"A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão."
sábado, 27 de junho de 2026
Eles Só Precisam da Tua Atenção
segunda-feira, 7 de julho de 2025
O Evangelho da Prosperidade
Com a nomeação de White, o papa da extrema-direita internacional fez um aceno a uma visão muito particular do cristianismo, que, no plano pessoal, é excelente para conferir um verniz sagrado à própria fortuna - mesmo que esta deva mais ao pai do que à providência -, mas que, num plano mais geral, também é coerente com a aversão neoliberal à redistribuição da riqueza. Se é Deus quem decide quem é rico ou pobre, o que pode o Estado fazer quanto a isso?
Contra o cristianismo “original”
Atento a tudo o que se passa no pensamento cristão, o teólogo espanhol Juan José Tamayo já tinha identificado a também chamada “Teologia da Prosperidade” como um dos pilares da ofensiva da extrema-direita religiosa, à qual dedicou A Internacional do Ódio (Icaria, 2020). Segundo este credo em ascensão, observava o autor, se os cristãos não são ricos, “é porque vivem em pecado”. O Evangelho da Prosperidade tornou-se, sobretudo nos Estados Unidos mas também na América Latina, numa das expressões mais cruas da “aliança entre o neoliberalismo económico, o ultraconservadorismo político e o fundamentalismo religioso”, que “está a roubar ao cristianismo a sua mensagem original”, explica agora Tamayo, que acaba de publicar um novo ensaio, Cristianismo Radical (Trotta, 2025), onde propõe uma contraposição teológica ao “cristoneofascismo”.
Desde os EUA, Kristin Du Mez, autora do já citado Jesus and John Wayne, afirma que esta doutrina singular “permeou” o cristianismo americano para além do círculo de pregadores mediáticos. “A ideia de que Deus abençoa os bons cristãos com sucesso material está bastante difundida. Muitas vezes anda de mãos dadas com a oposição a qualquer tipo de ajuda governamental aos pobres, considerados indignos e culpados da sua pobreza”, explica a historiadora. E acrescenta: “Esta mensagem contradiz os ensinamentos cristãos tradicionais sobre a bênção de Deus aos pobres e a ideia de que é mais difícil a um rico entrar no Reino dos Céus do que a um camelo passar pelo buraco de uma agulha.”
EL PAÍS – 6 jul. 2025 – Por Ángel Munárriz
sábado, 29 de março de 2025
Acreditas que a Humanidade Pode Mudar?
domingo, 10 de novembro de 2024
Os Imigrantes que Devem Ser Proibidos de Entrar em Portugal
terça-feira, 8 de outubro de 2024
Conversas Improváveis 85 - O Mercado Auto-Regula-se
Falávamos do preço absurdo das casas - a propósito, obrigado Montenegro, os jovens agradecem o apoio que o governo deu e que originou novos aumentos nos preços das casas - e eu falava no dogma dos neoliberais que acreditam na intervenção divina da mão invisível e que "o mercado auto-regula-se".
Ao que ela responde com esta brilhante frase:
"O mercado auto-regula-se. A cada dez anos há uma crise financeira para regularizar tudo!"
sábado, 13 de abril de 2024
A Imparável Extinção dos Passatempos
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024
A Maldição do Skincare
sábado, 23 de dezembro de 2023
Nem Duas Vezes, Nem Uma - Agora o Carteiro Nunca Bate à Porta
Uma das muitas horríveis coisas que o governo de Passos Coelho e Paulo Portas fez foi a privatização dos Correios. Um setor estratégico que nunca deveria ter saído da esfera pública. Um dos melhores serviços públicos que tínhamos, e um dos melhores do mundo, que, de repente, ficou quase ao nível do Burkina Faso. O jornal espanhol La Vanguardia trouxe esta semana uma interessante crónica sobre a privatização dos correios britânicos, o Royal Mail, que poderia ser uma triste crónica sobre os nossos CTT. Aqui fica em tradução livre:
quinta-feira, 9 de março de 2023
A Americanização dos Serviços de Saúde Europeus em Curso II
"As salas de espera de um hospital público são lugares capazes de esboçar o mundo, de como se organiza um mundo, uma comunidade, de como se cuida, quais vidas adoecem e esperam e quais não transitam porque não podem ou simplesmente têm saúde de ferro , boa genética, alimentação saudável, vida tranquila e provavelmente assistência paga.Quando neles esperas e observas, pode acontecer que de repente o que é habitual te apareça com outra face, como se o que contraditoriamente visível a todos nem sempre se visse e precisasse de uma pausa, de uma respiração lenta. Então a revelação pode vir como um som violento. É assim que o filósofo Gilles Deleuze se refere à passagem de uma percepção sensório-motora para uma percepção óptico-sonora. Dizia-o aludindo ao filme Europa 51 de Roberto Rossellini quando o protagonista, ao olhar (como noutras ocasiões) para as condições de trabalho numa fábrica, sentiu-se atravessado por "um som excessivamente violento", como "um raio visual que muito forte", algo que estava ali sem ela ter visto antes e de repente ficou "o intolerável, o insuportável".
