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sábado, 16 de novembro de 2019

dos Lugares no Céu aos Laiques nas Redes Sociais

"Assim que uma moeda tilinta no cofre, uma alma sai do purgatório".

Tenho para mim, e ninguém me tira mesmo da cabeça, que foi a Igreja Católica, de forma pioneira, que inventou o capitalismo selvagem tal como o conhecemos hoje. A basílica de São Pedro não se construía sozinha e era preciso muito dinheiro, e vai daí surgiu a ideia: e se começássemos a permitir que as pessoas cometessem pecados mortais e cobrássemos uma taxa para meter uma cunha a Deus? Todos aprendemos na escolinha sobre a bula das indulgências, no fundo como o pobre endinheirado pecador poderia comprar a sua salvação desde que, claro, pagasse a quantia certa!  

BBC
Entretanto a Idade Média já lá vai à uns tempitos, mas também hoje, em pleno século XXI as pessoas compram a entrada no céu, a sua vida perfeita através das redes sociais. Vem isto a propósito de eu ter estado a ler sobre o Instagram estar já a estudar a possibilidade de banir os gostos e isso estar a deixar muita malta apreensiva porque seria o mesmo que a Igreja da Idade Média passasse a não aceitar avultadas quantias de dinheiro para conduzir à salvação eterna! Porque tudo se compra e tudo se vende. Hoje os utilizadores das redes sociais compram a sua entrada no reino dos céus dos que têm mais laiques e seguidores, comprando gostos e seguidores! Fiquei a saber que cerca de 64% dos influenciadores admitiram que compram gostos!, e dei-me conta também como é que a senhora Dolores é a personalidade portuguesa mais seguida nas redes sociais. Basta comprar não é?, e tendo em conta que o seu filho não recebe o salário mínimo e até pagou a sua própria estátua para se auto-homenagear, ficou claro como água como é que a senhora é a rainha das redes sociais em Portugal, apesar de não lhe ser conhecida qualquer vocação ou especial capacidade física ou intelectual.  

Frequentemente digo que a nossa vida hoje não é assim tão diferente da Idade Média. E a verdade é que as novas Igrejas são agora as redes sociais, onde até um gajo que nem saiba falar pode ser eleito presidente com recurso a exércitos de bots, desde que, obviamente, os possa comprar!

Cada Gosto que cai no perfil, é mais uma vida perfeita que se constrói na rede social. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Se Cada Vez Mais Pessoas Deixam de Fumar - Por Que é que As Tabaqueiras Fazem Cada Vez Mais Dinheiro?

A reportagem é do The Guardian. O que estará por detrás dos grandes lucros, cada vez maiores, das tabaqueiras?

As taxas de tabagismo estão a cair no Reino Unido, EUA e em grande parte da Europa. Quarenta e cinco por cento dos britânicos fumavam nos anos 60 e 70, e em comparação hoje apenas 15%. 
Poderia parecer que isso é uma má notícia para os lucros do cigarros, mas as empresas de tabaco estão a ganhar dinheiro do que nunca. Alegam que não comercializam mais cigarros tradicionais, mas as táticas nos bastidores sugerem o contrário. Leah Green explica como:


Então, o que é que está por detrás dos grandes lucros das tabaqueiras?

- Os lucros continuam a vir dos cigarros tradicionais.

- Fazer cigarros é como imprimir dinheiro. Tem um custo muitíssimo baixo e são vendidos por um preço elevado, e por toda a vida do consumidor, visto que está viciado. 

- Em 2015 as seis maiores tabaqueiras tiveram mais lucros que a Coca Cola, Walt Disney, Fed EX, Google, Mac Donalds e Starbucks todas juntas.

Mas se o produto tabaco mata os consumidores, então como é que se arranjam novos clientes se a publicidade é proibida? 
- Muito fácil! Nas redes sociais fazendo contratos e pagando a jovens "influenciadores" do Instagram para publicarem fotografias enquanto fumam, em determinadas horas e sob determinadas regras, para que fumar pareça de novo uma coisa muito fixe e normal. 

E onde é que se encontram milhões de consumidores que ainda não foram incomodados com campanhas anti-tabaco e com um mundo livre de fumo?
- Claro! Ásia, Índia, Indonésia, África mudando a epidemia de tabaco dos países desenvolvidos para os restantes países. E é muito simples, as tabaqueiras pressionam os governos a não aprovar a legislação que existe na Europa e nos Estados Unidos, e que os proíbe de fazer publicidade, atuando assim livremente. 

