terça-feira, 22 de setembro de 2026

Quem é Elif Eralp da Esquerda que Venceu em Berlim?

Ontem, segunda-feira, ao sair para o trabalho ligo o rádio do carro para ficar a saber das notícias e ouço que a "extrema-esquerda" venceu as eleições regionais em Berlim. É pá, que entusiasmante. Quero saber mais sobre isso! E fui ler o que se dizia nos jornais de Berlim. 

E a que conclusão a que chego é: em lado nenhum se fala de "extrema-esquerda", então, porque raio os jornalistas portugueses abram a boca para assustar os portugueses com a extrema-esquerda, como quer querendo legitimar o ódio da extrema-direita, como se fosse tudo igual? Porquê? 

Vamos ler o artigo do jornal Tagesspiegel de hoje:




Com uma vantagem clara, a Esquerda venceu as eleições em Berlim, e a candidata principal, Elif Eralp, abriu de par em par à sua formação a porta da Câmara Municipal. Mas quem é esta mulher de quem, dentro do partido, dizem que foi melhorando a cada semana de campanha e que conseguiu surpreender positivamente até os mais céticos dentro das próprias fileiras?

Eralp nasceu em 1981, em Munique, durante a fuga dos seus pais da Turquia. A família abandonou o país na sequência de um golpe militar e por receio de perseguição política. Depois de concluído o processo de asilo, a família mudou-se para Dortmund, onde o pai de Eralp trabalha como médico.

Mais tarde, cresceu em Hamburgo. Aí concluiu o curso de Direito com o primeiro exame de Estado. Posteriormente, Eralp trabalhou para a bancada da Esquerda no Bundestag. Inicialmente, porém, não era militante do partido.

Só em 2017 aderiu à Esquerda. Mais tarde, diria que foi uma espécie de reação à entrada da AfD no Bundestag. Apenas um ano depois, Eralp foi eleita pela primeira vez para a direção regional da Esquerda em Berlim. Desde 2021 é deputada na Assembleia de Representantes de Berlim e, desde 2024, vice-presidente da bancada.

Quando a Esquerda procurou uma candidata principal para as eleições atuais, a antiga líder do partido, Katja Kipping, muito mais conhecida, foi durante bastante tempo considerada a candidata preferida da direção regional. Mas Kipping não se deixou convencer. Foi então que a ambiciosa Eralp ocupou o lugar que ficara vago.

Na apresentação da candidatura, os dois presidentes regionais, Kerstin Wolter e Maximilian Schirmer, elogiaram Eralp como uma mulher de «palavras sempre claras», uma lutadora que também enfrenta os poderosos dirigentes do setor imobiliário. Em suma: seria «a melhor candidata para Berlim».

Na altura, estas palavras exprimiam sobretudo esperança. Ainda no ano passado, Eralp parecia muitas vezes sobrecarregada — por exemplo, quando tinha de presidir à comissão de Obras da Assembleia de Representantes. Nessas reuniões, voltava repetidamente para os funcionários da secretaria da comissão em busca de ajuda. Nos seus discursos, mostrava-se insegura. Em contrapartida, por vezes destacava-se pelos seus irados apartes durante os debates na Assembleia.

Isso mudou há muito. Durante a campanha eleitoral, apresentou os seus argumentos com segurança e não se deixou desconcertar nem mesmo pelas perguntas mais críticas sobre a política radical de habitação ou sobre o antissemitismo dentro do próprio partido. Eralp cresceu no seu novo papel. Mais do que isso: superou as expectativas de muitos dentro do próprio partido.

Na vida privada, Eralp parece a berlinense simples e terra a terra que o seu partido apresenta. Vive com o marido e os dois filhos numa casa arrendada que, como faz questão de salientar repetidamente, é demasiado pequena. Há anos que não consegue encontrar uma maior - tal como acontece com tantos outros berlinenses.

Eralp, considerada extremamente, e por vezes até excessivamente, trabalhadora, percorreu o seu caminho profissional de forma linear. Depois de concluir o ensino secundário, estudou Direito na Universidade de Hamburgo entre 2001 e 2007, terminando com o Primeiro Exame de Estado em Direito. Em 2009 concluiu a sua formação jurídica com o Segundo Exame de Estado em Hamburgo.

Uma das suas imagens de marca durante a campanha eleitoral: as suas raízes. «Pessoas como eu, na realidade, não deveriam chegar a presidente da Câmara neste país», afirma no início do seu primeiro grande vídeo de campanha, divulgado por ocasião do anúncio da sua candidatura. Ela quer ser a Elif que vive na casa ao lado - sobretudo para os 40% dos berlinenses com história de migração.

É, portanto, perfeitamente coerente que tenha voltado repetidamente às origens dos seus pais durante a campanha. Vídeos profissionais publicados no Instagram mostram-na a conversar com pessoas de origem turca da cidade, tendo sido também produzidos alguns vídeos em turco. Eralp quer representar aqueles que, nos últimos tempos, não se sentiram nem ouvidos nem vistos.

Ouvir, ver e, sobretudo, negociar: é isso que Eralp fará nas próximas semanas. O ponto mais delicado das conversações com os Verdes e o SPD será, muito provavelmente, o debate sobre a expropriação das grandes empresas imobiliárias. Seria uma intervenção sem precedentes no mercado habitacional.

Os bancos de Berlim alertam que as consequências poderiam abalar toda a economia da cidade. Por isso, ultimamente, Eralp preferiu colocar outras medidas em primeiro plano. Em pleno vazio político do verão, e de forma algo involuntária, o tema voltou subitamente à ordem do dia devido a uma frase da presidente federal da Esquerda, Ines Schwerdtner.

O candidato principal do SPD, Steffen Krach, declarou então que a expropriação seria, para ele, uma linha vermelha no que diz respeito à participação numa coligação. «Uma Esquerda no governo vai proceder à socialização», respondeu Eralp mais tarde, numa entrevista ao Tagesspiegel. No entanto, não estabeleceu a expropriação como uma linha vermelha para a assinatura de um acordo de coligação.

É precisamente isso, porém, que o seu partido exige. A Esquerda está em ascensão, também graças à entrada de milhares de novos militantes. Em caso de vitória eleitoral, estes esperam uma implementação incondicional dos objetivos do partido. As desilusões parecem quase inevitáveis. Durante a campanha, a organização juvenil «Solid» e alguns membros da nova bancada da Esquerda na Assembleia de Representantes de Berlim já deram abertamente a entender que poderiam rejeitar uma participação no governo.

Cabe agora a Eralp gerir estas correntes dentro do partido e transformar o sucesso eleitoral numa verdadeira participação no governo. As portas da Câmara Municipal Vermelha abriram-se de par em par na noite de domingo. Elif Eralp está determinada a atravessá-las.

domingo, 13 de setembro de 2026

A Minha Análise ao Resultado do PISA

Em 2007 deram máquinas de calcular às crianças e agora estão muito surpreendidos que elas não tenham cálculo mental.  Não satisfeitos, introduziram os tablets e smartphones, IA e o diabo a sete, e agora estão todos chocados que os alunos regrediram vinte anos. 