Nesse caso, o som veio de uma enfermeira sussurrando para o médico estagiário: "Não podemos gastar mais de cinco minutos com cada paciente ou vamos colapsar". Foi um raio muito forte. Eu havia saído da enfermaria lotada e estava ao lado do médico. Ele sentia que queria me ajudar, mas a pressão de fora dificultava a troca de conselhos comigo, uma empatia ampliada em um “estou a ouvir, diga-me você como está e como está progredindo”. Não podia. Ela estava tão estressada quanto eu e o maquinário nos tornava engrenagens. A angústia continuou na volta como quem recebe o veredicto de um diagnóstico do que não pode ser tratado ou discutido. “- Mas… - Tem que passar ao próximo. -Mas... - “Tem que passar ao próximo”. E foi feito um loop sentindo o risco de ser dado por perdido. A eles médicos que procurarão outros destinos, a nós como doentes que estão levando a um desligamento programado.
Ultimamente passo muito tempo nestas salas de espera em Madrid. Eu tenho várias doenças e uma dessas chamadas "órfãs" que te tratam diferentes partes do corpo (...)
No entanto, devo dizer que minha experiência anterior é diferente. Passei grande parte da minha vida nas salas de espera do sistema público de saúde da Andaluzia, não para tratar as minhas doenças recentes, mas para acompanhar outras pessoas. Tenho imensas dívidas de gratidão com as pessoas que cuidaram de nós lá. Nos últimos 30 anos, esta saúde pública salvou o meu pai de três cancros, operou a minha mãe várias vezes e acompanhou-nos na doença e morte da minha irmã, dando tudo.
Tu lembras-te daqueles filmes americanos em que obter um plano de saúde é a chave para uma vida tranquila ou para uma escolha profissional? Ninguém nos disse que era o nosso futuro e em muitos lugares da Espanha é o nosso presente. Alguns acreditam que poderão ter esses seguros pelo resto de suas vidas, mas não. Por isso, a revelação tem uma segunda parte, na qual tu e eu nos encontraremos nas salas de espera. Quando o seu cancro ou aquela outra doença não for rentável para a seguradora e eles te encaminharem para a saúde pública. Não te surpreendas se os médicos deixaram a cidade ou o país porque não eram bem pagos, discordavam das intermináveis listas de espera ou a exceção para nos atender em cinco minutos que se tornou regra.
Para que essa revelação de um futuro possível não aconteça, a mobilização social que nasce de parar para pensar nesse risco e agir solidariamente é a nossa esperança. Proteger e curar a saúde pública é cuidar de ti e de mim. E não me estou a referir a soluções temporárias ou sensacionalismo eleitoral. Precisamos mudar de rumo, cuidar desse tesouro como solo social que garante nossa saúde, ouvida, atendida com um tempo humano, financiada.
Madrid são muitas Madrids, mas para viver naquela que aparece nos anúncios é preciso ter um andar garantido onde se cuide do corpo doente. Essa intra-história não centrada nas belas esplanadas e festas que aqui podemos desfrutar precisa de nós vivos; e aos políticos que descem dessa arrogância que os obscurece em não perceberem o recado enquanto passam os serviços públicos às empresas de quem lucra com a saúde, que não deveria ser um negócio.
A demografia e os dados indicam que sim. Em breve seremos tantos doentes e idosos que precisamos de uma saúde pública forte. Não se trata de uma medida específica, trata-se de construir uma política que cuide dos cuidados e da saúde, que nos permita viver e ser, trata-se de parar de normalizar o intolerável: a saúde como negócio.
A saúde pública é posta em causa quando é o pulmão do país, o tesouro que nos tornou mais iguais.
domingo, 29 de janeiro de 2023
O Principal Inimigo da Democracia é o Centro Comercial
quarta-feira, 23 de novembro de 2022
Semana Negra de Compras
Portátil HP em Outubro custava 529€
Na mesma loja, e nesta semana negra de compras, o mesmíssimo computador está com uma promoção fantástica de 549€! Aproveitem já antes que esgote!!
domingo, 31 de janeiro de 2021
A Igreja Sempre do Lado do Capitalismo e Contra os Oprimidos
sábado, 18 de abril de 2020
Sabias Que a Califórnia Foi Roubada aos Mexicanos?
domingo, 22 de dezembro de 2019
As Falsas Necessidades Com Que o Capitalismo Atola as Pessoas em Dívidas
Há vinte anos o telefone tinha um aluguer (tal como ainda hoje temos o aluguer do contador da eletricidade e da água) mas não se gastava dinheiro para o substituir. Se avariasse os TLP (empresa pública que os nossos políticos privatizam e os nossos grandes empreendedores empresários trataram de falir) logo se apressavam a substituir, tal como substituíam, gratuitamente, quando os modelos ficavam ultrapassados. As listas telefónicas e as Páginas Amarelas também eram entregues gratuitamente.
