domingo, 28 de junho de 2026

Tudo Que é Preciso Saber Sobre a PSU

Para ir buscar mais um punhado de milhões de euros a Bruxelas, e num país que tem dois milhões de pobres e a maioria trabalha, o governo sacando da cartilha da extrema-direita, prometeu criminalizar a pobreza. Esses malandros que no país das rendas "moderadas" de 2300€ recebem 150€ de apoios do estado e depois gastam tudo para "ter BMW à porta"!

Um qualquer arguido, que cometeu um qualquer crime, condenado a pensa suspensa de três ou quatro anos vai para casa, mas um safado dum pobre, vai ser obrigado a trabalhar, de forma "obrigatória" mas "voluntária", sem receber um vintém! Que é para aprenderem, tivessem o mérito de nascer numa família rica que não precisavam de viver de mendicidade do Estado! E mais, vamos criar um canal de denúncias, ao bom estilo nazi, para denunciar esses malandros que vivem à grande com 150€ por mês, num país onde o limiar de pobreza é 700€.


A ideia da PSU começou logo com uma mentira da ministra Palma Ramalho, atirando para o ar sem quaisquer números, que as safadas das mulheres andaram a mentir, amamentando os bebés até à primária para trabalharem menos horas.. Rapidamente foi desmentida: não havia uma única queixa dos patrões contra mães a amamentar. O que há sim, é o contrário, mulheres a serem atacadas por amamentar. 


E de ataque em ataque, com um longo processo negocial com os sindicatos, apesar da CGTP, o maior sindicato do país ter sido excluído, e após várias greves, a lei, que previa que doentes com cancro ou deficientes tinham de ser obrigados a trabalhar "voluntariamente", chegou ao parlamento. 

E depois de várias piruetas do acólito André Ventura, que tudo e o seu oposto, eis que a bancada parlamentar do CH vota contra a "reforma laboral" que de reforma nada tem, é um mero ataque aos trabalhadores e aos mais desfavorecidos. 



Não deixa de ser curioso também, que as eleições legislativas existem - ao contrário do que toda a gente repete - para eleger deputados pelos diferentes distritos e não para eleger o primeiro-ministro, ainda que, na prática seja isso que acontece, ainda que, o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República. Mas afinal, não. Na bancada do CH as pessoas elegeram acéfalos, sem pensamento próprio, que estão ali, no parlamento, não para defender o interesses das pessoas, mas sim para se levantarem ou deixarem estar sentados, consoante o grande e querido líder se levanta ou permanece sentado. 



Raquel Varela


O Pacote Laboral foi derrotado, pelas greves e manifestações dos trabalhadores. Não cantemos vitória. Enquanto as pessoas se entretêm com o futebol, os nossos direitos vão sendo atacados, dia após dia, e a vida vai ficando mais difícil, dia após dia. 

Se tiverem interesse e quiserem saber mais, quer sobre a pobreza em Portugal, quer sobre a PSU, ouçam o debate Consulta Pública da Antena 1, com especialistas e uma pessoa que teve de apoio do RSI. É bastante esclarecedor. Deixo só umas frases soltas:

"Esta postura revela uma enorme falta de sensibilidade social, uma falta de cultura democrática e desvalorização total destas pessoas. Este governo diz assim: quem trabalha e dá lucro merece respeito, o resto é lixo.

Carla que teve apoios do Estado (RSI): "Lutei mto para a minha filha ter um mestrado e trabalha na área que estudou. E hoje está a ganhar mais 100€ do que eu (1100€). Os jovens são o futuro e estão desacreditados. Esforcei-me em trabalhos forçados por ela, para agora estar a ganhar 1100€. Como é possível com 1100€ ela ter uma vida e orientar-se? Ela tem 31 anos, como é que ela vai ser mãe? Se os jovens são o futuro, então nós temos que apostar mais neles.

"Imagine uma pessoa que depende do carro para trabalhar e fica com um problema de saúde durante um ano. Fica sem qualquer rendimento. Vão comer o dinheiro do carro e depois quando estiverem em condições de entrar no mercado de trabalho não podem porque não têm carro para trabalhar".

"Neste processo de demolição social também podemos encontrar aqui uma oportunidade positiva. Uma oportunidade para dizer agora aos pobres no atendimento: "continuem a votar nestes senhores que eles são muito vossos amigos".

"A primeira mentira: O Estado gasta um dinheirão com o RSI. Queridos amigos, o RSI representa 0,3% da despesa pública da Segurança Social para apoiar 156 mil famílias. 