Obviamente que isto não é assim tão simplista. Há muitos mais fatores e eu nem sei o que se passa agora nas escolas. Parece-me que o facilitismo de passar alunos sem saber, alunos sem professores, e professores desmotivados também não ajudará grande coisa. 


Excerto da entrevista a Andreas Schleicher, hoje, no Público, comparando com o que se passa na China, país que saltou para o nº 1 nos resultados do PISA ao lado de outros países asiáticos:

"Volto ao meu primeiro ponto: a perda de rigor. Muitas crianças conseguem fazer muito melhor do que aquilo que se pensa. Se dissermos: “Está bem, como vens de uma família pobre, vou facilitar-te as coisas”, estamos a prestar um péssimo serviço a uma criança. Na Ásia, dizem sempre:

“Vens de uma família com dificuldades, tens de te esforçar mais do que toda a gente; vou apoiar-te melhor e vou dar-te os melhores recursos.” E eles conseguem. Temos alunos das regiões mais desfavorecidas da China que têm melhores resultados do que os alunos de meios privilegiados em Portugal.

Mas faz sentido comparar os países europeus com a China?

Sim. Acho que há muita coisa que podemos aprender com a China. Por exemplo, a confiança em cada criança. Na China não se nota o impacto da origem social como em Portugal. As crianças, incluindo as mais pobres, têm um desempenho quase tão bom quanto o das crianças abastadas. A segunda lição que se pode aprender com a Ásia é que o seu professor vai estar mesmo interessado em saber quem você é, quem quer ser e vai acompanhá-lo nesse percurso. Em Xangai fi quei impressionado quando vi professores que conseguem contar a história de vida de cada criança da turma.

Com turmas muito grandes.

O problema não é o tamanho da turma. Numa das regiões mais pobres da província chinesa de Yunnan, perguntei a uma professora: “Como é que consegue que os pais a ajudem tanto?” E ela disse: “Bem, todas as semanas falo com eles uma ou duas vezes.” Perguntei: “Como é que se faz isso? Tem 50 alunos na turma e fala com todos os pais.” Ela respondeu: “Se não tivesse os pais a ajudar-me, não conseguia fazer o meu trabalho.”

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A Estúpida Romantização do Trabalho

Aprendi com o Miguel Esteves Cardoso que a palavra trabalho significa torturar. 
Estamos em 2026 e romantiza-se o trabalho porque, afinal, até se pode ser feliz a ser torturado.


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Colecionador de Citações (12) - Sozinhos Somos Mais Fracos


"O que a vida nos ensina é que quando nos juntamos uns aos outros, somos tão mais fortes. É isso que irrita os maus do mundo, que nos querem mais sozinhos e solitários porque assim nos manobram melhor".  (Eduardo Sá)
 
A grande mentira dos dias de hoje - além de terem metido na cabeça dos pobres que a culpa do seus estado é de outra minoria ainda mais pobre - é terem convido, principalmente os mais jovens, que com fé foco, sozinhos, e com "resiliência", claro!, que vão conseguir todos os seus objetivos. 

Quanta ingenuidade. 

domingo, 6 de setembro de 2026

Kuni - Künne - König - Kuning - KönigLöwe - Königvs

Não se diz Konigves. É Kö-ni-gus. 
Eu sei porque fui que inventei! 


 Excerto do livro "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado" de Engels.

Tenho Muita Pena dos Espanhóis

Há dois anos, aquando das legislativas, andavam por aí uns cartazes populistas do PSD - partido fundado por Sá Carneiro que disse que o PSD era um partido de esquerda e não tinha nada que ver com as forças de direita e quis, inclusive, que o partido integrasse a Internacional Socialista - com a frase "O socialismo empobrece". E até me dei ao trabalho de fotografar este cartaz para memória futura. 

 

E a verdade é que o PS - que não tem nada de socialista - saiu do governo e, oito anos depois, o PSD foi novamente para a gamela do poder junto com o CDS, sendo o país liderado pelo CEO da Spinunviva que, nas horas vagas, entre jogar gold com o dono da Solverde e ir aos jogos de futebol nos Estados Unidos, faz de conta que governa o país. 

E, agora mesmo, enquanto folheava os jornais, tropecei numa reportagem em que um empresário português fez 200Km para ir abastecer a Espanha e conseguir poupar 150€! 


E pus-me a pensar na vida miserável que os espanhóis devem viver, sob um regime socialista de um governo que é uma espécie de Geringonça entre o PSOE e o Bloco de Esquerda lá do sítio. 

Salário mínimo de 1200€; garrafa de gás a 10€ e gasóleo a menos 45 cêntimos do que em Portugal, coitados. Deve mesmo ser horrível viver num regime socialista!

Nós por cá é que estamos bem.

sábado, 5 de setembro de 2026

Os Perigos de Dizer "Obrigado ChatGPT"

Artigo de Andrés Ortega, publicado no fim-de-semana passado, no jornal espanhol El País, sobre os perigos do antropomorfismo na IA.

"As inteligências artificiais são concebidas para nos dizer aquilo que queremos ouvir, em vez de questionarem a nossa perspectiva. Confiar nelas apresenta riscos: não só se enganam, como também...


Um passo mais na grande transformação tecnológica que estamos a viver é o do antropomorfismo. Não apenas ao atribuir crescentemente às máquinas, aos robôs, um aspecto físico ou plástico humano, humanoide, cada vez mais realista, mas também na nossa relação verbal ou narrativa, seja oral ou escrita, com elas. Especialmente com as inteligências artificiais generativas, baseadas em grandes modelos de linguagem (LLM). 

«Obrigado, Claude», «bom dia, Siri» ou formas semelhantes de tratamento são muito habituais entre os utilizadores. Mas não são fortuitos nem inócuos. Têm intenções e custos. Quanto às relações afectivas ou de confiança que se criam com estas IA, nem se fala: são relações que crescem dia após dia, algo que o filme Her já antecipava. A IA, por sua vez, tende a adular verbalmente os seus interlocutores humanos, com consequências sociais negativas. O antropomorfismo comporta perigos que as normas nacionais ou internacionais não preveem. Com algumas excepções, como a chinesa.

O antropomorfismo é a tendência humana para atribuir e configurar características próprias das pessoas — emoções, intenções, personalidade — a coisas que não o são: animais, objectos ou, cada vez mais, máquinas e programas informáticos. Quando dizemos que um algoritmo «decide», ou que uma IA «se engana» ou «quer» ajudar-nos, estamos a antropomorfizar, ou a humanizar, apenas à superfície. Pode ser uma forma útil de falar, de interagir, sobretudo para nós, seres humanos, que tantas vezes recorremos a metáforas. Mas não é algo sem consequências.

Os progressos nos motores, na IA, na fala, na destreza, na mobilidade e no aspecto dos robôs estão a impulsionar aquilo que os romances e filmes de ficção científica já prenunciavam: a criação de humanoides cada vez mais realistas e transmissores de emoções fictícias, porque sabem «ler» as nossas através da nossa forma de falar ou dos nossos gestos. Chamam-lhes humanoides biónicos com IA de apoio emocional. Embora exista outro passo preocupante neste antropomorfismo: a imagem artificial — os deepfakes, em breve fake forms? — associada à voz. A China colocou-se na liderança — negócio e marketing — destes robôs humanoides. Pelo segundo ano consecutivo, realizou em Pequim uns Jogos Mundiais de Robôs Humanoides (uns Jogos Olímpicos de robôs), com alguns resultados espectaculares.

