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quinta-feira, 26 de março de 2026

A Minha Frase do Dia (4) - Pedófilos

Todos os dias descobre-se um novo abusador ou pedófilo no Chega. O que me levou a escrever esta frase inspiradora:

"O CH anda a competir com a Igreja Católica para ver quem tem mais pedófilos"!




Editado: no dia seguinte a esta publicação, Ana Sá Lopes escreveu no Público:




"Caro leitor, cara leitora:
"O Chega é o partido dos pedófilos"
A avaliar pelo número de abusadores de menores que são encontrados nas fileiras do partido Chega, se um líder de um qualquer outro partido quisesse utilizar os métodos de André Ventura, podia desatar a dizer na praça pública isto: "O Chega é o partido dos pedófilos".

O artigo completo está aqui (só para assinantes).

sexta-feira, 20 de março de 2026

Motorista TVDE Gravemente Infetado com Mentiras do CH


Vamos fazer de conta que a culpa é do Mercúrio Retrógrado - "não podes tomar grandes decisões até dia 20", já me disseram duas pessoas - e vamos fazer de conta que não é distração minha.

O que aconteceu foi que voltei a trancar o carro com a chave lá dentro e o facto de me ter habituado a trancá-lo por dentro também não deve ajudar e, vai daí, pela primeira vez, andei de TVDE, ou melhor, chamaram-me um carro para eu me deslocar para o trabalho. De manhã foi um brasileiro, ao fim da tarde um português.

Eu decidi adotar o perfil de passageiro conversador e, ao fim da tarde, o motorista português, admitindo que até está a atravessar um período psicológico complicado, disse o seguinte:

"Tenho 4 filhas, não posso estar doente, tenho de meter comida na mesa. Tenho de trabalhar 12h para ganhar o salário mínimo disto (TVDE) e tenho outro emprego numa empresa de transportes urgentes. Por isso sou contra os imigrantes virem para cá ganhar subsídios..."


Vamos tentar seguir o raciocínio. 

Portanto, este homem, que está na segunda família, "eu tenho duas filhas, mais as duas filhas da minha mulher que são como minhas", trabalha por conta de outrem e ainda trabalha mais uma série de horas como motorista TVDE. Trabalha muito e ganha pouco. Não pode ficar doente senão não há comida na mesa. E de quem é a culpa? Claro! Dos imigrantes! 

A culpa não é dos baixos salários, das rendas e dos preços altíssimos das casas, nem do aumento exponencial do custo de vida e da inflação. 

A culpa é de algo muito mais complexo que só pessoas iluminadas conseguem ver! A culpa é dos pobres coitados, mais pobres ainda do que ele, que vêm muitas vezes lá do outro lado do mundo trabalhar para Portugal, fazer aquilo que nós já não queremos - porque já não há mão de obra, como bem se viu nas recentes tempestades que dizimaram a zona centro do país - para muitas vezes ganhar uma miséria, sendo muitas vezes escravizados como aconteceu nas explorações agrícolas do Alentejo - e vivendo ao monte em arrendamentos ilegais. 

Mas a culpa das dificuldades dos portugueses é dos imigrantes pobres que vêm para cá ganhar subsídios!

E lembrar que um em cada três portugueses votou no líder do partido fascista que propala estas mentiras todos os dias.

sábado, 27 de dezembro de 2025

André Ventura Militava no PSD mas Votava no Partido Socialista


Pergunto-me, genuinamente, eu que não sou psicólogo nem das ciências humanas, o que revelará da personalidade de André Ventura, que, enquanto militava no PSD, e onde esteve 17 anos - bem dentro do sistema do poder - mas que, enquanto isso, votava no Partido Socialista de José Sócrates?


Talvez seja isso o que ele quer dizer quando se farta de dizer que antissistema. Se enquanto esteve no PSD votou no Partido Socialista de José Sócrates, um dia ainda vai confessar que depois de ter criado o CH, votava no Bloco de Esquerda de Mariana Mortágua!

Mas volto à pergunta inicial: o que nos diz sobre alguém que está tantos anos num partido mas depois confessa alegremente que votava no partido rival?

domingo, 14 de dezembro de 2025

A Raposa que Promete Guardar as Galinhas

 O candidato que se diz "anti-sistema", "que não é um político igual aos outros" porque "PS e PSD corrompem a classe política nos últimos 50 anos", é o político que, enquanto trabalhou como inspetor tributário ajudava empresas a fugir ao fisco. É o tal que, enquanto não era deputado criticava os outros deputados que não trabalhavam em regime de exclusividade mas quando se tornou deputado recebia por dois carrinhos. É o político que esteve 17 anos no PSD e que quis ser líder do partido que posteriormente, quando saiu, apelidou de "prostituta política",

Haver quem ache que um corrupto é que vai acabar com a corrupção é o mesmo que achar que um pedófilo é que seria a pessoa ideal para acabar com a pedofilia. Ou, achar que o melhor é pôr uma raposa a guardar o galinheiro







domingo, 7 de dezembro de 2025

De Manhã na Missa, De Tarde com os Fascistas

Há uns tempos retive o que a minha melhor amiga - que é uma pessoa muito informada no que respeita a política e, ao contrário de mim, acompanha o que se vai passando na televisão - que me tinha dito que o senhor é um perigo e está metido em tudo, além da Igreja, está no comentário político e no futebol e que deveria querer ser o novo Cerejeira.  

Vi hoje no Bluesky mas quis ir confirmar não fosse mentira. Infelizmente é mesmo verdade, e esta imagem, fui eu que a retirei da rede social da criatura. 


