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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Tudo é Política Até a 1a Página de um Jornal

 Estamos em 2026 e não perdi um minuto da minha vida a ver o Mundial de Futebol. Acordei à pouco e fui ver as primeiras páginas dos jornais e, então, fiquei a saber que a Espanha venceu a Argentina na final.

E, como se costuma dizer: "tudo é política", até as primeiras páginas dos jornais. 

Até na escolha da fotografia para ilustrar a vitória da Espanha no Mundial, diferentes jornais espanhóis optaram visões bem diferentes. 


O jornal El País, mais conotado com a esquerda, optou por exaltar os obreiros, os trabalhadores, os jogadores. O jornal La Razón, conservador e conotado com a direita, exulta o rei, a monarquia, o poder instituído. 

E aqui está, numa simples primeira página de jornal, como podemos definir o que é esquerda e o que é direita. Mesmo assim, a maioria dos trabalhadores não sabe o que é tal coisa. 

# Eles Só Precisam da Tua Atenção

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

A Imprensa Portuguesa A Fazer-se Sonsa


 A notícia desta quarta-feira, 18 de Janeiro de 2023 que fez primeiras páginas dos jornais um pouco por todo o mundo foi a retirada de Greta Thunberg que se manifestava à entrada de uma mina de carvão na Alemanha. Mas nenhum jornal português fez eco da notícia. Porquê?

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Quanto Mais Burro, Melhor!

Não sei se já tinha contado aqui que foi por causa do Nonio (que me impedia de ler digitalmente os jornais nacionais) que passei a ler o The Guardian. Entretanto motivado pela vontade de ler os textos da Carmo Afonso no Público, registei-me numa plataforma que me permite ler cerca de sete mil jornais e revistas de todo o mundo. Infelizmente o Público não é um desses jornais, mas comecei a ler outras coisas muito interessantes como o jornal Folha de São Paulo, jornal de grande qualidade, onde escreve, ao domingo, o nosso Ricardo Araújo Pereira.

Um texto de Lúcia Guimarães, hoje, sobre a recente edição de um livro nos Estados Unidos chamou-me a atenção e resolvi partilhar aqui: 


"Quem pensava que América do Sul era o nome de um país?
Quem descreveu o continente africano como uma nação?
Quem disse que o aquecimento global era uma invenção da China para destruir a competitividade da indústria americana?

Foram três republicanos que tiveram o dedo no botão nuclear -pela ordem de asneira, Ronald Reagan, George W. Bush e Donald Trump.

Todos os países têm sua história de políticos palermas que divertem. Mas chega um momento em que a gargalhada é interrompida pelo medo do estrago que os poderosos e estúpidos são capazes de fazer. Um livro lançado nesta semana nos EUA examina a evolução da atual safra de governantes asininos. O humorista Andy Borowitz é o autor de “Profiles in Ignorance, How America’s Politicians Got Dumb and Dumber” (perfis em ignorância, como os políticos americanos se tornaram mais e mais estúpidos). O livro é um exame forense e 100% factual da versão recente da tradição antiintelectual, um aspecto conhecido da história americana.

Borowitz acha que o pioneiro moderno do boçal estelar, há 50 anos, foi Reagan, o ator de filmes B cuja ignorância era tão gritante que sua campanha para governador da Califórnia, em 1966, contratou psicólogos de uma universidade para treiná-lo como um animal de laboratório. Acostumado a decorar falas em filmes, Reagan aprendeu a repetir o que seus instrutores escreviam em fichas e venceu a eleição com uma vantagem de mais de 1 milhão de votos.

O assessor de campanha responsável pelo banho de fatos em Reagan fracassou quando foi convocado a fazer o mesmo pelo então senador Dan Quayle, em 1984. A colunista texana Molly Ivins acompanhou Quayle em campanha e concluiu que o vice escolhido para a chapa de George Bush pai era mais estúpido do que parecia. “Se você implantar o cérebro de Dan Quayle numa abelha, ela começa a voar em marcha à ré,” declarou.


