domingo, 31 de dezembro de 2017

Vidas Aparentes

Via Google Images
Ouvi-lo falar daquela forma tão descontraída deixou-me quase em choque, apesar de, claro, não ter manifestado o mínimo repúdio. Acho que socialmente não é bem aceite recriminar as façanhas sexuais clandestinas de outros homens, ainda por cima daqueles que mal conhecemos. Fiquei em choque, se calhar porque, quase sempre, a realidade é muito pior do que a possamos pintar. Afinal, trai-se uma e outra vez, todas as vezes que se conseguir, com mais facilidade com a que nós nos levantamos todos os dias da cama para mais um dia de trabalho. Enquanto ele falava eu ia pensando se hoje em dia é isto, esta a podridão dos casamentos e das relações das pessoas. Afinal é para isto que as pessoas tanto querem casar e ter filhos? Para depois se andarem a vangloriar aos outros que, podendo, limpam tudo que mexa, a torto e a direito, e até pagam se for preciso, porque até acreditam que uma profissional faz sempre um melhor trabalho que uma amadora.

O choque foi tanto que me questionei do porquê de eu querer ser sempre tão honesto, tão coerente e tão leal com os outros. Que é que ganha uma pessoa assim na vida? Nada. Absolutamente nada. Só se prejudica constantemente. Porquê? Porque na selva, se não jogamos com as armas dos outros estamos sempre em desvantagem. Em tudo. Temos sempre de fazer um esforço suplementar para nos conseguirmos impor. E ainda por cima porque ser íntegro não é nada sexy. As mulheres ficam molhadas é com os homens de mau caráter e com as falinhas mansas que toda a gente já está a ver que são uma cambada de balelas só para as levarem para a cama e só elas é que não vêem.

Mais tarde até me pus a pensar se há muitos anos não terei sido trocado por aquela espécie de homem de Neandertal. Será? E seria mesmo muito irónico até, se eu tivesse estado ao lado dele agora. Eu tive que a obrigar a dizer-me quem ele era. Ela não queria dizer e para mim também não era assim tão óbvio, afinal, nós andávamos sempre juntos para todo o lado. De onde é que, do nada, ela se tinha apaixonado por outro? Onde é que ele estava escondido que eu não vi? E esqueçam a internet, por isso, não era assim tão óbvio para mim. Mas no mínimo acho que merecia saber. No mínimo. E por obrigar leia-se persuadir a, e não propriamente apertar-lhe o gasganete até ela me confessar.

Quando alguém decide trocar-nos, bom, nós achamos sempre que será por alguém melhor que nós. Como quem troca de carro por outro mais moderno, mais potente, ou para uma casa com mais assoalhadas. Mas afinal de contas o que é um namorado melhor? É que os namorados também são como os melões. Só depois de abertos é que as mulheres podem saber como é que eles são. E tal como dizia a Céline "tu nunca podes substituir ninguém, porque cada pessoa é única e feita de lindíssimas especificidades". Ou seja, nunca se troca totalmente para melhor ou para pior, troca-se necessariamente para diferente porque não há duas pessoas iguais. Ninguém é totalmente melhor ou pior que outrem. E alguma coisa eu haveria de ter de bom... Alguma coisa de absolutamente tão belo e específico que, tendo-me afastado da sua vida, ela nunca mais voltaria a ter. E eu conheço muito bem as minhas especificidades únicas. Nem precisava sequer que ela mo confirmasse, da falta que já lhe faziam.

Claro que há muitos anos que isto não interessa para nada, além de fazer parte das nossas memórias. Cada pessoa faz as suas escolhas e tem de viver com elas, e, já agora, também nós temos de viver com as escolhas dos outros. Mas fiquei a pensar. Eu fiquei com uns esboços verbais que ela foi desenhando do perfil dele. E sinceramente estava à espera de melhor. Uma mulher, por norma, comete o erro de avaliar a sua concorrência unicamente pelo aspeto exterior das rivais. Mas uma pessoa vale muito mais (ou menos) que a sorte de ter nascido mais ou menos bonita aos olhos dos outros. E como eu nunca sequer conheci a tal criatura, fui absorvendo, sem distrações, o perfil consoante ia ouvindo, com as orelhas espetadas,  um comentário aqui outro acolá. Daí a surpresa quando finalmente se revelou o nome daquele que me iria substituir. E para mim foi uma tremenda desilusão. Esperava  mesmo muito melhor. Ou então eu sempre me tive em melhor conta do que na realidade sou.