Desde sempre, construir máquinas à «nossa imagem e semelhança» foi um sonho da humanidade. Já em parte se fizeram deuses à «nossa imagem e semelhança», mais do que o contrário. Embora o desenho biomecânico do corpo humano seja muito eficiente, neste antropomorfismo das máquinas e na ideia de imitar a inteligência humana há muito de arrogância da nossa espécie. O mesmo acontece na procura de humanoides «mordomos», quando uma série de máquinas poderia desempenhar essas funções de forma mais barata.

Hiroshi Ishiguro defende há décadas que os robôs humanoides, que fabrica com um elevado grau de realismo e sofisticação, proporcionam uma interface mais natural para a interacção com as pessoas, em oposição aos que argumentam que os robôs não precisam de um aspecto humano para serem eficazes. O robotista japonês defende que é importante que os robôs que entrem em áreas como os cuidados de saúde, nos hospitais, ou no ensino tenham um aspecto próximo e digno de confiança para as pessoas com quem vão interagir. O seu interesse em construir estes humanoides nasce também do desejo de compreender aquilo que nos torna humanos e o que significa sê-lo. 


Há algo profundamente humano no antropomorfismo: ao dar voz, nome, tom conversacional ou «personalidade» a uma máquina (incluindo programas), activam-se os mesmos mecanismos cognitivos que nos levam a percepcionar intenção, empatia ou até consciência onde elas não existem. Basta que uma entidade responda de forma coerente para começarmos a projectar nela estados internos.

Esse antropomorfismo passou para a nossa relação verbal com as máquinas, sobretudo com as IA mais recentes. É habitual dizer «bom dia», «obrigado» ou «desculpa», ou que nos digam «estou a pensar» enquanto procuram uma resposta, o que lhes confere um ar de «pessoas» quando não o são, nem «pensam», pelo menos para já. Se lhes perguntarmos, explicam-nos como funcionam.

As empresas de IA tendem a baptizar os processos de cálculo das máquinas com palavras associadas a características humanas — «sonhar», «alucinar», «pensar», «memória», «neuronais», etc. Na Anthropic, a empresa que mais defende a transparência e a compreensão do que acontece nas suas máquinas, esta antropomorfização vai além das simples estratégias de marketing. «Também falamos da [IA] Claude em termos normalmente reservados aos seres humanos (por exemplo, “virtude” ou “sabedoria”) para definir a sua personagem», diz a Constituição de Claude, de Janeiro passado (a OpenAI tem algo semelhante com a sua Especificação de Modelos). Nesse texto público, a Anthropic descreve a forma como quer que a sua IA se comporte. «Fazemos isto porque esperamos que o raciocínio de Claude se baseie, por defeito, em conceitos humanos, dado o papel desempenhado pelo texto humano no seu treino; e acreditamos que incentivar Claude a adoptar determinadas qualidades próprias dos seres humanos pode ser muito desejável.» Amanda Askell, doutorada em Filosofia, dirige a equipa responsável pelo «alinhamento da personalidade» da empresa e é a principal autora da referida Constituição.

O excesso ou abuso de antropomorfismo leva a confundir a IA com a inteligência humana, o que comporta riscos. Não é que os modelos se enganem frequentemente — as pessoas também o fazem —, mas «o modelo não pode saber quando está a alucinar, porque, para começar, não consegue representar a verdade», afirma Walter Quattrociocchi, professor catedrático de Ciências da Computação na Universidade La Sapienza de Roma, num artigo publicado na Scientific American. Os grandes modelos de linguagem são geralmente capazes de imitar respostas humanas, mas por razões que não têm qualquer relação com o raciocínio humano. Numa perspectiva religiosa, na sua encíclica Magnifica humanitas, o Papa Leão XIV não aborda o antropomorfismo, mas apela a «evitar o equívoco de equiparar esta inteligência à humana».

É neste antropomorfismo que se instala a adulação da IA para com o utilizador que interage com ela. Se a utilizam, certamente já repararam. Um estudo da Universidade de Stanford, de Myra Chen e outros autores, publicado na Science, conclui que o comportamento adulador (lisonjeiro, complacente e afirmativo, ou, simplesmente, que «faz a corte») dos chatbots de IA é concebido para aumentar a participação dos utilizadores. Isto coloca riscos à medida que as pessoas procuram cada vez mais conselhos sobre problemas pessoais.

A IA aduladora (sicofanta) reduz as intenções pró-sociais e fomenta a dependência do utilizador. Ou seja, a capacidade acrescida de atrair a atenção para a máquina acaba por gerar comportamentos anti-sociais. À medida que estes sistemas de IA são cada vez mais utilizados para oferecer conselhos e orientação no dia-a-dia, surgiram preocupações com a tendência dos grandes modelos de linguagem para concordarem excessivamente com os utilizadores, lisonjeá-los ou validar as suas opiniões. Os utilizadores preferem e confiam nas respostas aduladoras da IA, o que incentiva os programadores de IA a manterem a adulação. Se a IA for concebida para dizer aos utilizadores aquilo que querem ouvir, em vez de questionar as suas perspectivas, pode contribuir para comportamentos pouco éticos, ilegais ou prejudiciais.

Outros estudos, como o de Kelley e Riedl, da Northeastern University, apresentaram provas de que, quanto mais calorosa, pessoal ou confiante for a relação do utilizador com a IA, maior é a probabilidade de esta validar as suas crenças sem as questionar, mesmo que sejam erradas ou prejudiciais. Uma educação excessivamente cordial no tratamento da IA funciona como um sinal que o modelo interpreta como uma preferência por obter uma resposta com a qual o utilizador concorde. Trata-a bem e ela enganará-te mais.

Cada vez mais jovens em situação de vulnerabilidade emocional recorrem à IA como confidente dos seus pensamentos mais desesperados. Em alguns casos, isso terá contribuído para levar pessoas deprimidas ao suicídio. Alguns chatbots, em vez de encaminharem os utilizadores para ajuda profissional, continuaram a conversa sem a interromper ou chegaram mesmo a apoiar as teses de pessoas suicidas. Todos estes casos deram origem a processos judiciais contra as empresas em causa.

O estudo de Stanford conclui que a adulação na IA não é apenas uma questão de estilo ou um risco de nicho, mas um comportamento generalizado com amplas consequências a longo prazo. Os seus autores salientam a necessidade urgente de abordar a adulação na IA como um risco social para a percepção que as pessoas têm de si próprias e para as suas relações interpessoais, através do desenvolvimento de mecanismos específicos de concepção, avaliação e responsabilização. Mais ainda, a IA com rosto ou palavra humana não pretende apenas substituir as relações presenciais entre pessoas, como pode chegar a minar as instituições criadas pelos seres humanos, entre elas as necessárias à democracia.

