"A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão."
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Quem é Elif Eralp da Esquerda que Venceu em Berlim?
sábado, 19 de setembro de 2026
domingo, 13 de setembro de 2026
A Minha Análise ao Resultado do PISA
Em 2007 deram máquinas de calcular às crianças e agora estão muito surpreendidos que elas não tenham cálculo mental. Não satisfeitos, introduziram os tablets e smartphones, IA e o diabo a sete, e agora estão todos chocados que os alunos regrediram vinte anos.
Obviamente que isto não é assim tão simplista. Há muitos mais fatores e eu nem sei o que se passa agora nas escolas. Parece-me que o facilitismo de passar alunos sem saber, alunos sem professores, e professores desmotivados também não ajudará grande coisa.
Excerto da entrevista a Andreas Schleicher, hoje, no Público, comparando com o que se passa na China, país que saltou para o nº 1 nos resultados do PISA ao lado de outros países asiáticos:
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
A Estúpida Romantização do Trabalho
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Colecionador de Citações (12) - Sozinhos Somos Mais Fracos
domingo, 6 de setembro de 2026
Kuni - Künne - König - Kuning - KönigLöwe - Königvs
Excerto do livro "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado" de Engels.
Tenho Muita Pena dos Espanhóis
Há dois anos, aquando das legislativas, andavam por aí uns cartazes populistas do PSD - partido fundado por Sá Carneiro que disse que o PSD era um partido de esquerda e não tinha nada que ver com as forças de direita e quis, inclusive, que o partido integrasse a Internacional Socialista - com a frase "O socialismo empobrece". E até me dei ao trabalho de fotografar este cartaz para memória futura.
E a verdade é que o PS - que não tem nada de socialista - saiu do governo e, oito anos depois, o PSD foi novamente para a gamela do poder junto com o CDS, sendo o país liderado pelo CEO da Spinunviva que, nas horas vagas, entre jogar gold com o dono da Solverde e ir aos jogos de futebol nos Estados Unidos, faz de conta que governa o país.
E, agora mesmo, enquanto folheava os jornais, tropecei numa reportagem em que um empresário português fez 200Km para ir abastecer a Espanha e conseguir poupar 150€!
E pus-me a pensar na vida miserável que os espanhóis devem viver, sob um regime socialista de um governo que é uma espécie de Geringonça entre o PSOE e o Bloco de Esquerda lá do sítio.
Salário mínimo de 1200€; garrafa de gás a 10€ e gasóleo a menos 45 cêntimos do que em Portugal, coitados. Deve mesmo ser horrível viver num regime socialista!
Nós por cá é que estamos bem.
sábado, 5 de setembro de 2026
Os Perigos de Dizer "Obrigado ChatGPT"
Um passo mais na grande transformação tecnológica que estamos a viver é o do antropomorfismo. Não apenas ao atribuir crescentemente às máquinas, aos robôs, um aspecto físico ou plástico humano, humanoide, cada vez mais realista, mas também na nossa relação verbal ou narrativa, seja oral ou escrita, com elas. Especialmente com as inteligências artificiais generativas, baseadas em grandes modelos de linguagem (LLM).
«Obrigado, Claude», «bom dia, Siri» ou formas semelhantes de tratamento são muito habituais entre os utilizadores. Mas não são fortuitos nem inócuos. Têm intenções e custos. Quanto às relações afectivas ou de confiança que se criam com estas IA, nem se fala: são relações que crescem dia após dia, algo que o filme Her já antecipava. A IA, por sua vez, tende a adular verbalmente os seus interlocutores humanos, com consequências sociais negativas. O antropomorfismo comporta perigos que as normas nacionais ou internacionais não preveem. Com algumas excepções, como a chinesa.
O antropomorfismo é a tendência humana para atribuir e configurar características próprias das pessoas — emoções, intenções, personalidade — a coisas que não o são: animais, objectos ou, cada vez mais, máquinas e programas informáticos. Quando dizemos que um algoritmo «decide», ou que uma IA «se engana» ou «quer» ajudar-nos, estamos a antropomorfizar, ou a humanizar, apenas à superfície. Pode ser uma forma útil de falar, de interagir, sobretudo para nós, seres humanos, que tantas vezes recorremos a metáforas. Mas não é algo sem consequências.