E de repente, tantos anos depois, eu podia estar agora ao lado dele. Acho que o perfil até se encaixava bem. E depois as mulheres acham sempre que conseguem mudar os homens. Acham sempre que com elas será diferente do que eles foram com as outras. Tão ingénuas! Mas quão irónico não seria, estar agora, sentado no carro dele, passando horas a fio a ouvi-lo contar como te enfia os cornos?
E sabes, de repente a palavra "Amor" aparece na consola do carro dele e toca o telefone. Sabes quem era? Vê lá que podias ser tu! Preocupada! E não é adorável o cinismo e ironia da coisa? Não é tão querido que ele não te tenha o mínimo respeito, nem por ti nem pelos filhos, mas depois nem sequer tem o teu nome na lista telefónica, tem algo muito mais especial! Vê lá tu que ele chama-te de "Amor". Que lindo! Estou mesmo sensibilizado. Verdadeiramente tocado!

Só que Amor, lá na definição do dicionário dele, significará: "Aquela cabra que vive comigo lá em casa há não sei quantos anos e que só me fode o juízo, que torna a minha vida miserável, e que bem que podia morrer que não me fazia falta nenhuma".

Decorei textualmente as palavras que lhes disseste:
"- Vens jantar? Não disseste nada. Vem devagar".

E ele lá continuou a vir para casa, naquele dia de chuva, comigo ao lado, a 170Km/h.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Desvanecer em Ti



"Fade into you" / So Tonight That I Might See / Mazzy Star / 1994

O Cliente Nunca tem Razão

Eu ainda sou do tempo de ouvir dizer que "o cliente tem sempre razão". Mas muita coisa mudou entretanto. 

Temos um carro semi novo, deixamos na Renault Gondomar para fazer a primeira revisão, e verificamos que até nos lavaram o carro e tudo e está todo a brilhar e ficamos muito contentes. Mas chegamos a casa, e começamos a olhar mais em detalhe, e... Espera lá! O capot está todo picado! Não! Não é só o capot, o parabrisas também está todo picado! Mas que merda é esta que me andaram a fazer ao carro caralho? Até me fazem falar mal!

Resposta lá do tipo que manda: "Ah isso certamente foi o senhor andou atrás de um camião que soltou pedras e picou-lhe a pintura". Diz lá isso outra vez? Eu fui o quê? Eu fui atrás de um camião que soltou pedras, mas as pedras também me picaram a pintura dos lados e atrás? Mas pensam que estão a tapar os olhos a quem? Eu por acaso tenho ar de criança de cinco anos ou quê?

Lá está. O cliente nunca tem razão. O cliente inventa coisas. Não é a empresa que presta um péssimo serviço. Não. O cliente é que é culpado por deixar um carro com uma pintura nova na Renault, porque ingenuamente acha que será melhor atendido na marca. Lá está, o cliente nunca tem razão.

Muitos anos depois de ter passado a ter o carro revisto noutro concessionário da marca, lá voltamos à mesma Renault Gondomar. Queremos acreditar que aquilo foi só azar, nada de ruim voltará a acontecer. E como até nos tinham avisado que o motor do nosso carro tem um cancro, que dá problemas bastante dispendiosos e pode dar cabo do motor, porque tem uma peça que tem de ser mudada, avisamos a menina do atendimento (gira e sempre simpática) e ela até escreve lá na folha da ordem de reparação, textualmente, se não é preciso mudar aquela peça. Os mecânicos dizem que não, que aquela peça não se muda porque nunca avaria, por isso não tem manutenção.

Só que, sete mil quilómetros depois, o carro começa a fazer um barulho. Vamos logo à oficina mais próxima e lá vem o diagnóstico: o senhor deveria ter mudado a tal peça, que "nunca avaria e não tem manutenção" e como não mudou, agora vai ter um prejuízo de milhares de euros. 
Confronta-se a Renault Gondomar e antes de iniciar o processo de reclamação, dizem-nos que não têm nada a ver com o assunto sacudindo a água do capote. Da Renault Portugal veio a mesma resposta. Porquê? Porque agora o cliente nunca tem razão! 

