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sábado, 13 de setembro de 2025

Sinistra Última Fotografia

Reparei agora a apagar fotografias que esta foi a última fotografia que tinha no telemóvel, tirada na casa onde vivi os últimos trinta anos.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

As Gatas Não Tiram Selfies



 Tinha acabado de sair da Adega, um dos restaurantes onde almoço e que também serve petiscos, e eis se não quando um gato (os meus colegas disseram que pelas cores é uma gata) começa a chamar por mim. Aproximo-me e começo a fazer-lhe umas festas e por aí estive um bom bocado, até reparar que faltavam quatro minutos para pegar ao trabalho. 

"Bem, tenho que ir", e ela salta do muro para o passeio e começa a vir atrás de mim, e fê-lo ainda uns quantos metros. 

As gatas da rua reparam em nós porque não andam com a cabeça curvada no telemóvel ou a tirar selfies, porque, infelizmente, hoje já ninguém repara em ninguém na tua. Só mesmo os animais. 

sábado, 25 de janeiro de 2025

O Amigo Canídeo


 Mudei de rotina. Passei a ir almoçar a outro tasco que até por acaso se chama Adega. Sopa, pão prato e bebida por 7€. No regresso venho por um local mais longo para caminhar um pouco mais e ver, ao longe, a Serra do Pilar e a Ponte Dom Luís. Até criei a rotina de, de vez em quando colocar uma fotografia da paisagem no Blusky, com a legenda: "Estado do tempo". 

Passo por várias vivendas, cada uma com o seu cão, cada um mais barulhento do que o anterior. Mas o cão da última casa não me late. Deixa-me fazer-lhe festinhas e tudo. Sempre atento ao que se passa. Até dá para lhe tirar umas boas fotografias como esta. 

sábado, 30 de novembro de 2024

Regressa Porto de 2010


Já aqui tinha mostradas as fotos da cidade do Porto que tirei em agosto de 2010, em que se vê uma cidade completamente deserta. O que eu não sabia e fiquei a saber foi que 2010 tinha sido o melhor ano do turismo até então. E talvez isto nos ajude a colocar as coisas em perspectiva. 

E qual Porto prefiro, o Porto de 2010 ainda intocado pela massificação do turismo, o Porto das putas e do cheiro a mijo, o Porto deserto às sete da tarde ou o Porto do melhor destino e dos hotéis, o Porto bem iluminado, dos hotéis cinco estrelas mas também o Porto do desprezo pelo STOP, o Porto sem portuenses, o Porto sem lojas típicas, o Porto sem livrarias e o Porto do vírus das lojas de ímanes e recordações?

Lamento, mas o progresso trouxe a miséria. Hoje, um solteiro como eu, com o salário mínimo, não conseguirá sequer pagar uma renda na sua própria cidade. O Porto expulsou as suas lojas e as suas pessoas. 

Lamento, mas eu preferia o Porto do mijo e das putas, o Porto mal iluminado ao Porto Best Urban Destination in the World de 2024. 
 

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

segunda-feira, 29 de abril de 2024

domingo, 21 de janeiro de 2024

Sítios Não Instagramáveis

A partir de agora só quero sítios não instagramáveis. Daqueles sítios em que, ao redor de centenas de metros, não veja um único ser humano. Sítios como o desta fotografia. 


 

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Starlet Trip 2023: Mais de 2 Mil Km Numa Semana a Conduzir um Chaço de 27 Anos


Pá, e se eu levasse o novo chaço velho, de 27 anos, nas férias para fazer mais de dois mil quilómetros e visitar cerca de vinte cidades? Vamos a isso!

No dia anterior fui ao cinema ver O Colar de São Cajó. Tinha estreado no início de agosto, mas fui adiando e, ou era agora, ou não era mais, porque o filme já estava a sair de cartaz e no grande Porto já só estava disponível na Maia. E, de facto, percebi que o cinema tem agora, como se diz, muito mais adeptos. Estavam comigo quatro pessoas na sala!

