quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Olha Para o Sol e Verás



A 13 de outubro de 1917 milhares de pessoas olharam para o Sol na Cova da Iria e, depois de foderem a vista, até conseguiam ver o "sol a bailar"!

Mas o Sol, que é uma estrela fixa no mesmo ponto e que é visto em todas as partes do planeta Terra, foi foi visto a bailar em Fátima! No resto do planeta, ninguém viu absolutamente nada, só mesmo aquelas pessoas que olharam para o Sol fixamente! E assim se provou, de forma inequívoca e sem margem para dúvidas que as encenações de Fátima eram mesmo verdadeiras!

Acredita, filho. Olha para o sol e verás! 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

No Último Eclipse do Sol do Milénio



Neste mesmo dia 11 de Agosto de 1999, dia do último eclipse solar do milénio, eu estava internado numa cama de hospital. Não tinha telemóvel, muito menos internet, e muita gente achava que o mundo ia acabar daí a quatro meses. 

E foi precisamente na data do eclipse, que se deu um crime que intrigou o país: o brutal assassinato de um casal de médicos de Ílhavo. "Ritual satânico", lia-se nos jornais. O filho, a mais pacata das pessoas, e vocalista de uma banda de Death Metal, foi o principal suspeito, mas o crime acabou por se perceber que não teve nada que ver com coisas do Diabo.

Primeiro Tó Jó confessou o crime para proteger a mulher, depois que ela o abandonou na cadeia, ele contou uma versão diferente, talvez a verdadeira, em que a aponta a ela como autora moral do crime, e toda a gente confirmou a adoração que ele tinha por ela, e como ela era manipuladora.

Ele apanhou 25 anos de cadeia. Durante esse tempo foi o melhor dos reclusos, fez vários cursos e saiu em liberdade em 2017. E mais ninguém foi condenado por falta de provas.

domingo, 9 de agosto de 2026

O Homem Mais Rico do Mundo Vive de Empréstimos

Este é o segundo episódio de "Senhores do Algoritmo", um podcast composto por oito episódios sobre redes sociais, inteligência artificial, e as distopias autoritárias dos homens mais ricos do mundo, apresentado por Mariana Mortágua. Está muito bem feito e por isso recomendo. Este segundo episódio é intitulado "Elon Musk: génio ou fraude?


"Quando se diz que Musk é o homem mais rico do mundo é essencialmente porque tem na sua posse muitas ações de duas empresas que estão muito valorizadas em bolsa: a Tesla e a Space X. A questão é que, para além dos dividendos que estas ações possam pagar, estes títulos são uma propriedade. Eles não podem ser usados diretamente para comprar coisas. Dito de outra forma: Musk tem de facto uma fortuna, mas ele não tem liquidez. A não ser que venda as ações, mas aí vai ter de pagar impostos e vai ficar sem elas. É então que Musk decide pagar empréstimos, e como garantias desses empréstimos, oferece aos bancos as ações que possui da Tesla e da Space X. Foi isso mesmo que Musk fez para comprar o Twitter. Mas também é desta forma que financia a sua vida de luxo, sempre, sem pagar impostos.

Elon Musk é um publicitário tão talentoso, mas tão talentoso, que consegue liderar um movimento libertário anti-estado, enquanto suga os recursos dos contribuintes norte-americanos, através de subsídios, benefícios e empréstimos públicos. Segundo o Washington Post, a conta dos últimos 20 anos já vai em 30 mil milhões de dóllars.

Colossal Aumento de Visualizações

Se os meus blogues eram muito ou pouco lidos, isso para mim nunca teve importância, ainda que, como é lógico e porque sou humano, preferia sempre ter alguém que me lesse e comentasse, do que estivesse só a escrever só para mim. Mas, apesar disso, de vez em quando gosto de tentar perceber como vão as audiências, tendo ainda em conta que, por vezes, há números inflacionados por bicharadas. Certamente que não é real que em determinado dia tenha 100 visualizações de um país que nem sei identificar no mapa, e, por falar nisso, houve ferramentas que entretanto deixamos de poder usar, para saber ao certo quem nos lê, se é homem ou mulher, idade, em que cidade está, etc, etc. 

Acho que há um ano as médias dos meus dois blogues mais vistos andavam entre as sete e as dez mil visualizações por mês no Bucólico-Anónimo e as pouco mais de mil, aqui no Multi-Resistente. 

Mas entretanto comecei a reparar que, aos poucos, as visualizações começaram a aumentar, e com um aumento tão nítido, que se percebe o aumento todos os dias. Ambos estao agora com mais de cinquenta mil visualizações por mês. Já o Plastrão, que tem estado parado, está com pouco mais de dez mil visualizações por mês. 

E como não acredito que, de repente, o mundo inteiro descobriu que sou brilhante e tem que me ler - até porque as pessoas cada vez leem menos na net e pouco vão além do título das notícias, gostava de tentar perceber o porque deste aumento astronómico. 

E o que me disseram é que poderá ter a uso com o aumento do uso da inteligência artificial, que varre a internet à procura de respostas para o que lhe é perguntado. Eu não sei se isto faz sentido, nem se os outros bloggers sentem este aumento, mas acredito que sim, que seja generalizado e que este possa ser um dos motivos. 

Se alguém souber mais do assunto, já sabe, responda aqui. 

Konigvsmobile

Quatro Anos Depois da comprar de um carro por 900€ num stand de Gaia posso afirmar que foi uma das piores compras de carros que fiz, e assim de cabeça, já comprei seis carros (não foram todos comprados para mim). 

E foi a primeira vez que levei um mecânico comigo, ainda por cima um colega. 

Era um dia de chuva (nada favorável à compra de um carro, porque a chuva oculta o estado da pintura) mas inspecionado o carro, vaticina o meu meu colega: "o motor está impecável, pega logo de estalo".

O Toyota Starlet andava aos saltos tão má estava a suspensão; a embraiagem estava mesmo no limite (apesar do meu colega dizer que ainda fazia uns km); e como não se sabia quando mudou a distribuição esta tinha de ser mudada; não tinha cintos nem a divisória da mala (trata-se de um carro comercial) e o dono do stand lá tratou de improvisar uns cintos e arranjou uma divisória. 

Perante este cenário a sensatez diria para fugir. Teria sido preferível comprar outra Starlet por 1500€ em melhor estado. 

