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sábado, 27 de dezembro de 2025

André Ventura Militava no PSD mas Votava no Partido Socialista


Pergunto-me, genuinamente, eu que não sou psicólogo nem das ciências humanas, o que revelará da personalidade de André Ventura, que, enquanto militava no PSD, e onde esteve 17 anos - bem dentro do sistema do poder - mas que, enquanto isso, votava no Partido Socialista de José Sócrates?


Talvez seja isso o que ele quer dizer quando se farta de dizer que antissistema. Se enquanto esteve no PSD votou no Partido Socialista de José Sócrates, um dia ainda vai confessar que depois de ter criado o CH, votava no Bloco de Esquerda de Mariana Mortágua!

Mas volto à pergunta inicial: o que nos diz sobre alguém que está tantos anos num partido mas depois confessa alegremente que votava no partido rival?

domingo, 14 de dezembro de 2025

A Raposa que Promete Guardar as Galinhas

 O candidato que se diz "anti-sistema", "que não é um político igual aos outros" porque "PS e PSD corrompem a classe política nos últimos 50 anos", é o político que, enquanto trabalhou como inspetor tributário ajudava empresas a fugir ao fisco. É o tal que, enquanto não era deputado criticava os outros deputados que não trabalhavam em regime de exclusividade mas quando se tornou deputado recebia por dois carrinhos. É o político que esteve 17 anos no PSD e que quis ser líder do partido que posteriormente, quando saiu, apelidou de "prostituta política",

Haver quem ache que um corrupto é que vai acabar com a corrupção é o mesmo que achar que um pedófilo é que seria a pessoa ideal para acabar com a pedofilia. Ou, achar que o melhor é pôr uma raposa a guardar o galinheiro







domingo, 7 de dezembro de 2025

A Nova Bandeira de um Portugal que Vai Passar a Chamar-se Beco Sem Saída


Fiquei a saber pela Susana Romana que o André Ventura quer que se mudem nomes de ruas: de “Otelo Saraiva de Carvalho” para “Ramalho Eanes ou Jaime Neves”, e que, com ele, Portugal se passará a chamar Beco Sem Saída.

Ora, eu já tenho um esboço da bandeira e tudo com todo o simbolismo do antigamente. Uma Nossa Senhora de xaile preto a cantar o fado, com um garrafão de vinho pela mão - "Beber Vinho é Dar de Comer a um Milhão de Portugueses" - e em cima de uma bola de futebol, como se fosse uma aparição. 

Fátima, fado e futebol. Não é perfeito para o novo país chamado Beco Sem Saída?

De Manhã na Missa, De Tarde com os Fascistas

Há uns tempos retive o que a minha melhor amiga - que é uma pessoa muito informada no que respeita a política e, ao contrário de mim, acompanha o que se vai passando na televisão - que me tinha dito que o senhor é um perigo e está metido em tudo, além da Igreja, está no comentário político e no futebol e que deveria querer ser o novo Cerejeira.  

Vi hoje no Bluesky mas quis ir confirmar não fosse mentira. Infelizmente é mesmo verdade, e esta imagem, fui eu que a retirei da rede social da criatura. 


Portanto, o chefe dos gajos que de manhã estão na missa a apregoar os princípios comunistas de Cristo - que devemos amar o próximo como a nós mesmos e vender tudo e dar aos pobres - é depois o mesmo que de tarde está com os apóstolos fascistas do Chega que querem matar pessoas. 

Ai Konigvs não digas isso. O Chega não quer matar ninguém!

Não quer? Ora pensa lá um bocadinho:


André Ventura, o quarto pastorinho de Fátima, homem religioso, de fé, e que andou no seminário, não tem qualquer princípio cristão! como aliás, a Igreja Católica nunca teve, e é curioso que eu mesmo já por aqui escrevi contrariando sempre o que vem lá nos livros que, muito alegadamente, são a "palavra de Deus". 

E citando a própria palavra do Deus deles, por exemplo em Corintios 15:33

"Não vos enganeis: as más companhias corrompem os bons costumes"

A minha amiga tinha toda a razão. Esta gentalha que se diz religiosa é muito perigosa, em particular este cardeal. Como se já não bastassem as igrejas evangélicas a apoiar Chega, Iniciativa Liberal e ADN, temos agora também este artista que deve querer ser o novo Cerejeira metido na escumalha do Chega. 

E quantos votantes do Chega não estarão na missa a bater com a mão no peito que amam o próximo como a si mesmo, e de seguida saem e estão nas redes sociais a mandar os indianos para a sua terra? 

Não há maior contrassenso do que ser religioso e apoiar o Chega. Absolutamente nada. 

Cada vez mais tenho nojo da Igreja. 

Jesus Cristo: O Revolucionário Anarquista e a Inversão da sua Política

# A Igreja Sentada à Extrema Direita do Pai

# O Evangelho da Prosperidade

domingo, 23 de novembro de 2025

Queres Enganar Quem, Markl?

Na sexta-feira não se falava de outra coisa no trabalho: o Nuno Markl tinha tido um AVC. E, por curiosidade, fui analisar as fotografias que o homem partilhou na net e rapidamente percebi o óbvio: o internamento do Nuno Markl é falso!

Toda a gente que já esteve internada num hospital (e eu sou especialista porque já estive internado num hospital quatro vezes), sabe que num hospital se acorda de camisa de fato e de relógio no pulso como aconteceu com o bom cidadão de bem André Ventura! Mas queres enganar quem, Markl?