Saí relativamente cedo de casa e com a mala cheia de tralha! Primeira paragem Pateira e depois segui para Viseu e, entre outras coisas visitei o Museu Grão Vasco, Parque Aquilino Ribeiro, Mata do Fontelo, mas só um bocadinho porque aquilo é imenso! (ficará para outra oportunidade para ver mais em detalhe)


No segundo dia andei por Belmonte e Trancoso a seguir as pisadas dos judeus sefarditas... De manhã por Belmonte e visitei uma porrada de coisas com um bilhete único: Castelo de Belmonte, Museu Judaico e judiaria, Museu das Descobertas (estamos na terra de Pedro Álvares Cabral), Ecomuseu e quando cheguei ainda passei pela Torre Centum Cellas que, no entanto, já sabia que estava em obras, mas que, ao vivo pode ser só impressão minha, mas parece bem mais pequena que nas fotografias.

Depois de Almoço Rumei a Trancoso. Passei pelo Centro de Interpretação Judaica, Casa do Bandarra, Casa do Gato Preto, Casa de Judá. No Centro de Interpretação Judaica deram-me a indicação duma necrópole que ficava a 7Km, em Moreira de Rei, e que por lá haveria festa e "sardinha doce" (seja isso lá o que for). Lá chegado a edilidade ali estava, de microfone na mão, a fazer um qualquer discurso. Inaugurava-se o posto de turismo local. Várias pessoas de livros na mão, talvez para autografar. Minutos depois, no posto de turismo, chega uma simpática senhora, que parecia ter ali caído de paraquedas e quase não sabia indicar a tal necrópole. Apontou e lá segui nessa direção para ver a maior necrópole da Península Ibérica. 


O terceiro dia sofreu uma pequena alteração, porque, em vez de ir a Vilar Formoso tive que saltar para a Guarda visto que o museu junto da fronteira está fechado ao domingo. Fica também para outra oportunidade. Na Guarda uma pequena caminhada pela judiaria, mas antes, no posto de turismo, uma discussão sobre religião que estava a ficar um pouco quente com as minhas opiniões polémicas! 

Deixei a Guarda e rumei a Castelo Branco, quase exclusivamente só para visitar o Jardim do Paço Episcopal, jardim que, já por diversas vezes estive para visitar mas, por este ou por aquele motivo acabou por não acontecer. Depois farei uma publicação no Bucólico-Anónimo. 


Muitos quilómetros me esperavam pela frente. Saí de Almeida, parei na Guarda, acabava de visitar o Jardim do Paço Episcopal mas o destino era Elvas. Mas antes ainda queria parar em Nisa e haveria também de parar em Portalegre. 

Em Nisa fiz uma pequena visita de médico. Localidade que, pelo menos aquela hora, quase parecia deserta e não se avistava viva alma. 


Em Portalegre só deu mesmo tempo para uma paragem estratégica para esticar as pernas e ver o movimento na cidade à medida que a noite ia chegando. Este é o plátano do Rossio, na avenida da Liberdade:


Já caía a noite quando cheguei a Elvas. Instalei-me e fui jantar à Praça da República com vista para a Igreja. Mas o que mais me surpreendeu foi chegar a uma cidade que tem um enorme parque de estacionamento Público e gratuito! Já eu em Gondomar, seja para ir às Finanças, à Segurança Social ou à Biblioteca tenho que pagar. Considero abjeta a forma como se está a privatizar todo espaço público, porque, infelizmente, o dinheiro que deixamos nos parquímetros não vai para o Estado para ser investido na causa pública, no bem de todos, não!, vai sim para o bolso dum empresário.

Voltando a Elvas, na manhã seguinte acordei, quase tive que vender o cu para pagar a torrada que comi ao pequeno-almoço e depois fui caminhar pelo centro histórico.


De seguida atravessei a fronteira e enchi o pequeno depósito do Toyota Starlet 1.5D na GALP. E não deixa de ser curioso, em Portugal, a GALP que era uma empresa pública antes de ter sido privatizada pelo PS, é das mais caras, ironicamente, já do lado espanhol é das mais baratas. Abasteci a 1,70€, cerca de 20 cêntimos mais barato do que a média em Portugal.

Cheguei a Badajoz e arranjar estacionamento foi mais difícil do que pensava, mas, com calma lá arranjei estacionamento na rua e de borla. 

Nesta primeira cidade espanhola passei pelo Parque de Castela e Puerta de Palmas, visitei o espetacular MUBA (Museu de Belas Artes), o Museu Arqueológico (um bocadinho de forma apressada porque fechavam às 15h) e passeei pela Plaza Alta de Badajoz... 

E de Badajoz fui para Mérida. E a verdade é que, já nem me lembrava que Augusta Emerita era, no tempo dos romanos a capital da Lusitânia, que incluía quase todo o território atual de Portugal, ali abaixo do rio Douro. 


