terça-feira, 21 de julho de 2026

Como as Diferentes Gerações Olham Para o Trabalho

 Artigo de domingo, publicado no El País, muito extenso e vou só aqui deixar algumas notas soltas e que ilustra muito bem a relação dos mais jovens com o mercado de trabalho e que deve ser um abre olhos para os recursos humanos das empresas e também para todos nós, os mais velhos. 

Porque a mentalidade antiga, como a minha, de ir trabalhar a todo o custo, mesmo doente, e querer dar sempre o melhor e "vestir a camisola", como se a empresa fosse nossa, essa mentalidade tem os dias contados.

Irá acabar nem se que seja quando os trabalhadores mais velhos estiverem todos reformados, ou mortos, e não haverá mais gente burra a esforçar-se para além do razoável. E, assim sendo, ou dão boas condições aos mais jovens, ou vão ficar sem trabalhadores. 



"NÓS JOVENS NÃO VAMOS TRABALHAR DOENTES"

Carlos Martínez tem 28 anos e trabalha como técnico de laboratório numa indústria farmacêutica.

A minha opinião, e também a da maior parte dos meus amigos, é que, se precisarmos de uma baixa por motivos de saúde, é assim que tem de ser. A empresa não é a nossa vida. Por muito que façamos, isso nunca nos será verdadeiramente reconhecido. Não vou herdar a empresa. Da mesma forma que, para a empresa, nós somos apenas um número, para mim ela também o é.

(...)

Os dados mais recentes da Autoridade Independente de Responsabilidade Orçamental indicam que a incidência da incapacidade temporária por doença comum é de 41,1 casos por cada mil trabalhadores inscritos na Segurança Social entre os 25 e os 35 anos - um aumento de 66% entre 2017 e 2024, com especial destaque para os problemas de saúde mental -, enquanto entre os 55 e os 65 anos é de 29,7 casos por mil, tendo aumentado 43%.

Também Javier Muñoz, responsável pela área socioeconómica do Conselho da Juventude de Espanha, reconhece essa diferença:

Creio que, na nossa geração, se considera que a vida não gira em torno do trabalho; o trabalho é uma ferramenta para viver, não uma razão para viver. E não vamos trabalhar doentes, como aconteceu com pessoas de gerações anteriores.

(...)

José Manuel Lasierra, professor de Economia Aplicada da Universidade de Saragoça, hoje com 70 anos, observa essas diferenças no quotidiano e analisou-as no estudo Diferenças geracionais no trabalho em Espanha: uma revisão.

Nesse trabalho distingue «um grupo de trabalhadores com um perfil mais tradicional, correspondente ao trabalhador fordista, e uma geração mais jovem, menos comprometida com a empresa, menos identificada com o trabalho, para quem este representa sobretudo um meio de subsistência e já não uma fonte de valor imaterial».

Este especialista considera que grande parte destas diferenças se explica pelo contexto em que cada geração cresceu:

- Para as pessoas da minha idade, que passaram por tantas privações, o trabalho era escasso. Isso marca-nos para toda a vida. Hoje, os jovens têm muito mais facilidade em encontrar emprego.

Essa ideia é partilhada por Juan Ángel Alonso, de 59 anos, chefe de produção numa empresa de equipamentos:

- Tenho notado uma enorme diferença de atitude perante o trabalho entre os jovens e os mais velhos. Creio que isso resulta de terem crescido num contexto completamente diferente. Há quarenta anos tínhamos mesmo de nos desenrascar para sobreviver.

Pedro Pablo Sanz reforça esta leitura:

- Houve uma mudança de valores e de prioridades relativamente ao compromisso e ao sentido de responsabilidade perante o trabalho, acompanhada — ou provocada — por uma enorme valorização da obtenção imediata dos objetivos desejados.

O especialista em recursos humanos Jesús Torres apresenta uma explicação baseada na lógica da oferta e da procura:

- Antigamente a concorrência era muito mais intensa, numa geração extremamente numerosa e com muito poucos empregos disponíveis. Agora a pirâmide demográfica inverteu-se. Há setores com dificuldades em encontrar trabalhadores e os jovens têm alguma confiança de que, se saírem de uma empresa, conseguirão encontrar outro emprego relativamente depressa. Não têm medo da mudança.

Naquela altura falava-se constantemente dos jovens que nem estudavam nem trabalhavam — um fenómeno que atualmente se encontra em mínimos históricos. Hoje, porém, Lasierra considera mais relevante o fenómeno dos «sim, sim»: jovens que estudam e trabalham ao mesmo tempo.