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Até o André Ventura Teria que Trabalhar

"Os patrões preferem não produzir a aumentar salários porque pensam que aumentar salários é coisa estrutural que lhes vai retirar a margem de lucro. Sabotam o seu próprio trabalho. Isso é muito visível por exemplo no caso da hotelaria que se queixava de não ter trabalhadores. Esta argumentação de Ventura não é para diminuir o nº de imigrantes, é uma argumentação para manter os imigrantes na clandestinidade, a baixos salários, muitas vezes abaixo da norma legal e ao mesmo tempo com horários extensivos. Porque AV sabe muito bem que se um milhão e meio de imigrantes fosse embora até o André V€ntura tinha que trabalhar, coisa que ele não está bastante interessado em fazer.

A grande solução, ao contrário do que diz Rita Matias é termos imigrantes com condições dignas de trabalho. Porque se os imigrantes estiverem cá, com os papeis, legalizados, com direitos sociais e com direitos políticos, os salários são mais elevados. Ao serem mais elevados Todos os outros salários também podem subir. Esta é a única forma, porque a forma que ela diz: expulsar alguns imigrantes, tornar a vida dos imigrantes um inferno, que vão buscar crianças à escola, como nos Estados Unidos, estão aí nas ruas como em Portugal a ir às empresas, o que vai fazer é fixar os imigrantes cá de uma forma clandestina e dessa forma eles ganham abaixo da norma de trabalho. Abaixo da norma do trabalho eles pressionam o resto dos salários para baixo". 

Este excerto é de Nuno Ramos Almeida no podcast "Os Comentadores".

domingo, 21 de setembro de 2025

Deus, Pátria, Trafulhice


Do jornalista Miguel Carvalho li o livro Quando Portugal Ardeu sobre o pós 25 de Abril, e das organizações de extrema-direita que andavam a colocar bombas nas sedes do partido comunista, que mataram, por exemplo, o padre Max da UDP. Entretanto publicou outros livros e regressa agora com um livro com mais de setecentas páginas sobre os bastidores do CH. 

"Esta é a investigação que revela a face oculta do Chega.

Com recurso a milhares de páginas de documentos inéditos e largas dezenas de entrevistas exclusivas com fundadores, financiadores, atuais e antigos dirigentes e militantes, Por dentro do Chega é, sobretudo, um retrato do partido por aqueles que o criaram e o fizeram. Sem filtros."

Na promoção ao livro pude ler duas reportagens, uma na Visão e outra no Jornal de Notícias e são alguns desses excertos que aqui deixo, para abrir o apetite para quem quiser comprar o livro ou, em alternativa, a revista Visão ou o Jornal de Notícias de hoje. Comecemos pelo Jornal de Notícias:


BORRADINHOS DE MEDO

"Dos financiamentos escondidos às gravações telefónicas secretas para entalar rivais internos, esta investigação mostra como André Ventura patrocinou exércitos de perfis falsos e purgas internas para criar um Chega unipessoal que sustenta as ambições desmedidas, as vidas abastadas e as madrugadas de copos dos seus mais reputados dirigentes. Pelo meio há guerras religiosas, filiações de imigrantes brasileiros em massa e a tentativa de corrupção de um ministro de Cabo Verde.

"André Ventura e a mulher, Dina, mais um punhado de dirigentes de topo do Chega, numa lancha rápida de Lagos até à cidade marroquina de Tânger, que seria a ponte até ao exílio na Costa do Marfim. O objetivo era Ventura fugir à prisão e contornar, na clandestinidade, a já sentenciada ilegalização do partido em plena pandemia. É com esta insanidade coletiva que começa o livro “Por Dentro do Chega”.

A fuga para Tânger nunca chegou a acontecer, mas o plano existiu e André e Dina chegaram mesmo a refugiar-se “borradinhos de medo” na quinta de luxo de Arlindo Fernandes em Lagos, segundo contou este empresário admirador de Salazar. Arlindo Fernandes subiu a pulso no Chega, mas, como muitos, desencantou-se quando viu um partido podre (...)


O Chega foi fundado em 2019 para “limpar Portugal” e adotou, em 2021, no Congresso de Viseu, o lema de Salazar “Deus, Pátria e Família”, ao qual acrescentou “Trabalho”. A fuga para Tânger é exemplo de como os primeiros três anos seriam encharcados de boatos que eram gasolina para a guerra civil interna. Os telemóveis eram a principal arma e Ventura acabou com a rédea solta. Decretou que quem dissesse mal dele ou do partido, em público ou privado, seria suspenso.


ESFARRAPAR A OPOSIÇÃO INTERNA


"Para agilizar as expulsões sem contraditório, Ventura criou a Comissão de Ética liderada pelo deputado Rui Paulo Sousa que suspendeu ou expulsou mais de 100 militantes, quase todos opositores internos. “Havia decisões tomadas antes de as analisarmos”, revela Carlos Monteiro. Ao fim de dois anos, o Tribunal Constitucional declarou a Comissão de Ética ilegal. Mas o objetivo de esfarrapar a oposição interna já estava alcançado.

Miguel Carvalho não tem “qualquer dúvida” que esse será o trato a dar às oposições se Ventura chegar ao poder. “No Congresso de Coimbra, uma das declarações que ele faz, naquela estratégia de namoro/arrufo com o PSD, é que queria ter quatro pastas e uma delas era o Ministério da Administração Interna. Um partido com estas práticas que tome conta do MAI, ainda que seja só essa pasta, é absolutamente assustador. Nós estaríamos perante a concretização de um Ministério do ‘Big Brother’”

CASOS E CASINHOS

"Muitos dos que se envolveram no Chega, financiadores ou não, desencantaram-se com o partido. Mais de metade dos vereadores eleitos deixaram de se rever na estratégia. Entre os vários entrevistados há sempre um aspeto comum: o Chega pratica dentro de portas aquilo que promete combater fora delas.

