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quarta-feira, 28 de junho de 2017

A Felicidade e a Solidão

Diz-se e lê-se por aí, que o amor, aquele amor que sentimos por outra pessoa, é partilhar a nossa felicidade. Que quem não está feliz sozinho, nunca o será a dois. Eu tendo a concordar, porque a nossa felicidade deveria ser um estado de alma interior, e não deveria depender de fatores como ter ou não companheiro(a), ter muito ou pouco dinheiro, ter muitos ou poucos amigos, etc. Mas por outro lado, nós também não somos felizes ou infelizes a tempo inteiro. Não é assim que a coisa funciona. Ao longo do dia é normal termos momentos mais felizes que outros, além de que todos vivermos fases mais felizes e outras de grande infelicidade, que por norma, estão quase sempre associadas ao amor, ironicamente, aquilo que se diz que nos completaria e nos faria felizes.

Por outro lado, isso do estado de alma interior também é muito bonito, mas a verdade é que, por exemplo, quando após um longo período de desemprego encontramos um trabalho na nossa área em que somos valorizados, ou graças a um novo tratamento passamos a ter uma outra qualidade de vida, ou ainda quando nos apaixonamos e somos correspondidos, a verdade é passamos a sentir-nos muito mais felizes do que antes. Nós não somos uma máquina, estanque, em que se carrega num botão e pronto, agora já estou estupidamente feliz! Ou como dizia o Barney: “When I'm sad, I stop being sad and be awesome instead”. Não, as coisas não funcionam assim, pelo menos comigo não!
Nó somos humanos e tudo o que nos rodeia é capaz de interferir, negativamente ou positivamente connosco, ainda que, mais numas pessoas que noutras.


E ultimamente, e não é de agora, que tenho vindo a sentir-me só...

No fundo eu sei que não precisaria de um batalhão de gente por perto para deixar de me sentir só. Até porque eu nunca gostei de grandes ajuntamentos, de muito barulho, de muita confusão. E nem sempre ter muitas pessoas por perto adianta de muito, pois pessoas há, que se sentem sós estando sempre rodeadas de gente. Talvez essa ainda seja uma solidão pior. No meu caso, talvez uma só pessoa chegasse para acabar com a minha solidão: mas teria de ser aquela pessoa.

Ainda por cima nunca tive muitos amigos, e muitas vezes o pior é não os poder ter por perto.

"O teu dedo é como o meu. Aponta sempre para longe", disse-me certa vez uma amiga que, lá está, só vejo uma ou duas vezes por ano.

Mas eu sou feliz nas minhas pequenas coisas... A meter as mãos na terra e a observar todos os dias as minhas plantas. A sentir o cheiro da relva acabada de cortar ou a ver as gotas de orvalho nas teias de aranha. Sou feliz a observar as pequenas coisas da natureza. Acho que nunca precisei de muito para me sentir feliz. Sei que cometo as minhas futilidades é verdade, mas nunca foi a falta do material que me deixou triste, aliás, muito do que me deixa triste e revoltado, sempre foi, desde cedo, o que me rodeia, como a falsidade, a injustiça ou a hipocrisia.

Mas às vezes olho para o jardim, que não é nada de especial, mas é o meu cantinho que eu criei, e estou ali, sozinho. Acho um desperdício não o partilhar com ninguém. Talvez o remédio para a minha solidão fosse partilhá-lo com outra pessoa. Talvez a solidão seja isso, falta de ter com quem partilhar as nossas coisas. Os nossos pensamentos, as nossas ideias, a nossa companhia... o nosso corpo. Ironicamente, é provável que ande por aí outra pessoa que se sinta só, e se calhar a nossa companhia seria o remédio para a sua solidão de outra pessoa.

O ser humano é um ser social, não é um lobo ou uma coruja solitária. E não me venham cá com essa tanga da felicidade interior, porque o que eu acho é que, ninguém consegue ser totalmente feliz sentindo-se só. E no meu caso, às vezes acho que não precisaria de muito. Bastaria a companhia de uma borboletinha em volta de mim, enquanto cuido do jardim.

sábado, 27 de maio de 2017

Como é que se pode dizer a uma pessoa que é demasiado feliz?

Quase todos os dias, de manhã, na viagem de casa para o trabalho, ouço o programa da Antena 1 "Portugueses no Mundo", em que ouvimos as experiências de diferentes portugueses que decidiram emigrar para estudar ou trabalhar noutros países do mundo. Aprende-se muito sobre as diferentes culturas, e muitas vezes retenho algumas coisas, como neste episódio:


- Como é que foi quando chegou a Colónia?

