quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Foi o SNS Que me Salvou Porque os Hospitais Privados é Só Fachada

https://www.thisismoney.co.uk/
Dia de análises. Lá fui em jejum até à cidade. Meia hora no pára-arranca do Freixo ao Túnel da Ribeira. Aproveitei e pelo caminho encontrei-me com o John para lhe entregar um agave dragão que há meses tinha encomendado para ele. É sempre uma oportunidade para praticar o inglês. Lá me desenrasquei e ele percebeu onde é que eu estava e depois ainda lhe dei boleia até perto da zona onde ele vive. Antes das análises passei na farmácia do ambulatório para levantar a droga que o meu Estado paga para eu me injetar. São cerca de mil euros todos os meses - obrigado Sistema Nacional de Saúde!, ainda que pareça que muita gente queira implementar em Portugal o sistema de saúde dos Estados Unidos, baseado no segurozinho de saúde privado, e em que se paga 2500€ por chamar uma ambulância ou em que as pessoas estão todas a morrer porque nem sequer têm dinheiro para pagar a insulina. Antes do número 22 ser chamado saquei d' As noites Brancas e li mais algumas  páginas e depois lá rumei hospital adentro para as análises. 

Antes de vir embora, junto à saída, duas senhoras que não se conheciam encetaram uma conversa de circunstância. Mal ouvi "foi o serviço público que me salvou" fiquei de orelhas espetadas para ouvir o resto.

"Eu tenho uma doença degenerativa, neurapatia, que é a doença dos músculos e já tinha um linfoma. No hospital privado já tinha gasto mais de cinco mil euros e não conseguiam descobrir o que tinha. A minha sorte foi ter vindo para o serviço público porque descobriram logo o que tinha. Os hospitais privados é só fachada".

Testemunho tão revelador que não tenho mais nada a acrescentar. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Junta Trolha



Ao longo da minha vida terei ido talvez a uma ou duas juntas médicas e terei tido necessidade de uns quantos atestados para os mais variados fins. 
Entretanto há poucos dias os médicos reuniram e ameaçam deixar de fazer juntas médicas porque acham que estão a ser desaproveitados com tarefas menores como atestar que determinada pessoa está doente ou incapacitada para o trabalho. E como brevemente estou a pensar submeter-me a um processo de apuramento de incapacidade, e visto que corro o risco de não poder ser visto por médicos, talvez o melhor seja deslocar-me a um edifício em obras para ser visto por uma Junta Trolha. Talvez os trolhas ou outros quaisquer profissionais, sejam as pessoas indicadas para atestar perante o Estado a minha incapacidade de reivindicar os apoios que tenho direito, visto que os médicos acham que não devem fazer esse tipo de trabalho menor. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Apanha-se Mais Depressa Um Aproveitamento Político Que um Coxo


Marcelo Rebelo de Sousa a ser Presidente da República fazendo coisas importantes e com batalhão de jornalistas atrás. Mas fugindo sempre do aproveitamento político. Porque mostrar-se a cortar o cabelo é, de facto, algo verdadeiramente relevante para a nação. Receber o maior ícone da luta pelo Ambiente seria, como o próprio disse "aproveitamento político". Só que, apanha-se mais depressa um aproveitamento político que um coxo!




segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

2.0 na Escala de Desilusão

Cada vez mais as pessoas me desiludem, sejam pessoas que, por este ou aquele motivo me cruzei, ou até pessoas com que relaciono há algum tempo. Acho que quase poderia mudar o provérbio para "uma desilusão nunca vem só" ou então "quanto mais pessoas conheço, mais gosto das minhas tartarugas".



Foram aqueles três euros em moedas que tinha metido ao bolso e me caíram para debaixo do banco do carro (e a verdade é que muitas vezes os carros conseguem ser verdadeiros cofres) e no dia seguinte tive que deixar o carro na oficina e só me lembrei das moedas depois. E apesar de ter pagado 140€ pela reparação, alguém achou por bem limpar também o carro... daquelas moedas! Claro que as que estavam naquele espaço em frente da manete da mudança de velocidades por lá ficaram, porque dessas eu saberia que lá estavam. Não imaginavam é que eu também sabia dos três euros caídos debaixo do banco. E alguém se borrou por uns míseros três euros...

E foi também a senhora que, na entrega duns filmes que comprei e que até me foi contando algumas coisas da sua vida, com quem até criei alguma empatia e dei votos de felicidades para a sua mudança para Inglaterra onde reencontrará o seu namorado pasteleiro. Mas antes, e só para confirmar, perguntei "são originais certo"?  Não quis estar a confirmar os vinte filmes, afinal, até só eram dez euros, mas a verdade é que, já em casa constatei que oito dos vinte filmes eram cópias, e eu não quero as cópias para nada. Não tem que ver com o dinheiro, até poderia ser só cinquenta cêntimos, mas é uma questão de confiança e de integridade. 

Ou então a senhora a quem via internet pergunto o preço dum rabo de macaco (para quem não sabe estamos a falar de um cato) e dá-me um preço. Dias depois diz que está a vender barato mas já me dá um preço mais influenciado. 

Acho que numa escala de desilusão de zero a nove estas situações atingiriam talvez um 1.0. Mas quando estamos a falar de pessoas com quem lidamos frequentemente, ainda que só há um ano, mas de quem até tínhamos boa impressão e algumas expectativas, quando isto acontece, os efeitos nefastos do abanão já provocam graves brechas na confiança.

Por que é que nos desiludimos com as pessoas?

Talvez porque esperávamos dos outros o mesmo comportamento que nós teríamos nas mesmas situações. Desiludimo-nos porque somos exigentes e otimistas. Porque esperamos que as pessoas vão corresponder aos nossos padrões de eixgência. 

Mas se a ilusão é estar iludido e com falsas esperanças, a desilusão tem o condão de nos mostrar a realidade tal como ela é. Sem ilusões.