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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Pobres São Aqueles Que Precisam de Muito


"Quando tu compras algo, não te enganes, estás a comprar com tempo da tua vida que gastaste para ganhar esse dinheiro. No fundo o que estás a gastar é tempo de vida! Quanto te proponho a sobriedade como maneira de viver, mostrei-te a sobriedade para que tenhas mais tempo. A maior quantidade de tempo possível. Para viver a vida de acordo com as coisas que te motivam. Que não necessariamente são do trabalho (...) "


"Aquele que melhor goza da riqueza é o que menos necessita da riqueza" (Cartas a Lucílio - Séneca)


domingo, 25 de fevereiro de 2018

Retirar o Time de Campo


"Então, e tens falado com a.... ? " 

Não, não tenho. 

Os brasileiros que gostam muito de futebol, se calhar mais até do que nós portugueses, têm várias expressões futebolísticas que se adequam a várias situações da vida e uma delas é precisamente esta: 

Retirar o time de campo. 

O exército tem de saber quando tem de atacar em força, subjugar e aniquilar completamente o inimigo, tal como também tem de saber que, por vezes, o mais sensato é bater em retirada antes que seja aniquilado. 

E se há momentos em que é preciso saber quando temos de investir em força sobre o adversário, fazer marcação cerrada, atacar, ir com tudo para cima, por outro lado também temos de perceber que há momentos em que por mais que desatemos a correr, nunca que vamos conseguir apanhar a bola antes desta ultrapassar a linha. Só estaremos a ter um enorme gasto de energia inútil. Iremo-nos cansar, ficar ofegantes e tudo para nada. Se tivéssemos aceitado que nunca que lá chegaríamos a tempo, teríamos desistido a tempo de ir ocupar tranquilamente a nossa posição dentro de campo, que ficou desguarnecida com esta imprevidência. 

Sim, há pessoas muito persistentes, e sem dúvida que muitas vezes conseguem os seus intentos. Estou ciente disso. Mas outras pessoas há, como eu, que não gostam de malhar centeio verde. Se tenho interesse em determinada pessoa acho que o demonstro claramente. Acho que ainda me consigo expressar, ainda que, na maioria das vezes sublimiarmente. Também não temos de parecer desesperados, muito menos penso que seja preciso fazer desenhos. 

E subliminarmente transmito a mensagem. "Pareceste-me interessante. Gostei de ti. Se quiseres podemos ser amigos." Mas depois é preciso perceber as mensagens que vêm do outro lado. O interesse que é demonstrado por nós. E não podemos deixar que o nosso interesse nos tolde a visão e querermos à força toda acreditar que, se insistirmos mais e mais, os outros vão-nos querer nas suas vidas. É assim que se formam os perseguidores, com essa excessiva necessidade de atenção e baixa auto-estima. Querem à força toda que os outros gostem deles: "Anda lá gosta de mim. Eu sou a tua vida. Está escrito nas estrelas. Ninguém te vai fazer feliz como eu. Se não fores meu não serás de mais ninguém". Não! Não temos que nos impingir aos outros. Não podemos obrigar os outros a gostar de nós, a quererem ser nossos amigos. Nós só nos podemos disponibilizar, nada mais. O resto, o restante esforço de aproximação, tem de ser feito pela outra parte. 

Acho que sim, que nos devemos disponibilizar, mostrar abertura para - "abre-te ao novo" - mas não nos podemos querer impingir, sentar ao lado daquela pessoa, e achar que ela irá querer seguir viagem connosco. Segue se quiser, se tiver interesse. Tal como nós, tantas vezes, não seguimos viagem com tantas outras pessoas que se calhar queriam que ficássemos ao lado delas. 

E há tempo de persistir e de mostrar interesse; tempo de marcar o território e de ir à luta. Mas também há tempo de aceitar que o melhor, como dizem os nossos irmãos brasileiros, é tirar nosso time de campo.


domingo, 14 de janeiro de 2018

Declaração Amigável de Engate & Foda

Esta semana, quando lia um artigo do The Guardian percebi que as neo-feministas americanas começaram a deixar as verdadeiras feministas, as francesas, com os cabelos dos sovacos em pé. Tudo porque, segundo a própria atriz francesa Catherine Deneuve, toda esta onda de denúncias de mulheres americanas acabou por se tornar numa verdadeira caça às bruxas e a colocar em causa a liberdade sexual.

Eu tenho para mim que, a continuar assim, em breve todos nós, homens e mulheres, teremos de andar connosco com uma declaração. Estão a ver aquelas declarações amigáveis que preenchemos quando temos um acidente, em que cada uma das pessoas preenche os seus dados, e até faz um desenho e tudo de como aconteceram as coisas?

Para esta gente muito em breve terá de ser assim.


Olhe, peço desculpa, mas olhei para si e gostaria de a conhecer. Quer avançar com o preenchimento de uma Declaração Amigável de Engate?

É neste momento que ambas as pessoas preenchem na mesma folha o formulário em que descriminam muito bem o que permitem que vá acontecer. Ficará decidido o tipo de abordagem e linguagem - não se estão a esquecer que o piropo já é crime pois não?  (portanto, muito cuidado!) ficará também decidido quem pagará os não sei quantos jantares que irão acontecer, até que, alguém se lembre de perguntar ao outro se podem preencher uma Declaração Amigável de Foda.

Atenção que, quando estamos a falar de uma Declaração Amigável de Engate, não estamos necessariamente a falar da procura de namorado(a) ou da busca de uma relação. Estamos só a falar do interesse normal que as pessoas têm em se conhecer ou relacionar-se, e logicamente, também do interesse em ter sexo, afinal, o sexo é uma das forças que movem o mundo.
Mas será expressamente proibido duas pessoas terem sexo sem terem antes uma Declaração Amigável assinada. A Declaração Amigável de Engate será uma espécie de Seguro que cada pessoa terá, principalmente se, muitos anos mais tarde vier a ser a ser muito conhecida, correndo o sério risco de vir a ser acusada, por não sei quantas pessoas, que se lembrarão que afinal, no passado, andou a tentar engatar alguém.

Para se passar ao nível seguinte e assinar uma Declaração Amigável de Foda as pessoas serão obrigadas a ter primeiro terem uma Declaração Amigável de Engate. Faz sentido não é? Os bois vão sempre à sempre à frente da carruagem. Na Declaração Amigável de Foda constarão lá todos os elementos em que cada pessoa permite envolver-se com outra(s) pessoa(s). Se gosta de minete e broche, se gosta de anal e a menstruação até só uma lubrificação extra, ou, se pelo contrário, só se permite sexo às escuras, com um lençol por cima do corpo e à missionário, tal como manda expressamente a santa madre igreja. Obviamente que só se pode fazer o que um e outro tenham assinalado em comum. Mas, de qualquer forma, em qualquer momento, qualquer um dos dois pode atualizar a sua Declaração Amigável de Foda e acrescentar mais alguns elementos.

Estou certo que este é o caminho que muitas pessoas querem. Ser humano, ter desejos e tesão é um ultraje para muitas pessoas. Acredito que as Declarações Amigável de Engate e de Foda serão uma realidade a breve prazo. Ninguém poderá falar para outra pessoa sem primeiro ter uma Declaração Amigável de Engate. Chamar amigo a quem se acaba de conhecer na net, e até tirar fotografias completamente nu e enviá-las para o telemóvel de alguém que se acaba de conhecer virtualmente é um comportamento normal e perfeitamente aceitável. Ousar dirigir palavra a outrem, abordar alguém que está à nossa frente, e manifestar-lhe o nosso interesse, seja ele qual for, é um injúria grave e que merece, no mínimo, o empalamento na praça pública. E com tudo isto, o verdadeiro assédio sexual,  agressivo e criminoso começará a passar despercebido.


domingo, 17 de dezembro de 2017

Viver é só Resolver Problemas?

