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sábado, 30 de novembro de 2019

Por Que é Que Eu Sou Ateu II

"Ficou célebre aquela vez em que os Novos Ateus pagaram anúncios nos autocarros em Londres, e os anúncios diziam, e ainda por cima, como toda a publicidade, eram enganosos: "Provavelmente Deus não existe, por isso pare de se preocupar e Viva a Vida"!

Ora, é quando a gente constata que Deus não existe que se começa a preocupar. Seria menos preocupante se Deus existisse. Eu devo confessar que mais do que não acreditar em Deus eu confesso que não gostaria que existisse. Euu tenho grandes reservas à existência de um ser que exerce sobre mim um poder arbitrário. Um ser omnipotente que é o meu criador e a quem, em última análise, pertenço. Essa hipótese aflige-me um bocado.

Não existindo Deus, como diria um crente mais básico, aquilo que nos resta é "nascer, comer e morrer". 

A vida assemelha-se ao teatro. A gente vai ao teatro, os atores montaram o espetáculo,  cem, duzentas, trezentas pessoas vêem, e aquilo esvai-se no tempo, nunca mais é repetido e acabou. Sim, parece-me que é isso. Eu também tenho bastante mau perder com essa realidade, mas parece-me que o que vi acontecer é que o próprio sol se há-de extinguir e tudo desaparece. 

Eu, creio que, como é público, não sou omnipotente, mas tento que o mundo das minhas filhas seja o mais possível seguro para elas, e eu não vejo que isso lhes limite a liberdade. O facto de Deus não ter tido o mesmo cuidado connosco, no sentido em que de vez em quando vem um tsunami em 1755 e destrói uma  cidade, o Voltaire achou que isso era de facto um argumento muito poderoso contra a existência de Deus, e eu acho que há boas razões para acreditar que isso é assim. 

E qual é que é o sentido da vida para que aqueles que não acreditando, que sentido e que estímulo têm para o bem?

Eu acho que é possível ter um sistema moral independente dele ser proposto por uma divindade. Eu acho que é anterior a Deus a ideia que certos valores são bons e os outros valores não são bons. Eu duvido que quando Moisés apresenta os mandamentos as pessoas tenham ficado surpreendidas com o facto de Deus achar que o homicídio não é uma coisa especialmente boa.  Eu acho que toda a gente sabe isso. 

Em grande medida o sentido da vida que a religião oferece (não é o caso do judaísmo acho eu -  mais uma vez digo, acho que o judaísmo não tem uma ideia muito clara da vida depois da morte) mas o sentido da vida dado pela religião costuma ser esse: há uma vida depois desta, e no fim desta nós respondemos a um exame, e nesse exame alguém chumba e alguém passa, consoante o comportamento que teve aqui. E é esse o sentido.

Um ateu tem passagem administrativa? 

Não. Um ateu não passa para lado nenhum. Passa para o mesmo sítio, acho eu, que estava antes de ter nascido.  E o que eu acho é que, se precisamos de uma recompensa (nesse caso o sentido da vida é dado por essa recompensa, não é) e no final quem se portou bem, quem se portou de acordo com os valores bons tem a recompensa de no final passar o exame e ir para a companhia de Deus e não chumbar e ir digamos para outros sítios menos recomendáveis. Em primeiro lugar, se calhar, o facto de a gente precisar dessa recompensa para  se comportar decentemente tem qualquer coisa de interesseiro. Significa que não teríamos esse comportamento mas como há esse exame mais tarde, precisamos de o ter. E eu acho que não precisamos ter o exame. Mas se é preciso termos uma recompensa, eu acho que se vive melhor tratando bem as pessoas do que tratando-as mal. Mesmo tendo em conta que muitas vezes os maus são premiados e os bons são castigados. 

Ricardo Araújo Pereira - E Deus Criou o Mundo - Antena 1

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

É Por Causa da Religião que os Americanos São Tão Atrasadinhos da Cabeça?


Por vias travessas, sim, para o que me havia de dar!, ontem aterrei a ler uma notícia de um jornal do Alabama, estado que fica no sul dos Estados Unidos (aquela zona mais perto dos Açores) e relativamente perto de um outro estado mais conhecido que é o Texas. A notícia chamou-me a atenção pelo título:

Losing our religion? Faith is part of identity in the South, but it’s changing
Em português qualquer coisa como: "Estamos a perder a fé? A fé é parte da identidade no Sul, mas as coisas estão a mudar".

A notícia começa por nos dizer que não há símbolo mais tradicional no Alabama que nos mostra como é a fé por aquelas bandas, do que aquela enorme placa junto da estrada, e que diz "Vai à missa ou o Diabo te apanhará". 

Um dos traços mais vincados deste Estado é a fé e a religião. No Alabama dá-se graças antes das refeições, participa-se de avivamentos, envia-se as crianças para acampamentos religiosos etc, ou seja, facilmente percebemos que por lá a fé é uma coisa séria, tão séria que colocaram o nome de Deus no dinheiro! "In God We Trust"!

