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domingo, 17 de março de 2019

Os Utilizadores do Facebook São Vítimas da Violência Doméstica?



Por estes dias, depois de ter tomado conta do mais recente escândalo facebuquiano, em que, qualquer pessoa, (mesmo não estando registado) dessa rede social, pode, através de várias aplicações, informar o Facebook de dados pessoais como, por exemplo, quando determinada mulher está menstruada ou quando está no período fértil, e depois dessas informações privadas terem sido comprometidas, surgiu-me a pergunta:

Nos dias de hoje, depois de tantos escândalos que se sucedem uns atrás dos outros, será que um ainda utilizador de Facebook não é como uma vítima de violência doméstica que tolera o seu agressor porque acredita, lá na sua cabeça, que o agressor bate-lhe porque gosta de si?



Eu devo ser o último português (ou quase) sem Facebook. Nunca me registei apesar das muitas pressões, e só eu sei pelas pressões por que passei. É que nem se compara às pressões que vou tendo agora para usar um tal de Whatsapp (fui agora ao Google ver como se escreve) porque descobri agora que, afinal, segundo algumas pessoas, enviar e-mails dá muito trabalho! Anexar imagens nem se fala! Mas não sei, talvez com esse Whatsapp baste às pessoas pensarem e as outras pessoas amigas com quem queremos comunicar, recebam de imediato, virtualmente, o que queremos dizer! Se assim é deve ser realmente espetacular! Não dá trabalho nenhum!

Mas entretanto os mais jovens começaram a debandar do Facebook e muitos agora já nem se registam lá ("porque não querem frequentar o mesmo sítio de pais e avós") e, aos poucos, começaram os sucessivos escândalos. O senhor Zuckerberg, qual criancinha que fez uma asneira, teve que dar explicações no Senado americano e no Parlamento Europeu, e ficamos a saber, verdadeiramente, como eram tratados os utilizadores do Facebook, e mais grave ainda, pessoas que, como eu, que nunca sequer lá estiveram registados, mas que, mesmo assim, podem lá ter dados pessoais por causa de pessoas comuns que lá estejam e interajam connosco.

A DECO/Proteste colocou o Facebook em tribunal e as pessoas querem indemnizações. Claro que querem algum dinheiro que venha, contudo, o que eu pergunto é: toda essa gente que subscreveu a petição para ser indemnizada apagou as suas contas de Facebook ou ainda continuam por lá?

E esta semana, todos os sites do senhor Zuckerberg (Facebook, Instagram, Whatsapp) estiveram em baixo. E foi o caos! Houve mesmo uma televisão australiana que pediu à população para não chamar a polícia! Afinal, como é que as pessoas conseguem viver sem redes sociais, sem gostos ou sem cuscar a vida das outras pessoas? Felizmente que foi só um dia, e o Twitter estava a funcionar, senão, certamente iriam acontecer suicídios em massa! 




Será que não poderemos então dizer que os utilizadores do Facebook estão para a internet como as vítimas de violência doméstica para com os agressores? Repare-se que, neste apagão do Facebook, é como se a vítima de violência doméstica, reclamasse por não ter o seu agressor para lhe dar porrada! 
Mas o mais grave é que, uma vítima de violência doméstica, na pior das hipóteses pode morrer; uma vítima do Facebook, se morrer, ainda assim continuará a ter a sua conta por lá, eternamente, a ser interagida pelas outras pessoas. 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

É para isto que se quer ter uma Relação?

Já era de madrugada quando ela foi passear o seu cão preto, desconfiado, de olhos escuros e vestido de pai natal, para fazer o seu chichi. Eu acabei por dar mais uma volta ao bilhar grande, só para aproveitar os últimos minutos de conversa, antes de ter de refazer novamente metade do bilhar para ir para o carro, molhado pela chuva, e vir embora. 

De repente, a conversa interrompe-se. Ouvem-se gritos. Vinham de dentro de um Peugeot 205 branco que estava estacionado junto ao passeio da praça. O homem, descontrolado, gritava e batia violentamente com os punhos no tablier.  A mulher, do lado do volante, virada para a frente, estava quieta.

Perguntei-me se é para isto que as pessoas querem ter uma relação?

domingo, 3 de abril de 2016

"Só tem vinte anos"!

Acabo de abrir o site do Público e comprovo o que penso. Há cada vez mais uma enorme condescendência com a idade. Homens e mulheres na casa dos vinte são uns coitadinhos, não sabem o que fazem!

