Para ir buscar mais um punhado de milhões de euros a Bruxelas, e num país que tem dois milhões de pobres e a maioria trabalha, o governo sacando da cartilha da extrema-direita, prometeu criminalizar a pobreza. Esses malandros que no país das rendas "moderadas" de 2300€ recebem 150€ de apoios do estado e depois gastam tudo para "ter BMW à porta"!
Um qualquer arguido, que cometeu um qualquer crime, condenado a pensa suspensa de três ou quatro anos vai para casa, mas um safado dum pobre, vai ser obrigado a trabalhar, de forma "obrigatória" mas "voluntária", sem receber um vintém! Que é para aprenderem, tivessem o mérito de nascer numa família rica que não precisavam de viver de mendicidade do Estado! E mais, vamos criar um canal de denúncias, ao bom estilo nazi, para denunciar esses malandros que vivem à grande com 150€ por mês, num país onde o limiar de pobreza é 700€.
A ideia da PSU começou logo com uma mentira da ministra Palma Ramalho, atirando para o ar sem quaisquer números, que as safadas das mulheres andaram a mentir, amamentando os bebés até à primária para trabalharem menos horas.. Rapidamente foi desmentida: não havia uma única queixa dos patrões contra mães a amamentar. O que há sim, é o contrário, mulheres a serem atacadas por amamentar.
E de ataque em ataque, com um longo processo negocial com os sindicatos, apesar da CGTP, o maior sindicato do país ter sido excluído, e após várias greves, a lei, que previa que doentes com cancro ou deficientes tinham de ser obrigados a trabalhar "voluntariamente", chegou ao parlamento.
E depois de várias piruetas do acólito André Ventura, que tudo e o seu oposto, eis que a bancada parlamentar do CH vota contra a "reforma laboral" que de reforma nada tem, é um mero ataque aos trabalhadores e aos mais desfavorecidos.
Não deixa de ser curioso também, que as eleições legislativas existem - ao contrário do que toda a gente repete - para eleger deputados pelos diferentes distritos e não para eleger o primeiro-ministro, ainda que, na prática seja isso que acontece, ainda que, o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República. Mas afinal, não. Na bancada do CH as pessoas elegeram acéfalos, sem pensamento próprio, que estão ali, no parlamento, não para defender o interesses das pessoas, mas sim para se levantarem ou deixarem estar sentados, consoante o grande e querido líder se levanta ou permanece sentado.
| Raquel Varela |
O Pacote Laboral foi derrotado, pelas greves e manifestações dos trabalhadores. Não cantemos vitória. Enquanto as pessoas se entretêm com o futebol, os nossos direitos vão sendo atacados, dia após dia, e a vida vai ficando mais difícil, dia após dia.
Se tiverem interesse e quiserem saber mais, quer sobre a pobreza em Portugal, quer sobre a PSU, ouçam o debate Consulta Pública da Antena 1, com especialistas e uma pessoa que teve de apoio do RSI. É bastante esclarecedor. Deixo só umas frases soltas:
"Esta postura revela uma enorme falta de sensibilidade social, uma falta de cultura democrática e desvalorização total destas pessoas. Este governo diz assim: quem trabalha e dá lucro merece respeito, o resto é lixo.
Carla que teve apoios do Estado (RSI): "Lutei mto para a minha filha ter um mestrado e trabalha na área que estudou. E hoje está a ganhar mais 100€ do que eu (1100€). Os jovens são o futuro e estão desacreditados. Esforcei-me em trabalhos forçados por ela, para agora estar a ganhar 1100€. Como é possível com 1100€ ela ter uma vida e orientar-se? Ela tem 31 anos, como é que ela vai ser mãe? Se os jovens são o futuro, então nós temos que apostar mais neles.
"Imagine uma pessoa que depende do carro para trabalhar e fica com um problema de saúde durante um ano. Fica sem qualquer rendimento. Vão comer o dinheiro do carro e depois quando estiverem em condições de entrar no mercado de trabalho não podem porque não têm carro para trabalhar".
"Neste processo de demolição social também podemos encontrar aqui uma oportunidade positiva. Uma oportunidade para dizer agora aos pobres no atendimento: "continuem a votar nestes senhores que eles são muito vossos amigos".
"A primeira mentira: O Estado gasta um dinheirão com o RSI. Queridos amigos, o RSI representa 0,3% da despesa pública da Segurança Social para apoiar 156 mil famílias.
Segunda mentira: preferem viver do RSI do que trabalhar. Os meus utentes morreriam à fome com o RSI e não articulassem uns biscates".
Recomendo também o texto de José António Pinto, no Público:
"Sra ministra, os meus utentes estão fartos de esmolas, humilhação e perseguição política. A esmagadora maioria dos beneficiários do RSI já são forçados a acumular o rendimento mínimo com o trabalho dos biscates. Se ficassem no café à espera do carteiro que trás o vale da Segurança Social morriam à fome.



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