Há uma certa classe política e muitos saudosistas do tempo da sardinha-para-três, que defende que o Salazar nasceu e morreu pobre, mas será mesmo assim?
Ciclicamente, a revista Sábado regressa ao tema de Salazar, e desta vez o tema é o património do ditador.
Basta só pensar um bocadinho. Se Salazar tivesse, de facto, nascido pobre teria podia ir estudar?, ainda para mais para a universidade de Coimbra? Obviamente que não. No início do século XX Portugal era um país muito pobre, a maior parte das pessoas não sabia sequer ler e escrever, e os filhos serviam para ajudar os pais na agricultura.
E, ao contrário do que muitos querem romantizar, Salazar, não nasceu pobre - comparado com a média das famílias daquele tempo - muito menos morreu pobre.
De forma muito sintética:
- Salazar recebia naquele tempo o mesmo que recebe hoje o primeiro-ministro português
- Comprou terrenos e outros bens e deixou mais de 100 mil € no banco
- De 1939 até 1970 viveu sem pagar qualquer renda
- Usava os serviços do Estado em benefício próprio
- Teve direito a uma subvençãozinha vitalícia
- Não menos importante, num tempo em que a população bem sequer tinha direito a um Serviço Nacional de Saúde, universal e gratuito, a doença de Salazar custou aos cofres do Estado cerca de dois milhões de euros.
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