Em Mérida comecei por parar perto de um parque onde se pode ver o Acueducto de los Milagros, um aqueduto romano construído no século I. Muito fácil de encontrar, aliás, acho que foi o aqueduto que me encontrou a mim!, vi-o e dirigi-me para o parque. Depois de me esticar na erva do parque dirigi-me ao Museu Nacional Romano onde paguei 3€ pela entrada. 


Em Mérida comprei também um bilhete por 16€ que permite a visita a uma data de coisas romanas: Teatro, Anfiteatro, Alcazaba, Casa del Mitreo, Columbarios Cripta de Santa Eulália e Circo Casa del Anfiteatro, Templo de Diana, Área Arqueológica de Moreira, Templo de Culto Imperial.  

E, se em Elvas fui xulado ao pequeno-almoço, já em Mérida estive no Cafe Joplin, um espaço todo decorado com artistas do rock (o nome vem de Janis Joplin) comi umas belas tostadas com queijo e sumos e foi bem barato.


Depois de um dia em Mérida rumei a Sevilha para uma viagem de cerca de duas horas em autoestrada gratuita (como gratuitas foram todas as autoestradas que utilizei em Espanha). E quase no início de Outubro apanhei 37º de temperaturas. 

O quartel general ficou situado em Dos Hermanas, a sul do centro de Sevilha e a cerca de 15min do parque Maria Luísa, relativamente perto do centro da cidade e onde estrategicamente tinha pensado deixar o carro porque, com alguma paciência, arranja-se estacionamento gratuito na rua. 

Cheguei a Sevilha depois de almoço e com fome. O telecrã indicou-me que havia um centro comercial perto do alojamento e tratei de para lá me deslocar. Mas só vi roupa e calçado (a bons preços diga-se. Os gajos ganham mais do que nós e ainda têm as coisas mais baratas). A única coisa que havia era Mac Donalds e Burger King. E pronto, como a barriga vazia não se olha ao fast food, lá entrei no Burger King como um selvagem que acaba de chegar à cidade, na companhia de outra selvagem, diga-se! 

A menina foi simpática e teve toda a paciência para me ouvir e até me aconselhou na escolha. E depois explicou-me como é que, com o código de barras da fatura, lá encostava na maquineta e enchia o copo com a bebida. Maravilhoso admirável mundo novo!

O alojamento foi outra experiência, daquelas que, por norma, as pessoas pagam para viver. Mas eu só paguei mesmo os 90€ por duas noites. Situado no meio do nada, onde não há restaurantes e onde se chega por uma estrada toda esburacada e em pouco mais do que terra batida. O edifício parece uma antiga quinta, bastante espaçoso, com um grande parque, salas com beliches e nas traseiras pareceu-me ver bacias com roupa para lavar. 

Chamei-lhe "A Sanzala"! E, nem de propósito, a responsável era uma preta, já com uns quilitos a mais mas com paciência de menos. Espetava-me o telecrã junto à cara, como quem diz "fala para aí que isto traduz a ver se percebo o que tu dizes" e parecia preferir que eu falasse em inglês, ainda que eu percebesse quase tudo que ela dizia. E era tudo muito em cima do joelho, apontado no papel o meu nome e a identificação. Tudo ao contrário dos novos alojamentos em que muitas vezes nem sequer contactamos com humanos e temos que fazer uma verdadeira caça ao tesouro para conseguir o código que irá abrir a porta. A responsável da "Sanzala" lá me explicou que se chegasse depois das 22h tinha que pagar 5€ pela chave, que depois me seriam devolvidos, mas mais à frente mostrou-me um esquema em como era possível abrir o portão do parque e esgueirar-me para a habitation.

Um homem simpático que por ali andava, creio que mais novo do que eu, talvez de algum país da América do Sul, e que esclarecia que não era empregado mas que vivia por ali (companheiro da responsável da Sanzala?), mais do que uma vez falou-me da sorte que eu tinha, pois tinha ficado na melhor habitation porque tinha wc privativo e televisão. E é verdade, pelo menos a televisão era um enorme luxo que deu imenso jeito para ficar sempre desligada enquanto lá estive!