Um homem ou mulher de vinte nos, já tem responsabilidade criminal desde os dezasseis, o que significa que pode ser preso pelos seus atos. Já pode casar e desde os dezoito já pode votar e já tem todos os direitos e obrigações que qualquer outro cidadão de qualquer outra idade. E já pode ser pai ou mãe há muitos anos...

Mas o "rapaz só tem vinte anos"!

Um homem ou uma mulher de vinte anos é coitadinho. Se calhar o melhor ainda é ir limpar-lhe o cu, porque se calhar ainda não conseguem fazê-lo sozinho. Ou então será conveniente continuar a apertar-lhe os cordões dos sapatos. Ou então ir com eles a uma entrevista de emprego, porque coitados, "só têm" vinte anos. Sabem lá bem como se comportar. Tadinhas das criancinhas que ainda ficam traumatizadas. 

E depois analisemos a notícia: Esta criança de vinte anos, está acusada de 13 crimes de ameaça agravada e três de violência doméstica. Esta criança, que "só tem vinte anos" disse aos pais:


"Eu atropelo-vos com o carro. Eu rego a casa com gasolina. Eu incendeio tudo"!




E é isto que acontece quando não se dá educação, e a educação é para ser dada pelos pais. Quando se dá tudo aos fedelhos. estes crescem e pensam que a vida lhes vai dar tudo aquilo que eles acham que merecem. E os pais são escravos destas crianças, que um dia aos vinte anos, se viram contra os próprios progenitores. 

Saber educar não é querer dar tudo aos filhos, mas sim dar-lhes ferramentas para que eles percebam que na vida é preciso lutar pelo que queremos. Nada nos é dado de mão beijada. 

Eu conheci um caso bem de perto, em que também uma criança de vinte anos ameaçava bater nos pais. Certa vez até, com o filho ao lado a mexer-lhe nas coisas junto da mota, disse que um dia ainda o matava com o martelo. Também a esta criancinha foi dado tudo. Aos dez ou doze anos já conduzia o trator do pai, que achava que tinha ali o menino Jesus, que o filho era melhor que os outros. E tudo lhes deram, e ele saiu um insurreto, que rapidamente deixou de estudar, e também foi daqueles daqueles que um dia cresceu e depois ameaçam bater nos pais se não lhe derem um Mercedes de cinquenta mil euros.


domingo, 4 de janeiro de 2015

Onde vais assim vestida?


Tenho para mim que, sempre pensaram que eu não sou ciumento, porque nunca impliquei, ou mandei, e a palavra certa é essa - mandar - nenhuma namorada minha trocar de roupa, porque "não sais assim vestida comigo para a rua".

E eu até pensava, se calhar ingenuamente, fruto da não muita convivência social, que esses comportamentos medievais estariam foram de moda, ou então remetidos a pequenos guetos machistas, como na aldeia onde vivo. Mas afinal não! Ainda por estes dias me dizia uma senhora, que não, que na verdade esse tipo de comportamento está bem vivo e de boa saúde!

 

Mas vamos lá ver uma coisa, alguém me explica por favor, como se eu fosse muito burro, o que é que tem a ver o ciúme com a forma que a namorada se veste? Outra questão para os homens: e elas, não podem também elas mandar-vos trocar de roupa? 
Isto já me faz lembrar aquela história do meu amigo que, se a namorada quiser trazer uma amiga para se juntar à festa, que venha que é muito bem recebida, mas quando eu pergunto, e então se ela quiser trazer um amigo? Aí nem pensar! Afinal a democracia e o "ciúme" não é para ambos, funciona só para um dos lados! Afinal só os homens podem ter "ciúme"!

"Ciúme" é a desculpa que os homens broncos dão, por forma a exercer o poder e o controlo sobre as mulheres. Mas tão idiota é o homem que não deixa a mulher andar com esterno à vista (aquele osso baixo do pescoço!) como mais burra ainda é a mulher que se submete aos desmandos de um qualquer homem idiota. 

É cedendo nestes, aparentemente pequenos detalhes, e iludindo-se elas que "ele manda-me mudar de roupa porque gosta muito de mim", que estão a dar espaço, para que, futuramente, surjam outros tipos de controle. 

Uma mulher não é agredida pelo companheiro assim do nada. A relação não era perfeita, e simplesmente de um dia para o outro, o homem passa-se e dá-lhe um arraial de porrada. Não, tanto homem como mulher, (porque a violência doméstica não tem sexo) que gostam de exercer controle, vão-no fazendo porque o outro vai dando espaço, e o cerco vai-se apertando, até que um dia as coisas passam da pressão psicológica à agressão física. 

Do "ai gosto tanto dele que ele é tão ciumento" um dia pode eventualmente chegar ao "Onde vais minha puta assim toda arranjada?" Mas o que eu acho mais curioso, é que este tipo de homem, e ao que parece ainda é um espécime muito comum da nossa sociedade, este homem interessa-se por estas putas antes de começar a namorar com elas! Sentem-se atraídos por elas, mas depois de começarem a namorar com a "puta", e porque já se julgam dono dela, querem à força toda que elas saiam todos os dias de burka vestida.

Mas eu volto a sublinhar. O único culpado desta situação, não são os homens medievais e bons católicos portugueses, e que inveja que devem ter dos muçulmanos que têm as suas mulheres vestidas de burka! A culpa é única e exclusivamente da mulher que em pleno século vinte e um, acha que estes comportamentos são manifestações de "afeto". 

O ciúme é uma coisa real, e ocorre nos mais variados cenários, até entre amigos, no local de trabalho, pode até estar relacionado com a inveja e principalmente com a desconfiança ou o amor-próprio, mas nada tem a ver com a roupa que as mulheres vestem.

Eu felizmente que sou um tipo de homem muito diferente destes machistas ridículos. 

Existem dos tipos de homens. O que arregala logo os olhos se a mulher está com um centímetro do rego das mamas à vista, ou então com um centímetro a menos no comprimento da saia. Mas depois existe um segundo tipo de homens. Aqueles que gostam de estar bem acompanhados. Que não se importam que todos os homens quase partam o pescoço a olhar para a beleza que os acompanha. 
"É linda não é? Mas está comigo!" E eu sou deste segundo tipo de homem. 

Ciúme? Isso é um assunto que nada tem a ver com o excesso de pele à vista, até porque todos nós nascemos sem roupa não é? 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eleitorado português com síndrome de Estocolmo

Não ter televisão poupa-nos aquele espetáculo deprimente das televisões, em que todos os partidos em noite eleitoral afirmam ter sempre uma vitória, bem como ter de levar com os comentadores da treta que as televisões escolhem para puxarem a brasa ao partido que defendem. Em vez de se convidarem pessoas minimamente isentas e não militantes de nenhum partido, não, vão escolher para comentadores ex-políticos mais ou menos frustrados mas com ambições de, quem sabe, ainda virem um dia a conseguir mais um tacho. 

E passava agora os olhos pelas capas dos jornais, precisamente para ficar a saber os resultados das europeias de ontem, que ao que parece ainda nem são definitivos, mas comprovo mais uma vez o óbvio. Grande parte dos eleitores portugueses estão doentes e sofrem de Síndrome de Estocolmo. Deveriam fazer acompanhamento psicológico (ou psiquiátrico?) e só então depois de curados desta patologia grave, poderiam e deveriam usar do seu direito de voto. 

freeimages.com

Desde que passamos a ter eleições livres, Portugal tem sido governado sistematicamente e sem qualquer mudança, por três partidos. Ora um sozinho ou então coligados, aos pares, ou então os três juntos, como me parece que se prepara para voltar a acontecer, seguramente, para o ano. São eles, e quem neles sistematicamente vota, os únicos responsáveis pelo estado de coisas a que chegamos. Mas ironicamente o eleitor continua a escolher sempre os mesmos, como ontem se verificou. 

Mas porquê? Como é que isso se explica? É por burrice? Por ignorância? Por masoquismo? Por medo da mudança? 

Da mesma forma que se explica o porquê das vítimas de violência doméstica, que anos e anos, sofrendo violência psicológica, ameaças, e muitas vezes levando mesmo porrada, passam a vida a defender o seu agressor, que coitado não tem culpa de ser assim, e muitas vezes só deixam mesmo de o defender quando vão parar ao cemitério. 

O português é roubado, é humilhado, insultado e literalmente fodido por estes três partidos há quase quarenta anos, mas sempre que tem a possibilidade de mudar alguma coisa, não muda, faz finca-pé, e defende com unhas e dentes o seu agressor, até à morte se for preciso.