Os progressos nos motores, na IA, na fala, na destreza, na mobilidade e no aspecto dos robôs estão a impulsionar aquilo que os romances e filmes de ficção científica já prenunciavam: a criação de humanoides cada vez mais realistas e transmissores de emoções fictícias, porque sabem «ler» as nossas através da nossa forma de falar ou dos nossos gestos. Chamam-lhes humanoides biónicos com IA de apoio emocional. Embora exista outro passo preocupante neste antropomorfismo: a imagem artificial — os deepfakes, em breve fake forms? — associada à voz. A China colocou-se na liderança — negócio e marketing — destes robôs humanoides. Pelo segundo ano consecutivo, realizou em Pequim uns Jogos Mundiais de Robôs Humanoides (uns Jogos Olímpicos de robôs), com alguns resultados espectaculares.
Desde sempre, construir máquinas à «nossa imagem e semelhança» foi um sonho da humanidade. Já em parte se fizeram deuses à «nossa imagem e semelhança», mais do que o contrário. Embora o desenho biomecânico do corpo humano seja muito eficiente, neste antropomorfismo das máquinas e na ideia de imitar a inteligência humana há muito de arrogância da nossa espécie. O mesmo acontece na procura de humanoides «mordomos», quando uma série de máquinas poderia desempenhar essas funções de forma mais barata.
Há algo profundamente humano no antropomorfismo: ao dar voz, nome, tom conversacional ou «personalidade» a uma máquina (incluindo programas), activam-se os mesmos mecanismos cognitivos que nos levam a percepcionar intenção, empatia ou até consciência onde elas não existem. Basta que uma entidade responda de forma coerente para começarmos a projectar nela estados internos.
Esse antropomorfismo passou para a nossa relação verbal com as máquinas, sobretudo com as IA mais recentes. É habitual dizer «bom dia», «obrigado» ou «desculpa», ou que nos digam «estou a pensar» enquanto procuram uma resposta, o que lhes confere um ar de «pessoas» quando não o são, nem «pensam», pelo menos para já. Se lhes perguntarmos, explicam-nos como funcionam.
As empresas de IA tendem a baptizar os processos de cálculo das máquinas com palavras associadas a características humanas — «sonhar», «alucinar», «pensar», «memória», «neuronais», etc. Na Anthropic, a empresa que mais defende a transparência e a compreensão do que acontece nas suas máquinas, esta antropomorfização vai além das simples estratégias de marketing. «Também falamos da [IA] Claude em termos normalmente reservados aos seres humanos (por exemplo, “virtude” ou “sabedoria”) para definir a sua personagem», diz a Constituição de Claude, de Janeiro passado (a OpenAI tem algo semelhante com a sua Especificação de Modelos). Nesse texto público, a Anthropic descreve a forma como quer que a sua IA se comporte. «Fazemos isto porque esperamos que o raciocínio de Claude se baseie, por defeito, em conceitos humanos, dado o papel desempenhado pelo texto humano no seu treino; e acreditamos que incentivar Claude a adoptar determinadas qualidades próprias dos seres humanos pode ser muito desejável.» Amanda Askell, doutorada em Filosofia, dirige a equipa responsável pelo «alinhamento da personalidade» da empresa e é a principal autora da referida Constituição.
O excesso ou abuso de antropomorfismo leva a confundir a IA com a inteligência humana, o que comporta riscos. Não é que os modelos se enganem frequentemente — as pessoas também o fazem —, mas «o modelo não pode saber quando está a alucinar, porque, para começar, não consegue representar a verdade», afirma Walter Quattrociocchi, professor catedrático de Ciências da Computação na Universidade La Sapienza de Roma, num artigo publicado na Scientific American. Os grandes modelos de linguagem são geralmente capazes de imitar respostas humanas, mas por razões que não têm qualquer relação com o raciocínio humano. Numa perspectiva religiosa, na sua encíclica Magnifica humanitas, o Papa Leão XIV não aborda o antropomorfismo, mas apela a «evitar o equívoco de equiparar esta inteligência à humana».
É neste antropomorfismo que se instala a adulação da IA para com o utilizador que interage com ela. Se a utilizam, certamente já repararam. Um estudo da Universidade de Stanford, de Myra Chen e outros autores, publicado na Science, conclui que o comportamento adulador (lisonjeiro, complacente e afirmativo, ou, simplesmente, que «faz a corte») dos chatbots de IA é concebido para aumentar a participação dos utilizadores. Isto coloca riscos à medida que as pessoas procuram cada vez mais conselhos sobre problemas pessoais.