Segunda mentira: preferem viver do RSI do que trabalhar. Os meus utentes morreriam à fome com o RSI e não articulassem uns biscates".

Recomendo também o texto de José António Pinto, no Público:


"Sra ministra, os meus utentes estão fartos de esmolas, humilhação e perseguição política. A esmagadora maioria dos beneficiários do RSI já são forçados a acumular o rendimento mínimo com o trabalho dos biscates. Se ficassem no café à espera do carteiro que trás o vale da Segurança Social morriam à fome.




sábado, 27 de junho de 2026

Eles Só Precisam da Tua Atenção



"Não lhe chames desporto.

Chama-lhe um estabilizador de humor para o império.

Onze homens correm. Mil milhões de olhos obedecem.

O ecrã ilumina-se. A bandeira ondula. O patrocinador sorri.

Trump consegue a sua oportunidade para a fotografia. A FIFA recebe a sua parte. 

As plataformas ficam com os dados. As empresas cervejeiras ficam com os cânticos. 

Os bancos ficam com o logótipo. As empresas tecnológicas ficam com a transmissão. 

A classe dos bilionários obtém a única coisa de que sempre precisa:

A tua atenção.

Tu sabes isto.

Sabes que o espetáculo está envenenado.

Sabes que o estádio é um painel publicitário.

Sabes que o jogo é uma máquina de branqueamento.

Sabes que tudo isto transforma a alegria em obediência.

E, ainda assim, quando o árbitro apita para o início, pegas no comando da televisão. 

Essa é a política do nosso tempo:

«Eu sei, mas...»

Eu sei, mas adoro o jogo.

Eu sei, mas preciso de uma pausa.

Eu sei, mas toda a gente vai ver.

Eu sei, mas uma pessoa não faz diferença.

«Eu sei, mas...» é o hino do consumidor derrotado.

Não do oprimido.

Do confortável.

O radical confortável.

O antifascista que vê tudo por streaming.

O anticapitalista que recebe encomendas da Prime.

O revolucionário alimentado pelo algoritmo.

A pessoa que quer um mundo novo, desde que carregue em alta definição.

A máquina não precisa que acredites nela.

Só precisa que a vejas.

(Texto traduzido de uma publicação da revista Adbusters no Instagram. Imagem gerada por IA)

terça-feira, 23 de junho de 2026

Ninguém Deveria Acumular Mais de Quatro Vezes a Riqueza da Pessoa Mais Pobre

Para pensar na obscena sociedade que temos atualmente. Texto de David Lay Williams (professor de ciência política e autor do livro "A Maior de Todas as Pragas: Como a Desigualdade Económica Moldou o Pensamento Político de Platão a Marx") no New York Times desta semana:



Desde que Elon Musk se tornou multimilionário, as pessoas têm tentado compreender a dimensão da sua fortuna quase incompreensível. 

 Alguns observam que uma pilha de notas de 100 dólares totalizando 1 bilião de dólares (um trilião na escala curta americana) atingiria uma altura de cerca de 1.093 quilómetros. 

O economista Steven Durlauf salientou que, a certa altura, a fortuna de John D. Rockefeller equivalia a cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos, enquanto a riqueza de Musk representa agora pelo menos o dobro dessa proporção, ultrapassando os 3%. 

Os adeptos dos New York Knicks talvez apreciem outro exemplo: mesmo Jalen Brunson, que ganha cerca de 39 milhões de dólares por ano, precisaria de jogar mais de 25 mil épocas para acumular uma fortuna semelhante. 

 Mas, entre todos os números que vi, o que mais me impressionou foi um cálculo publicado pelo The New York Times: o património líquido de Musk é cinco milhões de vezes superior ao da família americana média. 

 Como historiador do pensamento político, pensei imediatamente em Platão, o primeiro filósofo ocidental a enfrentar seriamente a questão da desigualdade económica. Na sua obra "Leis", através da personagem do Estrangeiro Ateniense, Platão defendia que, numa república próspera, se alguém acumulasse mais de quatro vezes a riqueza dos cidadãos mais pobres, deveria entregar o excedente à cidade. 

Não cinco milhões de vezes a riqueza da família típica - apenas quatro vezes a riqueza dos mais pobres.

 É certo que é difícil imaginar como uma economia moderna poderia funcionar sob as restrições propostas por Platão à acumulação de riqueza. Mas não é difícil compreender as preocupações que o levaram a uma proposta tão radical. 




Platão cresceu em Atenas, uma cidade que, segundo escreveu Plutarco, esteve quase a ser destruída pela «disparidade entre ricos e pobres». Foi salva por um legislador extraordinário, Sólon, que anulou todas as dívidas dos pobres, para grande indignação dos ricos. 