A indústria do tabaco é o negócio mais lucrativo da civilização humana, apesar de ser o mais mortífero. 

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Dúvida Existencial 8

Os casais que têm uma só conta nas redes sociais, funcionando duas pessoas como um só siamês, também só têm um número de telemóvel para os dois?

Foto emprestada da net

domingo, 17 de março de 2019

Os Utilizadores do Facebook São Vítimas da Violência Doméstica?



Por estes dias, depois de ter tomado conta do mais recente escândalo facebuquiano, em que, qualquer pessoa, (mesmo não estando registado) dessa rede social, pode, através de várias aplicações, informar o Facebook de dados pessoais como, por exemplo, quando determinada mulher está menstruada ou quando está no período fértil, e depois dessas informações privadas terem sido comprometidas, surgiu-me a pergunta:

Nos dias de hoje, depois de tantos escândalos que se sucedem uns atrás dos outros, será que um ainda utilizador de Facebook não é como uma vítima de violência doméstica que tolera o seu agressor porque acredita, lá na sua cabeça, que o agressor bate-lhe porque gosta de si?



Eu devo ser o último português (ou quase) sem Facebook. Nunca me registei apesar das muitas pressões, e só eu sei pelas pressões por que passei. É que nem se compara às pressões que vou tendo agora para usar um tal de Whatsapp (fui agora ao Google ver como se escreve) porque descobri agora que, afinal, segundo algumas pessoas, enviar e-mails dá muito trabalho! Anexar imagens nem se fala! Mas não sei, talvez com esse Whatsapp baste às pessoas pensarem e as outras pessoas amigas com quem queremos comunicar, recebam de imediato, virtualmente, o que queremos dizer! Se assim é deve ser realmente espetacular! Não dá trabalho nenhum!

Mas entretanto os mais jovens começaram a debandar do Facebook e muitos agora já nem se registam lá ("porque não querem frequentar o mesmo sítio de pais e avós") e, aos poucos, começaram os sucessivos escândalos. O senhor Zuckerberg, qual criancinha que fez uma asneira, teve que dar explicações no Senado americano e no Parlamento Europeu, e ficamos a saber, verdadeiramente, como eram tratados os utilizadores do Facebook, e mais grave ainda, pessoas que, como eu, que nunca sequer lá estiveram registados, mas que, mesmo assim, podem lá ter dados pessoais por causa de pessoas comuns que lá estejam e interajam connosco.

A DECO/Proteste colocou o Facebook em tribunal e as pessoas querem indemnizações. Claro que querem algum dinheiro que venha, contudo, o que eu pergunto é: toda essa gente que subscreveu a petição para ser indemnizada apagou as suas contas de Facebook ou ainda continuam por lá?

E esta semana, todos os sites do senhor Zuckerberg (Facebook, Instagram, Whatsapp) estiveram em baixo. E foi o caos! Houve mesmo uma televisão australiana que pediu à população para não chamar a polícia! Afinal, como é que as pessoas conseguem viver sem redes sociais, sem gostos ou sem cuscar a vida das outras pessoas? Felizmente que foi só um dia, e o Twitter estava a funcionar, senão, certamente iriam acontecer suicídios em massa! 




Será que não poderemos então dizer que os utilizadores do Facebook estão para a internet como as vítimas de violência doméstica para com os agressores? Repare-se que, neste apagão do Facebook, é como se a vítima de violência doméstica, reclamasse por não ter o seu agressor para lhe dar porrada! 
Mas o mais grave é que, uma vítima de violência doméstica, na pior das hipóteses pode morrer; uma vítima do Facebook, se morrer, ainda assim continuará a ter a sua conta por lá, eternamente, a ser interagida pelas outras pessoas. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O Fim do Google+

Pois é, a única rede social, digna desse nome, em que estava vai acabar. Estou a falar do Google+ que apareceu em 2011 para tentar concorrer com as outras grandes redes sociais da altura, mas que nunca se conseguiu impor. 