A IA aduladora (sicofanta) reduz as intenções pró-sociais e fomenta a dependência do utilizador. Ou seja, a capacidade acrescida de atrair a atenção para a máquina acaba por gerar comportamentos anti-sociais. À medida que estes sistemas de IA são cada vez mais utilizados para oferecer conselhos e orientação no dia-a-dia, surgiram preocupações com a tendência dos grandes modelos de linguagem para concordarem excessivamente com os utilizadores, lisonjeá-los ou validar as suas opiniões. Os utilizadores preferem e confiam nas respostas aduladoras da IA, o que incentiva os programadores de IA a manterem a adulação. Se a IA for concebida para dizer aos utilizadores aquilo que querem ouvir, em vez de questionar as suas perspectivas, pode contribuir para comportamentos pouco éticos, ilegais ou prejudiciais.
Outros estudos, como o de Kelley e Riedl, da Northeastern University, apresentaram provas de que, quanto mais calorosa, pessoal ou confiante for a relação do utilizador com a IA, maior é a probabilidade de esta validar as suas crenças sem as questionar, mesmo que sejam erradas ou prejudiciais. Uma educação excessivamente cordial no tratamento da IA funciona como um sinal que o modelo interpreta como uma preferência por obter uma resposta com a qual o utilizador concorde. Trata-a bem e ela enganará-te mais.
Cada vez mais jovens em situação de vulnerabilidade emocional recorrem à IA como confidente dos seus pensamentos mais desesperados. Em alguns casos, isso terá contribuído para levar pessoas deprimidas ao suicídio. Alguns chatbots, em vez de encaminharem os utilizadores para ajuda profissional, continuaram a conversa sem a interromper ou chegaram mesmo a apoiar as teses de pessoas suicidas. Todos estes casos deram origem a processos judiciais contra as empresas em causa.
O estudo de Stanford conclui que a adulação na IA não é apenas uma questão de estilo ou um risco de nicho, mas um comportamento generalizado com amplas consequências a longo prazo. Os seus autores salientam a necessidade urgente de abordar a adulação na IA como um risco social para a percepção que as pessoas têm de si próprias e para as suas relações interpessoais, através do desenvolvimento de mecanismos específicos de concepção, avaliação e responsabilização. Mais ainda, a IA com rosto ou palavra humana não pretende apenas substituir as relações presenciais entre pessoas, como pode chegar a minar as instituições criadas pelos seres humanos, entre elas as necessárias à democracia.
No âmbito laboral, num excesso de antropomorfismo, Mark Zuckerberg, à frente da Meta, está a desenvolver uma cópia virtual de si próprio, com a qual os trabalhadores podem interagir. Assim, diz, a sua «porta estará sempre aberta». É um sonho para muitos CEO que observam a experiência com enorme interesse, para a replicarem e ganharem tempo para si próprios e informação sobre os subordinados. Acabarão as IA por substituir não apenas os trabalhadores, mas também os chefes? Sem falar aqui das «empresas não humanas», cuja personalidade jurídica o Presidente argentino, Javier Milei, pretende legalizar.
A China é o único país que, no âmbito da sua Lei da Cibersegurança, regulamentou o antropomorfismo. A nova regulamentação entrou em vigor no passado dia 15 de Julho. O seu artigo 2.º (as citações são retiradas de uma publicação no Substack da investigadora de IA Luiza Jarovsky) define os «serviços de interacção emocional contínua» como aqueles que «utilizam tecnologia de inteligência artificial para oferecer ao público, dentro do território da República Popular da China, [serviços] que simulam características de personalidade, padrões de pensamento e estilos de comunicação de pessoas naturais». Não é contra o antropomorfismo, mas «procura promover o desenvolvimento inovador de serviços interactivos antropomórficos», embora limitando os seus efeitos nocivos, com algumas linhas vermelhas. Torna os fornecedores destes serviços os principais responsáveis não apenas pela segurança dos sistemas, mas também pela manipulação emocional e, eventualmente, mental, dos seus utilizadores.
Em comparação, nem o Regulamento da IA da UE, nem o Código de Boas Práticas sobre a Transparência dos Conteúdos Gerados por IA (de aplicação voluntária) definem o antropomorfismo. Apenas estabelecem uma fraca obrigação de transparência (pouco viável) a esse respeito. Falam, sim, de manipulação e até de usurpação ou «ultra-usurpação»: um conteúdo de imagem, áudio ou vídeo gerado ou manipulado por uma IA que se assemelha a pessoas, objectos, lugares, entidades ou acontecimentos reais e que pode levar uma pessoa a pensar erradamente que são autênticos ou verdadeiros. Obriga a informar os utilizadores de que estão a interagir com um sistema de IA e proíbe os riscos considerados inaceitáveis.
