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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Virgem aos 78 Anos

Todos os dias saem livros para as livrarias, para serem vendidos e para darem dinheiro ao autor e ao editor e às livrarias que os vende. Mas os livros são, ou deveriam ser feitos, para ser lidos. É essa a sua utilidade, uma mensagem que se pretende que seja lida. Mas há livros que, foram comprados, ficaram em casa de alguém por este ou aquele motivo, vão ficando esquecidos ou encostados. O tempo vai passando, o papel vai amarelecendo, e o livro continua ansioso pelo dia em que alguém pegue nele e o folheie.  Infelizmente há mesmo livros, como este pobre coitado "Alianista" de Machado de Assis, que já tem 78 anos e continua virgem, verdadeiramente intacto, por rasgar e desvirginar as suas páginas...



Sim, para quem é jovem e/ou não lê livros antigos, antigamente muitos livros saíam para as livrarias com as suas folhas unidas. Competia ao leitor pegar numa faca e separá-las. Se é verdade que tenho recebido muitos livros usados, que suspeito nunca terem sido lidos, neste caso não é uma suspeita, é uma evidência!

P.S: E será que este livro pode ter mais valor por estar intacto? No fundo acho que isto ainda é mais valioso que uma primeira edição! Leiloo já a virgindade do livro!

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Por Que é Que os Putos Agora se Chamam Todos Tomás, Martim, Afonso e Bernardo?

"Antigamente, quando eu era menino, ouvia dizer que às crianças só se punham nomes de santos ou santas (...)
Parece que já não queremos Anas nem Marias, Catarinas nem Joanas, e vamos entrando em outra onomástica, para variar o aspeto às pessoas. Tudo serão modas neste mundo, exceto as estrelas e eu, que sou o mesmo antigo sujeito, salvo o trabalho das notas diplomáticas, agora nenhum.

Memorial de Aires / Machado de Assis / 1908




Quando eu fui para a escola primária, os nomes dos colegas eram, entre outros: Ana Isabel, Paulo Jorge, Sílvio Telmo, Carlos Manuel, Eva Manuela, Hélder Azevedo, Nuno André, Raimundo, Andreia e Mónica.

Ainda não percebi porquê, mas agora os putos chamam-se todos Tomás, Martim, Afonso e Bernardo. Certamente, como escreveu o Machado de Assis há mais de cem anos, será alguma moda, que veio não sei de onde mas que me escapou.