Eu juntei-me ao Google+ em 2015 porque resolvi, por fim, agregar todas as plataformas do Google, nomeadamente o Blogger (e eu tenho três blogues) o canal do Youtube e, claro, a conta de e-mail do Gmail. Com isso deixei de poder usar primeiro pseudónimo do Blogger "Aquifolivm" e passei a ser o Königvs do Youtube e do Gmail.



Nada é para sempre, muito menos as plataformas eletrónicas. Eu ainda me lembro bem da paranóia com mIRC, com o Messenger (que depois passou a Skype) com o Hi5 e o Myspace.

Como não estou nas redes sociais mais usadas atualmente, não tenho forma de comparar, mas devo confessar que gostava da forma como, além da página principal onde se pode ver tudo que partilho, depois poderia encaminhar cada publicação para a sua pasta respetiva, chamadas "Coleções do Utilizador" e um qualquer seguidor até poderia só seguir determinada coleção que tivesse interesse.

Infelizmente, vinha notando um cada vez maior abandono por parte dos utilizadores e era extremamente desagradável ver tanto spam e tanta pornografia ali escancarada.

Eu usava a rede social mais para mim que outra coisa. Diversos artigos que lia ou que depois queria ler, encaminhava para o Google+, para uma dessas tais coleções, e ali ficava organizado para facilmente depois encontrar e (re)ler. E claro, servia para mim como forma de agregar as coisas que ia publicando e apesar de pouca gente usar, cerca de duzentas pessoas por lá me foram acompanhando.

Ainda assim, por causa do Google+, há precisamente dois anos, desaparecem-me milhares de fotografias do Bucólico-Anónimo algo que me deixou verdadeiramente possesso.

Mas agora que estou órfão (apesar de ainda funcionar) de rede social, talvez seja sirva de incentivo para  ir pregar para outras freguesias. Já há algum tempo andava a pensar no Twitter... já percebi que para algumas coisas o diabólico Facebook também me daria jeito. Não sei. Encontramo-nos por aí. Mas antes tenho de ir ao funeral do Google+. Paz à sua alma.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Rádio Errática

Quarta-feira passada fiquei até mais tarde no trabalho. Na vinda para casa apanhei o programa "Prova Oral" do Fernando Alvim na rádio Antena 3. Este é um programa que não tenho por hábito ouvir, precisamente porque não apanho no carro e não o ouço nem na rádio nem na internet. 

Este episódio versou sobre o Shifter e os seus fundadores, que é um site de informação na net que pretende ser independente, e falou-se genericamente sobre o jornalismo dos dias de hoje. E a determinado momento o apresentador Fernando Alvim diz o seguinte:

"Esta história de nós transmitirmos no Facebook, foi algo que eu no início tive alguma resistência, até porque as pessoas pessoas diziam "porque é rádio, a magia da rádio e tal". Sim, eu de certa forma também achava isso romântico, só que depois de perceber o boost que é teres uma transmissão ao vivo no Facebook e a quantidade de comentários que se multiplicam a cada minuto, tu percebes que seria errático não fazeres isso. É inevitável."



Errático Alvim? Porquê?

Eu também sou dessas pessoas que gosta da magia da rádio, de ouvir uma bonita voz e imaginar quem será que está por detrás dela. E é por isso que se chama rádio e não se chama televisão, vídeo-conferência ou outra coisa qualquer. No fundo o que tu estás a dizer é que fazes rádio porque se te desse a oportunidade de fazer o Prova Oral num canal de televisão mudavas-te logo, como se usasses a rádio para algo maior. Ou estou errado?

A magia da rádio, é por exemplo, eu, de repente, ter começado a ouvir uma mulher nas manhãs da Antena 3, uma tal de Inês Lopes Gonçalves, que me impressionou pela sua inteligência e humor refinado, e ter ficado intrigado porque sabia que conhecia aquela voz de algum lado. E mais tarde lembrei-me que era alguém que eu costumava ver no Canal Q, quando ainda tinha televisão. Só que houve um problema, eu troquei-lhe o corpo. Durante muito tempo fui pensando que era uma mulher magrinha, de cabelo curto e óculos de massa, e mais tarde, porque me cruzei com ela num qualquer telecrã sintonizado na RTP3 percebi que o corpo era outro. E já me disseram que ela anda pelo Cinco para a Meia-Noite... quem sabe comece a cuscar na net.  