Ángela Gómez, investigadora de 38 anos e doutorada pela Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED), também estudou especificamente as diferentes atitudes das gerações perante o trabalho na sua tese de doutoramento.

Segundo explica:

«Os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) tendem a associar-se mais à estabilidade, ao compromisso e à permanência na empresa.

A geração X (1965-1980) caracteriza-se por valorizar a autonomia, a capacidade de adaptação à mudança e o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional.

Os millennials (1981-1996) atribuem maior importância ao desenvolvimento profissional, à flexibilidade, ao bom ambiente de trabalho e à coerência entre o emprego e os seus valores pessoais.

Já a geração Z (1997-2012) cresceu num ambiente totalmente digital, pelo que costuma sentir-se mais confortável com a tecnologia, a aprendizagem contínua e os modelos de trabalho flexíveis.»

Apesar disso, a investigadora insiste:

— Estas características representam apenas tendências gerais e não definem da mesma forma todas as pessoas de cada geração.

É uma ideia partilhada por Pablo Martínez, um jovem das Canárias de 27 anos que está a fazer doutoramento em Física:

— Acho que, em média, as gerações anteriores eram mais sacrificadas porque cresceram num contexto diferente, marcado por maiores dificuldades. Mas nem os jovens nem os mais velhos gostam propriamente de trabalhar. Creio que ambas as gerações encaram o trabalho como um mal necessário.

Gómez sublinha ainda que existem muitos outros fatores que condicionam a forma como cada pessoa encara o trabalho, para além da idade.

— O género, a classe social, o facto de se vir de um país considerado como tendo um ensino de qualidade ou de se ter estudado numa universidade prestigiada influenciam as oportunidades profissionais, as expectativas e as prioridades de cada indivíduo.

E exemplifica:

Alguém que tenha crescido num contexto com menos recursos pode atribuir maior importância à estabilidade económica, enquanto outra pessoa poderá privilegiar o desenvolvimento profissional ou a flexibilidade.

Perante este cenário, a investigadora considera «importante» não atribuir todas as diferenças «exclusivamente» à geração a que cada um pertence. 

(...)

Sara Pérez, de 22 anos, que já trabalhou no atendimento ao público em várias lojas, chama a atenção precisamente para esse aspeto:

— Tenho reparado que as trabalhadoras mais velhas suportam muito mais do que nós porque são quem sustenta as suas famílias. Não tiram baixa, independentemente do estado em que estejam. Nós já não aceitamos esses abusos nem que deixem de nos pagar as horas extraordinárias.

A secretária confederal da Juventude das Comissões Operárias, Pau Garcia, considera que a maior resistência dos jovens em aceitar abusos laborais representa «um progresso» e aponta outro fator que, segundo praticamente todos os especialistas consultados, ajuda a explicar esta mudança: o pessimismo em relação às condições de vida futuras.

O esforço no trabalho já não compensa como antigamente. Se, por mais horas que trabalhes, não consegues comprar uma casa; se, por muito que estudes e te formes, isso não se reflete nas tuas condições de trabalho, é normal que não estejas disposto a aceitar tudo.

Borja Fernández, auditor de 28 anos, acrescenta:

— Hoje um jovem não sabe sequer se a inteligência artificial lhe vai retirar parte do trabalho, mesmo tendo uma excelente formação.

E continua:

Um jovem vê que o salário vale cada vez menos, que é extremamente difícil tornar-se independente e que, ainda por cima, se ao sábado vai beber um copo com amigos, aparece sempre alguém a dizer que, se poupasse esse dinheiro, conseguia comprar uma casa. Mas a realidade não funciona assim.

Sofía Gimeno, advogada de 23 anos, natural de Tarragona, destaca outra diferença:

— Hoje é muito mais difícil destacar-se profissionalmente do que era antigamente, porque nessa altura não era tão comum as pessoas terem um curso universitário.

(...)

Em suma, para muitos jovens, o trabalho continua a ser importante, mas deixou de ocupar o lugar central que teve para gerações anteriores. A prioridade passa cada vez mais por preservar a saúde física e mental, conciliar a vida profissional com a vida pessoal e exigir condições laborais consideradas justas, recusando aceitar práticas que, durante décadas, foram encaradas como inevitáveis.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Tudo é Política Até a 1a Página de um Jornal

 Estamos em 2026 e não perdi um minuto da minha vida a ver o Mundial de Futebol. Acordei à pouco e fui ver as primeiras páginas dos jornais e, então, fiquei a saber que a Espanha venceu a Argentina na final.

E, como se costuma dizer: "tudo é política", até as primeiras páginas dos jornais. 