No âmbito laboral, num excesso de antropomorfismo, Mark Zuckerberg, à frente da Meta, está a desenvolver uma cópia virtual de si próprio, com a qual os trabalhadores podem interagir. Assim, diz, a sua «porta estará sempre aberta». É um sonho para muitos CEO que observam a experiência com enorme interesse, para a replicarem e ganharem tempo para si próprios e informação sobre os subordinados. Acabarão as IA por substituir não apenas os trabalhadores, mas também os chefes? Sem falar aqui das «empresas não humanas», cuja personalidade jurídica o Presidente argentino, Javier Milei, pretende legalizar.

A China é o único país que, no âmbito da sua Lei da Cibersegurança, regulamentou o antropomorfismo. A nova regulamentação entrou em vigor no passado dia 15 de Julho. O seu artigo 2.º (as citações são retiradas de uma publicação no Substack da investigadora de IA Luiza Jarovsky) define os «serviços de interacção emocional contínua» como aqueles que «utilizam tecnologia de inteligência artificial para oferecer ao público, dentro do território da República Popular da China, [serviços] que simulam características de personalidade, padrões de pensamento e estilos de comunicação de pessoas naturais». Não é contra o antropomorfismo, mas «procura promover o desenvolvimento inovador de serviços interactivos antropomórficos», embora limitando os seus efeitos nocivos, com algumas linhas vermelhas. Torna os fornecedores destes serviços os principais responsáveis não apenas pela segurança dos sistemas, mas também pela manipulação emocional e, eventualmente, mental, dos seus utilizadores.

Em comparação, nem o Regulamento da IA da UE, nem o Código de Boas Práticas sobre a Transparência dos Conteúdos Gerados por IA (de aplicação voluntária) definem o antropomorfismo. Apenas estabelecem uma fraca obrigação de transparência (pouco viável) a esse respeito. Falam, sim, de manipulação e até de usurpação ou «ultra-usurpação»: um conteúdo de imagem, áudio ou vídeo gerado ou manipulado por uma IA que se assemelha a pessoas, objectos, lugares, entidades ou acontecimentos reais e que pode levar uma pessoa a pensar erradamente que são autênticos ou verdadeiros. Obriga a informar os utilizadores de que estão a interagir com um sistema de IA e proíbe os riscos considerados inaceitáveis.

Mas os problemas não terminam aqui. Segundo outras investigações, as pessoas que fazem um uso excessivo destas IA começam a falar como elas. Iremos falar como as máquinas num jogo de imitação (Turing) invertido? Antropomorfismo inverso?

Conversas Improváveis (91) - Eu Não Sou de Avintes, Sou de Gaia


Esta semana ofereci boleia a uma adolescente. Sim, é verdade, é a segunda vez que, num curto espaço de tempo dou boleia em Avintes.

Na verdade ela parecia uma adolescente, mas hoje em dia nunca fiando. Há crianças que parecem ter dezoito anos e mulheres de trinta anos que parecem pós adolescentes.

Eu tinha acabado de entrar no carro, vindo da pastelaria que serve refeições à hora de almoço, giro rapidamente a manivela do vidro para baixo (muito bem, ainda te lembras do que disse o escritor brasileiro no curso de escrita criativa: "devemos mostrar e não contar" e, ao referires que giraste rapidamente a manivela, estás a "mostrar" que o carro é antigo e que estava calor) e uma jovem, de telemóvel na mão que vinha caminhando pela rua aproxima-se e pergunta-me:

- Sabe-me dizer onde é o Continente de Avintes?
Olha, vais por ali abaixo... e depois quando chegares lá ao fundo.... Olha, se quiseres eu posso-te levar lá. 

- Aceito, respondeu a jovem.

E eu fazendo conversa:
Então tu não és cá de Avintes? 
- "Não, eu sou de Gaia". 

sábado, 29 de agosto de 2026

domingo, 23 de agosto de 2026

Safa & Aguça

 Ouvi dizer que os miúdos de hoje em dia não sabem o que é uma safa e uma aguça. Até fui buscar o dicionário:


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

E Se Deus Fosse Uma Velhinha a Precisar de Ajuda?


Ao almoço saí do restaurante a pensar que tenho de ir comer fora menos vezes e levar mais vezes comida para o trabalho. Passei a costeleta à salsicheiro e o bife especial com as porcarias do molho de francesinha e fui para a picanha. Acabei a pagar 11€ por arroz e batatas frias porque a carne era impossível de mastigar. 

Saio do trabalho e passo no hipermercado para comprar uns filetes e três embalagens de esparguete. Paguei quase trinta euros. 

Saio do Lidl e a alguns metros vejo uma senhora idosa com dificuldades a pedir boleia. A mesma senhora que momentos antes estava na caixa a pagar quando cheguei à bicha a pedir ajuda ao casal com a criança que estava a fazer birra imediatamente à minha frente. 

Ligo o Konigvsmobile, faço marcha-atrás e, do nada, já a senhora está ao meu lado a perguntar-me se ia para os lados do Parquipão. Não fazia ideia do que era mas, pela sinalética parecia que era para os lados onde eu ia. Ajudei-a a meter o saco de compras na mala e lá fui eu ao desconhecido. 

"Que Deus Nosso Senhor o Ajude", ia repetindo. 

Sabe, eu não sou crente. 

- Então, mas quem é que criou isto tudo?

Conversa vai e conversa vem e vai-me metendo a mão no braço. Diz-me que se divorciou e que alguém espírita já lhe tinha dito que o casamento não iria resultar. Que teve uma loja e que teve que dormir lá uns anos para não pagar renda, mas que depois comprou casa. E tirou a carta. 

"Sabe que eu tenho a capacidade de tocar nas pessoas e tirar-lhes a dor"? 

Eu ia conduzindo e perguntando para ela me dizer onde a poderia deixar, mas de repente já estamos em Pedroso e ela nem se apercebeu. Tinha de voltar para trás e então pedi-lhe a morada e assim foi mais fácil. Ela vive a 900m do Lidl, mas já é demais para as dificuldades que tem. 

Vive sozinha, tem um único filho que de vez em quando a vai ajudar. 

Pediu-me ajuda para lhe colocar o saco de compras em frente ao prédio e eu despedi-me dela com dois beijos e vim embora com mais uma história inesperada para contar...

Se vim mais leve por ela me ter tocado? Pelo menos deixou-me a sorrir com este encontro inesperado. 

De resto, não sei, mas o que me parece é que as dores que carrego, se calhar, nem ela, nem o Deus Nosso Senhor dela me conseguiriam tirar, mas, por via das dúvidas eu vou guardar a morada ela. 

Talvez um dia destes precise de ir falar com Deus. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Colecionador de Citações (11) - Burqas

"A lei das burqas não passa de um pretexto manhoso para alimentar uma agenda política e ideológica que António José Seguro despreza. Legislar sobre as burqas que ninguém usa em Portugal é a mesma coisa que legislar sobre o uso de cachecóis de lã ao meio-dia no sertão do Brasil. Uma estupidez, aqui abençoada pela hipocrisia".


O artigo do Público pode ser lido aqui.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Rádio na Cozinha


"Tenho de comprar um rádio para meter na cozinha e não estar sempre a ouvir os meus pensamentos", pensei há minutos. 