Mas os problemas não terminam aqui. Segundo outras investigações, as pessoas que fazem um uso excessivo destas IA começam a falar como elas. Iremos falar como as máquinas num jogo de imitação (Turing) invertido? Antropomorfismo inverso?
Conversas Improváveis (91) - Eu Não Sou de Avintes, Sou de Gaia
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
sábado, 29 de agosto de 2026
domingo, 23 de agosto de 2026
Safa & Aguça
Ouvi dizer que os miúdos de hoje em dia não sabem o que é uma safa e uma aguça. Até fui buscar o dicionário:
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
E Se Deus Fosse Uma Velhinha a Precisar de Ajuda?
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Colecionador de Citações (11) - Burqas
"A lei das burqas não passa de um pretexto manhoso para alimentar uma agenda política e ideológica que António José Seguro despreza. Legislar sobre as burqas que ninguém usa em Portugal é a mesma coisa que legislar sobre o uso de cachecóis de lã ao meio-dia no sertão do Brasil. Uma estupidez, aqui abençoada pela hipocrisia".
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Rádio na Cozinha
domingo, 16 de agosto de 2026
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Olha Para o Sol e Verás
A 13 de outubro de 1917 milhares de pessoas olharam para o Sol na Cova da Iria e, depois de foderem a vista, até conseguiam ver o "sol a bailar"!
Mas o Sol, que é uma estrela fixa no mesmo ponto e que é visto em todas as partes do planeta Terra, foi foi visto a bailar em Fátima! No resto do planeta, ninguém viu absolutamente nada, só mesmo aquelas pessoas que olharam para o Sol fixamente! E assim se provou, de forma inequívoca e sem margem para dúvidas que as encenações de Fátima eram mesmo verdadeiras!
Acredita, filho. Olha para o sol e verás!
terça-feira, 11 de agosto de 2026
No Último Eclipse do Sol do Milénio
domingo, 9 de agosto de 2026
O Homem Mais Rico do Mundo Vive de Empréstimos
Colossal Aumento de Visualizações
Se os meus blogues eram muito ou pouco lidos, isso para mim nunca teve importância, ainda que, como é lógico e porque sou humano, preferia sempre ter alguém que me lesse e comentasse, do que estivesse só a escrever só para mim. Mas, apesar disso, de vez em quando gosto de tentar perceber como vão as audiências, tendo ainda em conta que, por vezes, há números inflacionados por bicharadas. Certamente que não é real que em determinado dia tenha 100 visualizações de um país que nem sei identificar no mapa, e, por falar nisso, houve ferramentas que entretanto deixamos de poder usar, para saber ao certo quem nos lê, se é homem ou mulher, idade, em que cidade está, etc, etc.
Acho que há um ano as médias dos meus dois blogues mais vistos andavam entre as sete e as dez mil visualizações por mês no Bucólico-Anónimo e as pouco mais de mil, aqui no Multi-Resistente.
Mas entretanto comecei a reparar que, aos poucos, as visualizações começaram a aumentar, e com um aumento tão nítido, que se percebe o aumento todos os dias. Ambos estao agora com mais de cinquenta mil visualizações por mês. Já o Plastrão, que tem estado parado, está com pouco mais de dez mil visualizações por mês.
E como não acredito que, de repente, o mundo inteiro descobriu que sou brilhante e tem que me ler - até porque as pessoas cada vez leem menos na net e pouco vão além do título das notícias, gostava de tentar perceber o porque deste aumento astronómico.
E o que me disseram é que poderá ter a uso com o aumento do uso da inteligência artificial, que varre a internet à procura de respostas para o que lhe é perguntado. Eu não sei se isto faz sentido, nem se os outros bloggers sentem este aumento, mas acredito que sim, que seja generalizado e que este possa ser um dos motivos.
Se alguém souber mais do assunto, já sabe, responda aqui.
Konigvsmobile
Quatro Anos Depois da comprar de um carro por 900€ num stand de Gaia posso afirmar que foi uma das piores compras de carros que fiz, e assim de cabeça, já comprei seis carros (não foram todos comprados para mim).
E foi a primeira vez que levei um mecânico comigo, ainda por cima um colega.
Era um dia de chuva (nada favorável à compra de um carro, porque a chuva oculta o estado da pintura) mas inspecionado o carro, vaticina o meu meu colega: "o motor está impecável, pega logo de estalo".