Mas vamos a números. Um estudo de 2014 dizia que:

86% das pessoas no Alabama identificam-se como cristãos
78% são Protestantes de diferentes tipos 
7% são Católicos

82% Acreditam em Deus com "Certeza Absoluta"
12% Acreditam em Deus e estão bastante seguros da sua existência

Entretanto em dez anos:

Ateus: Passaram de 1% para 3%
Agnósticos: Passaram de 2% para 4%
Sem religião: Passaram de 10% para 16%

Eu estou muito pouco interessado na ligeira perda de fé dos habitantes do Alabama e de todos os outros estados todos. O que me chamou a atenção foram mesmo os números impressionantes de crentes por aquelas bandas. Mas para o percebermos melhor comparemos por exemplo com as taxas de crentes deles com a Europa, no caso no intervalo de idades entre os 16 e os 29 anos divulgados no ano passado:



Excluindo os três países mais crentes (Israel, Polónia e Lituânia) na Europa as pessoas que se dizem sem religião vão dos cerca de 40% da Áustria, Eslovénia, Irlanda e Portugal, até aos 91% de ateus na República Checa! 

E agora façamos outra análise. E a religião, tem alguma influência e importância na política americana? Se eu vos disser que todos os presidentes americanos, desde a fundação da nação, de George Washington até ao último presidente Donald Trump, todos eram religiosos responde à pergunta? 


Temos então que a religião nos Estados Unidos é coisa muito séria, como já referi, eles até escrevem nas notas que confiam em Deus! E não importa a religião que tenhas, o que importa é que tenhas fé e acredites em Deus, aquele mesmo Deus que também se acredita cá por estas bandas. 

Agora vejam este vídeo da FOX NEWS, a CMTV lá do sítio que contribuiu para a eleição de Donald Trump, e respondam à pergunta do titulo desta publicação:


E, se nos Estados Unidos são muito tementes a Deus e são todos cristão e boas pessoas, como é que se reflete isso na política? Eles preocupam-se com os pobres e os mais desfavorecidos? Não! De todo! Os Estados Unidos praticam desde sempre o capitalismo selvagem. Têm quarenta e um milhões de sem abrigo! Usam armas, matam primeiro e perguntam depois, uma atitude verdadeiramente cristã diga-se! Um em cada seis americanos não consegue tratar da sua saúde e um estudante universitário quando acaba o seu curso tem um empréstimo de cem mil euros para pagar!

Acho que este é um daqueles casos para dizer, como nós dizemos em bom português:
"Fia-te na Virgem e não Corras"!

sábado, 9 de novembro de 2019

O que é que Haveria de ser dos Ricos e da Religião sem os Pobrezinhos?

"O "pobrezinho"era uma entidade que povoou a minha infância e que recolhia o amparo e o carinho de todos (...) Em todas as "boas" casas da minha meninice meiga e temente cultivavam-se os pobrezinhos, regavam-se com bocadinhos de pão com conduto, com pequenas moedas de cobre, e cultivava-se sobretudo a sua pobreza. Havia a comida dos pobres, a esmola dos pobres, as visitas dos pobres e a sexta-feira, sobre ser diz aziago, era também o dia dos pobres (...) As coisas para os pobres eram objetos intermédios entre o uso e o lixo. Estavam pré-determinadas e correspondiam ainda à dificuldade do desapossamento das coisas, mesmo as que já não servem, que está na base da civilização em que vivemos.

(...) Sinto que, se não houvesse pobrezinhos, a vida espiritual da minha infância teria sofrido uma lacuna tão grave como se não tivesse havido missa (...) Os ricos deliravam com estes pobrezinhos assim cordatos, submissos e respeitadores. Havia muitas espécies de pobres. Quanto ao modo como adquiriam os meios de subsistência, havia os pedintes, os necessitados e os envergonhados (...) quanto à sua conformação psíquica, havia os preguiçosos, os bêbados e os mmaluquinhos propriamente ditos.
Alguns atrasados mentais davam muito jeito numa casa. Faziam pequenos serviços: regar as flores, ir a uma loja certa buscar isto e aquilo. Acomodavam-se aos trabalhos de uma certa estrutura doméstico-provinciana, ganhavam menos, ficava-se muito bem visto (...) Quem não viveu como eu vivi a monotonia dos anos trinta não pode imaginar como estas coisas eram importantes e divertidas. De resto, com alguma razão a avó do Otto Lara dizia: "Boa criada só meio retardada".

(...) Entre o pessoal efetivo das casas e os pobres de pedir havia uma zona intermédia de seres que viviam da esmola mas não eram tratados, nem gostariam, de ser profissionais propriamente ditos. Eram normalmente mulheres, e eram chamadas "meninas" até à decrepitude. Faziam pequenos trabalhos de costura, algumas tinham jeito para bordados, outras faziam bolos (...) Vestiam do vestir que sobejava dos guarda-fatos quando já estava no fio, comiam do comer que sobejava da mesa quando já estava frio.