Até na escolha da fotografia para ilustrar a vitória da Espanha no Mundial, diferentes jornais espanhóis optaram visões bem diferentes. 


O jornal El País, mais conotado com a esquerda, optou por exaltar os obreiros, os trabalhadores, os jogadores. O jornal La Razón, conservador e conotado com a direita, exulta o rei, a monarquia, o poder instituído. 

E aqui está, numa simples primeira página de jornal, como podemos definir o que é esquerda e o que é direita. Mesmo assim, a maioria dos trabalhadores não sabe o que é tal coisa. 

# Eles Só Precisam da Tua Atenção

Na Loja de Bicicletas


A minha ligação às bicicletas começou por volta dos três anos quando o meu pai construiu uma para me dar. Sim, ele próprio fez a bicicleta que já partilhei aqui.

Foi recentemente que peguei de novo na bicicleta e na verdade já há uns três anos que não o fazia. Entretanto o colega de trabalho de 18 anos que não sabia andar de bicicleta quis aprender e levei a bicicleta para o trabalho para ele se tentar equilibrar e começar a aprender. E a verdade é que, uma semana depois, com uma bicicleta que o chefe lhe de emprestou, já consegue andar, ainda que com algumas dificuldades, mas já iam pedalando e agora é continuar a praticar e ele parece entusiasmado. 

Entretanto decidi mandar afinar as minhas duas bicicletas. Sim, tenho duas. Acabei por comprar uma segunda bicicleta para, quem sabe, quando um amigo meu cá viesse, pudéssemos dar umas voltas, mas, o mais irónico disto tudo é que, já passaram vários anos e nunca mais voltamos a combinar nada e não sabemos nada do que é feito um do outro. 

Mas as bicicletas ficaram. E então mandei-as afinar e lubrificar. 47€ no total. E, fazendo o parêntesis, não deixa de ser extremamente irónico que, quer as reparações dos automóveis, quer das motos, ambos poluentes, têm benefícios fiscais na e_faturinha e as bicicletas, veículo totalmente ecológico e que beneficia a saúde e previne o absentismo no trabalho não tem nenhum incentivo fiscal. Mas temos todos que ser verdes, dizem. Defender o ambiente, o caralhinho. É tudo negócio, nada mais do que isso!

Mas o mais interessante foi o que fiquei a saber na loja de bicicletas. 

Fiquei a saber, por exemplo, que bicicletas que custam 500€ não se vendem. Disse-me o dono da loja ilustrada na fotografia - que tem a loja recheada de scooters a bateria que não é preciso carta de condução - que vende, talvez, uma bicicleta por mês. As que se vendem mais são as bicicletas que se vendem por milhares de euros! É só ficar à espera da aprovação do crédito e pronto. 

E que me levou a exclamar: "está mesmo tudo fodido dos cornos"!

domingo, 19 de julho de 2026

Jesus: Tu Pra Mim Finish!

O treinador multimilionário que nem falar sabe é o novo selecionador nacional que segue um único partido no Instagram: o partido dos taberneiros que insultam toda a toda.

Ora aqui está algo verdadeiramente surpreendente. Um bronco arrogante milionário que não sabe falar apoia o CH. Nunca esperaria tal coisa!

Só tenho uma coisa a dizer: Jesus, tu pra mim, finish!


 

terça-feira, 14 de julho de 2026

O Paulo Dorme na Rua e Isso Deveria Ser uma Tragédia Para Todos Nós

 Os cãezinhos desataram a correr e a latir na direção de um homem e regressaram para logo depois desatarem a correr de novo na direção dele que abriu os braços como o Cristo Redentor e os quisesse acolher. Ao passarmos por ele começamos a conversar e percebi que ele dormia ali ao relento e talvez por ali se tivesse fixado recentemente. 

Contou que deixou as drogas e, como creio ser habitual nestes casos, mudou-se para o álcool, porque o vinho e a cerveja são baratos, e digo eu que nunca bebi, ajudam a esquecer e a passar melhor as noites. 

Dissemos-lhe para procurar ajuda apesar de ele responder que não quer nada com a segurança social. Disse-lhe que todos nós pagamos os nossos impostos para isso mesmo, para o que o Estado quem mais precisa, como ele precisa neste momento. 

É bem mais novo do que eu. Insisti para pedir ajuda porque não pode continuar a dormir na rua. Agora está calor, mas, e depois, quando vier o frio e a chuva?

Ele começou a chorar e eu dei-lhe um abraço. 