Portanto, o chefe dos gajos que de manhã estão na missa a apregoar os princípios comunistas de Cristo - que devemos amar o próximo como a nós mesmos e vender tudo e dar aos pobres - é depois o mesmo que de tarde está com os apóstolos fascistas do Chega que querem matar pessoas. 

Ai Konigvs não digas isso. O Chega não quer matar ninguém!

Não quer? Ora pensa lá um bocadinho:


André Ventura, o quarto pastorinho de Fátima, homem religioso, de fé, e que andou no seminário, não tem qualquer princípio cristão! como aliás, a Igreja Católica nunca teve, e é curioso que eu mesmo já por aqui escrevi contrariando sempre o que vem lá nos livros que, muito alegadamente, são a "palavra de Deus". 

E citando a própria palavra do Deus deles, por exemplo em Corintios 15:33

"Não vos enganeis: as más companhias corrompem os bons costumes"

A minha amiga tinha toda a razão. Esta gentalha que se diz religiosa é muito perigosa, em particular este cardeal. Como se já não bastassem as igrejas evangélicas a apoiar Chega, Iniciativa Liberal e ADN, temos agora também este artista que deve querer ser o novo Cerejeira metido na escumalha do Chega. 

E quantos votantes do Chega não estarão na missa a bater com a mão no peito que amam o próximo como a si mesmo, e de seguida saem e estão nas redes sociais a mandar os indianos para a sua terra? 

Não há maior contrassenso do que ser religioso e apoiar o Chega. Absolutamente nada. 

Cada vez mais tenho nojo da Igreja. 

Jesus Cristo: O Revolucionário Anarquista e a Inversão da sua Política

# A Igreja Sentada à Extrema Direita do Pai

# O Evangelho da Prosperidade

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Até o André Ventura Teria que Trabalhar

"Os patrões preferem não produzir a aumentar salários porque pensam que aumentar salários é coisa estrutural que lhes vai retirar a margem de lucro. Sabotam o seu próprio trabalho. Isso é muito visível por exemplo no caso da hotelaria que se queixava de não ter trabalhadores. Esta argumentação de Ventura não é para diminuir o nº de imigrantes, é uma argumentação para manter os imigrantes na clandestinidade, a baixos salários, muitas vezes abaixo da norma legal e ao mesmo tempo com horários extensivos. Porque AV sabe muito bem que se um milhão e meio de imigrantes fosse embora até o André V€ntura tinha que trabalhar, coisa que ele não está bastante interessado em fazer.

A grande solução, ao contrário do que diz Rita Matias é termos imigrantes com condições dignas de trabalho. Porque se os imigrantes estiverem cá, com os papeis, legalizados, com direitos sociais e com direitos políticos, os salários são mais elevados. Ao serem mais elevados Todos os outros salários também podem subir. Esta é a única forma, porque a forma que ela diz: expulsar alguns imigrantes, tornar a vida dos imigrantes um inferno, que vão buscar crianças à escola, como nos Estados Unidos, estão aí nas ruas como em Portugal a ir às empresas, o que vai fazer é fixar os imigrantes cá de uma forma clandestina e dessa forma eles ganham abaixo da norma de trabalho. Abaixo da norma do trabalho eles pressionam o resto dos salários para baixo". 

Este excerto é de Nuno Ramos Almeida no podcast "Os Comentadores".

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Portugueses de Bem Casam com Portugueses de Bem

 


Excerto retirado (e levemente editado) da crónica "A noiva Matias, os vendedores de São Martinho e a cabeça de Passos Coelho, de Pedro Garcias no Público.




domingo, 21 de setembro de 2025

Deus, Pátria, Trafulhice


Do jornalista Miguel Carvalho li o livro Quando Portugal Ardeu sobre o pós 25 de Abril, e das organizações de extrema-direita que andavam a colocar bombas nas sedes do partido comunista, que mataram, por exemplo, o padre Max da UDP. Entretanto publicou outros livros e regressa agora com um livro com mais de setecentas páginas sobre os bastidores do CH. 

"Esta é a investigação que revela a face oculta do Chega.

Com recurso a milhares de páginas de documentos inéditos e largas dezenas de entrevistas exclusivas com fundadores, financiadores, atuais e antigos dirigentes e militantes, Por dentro do Chega é, sobretudo, um retrato do partido por aqueles que o criaram e o fizeram. Sem filtros."

Na promoção ao livro pude ler duas reportagens, uma na Visão e outra no Jornal de Notícias e são alguns desses excertos que aqui deixo, para abrir o apetite para quem quiser comprar o livro ou, em alternativa, a revista Visão ou o Jornal de Notícias de hoje. Comecemos pelo Jornal de Notícias:


BORRADINHOS DE MEDO

"Dos financiamentos escondidos às gravações telefónicas secretas para entalar rivais internos, esta investigação mostra como André Ventura patrocinou exércitos de perfis falsos e purgas internas para criar um Chega unipessoal que sustenta as ambições desmedidas, as vidas abastadas e as madrugadas de copos dos seus mais reputados dirigentes. Pelo meio há guerras religiosas, filiações de imigrantes brasileiros em massa e a tentativa de corrupção de um ministro de Cabo Verde.

"André Ventura e a mulher, Dina, mais um punhado de dirigentes de topo do Chega, numa lancha rápida de Lagos até à cidade marroquina de Tânger, que seria a ponte até ao exílio na Costa do Marfim. O objetivo era Ventura fugir à prisão e contornar, na clandestinidade, a já sentenciada ilegalização do partido em plena pandemia. É com esta insanidade coletiva que começa o livro “Por Dentro do Chega”.