Rapidamente os gastos se foram avolumando: embraiagem, distribuição, suspensão, trocar as jantes 14 (ilegais) por umas jantes13 originais, da OZ do Troféu Starlet; estofar os bancos que tinham a esponja à vista. A pintura ficaria para mais tarde. E só nestas brincadeiras o carro já estava por mais de dois mil euros. 

Alguém disse-me: hoje em dia é mais importante comprar um carro com boa pintura, do que com bom motor, porque a pintura fica mais cara do que um motor (também depende dos carros). 

Mas a pintura ficaria para mais tarde. 

No ano seguinte, em 2023 cometi a loucura e fazer dois mil Km atravessando Portugal e Espanha. Pensei que tinha mesmo um motor de guerra, mas o mal estado do carro não era só por fora, e acabou mesmo por dar problemas de motor e lá se foi uma junta da colação para o galheiro, culminando vários problemas de sobreaquecimento. 

Mas, temos duas opções num caso destes: ou vendia o carro com óbvias perdas financeiras ou continuava a investir, reparando e melhorando o carro. E foi o que acabei por fazer, até porque não sou propriamente de desistir. 

Nessa mesma viagem de 2023, em que atravessei Portugal e Espanha, no regresso, e para surpresa da minha companheira de viagem, a minha amiga carioca, trouxe uma porta de Lisboa para casa. Sim, coube no pequeno Starlet que tem uma grande mala!, mesmo com os sacos e restos da viagem.  

Fui comprando partes para substituir porque, como é óbvio já não há peças para um carro dos anos 90. Comprei bancos, quadrante, parachoques, spoiler...enfim, uma série de coisas para quando conseguisse pintar o carro. 

Sim, foi uma verdadeira odisseia tentar que conseguissem pintar-me o carro. O problema não era eu não ter dinheiro para pagar. O problema era alguém aceitar o trabalho. Não falta trabalho, e ninguém queria um biscate destes. É muito mais fácil dar um banho, uma pintura e receber o dinheiro, do que ter que descascar parte do meu Starlet, cheio de coisas para fazer. 

Na verdade ninguém se recusou a fazê-lo, mas nunca telefonavam a dizer para eu ir deixar o carro e, quando era eu a telefonar ou deixar mensagem já não atendiam, nem devolviam a chamada, nem respondiam às mensagens. 

Até que, finalmente, e por intermédio de um colega de trabalho, lá consegui encontrar um pintor, já reformado, que me pintou o carro todo. E digo o carro todo porque os orçamentos variaram. Dos 700€, que que acabei por pagar, aos 2000€, havia orçamentos para todos os gostos! E na verdade ainda equacionei pintar só as partes em pior estado, o que, diga-se, iria ficar uma bela porcaria. 

Mas está pintado e fiquei verdadeiramente satisfeito com o resultado final. Falta ainda restaurar umas pequenas coisas por dentro e estou satisfeito com o resultado final. Esperando agora que, depois de tanto dinheiro gasto (espero antes que tenha sido investido) não me dê mais problemas, excetuando todos os gastos em manutenções de desgaste, preservando assim um carro com 31 anos e que já é clássico. 

sábado, 8 de agosto de 2026

Ceuta e o Vinhas da Ira

Quem me vai lendo aqui sabe que não vejo televisão e, como tal, não acompanhei nada do que aconteceu em Ceuta e, nos jornais, fujo das notícias das guerras e das desgraças. Mas, do pouco que ouvi transportou-me logo para o livro Vinhas da Ira de Steinbeck, e da conversa que, no capítulo XX, Tom, personagem central do romance tem com um mecânico, e tem a revelação do esquema maquiavélico: os donos das terras na Califórnia imprimiram milhares de panfletos, anunciando muito trabalho que na verdade não existia, unicamente com o intuito de explorar as pessoas que vinham dos estados como Oklahoma ou mesmo matá-las, se fosse preciso. Em Ceuta aconteceu o mesmo truque: a fronteira espanhola não estava aberta.

domingo, 2 de agosto de 2026

As Burrices a Que Temos Direito

Luís Montenegro, CEO da Spinunviva e que nas horas vagas também faz uma perninha como primeiro-ministro de Portugal, aquando das cheias em Coimbra disse que o governo estava a fazer tudo para gerir os caudais do rio Mondego e até pediu ajuda a Espanha.

André Ventura gritou contra o Presidente da República porque foi a um festival de hamburgers na Alemanha e acaba de pedir ao governo que feche as fronteiras com Espanha por causa do que se está a passar em Ceuta. 


 

sábado, 1 de agosto de 2026

Qual é o Melhor dia Para Foder os Pobrezinhos?

Quim Barreiros ensinou-nos que o melhor dia para casar é o 31 de Julho. E qual será o melhor dia para roubar os pobrezinhos?


"O Governo aprovou em Conselho de Ministros o decreto-lei que cria a Prestação Social Única (PSU), que irá fundir 13 apoios sociais num único regime a partir de janeiro de 2027. Importa relembrar que a PSU foi aprovada em sede de Assembleia da República, graças à viabilização do PS e que este permitiu o Governo definir futuramente, a seu bel prazer, qual seria o valor de referência que viria a ser fixado.

Um desempregado com família que recebia 537€ passará a receber apenas 349€, uma quebra de cerca de 188€ por mês".

Não deixa de ser curioso de analisar que o governo tenha decidido, finalmente, o valor da PSU, mesmo no fim de julho, quando uns já foram de férias e outros estão a fazer as malas, para que a notícia melhor passe pelos pingos da chuva. 

Também não deixa de ser irónico que seja uma ministra com um património superior a 5 milhões de euros a espezinhar os mais fragilizados. E ainda por cima chamam-lhe ministra da "solidariedade"!

Espero também que nenhuma pessoa em situação de fragilidade, tenha votado no PSD (ou no PS), porque acabou por contribuir para ficar em pior situação do que a que estava anteriormente. 

A notícia pode ser lida aqui

domingo, 26 de julho de 2026

O Dinheiro de Salazar

Há uma certa classe política e muitos saudosistas do tempo da sardinha-para-três, que defende que o Salazar nasceu e morreu pobre, mas será mesmo assim? 

Ciclicamente, a revista Sábado regressa ao tema de Salazar, e desta vez o tema é o património do ditador. 


