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sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

O Padrão da Direita Salazarista

Cavaco Silva mandava a polícia malhar nos estudantes; nos trabalhadores à porta das empresas em greve; nos manifestantes contra o aumento das portagens na Ponte 25 de Abril; mandava até a polícia de intervenção bater nos polícias. 

Ontem, o governo, de forma vergonhosa, mandou a polícia revistar cidadãos, num determinado bairro, só por terem determinado aspeto e por serem estrangeiros, naquilo que poderia ser uma operação de Hitler sobre os judeus. 

Ironicamente, há treze anos, neste mesmo dia, era noticiado que o governo da direita de então, de Passos Coelho e coadjuvado pelo irrevogável Paulos Portas, reunia-se também, por causa da criminalidade violenta. 

Goebbels, ministro da propaganda de Hitler dizia que "uma mentira contada mil vezes torna-se verdade". E a direita reacionária, travestida de extrema-direita, precisa sempre de um inimigo inventado. 

Ou são os judeus, ou os ciganos, ou são os estrangeiros, há sempre um inimigo invisível para justificar o estado de coisas. E vão continuar a repetir as mesmas mentiras, todos os dias, na esperança que se tornem verdade. 

Mas continuará a ser mentira. Portugal é um dos países mais seguros do mundo. A vinda dos imigrantes para fazer o que já não queremos fazer pelo valor que querem pagar não aumentou a criminalidade. É um facto indesmentível. Nem é culpa dos imigrantes ou estrangeiros que o SNS esteja no caos em que está hoje. A culpa do estado em que se encontra é dos sucessivos governos que desinvestiram na saúde pública. Bem pior o PSD - aquele partido que votou contra a criação do SNS - que quer fazer da Saúde um negócio para os privados. E, por mais que atirem areia para os olhos das pessoas, é esta a verdade.


 

sábado, 30 de novembro de 2024

Quem é Bolsonaro, Aquele que a Direita Portuguesa Nunca Viu Nada de Errado?

Em 2018 a direita portuguesa não via nada de errado em Bolsonaro - não é, Portas? - tal como finge não ver nada de errado em Trump, acusado de não sei quantos crimes e, mesmo assim, conseguiu fazer-se de novo presidente. Bolsonaro tentou um golpe de Estado, mas fez ainda pior, sabe-se agora que tentou matar Lula, Alckmin e Moraes. 

O que eu também gostaria era que algum jornalista perguntasse ao André, aquele que anda sempre com a corrupção na boca e que a propósito da vinda de Lula da Silva a Portugal disse que "o lugar de bandido é na cadeia", o que tem agora a dizer do seu amigo do peito, Bolsonaro, ao ser acusado de não sei quantos crimes e poder ir bater com os costados trinta anos na cadeia.

Aliás, Ventura vai muito mal de amizades. Bolsonaro bem como Trump acusado de dezenas de crimes e Le Pen viu o Ministério Público acusá-la de cinco anos de cadeia por causa de corrupção. Mas, relembremos quem é Bolsonaro, num artigo publicado esta semana na revista brasileira "Isto É", por Germano Oliveira:



"Jair Messias Bolsonaro, o ex-presidente golpista que autorizou militares próximos a ele na execução de um plano satânico para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, de forma bárbara, com envenenamento, tiros de fuzil, rajadas de metralhadoras, explosões de granadas e outros requintes de crueldade, sempre foi um péssimo soldado das Forças Armadas. O que até dá para justificar que chegou-se a tramar o fuzilamento do ministro do STF diante de suas filhas, em seu apartamento funcional – o magistrado esteve sob a mira de armamentos usados pelos diabólicos Kids Pretos, a unidade de táticas de guerra do Exército em Goiânia.

O ex-capitão praticamente foi expulso da caserna, no final da década de 80, depois de tentar explodir bombas em quarteis, por entender que isso pressionaria os comandantes a liberarem aumentos salariais aos fardados. No julgamento por tribunais militares, acertou-se que ele não seria condenado pelos atos de insubordinação e crimes contra a segurança nacional, mas que deveria deixar a farda. Saiu pela porta dos fundos.