(...) Toda a minha infância ficou assim povoada de pobres de que estes eram os mais valiosos, porque mais autónomos, alguns mesmo marginais às estruturas, mas havia outros que estavam completamente integrados no nosso status comum em conluiado contraponto.
Todos os que faziam parte do chamado "mundo do trabalho" também eram pobres se se mantinham submissos e respeitadores. Caso contrário eram "bolchevistas". Quando aprendi a palavra  "bolchevista", longe estava de saber que eles tinham tido coisas lá na Rússia com os "menchevistas".

(...) Todo este clima justificava a filosofia do velho Meneses:
"Nosso Senhor acuda aos ricos, que os pobres com qualquer coisa se governam". E era.

Como o mundo dos ricos tinha grandes contestações ao nível da ética tradicional e porque, evidentemente, havia pessoas muito mais ricas que nós, isso dava-nos alguma margem de manobra para singrar entre a riqueza, que implicaria uma série de imprecações em relação aos preceitos evangélicos e não justificava o ritmo de poupança em que estávamos sendo criados e que era o nosso estilo de viver, e a pobreza, que não era manifestamente o nosso estado.
Recorria-se então a um truque  de linguagem: "éramos remediados". A situação de "remedido" era extremamente cómoda porque, sem as dificuldades da pobreza e sem o odioso da riqueza, permitia que vivêssemos de boa consciência o nosso quotidiano privilegiado, sendo certo também que os pobres, desconhecedores destas subtilezas  linguísticas, nos enquadrava, muito justamente no mundo dos ricos, mas nunca nos trouxeram por isso qualquer espécie de dificuldades (...)

Mansos, cordatos, "òmildes", respeitadores, obedientes ao senhor e ao Senhor, por eles não vinha ao mundo qualquer espécie de males. Pretendiam só que lhes fosse permitido viver o seu dia-a-dia da miséria e que lhes assegurassem aquele mínimo que os deixasse subsistir. Em troca, forneciam a boa consciência aos ricos e deixavam até que os poetas os tomassem para pretexto do seu lirismo barato.
A cariente disso. Não, de maneira dosa burguesia tradicional cultivou por tudo isto a pobreza dos outros com um carinho enternecedor. Nunca lhes passou pela cabeça que cabeça que talvez fosse possível acaba com ela ou, pelo menos, tratar muito seriamnenhuma. A pobreza fazia parte integrante do universo económico, religioso e moral dos ricos que encontraram sempre nos pobres a mais devotada das colaborações (...)

Logo que a classe operária teve, nos tais países desenvolvidos, teve acesso aos benefícios do capitalismo, passou a incomodar-se menos com a transcendente missão de que os outros a tinha encarregado e, muito naturalmente, passou a preocupar-se mais com o frigorífico, a televisão e o automovelzinho, que são coisas que dão muito jeito e só quem as tem é que sabe a falta que isso faz (...)

Acresce que as pessoas talvez não se tivessem dado bem conta de que uma sociedade capitalista cria, muito naturalmente, um proletariado de mentalidade capitalista porque os processos, as motivações, os valores, são exatamente os mesmos. Por essa razão, natural é também que tudo assim aconteça: o condicionamento global em que a sociedade capitalista vive não é de molde a dar ao problema uma solução adequada (...)

Foram quase sempre "traidores" da burguesia que criaram as motivações capazes de mobilizar as forças que originaram as grandes mutações sociais (...)

Este tipo de situação que aparece de forma clara na sociedade em geral tem muito naturalmente os seus reflexos na sociologia duma religião que enfiou como uma luva a sociedade burguesa com as suas grandezas e misérias. Em vez de, como esperava, a religião ter modificado as estruturas, foram as estruturas que modificaram a religião. A conveniência dos pobres dos ricos corresponde exatamente à conveniência dos pobres da Igreja. Os mesmos sinais de perigo iminente soltam-se, simultaneamente, dos senhores da burguesia e dos senhores da Igreja, preocupados com "a agitação e a subversão que se pode provocar nos seus queridos pobrezinhos".