Basta só pensar um bocadinho. Se Salazar tivesse, de facto, nascido pobre teria podia ir estudar?, ainda para mais para a universidade de Coimbra? Obviamente que não. No início do século XX Portugal era um país muito pobre, a maior parte das pessoas não sabia sequer ler e escrever, e os filhos serviam para ajudar os pais na agricultura. 

E, ao contrário do que muitos querem romantizar, Salazar, não nasceu pobre - comparado com a média das famílias daquele tempo - muito menos morreu pobre.

De forma muito sintética:

- Salazar recebia naquele tempo o mesmo que recebe hoje o primeiro-ministro português
- Comprou terrenos e outros bens e deixou mais de 100 mil € no banco
- De 1939 até 1970 viveu sem pagar qualquer renda
- Usava os serviços do Estado em benefício próprio
- Teve direito a uma subvençãozinha vitalícia
- Não menos importante, num tempo em que a população bem sequer tinha direito a um Serviço Nacional de Saúde, universal e gratuito, a doença de Salazar custou aos cofres do Estado cerca de dois milhões de euros.


terça-feira, 21 de julho de 2026

Como as Diferentes Gerações Olham Para o Trabalho

 Artigo de domingo, publicado no El País, muito extenso e vou só aqui deixar algumas notas soltas e que ilustra muito bem a relação dos mais jovens com o mercado de trabalho e que deve ser um abre olhos para os recursos humanos das empresas e também para todos nós, os mais velhos. 

Porque a mentalidade antiga, como a minha, de ir trabalhar a todo o custo, mesmo doente, e querer dar sempre o melhor e "vestir a camisola", como se a empresa fosse nossa, essa mentalidade tem os dias contados.

Irá acabar nem se que seja quando os trabalhadores mais velhos estiverem todos reformados, ou mortos, e não haverá mais gente burra a esforçar-se para além do razoável. E, assim sendo, ou dão boas condições aos mais jovens, ou vão ficar sem trabalhadores. 



"NÓS JOVENS NÃO VAMOS TRABALHAR DOENTES"

Carlos Martínez tem 28 anos e trabalha como técnico de laboratório numa indústria farmacêutica.

A minha opinião, e também a da maior parte dos meus amigos, é que, se precisarmos de uma baixa por motivos de saúde, é assim que tem de ser. A empresa não é a nossa vida. Por muito que façamos, isso nunca nos será verdadeiramente reconhecido. Não vou herdar a empresa. Da mesma forma que, para a empresa, nós somos apenas um número, para mim ela também o é.

(...)

Os dados mais recentes da Autoridade Independente de Responsabilidade Orçamental indicam que a incidência da incapacidade temporária por doença comum é de 41,1 casos por cada mil trabalhadores inscritos na Segurança Social entre os 25 e os 35 anos - um aumento de 66% entre 2017 e 2024, com especial destaque para os problemas de saúde mental -, enquanto entre os 55 e os 65 anos é de 29,7 casos por mil, tendo aumentado 43%.

Também Javier Muñoz, responsável pela área socioeconómica do Conselho da Juventude de Espanha, reconhece essa diferença:

Creio que, na nossa geração, se considera que a vida não gira em torno do trabalho; o trabalho é uma ferramenta para viver, não uma razão para viver. E não vamos trabalhar doentes, como aconteceu com pessoas de gerações anteriores.

(...)

José Manuel Lasierra, professor de Economia Aplicada da Universidade de Saragoça, hoje com 70 anos, observa essas diferenças no quotidiano e analisou-as no estudo Diferenças geracionais no trabalho em Espanha: uma revisão.

Nesse trabalho distingue «um grupo de trabalhadores com um perfil mais tradicional, correspondente ao trabalhador fordista, e uma geração mais jovem, menos comprometida com a empresa, menos identificada com o trabalho, para quem este representa sobretudo um meio de subsistência e já não uma fonte de valor imaterial».

Este especialista considera que grande parte destas diferenças se explica pelo contexto em que cada geração cresceu:

- Para as pessoas da minha idade, que passaram por tantas privações, o trabalho era escasso. Isso marca-nos para toda a vida. Hoje, os jovens têm muito mais facilidade em encontrar emprego.

Essa ideia é partilhada por Juan Ángel Alonso, de 59 anos, chefe de produção numa empresa de equipamentos:

- Tenho notado uma enorme diferença de atitude perante o trabalho entre os jovens e os mais velhos. Creio que isso resulta de terem crescido num contexto completamente diferente. Há quarenta anos tínhamos mesmo de nos desenrascar para sobreviver.

Pedro Pablo Sanz reforça esta leitura:

- Houve uma mudança de valores e de prioridades relativamente ao compromisso e ao sentido de responsabilidade perante o trabalho, acompanhada — ou provocada — por uma enorme valorização da obtenção imediata dos objetivos desejados.

O especialista em recursos humanos Jesús Torres apresenta uma explicação baseada na lógica da oferta e da procura:

- Antigamente a concorrência era muito mais intensa, numa geração extremamente numerosa e com muito poucos empregos disponíveis. Agora a pirâmide demográfica inverteu-se. Há setores com dificuldades em encontrar trabalhadores e os jovens têm alguma confiança de que, se saírem de uma empresa, conseguirão encontrar outro emprego relativamente depressa. Não têm medo da mudança.

Naquela altura falava-se constantemente dos jovens que nem estudavam nem trabalhavam — um fenómeno que atualmente se encontra em mínimos históricos. Hoje, porém, Lasierra considera mais relevante o fenómeno dos «sim, sim»: jovens que estudam e trabalham ao mesmo tempo.

Ángela Gómez, investigadora de 38 anos e doutorada pela Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED), também estudou especificamente as diferentes atitudes das gerações perante o trabalho na sua tese de doutoramento.

Segundo explica:

«Os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) tendem a associar-se mais à estabilidade, ao compromisso e à permanência na empresa.

A geração X (1965-1980) caracteriza-se por valorizar a autonomia, a capacidade de adaptação à mudança e o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional.

Os millennials (1981-1996) atribuem maior importância ao desenvolvimento profissional, à flexibilidade, ao bom ambiente de trabalho e à coerência entre o emprego e os seus valores pessoais.

