Quem me vai lendo aqui sabe que não vejo televisão e, como tal, não acompanhei nada do que aconteceu em Ceuta e, nos jornais, fujo das notícias das guerras e das desgraças. Mas, do pouco que ouvi transportou-me logo para o livro Vinhas da Ira de Steinbeck, e da conversa que, no capítulo XX, Tom, personagem central do romance tem com um mecânico, e tem a revelação do esquema maquiavélico: os donos das terras na Califórnia imprimiram milhares de panfletos, anunciando muito trabalho que na verdade não existia, unicamente com o intuito de explorar as pessoas que vinham dos estados como Oklahoma ou mesmo matá-las, se fosse preciso. Em Ceuta aconteceu o mesmo truque: a fronteira espanhola não estava aberta.

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