Um vasto rol de “casos e casinhos”

Aos vários “casos e casinhos” já conhecidos, Miguel Carvalho junta-lhe outros como o da fatura que Pedro Pinto deixou por pagar nos Bombeiros Voluntários de Beja, a da pensão de alimentos que Rui Paulo Sousa prometeu pagar quando fosse eleito deputado, a das dívidas que Diogo Pacheco de Amorim tinha quando entrou no Parlamento. Vários dos 60 atuais deputados do Chega estavam na lista negra do Fisco poucos dias antes de serem eleitos e outros refizeram a vida com a entrada para o partido.


Entre os mais próximos de Ventura não faltam cadastros iguais aos bandidos que o líder garante combater, sem que os expulse, como promete. Hélio Filipe, que é militante do Chega, guarda-costas de André Ventura e namorado de Rita Matias, foi condenado a dois anos de pena suspensa por espancar e roubar um homem. No mesmo processo, não foi provada a acusação de sequestro e extorsão. Na semana passada, foi o segurança pessoal de Ventura na incursão pela manifestação de imigrantes.


Enquanto controlou as despesas do cartão de crédito do partido, Nuno Afonso contabilizou abastadas refeições para Ventura e os seus mais próximos, com digestivos “à la carte” e estadias em hotéis, além de um carro topo de gama para uso do presidente. As noites de copos em casas de meninas eram conhecidas. Na sede, as noitadas eram umas atrás das outras. “Era um cenário típico de final de noite num bar de terceira categoria”, descreveu Nuno Afonso, também ele autor de um livro sobre os bastidores do Chega (“Ontem éramos o futuro”, 2025).


À “Notícias Magazine”, Miguel Carvalho distingue o eleitor do Chega dos seus dirigentes, pois o partido cresceu à custa de quem se desacreditou ou se sente abandonado pelo sistema político-social e pelos serviços públicos básicos como os CTT, a escola ou o centro de saúde: “Se houver um político que não se cinja às redes sociais e for por esse país fora, de porta a porta, fazer um esforço descomunal, para ouvir e tentar perceber, e que seja absolutamente fiel à palavra dada, aí o Chega não terá grandes hipóteses, nem com redes sociais”.


Até lá, Ventura será o que as massas quiserem que ele seja, como demonstra Miguel Carvalho. Qual camaleão que sempre aparece para salvar as almas do caos das circunstâncias, algumas de fabrico próprio. Ele é, se for preciso, o seminarista mais promissor que deixou de ser padre porque encontrou o amor; o dedicado académico progressista, preocupado com os direitos humanos, que se distingue na sala de aula para agradar aos professores; o mais zeloso inspetor do Fisco e combatente dos paraísos fiscais que mais tarde lhe vão pagar a campanha; o humanitário cronista de jornal que apela a que se acolha “o maior número possível de migrantes” (2015); o enraivecido megafone dos benfiquistas em horário nobre na CMTV; o messias dos crentes, católicos ou evangélicos; o farol dos desencontrados".


REVISTA VISÃO:


"Finalmente, o Chega contrata o alugar de um Renault Talisman 1.5 dCi Zen por 36 meses, para o serviço do líder, a 400 euros mensais. Fernanda Marques Lopes, primeira presidente do Conselho de Jurisdição do partido, viu-o chegar com Luc Mombito (funcionário do Chega) ao volante. “Olha lá, André, compraste um carro para o partido?” O líder explicou: “É renting.” Mas a advogada insistiu: “E o conselho de auditoria não tem de saber?” O líder, sempre, ao longo do livro, e em diversos episódios, com pouca tolerância ao escrutínio interno, começou a impacientar-se: “Sou presidente, posso comprar o que me apetecer, não vou pedir autorização para comprar uma mesa ou um carro!”


SEMPRE A MENTIR


A fuga para a frente, sempre que Ventura é questionado, reflete-se também nos grandes temas. Ainda na semana passada, depois de ser desmascarado na “gaffe dos hambúrgueres”, contra-atacou, falando – mais uma vez, falsamente, como ficou demonstrado – de mais de 1500 viagens do Presidente Marcelo ao estrangeiro. Condenado por difamação no caso da família Coxi (do Bairro da Jamaica, a quem chamou “bandidos”) com sentença confirmada nas instâncias superiores, já após recurso, disse, na AR, em outubro de 2024: “Fui a tribunal sempre que me acusaram de difamação, racismo, discriminação. Venci em todos os processos.” Como sempre, estava a mentir.


Jornal PÚBLICO:


Chega: sexo, mentiras e Deus




Miguel Carvalho recolheu centenas de testemunhas, de dirigentes e militantes do Chega. Muitos, certamente sem conhecerem a teoria de Bannon, apontam essa explicação “Ajudei a nascer o Chega porque acreditei que era algo que Deus queria que eu fizesse. Entretanto, o André revelou-se um Saul e não um David. É um grande actor,” diz Lucinda Ribeiro, a mulher nascida em Meimoa, Penamacor, que organizou o crescimento do Chega nas redes sociais. A seu lado trabalhava outra mulher, de origem social bem diferente: Patrícia Sousa Uva gosta de se chamar a si própria de “dondoca”. O seu testemunho sobre Ventura também revela uma personagem construída: “É uma mistura de padre com chico-esperto do futebol de Mem Martins.”