terça-feira, 15 de outubro de 2019

do Triste Temor a Deus

"Fui ensinado a viver sem alegria nem otimismo nenhuns. Para a minha infância, minha e de toda uma burguesia ocupante, o sofrimento era a única razão de viver, mas como obviamente, nós não sofríamos lá grande coisa, havia que construir um mundo de sofrimento que justificasse toda uma conceção roxa e quaresmal da vida, quiçá da história. Onde as pessoas se sentiam verdadeiramente bem era depois das Cinzas, até sábado de Aleluia. Na quaresma se realizava, a pretexto da Paixão da Cristo, todo o adequado encontro entre o objeto homem e aquilo para que tinha sido feito: uma vida que era sofrimento e sacrifício. Isso era vivido em cada gineceu familiar. Antes de adiantarmos já trágicas conceções sobre a tremenda dor humana que, por hipótese lisonjeira, pudessem já estar a imaginar sobre o cenário de infância que me foi dado viver, quero desde já esclarecer que esta dor e este sofrimento não tinham grandeza nenhuma. Era uma tristeza geral e emoldurante que se manifestava em coisas mais ou menos ligadas ao aumento do custo de vida, ao pessoal que era cada vez  mais raro e exigente, aos costumes que se dissolviam a olhos vistos: as operárias já iam ao cabeleireiro e gastavam o dinheiro todo em permanentes. Coisas banais e mesquinhas, coisas mesmo inevitáveis como o frio que fazia no Inverno, mormente numa região montanhosa, ou o calor que fazia no Verão, eram imediato pretexto para os ais justificativos da nossa existência sofredora. A melhor notícia que se poderia dar nessa altura era uma desgraça, quanto mais próxima melhor. Um partir de uma perna, um desastre de automóvel, e então uma morte! Daí resultava que as pessoas se sentiam extraordinariamente importantes e realizadas era em dia de pêsames. No morte dum parente próximo cada um se sentia naquilo para que fora feito, talhando-se a jeito para que dissessem: "Ai", fulano. Era a própria imagem da dor!" (pág. 62)

"Peregrinação Interior - Reflexões sobre Deus" - Alçada Baptista (1971)

domingo, 11 de agosto de 2019

Cruzes Canhoto!

Dicionário Porto Editora

Acordei, liguei o computador, e, como é habitual, fui ler as capas dos jornais. Choque e pavor: "Dragão entra com o pé esquerdo no campeonato" lia-se n'A Bola!

Que significa isto? Que o FCP entrou no campeonato a ganhar qual melhor jogador de futebol de sempre, o esquerdino Maradona? Não! porque afinal fiquei a saber que a equipa das Antas perdeu 2-1 em Barcelos. 

Historicamente, e vá lá saber-se desde quando, os canhotos sempre foram perseguidos, descriminados, e até mortos. Mas ainda hoje, em pleno século XXI, em muitos países, continuam a ser vítimas de estigma social, porque, lá está, são uma minoria e como todas as minorias, são descriminados pela maioria. 

Naquele livro que "nunca mente" Jesus senta-se "à direita do pai", e o lado direito é sempre referido como o lado bom, ao passo que, além de ser referido muito menos vezes, o lado esquerdo é sempre referido de forma negativa. E foi por causa da Bíblia que se iniciou esta cruzada contra as pessoas que usavam naturalmente a mão esquerda para fazer as coisas, até porque, por exemplo, os Celtas (povo tão à frente do seu tempo, mesmo à frente deste nosso tempo do século XXI) valorizavam os canhotos porque tinham clara vantagem em combate. E também os Maias e os Incas olhavam para os canhotos de forma favorável. 

Mas por causa dessa interpretação bíblica fundamentalista, a Igreja Católica começou a perseguir quem é diferente, quem usa a mão esquerda para fazer as coisas, e quem o fazia começou a ser conotado com o Diabo! Para a Igreja, ser homossexual, ruivo, preto, ou conhoto é a mesma coisa! Fogueira com eles! E certamente que também muitos conhotos fizeram-se passar por dextros para que sobre si não fossem levantadas suspeitas. Certamente que muito canhoto viveu dentro do armário. 

E muitos outros, mesmo em pleno século XX, como eu por exemplo, foram forçados a ser dextros porque em pleno século XX os professores puniam os canhotos, como se tivessem uma doença venérea! E eu nem sequer nunca soube que era canhoto de origem, até ao dia em que olhei para a forma como descascava uma laranja e perguntei... e sim "quando eras bebé pegavas em tudo com a mão esquerda, mas nós púnhamos-te na mão direita". 

Mas apesar disso ter acontecido na Idade Média!, ainda hoje, gente que até faz da comunicação a sua profissão, como os jornalistas por exemplo, continuam a atribuir a conotação negativa ao lado Esquerdo. Uuuhh cuidado, o Dragão entrou de pé Esquerdo e o Benfica entrou com o "pé direito" no campeonato!

E anda muita gente traumatizada, especialmente aquela malta urbana que vota no PAN e tem cães dentro de apartamentos, que ai-jesus-que-não-se-podem-usar-expressões como "a porca torce o rabo" ou "pegar o touro pelos cornos" mas depois não vejo literalmente ninguém a insurgir-se contra estas descriminações bacocas, que estão tão enraizadas que as próprias pessoas nem notam que estão a descriminar ao usá-las. É mais ou menos como a história de chamar "encarnados" ao Benfica porque o ditador Salazar não queria que se associasse a palavra "Vermelho" à palavra "Vencedor", e o lápis da censura era azul. Mas ainda hoje, os jornalistazinhos, não vá o ditador levantar-se da tumba, referem-se ao Benfica como "encarnados". Pois como disse um certo senhor:


Também não vejo ninguém incomodado com a própria definição que vem nos dicionários. E, se muito se falou em alterar a definição da palavra "Mulher" que estava associada (também por causa da merda da religião católica) ao "sexo fraco", até porque o Deus inventado pelos católicos é machista e misógino, pergunto: não seria também já tempo de retirar a conotação negativa e religiosa da palavra canhoto? 


sexta-feira, 9 de agosto de 2019

A Bíblia Nunca Mente

"Sim... em 2019, com acesso à internet e com o melhor da literatura já produzida em todos os campos até à presente data, ainda tem muita gente a querer guiar as nossas vidas por um livro escrito na idade dos metais...