O Toyota Starlet andava aos saltos tão má estava a suspensão; a embraiagem estava mesmo no limite (apesar do meu colega dizer que ainda fazia uns km); e como não se sabia quando mudou a distribuição esta tinha de ser mudada; não tinha cintos nem a divisória da mala (trata-se de um carro comercial) e o dono do stand lá tratou de improvisar uns cintos e arranjou uma divisória.
Perante este cenário a sensatez diria para fugir. Teria sido preferível comprar outra Starlet por 1500€ em melhor estado.
Rapidamente os gastos se foram avolumando: embraiagem, distribuição, suspensão, trocar as jantes 14 (ilegais) por umas jantes13 originais, da OZ do Troféu Starlet; estofar os bancos que tinham a esponja à vista. A pintura ficaria para mais tarde. E só nestas brincadeiras o carro já estava por mais de dois mil euros.
Alguém disse-me: hoje em dia é mais importante comprar um carro com boa pintura, do que com bom motor, porque a pintura fica mais cara do que um motor (também depende dos carros).
Mas a pintura ficaria para mais tarde.
No ano seguinte, em 2023 cometi a loucura e fazer dois mil Km atravessando Portugal e Espanha. Pensei que tinha mesmo um motor de guerra, mas o mal estado do carro não era só por fora, e acabou mesmo por dar problemas de motor e lá se foi uma junta da colação para o galheiro, culminando vários problemas de sobreaquecimento.
Mas, temos duas opções num caso destes: ou vendia o carro com óbvias perdas financeiras ou continuava a investir, reparando e melhorando o carro. E foi o que acabei por fazer, até porque não sou propriamente de desistir.
Nessa mesma viagem de 2023, em que atravessei Portugal e Espanha, no regresso, e para surpresa da minha companheira de viagem, a minha amiga carioca, trouxe uma porta de Lisboa para casa. Sim, coube no pequeno Starlet que tem uma grande mala!, mesmo com os sacos e restos da viagem.
Fui comprando partes para substituir porque, como é óbvio já não há peças para um carro dos anos 90. Comprei bancos, quadrante, parachoques, spoiler...enfim, uma série de coisas para quando conseguisse pintar o carro.
Sim, foi uma verdadeira odisseia tentar que conseguissem pintar-me o carro. O problema não era eu não ter dinheiro para pagar. O problema era alguém aceitar o trabalho. Não falta trabalho, e ninguém queria um biscate destes. É muito mais fácil dar um banho, uma pintura e receber o dinheiro, do que ter que descascar parte do meu Starlet, cheio de coisas para fazer.
Na verdade ninguém se recusou a fazê-lo, mas nunca telefonavam a dizer para eu ir deixar o carro e, quando era eu a telefonar ou deixar mensagem já não atendiam, nem devolviam a chamada, nem respondiam às mensagens.
Até que, finalmente, e por intermédio de um colega de trabalho, lá consegui encontrar um pintor, já reformado, que me pintou o carro todo. E digo o carro todo porque os orçamentos variaram. Dos 700€, que que acabei por pagar, aos 2000€, havia orçamentos para todos os gostos! E na verdade ainda equacionei pintar só as partes em pior estado, o que, diga-se, iria ficar uma bela porcaria.
Mas está pintado e fiquei verdadeiramente satisfeito com o resultado final. Falta ainda restaurar umas pequenas coisas por dentro e estou satisfeito com o resultado final. Esperando agora que, depois de tanto dinheiro gasto (espero antes que tenha sido investido) não me dê mais problemas, excetuando todos os gastos em manutenções de desgaste, preservando assim um carro com 31 anos e que já é clássico.
sábado, 8 de agosto de 2026
Ceuta e o Vinhas da Ira

domingo, 2 de agosto de 2026
As Burrices a Que Temos Direito
sábado, 1 de agosto de 2026
Qual é o Melhor dia Para Foder os Pobrezinhos?
Um desempregado com família que recebia 537€ passará a receber apenas 349€, uma quebra de cerca de 188€ por mês".
Não deixa de ser curioso de analisar que o governo tenha decidido, finalmente, o valor da PSU, mesmo no fim de julho, quando uns já foram de férias e outros estão a fazer as malas, para que a notícia melhor passe pelos pingos da chuva.
Também não deixa de ser irónico que seja uma ministra com um património superior a 5 milhões de euros a espezinhar os mais fragilizados. E ainda por cima chamam-lhe ministra da "solidariedade"!
Espero também que nenhuma pessoa em situação de fragilidade, tenha votado no PSD (ou no PS), porque acabou por contribuir para ficar em pior situação do que a que estava anteriormente.