O grupo que geria as redes sociais de Ventura incluía ainda Gerardo Pedro, de Santarém. “Via-o a ralhar na CMTV, no ‘Rua Segura’, e deixei-me ir naquela conversa, era música para os meus ouvidos…” Hoje, Lucinda, Patrícia e Gerardo deixaram de se rever na personagem. “Sinto vergonha de ter andado nisto. Não é o que quero, nem para a minha filha… Este homem não pode governar o país. Não pode”, diz Gerardo Pedro. Mas o seu trabalho (muitas vezes de sapa, com perfis falsos, montagens e difamações sobre outros políticos) permitiu a Ventura libertar-se da sua ajuda. O líder é a personagem, como revela o livro: 80% dos fundadores do Chega já saíram do enredo (...)

Só na região de Lisboa há mais de mil igrejas evangélicas. As mais pequenas têm menos de 100 pessoas, enquanto as maiores (como a IURD ou a Igreja Maná) organizam muitos milhares. Miguel Carvalho aponta alguns nomes curiosos de congregações: “Assembleia de Deus Fogo para a Europa”, “Igreja Baptista Cristo Vive em Células”, “Igreja do Avivamento em Portugal”, ou “Igreja Evangélica Bola de Neve”.


Estas igrejas são espaços comunitários, raros, nas nossas sociedades, quando quase todas as formas de organização (incluindo a Igreja Católica, os sindicatos, as associações culturais) estão em crise. No início deste século, os evangélicos representavam 5% da população brasileira, sendo agora quase um terço dos 212 milhões de habitantes do Brasil. Ricardo Marchi, observador (muitas vezes participante) do Chega é citado por Miguel Carvalho: “Muitos evangélicos comprometeram-se com o Chega desde o início, compartilhando vídeos e textos de fiéis brasileiros contrários à agenda da esquerda (principalmente política de género e mobilização LGBTQIA+).”

Ventura deixou nas redes o convite: “O Chega é a religião dos portugueses comuns”; “Nós somos como aquelas seitas religiosas: fortíssimos”; “Sou muito religioso e acredito que o que me aconteceu a mim e ao Chega na História de Portugal, desde o meu percurso de comentador até ao Parlamento, é um milagre”; “Quero todas as igrejas cristãs com o Chega. Todas. Sem medo nem preconceito”; “Deus no Comando!”

Em Por Dentro do Chega, Miguel Carvalho detalha as relações de Ventura com magnatas dos media (Marco Galinha e Mário Ferreira), com vendedores de armas, industriais e donos das maiores herdades do país. E, ainda assim, é visto como o político que quer acabar com o “sistema”. Nas páginas de Miguel Carvalho, constatamos que grande parte dos dirigentes, deputados e financiadores do Chega são investidores e negociantes de imobiliário. O preço das casas bate recordes e cria uma crise social profunda, mas o Chega é o partido que mais sobe nas eleições. O próprio André Ventura, imediatamente antes de se dedicar à política, aconselhava candidatos a vistos gold em negócios de compra de prédios. “Ventura provou que não é anti-sistema, é o próprio sistema”, critica uma antiga candidata do Chega em Braga.

(...)

Miguel Carvalho recolheu depoimentos que ilustram este fervor escatológico em Lisboa. A senhora que limpava a sede do partido revela que “por vezes a sede parecia uma taberna! Rasca! Enfrascavam-se de uma maneira… Se esta gente governasse o país, eu emigrava…

CORREIO DA MANHÃ

“Ventura parece ter um beliche nos estúdios de TV”



O Chega esteve envolvido em polémica desde a fundação. O livro explica, com testemunhos em ‘on’, o caso das assinaturas falsas para a constituição do partido. Face às evidências, porque é que este processo foi arquivado?

Não sou eu que devo explicar isso. O Ministério Público fez as suas diligências. E o processo acabaria arquivado, não como o Chega diz, mas apenas porque não se conseguiu identificar a pessoa que decidiu isto tudo, o autor dos crimes. Mas as assinaturas falsas existiram. Estranho, diria até escandaloso, é que André Ventura foi identificado como a pessoa que recolheu grande parte das assinaturas, que pagou a recolha das assinaturas, mas nunca foi ouvido no inquérito.

Há mais casos polémicos no livro...

Sim, e alguns, na minha opinião, têm relevância criminal. Como o das gravações ilegais no partido, por exemplo. Ou como foi feito o financiamento do partido, descrito por pessoas que estavam no centro da ação política do Chega. Mas, lá está, não sou eu que devo fazer essa avaliação. O livro está à venda ao público (...)

A questão das gravações só agora foi conhecida...
É, para mim, a questão mais grave. As gravações ilegais no partido terão surgido para afastar opositores internos. Não sei se as práticas continuam, mas, até 2021, foram feitas, colocando militantes contra militantes, dirigentes contra dirigentes, com a cumplicidade dos dirigentes nacionais. Perante estas práticas, pergunto: como será, amanhã, se o Chega for governo, se tomar conta do Ministério da Administração Interna?

Em 2020, muitos achavam que as minhas preocupações eram distopia. Agora, acho que isso é verosímil. Para mais, quem governa adotou, em parte, a agenda do Chega em vários temas. A AD quase se tornou o braço político do Chega. E o Chega quase se transformou no “braço armado” da AD. O partido de André Ventura anda a promover políticas que, a seguir, a AD vai aplicar. É um sucesso para o Chega.

No livro, critica a forma como a comunicação social levou Ventura ao colo...

Quase parece que Ventura tem beliche nas redações e estúdios das TV. Há uma espécie de “SOS: Chama o Ventura!” quando as audiências estão em baixo.

Hoje há grupos (como o 1143 de Mário Machado) que se sentem legitimados pelo discurso do Chega

E, para mais, isso é masoquista. O Ventura, várias vezes, faz ‘bullying’ aos jornalistas e à própria estação, transformando esses momentos em clips para as redes sociais. É algo que só se explica com o esboroar dos critérios editoriais dos media portugueses.


