"A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão."
quarta-feira, 18 de janeiro de 2023
A Imprensa Portuguesa A Fazer-se Sonsa
segunda-feira, 11 de outubro de 2021
Porque é que os Ricos Compram Televisões e Jornais?
*no livro está escrito 1960, mas como este foi publicado em 1927 isso é impossível pelo que deduzo que seja 1860
Sobre a Democracia e Outros Estudos / Aldous Huxley (1927)
quinta-feira, 24 de junho de 2021
Por Quem me Tomas, Expresso?
Quando, em vez de se fazer jornalismo se tem uma agenda política, parece que há um tempo certo para as notícias saírem. Por exemplo, a coisa mais grave que aconteceu no país no ano passado - o assassinato do cidadão ucraniano às mãos do SEF - só começou a ser notícia nove meses depois. E certamente que estas coisas não acontecem por acaso.
Hilary Clinton teve os e-mails, Fernando Medina teve a partilha de dados.
Eu confesso que nem prestei grande atenção a este caso, por um lado porque não voto em Lisboa, e depois - mesmo não simpatizando muito com o autarca lisboeta - percebi logo o que estava em causa, mas, de facto esta história tem contornos tão hilariantes que merece ser mencionada, nem que seja para memória futura, porque diz muito como a guerrilha e a manipulação política passa muito pelos media que continuam a querer ganhar eleições.
O enquadramento. Saem as primeiras sondagens sobre as autárquicas em Lisboa e, surpresa, o mordomo de Passos Coelho que fez a venda e privatização dos CTT, parece não encantar os eleitores e Medina continua destacado. Bom, se o candidato de direita não dispara, se calhar o melhor é arranjar um escândalozito para ver se a coisa se inverte, não? Ó Expresso, não tens aí nada que se possa arranjar?
Em Janeiro uma emigrante russa falou aos jornalistas e reportou esta situação da partilha de dados na Câmara de Lisboa, mas simplesmente ninguém ligou, talvez porque, no entender dos jornalistas, a questão não fosse relevante. Ora bem, mas então que tal lançarmos agora essa notícia para ver se atolamos o Medina na lama e o nosso candidato de direita se chega à frente? Bora lá então!
E é então que, seis meses depois de uma emigrante russa se ter queixado, como que por milagre das coincidências, aparece a notícia plantada na primeira página do Expresso, logo em vésperas da campanha eleitoral para as autárquicas! Não há mesmo coincidências e se calhar podiam disfarçar um bocadinho melhor!
Como facilmente se percebe não há aqui uma intenção de denunciar algo que está mal, e é verdade que está e precisa ser corrigido - mas porquê só Lisboa? Sim Lisboa tem embaixadas - mas e o que se passa nas outras centenas de municípios por esse país fora? Se eu organizar uma manifestação também não quero que os meus dados pessoais sejam públicos! E curiosamente, e não que me surpreenda, já ficamos a saber que mais de metade das câmaras viola o código de proteção de dados, tal como Lisboa! - Não, não há aqui o dever de informar, o que há aqui no jornal Expresso é uma agenda política, não escondida pois como se vê até é por demais evidente, para enlamear um candidato para que o outro possa tirar dividendos. E isto não é jornalismo, é outra merda qualquer. E sem jornalismo isento também não existe democracia, existe sim outra merda qualquer.