Via Imagens Google
Há dias um poste de eletricidade caiu sobre outro carro que está em meu nome. Enviada a reclamação para a EDP, recebo agora por e-mail a resposta:

"Lamentamos a ocorrência dos danos que nos reclamou, mas não podemos assumir a responsabilidade pelos mesmos".

Pois é, eu também lamento. Profundamente. Aqui há uns anos morreram sessenta pessoas em Castelo de Paiva, por culpa de alguém, que não fez a devida manutenção à Ponte Hintze Ribeiro, e esta ruiu levando consigo muitas pessoas que regressavam de um passeio às amendoeiras em flor. Mas segundo o tribunal não houve culpados. A culpa foi das pessoas que atravessaram a ponte no momento errado. A culpa foi das pessoas que morreram! Não tinham nada que ter morrido!

Mas de facto eu lamento profundamente. Lamento profundamente viver num país onde o cliente nunca tem razão. 

Conversas Improváveis 16

Via Imagens Google

Estão é a doer-me  os olhos e tenho umas leves dores de cabeça, o que é estranho porque quase nunca tenho dores de cabeça.
- É da luz de Lisboa. Sempre que vou a Lisboa dois ou três dias também fico cheio de dores de cabeça.


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

E se por engano tivessem transferido dinheiro para a tua conta?

Vamos imaginar que vos acontecia o seguinte: de repente, vão consultar os movimentos da conta, e dão-se conta que naquela coluna que diz "crédito", têm lá uma transferência de 100 mil euros, já feita há duas semanas e só agora é que se aperceberam. E não, não venderam nada no OLXulos que o justifique! Eu acho que se qualquer um de nós  tivesse vendido algo desse valor não se esquecia!,não é? Portanto, foi mesmo alguém que se enganou e transferiu o dinheiro para a vossa conta. Perante este cenário que é que faziam?



a) Tentavam por todos os meios saber a proveniência do dinheiro e devolvê-lo. O dinheiro não é vosso. Se o achassem na rua também ia logo correr à polícia entregá-lo... Não é? 

b) Transferiam o dinheiro para Cáritas, Banco Alimentar, Raríssimas ou outra qualquer instituição de apoio social, especializda em dar boa utilidade, em proveito próprio pois está claro, de dinheiros alheios! 

c) Quem vai ao ar perde o lugar. Afinal é como se tivessem achado um maço de notas no chão. Não sabem de quem é, logo, é de quem acha. Como tal decidem imediatamente estourar o dinheiro todo, não vá aparecer alguém a reclamá-lo e depois ainda termos chatices com isso! Estando gasto , olha azar! Tivessem prestado atenção ao número da conta!

d) Levantam o dinheiro e compravam barras de ouro! O ouro nunca desvaloriza nem nos cobram taxas de "manutenção da conta"! Mas também não se entusiasmem, 100 mil euros nem para três barras de ouro (de 1Kg) dá!

e) Não faziam nada e deixavam lá ficar esse guito todo, a juntar ao que já lá têm!

Mas o que é que faziam?
Iam devolver? Claro, não estava à espera de outra coisa da vossa parte!

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Operem mas é o cérebro

The Great Wall of Vagina
Se todas são diferentes, por que é que agora todas querem ser iguais umas às outras? Quem decidiu isso? Quem disse que os lábios, narizes, mamas, cus, deveriam todos ser desta ou daquela maneira? E que piada terá um mundo com mulheres todas iguais? Mais grave ainda, como é que as pessoas  abdicam da sua própria individualidade, da sua Natureza e querem ser todas iguais a uma outra qualquer? Sinceramente? Não. Eu não gostava que todos os homens do mundo dormissem com uma vagina igual à da minha mulher. Infelizmente acho que as pessoas andam cada vez mais vazias. Deviam era operar o cérebro, não as vaginas. 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Natal, Up-to-Date


Em vez da consoada há um baile de máscaras
Na filial do Banco erigiu-se um Presépio
Todos estes pastores são jovens tecnocratas
Que usarão dominó já na próxima década

Chega o rei do petróleo a fingir de Rei Mago
Chega o rei do barulho e conserva-se mudo
Enquanto não se sabe ao certo o resultado
Dos que vêm sondar a reacção do público

Nas palhas do curral ocultam microfones
O lajedo em redor é de pedras da Lua
Rainhas de beleza hão-de vir de helicóptero

E é provável até que se apresentem nuas

Eis que surge no céu a estrela prometida
Mas é para apontar mais um supermercado

Onde se vende pão já transformado em cinza
Para que o ritual seja muito mais rápido

Assim a noite passa. E passa tão depressa
Que a meia-noite vós nem se demora um pouco

Só Jesus no entanto é que não aparece
Só Jesus afinal não quer nada convosco

David Mourão Ferreira / 1969

domingo, 17 de dezembro de 2017

E por falar em controlo, manipulação e suposto ciúme...