A fuga para Tânger nunca chegou a acontecer, mas o plano existiu e André e Dina chegaram mesmo a refugiar-se “borradinhos de medo” na quinta de luxo de Arlindo Fernandes em Lagos, segundo contou este empresário admirador de Salazar. Arlindo Fernandes subiu a pulso no Chega, mas, como muitos, desencantou-se quando viu um partido podre (...)


O Chega foi fundado em 2019 para “limpar Portugal” e adotou, em 2021, no Congresso de Viseu, o lema de Salazar “Deus, Pátria e Família”, ao qual acrescentou “Trabalho”. A fuga para Tânger é exemplo de como os primeiros três anos seriam encharcados de boatos que eram gasolina para a guerra civil interna. Os telemóveis eram a principal arma e Ventura acabou com a rédea solta. Decretou que quem dissesse mal dele ou do partido, em público ou privado, seria suspenso.


ESFARRAPAR A OPOSIÇÃO INTERNA


"Para agilizar as expulsões sem contraditório, Ventura criou a Comissão de Ética liderada pelo deputado Rui Paulo Sousa que suspendeu ou expulsou mais de 100 militantes, quase todos opositores internos. “Havia decisões tomadas antes de as analisarmos”, revela Carlos Monteiro. Ao fim de dois anos, o Tribunal Constitucional declarou a Comissão de Ética ilegal. Mas o objetivo de esfarrapar a oposição interna já estava alcançado.

Miguel Carvalho não tem “qualquer dúvida” que esse será o trato a dar às oposições se Ventura chegar ao poder. “No Congresso de Coimbra, uma das declarações que ele faz, naquela estratégia de namoro/arrufo com o PSD, é que queria ter quatro pastas e uma delas era o Ministério da Administração Interna. Um partido com estas práticas que tome conta do MAI, ainda que seja só essa pasta, é absolutamente assustador. Nós estaríamos perante a concretização de um Ministério do ‘Big Brother’”

CASOS E CASINHOS

"Muitos dos que se envolveram no Chega, financiadores ou não, desencantaram-se com o partido. Mais de metade dos vereadores eleitos deixaram de se rever na estratégia. Entre os vários entrevistados há sempre um aspeto comum: o Chega pratica dentro de portas aquilo que promete combater fora delas.

Um vasto rol de “casos e casinhos”

Aos vários “casos e casinhos” já conhecidos, Miguel Carvalho junta-lhe outros como o da fatura que Pedro Pinto deixou por pagar nos Bombeiros Voluntários de Beja, a da pensão de alimentos que Rui Paulo Sousa prometeu pagar quando fosse eleito deputado, a das dívidas que Diogo Pacheco de Amorim tinha quando entrou no Parlamento. Vários dos 60 atuais deputados do Chega estavam na lista negra do Fisco poucos dias antes de serem eleitos e outros refizeram a vida com a entrada para o partido.


Entre os mais próximos de Ventura não faltam cadastros iguais aos bandidos que o líder garante combater, sem que os expulse, como promete. Hélio Filipe, que é militante do Chega, guarda-costas de André Ventura e namorado de Rita Matias, foi condenado a dois anos de pena suspensa por espancar e roubar um homem. No mesmo processo, não foi provada a acusação de sequestro e extorsão. Na semana passada, foi o segurança pessoal de Ventura na incursão pela manifestação de imigrantes.


Enquanto controlou as despesas do cartão de crédito do partido, Nuno Afonso contabilizou abastadas refeições para Ventura e os seus mais próximos, com digestivos “à la carte” e estadias em hotéis, além de um carro topo de gama para uso do presidente. As noites de copos em casas de meninas eram conhecidas. Na sede, as noitadas eram umas atrás das outras. “Era um cenário típico de final de noite num bar de terceira categoria”, descreveu Nuno Afonso, também ele autor de um livro sobre os bastidores do Chega (“Ontem éramos o futuro”, 2025).


À “Notícias Magazine”, Miguel Carvalho distingue o eleitor do Chega dos seus dirigentes, pois o partido cresceu à custa de quem se desacreditou ou se sente abandonado pelo sistema político-social e pelos serviços públicos básicos como os CTT, a escola ou o centro de saúde: “Se houver um político que não se cinja às redes sociais e for por esse país fora, de porta a porta, fazer um esforço descomunal, para ouvir e tentar perceber, e que seja absolutamente fiel à palavra dada, aí o Chega não terá grandes hipóteses, nem com redes sociais”.


Até lá, Ventura será o que as massas quiserem que ele seja, como demonstra Miguel Carvalho. Qual camaleão que sempre aparece para salvar as almas do caos das circunstâncias, algumas de fabrico próprio. Ele é, se for preciso, o seminarista mais promissor que deixou de ser padre porque encontrou o amor; o dedicado académico progressista, preocupado com os direitos humanos, que se distingue na sala de aula para agradar aos professores; o mais zeloso inspetor do Fisco e combatente dos paraísos fiscais que mais tarde lhe vão pagar a campanha; o humanitário cronista de jornal que apela a que se acolha “o maior número possível de migrantes” (2015); o enraivecido megafone dos benfiquistas em horário nobre na CMTV; o messias dos crentes, católicos ou evangélicos; o farol dos desencontrados".


REVISTA VISÃO:


"Finalmente, o Chega contrata o alugar de um Renault Talisman 1.5 dCi Zen por 36 meses, para o serviço do líder, a 400 euros mensais. Fernanda Marques Lopes, primeira presidente do Conselho de Jurisdição do partido, viu-o chegar com Luc Mombito (funcionário do Chega) ao volante. “Olha lá, André, compraste um carro para o partido?” O líder explicou: “É renting.” Mas a advogada insistiu: “E o conselho de auditoria não tem de saber?” O líder, sempre, ao longo do livro, e em diversos episódios, com pouca tolerância ao escrutínio interno, começou a impacientar-se: “Sou presidente, posso comprar o que me apetecer, não vou pedir autorização para comprar uma mesa ou um carro!”


SEMPRE A MENTIR


A fuga para a frente, sempre que Ventura é questionado, reflete-se também nos grandes temas. Ainda na semana passada, depois de ser desmascarado na “gaffe dos hambúrgueres”, contra-atacou, falando – mais uma vez, falsamente, como ficou demonstrado – de mais de 1500 viagens do Presidente Marcelo ao estrangeiro. Condenado por difamação no caso da família Coxi (do Bairro da Jamaica, a quem chamou “bandidos”) com sentença confirmada nas instâncias superiores, já após recurso, disse, na AR, em outubro de 2024: “Fui a tribunal sempre que me acusaram de difamação, racismo, discriminação. Venci em todos os processos.” Como sempre, estava a mentir.


Jornal PÚBLICO:


Chega: sexo, mentiras e Deus




Miguel Carvalho recolheu centenas de testemunhas, de dirigentes e militantes do Chega. Muitos, certamente sem conhecerem a teoria de Bannon, apontam essa explicação “Ajudei a nascer o Chega porque acreditei que era algo que Deus queria que eu fizesse. Entretanto, o André revelou-se um Saul e não um David. É um grande actor,” diz Lucinda Ribeiro, a mulher nascida em Meimoa, Penamacor, que organizou o crescimento do Chega nas redes sociais. A seu lado trabalhava outra mulher, de origem social bem diferente: Patrícia Sousa Uva gosta de se chamar a si própria de “dondoca”. O seu testemunho sobre Ventura também revela uma personagem construída: “É uma mistura de padre com chico-esperto do futebol de Mem Martins.”

O grupo que geria as redes sociais de Ventura incluía ainda Gerardo Pedro, de Santarém. “Via-o a ralhar na CMTV, no ‘Rua Segura’, e deixei-me ir naquela conversa, era música para os meus ouvidos…” Hoje, Lucinda, Patrícia e Gerardo deixaram de se rever na personagem. “Sinto vergonha de ter andado nisto. Não é o que quero, nem para a minha filha… Este homem não pode governar o país. Não pode”, diz Gerardo Pedro. Mas o seu trabalho (muitas vezes de sapa, com perfis falsos, montagens e difamações sobre outros políticos) permitiu a Ventura libertar-se da sua ajuda. O líder é a personagem, como revela o livro: 80% dos fundadores do Chega já saíram do enredo (...)

Só na região de Lisboa há mais de mil igrejas evangélicas. As mais pequenas têm menos de 100 pessoas, enquanto as maiores (como a IURD ou a Igreja Maná) organizam muitos milhares. Miguel Carvalho aponta alguns nomes curiosos de congregações: “Assembleia de Deus Fogo para a Europa”, “Igreja Baptista Cristo Vive em Células”, “Igreja do Avivamento em Portugal”, ou “Igreja Evangélica Bola de Neve”.


Estas igrejas são espaços comunitários, raros, nas nossas sociedades, quando quase todas as formas de organização (incluindo a Igreja Católica, os sindicatos, as associações culturais) estão em crise. No início deste século, os evangélicos representavam 5% da população brasileira, sendo agora quase um terço dos 212 milhões de habitantes do Brasil. Ricardo Marchi, observador (muitas vezes participante) do Chega é citado por Miguel Carvalho: “Muitos evangélicos comprometeram-se com o Chega desde o início, compartilhando vídeos e textos de fiéis brasileiros contrários à agenda da esquerda (principalmente política de género e mobilização LGBTQIA+).”

Ventura deixou nas redes o convite: “O Chega é a religião dos portugueses comuns”; “Nós somos como aquelas seitas religiosas: fortíssimos”; “Sou muito religioso e acredito que o que me aconteceu a mim e ao Chega na História de Portugal, desde o meu percurso de comentador até ao Parlamento, é um milagre”; “Quero todas as igrejas cristãs com o Chega. Todas. Sem medo nem preconceito”; “Deus no Comando!”

Em Por Dentro do Chega, Miguel Carvalho detalha as relações de Ventura com magnatas dos media (Marco Galinha e Mário Ferreira), com vendedores de armas, industriais e donos das maiores herdades do país. E, ainda assim, é visto como o político que quer acabar com o “sistema”. Nas páginas de Miguel Carvalho, constatamos que grande parte dos dirigentes, deputados e financiadores do Chega são investidores e negociantes de imobiliário. O preço das casas bate recordes e cria uma crise social profunda, mas o Chega é o partido que mais sobe nas eleições. O próprio André Ventura, imediatamente antes de se dedicar à política, aconselhava candidatos a vistos gold em negócios de compra de prédios. “Ventura provou que não é anti-sistema, é o próprio sistema”, critica uma antiga candidata do Chega em Braga.

(...)

Miguel Carvalho recolheu depoimentos que ilustram este fervor escatológico em Lisboa. A senhora que limpava a sede do partido revela que “por vezes a sede parecia uma taberna! Rasca! Enfrascavam-se de uma maneira… Se esta gente governasse o país, eu emigrava…

CORREIO DA MANHÃ

“Ventura parece ter um beliche nos estúdios de TV”



O Chega esteve envolvido em polémica desde a fundação. O livro explica, com testemunhos em ‘on’, o caso das assinaturas falsas para a constituição do partido. Face às evidências, porque é que este processo foi arquivado?