Por que é que Suicídio é um atentado contra Deus?

Porque a maioria das pessoas, e hoje mesmo, a maioria das pessoas vive em condições sub-humanas, vive abaixo do limiar de pobreza, vive em regime de escravidão ou semi-escravidão, vive com tortura sexual, vive com opressão, perseguição... e a partir do momento que essas pessoas têm o direito de se matar, o poder não se instaura nem se perpetua. Porque nós não podemos exercer o poder sobre alguém que se pode matar. " 

terça-feira, 11 de junho de 2019

O que Deus Uniu Descola Mais Rápido?



Números oficiais PORDATA, hoje, na primeira página do Jornal I:

"Quem casa pela Igreja divorcia-se mais do que quem casa pelo civil".

E temos que ter em conta que, pessoas do mesmo sexo não podem casar (nem divorciar-se) pela Igreja, pelo que vão para o bolo dos casamentos e consequentemente divórcios civis. 

O que eu me pergunto, e seria certamente uma reportagem interessante, era perguntar aos responsáveis da Igreja Católica - o que acham destes resultados?, afinal, segundo julgo saber, pelo menos por aqui na aldeia que há uns anos, quem queria casar pela Igreja Católica, até tinha que fazer um curso de preparação e tudo!, ainda que, esse curso fosse ministrado - ironicamente! - por alguém que nunca soube o que são os desafios de estar casado!

O que é que isto poderá querer dizer? 

Na minha opinião que quem casa pela Igreja, se calhar fá-lo de forma menos esclarecida, se calhar querendo corresponder e ir de encontro a determinadas expectativas, dogmas e pressões familiares, não fosse até corrente que o casamento é a cerimónia dos pais (que muitas vezes a pagam) e não dos dois principais interessados. Mas para mim quer também dizer outra coisa: a completa falência da instituição casamento, até porque, e já aqui falei do assunto: mais de 50% das crianças que nascem em Portugal, nascem fora do casamento.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Conversas Improváveis (34) - Direitos Paroquiais

"Eu sou católico mas há uns anos que não pago os direitos paroquiais por causa do padre. O padre decretou que para entregar o dinheiro, tem que ser à quarta-feira, entre as três e as quatro da tarde. Só nesse horário. E eu ia agora faltar ao trabalho para ir entregar o dinheiro ao padre! 
Como a minha filha é acólita, então eu preparei um envelope com o dinheiro correspondente à minha família para ela entregar ao padre. Certo dia ela levou o envelope e eu estava cá fora a fumar e ouvi o que se estava a passar. Tal como eu lhe disse para fazer ela falou com o padre mas ele de imediato respondeu-lhe que tinha que ser à quarta-feira, entre as três e as quatro. Eu nem acabei de fumar, atirei o cigarro ao chão, pisei-o com o pé, entrei porta adentro, tirei o envelope à minha filha e disse: "filha, como o senhor abade é  muito rico e não precisa do dinheiro, eu levo-o connosco porque faz-nos falta. 


sábado, 22 de dezembro de 2018

Testemunhas de Darwin

Porque hoje é sábado vou levantar o cu da cama e vou por aí anunciando a palavra de Darwin. 
Ou, a palavra de Nietzsche, anunciando a boa nova que Deus está morto!

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

A Mão de Deus que Abençoa a Tortura de Bolsonaro... e dos outros Fachos Todos

Com a aprovação divina, um escravo pode ser surrado até a morte sem punição para o seu dono, desde que o escravo não morra imediatamente.” 

Êxodo 21:20-21


sábado, 21 de julho de 2018

Filhos dum Deus Incógnito

Sempre que eu respondo que a minha visão de Deus é a mesma que a de Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa), recebo sempre, por parte dos partidários (para não dizer fanáticos) da crença religiosa a mesma resposta, o mesmo argumento que não tem ponta por onde se lhe pegue, e voltou a acontecer esta semana:

Mas tu achas que és assim tão importante para Deus vir falar contigo?

Mas que raio de argumento é esse? Se tivessem tido um pai que emprenhou a vossa mãe (ainda que pelos ouvidos!) que cagou literalmente em vocês, que vos deixou sozinhos no mundo, continuariam a adorá-lo e achar que é um Deus todo poderoso que quer o vosso bem? Eu gosto de discutir ideias, mas há que ser minimamente razoável e este argumento é tudo menos racional! É assim que vêem os vossos pais? São sempre os melhores mesmo se vos abandonarem à vossa sorte?