Não sei se é o destino, se é o universo, ou então se é o raio que o parta, mas a verdade é que, quando de tudo nos acontece, e ao mesmo tempo, sem descanso quase sem tempo para respirar, fico com a sensação que viver é quase só ter de resolver problemas, uns atrás dos outros.

Quando eu era criança tinha dois medos. De tanto ouvir falar tinha medo de poder ter de ir para essa coisa que se chamava tropa, e tinha também medo de quando chegasse o fim do mundo, afinal, ia morrer ainda tão jovem, no ano de 1999, porque passava a vida a ouvir dizer que "a 2000 chegarás, de 2000 não passarás. Em criança tinha também o medo de poder chegar a adulto e não saber resolver todos os problemas que os adultos têm, ao passo que, enquanto somos crianças, não temos de os resolver nem de decidir nada, pois temos sempre os papás a resolver os problemas e a decidir por nós, até a roupa que levamos para a escola no dia seguinte.

Entretanto há muito que sou adulto. Não fui à tropa e duvido que algum dia pegue numa arma de fogo porque sou totalmente conta elas. E há quase dezoito anos que passei o ano 2000! Já nem na santa podemos acreditar! E depois, à medida que vamos abandonando a meninice, começamos a ter de tomar decisões e assumir responsabilidades. 

Os estudos, as amizades, com quem decidimos andar, os namoros, a sexualidade. Depois o trabalho, o primeiro carro, a casa... Não é necessariamente por esta ordem, mas aos poucos a nossa vida rodeia-se de um monte de decisões que temos de tomar, e algumas dessas decisões poderão ter, para o bem e o para o mal, implicações para o resto da nossa vida. 

E os problemas em adulto já não são aqueles que resolvíamos na escola primária em que se tirava a prova dos nove. Por vezes parece mesmo que o universo não tem mais nada que fazer que não seja complicar-nos a vida. Parece que pega num boneco de voodoo e nas agulhas, e vai-nos espetando, espetando e rindo-se de nós, como se tivesse mesmo muita graça foder a vida dos outros. E no meio de um monte de problemas, que surgem sempre ao mesmo tempo, tal como diz a Lei de Murphy! em que teremos de tomar decisões e resolver as situações. E logo que se resolvem uns, é como se de repente estivéssemos num jogo, passássemos de nível para logo a seguir aparecerem mais uns quantos. Às vezes fico mesmo com a sensação que, nesta vida moderna, e tantas vezes uma vida sem sentido que levamos, viver mais parece que é só ter de  problemas atrás de problemas. 

E o que me parece é que nós não andamos a viver. Andamos unicamente a ser escravos desta sociedade de consumo. Os nossos problemas não são verdadeiros problemas. São meras contas que qualquer menino resolve na instrução primária, tal como eu resolvia e ia depois, a correr mostrar à professora Alice. 

Uma grave doença; um acidente; uma incapacidade; uma morte; um desgosto amoroso. Sim, isso são problemas reais. Tudo resto, na maior parte dos casos são só pequenas decisões que temos (ou não) de tomar. E às vezes parece que os adultos, mesmo quando tudo está a correr bem, adoram criar os seus próprios problemas, tal como aquela criança que espera, na carteira, ansiosamente, que a professora coloque no quadro um novo problema para resolver. 

Sim, eu tenho em mãos alguns problemas complicados. Uns mais do que outros. Uns mais básicos, da base da pirâmide, outros mais difíceis de resolver, lá bem no cume, de cariz existencial. Mas uma coisa é certa, o universo terá que se esforçar mais, pois as agulhas que espeta no meu boneco de voodoo só me fazem umas coceguitas. Olha para mim universo, de pé, firme, sempre a resistir. É só isso que tens para mim? O que eu acho é que quem dera a muita gente ter só os problemas que eu tenho para resolver. (Ainda que, na verdade, se soubessem dos problemas que eu tenho, quem lhes dera voltar a ter só os seus).

sábado, 22 de outubro de 2016

Campeões Europeus do Divórcio

Depois da promessa do Presidente da República, que após ter condecorado a equipa de futebol, disse que, por uma questão de igualdade iria atribuir a mesma condecoração a todos os campeões da Europa, depois da notícia saída esta semana, que Portugal também é Campeão Europeu nos divórcios, todos os divorciados estão já a reivindicar a mesma condecoração!




Não sei qual é a empresa que produz as medalhas - certamente alguma empresa de algum amigo do PS ou PSD contratada por ajuste direto pela presidência da república - mas será certamente um negócio em franca expansão, pois 2016 parece ser o ano de Portugal ganhar tudo. 

Ele é o Campeão Mundial do Tacho, é a seleção de futebol que a jogar aquele futebolzinho aborrecido se sagrou Campeão da Europa, ele é o Guterres, que completamente sozinho, e contra todas as expectativas, e mesmo não tendo uma vagina nem tendo nascido na Europa do Leste vai mandar na ONU, agora são os divorciados... 

Eu acho que não falta muito para em cada português haver um Comendador!

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

As pessoas bonitinhas


Cada vez mais detesto este mundo cheio de pessoas bonitinhas. As pessoas bonitinhas que são hipócritas. As pessoas bonitinhas que são falsas. As pessoas bonitinhas que se nos mostram muito simpáticas para depois irem falar mal de nós nas nossas costas. E já sabemos que nas costas dos outros vemos as nossas. 

E a vida está é para as pessoas bonitinhas. As pessoas bonitinhas acham sempre que são as maiores, as maiores de todas, e os outros são uns idiotas. As pessoas bonitinhas manipulam e passam por cima de quem tiverem de passar. E toda a gente gosta das pessoas bonitinhas, porque toda a gente é falsa e manipula e faz-se passar por aquilo que não é. As pessoas bonitinhas são como as putas, dão-se sempre muito bem umas com as outras. Dão beijos no ar. Elogiam quando querem cuspir em cima. 

Num mundo cheio de pessoas bonitinhas quem não é bonitinho é olhado com desconfiança. As pessoas desconfiam do que não conhecem. Sentem-se inseguras e ameaçadas. As pessoas bonitinhas não se conseguem afirmar por si só. Qualquer pessoa sã, para mostrar que é boa seja no que for, mostra-o sendo realmente boa. O seu trabalho fala por si. Mas as pessoas bonitinhas como se sentem ameaçadas e como por norma são muito invejosas, tratam de rapidamente deitar os outros abaixo. Querem mostrar que os outros são uma merda. Se provarem que os outros são uma merda vão ficar bem na fotografia, pois se os outros são uma merda, é porque no mínimo elas serão melhores.

E nunca se pode confiar. Julgamos sempre os outros à nossa imagem. Talvez seja por isso que os traidores são sempre tão desconfiados. Afinal eles conhecem-se muito bem! Tudo deveria ser o que parece, nas raramente o é. Mas as pessoas só têm uma oportunidade de serem confiáveis. Depois da confiança perdida, acabou-se, nunca mais a vão ter. E confiar é dar armas às pessoas bonitinhas. Parecemos seguros e no minuto seguinte lá estão as pessoas bonitinhas prontas a tirar-nos o tapete. 

