqui à procura de umas fotografias e eis se não quando, por obra e graça de sabe-se lá que santinho, tropecei numas fotografias tiradas por mim na cidade do Porto a 30 de Agosto de 2010. Precisamente no dia de hoje há dez anos! 

E muito se tem falado este ano da crise do turismo por causa da pandemia. Os profetas da desgraça já falam em fome, nas sete pragas da bíblia, no regresso do Diabo... (respirar fundo) mas atentemos como era a cidade do Porto em Agosto de 2010.

Dá muito que pensar e refletir que, apesar da pandemia que estamos a viver, ainda assim as ruas do Porto têm hoje muito mais gente que em Agosto de 2010.

Praça da Liberdade quase vazia:



Convento dos Carmelitas e Praça Gomes Teixeira (Leões) vazias:



Livraria Lello e Rua das Carmelitas vazias: 



Praça da Ribeira vazia:



Cais da Ribeira com meia dúzia de pessoas:



Sé do Porto vazia:




Vista de São Bento com a Igreja dos Congregados ao centro, passa um autocarro de turismo e meia dúzia de pessoas a atravessar uma passadeira...


sábado, 3 de março de 2018

Ofereço-me para Trabalhar na Indústria Hoteleira Portuguesa

Farto de ouvir os empresários portugueses, especialmente os ligados ao turismo que, segundo eles, não encontram ninguém disponível para trabalhar no setor, motivo pelo qual não conseguem crescer mais e, por conseguinte, a economia portuguesa também ela deixa de poder crescer ainda mais, eu , num ataque de patriotismo, decidi desde já disponibilizar-me para trabalhar na industria hoteleira para qualquer trabalho indiferenciado. Seja fazer camas, limpar casas de banho, conduzir aqueles veículos arejados pela cidade com turistas, seja o que for. Faço o que for preciso. Aproveitem, têm aqui um trabalhador, de quem, julgo eu, nunca nenhuma entidade patronal teve o que dizer.

Estou pronto a abandonar a minha profissão, o ténis-de-mesa diário na empresa e, dois meses depois, ingressar nesta nova atividade. Não quero que fiquem novos hotéis ou novos negócios turísticos por abrir. Eu estou aqui! E digo presente! E todos os portugueses deveriam fazer o mesmo. 

É incompreensível que tantos portugueses abandonem o país, tantas vezes para trabalhar em hóteis, fazendo camas e limpando e que depois, em Portugal, os empresários do turismo não tenham gente para trabalhar! Não faz sentido nenhum.

Diário de Notícias
Mas por que é que os portugueses não querem afinal trabalhar em Portugal, no seu próprio país, onde têm família e amigos, e vão para tão longe trabalhar? Não fiz qualquer sentido não é?

Se calhar vão para tão longe, fazer as camas dos outros, limpar e trabalhar nos hotéis dos outros, porque se calhar os donos dos hotéis e empresários do turismo em Portugal querem é ter escravos para trabalhar. Não querem pessoas que recebam salários minimamente dignos. Querem é escravos, sem direitos, que trabalhem sábados e domingos, a troco - pasmem-se!! - de um salário médio de 632€ por mês!! Quando na maioria dos casos não contratam pessoas a falsos recibos verdes a troco de salários mínimos.

Pois bem, eu estou disposto a deixar a minha atividade e ir trabalhar para o turismo, e estou a falar muito seriamente, e nem exijo muito. Sé peço um mero salário mínimo. Mas é um salário mínimo do Luxemburgo. Arredondando são dois mil euros. E por um contrato de 2 mil Euros mensais, um mero salário mínimo do Luxemburgo, eu estou à vossa disposição para trabalhar no turismo, no que for preciso.

Ofereçam salários decentes. Deixem de ser um chupistas e de quererem ficar com o dinheiro todo. Portugal bate recordes no turismo, os empresários fartam-se de ganhar dinheiro, mas continuam a pagar salários miseráveis. E é por isso que as pessoas abandonam o país. Ofereçam salários decentes que as pessoas deixarão de abandonar o país. Deixarão de estar longe dos seus familiares e amigos, e trabalharão, com todo o gosto, fazendo no seu próprio país, as merdas que vão fazer para o estrangeiro.