Mas é precisamente por isso que se eu fosse radialista nunca que partilharia a minha imagem em lado nenhum. A alma e a magia da rádio é voz. A rádio não é imagem, para isso já existe a televisão. A pessoa que faz rádio vale-se desse único instrumento que são as suas cordas vocais. Se agora se transmite em direto um programa para a internet , nomeadamente para o Facebook (ou outras redes sociais) então isso para mim já não é rádio. Chamem-lhe outra coisa qualquer.

Bem sei que a pressão da imagem e da alimentação do ego é cada vez maior. E é ver os programas todos de rádio no Youtube ou nos seus sites em Podcast, em que a imagem de fundo é agora, quase sempre o corpo do radialista. Afinal, tem de se colocar ali qualquer coisa. Mas também se poderia muito bem colocar ali só o logótipo do programa, não? 

Eu ainda me lembro de um outro programa de rádio que, outrora, fruto de outro horário de trabalho apanhava todas as sextas-feiras na TSF. Esse programava chamava-se e chama-se ainda "Governo Sombra". E eu ainda me lembro muito bem de ouvir de o Carlos Vaz Marques, o moderador do programa, dizer que aquele era um programa de rádio, e que sempre recusou e recusaria qualquer proposta para o levar para a televisão. Mais. Ele até defendia que era precisamente por ser em rádio que aquele programa funcionava tão bem e tinha tanta audiência. Hoje, como todos sabemos, o "Governo Sombra" é um programa que passa na TVI. Está visto que o Carlos Vaz Marques também mudou de opinião e achou que seria errático não se vender e dar o dito pelo não dito. 

Eu sei que as coisas mudam e evoluem e todos temos de nos deixar levar, adaptar ou então resistir. Eu sei que o mundo gira atrás do dinheiro e que se as coisas não dão dinheiro, inevitavelmente deixarão de existir. E sei que as pessoas procuram protagonismo, e procuram mais público, e que tal como disse o Alvim, que seria "errático" não se vender. Mas onde é que fica a coerência no meio disto tudo? Admito perfeitamente que talvez o errático seja eu. Eu também poderia ir para as redes sociais para me promover, promovendo também os meus blogues; na volta ninguém me lê, basicamente porque são uma valente merda, mas eu comecei a escrever para mim, nunca pensei num blogue para tentar ganhar dinheiro ou para tentar mostrar como sou fixe. Talvez o errático seja mesmo eu. Humildemente admito que sim. Bem sei como é bem mais fácil deixarmo-nos levar pela corrente, do que nadar contra ela. Mas eu sou eu, e se eu me vender passarei a ser uma mercadoria. Deixarei de ser coerente e isso não me agrada. 

E será que vale tudo em troca do protagonismo e das audiências? É  mesmo preciso vender a alma ao Diabo? Eu achava que não. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Incendiários do Facebook Anóninos


Portugalex / Antena 1 e Antena 3
Realmente há gente a escrever muito bom humor em Portugal. Genial. 

domingo, 17 de dezembro de 2017

Conversas Improváveis 15

"Elas quiseram tirar uma fotografia e então o que eu fiz foi abaixar-me e ficar bem escondido para ninguém me reconhecer. E tu acreditas que a fotografia foi partilhada, e a minha mulher só pelas sapatilhas reconheceu-me e veio-me logo com aquela conversa que ficou cá a cuidar dos filhos e eu andava lá comer gajas. Facebook? Nunca mais!"



"No Brasil não posso é ir à praia, senão tenho de andar sempre curvado."

"No Brasil não acredito em santinhos. Todos se perdem."


# Brasileiras: uma ciência que desconheço

sábado, 19 de agosto de 2017

Alterações ao Código da Estrada

Já estão a par das novas mudanças ao Código da Estrada? 
É que se não estão é conveniente informarem-se pois já sabe que anda aí a caça à multa. 

As mudanças ao Código da Estrada têm basicamente a ver com as paragens do automóvel nas bichas de trânsito, mais especificamente quando parados no sinal vermelho. 

Até agora, perante o sinal vermelho, o condutor colocava a primeira velocidade e arrancava de imediato. Mas agora deixou de ser assim. É verdade, e é neste ponto que devem ser absolutamente escrupulosos no cumprimento da lei, sob pena de lhes verem ser retirados -4 pontos de um total, que como sabem, de 12 que têm. E já sabem que quando tiverem menos de 5 pontos têm de fazer uma ação de formação. 