Já disse que odeio pessoas bonitinhas? Odeio as pessoas bonitinhas porque odeio a falsidade e a hipocrisia. Odeio a gabarolice, a vaidade e a ambição que não olha aos meios para atingir os seus fins ... Bonitinhos. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Conversas improváveis III

Via Pinterest
Nem de propósito. Antes de vocês chegarem, estava aqui sozinho e a pensar como agora por estes dias tenho de almoçar sozinho, mas na verdade, argumentava comigo mesmo, que já almoço sempre sozinho, mesmo que tenha várias pessoas aqui ao lado, porque todos estão sempre a mexer nos telemóveis e ninguém fala com ninguém!

- Oh pá, tu nunca estás sozinho! Eu tive um funcionário que também era assim, quer dizer... Muitas vezes ouvia-o a discutir lá ao fundo, depois ia ver o que se passava e era ele sozinho!

- Olha, que são essas pintas vermelhas aí no teu ovo?

Ao início ninguém gosta de fumar. É preciso tu forçares-te a gostar de fumar. Fumar faz tossir, não é nada agradável. Mas olha, ninguém se força a comer brócolos e os brócolos fazem muito bem à saúde. Mas para o que é desagradável, as pessoas estão sempre prontas a forçar-se a gostar, nem que seja por pressão social, para se comportarem socialmente como os outros.

- Olha come os bróculos. Não gosto. Mas fazem-te bem. Lá está, ninguém se força a fazer algo que faça bem. Toda a gente sabe que fumar faz mal. Experimenta lá um cigarro...e ninguém gosta, mas continua a forçar-se para gostar, até que fica viciado. Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

- Olha, que são essas pintas vermelhas aí no teu prato?

Sim, porque tu, que nunca fumaste, percebes imenso de fumadores e do que é fumar. Deve ser de ler na internet! Eu acho-vos uma piada! com essa falácia de que quem não passou pelas situações não sabe como é. Sim, porque eu para saber que o fogo queima tenho de lá meter a mão!
Eu se calhar dava outro exemplo. Na verdade, não é preciso dar um chuto num poio de merda para saber que de imediato começará a cheirar mal...
Eu sei muito de fumadores pois convivo muito de perto com muitos amigos e sei muito bem o que se passa. Bem vejo muita gente, depois dos vinte, que nunca fumou a começar a fumar só por causa dos grupos onde se começa a dar.

- Olha, que são essas pintas vermelhas no teu ovo?

Quando as vítimas são culpadas do estado em que estão

O milénio caminhava a passos largos para o seu final. O salário mínimo eram 56 contos de réis ou 56 mil escudos se preferirem. Apesar de ter aparecido na entrevista todo vestido de preto, com uma camisola de capuz com três pentagramas nos braços e com um enorme nas costas, e de usar ao pescoço um fio com uma pequena caveira que tinha uns olhos que brilhavam, havia conseguido, fruto da reputação, da parceria ou provavelmente da extrema necessidade, um estágio numa reputada empresa alemã que precisava de estagiários para uma grande Central deste país. 

Acho que mais coisa menos coisa, entre compensação à hora mais ajudas de custo, o que estava acordado de forma verbal, depois duma visita guiada às instalações, eram cerca de 120 contos para trabalhar em regime de turnos rotativos durante o verão. E a necessidade era óbvia, a de preencher as férias dos próprios funcionários da empresa e não tanto proporcionar uma grande formação na área dos estagiários, para quem sabe, mais à frente, talvez o estagiário pudesse ficar com um emprego, e a empresa ficar com mais um trabalhador. Não, ninguém estava iludido a esse respeito. Eles precisavam de gente minimamente competente e responsável, a nós dava-nos jeito o dinheiro e a experiência para colocar no currículo.  

Eu desde criança que sempre trabalhei em casa, mas pode-se dizer que esta foi a minha primeira experiência no mercado de trabalho. E a esta distância, que estágio verdadeiramente surreal que foi! 

"Só me apetece dar peidos pela piça"! 

Retenho sempre esta frase de um dos seguranças da portaria. De noite, e quando só lá estávamos, naquela imensa Central, duas ou três pessoas, ele vinha para lá, para a sala de controlo, passar o tempo conversando connosco. Também me lembrei dele, quando os seguranças das empresas privadas que trabalham nos aeroportos fizeram greve por estes dias. O Pobre coitado tinha de fazer doze horas seguidas, e às vezes mais. Só pode ser mesmo escravatura.

E agora que estou a escrever e a pensar sobre isso, começam aos poucos a virem-me imagens desses tempos... e já lá vão quase vinte anos! Naquela sala de controlo, entre outras coisas, eu acho que até cheguei a levar um saco para pintar! É verdade, eu pintava os meus próprios sacos. Estão a ver aqueles sacos de estilo militar que se usam à tiracolo? Eu pintava os meus,  mas cheguei mesmo a pintar um saco para um colega de outro curso, ou amigo se preferirem. O Jorge foi meu amigo muito próximo durante dois, três anos no máximo. E naquela mesma sala, eu escrevia cartas a uma correspondente. E agora penso como seria interessante ir pegar nessas cartas e relembrar quem era afinal essa pessoa com quem me correspondi há quase duas décadas... Mais. Eu até terei essa tal carta que escrevi naquela mesma sala de controlo... 

Muita coisa se passava por lá.
Lembro-me também, quando mostrei aos operadores, que podiam jogar aqueles jogos do Windows95, em que o ambiente de trabalho estava escondido por aquelas páginas de dados, bastando para isso carregar em determinadas teclas de atalho! E pronto, a partir daí, de noite, enquanto eu pintava ou escrevia - tudo a ver com a área do curso! - alguém passava horas a jogar às cartas. 

Mas lembro também como odiava os turnos. Os turnos, como referi, eram rotativos e os colegas também rodavam, e aos poucos ia-os conhecendo a todos. Sei que detestei os turnos rotativos e naquele momento disse a mim mesmo que nunca mais votaria a trabalhar naquele regime. Aquilo não é vida para ninguém. Ninguém deveria ser obrigado, seja qual for o dinheiro que paguem, a ter de trabalhar de noite. Nós somos um animal diurno, não somos mochos nem morcegos. E é uma aberração ter de trabalhar de noite, e depois, passado umas horas ter de trabalhar de dia, e andar a rodar entre três horários e daí a algum tempo o nosso cérebro está completamente fodido. 

Até me lembro agora do Hugo, um ex-colega de trabalho, que quando trabalhava comigo, me disse que se ia despedir, para trabalhar, precisamente numa outra Central, com os mesmos turnos rotativos que eu havia experienciado. Mas ele estava muito agradado por ir ganhar mais do dobro. Mas o dinheiro não é tudo disse-lhe. E quando me lembro dele, lembro talvez um dos gaijos mais calmos que conheci. Ele tinha mais ou menos a minha altura, olhos azuis, corpo robusto, e algum cabelo já a rarear. Era o típico betinho-certinho de sapatinho de vela que qualquer mulher poderia apresentar aos pais, na certeza que o sucesso estaria garantido. Lembro-me também do que ele mudou mal casou! O Hugo sempre foi certinho e cumpridor. Pois não é que a partir do dia em que casou, nunca mais conseguiu entrar a horas? Lembro-me até, quando certo dia lhe telefono do trabalho, e ele ainda estava na cama! E conversei com ele sobre isso, sobre como com os turnos rotativos ele quase nunca se iria encontrar com a mulher na cama... Talvez ele ache que o dinheiro pague tudo isso. Eu acho que não paga.
De volta ao estágio, dizer que tudo foi correndo bem. Era era cumpridor, mostrava interesse em aprender e dava-me bem com os colegas. Não tinha por isso porque correr mal. 