Já a geração Z (1997-2012) cresceu num ambiente totalmente digital, pelo que costuma sentir-se mais confortável com a tecnologia, a aprendizagem contínua e os modelos de trabalho flexíveis.»

Apesar disso, a investigadora insiste:

— Estas características representam apenas tendências gerais e não definem da mesma forma todas as pessoas de cada geração.

É uma ideia partilhada por Pablo Martínez, um jovem das Canárias de 27 anos que está a fazer doutoramento em Física:

— Acho que, em média, as gerações anteriores eram mais sacrificadas porque cresceram num contexto diferente, marcado por maiores dificuldades. Mas nem os jovens nem os mais velhos gostam propriamente de trabalhar. Creio que ambas as gerações encaram o trabalho como um mal necessário.

Gómez sublinha ainda que existem muitos outros fatores que condicionam a forma como cada pessoa encara o trabalho, para além da idade.

— O género, a classe social, o facto de se vir de um país considerado como tendo um ensino de qualidade ou de se ter estudado numa universidade prestigiada influenciam as oportunidades profissionais, as expectativas e as prioridades de cada indivíduo.

E exemplifica:

Alguém que tenha crescido num contexto com menos recursos pode atribuir maior importância à estabilidade económica, enquanto outra pessoa poderá privilegiar o desenvolvimento profissional ou a flexibilidade.

Perante este cenário, a investigadora considera «importante» não atribuir todas as diferenças «exclusivamente» à geração a que cada um pertence. 

(...)

Sara Pérez, de 22 anos, que já trabalhou no atendimento ao público em várias lojas, chama a atenção precisamente para esse aspeto:

— Tenho reparado que as trabalhadoras mais velhas suportam muito mais do que nós porque são quem sustenta as suas famílias. Não tiram baixa, independentemente do estado em que estejam. Nós já não aceitamos esses abusos nem que deixem de nos pagar as horas extraordinárias.

A secretária confederal da Juventude das Comissões Operárias, Pau Garcia, considera que a maior resistência dos jovens em aceitar abusos laborais representa «um progresso» e aponta outro fator que, segundo praticamente todos os especialistas consultados, ajuda a explicar esta mudança: o pessimismo em relação às condições de vida futuras.

O esforço no trabalho já não compensa como antigamente. Se, por mais horas que trabalhes, não consegues comprar uma casa; se, por muito que estudes e te formes, isso não se reflete nas tuas condições de trabalho, é normal que não estejas disposto a aceitar tudo.

Borja Fernández, auditor de 28 anos, acrescenta:

— Hoje um jovem não sabe sequer se a inteligência artificial lhe vai retirar parte do trabalho, mesmo tendo uma excelente formação.

E continua:

Um jovem vê que o salário vale cada vez menos, que é extremamente difícil tornar-se independente e que, ainda por cima, se ao sábado vai beber um copo com amigos, aparece sempre alguém a dizer que, se poupasse esse dinheiro, conseguia comprar uma casa. Mas a realidade não funciona assim.

Sofía Gimeno, advogada de 23 anos, natural de Tarragona, destaca outra diferença:

— Hoje é muito mais difícil destacar-se profissionalmente do que era antigamente, porque nessa altura não era tão comum as pessoas terem um curso universitário.

(...)

Em suma, para muitos jovens, o trabalho continua a ser importante, mas deixou de ocupar o lugar central que teve para gerações anteriores. A prioridade passa cada vez mais por preservar a saúde física e mental, conciliar a vida profissional com a vida pessoal e exigir condições laborais consideradas justas, recusando aceitar práticas que, durante décadas, foram encaradas como inevitáveis.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Tudo é Política Até a 1a Página de um Jornal

 Estamos em 2026 e não perdi um minuto da minha vida a ver o Mundial de Futebol. Acordei à pouco e fui ver as primeiras páginas dos jornais e, então, fiquei a saber que a Espanha venceu a Argentina na final.

E, como se costuma dizer: "tudo é política", até as primeiras páginas dos jornais. 

Até na escolha da fotografia para ilustrar a vitória da Espanha no Mundial, diferentes jornais espanhóis optaram visões bem diferentes. 


O jornal El País, mais conotado com a esquerda, optou por exaltar os obreiros, os trabalhadores, os jogadores. O jornal La Razón, conservador e conotado com a direita, exulta o rei, a monarquia, o poder instituído. 

E aqui está, numa simples primeira página de jornal, como podemos definir o que é esquerda e o que é direita. Mesmo assim, a maioria dos trabalhadores não sabe o que é tal coisa. 

# Eles Só Precisam da Tua Atenção

Na Loja de Bicicletas


A minha ligação às bicicletas começou por volta dos três anos quando o meu pai construiu uma para me dar. Sim, ele próprio fez a bicicleta que já partilhei aqui.

Foi recentemente que peguei de novo na bicicleta e na verdade já há uns três anos que não o fazia. Entretanto o colega de trabalho de 18 anos que não sabia andar de bicicleta quis aprender e levei a bicicleta para o trabalho para ele se tentar equilibrar e começar a aprender. E a verdade é que, uma semana depois, com uma bicicleta que o chefe lhe de emprestou, já consegue andar, ainda que com algumas dificuldades, mas já iam pedalando e agora é continuar a praticar e ele parece entusiasmado. 

Entretanto decidi mandar afinar as minhas duas bicicletas. Sim, tenho duas. Acabei por comprar uma segunda bicicleta para, quem sabe, quando um amigo meu cá viesse, pudéssemos dar umas voltas, mas, o mais irónico disto tudo é que, já passaram vários anos e nunca mais voltamos a combinar nada e não sabemos nada do que é feito um do outro. 

Mas as bicicletas ficaram. E então mandei-as afinar e lubrificar. 47€ no total. E, fazendo o parêntesis, não deixa de ser extremamente irónico que, quer as reparações dos automóveis, quer das motos, ambos poluentes, têm benefícios fiscais na e_faturinha e as bicicletas, veículo totalmente ecológico e que beneficia a saúde e previne o absentismo no trabalho não tem nenhum incentivo fiscal. Mas temos todos que ser verdes, dizem. Defender o ambiente, o caralhinho. É tudo negócio, nada mais do que isso!

Mas o mais interessante foi o que fiquei a saber na loja de bicicletas. 