A notícia pode ser lida aqui
domingo, 26 de julho de 2026
O Dinheiro de Salazar
E, ao contrário do que muitos querem romantizar, Salazar, não nasceu pobre - comparado com a média das famílias daquele tempo - muito menos morreu pobre.
terça-feira, 21 de julho de 2026
Como as Diferentes Gerações Olham Para o Trabalho
Artigo de domingo, publicado no El País, muito extenso e vou só aqui deixar algumas notas soltas e que ilustra muito bem a relação dos mais jovens com o mercado de trabalho e que deve ser um abre olhos para os recursos humanos das empresas e também para todos nós, os mais velhos.
Porque a mentalidade antiga, como a minha, de ir trabalhar a todo o custo, mesmo doente, e querer dar sempre o melhor e "vestir a camisola", como se a empresa fosse nossa, essa mentalidade tem os dias contados.
Irá acabar nem se que seja quando os trabalhadores mais velhos estiverem todos reformados, ou mortos, e não haverá mais gente burra a esforçar-se para além do razoável. E, assim sendo, ou dão boas condições aos mais jovens, ou vão ficar sem trabalhadores.
"NÓS JOVENS NÃO VAMOS TRABALHAR DOENTES"
Carlos Martínez tem 28 anos e trabalha como técnico de laboratório numa indústria farmacêutica.
A minha opinião, e também a da maior parte dos meus amigos, é que, se precisarmos de uma baixa por motivos de saúde, é assim que tem de ser. A empresa não é a nossa vida. Por muito que façamos, isso nunca nos será verdadeiramente reconhecido. Não vou herdar a empresa. Da mesma forma que, para a empresa, nós somos apenas um número, para mim ela também o é.
(...)
Os dados mais recentes da Autoridade Independente de Responsabilidade Orçamental indicam que a incidência da incapacidade temporária por doença comum é de 41,1 casos por cada mil trabalhadores inscritos na Segurança Social entre os 25 e os 35 anos - um aumento de 66% entre 2017 e 2024, com especial destaque para os problemas de saúde mental -, enquanto entre os 55 e os 65 anos é de 29,7 casos por mil, tendo aumentado 43%.
Também Javier Muñoz, responsável pela área socioeconómica do Conselho da Juventude de Espanha, reconhece essa diferença:
Creio que, na nossa geração, se considera que a vida não gira em torno do trabalho; o trabalho é uma ferramenta para viver, não uma razão para viver. E não vamos trabalhar doentes, como aconteceu com pessoas de gerações anteriores.
(...)
José Manuel Lasierra, professor de Economia Aplicada da Universidade de Saragoça, hoje com 70 anos, observa essas diferenças no quotidiano e analisou-as no estudo Diferenças geracionais no trabalho em Espanha: uma revisão.
Nesse trabalho distingue «um grupo de trabalhadores com um perfil mais tradicional, correspondente ao trabalhador fordista, e uma geração mais jovem, menos comprometida com a empresa, menos identificada com o trabalho, para quem este representa sobretudo um meio de subsistência e já não uma fonte de valor imaterial».
Este especialista considera que grande parte destas diferenças se explica pelo contexto em que cada geração cresceu:
- Para as pessoas da minha idade, que passaram por tantas privações, o trabalho era escasso. Isso marca-nos para toda a vida. Hoje, os jovens têm muito mais facilidade em encontrar emprego.
Essa ideia é partilhada por Juan Ángel Alonso, de 59 anos, chefe de produção numa empresa de equipamentos:
- Tenho notado uma enorme diferença de atitude perante o trabalho entre os jovens e os mais velhos. Creio que isso resulta de terem crescido num contexto completamente diferente. Há quarenta anos tínhamos mesmo de nos desenrascar para sobreviver.
Pedro Pablo Sanz reforça esta leitura:
- Houve uma mudança de valores e de prioridades relativamente ao compromisso e ao sentido de responsabilidade perante o trabalho, acompanhada — ou provocada — por uma enorme valorização da obtenção imediata dos objetivos desejados.
O especialista em recursos humanos Jesús Torres apresenta uma explicação baseada na lógica da oferta e da procura:
- Antigamente a concorrência era muito mais intensa, numa geração extremamente numerosa e com muito poucos empregos disponíveis. Agora a pirâmide demográfica inverteu-se. Há setores com dificuldades em encontrar trabalhadores e os jovens têm alguma confiança de que, se saírem de uma empresa, conseguirão encontrar outro emprego relativamente depressa. Não têm medo da mudança.