E de repente, depois da cena do "Lamento, mas não vou falar mais contigo" lembrei-me da seguinte história, contada num fórum da internet, por onde andei durante cerca de um ano, e que não deixa de ser o exemplo por demais evidente do que tenho vindo a afirmar. Na maior parte dos casos, a culpa das situações em que as vítimas de se enfiam, é muitas vezes quase exclusivamente sua, por se deixarem pisar e escolherem só quem as trata mal. E eu pergunto-me: como é que uma mulher moderna, inteligente e formada se deixa envolver por merdas deste género? Eu não consigo entender:


"Uma amiga muito querida namorava com um ainda maior amigo meu mas não tão querido como ela. Ele, que era muito ciumento, proibiu-a de ter Facebook. Chegou ao ponto de ela não poder passar no mesmo corredor que um qualquer colega homem ao mesmo tempo. Se estivesse um homem no corredor, ela teria que esperar algures para ele passar, para depois ela o poder fazer. O namorado sabia se ela seguia as “instruções” ou não facilmente porque eram colegas de trabalho. E esta amiga tão querida, uma rapariga inteligente, fazia tudo isto. Até se vir a saber que para além de Facebook, que ele proibia-a de ter mas que ele tinha, estava também no Badoo numa foto de tronco nu, a querer conhecer mulheres. Foi também descoberto por uma outra amiga em comum, abraçado a uma outra rapariga numa loja.

E ela sempre a julgar que ele era ciumento por amor a ela, na verdade o ciúme que ele tinha era apenas porque ele reflectia nela o que ele próprio era (tinha medo que ela fosse igual a ele)." (CJM3)

Precisamente. Tinha medo que ela fosse igual a ele.

Conversas Improváveis 15

"Elas quiseram tirar uma fotografia e então o que eu fiz foi abaixar-me e ficar bem escondido para ninguém me reconhecer. E tu acreditas que a fotografia foi partilhada, e a minha mulher só pelas sapatilhas reconheceu-me e veio-me logo com aquela conversa que ficou cá a cuidar dos filhos e eu andava lá comer gajas. Facebook? Nunca mais!"



"No Brasil não posso é ir à praia, senão tenho de andar sempre curvado."

"No Brasil não acredito em santinhos. Todos se perdem."


# Brasileiras: uma ciência que desconheço

Novas gerações, Velhos Hábitos

"Olá,

Lamento, mas não vou falar mais contigo. Tu és impecável e espero que...blablabla"



Também lamento. Por ti, unicamente. Afinal, só tínhamos trocado três ou quatro e-mails, muito espaçadamente no tempo, e nem sequer te conheço ainda o carácter, muito menos tínhamos qualquer espécie de ligação. Mas lamento especialmente por ti, que ainda és jovem, com idade para seres minha filha, e por toda uma nova geração da tua idade, que, apesar de querer parecer tão diferente por ter nascido num tempo diferente, de internet e de novos direitos, irá continuar a perpetuar os mesmos erros das gerações anteriores. 

De facto nada parece mudar de essencial. E nem é preciso indagar o que se passou. É demasiado óbvio. Volta-se para o ex-namorado de quem se dizia que se passava a vida a discutir, que era demasiado controlador e os ideais eram completamente diferentes, mas tem que se fazer cedências. E eu nem quero imaginar de que ordem serão essas cedências na vida real, para que se tenha mesmo de cortar com uma mera pessoa (eu) que nem nos conhece e que simplesmente envia um e-mail a dar notícias. 

Lamento mesmo que as novas mulheres, que até já cresceram num mundo diferente, continuem a submeter-se ao velho jugo, à mesma burka, e que sejam elas mesmas a perpetuar o machismo. E depois queixam-se dos homens, da violência doméstica, quando são elas mesmas que simplesmente se deitam na cama que fizeram. 