Não sou eu que devo explicar isso. O Ministério Público fez as suas diligências. E o processo acabaria arquivado, não como o Chega diz, mas apenas porque não se conseguiu identificar a pessoa que decidiu isto tudo, o autor dos crimes. Mas as assinaturas falsas existiram. Estranho, diria até escandaloso, é que André Ventura foi identificado como a pessoa que recolheu grande parte das assinaturas, que pagou a recolha das assinaturas, mas nunca foi ouvido no inquérito.

Há mais casos polémicos no livro...

Sim, e alguns, na minha opinião, têm relevância criminal. Como o das gravações ilegais no partido, por exemplo. Ou como foi feito o financiamento do partido, descrito por pessoas que estavam no centro da ação política do Chega. Mas, lá está, não sou eu que devo fazer essa avaliação. O livro está à venda ao público (...)

A questão das gravações só agora foi conhecida...
É, para mim, a questão mais grave. As gravações ilegais no partido terão surgido para afastar opositores internos. Não sei se as práticas continuam, mas, até 2021, foram feitas, colocando militantes contra militantes, dirigentes contra dirigentes, com a cumplicidade dos dirigentes nacionais. Perante estas práticas, pergunto: como será, amanhã, se o Chega for governo, se tomar conta do Ministério da Administração Interna?

Em 2020, muitos achavam que as minhas preocupações eram distopia. Agora, acho que isso é verosímil. Para mais, quem governa adotou, em parte, a agenda do Chega em vários temas. A AD quase se tornou o braço político do Chega. E o Chega quase se transformou no “braço armado” da AD. O partido de André Ventura anda a promover políticas que, a seguir, a AD vai aplicar. É um sucesso para o Chega.

No livro, critica a forma como a comunicação social levou Ventura ao colo...

Quase parece que Ventura tem beliche nas redações e estúdios das TV. Há uma espécie de “SOS: Chama o Ventura!” quando as audiências estão em baixo.

Hoje há grupos (como o 1143 de Mário Machado) que se sentem legitimados pelo discurso do Chega

E, para mais, isso é masoquista. O Ventura, várias vezes, faz ‘bullying’ aos jornalistas e à própria estação, transformando esses momentos em clips para as redes sociais. É algo que só se explica com o esboroar dos critérios editoriais dos media portugueses.


Acha que o Chega contribuiu para normalizar o discurso de ódio em Portugal?

Claramente. As pessoas começaram a perceber que este discurso de ódio era ‘mainstream’. Dizem: “Se há mais 10, 100, mil pessoas a dizê-lo, então, eu também posso dizer, não devo estar errado.”


No último capítulo do livro, descreve como o Chega é o partido mais popular entre os jovens. É preocupante?

Sim, mas, há uns anos, muitos jovens também achavam que era ‘cool’ ser do BE - que, atenção, tem um projeto político muito diferente do Chega, progressista e humanista –, também por razões disruptivas. No caso do Chega, importa destacar o papel da Rita Matias, que deu muitos seguidores e eleito- res jovens ao Chega. O Ventura e a Rita Matias fazem uma dupla que funciona bem, com aqueles vídeos nas redes sociais, fanaticamente consumidos pelos miúdos. E sempre que a Rita Matias visita uma escola, os alunos entram em ebulição – atrai os filhos das elites, mas também jovens de origens humildes, com um discurso simples, básico, por vezes mentiroso, mas que “entra” muito facilmente (...)


Também há sinais positivos. O que se tem revelado nas escolas é que as miúdas, de forma geral, são menos permeáveis às narrativas do Chega. Regra geral, conseguem refletir mais sobre certos temas – como a sexualidade, feminismo, violência, etc... –, são mais maduras, agem menos em grupo, têm capacidade para pensar pela própria cabeça. Muitas pessoas que trabalham nas escolas acham que este é o caminho para combater o extremismo: o futuro pode começar pelas mulheres.


NOTÍCIAS AO MINUTO



"Um grupo de dirigentes reuniu-se numa casa, em Setúbal, elaborou um documento com imensas perguntas – creio que até ultrapassava a centena – enviadas à direção, em que se questionava o financiamento, o que é que o partido fazia ao dinheiro, porque andavam sempre em jantares e em viagens. Aliás, as pessoas que se reuniram ameaçaram enviar aquilo para o Ministério Público (MP). A ideia de que o partido podia ser investigado e ilegalizado a qualquer momento, ou por supostos financiamentos externos, ou por ter no seu seio várias pessoas que eram oriundas de movimentos neonazis e mais violentos, criou um clima de absoluta paranoia que o Chega vai explorando até aos dias de hoje. O próprio Ventura várias vezes aludiu a situações ou episódios em que achava que o objetivo dos poderes, sejam eles quais forem, era miná-lo, porque ele luta contra o sistema. A ideia de que o partido está permanentemente sob vigilância do regime, à espera de um pretexto para o eliminar, também ajudou a unir internamente, com o tempo.

É a receita de Donald Trump e de Jair Bolsonaro, e viu-se agora também na questão dos hambúrgueres… Onde é que isto nos deixa enquanto jornalistas?

