terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O Maior Analista Político do País

Quando me diziam que o almirante Gouveia e Melo - o tal que pedia para lhe darem uma corda para se enforcar caso fosse para a política porque não tinha jeito nenhum para tal coisa - ganhava à primeira volta as presidenciais, e nessa altura, António José Seguro estava em último nas sondagens, e era mesmo hostilizado pelo seu próprio partido, já eu insistia que Seguro seria o próximo Presidente da República Portuguesa e achavam todos que eu estaria louco. 



Mas afinal parece que não estava tão louco assim.

Tantos milhões de euros gastos e nem era preciso nenhuma eleição, bastaria terem-me perguntado! Como em muitas outras coisas da vida - e lembrar a vitória de Mário Soares em 1986 - isto nunca é como começa, mas sim como acaba. 

António José Seguro, o homem que foi varrido do próprio partido porque só tinha vitórias de Pirro e ganhava por "poucochinho" no tempo de Passos Coelho, acaba de se tornar no político português com a maior vitória de sempre. Ironias da vida. 



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A Melhor Reflexão em Véspera da 2a Volta das Presidenciais

A melhor reflexão que eu poderia ter tido na véspera de umas eleições em que se escolhe entre um democrata e um fascista foi ter ido ver o filme Orwell 2+2=5. Numa sala pequenina do Arrábida que, num sábado à noite, teria, infelizmente, umas míseras dez pessoas.

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Antes que Janeiro Acabe

Todos os inícios de ano lembro-me que deveria comprar uma agenda, principalmente porque gosto de escrever em papel e não gosto muito dos calendários digitais. Mas depois sei que, e definitivamente não é de agora, acabo por não a usar como deveria e a maioria das páginas ficará em branco. E é uma tristeza que assim.

E tantas coisas que tenho eu para tomar nota como: as datas dos jogos da nossa equipa, dos meu torneios de veteranos, das injeções, das consultas médicas, dos aniversários, além, como é lógico, de todas as outras coisas normais do dia-a-dia, e talvez até gostasse de fazer da agenda um mini diário.

Tudo isto só para dizer que passaram dez anos que uma leitora deste blog simpaticamente me enviou uma agenda... Dez anos!, e parece que foi ontem que ela aqui deixou o seu primeiro comentário. 


Infelizmente talvez nos tenhamos aproximado demais, para depois termos de nos afastar. 
Tenho saudades tuas, Seguidora Fantasma. Onde quer que estejas, espero que estejas bem. 

Dizem Todos Mal do "Socialismo" Até Ficarem Sem Telhado

 


Votam IL e CH e são todos contra o socialismo. Mas é só até ficarem sem telhado e irem de mão estendida, implorar ajuda para mamar nos "subsídios" do Estado.

A questão da imigração. 

Hoje, o mundo é governado por aqueles que acreditam que os problemas solucionam-se por si. "O mercado auto-regula-se". Como tal, não é precisa nenhuma mão de obra escrava porque os telhados reparar-se-ão sozinhos!

Ou talvez o governo mande os motoristas do governo ajudar a reparar os telhados e todos os "patriotas" de extrema-direita abandonem os seus empregos e vão trabalhar para a construção, para ajudar a "salvar Portugal". 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A Geração Atual



No trabalho.

O colega de 38 anos repete constantemente: "estas gerações mais novas estão perdidas". 

O colega de 28 anos também não se inibe de repetir: "estas gerações mais novas do que eu estão perdidas".

Já tinha reparado que o novo colega de 22 anos também começava a dizer o mesmo: "as gerações mais novas do que eu estão perdidas.
 
E não surpreendentemente o novo colega de 18 anos também já repetiu: "esta malta mais nova do que eu está perdida..."

A verdade é que ninguém se vê a si mesmo como perdido. Os maus condutores são sempre os outros, porque nós conduzimos muito bem. 

A geração atual, somos todos nós, os que ainda estamos vivos. 

domingo, 25 de janeiro de 2026

Olá Doutora, Como Está?

 "Olhe que não, doutor, olhe que não"!, é uma conhecida expressão de Álvaro Cunhal no célebre debate que teve com Mário Soares em 1975.

Não é de agora. Há alguns anos que, na brincadeira, trato toda a gente por Doutor(a) - "como está, doutor(a)? - influência das brincadeiras no penúltimo emprego em que muito se falava de política.