Almas Perdidas


"Our souls are lost / We must sail north"

Viver é só Resolver Problemas?

Não sei se é o destino, se é o universo, ou então se é o raio que o parta, mas a verdade é que, quando de tudo nos acontece, e ao mesmo tempo, sem descanso quase sem tempo para respirar, fico com a sensação que viver é quase só ter de resolver problemas, uns atrás dos outros.

Quando eu era criança tinha dois medos. De tanto ouvir falar tinha medo de poder ter de ir para essa coisa que se chamava tropa, e tinha também medo de quando chegasse o fim do mundo, afinal, ia morrer ainda tão jovem, no ano de 1999, porque passava a vida a ouvir dizer que "a 2000 chegarás, de 2000 não passarás. Em criança tinha também o medo de poder chegar a adulto e não saber resolver todos os problemas que os adultos têm, ao passo que, enquanto somos crianças, não temos de os resolver nem de decidir nada, pois temos sempre os papás a resolver os problemas e a decidir por nós, até a roupa que levamos para a escola no dia seguinte.

Entretanto há muito que sou adulto. Não fui à tropa e duvido que algum dia pegue numa arma de fogo porque sou totalmente conta elas. E há quase dezoito anos que passei o ano 2000! Já nem na santa podemos acreditar! E depois, à medida que vamos abandonando a meninice, começamos a ter de tomar decisões e assumir responsabilidades. 

Os estudos, as amizades, com quem decidimos andar, os namoros, a sexualidade. Depois o trabalho, o primeiro carro, a casa... Não é necessariamente por esta ordem, mas aos poucos a nossa vida rodeia-se de um monte de decisões que temos de tomar, e algumas dessas decisões poderão ter, para o bem e o para o mal, implicações para o resto da nossa vida. 

E os problemas em adulto já não são aqueles que resolvíamos na escola primária em que se tirava a prova dos nove. Por vezes parece mesmo que o universo não tem mais nada que fazer que não seja complicar-nos a vida. Parece que pega num boneco de voodoo e nas agulhas, e vai-nos espetando, espetando e rindo-se de nós, como se tivesse mesmo muita graça foder a vida dos outros. E no meio de um monte de problemas, que surgem sempre ao mesmo tempo, tal como diz a Lei de Murphy! em que teremos de tomar decisões e resolver as situações. E logo que se resolvem uns, é como se de repente estivéssemos num jogo, passássemos de nível para logo a seguir aparecerem mais uns quantos. Às vezes fico mesmo com a sensação que, nesta vida moderna, e tantas vezes uma vida sem sentido que levamos, viver mais parece que é só ter de  problemas atrás de problemas. 

E o que me parece é que nós não andamos a viver. Andamos unicamente a ser escravos desta sociedade de consumo. Os nossos problemas não são verdadeiros problemas. São meras contas que qualquer menino resolve na instrução primária, tal como eu resolvia e ia depois, a correr mostrar à professora Alice. 

Uma grave doença; um acidente; uma incapacidade; uma morte; um desgosto amoroso. Sim, isso são problemas reais. Tudo resto, na maior parte dos casos são só pequenas decisões que temos (ou não) de tomar. E às vezes parece que os adultos, mesmo quando tudo está a correr bem, adoram criar os seus próprios problemas, tal como aquela criança que espera, na carteira, ansiosamente, que a professora coloque no quadro um novo problema para resolver. 

Sim, eu tenho em mãos alguns problemas complicados. Uns mais do que outros. Uns mais básicos, da base da pirâmide, outros mais difíceis de resolver, lá bem no cume, de cariz existencial. Mas uma coisa é certa, o universo terá que se esforçar mais, pois as agulhas que espeta no meu boneco de voodoo só me fazem umas coceguitas. Olha para mim universo, de pé, firme, sempre a resistir. É só isso que tens para mim? O que eu acho é que quem dera a muita gente ter só os problemas que eu tenho para resolver. (Ainda que, na verdade, se soubessem dos problemas que eu tenho, quem lhes dera voltar a ter só os seus).