E, assim, o Exército ganhou com sua “expulsão”, mas, infelizmente, a política perdeu com a chegada de mais um parlamentar inútil. Ele se lançou na carreira política, elegendo-se deputado federal pelo Rio. Ficou na Câmara por 28 anos, sem ter apresentado nenhum projeto, embora tenha destacado-se por frases amalucadas, como a que disse contra o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, o tucano deveria ser fuzilado, assim como outros 30 mil “comunistas”.

O tempo passou e ele elegeu-se presidente da República, mais porque Lula, o líder popular, estava na cadeia e o candidato do PT, o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não tinha lá muito carisma. Aproveitando o despertar da direita e dos evangélicos, ele assumiu a presidência e logo lançou-se a soltar asneiras.

Certa vez, bradou aos quatro ventos que era “imorrível”, “imbroxável” e “incomível”. Dizia ser tão macho que teve quatro filhos homens, mas depois “fraquejou” e teve uma filha. Nada mais misógino do que um testemunho como esse. Tanto que, em 2022, perdeu para Lula entre os eleitores do sexo feminino.

Ao sair pela porta dos fundos do governo, como já havia feito no Exército, recusou-se a passar a faixa presidencial a Lula. Segundo o relatório da PF, que o indiciou pelo crime de tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente fugiu para os EUA com medo de ser preso. Agora, transformou-se em “inelegível”,“inescrupoloso” e “indiciado”. Investigado em oito inquéritos, pode ser condenado a mais de 30 anos de cadeia. É o destino de todos os que desafiam o Estado de Direito e o regime democrático. Por sorte, a PF e o STF funcionam com independência.


Recordemos quem é Bolsonaro, noutro artigo, de António Prata, desta feita publicado na Folha de São de Paulo deste domingo:

"Imagina só. É uma história bem doida, tá? Super inverossímil, mas façamos esse exercício mental. Um capitão do Exército, insatisfeito com o salário, faz um plano para explodir quartéis e o fornecimento de água de uma das maiores cidades do país. O plano é descoberto. Sai na Veja: um “croqui feito a mão pelo próprio Bolsonaro que mostrava a adutora de Guandu, que abastece o Rio de Janeiro, e o rabisco de uma carga de dinamite detonável por intermédio de um mecanismo elétrico”.

Imagina que, apesar disso, no Exército - essa instituição que se diz tão ciosa da ordem e da disciplina - o terrorista é absolvido e colocado na reserva. Continua a receber seu salário pago por mim, por você, por sua tia-avó dura que não consegue viver da aposentadoria e pelo resto da população brasileira. Inimaginável né?

Daí, só por um exercício (ou delírio?) mental, imagina que, com esse currículo, o cara concorre a vereador pelo RJ. É eleito. Depois vira deputado federal. Imagina esse cara, a vida toda, dando entrevistas elogiando a ditadura militar. Ou melhor, emendando: “O erro da ditadura foi torturar e não matar”. Imagina ele dizendo na TV que tinha que assassinar trinta mil para resolver o problema do Brasil. 


Sobre a milícia: "Enquanto o Estado não tiver a coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem vindo". Como certas doenças são hereditárias, Flávio Bolsonaro, em 9 de setembro de 2005, concedeu a Adriano da Nóbrega, miliciano, guarda costas de bicheiro e assassino de alugel, a maior condecoração do Poder Legislativo fluminense, a Medalha Tiradentes. O condecorado estava então na cadeia por homicídio. 


Pro presidente da OAB, que teve o pai “desaparecido” na ditadura, Bolsonaro disse: “Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele”. Outro “desaparecimento” sobre o qual Bolsonaro pode saber detalhes é o de Paiva (assistam a “Ainda estou aqui”). 


Em 2014, um busto do Rubens Paiva foi colocado na Câmara dos Deputados. Bolsonaro, diante de toda a família da vítima, simulou uma cusparada na estátua. Repito. Bolsonaro simulou uma cusparada na estátua de uma pessoa assassinada pela ditadura, diante dos filhos e da viúva.




Dois anos depois, no impeachment da Dilma (não importa o que você ache do governo ou do impeachment da Dilma) dedicou seu voto ao torturador dela e de muitos outros. “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. Já tinha dito antes: “Pau-de-arara funciona. Sou favorável à tortura, tu sabe disso”.

