"A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão."
sábado, 6 de junho de 2026
Colecionador de Citações (5) - A Ideia de Explorar os Pobres é Muito Antiga
sábado, 18 de abril de 2026
Um Terço é Para Morrer - O Sonho de Passos Coelho
Encontrei este texto de José Vítor Malheiros publicado no Público em 2012 nos rascunhos do e-mail. E ali esteve estes últimos 13 anos, para o decidir partilhar agora mesmo por ser tão atual:
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Fiai-vos no Adivinhador de Palavras
Sim, aquilo a que chamam "inteligência artificial", nada mais é do que um mero adivinhador de palavras. Excerto retirado deste artigo do Público
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
Portugueses de Bem Casam com Portugueses de Bem
Excerto retirado (e levemente editado) da crónica "A noiva Matias, os vendedores de São Martinho e a cabeça de Passos Coelho, de Pedro Garcias no Público.
domingo, 21 de setembro de 2025
Deus, Pátria, Trafulhice
"Esta é a investigação que revela a face oculta do Chega.
Com recurso a milhares de páginas de documentos inéditos e largas dezenas de entrevistas exclusivas com fundadores, financiadores, atuais e antigos dirigentes e militantes, Por dentro do Chega é, sobretudo, um retrato do partido por aqueles que o criaram e o fizeram. Sem filtros."
Na promoção ao livro pude ler duas reportagens, uma na Visão e outra no Jornal de Notícias e são alguns desses excertos que aqui deixo, para abrir o apetite para quem quiser comprar o livro ou, em alternativa, a revista Visão ou o Jornal de Notícias de hoje. Comecemos pelo Jornal de Notícias:
BORRADINHOS DE MEDO
"Dos financiamentos escondidos às gravações telefónicas secretas para entalar rivais internos, esta investigação mostra como André Ventura patrocinou exércitos de perfis falsos e purgas internas para criar um Chega unipessoal que sustenta as ambições desmedidas, as vidas abastadas e as madrugadas de copos dos seus mais reputados dirigentes. Pelo meio há guerras religiosas, filiações de imigrantes brasileiros em massa e a tentativa de corrupção de um ministro de Cabo Verde.
"André Ventura e a mulher, Dina, mais um punhado de dirigentes de topo do Chega, numa lancha rápida de Lagos até à cidade marroquina de Tânger, que seria a ponte até ao exílio na Costa do Marfim. O objetivo era Ventura fugir à prisão e contornar, na clandestinidade, a já sentenciada ilegalização do partido em plena pandemia. É com esta insanidade coletiva que começa o livro “Por Dentro do Chega”.
A fuga para Tânger nunca chegou a acontecer, mas o plano existiu e André e Dina chegaram mesmo a refugiar-se “borradinhos de medo” na quinta de luxo de Arlindo Fernandes em Lagos, segundo contou este empresário admirador de Salazar. Arlindo Fernandes subiu a pulso no Chega, mas, como muitos, desencantou-se quando viu um partido podre (...)
O Chega foi fundado em 2019 para “limpar Portugal” e adotou, em 2021, no Congresso de Viseu, o lema de Salazar “Deus, Pátria e Família”, ao qual acrescentou “Trabalho”. A fuga para Tânger é exemplo de como os primeiros três anos seriam encharcados de boatos que eram gasolina para a guerra civil interna. Os telemóveis eram a principal arma e Ventura acabou com a rédea solta. Decretou que quem dissesse mal dele ou do partido, em público ou privado, seria suspenso.
ESFARRAPAR A OPOSIÇÃO INTERNA
"Para agilizar as expulsões sem contraditório, Ventura criou a Comissão de Ética liderada pelo deputado Rui Paulo Sousa que suspendeu ou expulsou mais de 100 militantes, quase todos opositores internos. “Havia decisões tomadas antes de as analisarmos”, revela Carlos Monteiro. Ao fim de dois anos, o Tribunal Constitucional declarou a Comissão de Ética ilegal. Mas o objetivo de esfarrapar a oposição interna já estava alcançado.
Miguel Carvalho não tem “qualquer dúvida” que esse será o trato a dar às oposições se Ventura chegar ao poder. “No Congresso de Coimbra, uma das declarações que ele faz, naquela estratégia de namoro/arrufo com o PSD, é que queria ter quatro pastas e uma delas era o Ministério da Administração Interna. Um partido com estas práticas que tome conta do MAI, ainda que seja só essa pasta, é absolutamente assustador. Nós estaríamos perante a concretização de um Ministério do ‘Big Brother’”
CASOS E CASINHOS
"Muitos dos que se envolveram no Chega, financiadores ou não, desencantaram-se com o partido. Mais de metade dos vereadores eleitos deixaram de se rever na estratégia. Entre os vários entrevistados há sempre um aspeto comum: o Chega pratica dentro de portas aquilo que promete combater fora delas.