O quarto tinha enormes janelas, como imagino que todas as fazendas de escravos tenham. Eu pus-me logo à vontade, ainda não estava nu como um selvagem mas quase, e percebi que acendendo a luz do quarto, e ainda para mais porque estava no rés-do-chão se iria ver tudo para dentro. E então preparei-me para começar a fechar a persiana, eis que alguém de fora que estava ali encostado me surpreende, falando e disponibilizando-se que me ajudar! A coisa ficou ainda um pouco mais estranha quando o ouvi descontraidamente a peidar-se ruidosamente enquanto fumava!

A Sanzala era uma enorme fazenda, um enorme casarão que poderia ter sido uma fazenda de antigos escravos. Tinha uma cozinha enorme, espaçosa, comunitária, ótima para eu fazer o pequeno-almoço e aquecer a lanhasa que tinha trazido do hipermercado, no tal hipermercado em que um senhor a quem perguntei onde estava o queijo não percebeu porque para "queso" vai uma diferença do caralho e exclamou: "Ah, cheese"! Sim, em Espanha devo ter passado por ser de muitas nacionalidades diferentes, quer-me é parecer que nenhum espanhol « diria que eu afinal era... português!

Dois dias em Sevilha não dá para grande coisa numa cidade que tem mais habitantes do que Lisboa e que em qualquer recanto tem algo para ver. Há por isso que fazer escolhas. 

Andei pelo enorme parque Maria Luísa onde até visitei um museu de artes e costumes, e vi a imponente Plaza de España, andei pelos enormes jardins do Real Alcazar, caminhei junto ao rio e vi a Torre del Oro, visitei o Palácio Condessa Lebrija e claro, dei uma vista de olhos à catedral e à torre a que chamam Giralda. E ainda por aquela construção contemporânea a que deram o nome de Setas de Sevilha, e ainda visitei um centro de flamenco mas achei que não valorizaria ir ao espetáculo... Pelo meio ainda alimentei patos e gansos com aquelas bolachas feitas de esferovite que comprei para petiscar mas que são simplesmente horríveis. Só mesmo as aves e os meus colega de trabalho é gostam daquilo!

Plaza de España:

Parque Maria Luísa:


Palacio Condessa Lebrija:


Catedral e Giralda, Palacio, As Setas e Torre del Oro:

Real Alcazar:


Depois de Sevilha comecei a dirigir-me para sul para reentrar em Portugal por Vila Real de Santo António. Atestei o depósito em Ayamonte e passei por Faro para rever o Palácio de Estoi mas naquele dia o privado que abriu a pestana e que gere aquele espaço não deixava visitar. Revisitei a capela dos ossos de Silves e, ao fim da tarde, fui fazer aquele passeiozinho turístico de barco até às grutas de Benagil.  

Depois subi até Évora, onde visitei a Capela dos Ossos e o Templo Romano. E a viagem já estava no último dia e só haveria de fazer mais uma parecem, no castelo de Porto de Mós, antes de regressar à minha caverna.

Évora:


Antes de chegar ainda carreguei na mala do Stalet uma porta para o carro, porque a do lado do condutor está um bocado podre! Lá tive que retirar os sacos para fora e tentar conseguir acondicioná-la da melhor maneira, a ver se cabia, mas veio e chegou inteira! 

Foram 2100Km em sete dias. Um bom teste ao chaço que está comigo há um ano, e que quando cheguei passou os 300 mil Km. Sempre que andei em auto-estrada, e foram muitos quilómetros, nunca devo ter passado os 100Km/h porque há que saber o carro que temos. E não raras vezes ia a conduzir e botava um olho na estrada e outro no indicador de temperatura do quadrante!

Tirando um ou outro pormenor, o importante é que correu tudo bem. 


terça-feira, 17 de outubro de 2023

Estátuas que Dizem Coisas

 Há estátuas que parecem dizer coisas.

Esta, por exemplo, parece dizer:

"Olha que chatice, parece que estou a ficar com as nádegas descaídas"!

domingo, 17 de julho de 2022

Cheguei às Portas do Céu... mas Achei Melhor Não Entrar!


 
Tínhamos ficado a dormir em Valença num alojamento todo modernaço dentro do Forte. Percebi também este ano, depois de dormir em vários alojamentos de norte a sul do país, que agora para conseguir entrar finalmente na porta do quarto que nos tocou em sorte é preciso uma espécie de "caça ao tesouro"! 