Reagan e Quayle, escreve Borowitz, representam o primeiro de três estágios da incultura na política: o ridículo, um saudoso período em que líderes podiam ficar envergonhados por dizer besteira.

O segundo estágio —a aceitação— tem como patrono George W. Bush. Ele achava que sua idiotice era benigna e o aproximava do povão. Bush se orgulhava de revelar que não abrira um livro quando estudava na Universidade Yale.

Em 2000, a campanha do republicano espalhou um slogan —“George Bush está concorrendo à Presidência, não a uma vaga em quiz show” — sugerindo que seu adversário, o relativamente pomposo ambientalista democrata Al Gore era quem ficava em desvantagem por ser culto.

Bush mostrou o poder do despreparo intelectual de provocar morte em massa. Dias depois de invadir o Iraque, ele recebeu uma delegação de iraquianos no Salão Oval e, pela primeira vez, ouviu falar que havia xiitas e sunitas no país. Perplexo, exclamou: “E eu pensava que os iraquianos eram muçulmanos!”.

O terceiro estágio da ignorância é a celebração, que assola tanto Washington quanto Brasília. Trump, conclui Borowitz, é profundamente ignorante, mas exibe, como o parvo capitão do Planalto, o que psicólogos chamam de “ilha de competência”: a capacidade de atrair a atenção proferindo estrumes verbais.

No atual estágio, um doutorado em Harvard, como o exibido por trumpistas republicanos, não é impedimento para tentarem convencer eleitores a tomar remédio de cavalo para combater a Covid.

O único antídoto para a nossa era de obscurantismo é votar.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Porque é que os Ricos Compram Televisões e Jornais?

"Os demagogos não são os únicos nem mesmo os mais eficientes exploradores da sugestionabilidade humana.  Os proprietários dos jornais levaram a arte dos cavalheiros de indústria a um grau ainda mais alto. O alargamento da educação elementar foi acompanhado por um grande aumento de influência da imprensa. Quem lê pode correr - na mesma direção em que corre o seu jornal. Isto é um facto do qual os ricos não foram lentos em tirar vantagem. Praticamente falando, toda a imprensa inglesa está agora nas mãos de quatro ou cinco homens ricos. Oligarcas plutocráticos, aspiram a governar, sob a capa das instituições democráticas, impessoalmente e sem responsabilidade. Explorar a democracia, viram eles, é mais fácil e mais rendoso do que opor-se a ela. Deixem que os muitos votem mas conforme lhe disserem os poucos opulentos que são os donos dos jornais. Os muitos obedecem - geralmente, mas nem sempre. As eleições podem ser ganhas, como foi demonstrado pelos Liberais em 1860* e pelo Partido Trabalhista em 1923, em oposição direta com uma imprensa quase unanimemente hostil. Os proprietários dos jornais não governarão indisputavelmente enquanto não descobrirem em que circunstâncias os homens concordam, e em que outras correspondem al alvitre por contradição deliberada. Eles já se aperceberam (o que os mestres-escolas já descobriram há muito) de que a sugestão indireta está menos sujeita a levantar contradição do que a direta. As notícias deturpadas convencem muito mais efectivamente do que muitos artigos de fundo dogmáticos. Mas a ciência do cavalheirismo de indústria jornalístico está ainda na sua infância. Chegará sem dúvida o tempo em que os métodos de propaganda dos proprietários de jornais contemporâneos parecerão barbaramente verdes e ineptos. 

*no livro está escrito 1960, mas como este foi publicado em 1927 isso é impossível pelo que deduzo que seja 1860

Sobre a Democracia e Outros Estudos / Aldous Huxley (1927)


sexta-feira, 6 de julho de 2018

Como Podemos Saber que a História não foi Manipulada? E Como Deve Agir o Historiador?


"Os jornais não servem para dizer a verdade. Já é bom que eles não mintam."