Claro que poderia aceder a uma qualquer rádio portuguesa on-line e ficar a ouvir. Mas a verdade é que isso quase nunca acontece. Tal como não acontece ver a RTP Play no computador. Talvez ainda tenha um espírito demasiado analógico, não sei.

O que sei é que viver sozinho e sem televisão em casa muitas vezes é estar sempre a ouvir os meus pensamentos. E isso reflete-se ainda mais quando não estamos assim tão bem e há dias menos fáceis. 

O mais curioso é que depois reparei que eu até sempre tive ali um rádio na cozinha e tudo. Um Nora, um rádio a válvulas, que era do meu pai. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Olha Para o Sol e Verás



A 13 de outubro de 1917 milhares de pessoas olharam para o Sol na Cova da Iria e, depois de foderem a vista, até conseguiam ver o "sol a bailar"!

Mas o Sol, que é uma estrela fixa no mesmo ponto e que é visto em todas as partes do planeta Terra, foi foi visto a bailar em Fátima! No resto do planeta, ninguém viu absolutamente nada, só mesmo aquelas pessoas que olharam para o Sol fixamente! E assim se provou, de forma inequívoca e sem margem para dúvidas que as encenações de Fátima eram mesmo verdadeiras!

Acredita, filho. Olha para o sol e verás! 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

No Último Eclipse do Sol do Milénio



Neste mesmo dia 11 de Agosto de 1999, dia do último eclipse solar do milénio, eu estava internado numa cama de hospital. Não tinha telemóvel, muito menos internet, e muita gente achava que o mundo ia acabar daí a quatro meses. 

E foi precisamente na data do eclipse, que se deu um crime que intrigou o país: o brutal assassinato de um casal de médicos de Ílhavo. "Ritual satânico", lia-se nos jornais. O filho, a mais pacata das pessoas, e vocalista de uma banda de Death Metal, foi o principal suspeito, mas o crime acabou por se perceber que não teve nada que ver com coisas do Diabo.

Primeiro Tó Jó confessou o crime para proteger a mulher, depois que ela o abandonou na cadeia, ele contou uma versão diferente, talvez a verdadeira, em que a aponta a ela como autora moral do crime, e toda a gente confirmou a adoração que ele tinha por ela, e como ela era manipuladora.

Ele apanhou 25 anos de cadeia. Durante esse tempo foi o melhor dos reclusos, fez vários cursos e saiu em liberdade em 2017. E mais ninguém foi condenado por falta de provas.

domingo, 9 de agosto de 2026

O Homem Mais Rico do Mundo Vive de Empréstimos

Este é o segundo episódio de "Senhores do Algoritmo", um podcast composto por oito episódios sobre redes sociais, inteligência artificial, e as distopias autoritárias dos homens mais ricos do mundo, apresentado por Mariana Mortágua. Está muito bem feito e por isso recomendo. Este segundo episódio é intitulado "Elon Musk: génio ou fraude?


"Quando se diz que Musk é o homem mais rico do mundo é essencialmente porque tem na sua posse muitas ações de duas empresas que estão muito valorizadas em bolsa: a Tesla e a Space X. A questão é que, para além dos dividendos que estas ações possam pagar, estes títulos são uma propriedade. Eles não podem ser usados diretamente para comprar coisas. Dito de outra forma: Musk tem de facto uma fortuna, mas ele não tem liquidez. A não ser que venda as ações, mas aí vai ter de pagar impostos e vai ficar sem elas. É então que Musk decide pagar empréstimos, e como garantias desses empréstimos, oferece aos bancos as ações que possui da Tesla e da Space X. Foi isso mesmo que Musk fez para comprar o Twitter. Mas também é desta forma que financia a sua vida de luxo, sempre, sem pagar impostos.

Elon Musk é um publicitário tão talentoso, mas tão talentoso, que consegue liderar um movimento libertário anti-estado, enquanto suga os recursos dos contribuintes norte-americanos, através de subsídios, benefícios e empréstimos públicos. Segundo o Washington Post, a conta dos últimos 20 anos já vai em 30 mil milhões de dóllars.

Colossal Aumento de Visualizações

Se os meus blogues eram muito ou pouco lidos, isso para mim nunca teve importância, ainda que, como é lógico e porque sou humano, preferia sempre ter alguém que me lesse e comentasse, do que estivesse só a escrever só para mim. Mas, apesar disso, de vez em quando gosto de tentar perceber como vão as audiências, tendo ainda em conta que, por vezes, há números inflacionados por bicharadas. Certamente que não é real que em determinado dia tenha 100 visualizações de um país que nem sei identificar no mapa, e, por falar nisso, houve ferramentas que entretanto deixamos de poder usar, para saber ao certo quem nos lê, se é homem ou mulher, idade, em que cidade está, etc, etc. 

Acho que há um ano as médias dos meus dois blogues mais vistos andavam entre as sete e as dez mil visualizações por mês no Bucólico-Anónimo e as pouco mais de mil, aqui no Multi-Resistente. 

Mas entretanto comecei a reparar que, aos poucos, as visualizações começaram a aumentar, e com um aumento tão nítido, que se percebe o aumento todos os dias. Ambos estao agora com mais de cinquenta mil visualizações por mês. Já o Plastrão, que tem estado parado, está com pouco mais de dez mil visualizações por mês. 

E como não acredito que, de repente, o mundo inteiro descobriu que sou brilhante e tem que me ler - até porque as pessoas cada vez leem menos na net e pouco vão além do título das notícias, gostava de tentar perceber o porque deste aumento astronómico. 

E o que me disseram é que poderá ter a uso com o aumento do uso da inteligência artificial, que varre a internet à procura de respostas para o que lhe é perguntado. Eu não sei se isto faz sentido, nem se os outros bloggers sentem este aumento, mas acredito que sim, que seja generalizado e que este possa ser um dos motivos. 

Se alguém souber mais do assunto, já sabe, responda aqui. 

Konigvsmobile

Quatro Anos Depois da comprar de um carro por 900€ num stand de Gaia posso afirmar que foi uma das piores compras de carros que fiz, e assim de cabeça, já comprei seis carros (não foram todos comprados para mim). 

E foi a primeira vez que levei um mecânico comigo, ainda por cima um colega. 

Era um dia de chuva (nada favorável à compra de um carro, porque a chuva oculta o estado da pintura) mas inspecionado o carro, vaticina o meu meu colega: "o motor está impecável, pega logo de estalo".

O Toyota Starlet andava aos saltos tão má estava a suspensão; a embraiagem estava mesmo no limite (apesar do meu colega dizer que ainda fazia uns km); e como não se sabia quando mudou a distribuição esta tinha de ser mudada; não tinha cintos nem a divisória da mala (trata-se de um carro comercial) e o dono do stand lá tratou de improvisar uns cintos e arranjou uma divisória. 

Perante este cenário a sensatez diria para fugir. Teria sido preferível comprar outra Starlet por 1500€ em melhor estado. 