Em Bombarral foi assim:

1. Abra o portão da rua que está aberto. 

2. Suba ao segundo andar.

3. Junto à porta do apartamento vai encontrar um pequeno cofre

4. Insira o seguinte código... 

5. Quando sair tranque tudo e deixe as chaves n caixa do correio

No Forte de Valença a caça ao tesouro foi diferente, porque, como referi, a coisa era muito mais modernaça. E aquela receção com secretária e cadeira e tudo, mas sem ninguém? Nem sei como é que seria se eu quisesse pedir o livro de reclamações! Mas pronto, também não houve motivos para reclamar porque tudo era perfeito. Quase demasiado. 

No último dia saíamos de Valença e fomos passeando, tranquilamente enquanto observávamos a vista do rio. Paramos em Cerveira, e depois ela mostrou-me uma imagem de um Miradouro que tinha visto no Instagram. O Google Maps não estava a ajudar, mas se era miradouro tinha que ser num sítio bem alto. Olho em volta e deixa com o tal Miradouro Portas do Céu ou Espírito Santo...  

Pode-se dizer que cheguei mesmo às Portas do Céu... mas achei melhor não entrar! até porque o tombo é grande!


quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Caravana do PAN


 Pausa de almoço. Resolvi ir ver como estavam as magnólias do Parque da Quinta das Devesas. Perto da entrada, cruzo-me com um carro vazio de humanos e com um cão ao volante. Certamente deveria ser um cãodidato a seguir para uma caravana do PAN.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

De Olho em Ti

"A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens mas sim em ter novos olhos".

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Ah e Tal as Pessoas Gostam é de Ver Gatinhos na Net

 


Demos fé que a eletricidade tinha faltado já estávamos a almoçar. A chuva tinha parado. A minha mãe do nada diz "aquela laranja tem um bico"? Eu olho e, à distância, parece-me uma ilusão ótica. Mas não há problema. Vou ao quarto, pego na máquina fotográfica com a lente de 300mm e disparo. Era o que eu pensava: uma ilusão ótica perfeita, mas não deixava de ser uma ilusão ótica. Um folha por trás, como que colada à laranja, balouçava no mesmo ritmo da balança, fazendo parecer que a laranja tinha de facto um bico, ou como se fosse uma laranja com uma máscara dos tempos da peste negra.

Aproveitando o facto de estar com a máquina fotográfica começo a seguir o gato. Aquele que nasceu aqui, e que é "nosso" mas que ninguém mete a mão. Ele vai para o meio da erva e eu disparo várias vezes conseguindo uma ou outra fotografia razoável. Decido colocar no Instagram. 

No dia seguinte, ontem, andava lá por casa a telejardinar e olho para o espaço das tartarugas, totalmente renovado, e vejo a tartaruga em cima da pedra que eu ali tinha propositadamente colocado para que elas ali se fossem esticar ao sol. Tinha pensado bem! Elas iam gostar daquela pedra ali. Decido pegar no telecrã e tirar uma fotografia, que, também depois coloquei no Instagram. 

Conclusão, fui agora passar os olhos na minha conta e, qual é que acham que teve mais gostos? Pois bem, foi a fotografia das tartarugas, e de longe. Mais do dobro! Gatinhos? Pfff!

domingo, 24 de janeiro de 2021

Por Todo o Mundo Falam de Portugal Por Causa da Pandemia mas Mostram a Fotografia Deste Café?


Ontem passava os olhos por notícias no estrangeiro até para perceber o que se dizia de Portugal e deparamo-me com esta fotografia. Olhei melhor e pensei "Espera lá, mas isto não é um Hospital! Isto é a montra de um café"! Num hospital não há montras com lanches e croissants! 

Agora com certeza que os diferentes sites de informação não se lembraram todos de pegar nesta imagem do nada. Esta foto é da Associated Press, uma agência de notícias independente, que lança as notícias e depois muitos outros pontos de informação vão lá bebê-las. 

Movido pela curiosidade decidi tentar investigar e com recurso ao Google Maps consegui mesmo chegar à identificação! Isto é na rua Silva Carvalho em Lisboa, e está sinalizado com sendo um edifício da Sociedade Filarmónica Aluno de Apolo. 

Alguém precisa de um detetive?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

As Pessoas Enganam-se Tanto


Primeiro fim-de-semana de novo pseudo-confinamento. Mais uma camada de geada a deixar tudo branco no monte e nas ruas, mas também um belo dia de sol, antes da chegada da chuva, amanhã. Decidi ir fazer o meu "passeio higiénico", neologismo que dá para as pessoas justificarem tudo aquilo que não seja o seu dever de estar em casa confinadas e, logicamente que neste caso contra mim falo porque também saí, ainda que, em minha defesa, possa dizer que quase não me cruzei com viva alma. 

