Sou relativamente experimente a ver terminadas as minhas relações e a porem-me uns patins Já terminaram comigo fazendo de conta que eu era a pior pessoa do mundo, para eu me chatear e fazer a pergunta sacramental. Já terminaram o estágio dizendo-me que apareci na sua vida para perceber que ainda há homens bons; e já terminaram não terminando, manifestando só intenção de ficar no seu canto, anos a fio, até hoje, sem eu propriamente nunca ter percebido porquê. Atualmente, estou em crer que, ao menos, não terminará comigo deixando de me seguir no Instagram. Até porque não me segue!
"Antigamente, quando alguém queria terminar um namoro, marcava um cafezinho ou um encontro num jardim e depois justificava-se perante a cara-metade que estava a deixar de o ser: “Desculpa, mas já não dá. A nossa relação entrou numa rotina e já não sinto por ti aquilo que sentia no início. Julgo que é melhor para os dois separarmo-nos agora. Acho que podemos continuar a ser amigos, mas não mais do que isso.” Perante isto, a parte que não tomou a iniciativa da rutura respondia com um seco: “OK, também acho melhor. Ainda bem que disseste isso, porque eu penso exatamente o mesmo”, enquanto o seu cérebro fervilhava com exclamações contundentes: “Filho(a) da puta, espero que o gajo(a) com que te cases te faça cornudo(a)… também não valias um chavelho na cama…”.
Agora já não se gasta dinheiro no café nem solas dos sapatos para caminhar até ao jardim. Aliás, os namorados nem precisam de falar para deixarem de o ser. Neste admirável mundo novo, a separação efetiva-se através de um “deixei de o(a) seguir no Instagram”. É instantâneo".
Paragrafino Pescada / Weekend

Sem comentários:
Enviar um comentário