quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Por Que é Que os Putos Agora se Chamam Todos Tomás, Martim, Afonso e Bernardo?

"Antigamente, quando eu era menino, ouvia dizer que às crianças só se punham nomes de santos ou santas (...)
Parece que já não queremos Anas nem Marias, Catarinas nem Joanas, e vamos entrando em outra onomástica, para variar o aspeto às pessoas. Tudo serão modas neste mundo, exceto as estrelas e eu, que sou o mesmo antigo sujeito, salvo o trabalho das notas diplomáticas, agora nenhum.

Memorial de Aires / Machado de Assis / 1908




Quando eu fui para a escola primária, os nomes dos colegas eram, entre outros: Ana Isabel, Paulo Jorge, Sílvio Telmo, Carlos Manuel, Eva Manuela, Hélder Azevedo, Nuno André, Raimundo, Andreia e Mónica.

Ainda não percebi porquê, mas agora os putos chamam-se todos Tomás, Martim, Afonso e Bernardo. Certamente, como escreveu o Machado de Assis há mais de cem anos, será alguma moda, que veio não sei de onde mas que me escapou. 


domingo, 26 de agosto de 2018

Expressões Idiomáticas: A Cura

Na sexta-feira aleijei-me bastante.
Hoje, domingo, já estou muito melhor.
Tal como se costumava dizer por aqui:

"Em carne de cão, três dias está são".

Telegraph

Como a Imprensa Portuguesa Trata um Campeão do Mundo

Ontem, dia 25 de Agosto, Fernando Pimenta, canoísta de Ponte de Lima e atleta do Sport Lisboa e Benfica, sagrou-se Campeão do Mundo de K1 1000 metros nos campeonatos do mundo que estão a disputar em Montemor-o-Velho.

Ser campeão do mundo não é propriamente uma coisa que aconteça todos os dias, por exemplo, no futebol o melhor que conseguimos foi um terceiro lugar em 1966. Nunca sequer fomos a uma final de um campeonato do mundo em futebol. E, por ser algo tão raro de acontecer, deverá ser, digo eu, digno de destaque na imprensa, certo? Então vamos ver que destaque deu hoje a imprensa portuguesa a um feito desta envergadura. 

Comecemos pelo escarro jornalístico mais vendido no país. Olhemos para a capa e o que vemos? Nada. Zero! Nem uma só referência. O pasquim consegue falar de tudo, dos jogos da bola, dos drones, da Cristina Ferreira, da Rute Marlene, do António Costa, do Papa, dos velhinhos, de um bar de alterne, mas um atleta sagra-se campeão do mundo e nada. Nem sequer merece aparecer na capa:


No Jornal de Notícias o feito de Fernando Pimenta consegue uma chamada de atenção por cima do título. É menos importante que os jogos da bola e menos importante que a exclusividade dos médicos:

E para o jornal Público, provavelmente o melhor jornal diário português, qual a importância de um campeão do mundo? Também nenhuma. O Público fala dos médicos, da alimentação, dos jogos da bola, da político, do lixo das ruas, mas um atleta sagra-se campeão do mundo por Portugal e isso não é minimamente importante para ser destaque. 


Mas se os jornais diários generalistas ignoram o feito de Fernando Pimenta, por certo que os dito jornais desportivos que lhe darão grande destaque não? Infelizmente não. São umas pequenas chamadas de capa sem a mínima relevância. Relevante para os jornais futeboleiros foram os jogos da bola de sábado. Isso é que é importante, um campeão do mundo - que é que isso interessa? Ainda assim, de todos os jornais, generalistas e futeboleiros, o maior destaque, diga-se, foi para o jornal A Bola:


É assim que a nossa imprensa se interessa pelos atletas que não são do futebol. Em Portugal a única coisa que para os média interessa é o futebol. Tudo o resto, mesmo quando os atletas são campeões da Europa ou do Mundo é como se não existisse.