É uma resposta para uma tarde. Achámos, de uma forma geral, que isto nunca nos aconteceria. O próprio António Guterres tinha dito, uns anos antes da eleição de André Ventura, que o populismo nunca venceria em Portugal, porque tínhamos uma tradição imune a isso. Cá estamos. A própria fragilidade da generalidade dos órgãos de informação em termos de recursos humanos, técnicos e financeiros – para mim o pior período do jornalismo em democracia, e já passámos por muitos – não permite ter jornalistas disponíveis, como era normal na fase pré-Internet, a acompanhar quotidianamente um determinado partido, criando fontes, com tempo, confiança. É verdade que não tínhamos um partido como este. Tivemos o Partido Renovador Democrático (PRD). No início, em 1985, também veio com um discurso muito moralista, a falar de cima da burra, como se costuma dizer, em relação ao regime, mas o PRD era profundamente democrático nas suas práticas, e até na sua postura na Assembleia da República. Portanto, achámos que não nos aconteceria, estamos frágeis para acompanhar, estávamos já na altura bastante permeáveis a tudo o que gerasse fogo nas redes sociais e fosse disruptivo. Não parámos para pensar e foi lenha que juntámos.

Quando comecei a acompanhar o Chega, já tinha feito uma reportagem, que também está no livro, por alturas do fracasso do Basta, com jovens de alguns movimentos de extrema-direita, nacionalistas, identitários, a quem Ventura não dizia grande coisa. Eram jovens, dentro daquela área ideológica, bem estruturados, com ideias muito firmes em relação a determinados temas, e isso despertou-me para o Chega. Quando Ventura é eleito, aí sim, dedico-me [ao Chega], mas eu era um privilegiado. Estava numa revista [a Visão] que, apesar de já estar na sua fase descendente, dava-me três meses para andar entretido com aquilo, sem pensar em mais nada. Fazia algumas coisas pelo meio, mais urgentes, mas, quando acabava esse trabalho para a edição X, voltava ao Chega. Quando me perguntaram se queria ficar com isso, eu disse, 'ok, mas preciso de três meses; quero almoçar com eles, quero jantar com eles, quero conhecer isto'. Comecei a ir a tudo o que era eventos. Depois, veio a pandemia. Mantive os contactos telefónicos, mas já com alguma dificuldade, porque alguns não queriam falar ao telefone; estavam paranoicos que o Governo podia ouvir, coisas assim. Retomei quanto a pandemia abrandou pela primeira vez e isso foi absolutamente essencial para chegar a este livro. Na altura, sobretudo a partir da eleição de Ventura, já o Chega começava a contaminar os jantares de família e de amigos, e toda a gente falava disso. Levei muito nas orelhas, não só de colegas, mas de pessoas que acompanham a realidade política, que diziam, 'estás tolo, daqui a uns meses a malta vai perceber que isto não faz sentido nenhum e acaba já ao virar da esquina'. Viu-se.


LA VANGUARDIA:

"Como se fosse um estagiário de si próprio, Miguel Carvalho (Porto, 1970), um dos mais reconhecidos jornalistas portugueses, passou cinco anos a acompanhar o dia a dia do partido do xenófobo André Ventura. Nesta conversa, feita por escrito e por telefone - fruto também de 17 anos de relação pessoal -, enquanto percorre o país, explica que as apresentações do seu livro "Por Dentro de Chega – a face oculta da extrema-direita em Portugal" têm um caráter de terapia coletiva. Em menos de dois meses vendeu 16.000 exemplares de um livro de política com 700 páginas, num país em que o limite do sucesso editorial ronda os 6.000. Será pela magia da Galiza, que tanto adora?

Parece-me tudo um pouco irreal. Creio que a obra interessa porque aborda o fenómeno Chega, e não tanto a figura do seu líder. Há quem o veja como uma espécie de livro de autoajuda, um guia para lidar com familiares ou amigos que votam na extrema-direita.

O que responde a quem lhe pergunta “o que faço, a minha parceira tornou-se chegana”?

Digo que no livro há ferramentas para tentar compreender e semear dúvidas. Dá pistas, mas não é uma solução. Só a estabilidade política - que não existiu, com três eleições legislativas neste quinquénio - e a resolução de problemas estruturais deixarão o Chega sem oxigénio. O partido nasce do descrédito das instituições e dos políticos. Foram eles que criaram esse território de esquecimento e ressentimento, ao encontro do qual Ventura soube ir.

O jornalismo político de Lisboa é de melhor qualidade e menos sectário do que o de Madrid, mas fez de Ventura um gigante quando ainda era um pigmeu.

Assim é. Mas o jornalismo português atravessa a pior crise da democracia, com redações minúsculas e precárias. Sucumbiu à espuma do espetáculo de um líder habituado ao sensacionalismo, fruto da sua experiência televisiva no futebol - como comentador do Benfica - e nos programas de crime. Fizemos de idiotas úteis ao serviço de um discurso que não devia ser notícia, por ultrapassar todos os limites legais.

Não é algo que aconteça só em Portugal.

É verdade, mas nós - uns de forma inconsciente, outros de propósito - quando ele tinha apenas um deputado, demos-lhe um protagonismo muito superior ao que lhe correspondia. Ele sabia como gerir o ruído e contava com o apoio de poderosos interesses económicos. A imprensa enfrenta o Ferrari da extrema-direita com uma bicicleta.

A “futebolização” da sociedade é um terreno fértil para a extrema-direita?

Claro. Em Portugal vê-se com nitidez. Quando a típica discussão tribal do futebol tomou conta das redes sociais, Ventura já a dominava como ninguém.

Um dos seus interlocutores do universo Chega chama Ventura de “Hitlerzinho”, e o livro começa com uma citação do líder nazi. Há um risco totalitário em Portugal?

O Chega é um perigo evidente para a convivência e para os pilares da democracia. O seu líder viola a Constituição todos os dias, com um discurso de ódio, racista e xenófobo. No partido, por exemplo, existem práticas criminosas, como o uso de gravações ilegais como instrumento de coerção interna.