Acha que o Chega contribuiu para normalizar o discurso de ódio em Portugal?

Claramente. As pessoas começaram a perceber que este discurso de ódio era ‘mainstream’. Dizem: “Se há mais 10, 100, mil pessoas a dizê-lo, então, eu também posso dizer, não devo estar errado.”


No último capítulo do livro, descreve como o Chega é o partido mais popular entre os jovens. É preocupante?

Sim, mas, há uns anos, muitos jovens também achavam que era ‘cool’ ser do BE - que, atenção, tem um projeto político muito diferente do Chega, progressista e humanista –, também por razões disruptivas. No caso do Chega, importa destacar o papel da Rita Matias, que deu muitos seguidores e eleito- res jovens ao Chega. O Ventura e a Rita Matias fazem uma dupla que funciona bem, com aqueles vídeos nas redes sociais, fanaticamente consumidos pelos miúdos. E sempre que a Rita Matias visita uma escola, os alunos entram em ebulição – atrai os filhos das elites, mas também jovens de origens humildes, com um discurso simples, básico, por vezes mentiroso, mas que “entra” muito facilmente (...)


Também há sinais positivos. O que se tem revelado nas escolas é que as miúdas, de forma geral, são menos permeáveis às narrativas do Chega. Regra geral, conseguem refletir mais sobre certos temas – como a sexualidade, feminismo, violência, etc... –, são mais maduras, agem menos em grupo, têm capacidade para pensar pela própria cabeça. Muitas pessoas que trabalham nas escolas acham que este é o caminho para combater o extremismo: o futuro pode começar pelas mulheres.


NOTÍCIAS AO MINUTO



"Um grupo de dirigentes reuniu-se numa casa, em Setúbal, elaborou um documento com imensas perguntas – creio que até ultrapassava a centena – enviadas à direção, em que se questionava o financiamento, o que é que o partido fazia ao dinheiro, porque andavam sempre em jantares e em viagens. Aliás, as pessoas que se reuniram ameaçaram enviar aquilo para o Ministério Público (MP). A ideia de que o partido podia ser investigado e ilegalizado a qualquer momento, ou por supostos financiamentos externos, ou por ter no seu seio várias pessoas que eram oriundas de movimentos neonazis e mais violentos, criou um clima de absoluta paranoia que o Chega vai explorando até aos dias de hoje. O próprio Ventura várias vezes aludiu a situações ou episódios em que achava que o objetivo dos poderes, sejam eles quais forem, era miná-lo, porque ele luta contra o sistema. A ideia de que o partido está permanentemente sob vigilância do regime, à espera de um pretexto para o eliminar, também ajudou a unir internamente, com o tempo.

É a receita de Donald Trump e de Jair Bolsonaro, e viu-se agora também na questão dos hambúrgueres… Onde é que isto nos deixa enquanto jornalistas?

É uma resposta para uma tarde. Achámos, de uma forma geral, que isto nunca nos aconteceria. O próprio António Guterres tinha dito, uns anos antes da eleição de André Ventura, que o populismo nunca venceria em Portugal, porque tínhamos uma tradição imune a isso. Cá estamos. A própria fragilidade da generalidade dos órgãos de informação em termos de recursos humanos, técnicos e financeiros – para mim o pior período do jornalismo em democracia, e já passámos por muitos – não permite ter jornalistas disponíveis, como era normal na fase pré-Internet, a acompanhar quotidianamente um determinado partido, criando fontes, com tempo, confiança. É verdade que não tínhamos um partido como este. Tivemos o Partido Renovador Democrático (PRD). No início, em 1985, também veio com um discurso muito moralista, a falar de cima da burra, como se costuma dizer, em relação ao regime, mas o PRD era profundamente democrático nas suas práticas, e até na sua postura na Assembleia da República. Portanto, achámos que não nos aconteceria, estamos frágeis para acompanhar, estávamos já na altura bastante permeáveis a tudo o que gerasse fogo nas redes sociais e fosse disruptivo. Não parámos para pensar e foi lenha que juntámos.

Quando comecei a acompanhar o Chega, já tinha feito uma reportagem, que também está no livro, por alturas do fracasso do Basta, com jovens de alguns movimentos de extrema-direita, nacionalistas, identitários, a quem Ventura não dizia grande coisa. Eram jovens, dentro daquela área ideológica, bem estruturados, com ideias muito firmes em relação a determinados temas, e isso despertou-me para o Chega. Quando Ventura é eleito, aí sim, dedico-me [ao Chega], mas eu era um privilegiado. Estava numa revista [a Visão] que, apesar de já estar na sua fase descendente, dava-me três meses para andar entretido com aquilo, sem pensar em mais nada. Fazia algumas coisas pelo meio, mais urgentes, mas, quando acabava esse trabalho para a edição X, voltava ao Chega. Quando me perguntaram se queria ficar com isso, eu disse, 'ok, mas preciso de três meses; quero almoçar com eles, quero jantar com eles, quero conhecer isto'. Comecei a ir a tudo o que era eventos. Depois, veio a pandemia. Mantive os contactos telefónicos, mas já com alguma dificuldade, porque alguns não queriam falar ao telefone; estavam paranoicos que o Governo podia ouvir, coisas assim. Retomei quanto a pandemia abrandou pela primeira vez e isso foi absolutamente essencial para chegar a este livro. Na altura, sobretudo a partir da eleição de Ventura, já o Chega começava a contaminar os jantares de família e de amigos, e toda a gente falava disso. Levei muito nas orelhas, não só de colegas, mas de pessoas que acompanham a realidade política, que diziam, 'estás tolo, daqui a uns meses a malta vai perceber que isto não faz sentido nenhum e acaba já ao virar da esquina'. Viu-se.