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Publicação Nº 666




"E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas. Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis." (Apocalipse 13)

domingo, 10 de dezembro de 2017

Não Agites o Barco Quando o Mar está Calmo

E também te estás nas tintas para saber que o Estado português participa na produção desta novela com dinheiro de uma igreja manhosa?
Meu querido, o Estado Democrático Português deu um canal de televisão à Igreja Católica e não foi assim há tanto tempo. 
Ok, e?
Provavelmente as calças que tu tens foram feitas por uma criancinha no Vietname e nunca te vi a costurares a tua própria roupa para ajudares as criancinhas asiáticas. Hoje em dia ninguém faz uma omelete sem que os ovos sejam do aviário e esteja cheio de hormonas. Percebes? Ninguém é inocente. Nada. Nem tu. 
Uau. É incrível. Tu transformaste-te num clone do Fernando. 
Esta produção já passou por muita merda. Agora estamos bem, as audiências são boas, as pessoas estão felizes. Elas gostam de ver o rei a correr atrás da escrava, feliz, e ninguém quer saber se foi a IFUBEG que pagou a coroa da Carlota Joaquina. Não agites o barco quando o mar está calmo. 
Isso é um ditado?
Não, é uma metáfora. Das más. 


País Irmão - Episódio 12

Então- é-isto-que-eles-conversam-lá entre-eles-e-querem-que-eu-me-Junte?!





sábado, 9 de dezembro de 2017

Parte de Alguma Coisa Maior

Sabe onde é que eu estava indo Márcio? No Museu do Fado. Estou em Lisboa há meses e ainda não vi nada da cidade. Você já ouviu Amália cantando?
Não.
- Prefere rock evangélico?
Jazz. 
Nossa, que ousado Márcio. Quem?
Billy Holiday, Frank Sinatra, Porter... Esses. 
Madrugada, um frequentador de prostitutas e uma bicha. 
Sabe o que a gente tem em comum Márcio? Quando eu escuto a Amália cantando eu me sinto parte de alguma coisa maior. Eu acho que é como você se sente quando você está rezando com centenas de pessoas num templo. Eu acho que no final das contas todo o mundo tem esse desejo de transcendência não é? Se sentir parte de alguma coisa. Maaaas, eu não fico tentando converter as pessoas ao fado. Eu não digo o que você tem de fazer, não me importo com quem você dorme, tampouco com o que você veste...
Cê tirou o seu dia de folga para fazer sermão para o pastor?
Todos nós somos pregadores das nossas convicções. 
Cê quer concluir?
Cê não cansa, de ser o que as pessoas querem que você seja? Fazer o que as pessoas querem que você faça?
Cê tá falando de mim ou de você Branca?
Acho que eu estou falando de nós dois né?



País Irmão - Episódio 12

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

É para isto que se quer ter uma Relação?

Já era de madrugada quando ela foi passear o seu cão preto, desconfiado, de olhos escuros e vestido de pai natal, para fazer o seu chichi. Eu acabei por dar mais uma volta ao bilhar grande, só para aproveitar os últimos minutos de conversa, antes de ter de refazer novamente metade do bilhar para ir para o carro, molhado pela chuva, e vir embora. 

De repente, a conversa interrompe-se. Ouvem-se gritos. Vinham de dentro de um Peugeot 205 branco que estava estacionado junto ao passeio da praça. O homem, descontrolado, gritava e batia violentamente com os punhos no tablier.  A mulher, do lado do volante, virada para a frente, estava quieta.

Perguntei-me se é para isto que as pessoas querem ter uma relação?

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Da Manipulação da Imprensa e das Opiniões que Contam para Limpar o Cu

 Hoje, 4 de dezembro de 2017 Mário Centeno, Ministro das Finanças do governo socialista, apoiado pelos partidos de Esquerda, é eleito (para o bem e para o mal) Presidente do Eurogrupo. Mas em Novembro de 2016, o pasquim Sol, dava como certa a sua saída do governo no início deste ano, provando-se que se tratou de mais uma mentira descarada e de uma campanha de intoxicação e manipulação da opinião pública.


Ora bem, Mário Centeno não sai do governo em Janeiro tal como afirmava o pasquim do Saraiva, mais, em face dos bons resultados que a economia portuguesa apresentava, Centeno começa a granjear simpatia na Europa, mesmo na família política da direita europeia, tanto que, o próprio Schäuble, Ministro alemão das Finanças, chega mesmo a apelidá-lo de "Ronaldo do ECOFIN. E começa-se mesmo até a falar dele como possível candidato a Presidente do Eurogrupo.

