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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Tudo é Política Até a 1a Página de um Jornal

 Estamos em 2026 e não perdi um minuto da minha vida a ver o Mundial de Futebol. Acordei à pouco e fui ver as primeiras páginas dos jornais e, então, fiquei a saber que a Espanha venceu a Argentina na final.

E, como se costuma dizer: "tudo é política", até as primeiras páginas dos jornais. 

Até na escolha da fotografia para ilustrar a vitória da Espanha no Mundial, diferentes jornais espanhóis optaram visões bem diferentes. 


O jornal El País, mais conotado com a esquerda, optou por exaltar os obreiros, os trabalhadores, os jogadores. O jornal La Razón, conservador e conotado com a direita, exulta o rei, a monarquia, o poder instituído. 

E aqui está, numa simples primeira página de jornal, como podemos definir o que é esquerda e o que é direita. Mesmo assim, a maioria dos trabalhadores não sabe o que é tal coisa. 

# Eles Só Precisam da Tua Atenção

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Meteorologia pela Verdade

 Já na semana passada anunciavam temperaturas de 40º e um grande aumento do calor e depois a verdade é que saí todos os dias de casa com uma camisola por cima da t-shirt porque estava frio, e, no trabalho, nunca se ligou o ar condicionado. 


Em semana de São João e em plena Silly Season por causa das piruetas no parlamento a propósito da votação do Pacote Laboral, em que à noite Ventura anuncia uma grande vitória com a aprovação das medidas da ministra, e no dia seguinte votou contra, alguns média voltam ao tema: Portugal terá temperaturas de 45º! 

Expresso

Mas, felizmente, quer-me parecer que a única onda de calor que se fará sentir será para os lados de São Caetano, na sede do PSD.

Editado: dois dias depois:

domingo, 26 de agosto de 2018

Como a Imprensa Portuguesa Trata um Campeão do Mundo

Ontem, dia 25 de Agosto, Fernando Pimenta, canoísta de Ponte de Lima e atleta do Sport Lisboa e Benfica, sagrou-se Campeão do Mundo de K1 1000 metros nos campeonatos do mundo que estão a disputar em Montemor-o-Velho.

Ser campeão do mundo não é propriamente uma coisa que aconteça todos os dias, por exemplo, no futebol o melhor que conseguimos foi um terceiro lugar em 1966. Nunca sequer fomos a uma final de um campeonato do mundo em futebol. E, por ser algo tão raro de acontecer, deverá ser, digo eu, digno de destaque na imprensa, certo? Então vamos ver que destaque deu hoje a imprensa portuguesa a um feito desta envergadura. 

Comecemos pelo escarro jornalístico mais vendido no país. Olhemos para a capa e o que vemos? Nada. Zero! Nem uma só referência. O pasquim consegue falar de tudo, dos jogos da bola, dos drones, da Cristina Ferreira, da Rute Marlene, do António Costa, do Papa, dos velhinhos, de um bar de alterne, mas um atleta sagra-se campeão do mundo e nada. Nem sequer merece aparecer na capa:


No Jornal de Notícias o feito de Fernando Pimenta consegue uma chamada de atenção por cima do título. É menos importante que os jogos da bola e menos importante que a exclusividade dos médicos:

E para o jornal Público, provavelmente o melhor jornal diário português, qual a importância de um campeão do mundo? Também nenhuma. O Público fala dos médicos, da alimentação, dos jogos da bola, da político, do lixo das ruas, mas um atleta sagra-se campeão do mundo por Portugal e isso não é minimamente importante para ser destaque. 


Mas se os jornais diários generalistas ignoram o feito de Fernando Pimenta, por certo que os dito jornais desportivos que lhe darão grande destaque não? Infelizmente não. São umas pequenas chamadas de capa sem a mínima relevância. Relevante para os jornais futeboleiros foram os jogos da bola de sábado. Isso é que é importante, um campeão do mundo - que é que isso interessa? Ainda assim, de todos os jornais, generalistas e futeboleiros, o maior destaque, diga-se, foi para o jornal A Bola:


É assim que a nossa imprensa se interessa pelos atletas que não são do futebol. Em Portugal a única coisa que para os média interessa é o futebol. Tudo o resto, mesmo quando os atletas são campeões da Europa ou do Mundo é como se não existisse.

Mas chega um dia em que os jornais e televisões se interessam pelos atletas portugueses. Isso acontece de quatro em quatro anos. Acontece no Verão, quando geralmente não há notícias sobre coisa alguma para dar - detalhe importante: porque não existe futebol! - e de quatro em quatro os média interessantes pelos atletas nos Jogos Olímpicos. Durante quatro anos ignoram completamente todas as outras modalidades, mas depois, aparecem, como sanguessugas para cobrar medalhas, normalmente para criticar e dizer mal, quando durante quatro anos  ignoraram completamente os atletas. 