Então para evitar a perda de pontos, e toda essa chatice de se submeterem a uma formação, quando pararem num sinal luminoso de cor vermelha, o procedimento correto a fazer é o seguinte:

- Parar ao sinal vermelho e nunca mais olhar para o semáforo. 
- Pegar no telemóvel
- Verificar o E-mail
- Ver se alguém interessante na zona está disponível no Tinder
- Mandar uma foto nua par aquela pessoa com quem andam no engate
- E depois passar o resto do tempo a ver as palermices que se vêem no Facebook
- E só quando ouvirem uma valente buzinadela é que podem voltar a olhar para o semáforo. 
- Mas nada se arrancar logo se seguida. 
- Ainda antes disso podem ver um pouco de um vídeo de gatinhos que alguém publicou.
- E então sim, muito calmamente, engrenam a 1a velocidade, e arrancam lentamente. 



É este o procedimento correto que devem passar a aplicar. A estrada não é para fluir livremente o trânsito. Já não estamos no tempo das cavernas. As estradas são vias de comunicação para estar em contacto com as pessoas que mais gostamos. Se a estrada já era para conduzir enquanto se falava tranquilamente ao telemóvel, agora que as pessoas têm mil-e-uma-coisas-fúteis-para-encher-a-cabeça-no-telemóvel-com-net é para se poder aproveitar enquanto se conduz. 

domingo, 26 de março de 2017

Questionário: O que é que a fotografia do teu perfil diz sobre ti?

Estava aqui a passar os olhos pela imprensa domingueira, sempre tão repleta de entretenimentos ao domingo, e dou de caras com um daqueles pequenos questionários, acerca das nossas imagens de perfil. Muitas vezes estes questionários valem tanto como o horóscopo diário que vem nas revistas, mas ainda assim, tal como nos horóscopos, às vezes também acho piada a alguns destes questionários.

Segundo o questionário, as nossas imagens de perfil das redes sociais, dizem mais sobre nós, do que nós pensamos. E então o questionário coloca-nos as seguintes questões:

1. Com que frequência mudas a imagem de perfil no Facebook?
(A) uma vez por ano (B) várias vezes por ano (C) pelo menos uma vez por mês

2. A foto que tens no Twitter, é (A) uma foto mesmo tua, ou (B) um avatar?

The Guardian (foto Alamy
Resultados:

Se respondeste (A) à pergunta 1, então o mais provável é que sejas extrovertido.

Se respondeste (C)
então o mais provável é seres um introvertido, com (B) pelo meio.

Um estudo do Centro de Segurança Cibernética da Universidade de Warwick descobriu que os participantes com pontuação elevada na extroversão mudaram sua imagem de perfil com menos frequência do que os tipos mais introvertidos: exatamente o oposto do que os pesquisadores esperavam.

Se respondeste (B) à segunda pergunta, então, novamente e de forma surpreendente, és, provavelmente um extrovertido. Se respondeste (A) és introvertido. 
Mais uma vez trocando as voltas ao que seria expectável, os pesquisadores descobriram que os introvertidos são mais propensos a usar uma foto de si mesmos como seu perfil do Twitter do que extrovertidos. Por quê? Só podemos especular, mas talvez introvertidos sejam tipos sérios que usam o Twitter para negócios ou de forma profissional (onde mostrar seu rosto é importante), enquanto os extrovertidos são mais propensos a usar o Twitter para se divertir, escolhendo avatares que representam os seus gostos de uma forma mais brincalhona.

Ora bem, eu gosto muito de psicologia, e por equivalência já devo três ou quatro doutoramentos, mas nem sempre gosto muito de generalizações do género: coças-muito-no-nariz-então-é-porque-te-masturbas-muito! Ou aqueles testes dos borrões (Rorschach) em que no fundo analisa-se as respostas de cada pessoa em função do que uma maioria já disse do que via nos borrões. É óbvio que tem a sua fiabilidade mas acho que nunca poderemos generalizar ou ser taxativos. 

Ainda assim tudo isto é muito curioso, porque eu não estou registado no Facebook nem Twitter, e só isso, segundo os psicólogos já diz que sou, muito provavelmente!, um psicopata!