Eu era tão responsável, mas tão responsável, que faltei ao próprio casamento da minha mãe. Se estou arrependido? Oh pá, foi como teve de ser. Se calhar bastaria ter trocado com outro colega ou avisado, ou sei lá, agora também já não lembro dos detalhes e também já não interessa. Estive com ela e o futuro marido em casa, e ainda cumprimentei os convidados, mas depois, quando todos foram para a cerimónia e para os comes e bebes, eu fui almoçar a um restaurante sozinho e depois fui trabalhar normalmente. E lá na empresa nunca ninguém teve nada que me pudesse apontar. E como eu costumo dizer, eu prefiro sempre que tenha de dizer dos outros, que os outros tenham alguma coisa a dizer de mim.

Mas infelizmente eu tive que dizer. O dinheiro lá foi sendo pago, mas depois parecia que afinal que nós tínhamos compreendido mal. Afinal já não eram 120 contos, parece que era só metade! E não fomos só nós, os estagiários, que tínhamos estado em reunião com o diretor lá da Central. Não, também lá tinha estado connosco o responsável do estágio por parte da instituição de ensino. 

E foi aí que o caldo ficou literalmente entornado. Sei que fiquei a saber da novidade num sábado. Pois bem, no domingo seguinte, simplesmente não apareci. E depois liga-me o responsável, todo exaltado, que não podia ser, que não podia ter faltado que só lá tinha ficado uma pessoa e mais não sei o quê. Fiz-lhe ver os meus motivos e homem já me queria pagar o táxi e tudo para ir para lá. Sim, porque na altura eu nem sequer tinha carta nem carro. Mas não, não mais lá pus os pés, pelo menos durante o período de estágio (haveria de lá voltar mais tarde). Não, eu não queria que me pagassem a merda do táxi, queria simplesmente que assumissem o que disseram e que não faltassem à palavra. Porque eu sempre aprendi em pequeno, que a palavra de honra vale mais do que um contrato assinado, mas logo ali, na primeira experiência profissional, aprendi que hoje em dia a palavra vale muito pouco. A vida está cheia de irrevogáveis.

E eu creio que seríamos uns cinco estagiários, em duas centrais distintas. Querem adivinhar quantos tomaram a posição que eu tomei?

Eu lembrei-me destes tempos, agora, porque por estes dias se tem falado muito na comunicação social, sobre esses grandes filhos da puta, desses patrões, que pisam e aproveitam-se das pessoas mais fragilizadas: os estagiários. Segundo as notícias, muito empresário obriga os estagiários a devolver o dinheiro da comparticipação da empresa no valor a receber. Se primeiro declaram que pagam ao estagiário e esse dinheiro entra no balanço das contas da empresa, depois, quando o estagiário é coagido a devolver o dinheiro, este é entregue pela porta do cavalo. 

Mas logo quando ouvi a notícia, e pasmem-se, à data da notícia não havia qualquer queixa por parte das vítimas que isto acontecia! Só depois das notícias é que começaram a aparecer as queixas! Assim ao género da Casa Pia, só depois da reportagem da Cabrita é que afinal havia gente a apresentar queixas que foram abusados. Será que também ainda vou a tempo de acusar alguém que fui violado e receber uns 50 mil euros? Quem é que querem que eu acuse?!

Mas quando ouvi a notícia, veio-me logo à memória o que tenho comentado a algumas pessoas próximas e que até certamente já terei comentado aqui no blogue: que muitas vezes a vítima é o principal culpado do seu estado. 

Pois o que eu acho é que, ninguém se deve deixar pisar. Já sei. Vão-me dizer que as pessoas sujeitam-se porque precisam, nas neste caso, nem é de todo o que está em causa! É só a merda dum estágio! Não é o trabalho de uma vida! E uma coisa é precisar, outra é que deixemos que nos roubem e que não façamos nada contra isso. Porque eu pergunto: e se um dia os estagiários chegassem ao trabalho, e o patrão também lhes dissesse: olha, agora sempre que me apetecer vou-te enrabar, se não acaba-se o estágio! Será que eles também se iam sujeitar? (excluindo os que iriam gostar como é óbvio)

Não. Se não queremos ser pisados nem humilhados, então não podemos deixar que nos pisem e nos humilhem. Se ninguém aceitasse ser roubado e denunciasse a situação, por certo mais nenhum patrão ousaria roubar os próximos estagiários. Deixar ser roubado é abrir a porta e incentivar que os próximos estagiários também o sejam. E se as pessoas aceitam ser roubadas e humilhadas, então, como digo mais uma vez, as vítimas é que são as principais culpadas do estado em que estão. 

sábado, 2 de julho de 2016

O vírus dos auto-retratos mata cada vez mais

O vírus dos auto-retratos fez mais uma vítima mortal. Ainda não percebi bem, parece que lhe chamam selfes ou selfis, como se não existisse uma palavra em português para efeito. Que me lembre os pintores portugueses sempre pintaram auto-retratos, nunca tinha ouvido dizer que pintaram selfis! Mas de qualquer forma esse vírus chegou e instalou-se rapidamente no seio da população e está a matar cada mais. É preciso muito cuidado, transmite-se muito facilmente e há gente infetada por todo o lado!

E eu acho que já era tempo dos Estados investirem, por exemplo, numa vacina que possa pôr cobro finalmente a este grave flagelo, que faz cada vez mais vítimas, mortes que acontecem de forma totalmente estúpida. 




O vírus é muito silencioso. E o mais complicado é que o próprio infetado nem tem consciência que está doente, logo não procura curar-se! Pior, todos os que o rodeiam sofrem provavelmente do mesmo mal! Somos cada vez menos aqueles que estamos multi-resistentes ao vírus. Daí que seja normal vermos famílias inteiras, uns a fotografar os outros, enquanto a maioria se fotografa a si mesmo. Não interessa o motivo a fotografar, se este é mais ou menos interessante, o que interessa é que as próprias pessoas apareçam nas fotografias para depois as mostrarem na internet, para ver se conseguem o maior número possível de gostos, como se de repente fôssemos todos criancinhas em busca de atenção.  A última notícia foi esta semana, em que mais um turista morreu possuído pelo vírus do auto-retrato em pleno Machu Picchu. 



Tudo isto é obra do vírus. O vírus manipula e mete na cabeça das pessoas que serão extremamente populares e felizes na redezinha social da treta se mostrarem o quão interessantes são por aparecerem, e quanto mais idiotas e arriscadas forem as poses melhor! Chegamos ao cúmulo de termos ladrões a colocarem fotografias suas e do que roubaram na rede social e depois, claro, a serem de imediato detidos pela polícia. Todo o mundo está infetado, é preciso muito cuidado! 

Ainda por estes dias, quando visitava os jardins do Palácio de Cristal, não consegui tirar uma só fotografia à entrada do jardim Émile David, simplesmente porque dezenas de infetados se foram sentar em cima de umas letras que a câmara municipal lá colocou. E então era vê-los, portugueses e estrangeiros, às dezenas, uns a fotografar os outros, e muitos a fotografar-se a si mesmos, mesmo que estivessem sentados em cima das letras, sujeitos a danificá-las. 

Sim a destruir, porque há muito doente a destruir estátuas que estavam inteiras há milhares ou centenas de anos a serem danificadas pela moda dos auto-retratos!!