E é pena, é mesmo pena que o desporto em Portugal se resuma a uns pontapés numa bola, modalidade essa em que, nunca sequer fomos campeões do mundo, como o Fernando Pimenta foi ontem.

P.S.: E enquanto eu escrevia isto, Fernando Pimenta ganhava uma segunda medalha de ouro.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Como Podemos Saber que a História não foi Manipulada? E Como Deve Agir o Historiador?


"Os jornais não servem para dizer a verdade. Já é bom que eles não mintam."

"Numa viagem de Mário Soares à Índia, parou o presidente da república em Omã. No sultanato de Omã. O sultão convidou-o a ver um museu sobre Omã, onde havia uma praça forte portuguesa. E nesse museu, o presidente da república portuguesa foi confrontando com uma figura de Vasco da Gama, mas na legenda dessa figura, não estava que ele era o descobridor, ou que era um magnífico navegador, mas sim que foi um usurpador, um homem que usurpou nomeadamente os conhecimentos dos verdadeiros conhecedores da navegação que eram de Omã. Raptava os pilotos de Omã, e era com eles que ia navegando ao longo da costa. Em suma era ali um bandido... (eu fui testemunha deste episódio porque era repórter) a tal ponto o tradutor teve mesmo que dizer ao presidente da república que o Vasco da Gama é um pirata e o Mário Soares não gostou.

Vasco da Gama: o pioneiro descobridor ou um mero pirata usurpador e sanguinário?


Dito de outra maneira, como é que podemos aferir o que é a História se as fontes são engajadas? 

O estudo dos jornais como de qualquer outra fonte histórica exige previamente uma análise crítica, o crivo crítico, muito apertado. Os jornais são particularmente useiros e vezeiros na deturpação do narrar dos factos e depois na sua interpretação. Portanto, nós temos sempre que ter, e sobretudo nós que trabalhamos com a imprensa, mas não só, e que trabalhamos com depoimentos vários e pessoais, nós temos sempre que ter este distanciamento e ter esta precaução. 

Um historiador deve ser o mais objetivo possível. e o mais rigoroso possível na interpretação. Agora, a verdade é que, nesse tempo, por essas razões, também na Gazete de France por exemplo, o Françoi Rene Dau a certa altura tem uma frase que se aplica aos jornais desse tempo, entre os quais se integra as gazeta da restauração. Ele tem esta frase que é impressionante de confissão: 
"Os jornais não servem para dizer a verdade. Já é bom que eles não mintam."

José Manuel Tengarrinha (que faleceu no dia 29 de Junho) no programa Quinta Essência) da Antena 2.

domingo, 24 de junho de 2018

O País está de Luto - Quem nos Vai Divertir Agora?



Hoje é um dia muito triste para o país. O homem que nos divertia a todos quase todos os dias foi destituído. Maldita democracia! Quem é que nos vai divertir agora? De que é que os jornais e televisões vão agora falar durante o dia todo? É uma catástrofe. 

Algum partido, por favor, alguém com dois dedos de testa que nos salve a todos. Contratem Bruno de Carvalho para deputado antes que morramos todos de tédio. É que  se a Seleção de Futebol não for à final do Mundial este vai ser um Verão muito penoso.

É a comoção geral. As pessoas estão tristíssimas. É o desespero. O Grande Líder foi destituído. Quem nos vai divertir agora?

domingo, 25 de junho de 2017

Os Culpados do Incêndio de Pedrógão Grande

Tenho fugido das notícias sobre o incêndio de Pedrógão Grande como o Diabo da cruz! Mas digo-vos que não tem sido fácil! Basta abrir um qualquer site de um jornal, que de imediato levamos, no mínimo, com uns trinta artigos sobre o incêndio! Tenho de ser mesmo muito rápido no rato para não tropeçar numa qualquer desgraça pessoal. E depois também não é muito fácil escapar às notícias no local de trabalho apesar de, quando alguém me vem com o assunto, lá digo que não sei de nada sobre o incêndio, nem quero saber. Ainda assim, lá fiquei a saber que a Judite de Sousa andou ao chuto a um cadáver - suponho que, para estar verdadeiramente em cima da notícia! - ou que uma família, minutos antes de morrer queimada, tinha colocado no Facebook uma qualquer imagem romântica. Sim, informação  completamente irrelevante e desnecessária. 

Por isso, genericamente, acho que devo ser o português menos informado sobre o incêndio de Pedrógão Grande, desde logo porque não tenho televisão, não estou no Facebook, e não consumo todas aquelas noticiazinhas sensacionalistas, macabras e deprimentes que os nossos média são pródigos em difundir.



E como sempre, após uma desgraça como esta, lá vêm agora, comentadores ou políticos fazendo demagogia - ainda por cima a quatro meses de eleições - tentando retirar proveitos políticos, como verdadeiros soldados com as metralhadoras descontroladas, disparando em todas as direções, mas nunca disparando contra si mesmos.