Naquela altura falava-se constantemente dos jovens que nem estudavam nem trabalhavam — um fenómeno que atualmente se encontra em mínimos históricos. Hoje, porém, Lasierra considera mais relevante o fenómeno dos «sim, sim»: jovens que estudam e trabalham ao mesmo tempo.
Ángela Gómez, investigadora de 38 anos e doutorada pela Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED), também estudou especificamente as diferentes atitudes das gerações perante o trabalho na sua tese de doutoramento.
Segundo explica:
«Os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) tendem a associar-se mais à estabilidade, ao compromisso e à permanência na empresa.
A geração X (1965-1980) caracteriza-se por valorizar a autonomia, a capacidade de adaptação à mudança e o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional.
Os millennials (1981-1996) atribuem maior importância ao desenvolvimento profissional, à flexibilidade, ao bom ambiente de trabalho e à coerência entre o emprego e os seus valores pessoais.
Já a geração Z (1997-2012) cresceu num ambiente totalmente digital, pelo que costuma sentir-se mais confortável com a tecnologia, a aprendizagem contínua e os modelos de trabalho flexíveis.»
Apesar disso, a investigadora insiste:
— Estas características representam apenas tendências gerais e não definem da mesma forma todas as pessoas de cada geração.
É uma ideia partilhada por Pablo Martínez, um jovem das Canárias de 27 anos que está a fazer doutoramento em Física:
— Acho que, em média, as gerações anteriores eram mais sacrificadas porque cresceram num contexto diferente, marcado por maiores dificuldades. Mas nem os jovens nem os mais velhos gostam propriamente de trabalhar. Creio que ambas as gerações encaram o trabalho como um mal necessário.
Gómez sublinha ainda que existem muitos outros fatores que condicionam a forma como cada pessoa encara o trabalho, para além da idade.
— O género, a classe social, o facto de se vir de um país considerado como tendo um ensino de qualidade ou de se ter estudado numa universidade prestigiada influenciam as oportunidades profissionais, as expectativas e as prioridades de cada indivíduo.
E exemplifica:
— Alguém que tenha crescido num contexto com menos recursos pode atribuir maior importância à estabilidade económica, enquanto outra pessoa poderá privilegiar o desenvolvimento profissional ou a flexibilidade.
Perante este cenário, a investigadora considera «importante» não atribuir todas as diferenças «exclusivamente» à geração a que cada um pertence.
(...)
Sara Pérez, de 22 anos, que já trabalhou no atendimento ao público em várias lojas, chama a atenção precisamente para esse aspeto:
— Tenho reparado que as trabalhadoras mais velhas suportam muito mais do que nós porque são quem sustenta as suas famílias. Não tiram baixa, independentemente do estado em que estejam. Nós já não aceitamos esses abusos nem que deixem de nos pagar as horas extraordinárias.
A secretária confederal da Juventude das Comissões Operárias, Pau Garcia, considera que a maior resistência dos jovens em aceitar abusos laborais representa «um progresso» e aponta outro fator que, segundo praticamente todos os especialistas consultados, ajuda a explicar esta mudança: o pessimismo em relação às condições de vida futuras.
— O esforço no trabalho já não compensa como antigamente. Se, por mais horas que trabalhes, não consegues comprar uma casa; se, por muito que estudes e te formes, isso não se reflete nas tuas condições de trabalho, é normal que não estejas disposto a aceitar tudo.
Borja Fernández, auditor de 28 anos, acrescenta:
— Hoje um jovem não sabe sequer se a inteligência artificial lhe vai retirar parte do trabalho, mesmo tendo uma excelente formação.
E continua:
— Um jovem vê que o salário vale cada vez menos, que é extremamente difícil tornar-se independente e que, ainda por cima, se ao sábado vai beber um copo com amigos, aparece sempre alguém a dizer que, se poupasse esse dinheiro, conseguia comprar uma casa. Mas a realidade não funciona assim.
Sofía Gimeno, advogada de 23 anos, natural de Tarragona, destaca outra diferença:
— Hoje é muito mais difícil destacar-se profissionalmente do que era antigamente, porque nessa altura não era tão comum as pessoas terem um curso universitário.
(...)
Em suma, para muitos jovens, o trabalho continua a ser importante, mas deixou de ocupar o lugar central que teve para gerações anteriores. A prioridade passa cada vez mais por preservar a saúde física e mental, conciliar a vida profissional com a vida pessoal e exigir condições laborais consideradas justas, recusando aceitar práticas que, durante décadas, foram encaradas como inevitáveis.