O que sentiu quando o ouviu proclamar em Madrid o seu orgulho pela caçada de Torre Pacheco?

Nada de novo. Apela constantemente à violência simbólica, que por vezes se traduz em ameaças reais e violência física.

Como explica que Ventura tenha transformado ele próprio a sua subida nas autárquicas num fracasso?

Foi devorado pelo seu maior trunfo - a sua condição de catarata mediática -, que o levou a precipitar-se ao anunciar que conquistaria 30 câmaras. Obteve apenas três, mas expandiu-se por todo o território com um bom resultado, que lhe dá a chave da governabilidade em muitos locais. No entanto, arrisca-se também a confirmar e amplificar a perceção de que o Chega não serve sequer para gerir municípios.

Pode chegar a primeiro-ministro, ou o balão está a esvaziar-se?

Já não é uma distopia, como parecia há cinco anos, mas não me parece provável. Se a legislatura fosse interrompida após uma eventual queda do atual governante, Luís Montenegro, teria alguma hipótese.

Porque é que Ventura se candidata às presidenciais de janeiro?

Procura chegar à segunda volta para acumular mais força - graças à sua habilidade mediática - com vista a chegar a primeiro-ministro.

O que representou para si estar cinco anos embutido na extrema-direita?

Contaminou toda a minha vida, para o bem e para o mal. Não me arrependo. Desde o início quis ouvir e tentar compreender, seguindo o caminho que Hannah Arendt nos traçou.

domingo, 1 de junho de 2025

Partido Fascista Chega


 "Há em Portugal um Partido Comunista, um Socialista, Social Democrata, Democrata Cristão, Liberal, há pequenos partidos de “trabalhadores” ou “revolucionários “. E há um Partido Fascista chamado Chega - o único que dá a si próprio o nome não de uma ideia mas de uma interjeição. Essa esparrela onde tantos caíram tem que ser revertida. Ninguém deve escrever ou dizer o Chega ou o Partido Chega. Deve dizer-se sempre o “Partido Fascista Chega”. Parte da propaganda deste Partido é ocultar o seu programa com um nome genérico. A ideologia, ação, programa e direção deste Partido é fascista - ainda que muitos dos seus votantes possam não ser. Que os media aceitem tratar Ventura pelo que ele diz que é e não pelo que é resulta da crise do jornalismo. Na esfera científica , pública e democrática não podemos ceder na forma - trata-se de um Partido fascista, assim deve ser nomeado.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

As Baratas que Votam no Chinelo e Comemoram com Inseticida

De manhã tive que passar no clube para arbitrar um jogo e depois fui almoçar ao restaurante lá perto. 

Já quando estava a levantar para ir pagar a conta, na mesa ao lado, dois trabalhadores, vestidos com roupa de trabalho e salpicada de tinta falavam de política. Um insistia com o outro:

"Deita no CH que vais ganhar mais e isto vai para a frente. Há 50 anos que é sempre a mesma coisa PS/PSD...." 



Não me choca nada que haja ricos a votar em partidos que defendem os seus interesses. Choca-me verdadeiramente que haja pobres a achar que se votarem nesses mesmos partidos que defendem os ricos, que a vida deles melhorará, quando esses partidos só os querem esmagar. 

Neste livro (que não li) intitulado "O pobre de direita", tenta-se explicar o porquê de milhões de pobres, terem deixado de votar no partido que lhes matou a fome e até permitiu terem televisão e colocar os filhos na escola, e que passaram a votar na extrema-direita de Bolsonaro que simplesmente os quis esmagar, como um chinelo esmaga uma barata.

É o que acontece agora, por todo o mundo. E em Portugal, as pessoas também se esquecem de quem lhes permitiu ter Serviço Nacional de Saúde, pata todos, Subsídio de Desemprego (que fez agora 50 anos pela mão do primeiro-ministro Vasco Gonçalves), férias pagas, e quatorze salários, a possibilidade dos pobres poderem estudar, mais até, de poderem ir para as universidades. 

Mas os pobres ignorantes, quais baratas, acham que se votarem no chinelo a sua vida melhorará imenso. E depois comemoram com inseticida. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Zangam-se os Fachos Descobre-se os Tachos

 


Nada é por acaso. Mal foi constituído o novo parlamento sabia-se que uma grande parte dos deputados do partido fascista ilegal estavam a contas com a justiça, mas ninguém tocou muito no assunto. 

Até que, de repente, rebentou mais um escândalo no governo e na saúde (depois de todas as mortes por causa da falta de assistência do INEM), a acumulação de funções de Gandra de Almeida, diretor executivo do SNS que resultou na sua demissão. 

A seguir o escândalo da demissão do secretário de estado que já se estava a antecipar à nova lei dos solos, que o governo jurava a pés juntos que não permitiria corrupção, e o governante já tinha criado duas empresas para beneficiar da nova lei. 

Os escândalos sucedem-se no governo, então, há que apontar holofotes para outro lado, e, de repente, começa-se a falar dos escândalos no partido que quer limpar o país, mas que, parece que só descobriram agora, estão afinal com as mãos cheias de merda. 

E fala-se do roubo das malas e das vendas de roupa na Vinted. 



E, depois de meter baixa psiquiátrica, o deputado do CH vem lavar roupa suja na rede social do fascista, acusando os colegas de partido de outras façanhas. Foi caso para eu pensar: "zangam-se os fachos, descobre-se os tachos!

domingo, 8 de dezembro de 2024

O Chega Não Gosta de Presépios

A história de José e Maria e do bebé que nasceu numa manjedoura é a história de uns migrantes, feios e pobres, que viviam graças ao Rendimento Social de Inserção. E no Chega ninguém se gosta de imigrantes pobres que vivem à custa do Estado porque simplesmente não tiveram o empreendedorismo de acreditar e ter nascido numa família rica. Eles que vão mas é para a terra deles! 

No Chega gostam mesmo muito é de imigrantes ricos, esses é que são bons. Imigrantes ricos, fira da Europa mas, que chegam aqui e compram as casas todas. E depois os nossos jovens ou ficam em casa dos pais à espera que eles morram ou têm que emigrar porque nestes tempos atuais que vivemos nem sequer uma casa terão possibilidades de comprar. 


sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Antes da Ceia de Natal Fazer o Teste de Despiste do CHEGA!

"Neste Natal já não é preciso fazer o teste da COVID mas é aconselhável fazer a despistagem do CHEGA antes de reunir os familiares. Para detetar aquele tio que é secretamente apoiante do André Ventura antes que ele, já com um copito comece a dizer que a culpa da guerra na Ucrânia, da morte da rainha Isabel II e das cheias é dos ciganos que recebem o RSI.







domingo, 6 de novembro de 2022

Papá, o Que é um Populista?



Olha puto, é assim, ser populista é ser, ao mesmo tempo, contra e a favor qualquer assunto, para dessa forma tentar cair na simpatia do eleitorado e os burros acharem que dizemos as verdades!

Mas isso não é um bocado incoerente?

Ser coerente não interessa nada. O populista não tem coluna vertebral, o que interessa é chegar depressa ao poder. E só isso é que os move. 

Na imagem acima podes ver o recorde mundial do fascista português. Em menos de 24 horas e em pleno parlamento conseguiu votar de todas as maneiras possíveis: contra, a favor e abster-se!



Nos dias que correm o populista-mor deixou passar mais algum tempo para não dar tanto nas vistas. Primeiro que não, que não se pode taxar as petrolíferas que estão a ganhar milhões com a especulação de preços. Dias depois já considera esses lucros imorais!

Do partido de onde saiu o populista-mor, o PSD que já foi "Pelo Socialismo" mas que agora é "Deus nos livre do socialismo" também temos tido populismo do bom. 

Primeiro contra o governo que é um disparte aumentar o salário mínimo. Depois contra porque o aumento do salário mínimo deveria ser maior! 


Populismo é: ser contra e a favor, para a cada momento cair nas boas graças do povo ignorante, e passarem por ser aqueles que dizem as verdades. 

domingo, 30 de janeiro de 2022

Conversas Improváveis (66) - Eu até há 10 Minutos Julgava Que Eras Inteligente


Semana de obras na empresa. Imagine-se, pintar um teto que era preto e deixá-lo bem branco. Levou umas quatro demão porque o preto, que absorve a luz em vez de a refletir, é a cor mais difícil de cobrir. Nem quero imaginar quantas demão é que teve que levar a pele do Michael Jackson para ficar mais branca que uma gótica que não apanha sol desde 1986!

Vários trabalhadores a pintar, um a fazer paredes de pladur e um eletricista a mudar a iluminação. A fazer os recortes um jovem de cor bem morena e cabelo grenho, que pelas conversas percebi que é de origem africana tendo vindo para Portugal aos cinco anos.

Durante os primeiros dias da semana fui conversando com um colega que relembrou a história de ter descoberto que um primo, de 23 anos, que antes até votava PS mas que agora assumiu que iria votar no CH por "protesto". 

Eu manifestei a minha estranheza. Afinal, iria protestar contra o quê? 
- Chega de aumento do salário mínimo todos os anos?
- Chega de desemprego em mínimos históricos?
- Chega de crescimento económico acima da média Europeia?
- Chega de país mais vacinado do mundo? 
- Chega de prosperidade?

Mas meu colega respondeu-lhe muito bem:

"Eu até há dez minutos julgava que eras uma pessoa inteligente".

As obras foram continuando ao longo da semana e a pouco e pouco os trabalhadores sentem-me com mais confiança com quem as pessoas da empresa. Por exemplo, ao início até apareciam de máscara, mas rapidamente - que basicamente foi no dia seguinte! - ninguém as usava apesar dos cinquenta mil casos COVID diários. Estranho ainda mais porque os pintores lidam diariamente com produtos químicos, mas tudo bem. 

No último dia de semana, e no meio de todo aquele caos de obras e tentar trabalhar, o choque. Passo de relance por um telemóvel pousado em cima duma estante e via-se André Ventura a falar. Não liguei, Mas momentos depois o outro colega chama-me a atenção: o pintor estava a ouvir o discurso do fascista! Eu fiquei boquiaberto!

Aquele jovem português de origem africana, que terá certamente sangue escravo nas veias, estava a ouvir o discurso do político racista, xenófobo, homofóbico e que quer fazer cercas sanitárias a minorias étnicas!

"Eu até há dez minutos julgava que eras inteligente".

Quando esta coisa deste partido ilegal apareceu (com mais destaque nos media que o anterior partido fascista PNR), dizia-se que o seu discurso era acolhido pelos mais velhos. Mas não é nada essa a minha sensibilidade. Tão simplesmente porque os mais velhos ainda se lembram muito bem da ditadura, das prisões arbitrárias e mortes, duma guerra colonial injusta, mas principalmente da fome e da "sardinha para três". 

Pelo contrário. São estes jovens que cresceram numa sociedade em que não lhes falta nada, que mais se deixam seduzir por estes discursos fascistas. Bom, não lhes falta nada é como quem diz: falta-lhes o mais importante: inteligência.