Mas que poderei dizer sobre mim? 
Bom, no perfil da rede social Google+ (que agrega Blogger e Youtube), uso a mesma imagem desde o início, ou pelo menos, é sempre a imagem de um Bufo-real, avatar que uso, há pelo menos cinco ou seis anos. Ou seja, segundo o estudo da universidade isto afirma claramente que eu sou extrovertido. 

Certíssimo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Conversas Improváveis 8

O Facebook é uma velha chata. Uma hipócrita e cuscuvilheira. 
É uma velha que se quer passar por muito casta, mas que depois anda a foder com o padre às escondidas. E é uma velha que permite tudo. Que se fale mal e se calunie toda a gente, que se dêem notícias falsas atrás de notícias falsas sobre tudo e mais alguma coisa; até que se vendam drogas e trafiquem armas. Mas onde é expressamente proibido mostrar os mamilos.

Via Pinterest

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Fora da caderneta

Ouvia à pouco a notícia na rádio, passam hoje dez anos sobre o aparecimento do Facebook. Por cá, lembro-me que a febre começou bem mais recentemente, há uns quatro ou cinco anos talvez. Lembro-me de ter visto uma reportagem sobre como uma nova rede social estava a viciar, principalmente nas mulheres de meia idade, para um jogo on-line em que plantavam virtualmente uma horta. E é essa ideia que tenho, que inicialmente o Facebook captou o interesse das pessoas para os jogos e muitas as aplicações, porque redes socais, essas já antes existiam muitas, para todos os gostos e feitios. 

Aos poucos e poucos comecei a notar a debandada das pessoas que me eram próximas da rede social onde todos estávamos (Myspace). E estranhamente comecei também a notar, que as pessoas passaram a abdicar de um pseudónimo em detrimento do seu próprio nome, algo que antes nunca tinha visto, pois desde os tempos do mIRC que toda a gente sempre tinha nicknames.
A internet é um mundo de desconhecidos, é como chegar a uma grande cidade e cruzar-me com milhares de pessoas. Na rua, não trazemos o nosso nome escrito na testa, que idade temos, se gostamos de homens ou mulheres (ou dos dois) se estamos casados ou solteiros, para que todos os outros saibam pois não? Mas por que é que teríamos de o escancarar na internet? E tenho ideia que foi com o Facebook que as pessoas também o começaram a fazer.

Eu cresci e vivo num pequeno meio rural, e uma das coisas que algumas pessoas que vivem em meios citadinos sempre me apontaram como uma grade desvantagem, era o facto da cusquice das aldeias. É verdade que nos meios pequenos, as pessoas conhecem-se todas, tratam-se pelo nome, dizem "bom dia" e "boa tarde", preocupam-se e entreajudam-se mutuamente. Noutros casos não é bem assim, mas é como tudo. Ainda assim, as pessoas só podem saber da nossa vida, aquilo que nós lhe contarmos. Basta pensar nos nossos pais. Saberão os nossos pais tudo sobre nós? 
Mas se as pessoas se queixam, que nos meios pequenos tudo se sabe, o que as redes sociais, e em particular o que o Facebook veio provar, é que são as próprias pessoas a quererem ser faladas! São elas mesmas que colocam lá tudo sobre a sua vida pessoal, para que todo o mundo saiba tudo o que elas fazem, e fiquem a saber todos os peidos que dão.

Não, eu não estou, nem nunca estive registado no Facebook, porque nunca achei que aquilo fosse rede social para mim. Confesso que se calhar toda a pressão que tive, por parte dos amigos para me registar foi o primeiro indicador que não o deveria fazer! Quando surgiu a febre eu costumava jantar com um grupinho de amigos e conhecidos. Há vários anos que o fazia. O mesmo restaurante de sempre, os mesmos bares de sempre, a mesma rotina de sábado à noite. De repente ao jantar, em vez de conversarmos sobre os mesmos assuntos de sempre: o trabalho ou a ausência dele, os amores e desamores, a política, o futebol ou a música, não, os meus camaradas passavam todo o santo jantar a falar do que haviam feito durante o dia no Facebook. Comecei-me a perguntar se o melhor não seria eles jantarem cada um na sua casa, e conversarem por video-conferência. Pior, estava sempre a vir à baila o facto de eu ser o único que ainda lá não estava, na nova rede social da moda, e não sabia o que estava a perder. E a coisa começou a atingir níveis de verdadeira pressão "Tens-de-te-registar-no-Facebook". E essa pressão não lhes era favorável, pois eu só faço o que a minha cabeça manda, e não é a "mal" que alguém me obriga a fazer o que não quero. 

