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quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

A Imprensa Portuguesa A Fazer-se Sonsa


 A notícia desta quarta-feira, 18 de Janeiro de 2023 que fez primeiras páginas dos jornais um pouco por todo o mundo foi a retirada de Greta Thunberg que se manifestava à entrada de uma mina de carvão na Alemanha. Mas nenhum jornal português fez eco da notícia. Porquê?

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Porque é que os Ricos Compram Televisões e Jornais?

"Os demagogos não são os únicos nem mesmo os mais eficientes exploradores da sugestionabilidade humana.  Os proprietários dos jornais levaram a arte dos cavalheiros de indústria a um grau ainda mais alto. O alargamento da educação elementar foi acompanhado por um grande aumento de influência da imprensa. Quem lê pode correr - na mesma direção em que corre o seu jornal. Isto é um facto do qual os ricos não foram lentos em tirar vantagem. Praticamente falando, toda a imprensa inglesa está agora nas mãos de quatro ou cinco homens ricos. Oligarcas plutocráticos, aspiram a governar, sob a capa das instituições democráticas, impessoalmente e sem responsabilidade. Explorar a democracia, viram eles, é mais fácil e mais rendoso do que opor-se a ela. Deixem que os muitos votem mas conforme lhe disserem os poucos opulentos que são os donos dos jornais. Os muitos obedecem - geralmente, mas nem sempre. As eleições podem ser ganhas, como foi demonstrado pelos Liberais em 1860* e pelo Partido Trabalhista em 1923, em oposição direta com uma imprensa quase unanimemente hostil. Os proprietários dos jornais não governarão indisputavelmente enquanto não descobrirem em que circunstâncias os homens concordam, e em que outras correspondem al alvitre por contradição deliberada. Eles já se aperceberam (o que os mestres-escolas já descobriram há muito) de que a sugestão indireta está menos sujeita a levantar contradição do que a direta. As notícias deturpadas convencem muito mais efectivamente do que muitos artigos de fundo dogmáticos. Mas a ciência do cavalheirismo de indústria jornalístico está ainda na sua infância. Chegará sem dúvida o tempo em que os métodos de propaganda dos proprietários de jornais contemporâneos parecerão barbaramente verdes e ineptos. 

*no livro está escrito 1960, mas como este foi publicado em 1927 isso é impossível pelo que deduzo que seja 1860

Sobre a Democracia e Outros Estudos / Aldous Huxley (1927)


quinta-feira, 24 de junho de 2021

Por Quem me Tomas, Expresso?


Não sei se se passa o mesmo convosco, mas eu que estou com imensa curiosidade em saber o que se estará a passar  de muito grave neste momento no país, mas que o Expresso - jornal que é dono do fundador do PSD - só irá divulgar algumas semanas antes das legislativas de 2023 ou a dois meses das autárquicas de 2025.

Quando, em vez de se fazer jornalismo se tem uma agenda política, parece que há um tempo certo para as notícias saírem. Por exemplo, a coisa mais grave que aconteceu no país no ano passado - o assassinato do cidadão ucraniano às mãos do SEF - só começou a ser notícia nove meses depois. E certamente que estas coisas não acontecem por acaso. 

Hilary Clinton teve os e-mails, Fernando Medina teve a partilha de dados. 

Eu confesso que nem prestei grande atenção a este caso, por um lado porque não voto em Lisboa,  e depois - mesmo não simpatizando muito com o autarca lisboeta - percebi logo o que estava em causa, mas, de facto esta história tem contornos tão hilariantes que merece ser mencionada, nem que seja para memória futura, porque diz muito como a guerrilha e a manipulação política passa muito pelos media que continuam a querer ganhar eleições.

O enquadramento. Saem as primeiras sondagens sobre as autárquicas em Lisboa e, surpresa, o mordomo de Passos Coelho que fez a venda e privatização dos CTT, parece não encantar os eleitores e Medina continua destacado. Bom, se o candidato de direita não dispara, se calhar o melhor é arranjar um escândalozito para ver se a coisa se inverte, não? Ó Expresso, não tens aí nada que se possa arranjar?

Em Janeiro uma emigrante russa falou aos jornalistas e reportou esta situação da partilha de dados na Câmara de Lisboa, mas simplesmente ninguém ligou, talvez porque, no entender dos jornalistas, a questão não fosse relevante. Ora bem, mas então que tal lançarmos agora essa notícia para ver se atolamos o Medina na lama e o nosso candidato de direita se chega à frente? Bora lá então!

E é então que, seis meses depois de uma emigrante russa se ter queixado, como que por milagre das coincidências, aparece a notícia plantada na primeira página do Expresso, logo em vésperas da campanha eleitoral para as autárquicas! Não há mesmo coincidências e se calhar podiam disfarçar um bocadinho melhor!

Como facilmente se percebe não há aqui uma intenção de denunciar algo que está mal, e é verdade que está e precisa ser corrigido - mas porquê só Lisboa? Sim Lisboa tem embaixadas - mas e o que se passa nas outras centenas de municípios por esse país fora? Se eu organizar uma manifestação também não quero que os meus dados pessoais sejam públicos! E curiosamente, e não que me surpreenda, já ficamos a saber que mais de metade das câmaras viola o código de proteção de dados, tal como Lisboa! - Não, não há aqui o dever de informar, o que há aqui no jornal Expresso é uma agenda política, não escondida pois como se vê até é por demais evidente, para enlamear um candidato para que o outro possa tirar dividendos. E isto não é jornalismo, é outra merda qualquer. E sem jornalismo isento também não existe democracia, existe sim outra merda qualquer.