Peguei na bicicleta e fui fazer um pouco de exercício, não que já esteja propriamente redondo, mas, principalmente, arejar um pouco em véspera de mais uma semana de "trabalho". Resolvi ir para montante do rio Douro, aldeia vizinha e freguesa anexada e fui explorar uns caminhos ali pela beira do rio. 

Saí de mochila às costas e roupa comum, botas e caças de ganga justas e elásticas, porque não sou daqueles que para andar de bicicleta têm que vestir o equipamento desportivo todo, como se fossem fazer a volta a Portugal. Saí agasalhado, com gorro preto na cabeça e óculos de sol. Cabelos esvoaçantes e barba de duas semanas. 

Por onde passava e se me cruzava com alguém, educadamente dizia "boa tarde". Imagino que para quem me leia e que viva na cidade isto pareça estranho, mas nas aldeias, quer as pessoas se conheçam, ou não, sempre foi normal cumprimentarem-se, e não vergarem simplesmente os cornos ao chão, fazendo de conta que não vêem ninguém. Até me estou a lembrar, dos sítios onde fui fazendo caminhadas, sempre vi o bom hábito das pessoas se cumprimentarem. Em Espanha, por exemplo, sempre que me cruzava com alguém, quer na Senda Del Cares ou nos Lagos de Covadonga ouvia sempre um "Holla!". 

Então sempre me pareceu natural e instintivo cumprimentar quem passa. Ontem, infelizmente, várias vezes do outro lado respondia-me o silêncio. Numa das ruas, de boas vivendas (a aldeia vizinha não é como a minha, pobre, até porque em tempos até já foi sede de concelho) mas entretanto chego a um cais onde estavam dois pescadores a pescar e, minutos depois, no regresso, cruzo-me de novo com o senhor, um dos que não me respondeu e vi-o a fechar o portão da sua bela vivenda, não fosse eu decidir, sei lá, assaltar-lhe a casa, em pleno fim-de-semana de confinamento com toda a gente em casa!

Pedalar calmamente também é bom para pensar. E eu refletia como há coisas que não mudam. Há uns anos lembro-me (já não sei se contei esta história aqui no blogue) que uns emigrantes radicados em França, numa altura em que estavam de novo cá na aldeia, ficaram estupefactos a olhar para mim quando passei por eles na rua. E eu não vi essa surpresa, mas ouvi ao longe uma vizinha, que seguia no carreiro do campo de carro-de-mão carregado: "Não tenhais medo, é o filho da Rosa Maria"!

E, não deixa de ser muito curioso que, ainda por estes dias em conversa com a minha amiga carioca dizia-lhe que nunca me senti muito discriminado em Portugal por causa deste meu aspeto mais "exótico". E exótico talvez seja uma bela palavra quando tantas vezes sou interpelado em inglês no meu próprio país. Mas, para o bem ou para o mal, nós somos sempre vítimas ou reféns da forma como nos apresentamos e do nosso aspeto físico. No entanto eu sempre arranjei empregos e nunca senti propriamente que o meu aspeto fosse um entrave a fazer a minha vida normalmente. Há sempre reserva e medo com aquilo que não se conhece, ainda que, digo eu, eu não devesse ser motivo para que sejam mal educados quando passo.

Por outro lado, não deixa de ser irónico, que, se um qualquer meliante se vestir bem, como qualquer "pessoa de bem" (expressão muito em voga pelo candidato fascista) e usar um fato e gravata, e for por aí pelas aldeias dizer que vem trocar as notas de Euro, porque como agora o Reino Unido saiu da União Europeia, tem que se retirar do mapa aquele país, aposto que as pessoas os recebem quase de braços abertos. É assim a sociedade, sempre a julgar pelas aparências, e, como diz a minha mãe: "as pessoas enganam-se tanto". 

sábado, 2 de janeiro de 2021

PAREIDOLIA


 Em crianças a maioria de nós em algum momento olhou para as nuvens e viu ou imaginou formas. Paridolia é isso, um fenómeno psicológico, a perceção de ver caras em nuvens ou em objetos, porque segundo dizem os especialistas o nosso cérebro foi programado desde há muito e desde pequenos para identificar muito rapidamente caras em todo o lado. Entretanto crescemos mas há pessoas já bem adultas que se dedicam a colecionar essas imagens. Ontem, numa caminhada aqui pela aldeia, ao passar por esta casa abandonada olhando para ela lembrei-me disso porque parece-me evidente que podemos ver uma cara (uma espécie de smile) .

sábado, 26 de dezembro de 2020

Porque é Que os Asiáticos Resolveram o Problema Pandémico e os Ocidentais Não?