Um vasto rol de “casos e casinhos”
Aos vários “casos e casinhos” já conhecidos, Miguel Carvalho junta-lhe outros como o da fatura que Pedro Pinto deixou por pagar nos Bombeiros Voluntários de Beja, a da pensão de alimentos que Rui Paulo Sousa prometeu pagar quando fosse eleito deputado, a das dívidas que Diogo Pacheco de Amorim tinha quando entrou no Parlamento. Vários dos 60 atuais deputados do Chega estavam na lista negra do Fisco poucos dias antes de serem eleitos e outros refizeram a vida com a entrada para o partido.
Entre os mais próximos de Ventura não faltam cadastros iguais aos bandidos que o líder garante combater, sem que os expulse, como promete. Hélio Filipe, que é militante do Chega, guarda-costas de André Ventura e namorado de Rita Matias, foi condenado a dois anos de pena suspensa por espancar e roubar um homem. No mesmo processo, não foi provada a acusação de sequestro e extorsão. Na semana passada, foi o segurança pessoal de Ventura na incursão pela manifestação de imigrantes.
Enquanto controlou as despesas do cartão de crédito do partido, Nuno Afonso contabilizou abastadas refeições para Ventura e os seus mais próximos, com digestivos “à la carte” e estadias em hotéis, além de um carro topo de gama para uso do presidente. As noites de copos em casas de meninas eram conhecidas. Na sede, as noitadas eram umas atrás das outras. “Era um cenário típico de final de noite num bar de terceira categoria”, descreveu Nuno Afonso, também ele autor de um livro sobre os bastidores do Chega (“Ontem éramos o futuro”, 2025).
À “Notícias Magazine”, Miguel Carvalho distingue o eleitor do Chega dos seus dirigentes, pois o partido cresceu à custa de quem se desacreditou ou se sente abandonado pelo sistema político-social e pelos serviços públicos básicos como os CTT, a escola ou o centro de saúde: “Se houver um político que não se cinja às redes sociais e for por esse país fora, de porta a porta, fazer um esforço descomunal, para ouvir e tentar perceber, e que seja absolutamente fiel à palavra dada, aí o Chega não terá grandes hipóteses, nem com redes sociais”.
Até lá, Ventura será o que as massas quiserem que ele seja, como demonstra Miguel Carvalho. Qual camaleão que sempre aparece para salvar as almas do caos das circunstâncias, algumas de fabrico próprio. Ele é, se for preciso, o seminarista mais promissor que deixou de ser padre porque encontrou o amor; o dedicado académico progressista, preocupado com os direitos humanos, que se distingue na sala de aula para agradar aos professores; o mais zeloso inspetor do Fisco e combatente dos paraísos fiscais que mais tarde lhe vão pagar a campanha; o humanitário cronista de jornal que apela a que se acolha “o maior número possível de migrantes” (2015); o enraivecido megafone dos benfiquistas em horário nobre na CMTV; o messias dos crentes, católicos ou evangélicos; o farol dos desencontrados".
REVISTA VISÃO:
"Finalmente, o Chega contrata o alugar de um Renault Talisman 1.5 dCi Zen por 36 meses, para o serviço do líder, a 400 euros mensais. Fernanda Marques Lopes, primeira presidente do Conselho de Jurisdição do partido, viu-o chegar com Luc Mombito (funcionário do Chega) ao volante. “Olha lá, André, compraste um carro para o partido?” O líder explicou: “É renting.” Mas a advogada insistiu: “E o conselho de auditoria não tem de saber?” O líder, sempre, ao longo do livro, e em diversos episódios, com pouca tolerância ao escrutínio interno, começou a impacientar-se: “Sou presidente, posso comprar o que me apetecer, não vou pedir autorização para comprar uma mesa ou um carro!”
SEMPRE A MENTIR
A fuga para a frente, sempre que Ventura é questionado, reflete-se também nos grandes temas. Ainda na semana passada, depois de ser desmascarado na “gaffe dos hambúrgueres”, contra-atacou, falando – mais uma vez, falsamente, como ficou demonstrado – de mais de 1500 viagens do Presidente Marcelo ao estrangeiro. Condenado por difamação no caso da família Coxi (do Bairro da Jamaica, a quem chamou “bandidos”) com sentença confirmada nas instâncias superiores, já após recurso, disse, na AR, em outubro de 2024: “Fui a tribunal sempre que me acusaram de difamação, racismo, discriminação. Venci em todos os processos.” Como sempre, estava a mentir.
Jornal PÚBLICO:
Chega: sexo, mentiras e Deus
No livro, critica a forma como a comunicação social levou Ventura ao colo...
Quase parece que Ventura tem beliche nas redações e estúdios das TV. Há uma espécie de “SOS: Chama o Ventura!” quando as audiências estão em baixo.
Hoje há grupos (como o 1143 de Mário Machado) que se sentem legitimados pelo discurso do Chega
E, para mais, isso é masoquista. O Ventura, várias vezes, faz ‘bullying’ aos jornalistas e à própria estação, transformando esses momentos em clips para as redes sociais. É algo que só se explica com o esboroar dos critérios editoriais dos media portugueses.
Acha que o Chega contribuiu para normalizar o discurso de ódio em Portugal?
Claramente. As pessoas começaram a perceber que este discurso de ódio era ‘mainstream’. Dizem: “Se há mais 10, 100, mil pessoas a dizê-lo, então, eu também posso dizer, não devo estar errado.”