Mas como é que eu posso dizer mal se nunca me registei? Simples. Explorei brevemente a coisa, usando a conta de uma outra pessoa que quase não usava aquilo e percebi rapidamente que aquilo não era coisa para mim. Sei hoje perfeitamente, que essa rede social pode ter outros usos, que não para saber exclusivamente da vidinha alheia, mas para mim, pelo menos até ao momento, ainda não senti necessidade de me deixar contagiar.


E por que não me seduziu o Facebook? Simples, porque eu não quero reencontrar pessoas das quais me quis ver livre, e não quero voltar a falar com elas como se nada tivesse acontecido, como se o tempo não tivesse quebrado todos os laços. Porque a amizade é como uma planta que precisa ser cuidada, e quando não se rega morre. Não é um simples "Gosto" que revitaliza uma amizade morta e enterrada. Ou ser reencontrado por pessoas que se afastaram de mim por algum motivo, e agora subitamente, sabe-se lá porquê, já seria de novo a pessoa mais interessante do mundo. Também não quero saber da vida de ex-namoradas, mais, não quero que elas saibam de mim. E quem diz amigos e namoradas diz pessoas da família. Devo ter familiares espalhados pelos quatros cantos do mundo, alguns que se passar na rua nem reconhecerei, mas também não me interessa ser amigo deles na net, porque os laços com a família são sem dúvida importantes, mas como devem sê-lo no espaço próprio que é o mundo real. 

No fundo o Facebook é quase isso, uma reunião de ex-amiguinhos da escola, de ex-namorados, até de vizinhos com quem não se fala, mas fala-se lá. E de familiares a quem se perdeu o rasto. E quem já foi a uma reunião de ex-coleguinhas da escola dez anos depois, sabe bem o que se passa. Quer-se mostrar o quão bem sucedidos fomos, mostrar o melhor carro, uma roupa melhor, no fundo impressionar. E rapidamente percebemos que já não temos nada a ver com aquelas pessoas. Foram pessoas que num determinado momento da nossa vida foram importantes, mas o tempo encarregou-se de apagar os laços. Até porque as pessoas mudam, nós mudamos. E quando as pessoas são verdadeiramente importantes, os laços de amizade não se perdem, passem os anos que passarem, e nem que as pessoas vão para o estrangeiro. Estejam onde as pessoas estiverem, saberão que podem sempre contar connosco, e nós sabemos que podemos contar com elas. 

Depois esta nova rede social, que segundo se diz que ao que parece já está no fim do prazo de validade, também não trouxe nada de novo na comunicação das pessoas. Já existia o correio eletrónico, as mensagens instantâneas, as imagens e o vídeo... No fundo o que veio trazer foi a preguiça. Sim a preguiça. A vantagem de ter tudo ali agregado. Os contactos, os jogos, as mensagens instantâneas. Estava tudo ali, tanto que até comecei a notar que comecei a ficar posto de lado, por parte de alguns "amigos". "Quem não aparece esquece". Quem não está no Facebook não é fixe, porque não pode ver fazer "Gosto" no meu perfil, logo não tem tanto interesse. Mas por outro lado, teve esse aspeto positivo, de servir como que de filtro a quem é verdadeiramente importante ou não. Houve muitas baixas, muitos perderam-se, mas ficou quem sempre foi importante.

A preguiça. Com o Facebook os portugueses passaram a sair à rua, a protestar violentamente contra este governo fascista com um simples clique de rato. E creio que esta terá sido a maior revolução tecnológica que o Facebook trouxe: a preguiça. Basta clicar aqui que já aprovo ou desaprovo o que o coelhinho e o paulinho-das-feiras andam a fazer, e já cumpri o meu dever cívico. 