E o que é que tem a dizer sobre isto o comentador e ex-político frustrado, Marques Mendes, na SIC, canal do fundador do PSD e aquele de quem Belmiro de Azevedo disse que não servia nem para porteiro da SONAE?

 

Muito elucidativo não é? E dizem que esta é a "opinião que conta". Jornais e comentadores a manipular e a mentir descaradamente. Mas infelizmente, os jornais nem para para limpar o cu servem.

E o que é que eu acho de Centeno no Eurogrupo? 
Não acho nem deixo de achar. Pode ser prestigiante para Portugal sim, se desenvolver um bom trabalho, mas neste momento acho que os portugueses estão mais preocupados com a economia portuguesa do que com a economia europeia. E depois eu não tenho especial simpatia por portugueses no estrangeiro, principalmente se forem incompetentes. Prefiro todo e qualquer estrangeiro competente a um português incompetente por dois motivos: primeiro ficamos melhor servidos, segundo, não passamos vergonhas como com Durão Barroso. Vou esperar para ver.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Teste de Personalidade: Quão Neandertal és Tu? e podes culpar o teu ADN?

Fala-se muito do QI (Quociente de inteligência) e do QE (Quociente de Inteligência Emocional) mas e o que sabem acerca do Quociente de Neandertal?

O jornal Guardian, no seu site on-line, e em jeito de passatempo e curiosidade domingueira, e promovendo o livro "És mais esperto que um chimpanzé?"de Ben Ambrige, deixa um questionário para percebermos melhor como é o nosso Quociente de Neandertal. Isto porque um novo estudo da Universidade Nova York analisou 200 Homo Sapiens e tentou perceber quais os traços de personalidade que eles compartilhavam com os nossos primos distantes Homo Neanderthalensis.

The Guardian
E quanto a nós? Vamos lá ver então. Com que frequência (nunca / ocasionalmente / frequentemente) tu...

a) Fantasias sexualmente com alguém que não é o teu parceiro?

b) Evitas falar com pessoas que não conheces muito bem?

c) Por vezes sentes-te tão nervoso que nada te pode acalmar?

d) Mostras falta de imaginação em situações novas?

Ora bem... no meu caso, como de momento não tenho nenhuma Femina Sapiens(*) salto já para a alínea b: Não, não evito nada falar com pessoas que não conheço bem. Estou muito à vontade com isso.

c: Raramente. 

d) Sou extremamente criativo e imaginativo mesmo em situações novas.

Concluindo, sou um verdadeiro Homo Sapiens! e tenho um QN  baixo!
Mas se a maioria das tuas respostas foi frequentemente então tens um NQ relativamente alto

À primeira vista nós Homo Sapiens somos monogámicos (cof cof) sociáveis, calmos e imaginativos, ao passo que os Neandertais eram promíscuos e brutos. Mas os investigadores observaram as amostras de ADN dos participantes e procuraram correlações entre as suas personalidades e a sua sobreposição genética com o ADN de Neandertal, as correlações foram pequenas, mas estatisticamente significativas. Uma vez que, em geral, a evidência de traços de personalidade hereditários é forte, e como tal não é exagerado imaginar um futuro próximo em que as nossas personalidades sejam analisadas, não em questionários, mas pelo nosso ADN. 

Mas eu acho que isto também dá uma bela inimputabilidade a muito boa gente! 
Ai querido, sim é verdade, andei a pinar com o colega novo do escritório, mas tu sabes, eu não tenho culpa nenhum. É o maldito Quociente de Neandertal! Ou ainda "Querida, levas nas trombas todos dias, mas eu não tenho culpa, é tudo do ADN e dos nossos primos Neandertais!

(*) Pois é, chamar Homo Sapiens a todo a humidade é certamente uma terminologia que viola o código para a igualdade de género. Oh não, se alguém se lembra temos mais umas dezenas de mortos, com os incêndios... nas redes sociais! 

Deixar de Acreditar



É mais do que isso. Eu deixei de acreditar.

A cada dia que passa eu acredito um bocadinho menos, um bocadinho menos e um bocadinho menos, e é fodido. E que é que eu faço em relação a isso Scherbatsky?

Química. Se tens química, só precisas de outra coisa.

E isso é o quê?

Tempo. Mas o tempo é uma merda.