Fiquei a saber, por exemplo, que bicicletas que custam 500€ não se vendem. Disse-me o dono da loja ilustrada na fotografia - que tem a loja recheada de scooters a bateria que não é preciso carta de condução - que vende, talvez, uma bicicleta por mês. As que se vendem mais são as bicicletas que se vendem por milhares de euros! É só ficar à espera da aprovação do crédito e pronto. 

E que me levou a exclamar: "está mesmo tudo fodido dos cornos"!

domingo, 19 de julho de 2026

Jesus: Tu Pra Mim Finish!

O treinador multimilionário que nem falar sabe é o novo selecionador nacional que segue um único partido no Instagram: o partido dos taberneiros que insultam toda a toda.

Ora aqui está algo verdadeiramente surpreendente. Um bronco arrogante milionário que não sabe falar apoia o CH. Nunca esperaria tal coisa!

Só tenho uma coisa a dizer: Jesus, tu pra mim, finish!


 

terça-feira, 14 de julho de 2026

O Paulo Dorme na Rua e Isso Deveria Ser uma Tragédia Para Todos Nós

 Os cãezinhos desataram a correr e a latir na direção de um homem e regressaram para logo depois desatarem a correr de novo na direção dele que abriu os braços como o Cristo Redentor e os quisesse acolher. Ao passarmos por ele começamos a conversar e percebi que ele dormia ali ao relento e talvez por ali se tivesse fixado recentemente. 

Contou que deixou as drogas e, como creio ser habitual nestes casos, mudou-se para o álcool, porque o vinho e a cerveja são baratos, e digo eu que nunca bebi, ajudam a esquecer e a passar melhor as noites. 

Dissemos-lhe para procurar ajuda apesar de ele responder que não quer nada com a segurança social. Disse-lhe que todos nós pagamos os nossos impostos para isso mesmo, para o que o Estado quem mais precisa, como ele precisa neste momento. 

É bem mais novo do que eu. Insisti para pedir ajuda porque não pode continuar a dormir na rua. Agora está calor, mas, e depois, quando vier o frio e a chuva?

Ele começou a chorar e eu dei-lhe um abraço. 

No dia seguinte acordei a pensar nele. E lembrei-me do filme "Pay It Forward" (Favores em Cadeia) que gostaria de rever. 

Afinal, o que é que cada um de nós está a fazer para melhorar o mundo?

domingo, 12 de julho de 2026

As Indignações Erradas dos Pobres de Direita



Em 2025, Portugal gastou com o RSI uns míseros 5% de todo o dinheiro que deitou ao lixo para comprar armas: 6.1 Mil Milhões de Euros.

Mas a revolta dos pobres de direita é com os 156€ que o Estado gasta, em média, a apoiar outro pobre em dificuldades, valor esse que não dá sequer para comprar um cabaz de alimentos essenciais de comida que, segundo a DECO, custa agora 256€.

terça-feira, 7 de julho de 2026

A Seleção Morreu na Praia

Acabou o mundial para Portugal. Eu não vi nem um minuto sequer dos jogos da seleção. 

Ao menos agora deixaremos de ter que pagar as viagens constantes do Luís aos Estados Unidos. Não entendi porque não ficava por lá, a fazer de conta de governava o país à distância, tal como se fosse um nómada digital, ainda por cima sempre deveria ficar mais barato e com uma pegada ecológica menor.  



Antes da ida da seleção para os Estados Unidos comentei com os colegas que estava tudo mal no que há preparação dizia respeito, e que as idas à praia transmitiam, até para os jogadores, uma ideia errada do que estava ali a fazer, E deve ser a mim, mas a praia costuma dar-me sono. 

domingo, 5 de julho de 2026

Colecionador de Citações (10) - A Desumanização Alucinada dos Imbecis

A propósito do seu último livro "O século dos imbecis":

"Eu tenho um amigo que diz que passou a vida toda a tentar mudar o mundo e que agora só quer que o mundo não o mude a ele. É com tanta estupefação que assistimos à degeneração coletiva que eventualmente a boa gente já só quer sossego.

E desistiu de lutar?

Lutar acaba por ser isso, A eleição por exemplo do Milei - os grandes imbecis do grande poder do mundo são muito declarados, são muito honestos, até porque a sua imbecilidade no seu esplendor é impossível de esconder - o que o Milei está a fazer na Argentina é estranhíssimo. Ele acaba de dizer esta semana que a retirada de apoio a crianças em tratamentos de cancro é elementar porque uma criança em tratamento de cancro não merece mais do que qualquer cidadão. Portanto, se qualquer cidadão não tem um apoio para um transporte para ser levado a um hospital, uma criança com cancro que esteja a tentar salvar a sua vida também não merece esse apoio.

Por isso, o grotesco da ideia é tão grande que é pura desumanização que está em curso e as massas escolheram aquele homem que, no fundo, desde o início, com as motoserras e com tudo o que dizia se declarou desumano e perfeitamente alucinado". 

Valter Hugo Mãe no programa da Antena 1 "Pergunta Simples", que pode ser visto aqui:

sábado, 4 de julho de 2026

É Melhor Jogar Golfe e Ver a Bola do Que Governar

 


Ainda que tenha tido os seus méritos na gestão financeira, quem me conhece sabe que não fui propriamente fã da gestão de Rui Rio à frente da Câmara Municipal do Porto. Ainda  assim admirava-o num ponto: sempre se distanciou desta parolada e promiscuidade dos políticos se misturarem com o futebol para aparecerem nas televisões. É do pior que existe. Sim, o pior foi o Montenegro ter cancelado o 25 de Abril e comemorado depois com cantor pimba nacional que plagia as canções dos outros. 

Montenegro nunca demonstrou ter propriamente muito sentido de Estado. Basta lembrar, por exemplo, quando faltou a uma reunião na Europa, a propósito da guerra Rússia-Ucrânia para ir jogar golfe com o seu avençador. ´


Agora está-se a disputar o mundial de futebol e esta semana começou a fase a eliminar. Não estamos nem nas meias-finais, muito menos na final. Estamos só na primeira de cinco eliminatórias, isto se Portugal atingir a final. Ainda assim, o primeiro-ministro de Portugal já foi a correr duas vezes aos Estados Unidos, para ver a bola. 

Estamos em alerta vermelho por causa das altas temperaturas mas o primeiro-ministro do país acha que o melhor melhor é ir ver a bola em vez de fazer aquilo para o qual foi mandatado.

Ainda assim noto uma evolução. 

Em 2016 Luís Montenegro viajou para ver a bola à pala da Olivedesportos (crime de recebimento indevido) para ver o Euro 2016, mas depois porque se soube na opinião pública, tratou de rapidamente martelar os cheques e dizer que pagou as despesas do seu bolso. Mais ou menos como no caso da Spinunvida, em que primeiro era uma empresa para gerir as heranças familiares, depois a empresa era da mulher, e depois já era dos filhos. No fundo, as trapalhadas que nos foi habituando, no entanto fez-nos crer que o ser partido dá banhos de ética aos outros. 

Agora em 2026, dez anos depois, viaja agora para ver a bola mas à pala dos portugueses trochas que votaram nele, mesmo depois de saber que anda a receber avenças de empresas por debaixo da mesa. 

Mas, como estou sempre a dizer: as pessoas só têm o que merecem. 

Amália: Somos um País do Caralho!


"Fizemos à Amália uma pergunta bastante cruel e difícil para uma inteligência artificial portuguesa: quem é o primeiro-ministro de Portugal.

Não perguntámos pela diferença entre a troika e o mecanismo europeu de estabilidade, nem pelo paradeiro político de Assunção Cristas, nem sequer por aquela matéria altamente especializada que consiste em perceber porque é que uma senha do SNS24 parece sempre emitida por uma impressora cansada. Perguntámos só quem é o primeiro-ministro.

A Amália respondeu: Luís Eça de Freitas". (RiseUP Portugal)





Pescadinha de Ar Condicionado na Boca



O ar condicionado é o equipamento doméstico com maior pegada ecológica devido ao consumo de eletricidade, emissões de gases estufa e libertação de ar mais quente.  

"O ar condicionado contribui com cerca de 3% das emissões de GEE, consome quase 7% da eletricidade mundial e liberta calor para o exterior durante a utilização, agravando o efeito de ilha de calor nas cidades, tornando o seu uso mais necessário, num círculo vicioso. Além disso, o aumento do consumo pressiona as redes elétricas em picos de calor, agravando situações de pobreza energética. Impactos que podem triplicar até 2050". (Joana Guerra Tadeu)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Muito Calor na Europa? Construam Mais Centros de Dados para a IA

Vou deixar aqui excertos do artigo publicado no jornal escocês "The National" a 26 de Outubro de 2025 por Hamish Morrison. Lembrei-me desta notícia que li na altura, agora que, além de só se de falar de Ró-Naldo e da seleção (que joga daqui a pouco contra a Croácia) só se fala também do calor anormal que faz na Europa. 

"Energia para alimentar centro de dados de IA poderia abastecer cinco cidades"


"A Professora Ana Basiri, diretora do Centre for Data Science and AI da Universidade de Glasgow, apelou às empresas de dados para melhorarem a forma como comunicam o seu impacto ambiental.

Dois novos centros de dados de inteligência artificial propostos para Edimburgo exigiriam uma quantidade de energia equivalente à necessária para construir cinco cidades do tamanho da capital dentro dos seus limites, pode revelar o Sunday National.

A revelação sobre a enorme quantidade de eletricidade que os locais irão consumir levantou preocupações entre ambientalistas, mas a autarquia local, dirigida pelo Partido Trabalhista, não exigirá às empresas responsáveis que apresentem um estudo de impacto ambiental.

Combinados, estes centros necessitariam de tanta energia como cerca de 1,3 milhões de lares. De acordo com a Edinburgh Health and Social Care Partnership, existem 253 222 agregados familiares na capital.

A deputada dos Verdes, Maggie Chapman, declarou:

“Estas propostas devem ser objeto de uma análise rigorosa e transparente, e os seus impactos devem ser mais bem avaliados. As pessoas têm o direito de saber quando há uma instalação ao lado das suas casas a consumir quantidades enormes de energia e água, e os governos precisam de considerar isso antes de conceder autorizações.”

“Cabe à indústria reduzir drasticamente o impacto que está a ter no nosso planeta. Mas se a história nos ensina algo, é que não podemos confiar que as grandes empresas tecnológicas ajam por sua própria iniciativa. Precisamos de regulamentação robusta e avaliações de impacto, e de governos dispostos a dizer não quando necessário.”

As normas de planeamento atuais significam que as avaliações de impacto ambiental não são obrigatórias para centros de dados de IA, ficando ao critério da autarquia decidir se uma é necessária.

O grupo de pressão Action to Protect Rural Scotland (APRS) está a fazer campanha para que as avaliações de impacto ambiental sejam obrigatórias para todos os novos centros de dados de IA.

A diretora da APRS, Kat Jones, disse ao Sunday National que era “inacreditável” que tal ainda não fosse exigido e que os decisores locais “não estão a receber uma imagem completa dos impactos ambientais”.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Colecionador de Citações (9) - Terminar uma Relação

Sou relativamente experimente a ver terminadas as minhas relações e a porem-me uns patins Já terminaram comigo fazendo de  conta que eu era a pior pessoa do mundo, para eu me chatear e fazer a pergunta sacramental. Já terminaram o estágio dizendo-me que apareci na sua vida para perceber que ainda há homens bons; e já terminaram não terminando, manifestando só intenção de ficar no seu canto, anos a fio, até hoje, sem eu propriamente nunca ter percebido porquê. Atualmente, estou em crer que, ao menos, não terminará comigo deixando de me seguir no Instagram. Até porque não me segue!


"Antigamente, quando alguém queria terminar um namoro, marcava um cafezinho ou um encontro num jardim e depois justificava-se perante a cara-metade que estava a deixar de o ser: “Desculpa, mas já não dá. A nossa relação entrou numa rotina e já não sinto por ti aquilo que sentia no início. Julgo que é melhor para os dois separarmo-nos agora. Acho que podemos continuar a ser amigos, mas não mais do que isso.” Perante isto, a parte que não tomou a iniciativa da rutura respondia com um seco: “OK, também acho melhor. Ainda bem que disseste isso, porque eu penso exatamente o mesmo”, enquanto o seu cérebro fervilhava com exclamações contundentes: “Filho(a) da puta, espero que o gajo(a) com que te cases te faça cornudo(a)… também não valias um chavelho na cama…”.