O que eu acho é que Pai não é aquele que faz e deixa abandonado no mundo à sua sorte. Pai é aquele que cuida, aquele que se preocupa. Nem sequer é preciso ser pai para saber isso. Eu não sou pai e preocupo-me com as pessoas de quem gosto. E um pai que faz, mas que deixa ao abandono, e que nem sequer se digna a mostrar-se e a dizer quem é, então vão-me perdoar mas não é um bom pai.

E não é arrogância achar que Deus deveria vir falar comigo porque eu não me acho melhor que ninguém. É simplesmente uma questão de justiça.



domingo, 15 de julho de 2018

Quando as Testemunha de Jeová te Baterem à Porta

Queiram desculpar, mas vocês não estão enganados? Então vocês, que são da religião que em 1966 , no livro "Vida eterna na Liberdade dos Filhos de Deus", anunciaram o fim do mundo para 1975 e afinal o fim do mundo não veio, nem os bons (vocês claro, os escolhidos por Deus!) não foram os únicos que se salvaram e não ficaram num paraíso para todo o sempre, continuam a apregoar o fim do mundo para quê? 
Longe de mim querer contrariar a crença dos cristãos que o planeta Terra só tem seis mil anos, pois se está na Bíblia e se o vosso Deus disse, quem sou eu, que nada sei de religiões, para dizer o contrário, mas a verdade é que, ou vocês andaram a enganar as pessoas, ou então o vosso Deus enganou-vos! Não há uma terceira hipótese! O mundo não acabou em 1975!, mas em 2018 vocês, com grande lata, ainda continuam a apregoar o fim do mundo, que segundo a vossa religião acabaria em 1975! 



"Segundo esta cronologia bíblica fidedigna, os seis mil anos desde a criação do homem terminarão em 1975 e o sétimo período de mil anos da história humana começará no outono (segundo o hemisfério setentrional) do ano 1975 E.C" (página 27)


Vida Eterna na Liberdade dos Filhos de Deus (1966) 


(obviamente este argumento serve para ser usado para outra qualquer religião cristã)

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Ironias Bíblicas

Estamos no ano 2018. Nunca como agora tivemos ferramentas ao nosso dispor para investigar e tentar chegar um pouco mais perto da verdade. Ainda assim, e mesmo sendo o povo muito instruído, e tendo ferramentas ao seu dispor para investigar e se informar, é comummente aceite que os jornais dizem aldrabices. Ou seja, ainda assim, é perfeitamente reconhecido por todos nós que muitos média como jornais e televisões manipulam e mentem.

Há muitos séculos atrás o povo não tinha instrução. Nem sequer sabia ler. E então publicaram-se uns escritos, que mais não são do que cópias de cópias de cópias, porque convenientemente os originais perderam-se todos, e disse-se nesse tempo que esses escritos eram a "palavra de deus" e era para cumprir à risca senão ia tudo arder no fogo do inferno. E o povo, sem instrução e que não sabia ler acreditou. 

Em 2018 aceitamos tranquilamente que, apesar de sabermos ler, de termos bibliotecas,  jornais, revistas, televisões, e podermos confrontar toda essa informação e termos internet à descrição, aceitamos que os média nos mentem. Contudo, ainda assim, mesmo hoje, em 2018, uma grande parte da população, instruída e esclarecida, acredita piamente naqueles conjunto de escritos, naquelas cópias de cópias de cópias de sabe-se lá o quê, e afirma cegamente que aquilo é a "palavra de deus"! 

Em 2018 aceita-se que as televisões mentem. Que os jornais mentem. Mas ai de que diga que há mais de dois mil anos alguém mentiu ou manipulou o povo que nem ler sabia. 



domingo, 28 de janeiro de 2018

Abençoai-me Senhor Abade Que Eu Não Pequei

Ler sobre "pecado" no livro "Anti Cristo" do filósofo Nietzsche, entre outras coisas, tais como a primeira (ou segunda?) namoradinha, muito loira de cabelos naturais (ainda mais que a outra primeira ou segunda) e que estudava num colégio de freiras e andava, aos quatorze anos, a ler o Anti Cristo e queria ir estudar artes para a Soares dos Reis, fez-me lembrar do dia em que pela primeira vez tive de ir ao padre confessar-me antes de fazer a primeira comunhão.

Aos oito anos eu era uma criança extremamente bem comportada, bom aluno, e que, mesmo olhando com os olhos castradores da Igreja, para quem quase tudo é pecado, dificilmente teriam algo com que me ameaçar como fogo do Inferno. Sim, nesse tempo ainda havia fogo do Inferno, entretanto é que a Igreja Católica veio dizer que já não há. Não sei que terá acontecido. Uma coisa é certa, certamente que não foi por falta de clientes que o Inferno fechou o tasco. Má administração também não creio, uma vez que certamente nenhuma empresa encontraria CEO mais ardiloso que Satanás! Talvez nunca ninguém descubra afinal porque diabo o Inferno fechou portas! Estou mesmo em crer que este será mais um dogma da religião católica, e como bem sabemos os dogmas não se questionam, assumem-me como boas ovelhas amestradas e pronto.