Mais tarde, durante a juventude de Platão, enquanto a cidade combatia na Guerra do Peloponeso, sofreu três guerras civis sucessivas baseadas em conflitos de classe: uma revolução oligárquica dos ricos contra os pobres, seguida de uma revolução democrática dos pobres contra os ricos, e depois outra revolução oligárquica. 

Não surpreende, portanto, que, ao refletir sobre a desigualdade em A República, Sócrates tenha observado que um Estado marcado por grandes desigualdades de riqueza não é verdadeiramente um Estado, mas antes «dois Estados: um dos pobres e outro dos ricos, vivendo no mesmo lugar e conspirando constantemente um contra o outro». 

 Para Platão, a origem da desigualdade era uma doença da alma a que os gregos chamavam pleonexia - uma forma de ganância insaciável. No diálogo Gorgias, Sócrates compara essa condição a um jarro furado: por mais água que se despeje nele, exigirá sempre mais. Para algumas pessoas, o desejo de riqueza limita-se ao necessário para satisfazer as suas necessidades; para outras, é infinito. Platão comparava essas almas insaciáveis a escravos dominados pelos seus próprios desejos. 

Uma pessoa consumida por desejos inesgotáveis acaba por amar-se a si própria muito mais do que consegue amar o resto da humanidade. Para Platão, ela torna-se «um mau juiz do que é justo, bom e nobre», porque atribui sempre mais valor aos seus próprios apetites do que à própria verdade. Consequentemente, escreveu ele, «é impossível que aqueles que se tornam muito ricos se tornem também bons». 

 Os receios de Platão acerca da ganância sem limites parecem ter sido confirmados por Musk, que já declarou ambicionar alcançar os 10 biliões de dólares. Também confirmou as preocupações do filósofo quanto às falhas morais dos super-ricos ao descrever a empatia como «a fraqueza fundamental da civilização ocidental». 

Através do chamado Departamento de Eficiência Governamental, colocou a agência americana United States Agency for International Development «na trituradora», como afirmou com satisfação, contribuindo para a morte de cerca de 600.000 pessoas, segundo estimativas. Tal devastação é, para o autor, uma consequência previsível de uma sociedade que decidiu não impor qualquer limite superior à acumulação de riqueza. 

 Platão tinha plena consciência de que soluções ideais, como a sua proporção de riqueza de quatro para um, são impossíveis de aplicar em sociedades onde a desigualdade já atingiu níveis extremos. Mas não defendia que legisladores e cidadãos desistissem. Pelo contrário, apelava aos cidadãos - incluindo os poucos ricos dotados de um «sentido de justiça» - para que fizessem o possível por reduzir as desigualdades, começando por envergonhar aqueles que acumulam fortunas excessivas. 

Insistia que a verdadeira pobreza «não consiste na diminuição dos bens de uma pessoa, mas no aumento da sua avareza». Só ensinando os males da ganância extrema poderá uma sociedade começar a restaurar o equilíbrio de riqueza necessário ao florescimento de uma república saudável. 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Meteorologia pela Verdade

 Já na semana passada anunciavam temperaturas de 40º e um grande aumento do calor e depois a verdade é que saí todos os dias de casa com uma camisola por cima da t-shirt porque estava frio, e, no trabalho, nunca se ligou o ar condicionado. 


Em semana de São João e em plena Silly Season por causa das piruetas no parlamento a propósito da votação do Pacote Laboral, em que à noite Ventura anuncia uma grande vitória com a aprovação das medidas da ministra, e no dia seguinte votou contra, alguns média voltam ao tema: Portugal terá temperaturas de 45º! 

Expresso

Mas, felizmente, quer-me parecer que a única onda de calor que se fará sentir será para os lados de São Caetano, na sede do PSD.

sábado, 13 de junho de 2026

Colecionador de Citações (7) - A Grande Referência dos Jovens


 Dia de torneio de ténis de mesa. Saí com o Starlet que, diga-se, depois de três tentativas para ser pintado, tem agora agendada uma pintura para Junho. Só não sei para que ano será. Eu tinha expectativas que fosse para este. Veremos!

Atravessava o rio Douro numa das autoestradas mais caras da Europa - temos salários de merda mas ao menos pagamos as autoestradas como verdadeiros ricos - e ouvia na Antena 1 o diretor do Espaço Miguel Torga discorrer sobre a escola e do professor...

O programa pode ser ouvido aqui:

Sou Pessoa Para Isso - Antena 1