"Não lhe chames desporto.
Chama-lhe um estabilizador de humor para o império.
Onze homens correm. Mil milhões de olhos obedecem.
O ecrã ilumina-se. A bandeira ondula. O patrocinador sorri.
Trump consegue a sua oportunidade para a fotografia. A FIFA recebe a sua parte.
As plataformas ficam com os dados. As empresas cervejeiras ficam com os cânticos.
Os bancos ficam com o logótipo. As empresas tecnológicas ficam com a transmissão.
A classe dos bilionários obtém a única coisa de que sempre precisa:
A tua atenção.
Tu sabes isto.
Sabes que o espetáculo está envenenado.
Sabes que o estádio é um painel publicitário.
Sabes que o jogo é uma máquina de branqueamento.
Sabes que tudo isto transforma a alegria em obediência.
E, ainda assim, quando o árbitro apita para o início, pegas no comando da televisão.
Essa é a política do nosso tempo:
«Eu sei, mas...»
Eu sei, mas adoro o jogo.
Eu sei, mas preciso de uma pausa.
Eu sei, mas toda a gente vai ver.
Eu sei, mas uma pessoa não faz diferença.
«Eu sei, mas...» é o hino do consumidor derrotado.
Não do oprimido.
Do confortável.
O radical confortável.
O antifascista que vê tudo por streaming.
O anticapitalista que recebe encomendas da Prime.
O revolucionário alimentado pelo algoritmo.
A pessoa que quer um mundo novo, desde que carregue em alta definição.
A máquina não precisa que acredites nela.
Só precisa que a vejas.
(Texto traduzido de uma publicação da revista Adbusters no Instagram. Imagem gerada por IA)

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