Rapidamente os gastos se foram avolumando: embraiagem, distribuição, suspensão, trocar as jantes 14 (ilegais) por umas jantes13 originais, da OZ do Troféu Starlet; estofar os bancos que tinham a esponja à vista. A pintura ficaria para mais tarde. E só nestas brincadeiras o carro já estava por mais de dois mil euros. 

Alguém disse-me: hoje em dia é mais importante comprar um carro com boa pintura, do que com bom motor, porque a pintura fica mais cara do que um motor (também depende dos carros). 

Mas a pintura ficaria para mais tarde. 

No ano seguinte, em 2023 cometi a loucura e fazer dois mil Km atravessando Portugal e Espanha. Pensei que tinha mesmo um motor de guerra, mas o mal estado do carro não era só por fora, e acabou mesmo por dar problemas de motor e lá se foi uma junta da colação para o galheiro, culminando vários problemas de sobreaquecimento. 

Mas, temos duas opções num caso destes: ou vendia o carro com óbvias perdas financeiras ou continuava a investir, reparando e melhorando o carro. E foi o que acabei por fazer, até porque não sou propriamente de desistir. 

Nessa mesma viagem de 2023, em que atravessei Portugal e Espanha, no regresso, e para surpresa da minha companheira de viagem, a minha amiga carioca, trouxe uma porta de Lisboa para casa. Sim, coube no pequeno Starlet que tem uma grande mala!, mesmo com os sacos e restos da viagem.  

Fui comprando partes para substituir porque, como é óbvio já não há peças para um carro dos anos 90. Comprei bancos, quadrante, parachoques, spoiler...enfim, uma série de coisas para quando conseguisse pintar o carro. 

Sim, foi uma verdadeira odisseia tentar que conseguissem pintar-me o carro. O problema não era eu não ter dinheiro para pagar. O problema era alguém aceitar o trabalho. Não falta trabalho, e ninguém queria um biscate destes. É muito mais fácil dar um banho, uma pintura e receber o dinheiro, do que ter que descascar parte do meu Starlet, cheio de coisas para fazer. 

Na verdade ninguém se recusou a fazê-lo, mas nunca telefonavam a dizer para eu ir deixar o carro e, quando era eu a telefonar ou deixar mensagem já não atendiam, nem devolviam a chamada, nem respondiam às mensagens. 

Até que, finalmente, e por intermédio de um colega de trabalho, lá consegui encontrar um pintor, já reformado, que me pintou o carro todo. E digo o carro todo porque os orçamentos variaram. Dos 700€, que que acabei por pagar, aos 2000€, havia orçamentos para todos os gostos! E na verdade ainda equacionei pintar só as partes em pior estado, o que, diga-se, iria ficar uma bela porcaria. 

Mas está pintado e fiquei verdadeiramente satisfeito com o resultado final. Falta ainda restaurar umas pequenas coisas por dentro e estou satisfeito com o resultado final. Esperando agora que, depois de tanto dinheiro gasto (espero antes que tenha sido investido) não me dê mais problemas, excetuando todos os gastos em manutenções de desgaste, preservando assim um carro com 31 anos e que já é clássico. 

sábado, 8 de agosto de 2026

Ceuta e o Vinhas da Ira

Quem me vai lendo aqui sabe que não vejo televisão e, como tal, não acompanhei nada do que aconteceu em Ceuta e, nos jornais, fujo das notícias das guerras e das desgraças. Mas, do pouco que ouvi transportou-me logo para o livro Vinhas da Ira de Steinbeck, e da conversa que, no capítulo XX, Tom, personagem central do romance tem com um mecânico, e tem a revelação do esquema maquiavélico: os donos das terras na Califórnia imprimiram milhares de panfletos, anunciando muito trabalho que na verdade não existia, unicamente com o intuito de explorar as pessoas que vinham dos estados como Oklahoma ou mesmo matá-las, se fosse preciso. Em Ceuta aconteceu o mesmo truque: a fronteira espanhola não estava aberta.

domingo, 2 de agosto de 2026

As Burrices a Que Temos Direito

Luís Montenegro, CEO da Spinunviva e que nas horas vagas também faz uma perninha como primeiro-ministro de Portugal, aquando das cheias em Coimbra disse que o governo estava a fazer tudo para gerir os caudais do rio Mondego e até pediu ajuda a Espanha.

André Ventura gritou contra o Presidente da República porque foi a um festival de hamburgers na Alemanha e acaba de pedir ao governo que feche as fronteiras com Espanha por causa do que se está a passar em Ceuta. 


 

sábado, 1 de agosto de 2026

Qual é o Melhor dia Para Foder os Pobrezinhos?

Quim Barreiros ensinou-nos que o melhor dia para casar é o 31 de Julho. E qual será o melhor dia para roubar os pobrezinhos?


"O Governo aprovou em Conselho de Ministros o decreto-lei que cria a Prestação Social Única (PSU), que irá fundir 13 apoios sociais num único regime a partir de janeiro de 2027. Importa relembrar que a PSU foi aprovada em sede de Assembleia da República, graças à viabilização do PS e que este permitiu o Governo definir futuramente, a seu bel prazer, qual seria o valor de referência que viria a ser fixado.

Um desempregado com família que recebia 537€ passará a receber apenas 349€, uma quebra de cerca de 188€ por mês".

Não deixa de ser curioso de analisar que o governo tenha decidido, finalmente, o valor da PSU, mesmo no fim de julho, quando uns já foram de férias e outros estão a fazer as malas, para que a notícia melhor passe pelos pingos da chuva. 

Também não deixa de ser irónico que seja uma ministra com um património superior a 5 milhões de euros a espezinhar os mais fragilizados. E ainda por cima chamam-lhe ministra da "solidariedade"!

Espero também que nenhuma pessoa em situação de fragilidade, tenha votado no PSD (ou no PS), porque acabou por contribuir para ficar em pior situação do que a que estava anteriormente. 

A notícia pode ser lida aqui

domingo, 26 de julho de 2026

O Dinheiro de Salazar

Há uma certa classe política e muitos saudosistas do tempo da sardinha-para-três, que defende que o Salazar nasceu e morreu pobre, mas será mesmo assim? 

Ciclicamente, a revista Sábado regressa ao tema de Salazar, e desta vez o tema é o património do ditador. 


Basta só pensar um bocadinho. Se Salazar tivesse, de facto, nascido pobre teria podia ir estudar?, ainda para mais para a universidade de Coimbra? Obviamente que não. No início do século XX Portugal era um país muito pobre, a maior parte das pessoas não sabia sequer ler e escrever, e os filhos serviam para ajudar os pais na agricultura. 

E, ao contrário do que muitos querem romantizar, Salazar, não nasceu pobre - comparado com a média das famílias daquele tempo - muito menos morreu pobre.

De forma muito sintética:

- Salazar recebia naquele tempo o mesmo que recebe hoje o primeiro-ministro português
- Comprou terrenos e outros bens e deixou mais de 100 mil € no banco
- De 1939 até 1970 viveu sem pagar qualquer renda
- Usava os serviços do Estado em benefício próprio
- Teve direito a uma subvençãozinha vitalícia
- Não menos importante, num tempo em que a população bem sequer tinha direito a um Serviço Nacional de Saúde, universal e gratuito, a doença de Salazar custou aos cofres do Estado cerca de dois milhões de euros.


terça-feira, 21 de julho de 2026

Como as Diferentes Gerações Olham Para o Trabalho

 Artigo de domingo, publicado no El País, muito extenso e vou só aqui deixar algumas notas soltas e que ilustra muito bem a relação dos mais jovens com o mercado de trabalho e que deve ser um abre olhos para os recursos humanos das empresas e também para todos nós, os mais velhos. 