Cheguei à Alemanha em Janeiro, estava frio, frio, frio. E além do tempo frio, as pessoas também são frias e Portugal era uma coisa praticamente desconhecida. Portanto nós eramos uma província de Espanha, nós falávamos todos espanhol, com jeitinho também falávamos francês, e foi todo um processo de explicar que isso não é verdade. Nós somos um país, e somos um grande país, apesar de estarmos na pontinha da Europa... E uma das coisas que me disseram e que me deixou profundamente chocada foi que eu sorria muito e que eu não podia ser tão feliz. Quando eu ouvi isto eu fiquei como assim? Como é que se pode dizer a uma pessoa que é demasiado feliz? Eles são pessoas muito frias, os alemães em geral, mas depois de um processo de adaptação corre bem, só que temos de nos adaptar.

Mafalda Pereira, 24 anos,  há um ano e meio na Alemanha

O programa pode ser ouvido aqui.


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Essa T-shirt é muito fixe!

Há uns meses atrás visitei pela primeira o Palácio do Freixo no Porto. Há sítios especiais, que passamos por eles todos os dias, mas que curiosamente, e vá lá saber-se porquê, acabamos por nunca entrar para fazer uma visita. Talvez estivesse escrito que teria de ser naquele dia cinzento e de alguma chuva miudinha intermitente.  

Entrei e dirigi-me à receção para perguntar se poderia visitar o palácio e se o poderia fotografar, ainda que num outro dia, pois a luz daquele dia não estava muito propícia a grandes fotografias. Muito simpaticamente disseram-me que sim, que poderia estar totalmente à vontade. 

Já depois de visitar e admirar o restauro das divisões interiores, interpelo um outro funcionário, creio que para saber como fazer para visitar o jardim, e ele acolhe-me de imediato com um: "Essa T-shirt é muito fixe"! e simpaticamente se mostrou extremamente solícito. Eu simplesmente sorri, totalmente desarmado por aquele comentário inesperado. Confesso que gosto mesmo de pessoas simpáticas, mas nem preciso que me elogiem a indumentária, basta só serem simpáticas!

Entretanto esta semana fui escolher um novo CD para meter no leitor do carro, pois já lá andava há muito tempo com o Velvet Darkness They Fear e então escolhi o Gothic Kabbalah da banda sueca Therion. E sim, estamos precisamente a falar do álbum que estava estampado na camisola aquando da visita ao palácio.




"She's the wisdom, she's the truth: The Eternal Sophia
Perennial, beyond the time, she is the one
You're the river, you're the womb
The perennial
(The) Sophia...
Sophia..."




"Sophia, I believe in you, your light...
Shine inside my soul, I feel the sun from above
Sophia, I believe in you, your light is so bright
Shine inside my soul, I feel the sun from above"


E hoje (ontem) por momentos, ao ouvir algumas músicas daquele álbum, fui invadido por um daqueles momentos de extrema felicidade, em que dou por mim ora a tocar bateria ora a tocar guitarra - no ar pois claro! - e a atuar, como se eu mesmo,  fosse uma verdadeira vedeta em cima do palco! (Não, não creio que alguém tenha tido oportunidade de presenciar tal momento insólito!)

E a felicidade para mim é isto: são breves momentos. Tirando situações especiais, ninguém é estupidamente feliz o tempo todo, nem triste o tempo todo. "Olá, 'tá tudo bem"? Não, nunca está tudo bem, mas também não pode estar tudo mal. A felicidade não se atinge só com o abraço mágico de duas almas que se reencontram, não há nada comparável, mas esses momentos são únicos na vida e dificilmente se repetem. Nem têm de ser grandes conquistas ou o atingir de grandes objetivos, porque mal são atingidos já são passado e a vida tem de continuar e precisa de novas motivações. 
Para mim momentos de felicidade podem ser pequenos nadas. Por vezes bastam só coisas insignificantes, como umas linhas dum livro que se está a ler, ou pode até ser uma coisa tão simples como ver como uma árvore quase morta nos recompensa com a sua beleza, só por a termos salvo de uma morte certa junto ao caixote do lixo. Como pode ser o regresso da ave que todos os anos vem passar o inverno connosco. Pode ser qualquer coisa insignificante, como uma simples música que subitamente tem o condão de mudar o nosso humor... Por vezes esses pequenos nadas são o suficiente para me deixar feliz, ainda que só por alguns momentos.. E às vezes até pode nem acontecer nada. Podemos não ter um único motivo para sorrir, mas de repente somos invadidos por uma imensa felicidade. Claro que depois voltamos ao estado normal, mas já valeu a pena, pois pode estar tudo errado, mas por breves momentos fomos felizes sem qualquer motivo. 
Suponho que não é só a mim que isso acontece... a não ser que eu seja um caso de psiquiatria. E a avaliar pelas figurinhas que fiz, se alguém visse, acharia certamente que sim!

Mas o funcionário tinha razão. A camisola é realmente muito fixe - por isso é que a comprei certo?! - mas a música é ainda melhor. Se calhar ele até conhecia, mas acho que não, porque nem comentou nada sobre a banda. Se calhar só achou  mesmo que a T-shirt é muito fixe!