Hoje, além de cada pessoa do agregado familiar ter a sua fatura telefónica para pagar, por norma, excluindo pessoas como eu, que os outros acham que vivem numa caverna, têm ainda que substituir, frequentemente, o seu aparelho para telefonar. Pois é, um telemóvel hoje é muito esperto, faz muitas coisas, mas nenhum outro faz e recebe chamadas, não é?
Esta semana, na TSF (rádio que quase deixei de ouvir por causa da publicidade) ouvi um programa - sim, se antigamente era expressamente proibido fazer publicidade às marcas, hoje, por vezes a publicidade é mesmo descarada - e nesse programa falavam dos melhores telemóveis que os pobres poderiam comprar por menos de 500€. Relembro de novo que o salário mínimo português é de 600€!
E a certa altura, a pessoa que apresentava o programa "Mundo Digital" dizia mesmo "Não compre nada abaixo dos 150€. Eu sei que gostaria de poupar uns bons euros mas a verdade é que, mais cedo ou mais tarde, vai arrepender-se", e o que aconselha, no mínimo, é mesmo entre os 200-250€, mas os preços vão, não até ao infinito, mas facilmente até aos 1000-1500€.
Bom, mas seria de esperar que um bom telemóvel que custa mais que um televisor ou um computador (o meu portátil custou 250€) durasse, pelo menos, uns bons anos. Não! Numa rápida pesquisa fiquei a saber que os portugueses trocam de telemóvel, em média, ao fim de dois anos!
E, se há umas quantas décadas as coisas eram feitas para durar, desde as mobílias das casas, os automóveis, a roupa, toda e qualquer geringonça durava que se fartava, com o avanço tecnológico passou-se a programar as coisas para terem um fim certo e ao fim de xis tempo, que por norma é pouco depois do tempo de garantia!, e lá tem que se ir comprar novo que agora não se repara nada e o Ambiente - todos preocupados com o Ambiente não é?, agradece! Acontece que, além da obrigatoriedade de comprar, as coisas agora duram menos tempo e gasta-se mais dinheiro. Mas não só. Temos também uma publicidade cada vez mais agressiva que mete na cabeça das pessoas que não serão felizes se não comprarem, se não tiverem o que todos os outros têm ou se não se comportarem como todas as ovelhinhas imaculadamente brancas, todas iguais, se comportam.
O capitalismo vive de crises sucessivas, para que os pobres fiquem ainda mais pobres, e os ricos fiquem ainda mais ricos. Para se ter noção, estamos hoje em 2019 e o rendimento dos portugueses é, em média, menos 175€ por mês que em 2009! Sofremos uma crise terrível e seria de esperar que as pessoas tivessem aprendido a lição e estivessem mais contidas nos gasto, certo? Não, errado!
"A verdade é que, o número de famílias a bater à porta da DECO por estar com dificuldades financeiras, ele não está a abrandar, pelo contrário, ele está novamente a aumentar. E aquilo que nós verificamos relativamente às famílias que nos estão a pedir ajuda este ano de 2019, estão a fazê-lo muita vezes devido a crédito que já foi contratado este ano ou em 2018. Isto é claramente demonstrativo que as famílias não estão a recorrer ao crédito de forma tão responsável quanto era desejável". (Natália Nunes/DECO)
Concluindo. Com o passar do tempo e com as sucessivas crises do capitalismo, o rendimento disponível das pessoas é cada vez menor. Ironicamente a pressão é cada vez maior para o consumo e as pessoas satisfazem as suas necessidades de escravatura acedendo ao crédito fácil não aprendendo com o passado recente e endividam-se ainda mais.
domingo, 13 de janeiro de 2019
O Maior Salário Mínimo do Mundo
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
O Americano Médio Não Consegue Juntar 450 Euros Para Emergências
sábado, 22 de setembro de 2018
Nos Estados Unidos Paga-se por ir para a Cadeia e se Não se Pagar Vai-se Preso de Novo!
Jair Rattner / O Esplendor de Portugal / Antena 1





