Agora já não se gasta dinheiro no café nem solas dos sapatos para caminhar até ao jardim. Aliás, os namorados nem precisam de falar para deixarem de o ser. Neste admirável mundo novo, a separação efetiva-se através de um “deixei de o(a) seguir no Instagram”. É instantâneo".

Paragrafino Pescada / Weekend 

domingo, 28 de junho de 2026

Tudo Que é Preciso Saber Sobre a PSU

Para ir buscar mais um punhado de milhões de euros a Bruxelas, e num país que tem dois milhões de pobres e a maioria trabalha, o governo sacando da cartilha da extrema-direita, prometeu criminalizar a pobreza. Esses malandros que no país das rendas "moderadas" de 2300€ recebem 150€ de apoios do estado e depois gastam tudo em "BMW à porta"! (carro que, se tiverem, impede a possibilidade de ter apoios do Estado)

Um qualquer arguido, que cometeu um qualquer crime, condenado a pensa suspensa de três ou quatro anos vai para casa, mas um safado dum pobre, vai ser obrigado a trabalhar, de forma "obrigatória" mas "voluntária", sem receber um vintém! Que é para aprenderem, tivessem o mérito de nascer numa família rica que não precisavam de viver de mendicidade do Estado! E mais, vamos criar um canal de denúncias, ao bom estilo nazi, para denunciar esses malandros que vivem à grande com 150€ por mês, num país onde o limiar de pobreza é 700€.


A ideia da PSU começou logo com uma mentira da ministra Palma Ramalho, atirando para o ar sem quaisquer números, que as safadas das mulheres andaram a mentir, amamentando os bebés até à primária para trabalharem menos horas.. Rapidamente foi desmentida: não havia uma única queixa dos patrões contra mães a amamentar. O que há sim, é o contrário, mulheres a serem atacadas por amamentar. 


E de ataque em ataque, com um longo processo negocial com os sindicatos, apesar da CGTP, o maior sindicato do país ter sido excluído, e após várias greves, a lei, que previa que doentes com cancro ou deficientes tinham de ser obrigados a trabalhar "voluntariamente", chegou ao parlamento. 

E depois de várias piruetas do acólito André Ventura, que tudo e o seu oposto, eis que a bancada parlamentar do CH vota contra a "reforma laboral" que de reforma nada tem, é um mero ataque aos trabalhadores e aos mais desfavorecidos. 



Não deixa de ser curioso também, que as eleições legislativas existem - ao contrário do que toda a gente repete - para eleger deputados pelos diferentes distritos e não para eleger o primeiro-ministro, ainda que, na prática seja isso que acontece, ainda que, o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República. Mas afinal, não. Na bancada do CH as pessoas elegeram acéfalos, sem pensamento próprio, que estão ali, no parlamento, não para defender o interesses das pessoas, mas sim para se levantarem ou deixarem estar sentados, consoante o grande e querido líder se levanta ou permanece sentado. 



Raquel Varela


O Pacote Laboral foi derrotado, pelas greves e manifestações dos trabalhadores. Não cantemos vitória. Enquanto as pessoas se entretêm com o futebol, os nossos direitos vão sendo atacados, dia após dia, e a vida vai ficando mais difícil, dia após dia. 

Se tiverem interesse e quiserem saber mais, quer sobre a pobreza em Portugal, quer sobre a PSU, ouçam o debate Consulta Pública da Antena 1, com especialistas e uma pessoa que teve de apoio do RSI. É bastante esclarecedor. Deixo só umas frases soltas:

"Esta postura revela uma enorme falta de sensibilidade social, uma falta de cultura democrática e desvalorização total destas pessoas. Este governo diz assim: quem trabalha e dá lucro merece respeito, o resto é lixo.

Carla que teve apoios do Estado (RSI): "Lutei mto para a minha filha ter um mestrado e trabalha na área que estudou. E hoje está a ganhar mais 100€ do que eu (1100€). Os jovens são o futuro e estão desacreditados. Esforcei-me em trabalhos forçados por ela, para agora estar a ganhar 1100€. Como é possível com 1100€ ela ter uma vida e orientar-se? Ela tem 31 anos, como é que ela vai ser mãe? Se os jovens são o futuro, então nós temos que apostar mais neles.

"Imagine uma pessoa que depende do carro para trabalhar e fica com um problema de saúde durante um ano. Fica sem qualquer rendimento. Vão comer o dinheiro do carro e depois quando estiverem em condições de entrar no mercado de trabalho não podem porque não têm carro para trabalhar".

"Neste processo de demolição social também podemos encontrar aqui uma oportunidade positiva. Uma oportunidade para dizer agora aos pobres no atendimento: "continuem a votar nestes senhores que eles são muito vossos amigos".

"A primeira mentira: O Estado gasta um dinheirão com o RSI. Queridos amigos, o RSI representa 0,3% da despesa pública da Segurança Social para apoiar 156 mil famílias. 

Segunda mentira: preferem viver do RSI do que trabalhar. Os meus utentes morreriam à fome com o RSI e não articulassem uns biscates".

Recomendo também o texto de José António Pinto, no Público:

"Senhora ministra, os meus utentes estão fartos de esmolas, humilhação e perseguição política. A esmagadora maioria dos beneficiários do RSI já são forçados a acumular o rendimento mínimo com o trabalho dos biscates. Se ficassem no café à espera do carteiro que trás o vale da Segurança Social morriam à fome.

sábado, 27 de junho de 2026

Eles Só Precisam da Tua Atenção



"Não lhe chames desporto.

Chama-lhe um estabilizador de humor para o império.

Onze homens correm. Mil milhões de olhos obedecem.

O ecrã ilumina-se. A bandeira ondula. O patrocinador sorri.

Trump consegue a sua oportunidade para a fotografia. A FIFA recebe a sua parte. 

As plataformas ficam com os dados. As empresas cervejeiras ficam com os cânticos. 

Os bancos ficam com o logótipo. As empresas tecnológicas ficam com a transmissão. 

A classe dos bilionários obtém a única coisa de que sempre precisa:

A tua atenção.

Tu sabes isto.

Sabes que o espetáculo está envenenado.

Sabes que o estádio é um painel publicitário.

Sabes que o jogo é uma máquina de branqueamento.