Mas chega um dia em que os jornais e televisões se interessam pelos atletas portugueses. Isso acontece de quatro em quatro anos. Acontece no Verão, quando geralmente não há notícias sobre coisa alguma para dar - detalhe importante: porque não existe futebol! - e de quatro em quatro os média interessantes pelos atletas nos Jogos Olímpicos. Durante quatro anos ignoram completamente todas as outras modalidades, mas depois, aparecem, como sanguessugas para cobrar medalhas, normalmente para criticar e dizer mal, quando durante quatro anos  ignoraram completamente os atletas. 

E é pena, é mesmo pena que o desporto em Portugal se resuma a uns pontapés numa bola, modalidade essa em que, nunca sequer fomos campeões do mundo, como o Fernando Pimenta foi ontem.

P.S.: E enquanto eu escrevia isto, Fernando Pimenta ganhava uma segunda medalha de ouro.

Coisas que se Completam Anos Depois

Três anos depois completei a triologia "Antes do Amanhecer". 
Sim, logicamente que não precisaria de tanto anos. Bastaria pegar em pouco mais de dez euros, comprar o filme e coleção completa. Mas se algum leitor-fantasma me lesse há algum tempo, saberia que eu não preciso de ter tudo no imediato. O prazer está na viagem, não está em chegar ao destino depressa. Até porque, quanto mais depressa alcançarmos o que desejamos, se calhar, mais depressa matamos a coisa desejada.


Foi uma das melhores amigas que conhecendo-me muito bem, me, apresentou o primeiro filme, naquele que foi o seu grande amor da sua vida: o seu Sony Vaio. E, soube por estes dias, ainda está aí para as curvas, ao contrário daquele que o veio substituir, e que rapidamente deu o peido em três tempos.

De imediato fiquei encantado com o filme. Acho mesmo que tem a melhor cena de engate de sempre . Seria também com esta amiga que iria ao cinema ver este último "Antes da meia-noite". E se o primeiro filme é o mais encantador e romântico e, se o segundo é  sobre tudo aquilo que poderia ter sido e não foi porque quando somos mais jovens cometemos o erro de achar que iremos encontrar imensas pessoas ao longo da vida com as quais iremos ter aquela cumplicidade, este terceiro e último filme (até ver) é menos fácil de se gostar, porque é o constatar de que, com o passar do tempo, as relações têm o seu desgaste e as pessoas acumulam frutrações e, ao contrário do último episódio das novelas, essa coisa do "viveram felizes para sempre" não existe.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Panteão da Memória

Diz a Constituição que somos todos iguais. Pois, deveríamos, porque nem na morte somos iguais. Uns morrem e são enterrados como indigentes; outros a maioria, leva com um calhau bem pesado em cima; outros ainda constroem uma casa no cemitério porque não querem cá misturas; e por fim, no topo, a malta que vai para o Panteão por decreto político! Mas não esquecer ainda o outro Panteão: o da Igreja Católica-Pedófila! Ah pois é, o Panteão dos Cardeais, porque os cardeais não se podem misturar com a ralé! Nada disso! Cardeal só por ser cardeal vai logo para o Panteão!

E vem isto a propósito da proposta da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) ter proposto a transladação dos restos mortais de Zeca Afonso para o Panteão e da família, hoje, num comunicado, ter-se manifestado contra, visto que, essa nunca que seria a vontade do músico. 

Esta proposta da SPA faz-me lembrar a posição da Igreja Católica em relação à  bonecada. Lá na bíblia, aquele manual de maus costumes (como dizia o Saramago) lá que eles inventaram que é a "palavra de Deus", diz, expressamente  que estão proibidos de adorar bonecos e imagens, contudo, a Igreja lava as suas mãos, e é ver as igrejas todas enfeitadas de bonecos de barro, e é ver agora no Verão, nas festinhas da terra, onde se mistura o profano com o religioso - vale tudo menos arrancar olhos! - e também as procissões estão cheias de adoradores de bonecos de barro que os carregam ao lombo.