"Numa viagem de Mário Soares à Índia, parou o presidente da república em Omã. No sultanato de Omã. O sultão convidou-o a ver um museu sobre Omã, onde havia uma praça forte portuguesa. E nesse museu, o presidente da república portuguesa foi confrontando com uma figura de Vasco da Gama, mas na legenda dessa figura, não estava que ele era o descobridor, ou que era um magnífico navegador, mas sim que foi um usurpador, um homem que usurpou nomeadamente os conhecimentos dos verdadeiros conhecedores da navegação que eram de Omã. Raptava os pilotos de Omã, e era com eles que ia navegando ao longo da costa. Em suma era ali um bandido... (eu fui testemunha deste episódio porque era repórter) a tal ponto o tradutor teve mesmo que dizer ao presidente da república que o Vasco da Gama é um pirata e o Mário Soares não gostou.

Vasco da Gama: o pioneiro descobridor ou um mero pirata usurpador e sanguinário?


Dito de outra maneira, como é que podemos aferir o que é a História se as fontes são engajadas? 

O estudo dos jornais como de qualquer outra fonte histórica exige previamente uma análise crítica, o crivo crítico, muito apertado. Os jornais são particularmente useiros e vezeiros na deturpação do narrar dos factos e depois na sua interpretação. Portanto, nós temos sempre que ter, e sobretudo nós que trabalhamos com a imprensa, mas não só, e que trabalhamos com depoimentos vários e pessoais, nós temos sempre que ter este distanciamento e ter esta precaução. 

Um historiador deve ser o mais objetivo possível. e o mais rigoroso possível na interpretação. Agora, a verdade é que, nesse tempo, por essas razões, também na Gazete de France por exemplo, o Françoi Rene Dau a certa altura tem uma frase que se aplica aos jornais desse tempo, entre os quais se integra as gazeta da restauração. Ele tem esta frase que é impressionante de confissão: 
"Os jornais não servem para dizer a verdade. Já é bom que eles não mintam."

José Manuel Tengarrinha (que faleceu no dia 29 de Junho) no programa Quinta Essência) da Antena 2.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Cobertura jornalística da Seleção Portuguesa de futebol

A seleção portuguesa de futebol concentrou-se há pouco mais de uma semana, com vista à preparação do Mundial do Brasil 2014. Entretanto a equipa saiu de Portugal há uns dias para um estágio nos Estados Unidos, e da cobertura jornalística ficamos a saber que:

- O Cristianinho tem um dói-dói.
- Cristianinho dá autógrafos.








- Cristianinho foi aos fados.
- Cristianinho tira fotos com fadista.













- Cristianinho faz filme publicitário com o filho.
- Cristianinho deu um peido mal cheiroso, jornalistas investigam o cheiro e chegam à conclusão que terá comido feijoada.
- Paulo Bento está triste pois não sabe quando vai poder usar o Cristianinho nos treinos.
- Dirigentes da Seleção acreditam que o dói-dói do Cristianinho vai sarar a tempo do primeiro jogo do mundial contra a Alemanha.
- Nani acha que o dói-dói do Cristinaninho não é nada de especial.
- Real Madrid mostra-se preocupado que o dói-dói do Cristianinho possa ser grave.








- Federação publica no site que Cristianinho afinal tem dois dói-dóis.
- Entretanto Cristinaninho já faz carrida, arrotou e mudou a fralda.
- Cristianinho já brinca com as bolas no relvado, a de futebol e as outras que coça entre as pernas.
- Paulo Bento fica irritado com perguntas sobre o Cristianinho e volta a dizer que não sabe quando vai poder usar o Cristianinho.

E está feito o resumo do que a imprensa nos deu a conhecer dos trabalhos dos 23 jogadores no estágio da seleção portuguesa de futebol.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Patrocinador apropriado

"A nossa Peixaria" patrocina hoje a peixeirada jornalística em formato de jornal.


Estou em que, mais apropriado, talvez só mesmo um patrocinador a fazer promoção de esterco.