"Quando a criança está exposta ao ecrã ela está numa atitude passiva. O ecrã não lhe vai responder. O ecrã não vai motivar a comunicação. Não há tomada de vez no ecrã. A criança não fala e o ecrã responde. Não há esta reciprocidade e, mesmo que ela fale, é numa repetição eventual daquilo que está a ver e portanto deixa de ser num contexto comunicativo.
Por outro lado, em relação à qualidade daquela exposição, aquilo que nós estamos a fazer quando as crianças estão em frente ao ecrã, e na maior parte dos conteúdos nós temos passagens muito rápidas, de flash de imagem para flash de imagem, o que é que nós estamos a treinar o cérebro da criança a fazer? É a ter tempos de atenção curtíssimos. E, às vezes, nós temos pais que nos dizem; "ah, mas ele até tem um tempo de atenção grande porque consegue estar uma hora em frente ao ecrã". Aquela hora que ele está em frente ao ecrã, ele viu um número infindável de flashes e a atenção daquela criança não é de uma hora, é daqueles flahses todos pequeninos.
Portanto, quando ela passa para uma atividade de mesa, por exemplo, fazer um puzle, fazer plasticina, para brincar até com umas bonecas no chão, rapidamente se aborrece porque ela não está habituada a que sejam atividades mais longas. E isto depois tem um impacto muito grande, neste tempo de permanência na tarefa, que depois vai também consequentemente impactar a capacidade que essa criança tem de aprendizagem quando for para a escola, e isso é um problema que se vai adensar quanto maior a criança for.
Duas de Prosa (Podcast) Episódio 89 - de 12 mai 2026 - RTP Play
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