Agora não há Inferno mas no meu tempo de criança havia. E tínhamos de nos ir confessar pela primeira vez, depois de dois anos de catequese e antes de fazermos a Primeira Comunhão. E eu lá fui, pela primeira vez ao confessionário, falar com o Padre Alberto, que era careca e usava uns óculos de massa e lentes de fundo de garrafa retangulares. 

"Abençoai-me senhor abade que eu não pequei" era o que lhe podia ter dito. E na verdade não lhe disse nada, tão simplesmente porque eu não tinha pecados para lhe confessar em segredo. 

Mas como a Igreja não admite que uma criança de oito ano não tivesse pecados, de preferência deveria era ter muitos e cabeludos, vim para casa, com o recado que depois me deveria apresentar de novo ao senhor abade, a saber confessar-me devidamente.

Vistas bem as coisas e a esta distância, quem supostamente deveria dar formação sobre como é que uma criança se deve ou não confessar deveria ser o padre e não os pais. O padre é que deveria dar uma lista com todas as coisas que poderiam ser consideradas pecado e as outras (quase nenhumas!) que não o eram. Mas tudo bem. Não houve grande problema. Chegado a casa e depois de ter informado a minha mãe que tinha chumbado nessa prova de mostrar como tinha muitos pecados (acho até que só eu e outro é que "não nos soubemos confessar") a minha mãe rapidamente tratou de elaborar uma bela lista de coisas consideradas "pecado" aos olhos da igreja, para que então, quando me apresentasse de novo ao padre Alberto, já tivesse uma bela lista de pecados para ele ouvir e ver como de facto eu já me sabia confessar devidamente. A ironia disto tudo é que o padre, basicamente o que fez, foi instruir a minha mãe a ensinar-me a mentir-lhe. A religião é mesmo uma coisa linda não é?

Mas agora ainda há outra coisa muito engraçada. Se a Igreja Católica já decretou o fim do Inferno, e infelizmente quando morrer já não irei ser recebido no Inferno por nenhuma Diaba, de chifres, toda boa, que me receba para uma bela orgia - que chatice! - então, porque raio é que as pessoas continuam a ter de se confessar se já não há o risco de irem arder no fogo eterno? Se já não há qualquer temor que seja sobre ser castigado, então para quê continuar ir ao confessionário e a ter de rezar duas ou três Avé Marias para ser perdoado? É muito parvo não é? Acho que a malta lá do Vaticano se esqueceu deste pequeno pormenor...

sábado, 27 de janeiro de 2018

A Invenção do Pecado

"Compreenderam-me. O início da Bíblia contém toda a psicologia do sacerdote. O sacerdote conhece apenas um grande perigo: a ciência - o conceito salubre de causa e efeito. Mas a ciência prospera em geral apenas em condições boas - é preciso ter tempo disponível, importa ter espírito em excesso para "conhecer"... "Logo, é preciso tornar o homem infeliz" -  foi esta em cada época a lógica do sacerdote. Adivinha-se já o que, em conformidade com esta lógica, assim entrou no mundo: o "pecado"... A noção de culpa e de castigo, toda a "ordem moral do mundo" foi inventada contra a ciência, contra a libertação do homem a respeito do sacerdote... O homem não deve olhar para fora de si, deve olhar para si mesmo; não deve olhar para as coisas com sagacidade e circunspeção, como aprendiz, não deve ver absolutamente nada: deve sofrer... E deve sofrer de maneira a precisar sempre do sacerdote. Fora com os médicos! Precisa-se é de salvação. A noção de culpa e de castigo, incluindo nela a doutrina da "graça", da "redenção", do "perdão" - mentiras rematadas e sem qualquer realidade psicológica - inventaram-se para destruir no homem o sentido das causas: são o atentado contra a noção de causa e efeito! E não um atentado com o soco, com a faca, com a franqueza no ódio e no amor! Mas promanam dos instintos mais cobardes, mais astutos e mais baixos! Um atentado de sacerdotes! Um atentado de parasitas! Um vampirismo de sanguessugas pálidas e subterrâneas!... Se as consequências naturais de uma ação já não são "naturais", mas se imaginaram como suscitadas por espetros concetuais da superstição , por "Deus", "espíritos", "almas", enquanto simples consequências "morais", como recompensa, castigo, advertência, meio de educação, então destruiu-se o pressuposto do conhecimento - cometeu-se então o maior crime contra a humanidade. O pecado, diga-se mais uma vez, essa forma de autopoluição do homem par excellence, inventou-se para impossibilitar a ciência, a civilização, toda a elevação e nobreza do homem; o sacerdote reina graças à invenção do pecado. 

O Anti Cristo / Friedrich Nietzsche / 1888

sábado, 20 de janeiro de 2018

Por que é que a Igreja é de Direita se Jesus era de Esquerda?