LA VANGUARDIA:

"Como se fosse um estagiário de si próprio, Miguel Carvalho (Porto, 1970), um dos mais reconhecidos jornalistas portugueses, passou cinco anos a acompanhar o dia a dia do partido do xenófobo André Ventura. Nesta conversa, feita por escrito e por telefone - fruto também de 17 anos de relação pessoal -, enquanto percorre o país, explica que as apresentações do seu livro "Por Dentro de Chega – a face oculta da extrema-direita em Portugal" têm um caráter de terapia coletiva. Em menos de dois meses vendeu 16.000 exemplares de um livro de política com 700 páginas, num país em que o limite do sucesso editorial ronda os 6.000. Será pela magia da Galiza, que tanto adora?

Parece-me tudo um pouco irreal. Creio que a obra interessa porque aborda o fenómeno Chega, e não tanto a figura do seu líder. Há quem o veja como uma espécie de livro de autoajuda, um guia para lidar com familiares ou amigos que votam na extrema-direita.

O que responde a quem lhe pergunta “o que faço, a minha parceira tornou-se chegana”?

Digo que no livro há ferramentas para tentar compreender e semear dúvidas. Dá pistas, mas não é uma solução. Só a estabilidade política - que não existiu, com três eleições legislativas neste quinquénio - e a resolução de problemas estruturais deixarão o Chega sem oxigénio. O partido nasce do descrédito das instituições e dos políticos. Foram eles que criaram esse território de esquecimento e ressentimento, ao encontro do qual Ventura soube ir.

O jornalismo político de Lisboa é de melhor qualidade e menos sectário do que o de Madrid, mas fez de Ventura um gigante quando ainda era um pigmeu.

Assim é. Mas o jornalismo português atravessa a pior crise da democracia, com redações minúsculas e precárias. Sucumbiu à espuma do espetáculo de um líder habituado ao sensacionalismo, fruto da sua experiência televisiva no futebol - como comentador do Benfica - e nos programas de crime. Fizemos de idiotas úteis ao serviço de um discurso que não devia ser notícia, por ultrapassar todos os limites legais.

Não é algo que aconteça só em Portugal.

É verdade, mas nós - uns de forma inconsciente, outros de propósito - quando ele tinha apenas um deputado, demos-lhe um protagonismo muito superior ao que lhe correspondia. Ele sabia como gerir o ruído e contava com o apoio de poderosos interesses económicos. A imprensa enfrenta o Ferrari da extrema-direita com uma bicicleta.

A “futebolização” da sociedade é um terreno fértil para a extrema-direita?

Claro. Em Portugal vê-se com nitidez. Quando a típica discussão tribal do futebol tomou conta das redes sociais, Ventura já a dominava como ninguém.

Um dos seus interlocutores do universo Chega chama Ventura de “Hitlerzinho”, e o livro começa com uma citação do líder nazi. Há um risco totalitário em Portugal?

O Chega é um perigo evidente para a convivência e para os pilares da democracia. O seu líder viola a Constituição todos os dias, com um discurso de ódio, racista e xenófobo. No partido, por exemplo, existem práticas criminosas, como o uso de gravações ilegais como instrumento de coerção interna.

O que sentiu quando o ouviu proclamar em Madrid o seu orgulho pela caçada de Torre Pacheco?

Nada de novo. Apela constantemente à violência simbólica, que por vezes se traduz em ameaças reais e violência física.

Como explica que Ventura tenha transformado ele próprio a sua subida nas autárquicas num fracasso?

Foi devorado pelo seu maior trunfo - a sua condição de catarata mediática -, que o levou a precipitar-se ao anunciar que conquistaria 30 câmaras. Obteve apenas três, mas expandiu-se por todo o território com um bom resultado, que lhe dá a chave da governabilidade em muitos locais. No entanto, arrisca-se também a confirmar e amplificar a perceção de que o Chega não serve sequer para gerir municípios.

Pode chegar a primeiro-ministro, ou o balão está a esvaziar-se?

Já não é uma distopia, como parecia há cinco anos, mas não me parece provável. Se a legislatura fosse interrompida após uma eventual queda do atual governante, Luís Montenegro, teria alguma hipótese.

Porque é que Ventura se candidata às presidenciais de janeiro?

Procura chegar à segunda volta para acumular mais força - graças à sua habilidade mediática - com vista a chegar a primeiro-ministro.

O que representou para si estar cinco anos embutido na extrema-direita?

Contaminou toda a minha vida, para o bem e para o mal. Não me arrependo. Desde o início quis ouvir e tentar compreender, seguindo o caminho que Hannah Arendt nos traçou.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

André: o Diabo Está Nos Detalhes

Chego a casa do treino e tenho uma mensagem da minha colega de trabalho:
- Então o Ventura sentiu-se mal?
Bom, eu não sabia de nada, mas fui logo ao céu (Bluesky) para tentar saber o que se passou. E comentei logo sem me ter inteirado dos detalhes, porque a cartilha da extrema-direita é sempre a mesma, seja com Trump ou Bolsonaro, e já se esperava que acontecesse o mesmo com Ventura. 

Falou-se em ataque cardíaco mas o diagnóstico acabou por ser azia! "Uma doença que está para o enfarte como os rateres da mota estão para os tiroteios" (Jovem Conservador de Direita)

Eu já estive internado quatro vezes em dois hospitais diferentes. Nunca até hoje vi um doente ser internado num hospital público com relógio de pulso e depois acordar de camisa! Se o doente não vai prevenido com pijama de casa, o hospital fornece dos seus.
 
André: se é para fazer uma encenação de vítimazinha estilo facada de Bolsoanro, então faz a coisa a sério, de forma convincente, porque este teatro que fizeste num 13 de Maio saiu quase pior que a encenação que aconteceu na Cova da Iria em 1917. 