No fundo, este vírus torna as pessoas nuns quase mortos-vivos, incapazes de pensarem por si mesmos, numas verdadeiras criancinhas, não distinguindo o que é um comportamento normal, de um comportamento idiota e colocando muitas vezes a sua própria vida em risco. 

Daí que não seja à toa que este vírus esteja a matar mais que, por exemplo, as mortes por ataques de tubarão! É mais perigoso um infetado de máquina fotográfica na mão, que nadar com tubarões! Há gente a querer tirar fotografias a si mesmo apontado uma arma à sua cabeça; outros que se querem fotografar agarrados a edifícios, e depois conseguem um auto-retrato de morte! Literalmente!





Na Rússia, depois de várias mortes, nomeadamente da jovem que, totalmente possuída pelo vírus e se fotografou a apontar para si mesma uma arma, decidiram colocar avisos tentando chamar as pessoas à razão, assim como se as pessoas tivessem uma idade mental de cinco anos: "Cuidado, não se ponha à frente de um comboio pois pode morrer"!!!!



Deixo o alerta, se não quer morrer estupidamente, faça o diagnóstico. Provavelmente está infetado  pelo vírus do auto-retrato sem saber. 


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Vídeo: O último emprego na Terra

De acordo com os cientistas, nos próximos trinta anos, as máquinas podem ocupar 50% dos empregos a nível mundial. No vídeo imaginemos um mundo completamente automatizado. 


domingo, 10 de janeiro de 2016

Querido, curto ou comprido?

Reconhecidamente as mulheres queixam-se que a maioria dos homens nem sequer reparam quando cortam, pintam ou modificam um qualquer pormenor. E nem sequer é o meu caso. Sou relativamente despistado, mas por outro lado sou muito observador e nada me escapa ao meu olho (não de falcão mas) de... mocho?! 

Ainda por este dias comentei com uma colega que ela deu um corte no cabelo e que estava mais loira que o habitual. E até reparei, sem lhe dizer, não fosse ficar a pensar que lhe ando a olhar para as curvas, que também estava bem mais magra. 


via Pinterest

Mas quanto aos homens que não reparam nos cabelos das mulheres, eu estou em crer que estes acham que o cabelo nas mulheres só tem um motivo de existir e que é só para cumprir determinada função!

sábado, 2 de janeiro de 2016

O futuro

Segundo dia do ano.

Aproveitando umas tréguas da chuva, tentei ir jardinar um pouco. Tentei, mas foi sol de pouca dura. Já tinha avistado as duas senhoras, duas casas ao lado a falar com os vizinhos. Mas como estava muito atarefado nos meus trabalhos, julguei, mal, que não me quisessem bater à porta para me interromper. Mas não, iam-se aproximando, pois ouvia-as falar cada vez mais perto. Mas não me afastei ou escondi. E até que, lá me chamaram... 


via Pinterest


Eram duas, de revistas e folhetos nas mãos, o que num sábado fez disparar de imediato o alarme contra Testemunhas de Jeová. 

Não tenho nada contra nenhuma religião, se calhar até admiro especialmente estas pessoas por, no fundo tentarem cumprir o que a maioria dos católicos nem sequer leu, ou quanto muito o livro que fica muito bem lá na estante da sala a apanhar pó. 

E lá fui ao portão, recebê-las, ouvir o que aquelas almas me queriam. 

" - Sabe como vai ser o nosso futuro"? perguntaram-me. 

"Sei muito bem". 

"Ou vai ser num forno ou debaixo dos torrões! respondi."

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Como uma cona destrói o melhor treinador do mundo

Até fui pegar agora no telemóvel para ver em que dia tinha escrito que o Mourinho seria despedido, e a minha convicção era que seria mesmo despedido antes do Natal, e a nota que deixei, com o título deste texto, data de 3 de novembro. 

"Não sabias da médica ninfomaníaca do Chelsea"? havia-me perguntado certo dia o meu colega de trabalho. E de facto não, não fazia a mais pequena ideia. Sabia sim que Mourinho havia despedido a médica do clube, mas não fazia a mais pequena ideia, que esta médica era extremamente zelosa e prestável, vinte e quatro horas, sempre disponível, sempre a pensar no melhor para os jogadores do clube. E trabalhadores assim dedicados é muito raro hoje em dia! A médica, Eva Carneiro, segundo disse o ex-namorado, recebi inclusive chamadas a meio da noite, de jogadores com dói-dóis, e ela de imediato deixava a sua vida pessoal e lá cuidar deles, regressando na manhã seguinte.


Doutora Eva Carneiro ex-médica do Chelsea (Imagem Via Pinterest)

E o que fez José Mourinho, reconhecidamente o melhor treinador de futebol do mundo? Despediu-a, fundamentando a sua decisão no facto de ela distrair os jogadores!

"Pois então está explicado o porquê do Chelsea, um clube campeão na época passada, e agora com os mesmos jogadores estarem a perder jogos atrás de jogos depois da sua saída ainda em agosto" deduzi. 

Os jogadores ficaram amuados, tiram-lhes a médica querida, disponível para todo o serviço, que quando se queixavam de uma dor muscular a qualquer hora da noite, já não tinham quem lhes tratasse do dói-dói. E assim claro, não há condições, os jogadores entrarem em depressão!

"Pois bem podes ter a certeza que o Mourinho nunca mais dá a volta à situação" alvitrei. Já o meu colega achava que não, estava certo que ele ainda daria a volta à situação, afinal estávamos a falar de Mourinho, e ele achava que o Chelsea poderia ainda muito bem ainda ser campeão, ou quem sabe até mesmo campeão europeu! Mas eu não. Sempre estive muito ciente que nunca devemos menosprezar o poder da cona na sociedade e afinal tinha mesmo razão.

E foi assim que, uma simples cona destruiu o melhor treinador de futebol do mundo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Jantar de - não sei quê - da empresa

- "Já reparaste que há precisamente um ano, tu e eu estávamos sentados exatamente nestas posições, um à frente do outro?"

Foi o que perguntei ontem à colega do departamento financeiro, no jantar de "Natal" da empresa. E de facto, é incrível como este ano passou de forma tão rápida. Parece que me deitei ontem, vindo do jantar da empresa de 2014, em que recebi um mini-Kamasutra na troquinha de prendas, deite-me e acordei hoje a pensar no jantar de ontem em 2015. 

E foi precisamente este pormenor, estas pequenas coisas que presto atenção, este detalhe insignificante, esta coincidência de me ter sentado aleatoriamente, e de novo, um ano depois, precisamente em frente da mesma colega, que fez disparar um clique na minha cabeça, e me deixou a pensar "como este último ano voou tão depressa". 

E tanta coisa me aconteceu neste ano último que passou. Tantos acontecimentos surpreendentes e inesperados num turbilhão de intensas emoções. E esta minha colega já tem um filho que no jantar de 2014 ainda não existia... 

E tudo aconteceu num abrir e fechar de olhos. Deitei-me ontem no jantar de 2014, e acordei hoje, no dia seguinte ao jantar da empresa de 2015.


Yule celebrava o Solstício de Inverno no norte da Europa (hoje chamado Natal)


O Jantar? 

Correu muito bem até... tirando a parte da música brasileira em altos berros, em que quase se tinha de berrar à mesa e ninguém se ouvia, ah, e a bailarina - mas não tinha varão ok? - que animava as hostes dos juvenis do clube de futebol lá do sítio, enquanto dançava e se roçava neles, como se de um ritual de iniciação se tratasse.  