Mas querem mesmo saber quem são os verdadeiros responsáveis pela tragédia do incêndio que vitimou 64 pessoas? Eu digo-vos!

Se toda a gente aponta a trovoada como a fonte de ignição do incêndio que vitimou 64 pessoas, então, processe-se desde logo Santa Bárbara, pois ela é a protetora das trovoadas. Seria da sua responsabilidade, desviar o raio para um sítio que não causasse danos de maior. E isto levo-nos ao óbvio São Pedro, como responsável máximo pela meteorologia. Num dia de altas temperaturas, mandar uns relâmpagos sobre um pinhal? Cadeia com ele!
Depois, também responsável, é a Nossa Senhora de Fátima que é da diocese de Leiria, distrito a que pertence Pedrógão Grande e que nada fez pela sua terra, apesar dos milhões de crentes que ainda lá estiveram o mês passado a rezar. Para que é que precisamos de um santuário e de uma santa milagreira, que sabe coisas - segredos! - se depois não faz nada por ninguém, nem pelas próprias pessoas que são da sua diocese?
E como tal, junte-se também ainda como responsáveis os Pastorinhos de Fátima, um vez que já são santos há um mês, e na sua primeira oportunidade que tiveram de fazer o seu trabalho, não fizeram qualquer milagre para evitar a tragédia – e afinal para que é que nós precisamos de santos se não sabem sequer fazer milagres? E se os santinhos falharam, isto leva-nos ao Santo Papa, pois foi ele que os ordenou santos, e que como se viu, não estavam ainda minimamente preparados para o alto cargo que a santidade lhes exige. Cadeia com o Papa também!

Em último lugar Deus, como responsável máximo por tudo aquilo que de mal criou, a começar, desde logo, pela humanidade.

sábado, 30 de janeiro de 2016

A notícia só tem um lado: O negativo

Passo agora pelo site da TSF e a notícia sobre a final do Open da Austrália não é sobre quem venceu. Não, é acerca de quem perdeu.

Quem venceu não teve mérito nenhum. O mérito foi todo de quem perdeu.

www.tsf.pt


Eu apesar de há muito não acompanhar o desporto (porque não tenho televisão) até gostava de ver a carinha laroca da tenista que venceu, certamente com uma carinha bem mais feliz que esta que ali meteram, que até mete medo ao susto, mas isso para o nosso jornalismo de trazer por casa não interessa nada. 

Meteram nas cabeças ocas dos jornalistas - classe que cada vez menos respeito - que só vendem as notícias negativas, e pronto, é isto que temos de aturar. E mesmo que isso seja verdade, e eu aceito que assim o seja, pois o ser humano interessa-se muito pelo negativo, pelo escândalo - basta ver que, pelo menos em Portugal, sempre que há um acidente na auto-estrada num sentido, rapidamente dá-se outro acidento no outro sentido, tão simplesmente porque os condutores de imediato abrandam a marcha para ver se conseguem vislumbrar algum corpo retalhado aos bocados - acho que os jornalistas têm uma responsabilidade, pedagógica se quiserem. 

E mesmo que assim seja, mesmo que as notícias escabrosas vendam mais, os grandes grupos que dominam os média, e que são muito poucos e que cada um domina vários jornais e várias revistas, deveriam ter a responsabilidade de tentar influenciar as pessoas para o bem ou para o melhor. Fala-se muito na responsabilidade social das empresas, mas no fundo tudo isso são balelas. O que importa é vender, e quanto mais escarro jornalístico nas notícias melhor, mais se vende, e para isso basta só ver qual o jornal mais lido do país.  

P.S: Bem, lá fui informa-me devidamente, e de facto, apesar da senhora não ser nenhum portento de beleza física, acho que em Portugal até venderia muito bem, pois toda a gente parece ficar logo com a roupa interior molhada mal vê uma coisa amarela de olhos azuis. 


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Presidenciais: Manipulação tão evidente

Abro agora o site do Diário de Notícias e fico a saber que o Tribunal Constitucional aprovou as dez candidaturas propostas à presidência da república. Dez candidatos e o que vemos na fotografia da notícia? Um só candidato, o mesmo candidato da direita, o tal que, apesar de nunca ter ganho umas eleições na vida, se diz há muito que, "nem que Cristo desça à Terra", ele ganha as presidenciais de 2016 à primeira volta. E porquê? Porque as sondagens existem unicamente para isso, para manipular a opinião pública.


E é também assim, que as pessoas, quase sem se aperceberem votam sempre nos mesmos. Nos mesmos que andam em todos os canais, anos a fio, promovendo-se, vendendo sempre a mesma banha da cobra. Votam nos mesmos que têm todo o destaque nos órgãos de comunicação social. 
Os outros, esses que têm opiniões diferentes, que não interessam ao sistema, esses são varridos para debaixo do tapete, para ninguém os ouvir. Não vá o povo ignorante começar a abrir os olhos.