É que o Diabo está nos detalhes.



sábado, 26 de abril de 2025

Diga-me lá: é Sonso ou é Hipócrita

Acabei de eternizar esta bela pergunta de Júlia Pinheiro ao quarto pastorinho de Fátima. Todos os acólitos do CH podem já ir a correr comprar. 15€ o primeiro, 6€ os seguintes. Compras superiores a 40€ tem oferta de portes grátis no Azul Pop.



terça-feira, 22 de abril de 2025

O Acólito que Odiava o Papa Francisco

O acólito André Ventura odiava o Papa, mas agora que ele morreu é preciso cavalgar o populismo e dizer que o Papa afinal foi incrível. Lembremos o que disse:

"Eu acho que este Papa tem prestado um mau serviço ao cristianismo. Acho que tem mostrado a esquerda revolucionária quase como heroica e a esquerda europeia marxista como a normalidade. Acho que este Papa tem contribuído para destruir as bases do que é a Igreja Católica na Europa e acho que em breve vamos todos pagar um bocadinho por isso. Isto não tem que ver com a questão direta da homossexualidade que me referiu, mas acho que este Papa tem prestado um mau serviço.



André Ventura adorava tanto o Papa comunista que quando ele esteve em Lisboa para as Jornadas Mundiais da Juventude recusou-se a estar com ele, preferindo ir fazer campanha eleitoral para a Madeira



Só acredita neste traste gente que é burra até dizer chega. 

sábado, 30 de novembro de 2024

Quem é Bolsonaro, Aquele que a Direita Portuguesa Nunca Viu Nada de Errado?

Em 2018 a direita portuguesa não via nada de errado em Bolsonaro - não é, Portas? - tal como finge não ver nada de errado em Trump, acusado de não sei quantos crimes e, mesmo assim, conseguiu fazer-se de novo presidente. Bolsonaro tentou um golpe de Estado, mas fez ainda pior, sabe-se agora que tentou matar Lula, Alckmin e Moraes. 

O que eu também gostaria era que algum jornalista perguntasse ao André, aquele que anda sempre com a corrupção na boca e que a propósito da vinda de Lula da Silva a Portugal disse que "o lugar de bandido é na cadeia", o que tem agora a dizer do seu amigo do peito, Bolsonaro, ao ser acusado de não sei quantos crimes e poder ir bater com os costados trinta anos na cadeia.

Aliás, Ventura vai muito mal de amizades. Bolsonaro bem como Trump acusado de dezenas de crimes e Le Pen viu o Ministério Público acusá-la de cinco anos de cadeia por causa de corrupção. Mas, relembremos quem é Bolsonaro, num artigo publicado esta semana na revista brasileira "Isto É", por Germano Oliveira:



"Jair Messias Bolsonaro, o ex-presidente golpista que autorizou militares próximos a ele na execução de um plano satânico para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, de forma bárbara, com envenenamento, tiros de fuzil, rajadas de metralhadoras, explosões de granadas e outros requintes de crueldade, sempre foi um péssimo soldado das Forças Armadas. O que até dá para justificar que chegou-se a tramar o fuzilamento do ministro do STF diante de suas filhas, em seu apartamento funcional – o magistrado esteve sob a mira de armamentos usados pelos diabólicos Kids Pretos, a unidade de táticas de guerra do Exército em Goiânia.

O ex-capitão praticamente foi expulso da caserna, no final da década de 80, depois de tentar explodir bombas em quarteis, por entender que isso pressionaria os comandantes a liberarem aumentos salariais aos fardados. No julgamento por tribunais militares, acertou-se que ele não seria condenado pelos atos de insubordinação e crimes contra a segurança nacional, mas que deveria deixar a farda. Saiu pela porta dos fundos.

E, assim, o Exército ganhou com sua “expulsão”, mas, infelizmente, a política perdeu com a chegada de mais um parlamentar inútil. Ele se lançou na carreira política, elegendo-se deputado federal pelo Rio. Ficou na Câmara por 28 anos, sem ter apresentado nenhum projeto, embora tenha destacado-se por frases amalucadas, como a que disse contra o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, o tucano deveria ser fuzilado, assim como outros 30 mil “comunistas”.

O tempo passou e ele elegeu-se presidente da República, mais porque Lula, o líder popular, estava na cadeia e o candidato do PT, o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não tinha lá muito carisma. Aproveitando o despertar da direita e dos evangélicos, ele assumiu a presidência e logo lançou-se a soltar asneiras.

Certa vez, bradou aos quatro ventos que era “imorrível”, “imbroxável” e “incomível”. Dizia ser tão macho que teve quatro filhos homens, mas depois “fraquejou” e teve uma filha. Nada mais misógino do que um testemunho como esse. Tanto que, em 2022, perdeu para Lula entre os eleitores do sexo feminino.

Ao sair pela porta dos fundos do governo, como já havia feito no Exército, recusou-se a passar a faixa presidencial a Lula. Segundo o relatório da PF, que o indiciou pelo crime de tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente fugiu para os EUA com medo de ser preso. Agora, transformou-se em “inelegível”,“inescrupoloso” e “indiciado”. Investigado em oito inquéritos, pode ser condenado a mais de 30 anos de cadeia. É o destino de todos os que desafiam o Estado de Direito e o regime democrático. Por sorte, a PF e o STF funcionam com independência.