Mas correu muito bem. Sim é verdade, eu não celebro o Natal, ou se quiserem, celebro tanto o Solstício de Inverno como o Solstício de Verão ou os Equinócios da Primavera e do Outono. Ainda assim, apesar de não festejar, até nem me importava nada de poder gozar mais três feriados - afinal por que raio só é feriado no Solstício de Inverno? Não deveríamos festejar também os outros três? Os outros três não são igualmente importantes? Isso é uma completa descriminação... Até acho que vou já telefonar à Catarina Martins para ela falar com o primeiro-ministro que deu à Costa para propor três novos feriados! 

Mas apesar de não festejar o Natal, de não fazer árvore nem presépio, nem pôr pais-natal ridículos à janela, nem comprar prendinhas para dar a ninguém (nem as receber obviamente) acho que não devo dar uma de mal-disposto e recusar-me a fazer a troquinha de prendas (simbólicas) no jantar de "Natal" da empresa. E a palavra "Natal" eriça logo alguns colegas, como me eriça a mim, mas ironicamente, eu, que sou sempre tão "do contra", acho que devo socializar, porque este jantar, no meu entender, deve precisamente servir para isso, para nós (que somos tão poucos) socializarmos um pouco uns com os outros, e até nos divertirmos, fora daquela rotina de todos os dias. 

Ainda assim, o jantar da empresa, a meu ver, e já mandei a boca, deveria ser celebrado no dia em que a empresa faz anos, no dia em que foi registada. E nesse sim, todas as pessoas, de todas as empresas, de todo o mundo, poderiam socializar, num jantar ou noutra coisa qualquer. As empresas até poderiam dar o dia - porque não? - e fazerem uma qualquer atividade que estimulasse o espírito de grupo, e não se lembrarem só destes jantares, só porque estamos em dezembro, e é solstício de inverno, porque para quem não saiba, é o que significa Natal. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Chama-me nomes que eu gosto

Eu fui assinante da revista Proteste durante, não sei, mas talvez durante uns dez anos ou mais. Há quem diga bem, há quem diga mal, é como tudo, cada um tem a sua opinião, e logicamente eu também tenho direito à minha. Ouço muitas pessoas dizerem, "ah e tal a gente liga para lá mas perguntam-nos logo se somos sócios". 

Mas vamos lá ver uma coisa. A DECO não é uma instituição pública! Parece mas não é! E se calhar, digo eu, se existisse um organismo verdadeiramente eficaz, público, de fácil acesso e gratuito, instituições como a DECO não teriam tanta razão de existir, pelo simples facto de ninguém ser tolo suficiente a ponto de pagar por algo, que pode ter melhor e de forma gratuita. 

Eu deixei de ser associado por um único motivo: fiquei desempregado. Ao ficar desempregado, e apesar de ter recebido uns milhares de euros de indemnização (em bom tempo, ainda antes do FMI e dos fascistas assaltarem o poder) fruto de dez anos na mesma empresa - e não, não fui para o Brasil gastá-los em mulheres (mas é preciso ir tão longe?) como diziam alguns colegas mais novos - mas tinha a consciência que poderia estar muito tempo até conseguir de novo arranjar emprego. E infelizmente (ou talvez não) estive mesmo. 

E como tal, e por certo concordarão comigo que não é preciso assinar a Proteste para o saber, é só mero senso comum, comecei logo a cortar gastos supérfluos. E assinar uma revista de consumo, quando se fica desempregado e se vai em teoria consumir menos, era para mim um gasto supérfluo. E foi só esse o motivo pelo qual cessei a minha ligação de tantos anos com a instituição de defesa do consumidor. 

Goste-se ou não, uma coisa é certa, ser associado da DECO tem vantagens inequívocas, porque quando precisamos, eles atuam, e nunca cheguei a descobrir o que fazem, mas mal eles entra em ação as empresas ou os prestadores de serviços parece que se borram logo de medo, e dão-nos tudo que temos direito e ainda mais se for preciso. 

Esqueçam o Livrinho de Reclamações. Não serve para nada. Aquilo mais parece um muro das lamentações, ou então uma forma de acalmar os cavalos aos clientes. A pessoa enfurece-se, fica cheia de raiva e depois descarrega ali no livro, pensando que  adianta alguma coisa. Eu ainda continuo à espera que a ANACOM me responda há não sei quantos anos. Não responde e agora? Para que servem as queixas afinal?

Com a DECO não, a coisa fia fininho. Certa vez deixei uma máquina fotográfica para reparar na loja Ensitel. Os gaijos disseram-me "quando estiver pronto nós telefonamos". O que me comecei a aperceber é que nunca ia ficar pronta, pois nunca telefonavam, e isto depois de eu ter feito uma visitinha à loja. Queixa na DECO e dias depois estão-me a ligar, não para dizer que a máquina fotográfica estava reparada, mas para levantar uma nova, no pacote, com os acessórios novos também! Rápido e eficaz. O que eu me pergunto é o porquê das empresas só agirem corretamente quando esta instituição toma conta da ocorrência.

Existe uma ASAE, essa sim uma polícia pública, que deveria servir para fiscalizar o que andamos a comer. Mas não faz nada, é preciso vir a DECO fazer análises para descobrirmos que andamos, por exemplo, a comer carne contaminada com salmonella ou carnes proibidas. E então depois disso sim, lá vai a ASAE ver o que se passa. Tenho ideia que os agentes da ASAE gostam muito é de entrar feiras adentro, de preferência de metralhadoras em punho - certamente para mostrar o quanto são machos - para... apreender filmes piratas! Isso sim é perigoso ver filmes pirateados, já comer algo estragado que nos pode levar à morte, isso não tem qualquer importância!

E vem esta introdução a propósito de eu ter visto uma revista Proteste na copa lá do trabalho, em cima de uma mesa onde as colegas por norma costumam deixar folhetos das mercearias dos gaijos mais rico do país. "Olha uma Proteste" pensei! E lá fui andando a ler aquilo, no tempo que demora a comer uma sande ou uma peça de fruta, naqueles breves minutos, em que "a hora de comer é a mais pequena". 

Retirado da Revista Dinheiro & Direitos Nº132


E encontrei por lá um artigo extremamente interessante:

"Um homem foi condenado pela Relação de Guimarães por ter chamado "chula" à irmã numa mensagem enviada por telemóvel". A grave ofensa ficou-lhe por 1120€ de multa + 750€ de indemnização à irmã! Chamar chulo a alguém pode custar quase dois mil euros!!

Fiquei também ainda a saber, que a coisa seria ainda bem mais grave se acontecesse em meios de "comunicação social" como por exemplo as redes sociais.  E a revista dá ainda um exemplo: 

"Por exemplo, comentar com alguém que que o marido de "sicrana" lhe é infiel, pode fazê-lo sentar no banco dos réus e ser condenado, mesmo que a mulher esteja realmente a ser enganada pelo mais mais-que-tudo.

A justiça portuguesa é realmente anedótica. Alguém pode ser condenado só por abrir a boca e dizer uma verdade. O crime de violência doméstica é público, e qualquer um de nós pode ser cúmplice se souber que alguém trata mal outrem e não denunciar. Mas se depois denunciar uma traição ainda pode ser condenado! Parece que ainda estamos no tempo - há não tanto tempo assim - em que "entre marido e mulher não metas a colher" e em que não se podia abrir a boca para falar de certos assuntos. 