Agora, imagina esse sujeito se candidatar a presidente do Brasil. Daí, imagina ele ganhar. Imagina ele enchendo o governo de militares. Imagina ele passando quatro anos falando que as eleições são fraudadas. Imagina que nos setes de setembro ele faça comícios antidemocráticos e bote uns tanques fumacentos para desfilar por Brasília. Imagina que ele diga que só sai do poder preso ou morto.

Pois, tendo imaginado isso tudo, o que vocês imaginam que essa flor de ser humano iria fazer ao perder as eleições? A) Passar a faixa democraticamente ao vencedor? B) Mexer mundos e fundos para dar um golpe de estado e fugir pra Disney? Se as questões da Fuvest fossem tão fáceis, teríamos 100% da população brasileira cursando universidade a partir de janeiro de 2025.

PS.: Bolsonaro é covarde e obviamente vai fugir. Prendam logo".

Mas a direita portuguesa nunca viu nada de "eticamente reprovável em Bolsonaro", não é Portas?



sábado, 18 de novembro de 2023

O Golpe de Estado de 7 de Novembro de 2023

 Aquela terça-feira, 7 de Novembro de 2023, era um dia como outro qualquer. Como de costume eu estava a trabalhar trabalhar, tranquilamente, a poucos metros da ponte D. Luís  quando inesperado acontece! 

O chefe chega, todo empolgado, e pergunta se sabíamos das últimas notícias. Parece que todo o governo estava a ser investigado, vinha aí o Diabo e, no mínimo iam rolar cabeças. Eu continuei no meu canto, impávido e sereno. Já os meus colegas tinham colocado os smartphones a dar em direito as notícias e, com tanto frenesim, mais parecia que vinha aí o fim do mundo em fio dental a íamos ser invadidos por extraterrestres. 

Mas foi pior. Um comunicado de imprensa da Procuradoria Geral da República acabava de cometer um golpe de Estado e deitar abaixo um governo de maioria absoluta, eleito democraticamente pelos portugueses. 

Perante os indícios e o diz-que-disse do comunicado, o primeiro-ministro demite-se. Foi um escândalo nunca visto. Certamente em breve todos iriam ser todos exemplarmente presos. 


Uma parte do país estava completamente eufórica. Nem imagino a quantidade de garrafas de champagne que terão sido abertas nesse dia. Contudo, eu, que nem sequer tinha contribuído para eleger este governo e de quem até sou muito crítico, não me senti particularmente feliz, pelo contrário, fiquei muito apreensivo. O meu primeiro sentimento foi de dúvida, sabendo muito bem que a justiça portuguesa ainda não tinha tido o seu 25 de abril, e que está completamente dominada por interesses, quer da maçonaria, quer pelos próprios partidos, quer do partido ilegal da extrema-direita que viola a Constituição e que se tem infiltrado nas forças de segurança. 

Como já há quase dez anos que não tinha televisão, não via telejornais nem ouvia os manipuladores, disfarçados de comentadores políticos, nem ouvia as escutas diárias, às pinguinhas, a queimar em lume brando os arguidos que, segundo a Constituição gozam de presunção de inocência.

Ainda assim, nunca foi por não ter televisão que me tinha por mal informado. Naquele tempo não esperava que a informação viesse ter comigo, era eu que ia atrás da informação e, entre outros, lia todos os dias o JN, DN, El País, Guardian, Folha de São Paulo, e comecei a ler o que diferentes figuras relevantes, de diversos setores, tinham para dizer, E o mais curioso é que, todos eles, convergiam com as minhas suspeitas: ou o ministério público rapidamente apresentava as graves provas que tinham reunido ou então estávamos perante um golpe de Estado. 

Cândida Almeida, ex-diretora do DCIAP escrever no Jornal de Notícias:

A justiça portuguesa é, afinal, a mais célere do Planeta! Com estrondosa e censurável violação do segredo de justiça, esquecida que foi a discrição até então, o país foi acordado na passada terça-feira com notícias sobre a realização de várias diligências, de detenção, buscas e apreensões domiciliárias e não domiciliárias, no âmbito do processo relativo à exploração do lítio e hidrogénio verde. De imediato, os média rodearam-se de alguns espertos nestas matérias, e não só, que rapidamente se organizaram, nomeadamente sobre a égide dos vários canais de televisão, em mesas redondas, quadradas e de outras formas possíveis. 

Pela primeira vez na história da nossa liberdade assiste-se de forma grave e perigosa a uma negativa conexão entre a Justiça e a Política. 