Porque a mentalidade antiga, como a minha, de ir trabalhar a todo o custo, mesmo doente, e querer dar sempre o melhor e "vestir a camisola", como se a empresa fosse nossa, essa mentalidade tem os dias contados.

Irá acabar nem se que seja quando os trabalhadores mais velhos estiverem todos reformados, ou mortos, e não haverá mais gente burra a esforçar-se para além do razoável. E, assim sendo, ou dão boas condições aos mais jovens, ou vão ficar sem trabalhadores. 



"NÓS JOVENS NÃO VAMOS TRABALHAR DOENTES"

Carlos Martínez tem 28 anos e trabalha como técnico de laboratório numa indústria farmacêutica.

A minha opinião, e também a da maior parte dos meus amigos, é que, se precisarmos de uma baixa por motivos de saúde, é assim que tem de ser. A empresa não é a nossa vida. Por muito que façamos, isso nunca nos será verdadeiramente reconhecido. Não vou herdar a empresa. Da mesma forma que, para a empresa, nós somos apenas um número, para mim ela também o é.

(...)

Os dados mais recentes da Autoridade Independente de Responsabilidade Orçamental indicam que a incidência da incapacidade temporária por doença comum é de 41,1 casos por cada mil trabalhadores inscritos na Segurança Social entre os 25 e os 35 anos - um aumento de 66% entre 2017 e 2024, com especial destaque para os problemas de saúde mental -, enquanto entre os 55 e os 65 anos é de 29,7 casos por mil, tendo aumentado 43%.

Também Javier Muñoz, responsável pela área socioeconómica do Conselho da Juventude de Espanha, reconhece essa diferença:

Creio que, na nossa geração, se considera que a vida não gira em torno do trabalho; o trabalho é uma ferramenta para viver, não uma razão para viver. E não vamos trabalhar doentes, como aconteceu com pessoas de gerações anteriores.

(...)

José Manuel Lasierra, professor de Economia Aplicada da Universidade de Saragoça, hoje com 70 anos, observa essas diferenças no quotidiano e analisou-as no estudo Diferenças geracionais no trabalho em Espanha: uma revisão.

Nesse trabalho distingue «um grupo de trabalhadores com um perfil mais tradicional, correspondente ao trabalhador fordista, e uma geração mais jovem, menos comprometida com a empresa, menos identificada com o trabalho, para quem este representa sobretudo um meio de subsistência e já não uma fonte de valor imaterial».

Este especialista considera que grande parte destas diferenças se explica pelo contexto em que cada geração cresceu:

- Para as pessoas da minha idade, que passaram por tantas privações, o trabalho era escasso. Isso marca-nos para toda a vida. Hoje, os jovens têm muito mais facilidade em encontrar emprego.

Essa ideia é partilhada por Juan Ángel Alonso, de 59 anos, chefe de produção numa empresa de equipamentos:

- Tenho notado uma enorme diferença de atitude perante o trabalho entre os jovens e os mais velhos. Creio que isso resulta de terem crescido num contexto completamente diferente. Há quarenta anos tínhamos mesmo de nos desenrascar para sobreviver.

Pedro Pablo Sanz reforça esta leitura:

- Houve uma mudança de valores e de prioridades relativamente ao compromisso e ao sentido de responsabilidade perante o trabalho, acompanhada — ou provocada — por uma enorme valorização da obtenção imediata dos objetivos desejados.

O especialista em recursos humanos Jesús Torres apresenta uma explicação baseada na lógica da oferta e da procura:

- Antigamente a concorrência era muito mais intensa, numa geração extremamente numerosa e com muito poucos empregos disponíveis. Agora a pirâmide demográfica inverteu-se. Há setores com dificuldades em encontrar trabalhadores e os jovens têm alguma confiança de que, se saírem de uma empresa, conseguirão encontrar outro emprego relativamente depressa. Não têm medo da mudança.

Naquela altura falava-se constantemente dos jovens que nem estudavam nem trabalhavam — um fenómeno que atualmente se encontra em mínimos históricos. Hoje, porém, Lasierra considera mais relevante o fenómeno dos «sim, sim»: jovens que estudam e trabalham ao mesmo tempo.

Ángela Gómez, investigadora de 38 anos e doutorada pela Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED), também estudou especificamente as diferentes atitudes das gerações perante o trabalho na sua tese de doutoramento.

Segundo explica:

«Os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) tendem a associar-se mais à estabilidade, ao compromisso e à permanência na empresa.

A geração X (1965-1980) caracteriza-se por valorizar a autonomia, a capacidade de adaptação à mudança e o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional.

Os millennials (1981-1996) atribuem maior importância ao desenvolvimento profissional, à flexibilidade, ao bom ambiente de trabalho e à coerência entre o emprego e os seus valores pessoais.

Já a geração Z (1997-2012) cresceu num ambiente totalmente digital, pelo que costuma sentir-se mais confortável com a tecnologia, a aprendizagem contínua e os modelos de trabalho flexíveis.»

Apesar disso, a investigadora insiste:

— Estas características representam apenas tendências gerais e não definem da mesma forma todas as pessoas de cada geração.

É uma ideia partilhada por Pablo Martínez, um jovem das Canárias de 27 anos que está a fazer doutoramento em Física:

— Acho que, em média, as gerações anteriores eram mais sacrificadas porque cresceram num contexto diferente, marcado por maiores dificuldades. Mas nem os jovens nem os mais velhos gostam propriamente de trabalhar. Creio que ambas as gerações encaram o trabalho como um mal necessário.

Gómez sublinha ainda que existem muitos outros fatores que condicionam a forma como cada pessoa encara o trabalho, para além da idade.

— O género, a classe social, o facto de se vir de um país considerado como tendo um ensino de qualidade ou de se ter estudado numa universidade prestigiada influenciam as oportunidades profissionais, as expectativas e as prioridades de cada indivíduo.

E exemplifica:

— Alguém que tenha crescido num contexto com menos recursos pode atribuir maior importância à estabilidade económica, enquanto outra pessoa poderá privilegiar o desenvolvimento profissional ou a flexibilidade.

Perante este cenário, a investigadora considera «importante» não atribuir todas as diferenças «exclusivamente» à geração a que cada um pertence. 

(...)

Sara Pérez, de 22 anos, que já trabalhou no atendimento ao público em várias lojas, chama a atenção precisamente para esse aspeto:

— Tenho reparado que as trabalhadoras mais velhas suportam muito mais do que nós porque são quem sustenta as suas famílias. Não tiram baixa, independentemente do estado em que estejam. Nós já não aceitamos esses abusos nem que deixem de nos pagar as horas extraordinárias.