Sabes que tudo isto transforma a alegria em obediência.

E, ainda assim, quando o árbitro apita para o início, pegas no comando da televisão. 

Essa é a política do nosso tempo:

«Eu sei, mas...»

Eu sei, mas adoro o jogo.

Eu sei, mas preciso de uma pausa.

Eu sei, mas toda a gente vai ver.

Eu sei, mas uma pessoa não faz diferença.

«Eu sei, mas...» é o hino do consumidor derrotado.

Não do oprimido.

Do confortável.

O radical confortável.

O antifascista que vê tudo por streaming.

O anticapitalista que recebe encomendas da Prime.

O revolucionário alimentado pelo algoritmo.

A pessoa que quer um mundo novo, desde que carregue em alta definição.

A máquina não precisa que acredites nela.

Só precisa que a vejas.

(Texto traduzido de uma publicação da revista Adbusters no Instagram. Imagem gerada por IA)

terça-feira, 23 de junho de 2026

Ninguém Deveria Acumular Mais de Quatro Vezes a Riqueza da Pessoa Mais Pobre

Para pensar na obscena sociedade que temos atualmente. Texto de David Lay Williams (professor de ciência política e autor do livro "A Maior de Todas as Pragas: Como a Desigualdade Económica Moldou o Pensamento Político de Platão a Marx") no New York Times desta semana:



Desde que Elon Musk se tornou multimilionário, as pessoas têm tentado compreender a dimensão da sua fortuna quase incompreensível. 

 Alguns observam que uma pilha de notas de 100 dólares totalizando 1 bilião de dólares (um trilião na escala curta americana) atingiria uma altura de cerca de 1.093 quilómetros. 

O economista Steven Durlauf salientou que, a certa altura, a fortuna de John D. Rockefeller equivalia a cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos, enquanto a riqueza de Musk representa agora pelo menos o dobro dessa proporção, ultrapassando os 3%. 

Os adeptos dos New York Knicks talvez apreciem outro exemplo: mesmo Jalen Brunson, que ganha cerca de 39 milhões de dólares por ano, precisaria de jogar mais de 25 mil épocas para acumular uma fortuna semelhante. 

 Mas, entre todos os números que vi, o que mais me impressionou foi um cálculo publicado pelo The New York Times: o património líquido de Musk é cinco milhões de vezes superior ao da família americana média. 

 Como historiador do pensamento político, pensei imediatamente em Platão, o primeiro filósofo ocidental a enfrentar seriamente a questão da desigualdade económica. Na sua obra "Leis", através da personagem do Estrangeiro Ateniense, Platão defendia que, numa república próspera, se alguém acumulasse mais de quatro vezes a riqueza dos cidadãos mais pobres, deveria entregar o excedente à cidade. 

Não cinco milhões de vezes a riqueza da família típica - apenas quatro vezes a riqueza dos mais pobres.

 É certo que é difícil imaginar como uma economia moderna poderia funcionar sob as restrições propostas por Platão à acumulação de riqueza. Mas não é difícil compreender as preocupações que o levaram a uma proposta tão radical. 




Platão cresceu em Atenas, uma cidade que, segundo escreveu Plutarco, esteve quase a ser destruída pela «disparidade entre ricos e pobres». Foi salva por um legislador extraordinário, Sólon, que anulou todas as dívidas dos pobres, para grande indignação dos ricos. 

Mais tarde, durante a juventude de Platão, enquanto a cidade combatia na Guerra do Peloponeso, sofreu três guerras civis sucessivas baseadas em conflitos de classe: uma revolução oligárquica dos ricos contra os pobres, seguida de uma revolução democrática dos pobres contra os ricos, e depois outra revolução oligárquica. 

Não surpreende, portanto, que, ao refletir sobre a desigualdade em A República, Sócrates tenha observado que um Estado marcado por grandes desigualdades de riqueza não é verdadeiramente um Estado, mas antes «dois Estados: um dos pobres e outro dos ricos, vivendo no mesmo lugar e conspirando constantemente um contra o outro». 

 Para Platão, a origem da desigualdade era uma doença da alma a que os gregos chamavam pleonexia - uma forma de ganância insaciável. No diálogo Gorgias, Sócrates compara essa condição a um jarro furado: por mais água que se despeje nele, exigirá sempre mais. Para algumas pessoas, o desejo de riqueza limita-se ao necessário para satisfazer as suas necessidades; para outras, é infinito. Platão comparava essas almas insaciáveis a escravos dominados pelos seus próprios desejos. 

Uma pessoa consumida por desejos inesgotáveis acaba por amar-se a si própria muito mais do que consegue amar o resto da humanidade. Para Platão, ela torna-se «um mau juiz do que é justo, bom e nobre», porque atribui sempre mais valor aos seus próprios apetites do que à própria verdade. Consequentemente, escreveu ele, «é impossível que aqueles que se tornam muito ricos se tornem também bons». 

 Os receios de Platão acerca da ganância sem limites parecem ter sido confirmados por Musk, que já declarou ambicionar alcançar os 10 biliões de dólares. Também confirmou as preocupações do filósofo quanto às falhas morais dos super-ricos ao descrever a empatia como «a fraqueza fundamental da civilização ocidental». 

Através do chamado Departamento de Eficiência Governamental, colocou a agência americana United States Agency for International Development «na trituradora», como afirmou com satisfação, contribuindo para a morte de cerca de 600.000 pessoas, segundo estimativas. Tal devastação é, para o autor, uma consequência previsível de uma sociedade que decidiu não impor qualquer limite superior à acumulação de riqueza. 

 Platão tinha plena consciência de que soluções ideais, como a sua proporção de riqueza de quatro para um, são impossíveis de aplicar em sociedades onde a desigualdade já atingiu níveis extremos. Mas não defendia que legisladores e cidadãos desistissem. Pelo contrário, apelava aos cidadãos - incluindo os poucos ricos dotados de um «sentido de justiça» - para que fizessem o possível por reduzir as desigualdades, começando por envergonhar aqueles que acumulam fortunas excessivas. 

Insistia que a verdadeira pobreza «não consiste na diminuição dos bens de uma pessoa, mas no aumento da sua avareza». Só ensinando os males da ganância extrema poderá uma sociedade começar a restaurar o equilíbrio de riqueza necessário ao florescimento de uma república saudável.