E isto de chamar nomes pouco recomendáveis a alguém pode realmente sair um bocado dispendioso para o pessoal que gosta de sair à noite e comer a primeira coisa que lhe aparece à frente! Quer dizer, nem será preciso ser com alguém desconhecido! Se calhar mesmo entre marido e mulher! Vai que um dos dois com o entusiasmo resolve puxar de um léxico mais ordinarão, e o outro não gosta? - cuidado com isso! 

"- Isso, dá-me com força e chama-me puta".

Ó querida, eu chamo tudo que quiseres, mas primeiro assina aqui, a dizer que te posso insultar à vontade! Não vá o diabo tecê-las!

domingo, 29 de novembro de 2015

Somos da idade que parecemos

Há coisas mesmo muito interessantes... Como numa só semana vários acontecimentos, coincidentemente,  se interligam entre si à volta do mesmo tema e eu consigo ter diferentes ângulos de visão: desde logo o meu mas também dos outros.

A meio da semana na capa do Jornal I: "A crise da meia-idade existe mesmo e a fase negra é entre os 40 e os 42". 


"Estou fodido" pensei. 

Eu a pensar que só as mulheres quando entravam nos 40 é que tinham preocupações, com as intermitências do relógio biológico, as hormonas aos saltos e a chegada da menopausa. 
Já não basta a crise nas carteiras, a crise do país - que já vem pelo menos já desde a terramoto de 1755 - a crise na índole dos políticos, e quer dizer, estou a um passo de enfrentar outra crise, agora esta existencial? Já não há pachorra para tanta crise, nem para notíciazinhas de treta nas capas dos jornais. Não sabem encher chouriços com notícias positivas!?

Entretanto no dia seguinte uns sujeitos iam passar pela empresa para dar uma formação, que depois afinal parece que era só para saber das necessidades dos trabalhadores (eu não sou colaborador, eu trabalho, não colaboro ok?) para então se proceder à dita formação. 
E eis se não quando, enquanto eu e os meus colegas comíamos descansadamente na pausa a meio da manhã, irrompe pela copa adentro a colega que esteve com eles, completamente em pânico a dizer, que aquelas pessoas estão completamente diferentes:
- "Eles não são os mesmos"! 
Eu até pensei "queres ver que os gaijos foram raptados por extra-terrestres em discos voadores"? Diferentes como? Mas depois lá percebi.
- "Eles não são os mesmos"! e dizia isto, completamente chocada, enquanto colocava as mãos na cara, como que tentando perceber, o quanto terá envelhecido também ela, nesse espaço de tempo que não os viu. 
- Mas há quanto tempo foi isso"? perguntei.
- Eu só cá estou desde 2012!

Nova conversa, de novo na copa e novamente sobre o mesmo tema.

Fala-se de idades, com os meus colegas mais novos que ainda nem entraram nos trinta!, a queixarem-se de como o tempo passa depressa, disto e daquilo e como vai ser no futuro e tal e coisa. 
E eis se não quando, eu caio na asneira de me virar para uma colega, só quatro anos mais nova, e uso a expressão "da nossa idade"! Pois de imediato ela reclamou que não é nada da minha idade! De facto quatro anos faz toda a diferença. Quando eu chegar aos 100 ela só terá 96. Certo!

Mas é muito interessante, que eu, coerentemente, já usei a mesma terminologia "da nossa idade" com outra colega, esta 3/4 anos mais velha e também ela, coerentemente, diz que não somos nada da mesma idade! E neste caso ela sente-se  já velha, apesar de como eu, não parecer nada a idade que tem. Eu creio que será o peso do número... ou então queres ver que estará ela mesma a passar pela tal crise da "meia-idade"? Ò diabo!

E já no final da semana comecei com um novo livro do Aldous Huxley, livro de que nada sabia, comprei usado, baratinho, por ser deste autor, e já bem velhinho e tudo. E olho para a dobra da capa que resume o tema abordado no livro e fico a saber que aborda precisamente a morte:

"O problema da morte, questão obsessivamente que o homem enfrenta desde que alcançou a faculdade de pensar, e a exploração do que é objeto na sociedade moderna de consumo são retratados neste romance com um sarcasmo impiedoso e cáustico."

"Os bosques apodrecem e extinguem-se 
A nuvem desfaz-se em chuva sobre o solo
E o homem lavra a terra, e sob a terra jaz ,
E após muitos verões também o cisne morre."

E depois olho para a primeira página e vejo a data da assinatura - um ano depois de eu ter nascido - e penso como este livro, já velhinho, amarelecido e oxidado pelo tempo, e eu, teremos a mesma idade. " Se eu tivesse nascido um livro, hoje também estaria assim, amarelecido e oxidado pelo tempo." 

Mas depois lembro-me também, como ainda há alguns dias, novamente mais uma pessoa ficava como que escandalizada quando soube da minha idade. "Eu dava-lhe uns vinte e cinco"! Acho que vou então fazer de conta que somos da idade que parecemos... Se pareço que tenho vinte e cinco, tenho mesmo vinte e cinco não é? e assim ainda me faltam quinze anos para a tal crise existencial da meia-idade! 

sábado, 28 de novembro de 2015

O peixe já não morre pela boca

"Pela boca morre o peixe" diz o ditado popular. 

Mas diz mal. Esta expressão está completamente desatualizada e merecia ser reformulada. 

Porque o peixe hoje em dia mal abre a boca para falar. 

O peixe agora usa os dedos para comunicar. É ver as pessoas em todo o lado, no restaurante, na esplanada do café todas de boca fechada. Comunicam sim mas com os dedos. 




E muito se fala com os dedos. Dizem-me que até há relações que acabam nas pontas dos dedos, seja no computador seja no telemóvel, seja noutra bugiganga eletrónica qualquer. 

Dizem-me que as palavras têm outra dimensão, muito maior, quando escritas, bem diferente do cara-a-cara. Mas as palavras ditas não são exatamente as mesmas palavras, que as palavras escritas? Bom, talvez a diferença esteja na forma como se quer interpretar a mensagem. E para quem não quer interpretar mal ou ser mal interpretado, pode sempre falar pela boca e não usar tanto os dedos não é? Relações-que-se-acabam-pelos-dedos. Isso faz-me pensar no que a humanidade se está a tornar. 

Bom, poderíamos dizer então que "o peixe morre pelas barbatanas" porque os peixes não têm dedos. Mas os peixes são pescados pela boca. Não fazia muito sentido não é?

Eu também não sou inventor de ditados populares, mas uma coisa é certa: cada vez menos o peixe morre pela boca.Tão simplesmente porque se usa agora muito mais os dedos para falar.

domingo, 22 de novembro de 2015

Pelo direito a comer uma salada

Vivemos numa sociedade cheia de pré-conceitos e hábitos generalizados, como se toda a gente tivesse de gostar ou de se comportar da mesma forma. E a coisa começa logo no berço. 
Ninguém sabe porquê, mas os meninos que têm uma pilinha vestem-se de azul; as meninas, essas nascem com uma ratinha e vestem-se de cor-de-rosa. Às meninas deixa-se crescer o cabelo, mas aos meninos, apesar deste crescer de igual forma, e também ninguém sabe muito bem porquê, mas corta-se também, porque... Lá está, na verdade também ninguém sabe porque o faz, mas como vivemos num mundo, em que se anda por ver andar os outros, e em que pensar dá muito trabalho, então também temos de cortar o cabelo aos meninos para não serem diferente dos outros. Que é que ainda iriam pensar!? Que somos uns pais anormais? Deus nos livre e guarde de sermos diferentes dos outros! E deve ser por isso que todos presumem que gostamos todos do mesmo, mas não, nem todos gostamos do mesmo. 

freeimages.com


Ontem num restaurante:

Eu: Esta salada tem vinagre?
A empregada (de voz grossa e ríspida:
- "Tem".
Eu até estava ali junto de pessoas que nem conhecia, não quis, pronto, sabem como é, dar uma de pessoa conflituosa e mal disposta, porque se estivesse sozinho ou na companhia de conhecidos, ela de imediato iria levar com um:
- "Pois então traga-me uma sem vinagre faz favor". 