As vozes sensatas presentes nesses debates foram desconsideradas e abafadas. Era preciso condenar, sem recurso, pelos crimes de que aqueles eram indiciados, corrupção activa e passiva, prevaricação e tráfico de influências. Registe-se que os detidos nem sequer tinham sido interrogados pelo juiz de instrução. A justiça da praça pública serve interesses ocultos e entusiasma os pretensiosos e ignorantes. O processo encontra-se em segredo de justiça (!), porém os justiceiros já decidiram a causa, no conforto de uma cadeira estrategicamente colocada num espaço de TV.

Com maior gravidade ainda foi a revelação de que corria no STJ inquérito contra o primeiro-ministro António Costa por actos relativos à investigação sobre o lítio. Rompendo com todas as normas deontológicas, alguém informou a imprensa da existência do inquérito, não obstante sem suspeitos ou arguidos constituídos. Por curiosidade, na passada quarta-feira, o Expresso online referia que são praticamente inexistentes indícios do cometimento de crime por António Costa, que até pode não ser constituído arguido. 

Receio que a nossa democracia não esteja de boa saúde. E falta esclarecer o porquê e para quê a Senhora PGR foi a Belém!...

Num artigo intitulado "Um dia negro", Miguel Sousa Tavares escrevia no Expresso:

E assim, curto e grosso, o país viu-se sumariamente enxovalhado e na lista negra de lugares onde seja saudável e prudente investir. De caminho, também e para efeitos internos, interrompeu-se a meio uma legislatura de maioria absoluta, atirou-se ao lixo um Orçamento prestes a ser votado e várias medidas urgentes e úteis para as pessoas dele constantes, interromperam-se as inadiáveis negociações com os médicos e a reestruturação do SNS, paralisou-se a execução do PRR e lançou-se em Bruxelas a suspeita sobre a boa aplicação dos seus dinheiros, aplicou-se um golpe de consequências ainda imprevisíveis na política de transição energética essencial a um país sem petróleo, gás ou centrais nucleares, mais uma vez protelou-se a escolha sobre o novo aeroporto de Lisboa, deixou-se a gestão governamental suspensa num momento em que paira uma recessão no horizonte, soltou-se, ufano, o populismo e a descrença nas instituições no ano das celebrações do 25 de Abril e devolveu-se a praça a alternativas forçadas que não existiam por si há três dias. Independentemente das culpas, da razão ou da sem razão de tudo isto, do lugar de esquerda ou de direita de onde se olhe para o fatídico 7 de Novembro, quem ainda consegue angustiar-se com o destino deste infortunado país não pode deixar de lamentar mais uma oportunidade perdida. Uma maio­ria absoluta, um Governo sem albergue para extremistas, contas certas, a dívida pública a ser paulatinamente diminuída a benefício de agora e dos que virão e o dinheiro europeu como nunca mais virá: tudo desperdiçado, outra vez.

Em 7 de Novembro aconteceu uma de duas coisas, e apenas uma de duas coisas, pois não há terceira hipótese. Ou um impensável cancro andou a ser congeminado e a germinar entre várias pessoas do círculo íntimo do poder e do primeiro-ministro, sem que ele desse por nada — o que eu quero acreditar, e acredito —, ou vários magistrados do Ministério Público (MP), confundindo diligências de governantes com indícios de crime de corrupção e “intervenções para desbloquear procedimentos” com crime de tráfico de influências, decidiram, leviana ou conscientemente, derrubar um Governo eleito pelos portugueses e agora ficarem tranquilamente sentados durante 10 anos a assistir à “justiça a seguir o seu curso” e à história a mudar abruptamente o seu.

Já Garcia Pereira escreveu no Noticias Online:


E assim sendo, e tendo tal forma de actuação do Ministério Público conduzido – como era tão previsível quanto inevitável que conduzisse – à demissão do Primeiro-Ministro e à queda do Governo, não há agora alternativa a esta questão: ou as suspeitas do Ministério Público têm um mínimo de credibilidade e não podem deixar de, num processo justo e com as devidas garantias de defesa, conduzir a uma fundamentada acusação e depois a uma justa condenação, tendo António Costa que assumir as respectivas responsabilidades jurídico-penais e políticas; ou tudo isto não passou de autêntica “fumaça”, e o Ministério Público, a sua dirigente máxima e todos quantos com eles alinharam nesta operação de cerco e aniquilamento não poderão deixar de ser política e criminalmente responsabilizados pelos gravíssimos danos pessoais, sociais e políticos que causaram, até porque não é de todo admissível que, numa situação como esta (ou seja, se se vir que a pública imputação não tinha fundamento), o Ministério Público possa, num autêntico golpe de Estado, derrubar um Primeiro-Ministro e o seu Governo, sejam eles quais forem"!