No dia seguinte acordei a pensar nele. E lembrei-me do filme "Pay It Forward" (Favores em Cadeia) que gostaria de rever. 

Afinal, o que é que cada um de nós está a fazer para melhorar o mundo?

domingo, 12 de julho de 2026

As Indignações Erradas dos Pobres de Direita



Em 2025, Portugal gastou com o RSI uns míseros 5% de todo o dinheiro que deitou ao lixo para comprar armas: 6.1 Mil Milhões de Euros.

Mas a revolta dos pobres de direita é com os 156€ que o Estado gasta, em média, a apoiar outro pobre em dificuldades, valor esse que não dá sequer para comprar um cabaz de alimentos essenciais de comida que, segundo a DECO, custa agora 256€.

terça-feira, 7 de julho de 2026

A Seleção Morreu na Praia

Acabou o mundial para Portugal. Eu não vi nem um minuto sequer dos jogos da seleção. 

Ao menos agora deixaremos de ter que pagar as viagens constantes do Luís aos Estados Unidos. Não entendi porque não ficava por lá, a fazer de conta de governava o país à distância, tal como se fosse um nómada digital, ainda por cima sempre deveria ficar mais barato e com uma pegada ecológica menor.  



Antes da ida da seleção para os Estados Unidos comentei com os colegas que estava tudo mal no que há preparação dizia respeito, e que as idas à praia transmitiam, até para os jogadores, uma ideia errada do que estava ali a fazer, E deve ser a mim, mas a praia costuma dar-me sono. 

domingo, 5 de julho de 2026

Colecionador de Citações (10) - A Desumanização Alucinada dos Imbecis

A propósito do seu último livro "O século dos imbecis":

"Eu tenho um amigo que diz que passou a vida toda a tentar mudar o mundo e que agora só quer que o mundo não o mude a ele. É com tanta estupefação que assistimos à degeneração coletiva que eventualmente a boa gente já só quer sossego.

E desistiu de lutar?

Lutar acaba por ser isso, A eleição por exemplo do Milei - os grandes imbecis do grande poder do mundo são muito declarados, são muito honestos, até porque a sua imbecilidade no seu esplendor é impossível de esconder - o que o Milei está a fazer na Argentina é estranhíssimo. Ele acaba de dizer esta semana que a retirada de apoio a crianças em tratamentos de cancro é elementar porque uma criança em tratamento de cancro não merece mais do que qualquer cidadão. Portanto, se qualquer cidadão não tem um apoio para um transporte para ser levado a um hospital, uma criança com cancro que esteja a tentar salvar a sua vida também não merece esse apoio.

Por isso, o grotesco da ideia é tão grande que é pura desumanização que está em curso e as massas escolheram aquele homem que, no fundo, desde o início, com as motoserras e com tudo o que dizia se declarou desumano e perfeitamente alucinado". 

Valter Hugo Mãe no programa da Antena 1 "Pergunta Simples", que pode ser visto aqui:

sábado, 4 de julho de 2026

É Melhor Jogar Golfe e Ver a Bola do Que Governar

 


Ainda que tenha tido os seus méritos na gestão financeira, quem me conhece sabe que não fui propriamente fã da gestão de Rui Rio à frente da Câmara Municipal do Porto. Ainda  assim admirava-o num ponto: sempre se distanciou desta parolada e promiscuidade dos políticos se misturarem com o futebol para aparecerem nas televisões. É do pior que existe. Sim, o pior foi o Montenegro ter cancelado o 25 de Abril e comemorado depois com cantor pimba nacional que plagia as canções dos outros. 

Montenegro nunca demonstrou ter propriamente muito sentido de Estado. Basta lembrar, por exemplo, quando faltou a uma reunião na Europa, a propósito da guerra Rússia-Ucrânia para ir jogar golfe com o seu avençador. ´


Agora está-se a disputar o mundial de futebol e esta semana começou a fase a eliminar. Não estamos nem nas meias-finais, muito menos na final. Estamos só na primeira de cinco eliminatórias, isto se Portugal atingir a final. Ainda assim, o primeiro-ministro de Portugal já foi a correr duas vezes aos Estados Unidos, para ver a bola. 

Estamos em alerta vermelho por causa das altas temperaturas mas o primeiro-ministro do país acha que o melhor melhor é ir ver a bola em vez de fazer aquilo para o qual foi mandatado.

Ainda assim noto uma evolução. 