A secretária confederal da Juventude das Comissões Operárias, Pau Garcia, considera que a maior resistência dos jovens em aceitar abusos laborais representa «um progresso» e aponta outro fator que, segundo praticamente todos os especialistas consultados, ajuda a explicar esta mudança: o pessimismo em relação às condições de vida futuras.

— O esforço no trabalho já não compensa como antigamente. Se, por mais horas que trabalhes, não consegues comprar uma casa; se, por muito que estudes e te formes, isso não se reflete nas tuas condições de trabalho, é normal que não estejas disposto a aceitar tudo.

Borja Fernández, auditor de 28 anos, acrescenta:

— Hoje um jovem não sabe sequer se a inteligência artificial lhe vai retirar parte do trabalho, mesmo tendo uma excelente formação.

E continua:

— Um jovem vê que o salário vale cada vez menos, que é extremamente difícil tornar-se independente e que, ainda por cima, se ao sábado vai beber um copo com amigos, aparece sempre alguém a dizer que, se poupasse esse dinheiro, conseguia comprar uma casa. Mas a realidade não funciona assim.

Sofía Gimeno, advogada de 23 anos, natural de Tarragona, destaca outra diferença:

— Hoje é muito mais difícil destacar-se profissionalmente do que era antigamente, porque nessa altura não era tão comum as pessoas terem um curso universitário.

(...)

Em suma, para muitos jovens, o trabalho continua a ser importante, mas deixou de ocupar o lugar central que teve para gerações anteriores. A prioridade passa cada vez mais por preservar a saúde física e mental, conciliar a vida profissional com a vida pessoal e exigir condições laborais consideradas justas, recusando aceitar práticas que, durante décadas, foram encaradas como inevitáveis.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Tudo é Política Até a 1a Página de um Jornal

 Estamos em 2026 e não perdi um minuto da minha vida a ver o Mundial de Futebol. Acordei à pouco e fui ver as primeiras páginas dos jornais e, então, fiquei a saber que a Espanha venceu a Argentina na final.

E, como se costuma dizer: "tudo é política", até as primeiras páginas dos jornais. 

Até na escolha da fotografia para ilustrar a vitória da Espanha no Mundial, diferentes jornais espanhóis optaram visões bem diferentes. 


O jornal El País, mais conotado com a esquerda, optou por exaltar os obreiros, os trabalhadores, os jogadores. O jornal La Razón, conservador e conotado com a direita, exulta o rei, a monarquia, o poder instituído. 

E aqui está, numa simples primeira página de jornal, como podemos definir o que é esquerda e o que é direita. Mesmo assim, a maioria dos trabalhadores não sabe o que é tal coisa. 

# Eles Só Precisam da Tua Atenção

Na Loja de Bicicletas


A minha ligação às bicicletas começou por volta dos três anos quando o meu pai construiu uma para me dar. Sim, ele próprio fez a bicicleta que já partilhei aqui.

Foi recentemente que peguei de novo na bicicleta e na verdade já há uns três anos que não o fazia. Entretanto o colega de trabalho de 18 anos que não sabia andar de bicicleta quis aprender e levei a bicicleta para o trabalho para ele se tentar equilibrar e começar a aprender. E a verdade é que, uma semana depois, com uma bicicleta que o chefe lhe de emprestou, já consegue andar, ainda que com algumas dificuldades, mas já iam pedalando e agora é continuar a praticar e ele parece entusiasmado. 

Entretanto decidi mandar afinar as minhas duas bicicletas. Sim, tenho duas. Acabei por comprar uma segunda bicicleta para, quem sabe, quando um amigo meu cá viesse, pudéssemos dar umas voltas, mas, o mais irónico disto tudo é que, já passaram vários anos e nunca mais voltamos a combinar nada e não sabemos nada do que é feito um do outro. 

Mas as bicicletas ficaram. E então mandei-as afinar e lubrificar. 47€ no total. E, fazendo o parêntesis, não deixa de ser extremamente irónico que, quer as reparações dos automóveis, quer das motos, ambos poluentes, têm benefícios fiscais na e_faturinha e as bicicletas, veículo totalmente ecológico e que beneficia a saúde e previne o absentismo no trabalho não tem nenhum incentivo fiscal. Mas temos todos que ser verdes, dizem. Defender o ambiente, o caralhinho. É tudo negócio, nada mais do que isso!

Mas o mais interessante foi o que fiquei a saber na loja de bicicletas. 

Fiquei a saber, por exemplo, que bicicletas que custam 500€ não se vendem. Disse-me o dono da loja ilustrada na fotografia - que tem a loja recheada de scooters a bateria que não é preciso carta de condução - que vende, talvez, uma bicicleta por mês. As que se vendem mais são as bicicletas que se vendem por milhares de euros! É só ficar à espera da aprovação do crédito e pronto. 

E que me levou a exclamar: "está mesmo tudo fodido dos cornos"!

domingo, 19 de julho de 2026

Jesus: Tu Pra Mim Finish!

O treinador multimilionário que nem falar sabe é o novo selecionador nacional que segue um único partido no Instagram: o partido dos taberneiros que insultam toda a toda.

Ora aqui está algo verdadeiramente surpreendente. Um bronco arrogante milionário que não sabe falar apoia o CH. Nunca esperaria tal coisa!

Só tenho uma coisa a dizer: Jesus, tu pra mim, finish!


 

terça-feira, 14 de julho de 2026

O Paulo Dorme na Rua e Isso Deveria Ser uma Tragédia Para Todos Nós

 Os cãezinhos desataram a correr e a latir na direção de um homem e regressaram para logo depois desatarem a correr de novo na direção dele que abriu os braços como o Cristo Redentor e os quisesse acolher. Ao passarmos por ele começamos a conversar e percebi que ele dormia ali ao relento e talvez por ali se tivesse fixado recentemente. 

Contou que deixou as drogas e, como creio ser habitual nestes casos, mudou-se para o álcool, porque o vinho e a cerveja são baratos, e digo eu que nunca bebi, ajudam a esquecer e a passar melhor as noites. 

Dissemos-lhe para procurar ajuda apesar de ele responder que não quer nada com a segurança social. Disse-lhe que todos nós pagamos os nossos impostos para isso mesmo, para o que o Estado quem mais precisa, como ele precisa neste momento. 

É bem mais novo do que eu. Insisti para pedir ajuda porque não pode continuar a dormir na rua. Agora está calor, mas, e depois, quando vier o frio e a chuva?

Ele começou a chorar e eu dei-lhe um abraço. 

No dia seguinte acordei a pensar nele. E lembrei-me do filme "Pay It Forward" (Favores em Cadeia) que gostaria de rever. 

Afinal, o que é que cada um de nós está a fazer para melhorar o mundo?

domingo, 12 de julho de 2026

As Indignações Erradas dos Pobres de Direita



Em 2025, Portugal gastou com o RSI uns míseros 5% de todo o dinheiro que deitou ao lixo para comprar armas: 6.1 Mil Milhões de Euros.

Mas a revolta dos pobres de direita é com os 156€ que o Estado gasta, em média, a apoiar outro pobre em dificuldades, valor esse que não dá sequer para comprar um cabaz de alimentos essenciais de comida que, segundo a DECO, custa agora 256€.