 Ontem, dia de Natal, a grande generalidade dos portugueses ainda estava a dormir porque se deitou muito tarde porque ficou à espera do Pai Natal que este ano não veio porque lhe mataram as renas todas na Quinta da Torre Bela e já eu andava de bicicleta junto ao rio Douro. Mas não satisfeito, logo após o almoço que aqui em casa dos meus pais é sempre ao meio-dia, meti a bicicleta no reboque e rumei em direção à cidade do Porto. Deixei o carro a três quilómetros do Freixo, peguei na bicicleta e fui dar uma volta, para exorcizar do meu corpo os últimos vestígios de bolo-rei da noite anterior. Fiz o passadiço de Valbom e rumei ao passadiço de Rio Tinto, passando pelo Parque Oriental. 

Ainda era cedo e fui vendo poucas pessoas a caminhar. Maioritariamente ninguém usava máscara, e na rua, a caminhar ao ar livre eu também não vejo grande problema com isso uma vez que o distanciamento facilmente se consegue. Eu também não ando de bicicleta com a máscara colocada, ainda que de vez em quando lá passa uma pessoa com ela colocada. 


No entanto, comecei a prestar atenção. Passo por um casal de asiáticos (eu não os distingo, se são japoneses, chineses, coreanos ou vietnamitas!) e ambos com a máscara corretamente colocada. Adiante outro asiático de meia-idade, sentado num banco com uma criança, também de máscara colocada corretamente. Depois de feito o passadiço de Rio Tinto decidi rumar até à Ponte da Arrábida e ao Jardim do Passeio Alegre. Fui passando por cada vez mais pessoas na rua quando me aproximei do jardim, e aí já ia vendo mais pessoas com máscara mas a grande maioria não usava. Continuo a dizer que isto não é uma crítica, é unicamente uma constatação, pois o que a lei diz é que o uso da mascara só é obrigatório quando o distanciamento não é permitido, e relembrar que estamos a falar de espaço ao ar livre. Mas fui contado, e a verdade é que passei por uns dez conjuntos de asiáticos e, sem exceção, estavam TODOS de mascara e corretamente colocada.

Sobre a China muita gente coloca dúvidas como é que eles erradicaram o vírus tão rapidamente e já fazem a sua vida normal e vão aos bares e discotecas. Colocam-se dúvidas porque é um regime autoritário que não cumpre os direitos humanos e devemos sempre ter cautela com as informações que de lá vêm. Contudo a China não foi o único país asiático a resolver o problema da pandemia, foi a grande generalidade. O Japão, por exemplo, pertence ao G7 (os países mais industrializados do mundo) e é de todos eles o país que está melhor. 

Podem-me dizer que por aquelas bandas eles estão mais preparados porque já convivem com as máscaras há mais tempo e é verdade. Em muitas cidades chineses sei que já se usava máscara simplesmente para as pessoas se protegerem da poluição. Existe essa familiaridade com esse objeto que para nós, excluindo as pessoas que já as tinham que usar nos seus trabalhos, era ainda uma novidade. 

Mas os asiáticos resolveram os seus problemas com a pandemia porque cumprem! Os asiáticos que estão em Portugal poderiam comportar-se como qualquer português e não usar a máscara, ou usá-la no queixo, mas não, eles usam-nas sempre e de forma correta. Estão em Portugal, e aqui não há nenhum regime autoritário de pontos que os possa prejudicar. Da Ásia também conheço nem ouvi falar em grupos negacionistas como aqui na Europa, e que infelizmente chegaram também a Portugal, que são contra o confinamento e contra o uso das máscaras como os conhecidos grupos de mentirosos pela verdade.

Os asiáticos têm um sentido de comunidade muito forte. Ajudam-se uns aos outros e respeitam o próximo. Nós portugueses e ocidentais em geral, só pensamos no nosso umbigo. Devemos guardar distanciamento e respeitar as regras para que a pandemia acabe mais depressa? Nada disso, eu faço o que me apetece e ninguém manda em mim e têm que respeitar a minha liberdade individual de ser um atrasado mental.