Em 2016 Luís Montenegro viajou para ver a bola à pala da Olivedesportos (crime de recebimento indevido) para ver o Euro 2016, mas depois porque se soube na opinião pública, tratou de rapidamente martelar os cheques e dizer que pagou as despesas do seu bolso. Mais ou menos como no caso da Spinunvida, em que primeiro era uma empresa para gerir as heranças familiares, depois a empresa era da mulher, e depois já era dos filhos. No fundo, as trapalhadas que nos foi habituando, no entanto fez-nos crer que o ser partido dá banhos de ética aos outros. 

Agora em 2026, dez anos depois, viaja agora para ver a bola mas à pala dos portugueses trochas que votaram nele, mesmo depois de saber que anda a receber avenças de empresas por debaixo da mesa. 

Mas, como estou sempre a dizer: as pessoas só têm o que merecem. 

Amália: Somos um País do Caralho!

"Fizemos à Amália uma pergunta bastante cruel e difícil para uma inteligência artificial portuguesa: quem é o primeiro-ministro de Portugal.

Não perguntámos pela diferença entre a troika e o mecanismo europeu de estabilidade, nem pelo paradeiro político de Assunção Cristas, nem sequer por aquela matéria altamente especializada que consiste em perceber porque é que uma senha do SNS24 parece sempre emitida por uma impressora cansada. Perguntámos só quem é o primeiro-ministro.

A Amália respondeu: Luís Eça de Freitas". (RiseUP Portugal)



Pescadinha de Ar Condicionado na Boca



O ar condicionado é o equipamento doméstico com maior pegada ecológica devido ao consumo de eletricidade, emissões de gases estufa e libertação de ar mais quente.  

"O ar condicionado contribui com cerca de 3% das emissões de GEE, consome quase 7% da eletricidade mundial e liberta calor para o exterior durante a utilização, agravando o efeito de ilha de calor nas cidades, tornando o seu uso mais necessário, num círculo vicioso. Além disso, o aumento do consumo pressiona as redes elétricas em picos de calor, agravando situações de pobreza energética. Impactos que podem triplicar até 2050". (Joana Guerra Tadeu)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Muito Calor na Europa? Construam Mais Centros de Dados para a IA

Vou deixar aqui excertos do artigo publicado no jornal escocês "The National" a 26 de Outubro de 2025 por Hamish Morrison. Lembrei-me desta notícia que li na altura, agora que, além de só se de falar de Ró-Naldo e da seleção (que joga daqui a pouco contra a Croácia) só se fala também do calor anormal que faz na Europa. 

"Energia para alimentar centro de dados de IA poderia abastecer cinco cidades"


"A Professora Ana Basiri, diretora do Centre for Data Science and AI da Universidade de Glasgow, apelou às empresas de dados para melhorarem a forma como comunicam o seu impacto ambiental.

Dois novos centros de dados de inteligência artificial propostos para Edimburgo exigiriam uma quantidade de energia equivalente à necessária para construir cinco cidades do tamanho da capital dentro dos seus limites, pode revelar o Sunday National.

A revelação sobre a enorme quantidade de eletricidade que os locais irão consumir levantou preocupações entre ambientalistas, mas a autarquia local, dirigida pelo Partido Trabalhista, não exigirá às empresas responsáveis que apresentem um estudo de impacto ambiental.

Combinados, estes centros necessitariam de tanta energia como cerca de 1,3 milhões de lares. De acordo com a Edinburgh Health and Social Care Partnership, existem 253 222 agregados familiares na capital.

A deputada dos Verdes, Maggie Chapman, declarou:

“Estas propostas devem ser objeto de uma análise rigorosa e transparente, e os seus impactos devem ser mais bem avaliados. As pessoas têm o direito de saber quando há uma instalação ao lado das suas casas a consumir quantidades enormes de energia e água, e os governos precisam de considerar isso antes de conceder autorizações.”

“Cabe à indústria reduzir drasticamente o impacto que está a ter no nosso planeta. Mas se a história nos ensina algo, é que não podemos confiar que as grandes empresas tecnológicas ajam por sua própria iniciativa. Precisamos de regulamentação robusta e avaliações de impacto, e de governos dispostos a dizer não quando necessário.”

As normas de planeamento atuais significam que as avaliações de impacto ambiental não são obrigatórias para centros de dados de IA, ficando ao critério da autarquia decidir se uma é necessária.

O grupo de pressão Action to Protect Rural Scotland (APRS) está a fazer campanha para que as avaliações de impacto ambiental sejam obrigatórias para todos os novos centros de dados de IA.

A diretora da APRS, Kat Jones, disse ao Sunday National que era “inacreditável” que tal ainda não fosse exigido e que os decisores locais “não estão a receber uma imagem completa dos impactos ambientais”.