Tudo isto porque os restaurantes devem acreditar que toda a gente gosta das saladas empestadas de azeite, vinagre, sal, ou outros molhos que decidam para lá meter. Mas não, há pessoas como eu, que odeiam vinagre. E então, como o meu dinheiro vale tanto com as pessoas que gostam de vinagre, há uma coisa muito simples que se poderiam fazer, que era, colocar os molhos à parte, e cada um tempera a sua salada como lhe apetecer. Ou então perguntavam. Também não perguntam se queremos o bife bem passado, mal passado ou assim-assim? Se não depreendem que todos gostam do bife da mesma maneira, por que raio é que assumem que todos gostam da salada gordurosa e a saber a vinagre hein? 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Fodes-me ou queres que chame a polícia?!

Eu nem sou de ler notíciazinhas da treta. Por norma entro num ou outro site dos jornais (para estar minimamente informado pois não tenho televisão) e faço a ronda pelas notícias, e até raras são as vezes em que abro uma notícia, muito menos aquelas notíciazinhas da treta, sensacionalistas, e que agora nem sequer desvendam a notícia, para levar as pessoas a abrir se quiserem saber mais. Não sou desses, quero informação, não quero lixo sensacionalista.

Mas desta vez abri uma exceção à regra e resolvi entrar para ler mais. O título era este:

"Chamou a polícia porque o homem lhe recusou sexo".

O caso passou-se em Gaia, num casal, ela com 48 ele com 60 anos. Mas do ponto de vista da notícia encontramos logo, além de dados contraditórios, coisas importantes que ficaram por explicar para melhor compreendermos o drama desta mulher (e deste homem também!). Vamos aos factos. Primeiro ficámos a saber que:

- A mulher apanha o marido a ver porno e logo em seguida "exigiu" que este interrompesse a sua sessão recreativa, que deixasse de consolar a vista, e tratasse mas é de a consolar a ela.

Mas logo em seguida há a primeira contradição do Jornal de Notícias, que começa por dizer no título que a mulher chamou a polícia porque o homem se recusou a piná-la, para logo em seguida, no corpo da notícia, dizer que ela disse à Polícia de Segurança Pública que:

- "...o homem não a conseguiu satisfazer sexualmente e por isso ficou irritada com ele"

Mas afinal, ele recusou-se a foder ou fodeu mas teve uma má performance? É que são coisas completamente diferentes! Que raio de jornalismo é este de trazer por casa?! 

Mas mais abaixo o JN reva-nos mais detalhes:

"Tudo terá começado cerca das 3.30 horas, no passado fim de semana, com a mulher a acordar e a surpreender o homem a ver um filme pornográfico. Depois, terá satisfeito sexualmente o companheiro e solicitado que ele procedesse de igual forma para com ela. Mas o homem disse estar cansado e não atendeu ao pedido da companheira. Seguiram-se alguns desentendimentos entre o casal, que acabariam com a mulher a ligar para os Sapadores de Gaia e para a PSP a alertar para uma situação de violência doméstica."




Ora bem, mais uma vez há muito por esclarecer. Três e meia da madrugada e um homem de 60 anos a ver pornografia. Bem, deve ser bem mais educativo que estar nas redes sociais! Vai daí é surpreendido pela mulher que o "satisfaz"... Mas ao satisfazê-lo não se satisfez a si própria também? A ponto de exigir mesmo da parte dele? Lá está, a notícia é muito vaga e sem detalhes importantes!

Depois, irritada, a mulher acaba por ligar para a Polícia. Mas para quê, é o que ficou por dizer! Para pedir uma indemnização por foda incompetente ou para foder com os agentes que chegaram ao local? Mais uma vez o jornal é omisso!

Como desculpas, o homem disse que estava cansado (as dores de cabeça são para as mulheres) e que estava com sono. Mas às 3h30 da manhã estava a ver porno. E interessava saber porquê! Estava com tesão e pensava auto-recrear-se, ou estava com insónias e resolveu ocupar o tempo? Nada sabemos também nada sobre isso. 

Independentemente das contradições e omissões, uma coisa é certa, a vida parece estar a complicar-se para os homens! As mulheres para ir ao "sacrifício" não é preciso muito, abrem as pernas, pensam no episódio da novela do dia seguinte, e passados três minutos - bem menos que o sacrifício de ir ao dentista! - e já estão despachadas. Os homens já não é bem assim! Não basta abrir as pernas, ah pois, e mais, se as coisas não correm bem, elas chamam a polícia e nos acusam de maus tratos e violência doméstica! 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Dúvidas Existenciais - Tapar as Matrículas

Há coisas que me intrigam. 

Tenho andado a sondar um determinado tipo de veículo - não, claro que não estou a pensar desfazer-me do meu cavalo preto. Era o que havia de faltar! - Alguém está a imaginar o Lone Ranger sem o seu Silver? Ou o Lucky Luke, o cowboy que dispara mais rápido que a própria sombra, sem Jolly Jumper "o cavalo mais esperto do mundo"? Não pois não?! Pois, tal como a mim, já ninguém me está a imaginar, sem os meus longos cabelos loiros ao vento e a galope do meu cavalo preto! "Não serias tu" já me disseram.

Mas como dizia, há coisas que me intrigam, e a mais recente, é o facto de quase toda a gente fotografar os seus carros que quer vender, mas depois tapam a matrícula! Mas porquê? Isso é o que eu gostava de saber. Eu estou em crer que as pessoas nem sequer se questionam. Como andam no mundo por ver andar os outros, simplesmente fazem o que vêem os outros fazer. E se alguém se lembrou de ocultar a matrícula, então será bom eu ocultar também. "Pelo sim pelo não..."

Mas no dia-a-dia ninguém tapa as matrículas dos carros pois não? Nem mesmo quando passam pelas novas auto-estradas, aquelas que antes eram gratuitas para o utilizador, mas que depois passaram a ser pagas, e ainda mais caras que as outras, as que têm portagens. Ninguém oculta as matrículas no dia-a-dia, porque até dá multa! Aliás, não ter luz de matrícula já dá multa!


Espera. É por causa da privacidade dizem. Pois deve ser isso deve. 
Os portugueses em geral prezam muito a sua privacidade. Só usam é o seu nome pessoal em tudo que é sítio da net, e deixam a morada e o número de telemóvel nos anúncios onde vendem os carros. Depois nas redes sociais dizem quando vão de férias e quando chegam. Tiram mil-e-uma-fotografias a si mesmos, e contam todos os peidos que dão, e ainda aqueles vão dar brevemente. Mas os portugueses são extremamente zelosos da sua privacidade claro, mas tão zelosos que depois ocultam as matrículas dos carros quando os colocam à venda. 

A mim o que me dá a entender, é que, quem não deve não teme. E quem tapa as matrículas, é porque tem algo a esconder, e pela matrícula podemos saber, por exemplo, junto de uma seguradora, se o carro já foi acidentado ou não.  E não me parece que seja para preservar a sua privacidade. Ou então, não têm mesmo nada a esconder e são só parvos.