No último capítulo do livro, descreve como o Chega é o partido mais popular entre os jovens. É preocupante?
Sim, mas, há uns anos, muitos jovens também achavam que era ‘cool’ ser do BE - que, atenção, tem um projeto político muito diferente do Chega, progressista e humanista –, também por razões disruptivas. No caso do Chega, importa destacar o papel da Rita Matias, que deu muitos seguidores e eleito- res jovens ao Chega. O Ventura e a Rita Matias fazem uma dupla que funciona bem, com aqueles vídeos nas redes sociais, fanaticamente consumidos pelos miúdos. E sempre que a Rita Matias visita uma escola, os alunos entram em ebulição – atrai os filhos das elites, mas também jovens de origens humildes, com um discurso simples, básico, por vezes mentiroso, mas que “entra” muito facilmente (...)
Também há sinais positivos. O que se tem revelado nas escolas é que as miúdas, de forma geral, são menos permeáveis às narrativas do Chega. Regra geral, conseguem refletir mais sobre certos temas – como a sexualidade, feminismo, violência, etc... –, são mais maduras, agem menos em grupo, têm capacidade para pensar pela própria cabeça. Muitas pessoas que trabalham nas escolas acham que este é o caminho para combater o extremismo: o futuro pode começar pelas mulheres.
NOTÍCIAS AO MINUTO
O que se assiste hoje é absolutamente pornográfico, não tenho outra palavra. Parece que, em todas as estações de televisão, Ventura tem casa, cama e roupa lavada para ir para o estúdio seguinte horas ou no dia depois. Nesta guerra absolutamente fratricida por audiências, que vai correr muito mal um dia, em que continuamente estamos a perder credibilidade no que fazemos, parece que há uma frase que ecoa nos bastidores dos canais de televisão: em desespero, chama o Ventura. O nosso papel mediador foi à vida já há bastante tempo. O Chega só não prescinde da televisão, mas parece-me em tudo uma atitude absolutamente masoquista. Ventura vai ao estúdio, insulta o pivô, insulta o comentador, faz bullying ao jornalista, critica a própria estação que lhe dá, mais uma vez, a oportunidade de falar de coisas que, na generalidade, não têm valor notícia e, mesmo assim, continuamos a convidá-lo. Isto é esquizofrénico em certo sentido. Não precisam de nós. Aliás, quem cobre o Chega de forma mais quotidiana sabe que, na maioria dos casos, aquele gabinete de comunicação não responde às perguntas. Precisaram de nós, mas aí estávamos a dormir. Aqui
domingo, 18 de maio de 2025
A Receção Vem Aí
No final do ano passado o governador do banco de Portugal já avisado que com o rumo que este governo está a levar íamos voltar aos défices. Agora, ainda por cima o Benfica não foi campeão. Estamos mesmo fodidos. A receção vem aí. Mais um motivo para hoje votarem bem.
sábado, 10 de maio de 2025
Pacifistas do PCP
domingo, 23 de janeiro de 2022
Tinder Político Legislativas 2022
Estamos a uma semana de novas eleições legislativas, perfeitamente dispensáveis diga-se. Culpo toda a gente, desde logo o culpado-mor, o rei-das-selfies que dissolveu a assembleia e esperou para marcar eleições porque toda a direita estava em pé de guerra: PSD, CDS, CH, todos sem líder e em disputa interna. Culpo também o primeiro-ministro, aquele que tendo minoria é obrigado a negociar. Mas culpo também os partidos da oposição, todos eles menos o PAN e as deputadas não inscritas, porque quiseram chumbar um orçamento de Estado que, já se sabia, acabaria por resultar em eleições porque assim tinha definido o presidente da república.
Temos assim que, em plena pandemia, com o país a crescer acima da média europeia, e precisando de investir na recuperação, ficaremos estagnados, se calhar com um ano sem Orçamento de Estado, porque quase toda a gente colocou os seus interesses à frente dos interesses do país.
Mas o mal está feito, há eleições e temos que votar.
Não vi nenhum debate, tal como não ouvi nenhuma entrevista. E acho que ver tempos de antena e acompanhar campanha eleitoral é como aquele aluno que nunca foi às aulas mas depois quer entender toda a matéria no dia anterior ao exame. Eu já tenho uns cabelitos brancos para conhecer de ginjeira todos os partidos com assento parlamentar.
Mas ainda assim gosto sempre de fazer testes políticos. Credíveis como é lógico e não como o do jornal Manipulador em que se pessoa responder neutro em tudo dá que é de extrema-direita!
Creio que foi em 2019 que já tinha feito o teste político do jornal Público. Repeti agora, numa coisa estilo Tinder, em que os resultados me parecem muito fidedignos, salientando no entanto que nos resultados só encontramos os partidos com assento parlamentar.
Se o teste é uma espécie procura de relação no Tinder, então eu posso dizer que me saiu uma menage-a-troi com o Rui Tavares, a Catarina Martins e Inês Sousa Real. E parece-me muito bem