No fundo, esta rede social visasa agregar as pessoas que se conhecem, os familiares, colegas e amigos, pôr tudo ali, sem dar muito trabalho, no mesmo sítio. Até os contactos telefónicos se ressentiram. É curioso que em muito poucos anos, deixaram-se de se enviar postais por alturas do Natal, para se passarem a receber carradas de SMS, para em muito pouco tempo estas também terem diminuído tremendamente, e aposto que sei quem foi o culpado. Está tudo lá, quem está pois muito bem, quem não está que estivesse, pois se não está é porque não interessa. O mesmo se passa por exemplo nos aniversários. De repente ninguém se lembra do meu aniversário, aposto que no Facebook nunca ninguém se esquece, afinal aquilo tem alertas, e memorizar ou tomar nota dá trabalho. Dá trabalho lembrar-mo-nos dos amigos. Sempre a preguiça. Eu faço o mesmo, afinal as coisas dão para os dois lados, e devem ser recíprocas para o bem e para o mal, também eu faço de conta que me esqueço do aniversário de quem se esquece sistematicamente do meu. 

O problema com as amizades via internet, é que eu quero fazer novos amigos, quero poder estar em contacto com pessoas que tenham, de certa forma, os mesmos interesses que eu, pois para falar com amigos e familiares posso falar com eles pessoalmente, posso-me meter no carro e ir visitá-los. E para isso, para se conhecer novas pessoas via internet, nem sequer é precisa uma rede social, às vezes até um simples Blog pode servir para conhecer novas pessoas, como me aconteceu recentemente.

Eu já fiz muitas amizades na internet. Amizades no verdadeiro sentido da palavra. Arisco mesmo, sem grande risco, a dizer que depois dos trinta, as pessoas mais importantes que conheci e que fazem hoje parte da minha vida, conheci-as pela internet. Na maioria dos casos, sem dúvida que valeu a pena, mas também houve pessoas que preferia nunca ter conhecido. Mas isso é como tudo, podemos conhecer pessoas no dia-a-dia, ficarmos amigos, e depois termos verdadeiras desilusões. A internet é um simples mecanismo de possibilita entrar em contacto com pessoas, depois compete a cada trazer essas pessoas para o mundo real. E eu acho que deverá ser sempre assim que as coisas deveriam funcionar, a não ser claro, quando as pessoas moram a centenas de quilómetros de distância, ou em países diferentes por exemplo, como também já aconteceu comigo. O que não pode acontecer é as pessoas servirem-se da internet como uma muleta virtual, dando uma falsa sensação de companhia, como antes dava a televisão. Socializar não é em frente a um computador, manter as amizades é no mundo lá fora, não é passar horas a fio, todos os dias aqui, como se fosse tudo real. 

O Facebook como já disse, não trouxe nada de novo, já desde os meados dos anos noventa que houve na internet muitas outras coisas com as costas muito largas para o aumento dos divórcios e separações. O Facebook acabará por desaparecer tal como o conhecemos hoje, e entretanto muitas outras "maravilhas" aparecerão. O que não desaparecerá, ou não deveria desaparecer, é a necessidade dos humanos estabeleceram laços de amizade reais. Lembro-me sempre de uma entrevista que passou no programa "Pessoal e Transmissível" na rádio TSF com a Ingrid Bettancourt. Quando perguntada sobre quais as maiores transformações que encontrou no mundo, depois de seis anos e meio sequestrada na selva pelas FARC, sem nada saber do mundo, respondeu que além dos telemóveis, foi a forma como agora as pessoas se publicitavam nas redes sociais. Numa tradução minha mais ou menos literal:

"Estamos a perder aquilo que é a essência da comunicação humana, que é, sentar num café a conversar com as pessoas. Hoje em dia não há tempo para se estar num café a falar com as pessoas, porque estamos sentados num computador, a falar com as imagens virtuais de muita gente. Estamos a perder o contacto pessoal. Pergunto-me como vai ser o mundo amanhã? Quando os jovens perderam a noção do que é perder tempo com uma pessoa a falar com ela. É importante que dediquemos o tempo a coisas profundas, e eu acho que não há nada mais profundo que dedicar o tempo aos outros. Não a si mesmo - porque o problema da internet - é que dedicamos tempo ao nosso ego, a vender-mo-nos, a pôr uma foto bonita no perfil, a publicitarmo-nos da melhor maneira, a criar um espaço virtual onde mostrarmos uma imagem de nós mesmos, da que queremos vender."