"Pedro Tercero continuava a ser delgado, com o cabelo teso e os olhos tristes, mas ao mudar a voz adquiriu uma tonalidade rouca e apaixonada com a qual seria conhecido mais tarde, quando cantasse a revolução. Falava pouco e era escuro e rude no trato, mas terno e delicado com as mãos, tinha grandes dedos de artista com que esculpia, arrancava lamentos das cordas da guitarra e desenhava com a mesma facilidade com que segurava as rédeas de um cavalo, brandia um machado para cortar lenha ou guiava o arado. Era o único em Las Tres Marias que enfrentava o patrão. Seu pai, Pedro Segundo, disse-lhe mil vezes que não olhasse o patrão nos olhos, que não lhe respondesse, que não se metesse com ele, e no seu desejo de protegê-lo, chegou a dar-lhe grandes sovas para lhe baixar a grimpa. Mas o filho era rebelde. Aos dez anos já sabia tanto como a mestre-escola de Las Tres Marias e aos doze insistia em fazer a viagem ao liceu da povoação, a cavalo ou a pé, saindo da casinha de tijolos, às cinco da manhã, chovesse ou trovejasse. Leu e releu mil vezes os livros mágicos dos baús encantados do tio Marcos, e continuou alimentando-se com outros que lhe emprestavam os sindicalistas do bar e o padre José Dulce Maria, que também o ensinou a cultivar a sua habilidade natural para fazer versos e para traduzir em canções as suas ideias. 

- Meu filho, a Santa Madre Igreja está à direita, mas Jesus esteve sempre à esquerda - dizia-lhe enigmaticamente entre dois golos de vinho  de missa com que celebrava as visitas de Pedro Tercero. 

Assim foi que um dia Esteban Trueba, que estava descansando no terraço depois do almoço, o ouviu cantar qualquer coisa de galinhas organizadas que se uniam para enfrentar o raposo e o venciam. Chamou-o. 
- Quero ouvir-te. Canta, para ver! - ordenou-lhe. 
Pedro Tercero pegou na guitarra com um gesto apaixonado, acomodou a perna numa cadeira e dedilhou as cordas. Ficou-se a olhar fixamente o patrão enquanto a sua voz de veludo se elevava apaixonada na calmaria da sesta. Esteban Trueba não era parvo e compreendeu o desafio. 
- Aí está! Vejo que a coisa mais estúpida se pode dizer cantando - grunhiu. - Aprende a cantar canções de amor!
- Eu gosto patrão. A união faz a força, como diz o padre José Dulce Maria. Se as galinhas podem enfrentar o raposo, o que detém os homens?

A Casa dos Espíritos / Isabel Allende / 1982

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Publicação Nº 666




"E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas. Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis." (Apocalipse 13)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Gostava de ter sido Eu a escrever isto:



Márcio, deixa eu te contar uma coisa:
Uma vez eu estava andando na rua, e aí do nada apareceu um maluco com uma Bíblia na mão, e ele tacou o livro assim, com toda a força, na minha direção. E aquela Bíblia ia tendo atingido diretamente o meu coração..
- Sabe qual foi a minha sorte?
É que eu estava com um casaquinho, tipo um blazer desses que tem um bolsinho assim, e dentro do bolso tinha uma bala de revolver. Aquela Bíblia teria atingido diretamente o meu coração se não fosse aquela bala. Acredita?

(da série País Irmão)

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O Bode Expiatório

"Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós"


"... E da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes para expiação do pecado e um carneiro para holocausto. Depois Arão oferecerá o novilho da expiação, que será para ele; e fará expiação por si e pela sua casa. Também tomará ambos os bodes, e os porá perante o Senhor, à porta da tenda da congregação. E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma pelo Senhor, e a outra pelo bode emissário. Então Arão fará chegar o bode, sobre o qual cair a sorte pelo Senhor, e o oferecerá para expiação do pecado.
Mas o bode, sobre que cair a sorte para ser bode emissário, apresentar-se-á vivo perante o Senhor, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como bode emissário. E Arão fará chegar o novilho da expiação, que será por ele, e fará expiação por si e pela sua casa; e degolará o novilho da sua expiação. (Levítico 16)

Via Google Images
Nos dias de hoje, bem longe dos tempos hebraicos que a citação acima do Levítico descreve na bíblia, aplica-se a expressão de "Bode Expiatório" para apontar o escolhido, arbitrariamente, que mais convém no momento, para arcar, sozinho, com a responsabilidade de uma calamidade, de um crime, ou qualquer evento negativo, embora não tenha sido ele a cometê-lo. O bode expiatório é muito empregue na propaganda política. Alguém tem de ser degolado, sacrificado, para todos os outros passem incólumes, por entre os pingos da chuva, e para que todos nós sejamos salvos. Ámen.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Castigo Divino: Deuteronómio 5:8



"Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra" (Deuteronómio 5:8 / Bíblia)


Ainda assim eu vou mais pela tese da estupidez no caso da queda do andor em Lousada. Tenho para mim que Deus é demasiado preguiçoso para castigar quem quer que seja.