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quarta-feira, 14 de julho de 2021

Eu não Tenho Nada Contra as Batatas, mas...


 Há anos que digo sempre o mesmo aos meus pais: que não compensa plantar batatas, mas eles insistem que sim, nem que seja por tradição - e que rica tradição dar cabo do corpo! - e então, ano após ano, lá enchem um campo de batatas para três pessoas.

Para plantar batatas é preciso ter batata de semente. É preciso revolver a terra. É preciso estrumar. É preciso cavar, abrindo regos. E é preciso pegar num balde de batatas e pô-las no rego. É preciso sachar. É preciso pulverizar. É preciso cavar para as arrancar. É preciso apanhar as batatas do chão. É preciso carregar as batatas e armazená-las. É preciso pulverizar com um inseticida. 

E toda esta trabalheira por algo que se compra a 7€ cada saco se 20Kg! 

Estou sempre a dizer aos meus pais que se deve cultivar coisas para comer,  mas coisas que sejam caras, como os vegetais (que eles também plantam) ou fruta.  Batatas, não!

E esta semana andei a ajudar a apanhar babatas. Enquanto metia as batatas para os baldes pensava para com os poucos cabelos que tenho no peito:

"Os portugueses substituíram a bolota e a castanha que caía livremente do céu, por uma merda que tem que se cavar a terra para a enterrar e cavar para desenterrar, e que depois no fim de contas até nem faz lá muito bem à saúde"!

Eu não tenho nada contra as batatas, mas quer dizer!

sábado, 18 de abril de 2020

Sabias Que a Califórnia Foi Roubada aos Mexicanos?

"A Califórnia já pertenceu ao México, e as suas terras aos mexicanos; uma horda de americanos andrajosos e febris inundou a região. E tal era a sua fome de terra que as tomaram, roubaram as terras dos Suters e dos Guerreros, roubaram e destruíram as concessões e esses homens esfomeados e raivosos brigaram uns com os outros sobre a presa e guardaram de armas na mão as terras de que se tinham apoderado. Isto era a apropriação e a apropriação equivaleria a um título de posse. 
Os mexicanos eram moles por excesso de alimentação. Não puderam resistir porque nada se desejava no mundo como os americanos desejavam aquelas terras. 
Depois, com tempo, os acocorados deixaram de ser acocorados para passarem a proprietários; os seus filhos cresceram, e por sua vez tiveram filhos. E a fome acabou-se entre eles, essa fome animalesca, essa fome corroedora e lacerante da propriedade, da água e de um céu azul sobre ela, da relva fresca exuberante , das raízes entumecidas.
Tinham tudo isso, e com tal abundância que deixaram até de ver essa riqueza. Já não se sentiam corroídos pela ânsia de obterem um acre de terra fértil ou um arado brilhante para nela abrir sulcos, sementes ou um moinho agitando o ar com as pás. Já não acordavam nas madrugas escuras, para ouvir o primeiro chilrear dos pássaros ainda ensonados, ou o ruído do vento matinal em torno de casa enquanto aguardavam os primeiros clarões, à luz dos quais deveriam ir para os seus amados campos. Tudo isso fora esquecido, e as colheitas eram avaliadas em dóllars e as terras eram-no em capital mais juros e as colheitas compradas e vendidas mesmo antes de se fazer a plantação. Nessa altura, já o malogro das colheitas, as secas e as inundações haviam deixado de significar pequenas mortes dentro da vida, mas simplesmente perda de dinheiro. E todos os seus afetos eram medidos pelo dinheiro, e toda a sua impetuosidade se diluía, à medida que lhes aumentava o poder, até que finalmente eles deixaram de ser fazendeiros ou rendeiros, para se transformarem em homens de negócios dos produtos da terra, pequenos industriais que tinham de vender antes de terem produzido qualquer coisa. E os fazendeiros que não eram bons negociantes, perdiam as suas terras, em favor dos que eram bons negociantes. Não importava que fossem trabalhadores diligentes e que amassem a terra e tudo quanto nela crescia, desde que não fossem também bons negociantes. E, com o tempo, os bons negociantes apropriaram-se de todas as terras e as fazendas foram aumentando de tamanho, ao mesmo tempo que diminuam em quantidade....