Estávamos no final do milénio passado. Eu vestia preto e calçava Doc Martens 365 dias por ano. Quando a conheci, ela tinha o cabelo pelas orelhas e usava umas calças de ganga rotas nos joelhos e, por vezes, roupas do irmão. 

Ela achava que eu era uma espécie de Deus grego e que depois de termos começado a namorar seria roubado por uma gótica ou metaleira toda boa! 

Já eu comecei a sentir alguma insegurança quando ela foi para a universidade. Eu era cinco anos mais velho e estava a meio de um curso técnico-profissional, pós 12º, de três anos. Não é que me tivesse em má conta, porque aos vinte anos até era um jovem eloquente, bem falante e minimamente culto, pelo menos acima da média medíocre. Mas ela ia para uma universidade, na altura ainda não era uma coisa assim tão comum, e eu imaginava um local de jovens cultos, de boas famílias, ainda por cima ela tinha entrado numa privada. Se ela temia que uma gótica boazuda eu temia alguém mais culto do que eu (e quão errado isto haveria de ser).

Uns oito ou nove anos depois - estamos agora no final da primeira década do século XXI - e cada um já tinha seguido caminhos diferentes. A primeira mulher que, para minha grande estranheza voltou-me a tocar - aquela mão nas minhas costas não era a mão que habitualmente me costumava tocar - era uma jovem metaleira, universitária, que trabalhava num bar. 

Saímos bastantes vezes, fomos a muitos concertos juntos. Até era bastante curioso, porque ela depois começou a namorar, mas nós continuamos a sair, e algumas pessoas terão pensado que ela seria minha namorada. Só que, não. Na verdade, e pensando bem, eu sempre tive mais fama do que proveito, mas, como dizia a outra, isso agora também não interessa nada. 

Se não me engano ela estava a estudar engenharia civil numa faculdade privada. E, certo dia, vem-me com o seguinte discurso:
- "A sério que nunca pensaste ir para a universidade? A universidade abre-te os horizontes e dá-te uma perspectiva do mundo completamente diferente".

Uau! A sério? Mas não, não passava pelos meus planos ir para a universidade. Não pude ir em tempo útil, não iria agora, depois de estar a trabalhar há uns quantos anos e chegar a casa cansado e ter ainda que estudar à noite. 

E eu imagino que sim, que a universidade seja fantástica, mas, não querendo ofender todos aqueles que nelas estudaram, mas também me lembro de uma célebre frase de Tchekhov: "A universidade desenvolve todas as capacidades, inclusive a estupidez"!

Saltando no tempo para o presente. Conheci-a semanas depois de ter ficado sozinho no mundo e às vezes penso que isto não pode ter sido por acaso. Não pode mesmo, tantas são as coincidências improváveis. 

A primeira vez que a tratei por "Então, doutora, tudo bem"? em vez do habitual "então menina, como estás"?, e não me conhecendo ainda bem, ela levou a expressão à letra. E explicou-me como se sente desconfortável, quando, uma mulher que trabalha com ela há tantos anos ainda insiste em tratá-la por "doutora". 

Pensando bem, acho que nunca me tive uma grande consideração e, por exemplo, mantenho pouca autoconfiança, a disputar o coração de uma mulher. Talvez seja humildade, não sei, mas sei que hoje humildade é defeito. A autoconfiança cega e a arrogância, sim, essas são qualidades. Tal como também sei - não generalizando - que as mulheres mais desejadas são dos homens que mais lata têm. 

E por estes dias, tantos anos depois, lá voltou a conversa da universidade, se eu nunca tinha pensado em ir para a universidade... "Oh que caralho, tu queres ver..." Mas, não, foi num sentido completamente oposto do de há quinze anos. "Tu hoje terias tanto para ensinar aos miúdos da universidade"...

E o pior aconteceu a meio da semana passada. Liga-me ao almoço a perguntar como tinha corrido um curso que eu tinha começado no dia anterior com a Raquel Varela... E mais à frente, desarmou-me completamente e não soube onde me meter. Diz-me que eu sou das pessoas mais cultas que já conheceu, que eu estudo os temas e sei defendê-los com argumentos, e que se sente um grãozinho de areia à minha beira e que é um desperdício o trabalho (indiferenciado) que estou a fazer.

Ouvi e calei. Não sinto nada disso. Ela sim, é a senhora doutora, ao passo que eu sou só eu aquela pessoa comum, um tudo nada estranha até. No entanto, quando pessoas há que passam a vida a fazer-te sentir uma merda, receber um elogio de vez em quando para variar sabe bem.