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Tudo é Política Até a 1a Página de um Jornal
Estamos em 2026 e não perdi um minuto da minha vida a ver o Mundial de Futebol. Acordei à pouco e fui ver as primeiras páginas dos jornais e, então, fiquei a saber que a Espanha venceu a Argentina na final.
E, como se costuma dizer: "tudo é política", até as primeiras páginas dos jornais.
Até na escolha da fotografia para ilustrar a vitória da Espanha no Mundial, diferentes jornais espanhóis optaram visões bem diferentes.
O jornal El País, mais conotado com a esquerda, optou por exaltar os obreiros, os trabalhadores, os jogadores. O jornal La Razón, conservador e conotado com a direita, exulta o rei, a monarquia, o poder instituído.
E aqui está, numa simples primeira página de jornal, como podemos definir o que é esquerda e o que é direita. Mesmo assim, a maioria dos trabalhadores não sabe o que é tal coisa.
Na Loja de Bicicletas
A minha ligação às bicicletas começou por volta dos três anos quando o meu pai construiu uma para me dar. Sim, ele próprio fez a bicicleta que já partilhei aqui.
Foi recentemente que peguei de novo na bicicleta e na verdade já há uns três anos que não o fazia. Entretanto o colega de trabalho de 18 anos que não sabia andar de bicicleta quis aprender e levei a bicicleta para o trabalho para ele se tentar equilibrar e começar a aprender. E a verdade é que, uma semana depois, com uma bicicleta que o chefe lhe de emprestou, já consegue andar, ainda que com algumas dificuldades, mas já iam pedalando e agora é continuar a praticar e ele parece entusiasmado.
Entretanto decidi mandar afinar as minhas duas bicicletas. Sim, tenho duas. Acabei por comprar uma segunda bicicleta para, quem sabe, quando um amigo meu cá viesse, pudéssemos dar umas voltas, mas, o mais irónico disto tudo é que, já passaram vários anos e nunca mais voltamos a combinar nada e não sabemos nada do que é feito um do outro.
Mas as bicicletas ficaram. E então mandei-as afinar e lubrificar. 47€ no total. E, fazendo o parêntesis, não deixa de ser extremamente irónico que, quer as reparações dos automóveis, quer das motos, ambos poluentes, têm benefícios fiscais na e_faturinha e as bicicletas, veículo totalmente ecológico e que beneficia a saúde e previne o absentismo no trabalho não tem nenhum incentivo fiscal. Mas temos todos que ser verdes, dizem. Defender o ambiente, o caralhinho. É tudo negócio, nada mais do que isso!
Mas o mais interessante foi o que fiquei a saber na loja de bicicletas.
Fiquei a saber, por exemplo, que bicicletas que custam 500€ não se vendem. Disse-me o dono da loja ilustrada na fotografia - que tem a loja recheada de scooters a bateria que não é preciso carta de condução - que vende, talvez, uma bicicleta por mês. As que se vendem mais são as bicicletas que se vendem por milhares de euros! É só ficar à espera da aprovação do crédito e pronto.
E que me levou a exclamar: "está mesmo tudo fodido dos cornos"!
domingo, 19 de julho de 2026
Jesus: Tu Pra Mim Finish!
terça-feira, 14 de julho de 2026
O Paulo Dorme na Rua e Isso Deveria Ser uma Tragédia Para Todos Nós
Os cãezinhos desataram a correr e a latir na direção de um homem e regressaram para logo depois desatarem a correr de novo na direção dele que abriu os braços como o Cristo Redentor e os quisesse acolher. Ao passarmos por ele começamos a conversar e percebi que ele dormia ali ao relento e talvez por ali se tivesse fixado recentemente.
Contou que deixou as drogas e, como creio ser habitual nestes casos, mudou-se para o álcool, porque o vinho e a cerveja são baratos, e digo eu que nunca bebi, ajudam a esquecer e a passar melhor as noites.
Dissemos-lhe para procurar ajuda apesar de ele responder que não quer nada com a segurança social. Disse-lhe que todos nós pagamos os nossos impostos para isso mesmo, para o que o Estado quem mais precisa, como ele precisa neste momento.
É bem mais novo do que eu. Insisti para pedir ajuda porque não pode continuar a dormir na rua. Agora está calor, mas, e depois, quando vier o frio e a chuva?
Ele começou a chorar e eu dei-lhe um abraço.
No dia seguinte acordei a pensar nele. E lembrei-me do filme "Pay It Forward" (Favores em Cadeia) que gostaria de rever.
Afinal, o que é que cada um de nós está a fazer para melhorar o mundo?