E com Zeca Afonso foi a mesma coisa. O homem, que foi um senhor, um verdadeiro multi-resistente, que sempre recusou homenagens e condecorações, e querem agora, contra a sua vontade suprema, levá-lo para o Panteão! Que puta de ironia! E o que eu acho é que, o melhor panteão, onde muito poucos entrarão e o Zeca Afonso já há muito lá está, é no Panteão da Memória. 



quarta-feira, 15 de agosto de 2018

O Misantropo e a Vagabunda

"Não ver ninguém para conhecer todos, e ver todos para não conhecer ninguém"

- E o teu irmão?
- Compreendo o que queres dizer. Como é que, tendo o mesmo sangue, em vez de ser vagabundo como eu, é um misantropo, imobilizado como um cristal no meio do gelo? Explico-te: sou mulher: forte, como mulher, forte para reagir, forte para me defender; mas fraca para reagir contra mim mesma, fraca para me defender da minha melancolia.

"Meu irmão é forte: não tem necessidade de ver os aspetos caleidoscópicos da vida das cidades e de mergulhar na multidão para dominar a própria dor. Ele pensa, como Nietzsche, que a filosofia é via livre no meio dos gelos, no alto da montanha; é a procura de tudo que há de estranho e de enigmático na existência; de tudo que é vedado pela moral. 

Meu irmão segue um regime de solidão para higiene do espírito: impelido pela necessidade de conhecer todos os homens, afastou-se de todos e observa-os de longe; eu, para não conhecer nenhum, para não me afeiçoar a nenhum, procuro aproximar-me de todos. E, desse modo, o solitário misantropo e a irrequieta vagabunda acharam-se de acordo sobre o mesmo ponto, chegando a duas conclusões simétricas e equivalentes; não ver ninguém para conhecer todos, e ver todos para não conhecer ninguém". 



A Virgem de 18 Quilates - Pitigrilli (1924)

Procuro Cara Metade... ou O Azar de Ficar com a Metade Errada



O Banco de Portugal substitui as notas de euro mutiladas ou danificadas por uma nota de igual valor apta a circular se:
- A autenticidade da nota for confirmada; 
- No caso de nota mutilada, a fração da nota apresentada for superior a 50% ou, não o sendo, for produzida prova bastante da destruição da parte em falta.


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Poses de Estado (3)


Todos Somos Escravos

"Não há razão, caro Lucílio, para só buscares amigos no foro ou no senado: se olhares com atenção encontrá-los-ás em tua casa. Muitas vezes um bom material permanece inutilizado por falta de quem o trabalhe. Tenta, pois, e vê o resultado. Tal como é estupidez comprar um cavalo inspecionando, não o animal, mas sim a sela e o freio, assim é o cúmulo da estupidez julgar um homem pela roupa ou pela condição social, que, de resto, é tão exterior a nós como a roupa. "É um escravo". Mas pode ter alma de homem livre. "É um escravo". Mas em que é que isso o diminui? Aponta-me alguém que o não seja: este é escravo da sensualidade, aquele da avareza, aquele outro da ambição, todos são escravos da esperança, todos o são do medo.

Posso mostrar-te um antigo cônsul sujeito ao mando de uma velhota, um ricalhaço submetido a uma criadita, posso apontar-te jovens filhos de nobilíssimas famílias que se fazem escravos de bailarinos: nenhuma servidão é mais degradante do que a voluntariamente assumida. Aí tens a razão por que não deves deixar que os nossos tolos te impeçam de seres agradável para com os teus escravos, em vez de os tratares com altiva superioridade. É preferível inspirar respeito do que medo. (...) Quem é respeitado é também amado, ao passo que o amor nunca pode ir de par com o medo.

"Cartas a Lúcio" / Séneca



quinta-feira, 9 de agosto de 2018

O Segurança do Lidl de Dark

Os meus colegas de trabalho já me tinham avisado: "se viste alguma coisa interessante do folheto do Lidl vai já lá, porque o pessoal limpa tudo. Às vezes até vão para a porta à espera que abra". E eu fui. Comprei uma das coisas, a outra deixou-me a pensar se se valeria a pena e não trouxe... mas depois achei que, se calhar, até poderia ser uma compra aceitável e até me iria dar jeito naquele mesmo dia. 