O insuspeito Pedro Tadeu escreveu no Diário de Notícias:


Vamos lá puxar pela memória. Paulo Pedroso, político, esteve em prisão preventiva entre maio e outubro de 2003, no âmbito do Processo Casa Pia. Cumpriu quatro meses e meio. Os tribunais inocentaram-no. O Estado português foi condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a pagar-lhe uma indemnização de 68 mil euros por detenção injusta.

O ator Herman José foi indiciado por um crime alegadamente ocorrido em Portugal a 8 de fevereiro de 2002. No entanto, Herman José apresentou provas, como gravações vídeo e bilhetes de avião, que demonstravam que naquela data estava no Brasil em trabalho para a SIC. Não foi julgado, mas fora despedido da SIC e sofrera graves danos reputacionais.

Madeleine McCann desapareceu na noite de 3 de maio de 2007, quando tinha quase 4 anos de idade, do seu apartamento em Praia da Luz, Algarve. As autoridades contaminaram o local do desaparecimento. Os pais foram publicamente declarados como principais suspeitos de uma morte acidental e de ocultação do cadáver da filha. 16 anos depois, o mês passado, a BBC noticiou que elementos da Polícia Judiciária se tinham deslocado a Londres onde tinham pedido desculpa ao casal. A Judiciária emitiu um comunicado a desmentir essa informação, alegando que foram apenas dadas informações sobre o andamento do caso, que foi arquivado pelo Ministério Público em 2008 e reaberto em 2013, sem resultados.

Miguel Macedo demitiu-se em 2014 de ministro da Administração Interna ao ser envolvido pelo Ministério Público no chamado Caso Vistos Gold. Ao fim de quatro anos foi absolvido de todas as acusações. Nunca mais voltou à política.

O antigo primeiro-ministro José Sócrates foi detido em 2014 (Operação Marquês) e preso preventivamente durante nove meses. A decisão de que o caso deveria seguir para julgamento só aconteceu sete anos depois. Dos 31 crimes que o Ministério Público o indiciava o juiz de instrução anulou 25. Há recursos a correr no Tribunal da Relação, da defesa e da acusação, num caso que se eterniza.

A pergunta que deixo é esta: Não podendo, nem devendo, a política meter-se no trabalho da Justiça, que penalizações a própria Justiça aplicou aos responsáveis por erros, omissões, incompetências, demoras, desleixos, teimosias e atropelos ao bom senso que, como é evidente, sempre que um caso é mediático, sistematicamente os investigadores judiciais cometem?... Que fizeram sobre isso, por exemplo, o Conselho Superior do Ministério Público ou o Conselho Superior da Magistratura?
E já nem falo das violações de segredo de justiça que, em todos estas situações, aconteceram e que arruinaram a reputação pública de alguns inocentes.

Se o Ministério Público quer que confiemos nele, tem de fazer Justiça a si próprio.

Assim de cabeça e sem recorrer à Wikipedia, em fevereiro de 1908, Manuel Buíça, que pertencia à carbonária e apoiado pelos republicanos, espeta uns balázios na cabeça do rei e, dois anos depois, uma revolução deita abaixo a monarquia e proclama a república. Dezesseis anos depois, em 1926, a Igreja Católica ressabiada pela perda de influência, e com o apoio dos militares faz um golpe e instala uma ditadura fascista que haveria de durar 48 anos, até de 25 de abril de 1974 em que, outra revolução comandada pelos militares devolve a liberdade e a democracia.
 
O Brasil teve os seus dois golpes, primeiro de Dilma, depois de Lula. Costa foi afastado exatamente da mesma forma e eu lembrei-me logo de um vídeo da Porta dos Fundos que satirizou isso muito bem. No nosso caso poderia ser:
"Já estou com dores nas costas".
Vocês disse "Costa"?  
Manda um comunicado a dizer que vamos investigar o Costa!