Recordemos quem é Bolsonaro, noutro artigo, de António Prata, desta feita publicado na Folha de São de Paulo deste domingo:

"Imagina só. É uma história bem doida, tá? Super inverossímil, mas façamos esse exercício mental. Um capitão do Exército, insatisfeito com o salário, faz um plano para explodir quartéis e o fornecimento de água de uma das maiores cidades do país. O plano é descoberto. Sai na Veja: um “croqui feito a mão pelo próprio Bolsonaro que mostrava a adutora de Guandu, que abastece o Rio de Janeiro, e o rabisco de uma carga de dinamite detonável por intermédio de um mecanismo elétrico”.

Imagina que, apesar disso, no Exército - essa instituição que se diz tão ciosa da ordem e da disciplina - o terrorista é absolvido e colocado na reserva. Continua a receber seu salário pago por mim, por você, por sua tia-avó dura que não consegue viver da aposentadoria e pelo resto da população brasileira. Inimaginável né?

Daí, só por um exercício (ou delírio?) mental, imagina que, com esse currículo, o cara concorre a vereador pelo RJ. É eleito. Depois vira deputado federal. Imagina esse cara, a vida toda, dando entrevistas elogiando a ditadura militar. Ou melhor, emendando: “O erro da ditadura foi torturar e não matar”. Imagina ele dizendo na TV que tinha que assassinar trinta mil para resolver o problema do Brasil. 


Sobre a milícia: "Enquanto o Estado não tiver a coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem vindo". Como certas doenças são hereditárias, Flávio Bolsonaro, em 9 de setembro de 2005, concedeu a Adriano da Nóbrega, miliciano, guarda costas de bicheiro e assassino de alugel, a maior condecoração do Poder Legislativo fluminense, a Medalha Tiradentes. O condecorado estava então na cadeia por homicídio. 


Pro presidente da OAB, que teve o pai “desaparecido” na ditadura, Bolsonaro disse: “Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele”. Outro “desaparecimento” sobre o qual Bolsonaro pode saber detalhes é o de Paiva (assistam a “Ainda estou aqui”). 


Em 2014, um busto do Rubens Paiva foi colocado na Câmara dos Deputados. Bolsonaro, diante de toda a família da vítima, simulou uma cusparada na estátua. Repito. Bolsonaro simulou uma cusparada na estátua de uma pessoa assassinada pela ditadura, diante dos filhos e da viúva.




Dois anos depois, no impeachment da Dilma (não importa o que você ache do governo ou do impeachment da Dilma) dedicou seu voto ao torturador dela e de muitos outros. “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. Já tinha dito antes: “Pau-de-arara funciona. Sou favorável à tortura, tu sabe disso”.

Agora, imagina esse sujeito se candidatar a presidente do Brasil. Daí, imagina ele ganhar. Imagina ele enchendo o governo de militares. Imagina ele passando quatro anos falando que as eleições são fraudadas. Imagina que nos setes de setembro ele faça comícios antidemocráticos e bote uns tanques fumacentos para desfilar por Brasília. Imagina que ele diga que só sai do poder preso ou morto.

Pois, tendo imaginado isso tudo, o que vocês imaginam que essa flor de ser humano iria fazer ao perder as eleições? A) Passar a faixa democraticamente ao vencedor? B) Mexer mundos e fundos para dar um golpe de estado e fugir pra Disney? Se as questões da Fuvest fossem tão fáceis, teríamos 100% da população brasileira cursando universidade a partir de janeiro de 2025.

PS.: Bolsonaro é covarde e obviamente vai fugir. Prendam logo".

Mas a direita portuguesa nunca viu nada de "eticamente reprovável em Bolsonaro", não é Portas?



domingo, 13 de outubro de 2024

O Político Mais Corrupto

A silly season de verão já passou, os Jogos Olímpicos também, e os incêndios já lá vão e só quando arderem mais casas ou morrerem mais pessoas, lá regressarão, de novo, os mesmos especialistas de sempre, com as soluções de sempre, mas, ao menos, ainda bem que está de regresso a silly season anual da aprovação do orçamento do Estado (e essa é a grande vantagem de não termos governos de maioria absoluta, uma chatice, com tudo aprovado automaticamente).

Mas relembremos os últimos episódios sobre essa personagem de seu nome V€ntura, com € dos muitos milhões com que é financiado e que não explica a proveniência, o tal que se demitia se ficasse atrás de Ana Gomes nas presidenciais. 

No início V€ntura disse que só negociaria o Orçamento de Estado se fosse aprovado um referendo à imigração

Como ficou a falar sozinho, de seguida afirmou que votaria contra o Orçamento do Estado e essa decisão era irrevogável. Ponto final. Irrevogável a sério e não "como o outro pateta fez há dez anos". 

Já a espumar pela boca devido à sua irrelevância, porque só se fala do romance orçamental entre Pedro Santos e Montenegro, eis que vem dizer que admite viabilizar o Orçamento do Estado!


Nada disto surpreende, só pode mesmo surpreender os idiotas que achavam que ele diz "as verdades"! Mas quais verdades? As que os homossexuais devem arder no inferno ou que os homossexuais são fofinhos e merecem ser tratados condignamente? Que devemos fazer cercas sanitárias a certas etnias ou que os ciganos são fofinhos? Que vota contra taxas às petrolíferas mas depois diz que os seus grandes lucros são imorais e deve ser taxados? Que é preciso aumentar salários mas que depois vota contra o aumento do salário mínimo? Quais verdades?

No meio disto tudo há algo muito curioso. Ocorreu-me, "olha com quem", logo a mim que adoro a língua portuguesa que, o oposto de verme e não ter coluna vertebral - numa palavra: integridade - é desonestidade ou corrupção

Então, o político que tudo diz e diz o seu oposto é o político mais corrupto e mais desonesto. Ironicamente é aquele que anda sempre com a corrupção na boca, afirmando querer acabar com ela!