Já tinha ido ao Lidl de Viana do Castelo mas já lá não tinha nada. Até que deixei a cidade e rumei a sul. Deixei o rio Lima para trás, e resolvi ir ao Lidl ali de uma terra que se chama Dark! Haverá nome mais fixe? De onde é que tu és? Sou de Dark! 
Estacionei, entrei na grande superfície, dirigi-me ao local onde por lá deveria encontrar a dita coisa, mas também nada. Bom, toca a ir embora e sair sem compras. Olho para o segurança e faço-lhe sinal se poderia sair por ali. Este diz-me que sim, mas aproveita para fazer um comentário sobre a t-shirt que eu envergava. 

E este foi o pequeno sinal, como se na verdade pertencêssemos a uma sociedade secreta - à espera da contra-senha  - para confirmarmos que pertencíamos à mesma tribo. Bom, na verdade, como lhe disse, já não sei se ainda pertenço a alguma tribo, sou mais uma alma negra perdida por sua conta e risco. 

Este segurança - que tem o mesmo nome que eu! - tem postura. Durante o tempo que por ali estivemos a conversar, bem sei, no seu posto de trabalho, estava sempre atento. Enquanto eu ia debitando conversa, ele observava atentamente as movimentações das pessoas, e dizia-lhes se podiam entrar com sacos, verificava o porquê de ao entrarem accionarem o alarme, e fazia recomendações para a próxima vez que ali vierem. Uma postura educada, disponível, tranquilo, não demasiado simpático (porque não tem de o ser), mas extremamente profissional.  

Falamos de bandas que ouvimos, de antigos festivais, das bandas portuguesas, do STOP, do Metal Point, do Festival de Barroselas. Dos vocalistas que se cortam em palco. Falamos das nossas vidas. Ele que está com a mesma mulher (que é do meio) há doze anos; eu que, depois de muitos anos a calcorrear esses caminhos metálicos na companhia da mesma pessoa, caminho agora sozinho há muitos mais anos ainda. 



Das pessoas que não interessam nem ao Diabo, o querido amigo 666. Os falsos satânicos. Os fariseus. Os vendidos. Os outros tempos. Os novos tempos. Como quando as coisas não são tão fáceis nós lhe damos tanto mais valor, e como quando temos a papinha, como agora, toda feita já não sabemos aproveitar. 

Se calhar passei ali demasiado tempo a falar com ele, que estava no seu local de trabalho. "Já estão a olhar para mim, a controlar-me". Percebi a mensagem. Era a senha para eu me despedir. Cumprimentei-o efusivamente, desejei-lhe tudo de bom, tal como me despeço de todas as pessoas: como se nunca mais as fosse ver, e voltei para o carro para continuar a seguir viagem. 

O dia estava muito agradável, vinte e pouco graus. No rádio tocava, baixinho, o "Romantic Tragedy's Crescendo" de 1998. A minha cabeça pensava naquele encontro imediato e nas vicissitudes da vida. E de repente, já estava na Maia, e numa rotunda vi mais uma seta a anunciar outro Lidl à esquerda. Bom, deixa-me ir lá ver se este ainda tem alguma coisa. Fui novamente ao sítio onde aquilo deveria estar e, o desânimo: tudo vazio. A barriga já dava horas. Bem, deixa-me mas é ir comprar qualquer coisa para comer. E, de repente: "Que é que estás aqui a fazer"? Eu olho e era o Torrejõn!, acompanhado da sua cria mais pequena de quatro anos! Este foi outro encontro imediato que fica, quem sabe, para contar depois...

... mas o mais fantástico disto tudo é pensar que, se na quinta-feira eu tivesse comprado aquela simples tesoura de poda por 9€, nada disto me tinha acontecido.

Conversas Improváveis (30) - A Amizade Não Deveria Ser Incondicional?

O Nuno quer namorar comigo. 
Mas já sei que se lhe disser que não, ele vai desaparecer, nunca mais o vejo e vou perder um amigo.

Depois é a Marta. Ela é lésbica mas também já percebi que está interessada em mim pela forma como se comporta comigo. Mas também já sei que se lhe disser que não quero namorar com ela, e que só quero ser amiga dela, que também ela vai desaparecer. 

Eu sou teu amigo. Por mim tanto podes namorar com o Nuno como com a Marta como podes não namorar com ninguém. Se eu sou teu amigo não vou desaparecer porque então não seria teu amigo. E faz-me um bocadinho de confusão essas amizades com um interesse associado. Eu sou teu amigo, ou faço-me passar por teu amigo, se puder obter algo de ti em troca. A partir do momento em que percebo que já não tens nada para me dar eu vou pregar para outra freguesia. 

Mas a amizade não deveria ser desinteressada e incondicional? 




domingo, 5 de agosto de 2018

Férias Sim - Mas só Quando o Patrão Quiser

Estou de férias, ponto final. Conseguiram sentir a emoção? 
Pois, se calhar não. Ao que parece, segundo me têm transmitido ultimamente, agora as pessoas deixaram de conseguir interpretar um texto, mesmo que esteja muito bem adjetivado e com pontuação correta. Se as frases não tiverem bonecos, então, ninguém vai entender nada!

(Ainda assim, pergunto-me o que irá acontecer à ironia e ao sarcasmo... Se a escrita, como a conhecemos, tem os dias contados, e as pessoas passarão só a entender-se com bonecos - como é que se vai usar a ironia? É que a ironia não é explícita, é uma forma indireta de passar a mensagem, e se se disser antes ou depois que é ironia perde a piada.)

Mas sim, estou de férias. Não, não estou extremamente animado com isso. 
Conseguem perceber mesmo sem um boneco com uma emoção? Vejam lá, não fiquem com a ideia errada do texto! Vou repetir muito devagar como se faz quando encontramos um estrangeiro que nos pede informações:

Es-tou de Férias. Van-can-ces oui? Understandes? Férias? Vacaciones? Holidays? Si? Pressupuesto?! 
E Não! Não estou extremamente contente com isso. Já chegaram lá? Ótimo!



Nunca que no meu juízo perfeito marcaria férias em Agosto. Nunca. Jamais (pronunciem em francês faz favor) em tempo algum. Em Agosto o tempo nunca está bom - quem é que vai andar a passear com 45 graus? Depois tudo é mais caro. Tudo está cheio de gente em todo o lado. Sim, até nas aldeias com o regresso do imigrantes e de alguns que ainda por cima vêm casar. 

Sim, pode-se dizer que estou de férias compulsivas. Porquê? Porque o Código do Trabalho assim o permite. Como ter vinte e dois dias de férias por ano (que já foram vinte e cinco) já é uma enorme benesse! (vejam lá se querem trabalhar de sol a sol por uma côdea de broa e um copo de vinho como antigamente!) e para quem é obrigado a trabalhar oito horas por dia, cinco dias por semana, então, ao fim de um ano, podemos gozar férias sim, mas nada de se esticarem! Gozam férias sim, mas quando os patrões quiserem! Não é extraordinário?

Conseguiram apanhar a emoção do texto? O tédio e a revolta? Por via das dúvidas o melhor será eu ilustrar o texto com uma imagem apropriada!

Só Há um Meio de Nos Defendermos da Opinião Pública

- Não te preocupes com a opinião pública - advertia-lhe ela. 
- Se te virem com uma mulher elegante, serás rufião; 
se for com tua mulher, corno;
com um amigo pederasta; 
se andares só, onanista.

Só há um meio de se defender da opinião pública: suportá-la. 



"A Virgem de 18 Quilates" - Pitigrilli (1924)

Ciclismo - Zacarias Campeão da Europa





Aldeia Nova - Miranda do Douro

sábado, 4 de agosto de 2018

Os Mais Preciosos Tesouros

Por estes dias andava a remexer numa estante cheia de livros da escola, e peguei no livro de francês do nono ano. Na contracapa por dentro uma dedicatória da Aurélia.

Já lá vão tantos anos, quando nos encontramos no nono ano, e em que ficávamos juntos, na mesma carteira nas aulas de francês. E era só nas aulas de francês. 
A professora era muito elegante. Longilíea, cintura torneada, cabelos compridos ruivos e sardas na cara. Sempre de saia travada, pelo joelho tal como a Serenela Andrade usava nos anos noventa. 

No nono ano em francês aprendeu-se muito da cultura do país. As regiões e as cidades; os vinhos; os perfumes; os queijos bolarentos; a moda; a publicidade; os automóveis; etc.

A Aurélia era mais velha que eu. Lembro-me de no ano anterior andar no oitavo ano e tive de ir, durante algumas aulas e a mando da professora de Educação Visual, à turma do nono ano, para acabar, conjuntamente com outros  três ou quatro colegas os nossos trabalhos, que eram os melhores da turma e precisávamos de mais tempo. E então ficávamos lá, no fundo da sala a trabalhar enquanto a professora ia dando a aula. E lembro-me de ter ficado impressionado, afinal, eu estava ali, na turma dos mais velhos da escola, junto com aquela malta fixe, onde as raparigas tinham ainda mais formas, eram já autênticas mulheres. 

E quando apanhei a Aurélia no nono ano ela já era uma mulher feita. Branquinha, cabelos aloirados aos cachos bem abaixo dos ombros, de olhos azuis de um azul escuro como se fossem duas safiras e uma covinha no queixo. Corpo bem desenvolvido, com destaque para as mamas, cheias e bem largas, que certamente impediria que as mãos de um adolescente as apalpasse por completo. 

No início do ano letivo eu tinha quatorze anos, ela talvez já tivesse dezassete. Eu era relativamente bem comportado e bom aluno. E acho que nos dávamos muito bem eu e a Aurélia. Eu via nela a mulher bonita e fixe, ela talvez me olhasse como o miúdo bom aluno que por vezes também servia de apoio para ela esticar as pernas em cima das minhas. 


Quando somos adolescentes o tempo demora muito a passar. Um dia que seja parece que é uma semana. E naquele ano certamente muitas terão sido muitas as aventuras que eu a Aurélia passamos juntos naquele ano na aula de francês, nas outras salas todas bem como em todas as outras vivências escolares. 

Muitos anos se passaram. Duvido que a Aurélia ainda se lembre de mim e, se passasse por mim, certamente que não me reconheceria. Se eu passasse por ela creio que sim, que talvez ainda a reconhecesse até porque o tempo não apaga a cor dos olhos nem as covinhas no queixo. 

E se eu te visse certamente que te interpelaria e perguntava-te se ainda te lembras do rapaz do 9ºC que ficava ao teu lado, junto à janela, nas aulas de francês. Dir-te-ia também que tinhas toda a razão, os amigos são dos nossos mais preciosos tesouros. Já quanto ao Sol.... Bom, às vezes, mesmo sabendo que ele existe, não há nada que nos impeça de estar tristes...

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Itália Recusa Entrada de Poeiras no País

Como é sabido, por estes dias, devido às más condições de vida, uma enorme mancha de poeiras fugiu de África e rumou à Europa, nomeadamente à Península Ibérica. 

Por todo o mundo ocidental são diversas as reações a esta verdadeira migração de poeiras. Na iminência de chegarem a Itália, o primeiro-ministro Matteo Salvini já veio dizer que recusa terminantemente a possibilidade destas poeiras entrarem em território italiano.

Em Portugal, o primeiro-ministro português António Costa, logo se apressou a oferecer refúgio seguro, mas como se sabe, por mais que nos ofereçamos, Portugal não é um destino das poeiras que procuram uma vida melhor, somos unicamente um local de passagem das poeiras para outros países. Igual posição tomou Pedro Sanchéz o novo primeiro-ministro espanhol socialista.

Angela Merkel a chanceler alemã, uma conhecida amiga das poeiras refugiadas, depois da ameaça de demissão do ministro do interior Horst Seehofer,  já teve que se reunir com o CSU, o partido com o qual mantém uma coligação no parlamento alemão que também não está a gostar desta posição mais humanista da líder alemã.

Já do outro lado do Atlântico, Donald Trump, o presidente norte americano já escreveu no Twitter esta manhã que vai já tratar de construir imediatamente, além do muro, uma enorme redoma em acrílico sobre os Estados Unidos da América para que nenhuma poeira estrangeira inimiga possa entrar na atmosfera americana. E diz que quem vai pagar as obras são os africanos.

Edward Lear - Book of Nonsense