  

Dias depois do 7 de novembro e, como eu pensava, as minhas suspeitas mostraram-se certas, a montanha havia parido um perigoso golpe de Estado através de um comunicado da procuradoria.

Portugal era olhado com gozo "o primeiro-ministro que se demitiu por engano" ou "o ministério público que tinha confundido o nome do primeiro-ministro"! 

Mas ó Konivs, tu não achas que houve ali no governo do PS trapalhadas e facilitismos que pode roçar a corrupção?

Ó cara leitora ou leitor desprevenido que por aqui aterrou: é lógico que a tentação de quem tem a possibilidade de meter algum ao bolso é sempre grande, seja meter ao bolso a caneta lá da empresa, seja a meter uns dinheiros por debaixo da mesa na junta de freguesia, a câmara municipal ou no governo, porque, como até sabemos, diz-se que a melhor profissão que há é a de ex-ministro. 

E o problema é que, apesar de, contrariamente à maioria da opinião pública, nós nem estamos assim tão mal no que se refere à percepção da corrupção no mundo, a verdade é que temos que melhorar muito a esse respeito. E antes mesmo de apontarmos o dedo a quem quer que seja, nós mesmos, na nossa vida deveremos pautar a nossa vida pela ética e não tentando sempre arranjar um esquema ou aproveitarmo-nos das situações. 

Mas depois, eu olho para a Justiça, e vejo uma clara diferença de tratamento quando se trata de PS ou PSD (e eu estou muito à vontade porque não voto em nenhum dos dois). 

Na minha visão, o processo Casa Pia ia servindo para tentar decapitar o PS e meter na lama Paulo Pedroso. Sócrates esteve detido durante um ano para ser investigado, e está há 10 anos à espera de julgamento! E agora, um governo eleito democraticamente, de maioria absoluta é decapitado porque alguém se baralhou nos nomes! Mas estamos a brincar?

Por outro lado, se a Justiça é rápida a acusar uns, depois já não se vê nada quando se trata dos casos dos outros. Lembrar os submarinhos do irrevogável Paulo Portas, em que quem os vendeu na Alemanha foi preso, bem como quem os comprou na Grécia mas em Portugal nem sequer foi a tribunal! Ou lembrar também a Tecnoforma de Passos Coelho em que a comissão europeia, contrariando o ministério público português disse que houve graves irregularidades e corrupção! Mas também não foi a tribunal!


Assusta-me ver o rumo que isto está a tomar. Deita-se abaixo um governo com maioria absoluta assim do nada. Serão milhões de prejuízo. O país fica parado mais uns meses. O crescimento do populismo a acenar com o papão da corrupção. Apesar de todas as minhas críticas ao governo de António Costa, temos que o que venha a seguir seja bem pior...

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

CTT: Agradecer a Passos Coelho, Portas, Relvas e Moedas

Como frequente utilizador do serviço postal dos Correios há décadas, e que antes eram considerados como um dos melhores do mundo, gostaria de deixar aqui o meu agradecimento público ao ex-primeiro-ministro Passos Coelho, ao ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas, ao Doutor Miguel Relvas e a Carlos Moedas por terem procedido à privatização dos Correios de Portugal. 

Finalmente podemos dizer que temos um serviço de Correios que é mesmo uma valentemente merda, sendo até considerados no estrangeiro como "não confiáveis" e estão ao nível de países tão desenvolvidos como Síria que nem as casas tem de pé.

Mas este agradecimento é também extensível a António Costa, atual primeiro-ministro, de um governo que nasceu de um partido que tem no nome "socialista", mas que nada fez no sentido de reverter a situação e, por exemplo, renacionalizar, como tem sido defendido pelos partidos de esquerda. 

Esta situação é para juntar à série: "um privado gere sempre melhor que o Estado". Não, um privado não gere melhor nem defende o serviço público. Um privado só se preocupa com uma coisa: ganhar dinheiro. A qualidade do serviço que se foda!


quarta-feira, 11 de julho de 2018

Foi Você que Pediu um Irrevogável? ou As Muitas Caras de Paulo Portas

A triste cena do "irrevogável" fez no início deste mês cinco anos. Acho que a efeméride merece que lembremos um dos políticos mais hipócritas, cínicos, mentirosos e dissimulados da história da democracia portuguesa: