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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Quantos Anos é Preciso Trabalhar Para Compensar uma Licenciatura?

"O homem pode amar o seu semelhante até ao ponto de morrer por ele; 
mas não o ama tanto que trabalhe em seu favor." 
(Proudhon)

heraldsun.com.au/
Nesta sociedade, todos nós que vimos ao mundo somos obrigados a trabalhar para podermos sobreviver. Vamos para a escola e lá passamos muitos anos, uns mais do que outros, quer pelas diferentes capacidades de cada um, quer muitas vezes pelas possibilidades socio-económicas que os nossos progenitores têm, em poder, ou não, de nos proporcionar os estudos e mais concretamente ainda os estudos universitários. 

Desde criança que ia ouvindo dos adultos que se quisesse ser alguém na vida (seja lá o que isso queira dizer) que teria que estudar, ou então, em alternativa, ir acartar baldes de massa (só porque nasci com um pénis).

Ninguém dizia às crianças "estuda para seres culto e saberes muitas coisas" ou "vê se te esforças na escola para aprenderes e não seres um ignorante". No fundo as crianças passarão longos anos a fio nas escolas, e mesmo durante a vida adulta, para serem treinados para o trabalho e em função disso terem expectativas melhores ou piores na retribuição salarial. E muitas vezes escolhe-se em função disso, das expectativas salariais, porque sinceramente, eu duvido que haja tanta gente com vocação para medicina!

Quando eu era miúdo, ouvia muito falar na quarta classe, que eram os estudos que a maioria da população tinha, e ouvia também falar no "quinto ano" ou então no "sétimo ano", que já era uma coisa importante! Mas aos poucos e poucos a sociedade portuguesa foi mudando e os estudos e os empregos também. Se quando eu era criança a grande parte das mulheres ainda ficava em casa a cuidar da casa e dos filhos, nas últimas décadas já trabalham homem e mulher e chegados ao fim do mês muitas vezes não há dinheiro para se pôr de lado. 

Entretanto os estudos obrigatórios passaram para nove anos e de nove para doze anos (apesar do CDS ser contra). Os primeiros nove, segundo ouço falar, são agora quase de passagem obrigatória, e os doze são, se calhar a nova quarta classe. Cada vez mais os alunos vão para as universidades, e longe vão também os tempos em que as meninas ficavam em casa a aprender a bordar, e são agora elas que enchem mais as universidades. Aconteceu também o processo de Bolonha, as licenciaturas estão mais curtas, e entretanto investe-se mais em mestrados e doutoramentos que, de facto, depois compensam realmente mais do ponto de vista salarial. 

Só que, fruto de todas estas mudanças, e da recente crise que implicou a última vinda do FMI a Portugal, os salários praticados vêm sendo nivelados muito por baixo, e a crise serve de desculpa para se pagar menos e os patrões embolsarem ainda mais. E já não há vergonha para se oferecerem salários mínimos, ou pouco mais que mínimos a licenciados. E depois temos ainda o problema da falta de empregabilidade, ou seja, o jovem adulto passa três, quatro ou cinco anos na universidade, para depois ir dobrar roupa para uma loja ou estar na caixa de um hipermercado. 

Diz-se que em Portugal ainda é dos países onde mais compensa fazer fazer um curso superior visto que o salário mínimo é miserável. Mas, vamos lá ver uma coisa: quantos anos é que um jovem licenciado tem que trabalhar para compensar ter passado cinco anos a estudar a mais?

Vamos fazer umas pequenas estimativas. Segundo alguns estudos, o salário base anual dos recém-licenciados, no primeiro emprego, situa-se entre os 13 280 euros e os 17 856 euros anuais, ou seja, mais coisa menos coisa mil euros.

Vamos então supor o seguinte. Um jovem com o 12º anos, começa agora a trabalhar e nos primeiros cinco anos tem um vencimento médio de 700 euros. Ao fim de cinco anos ganhou cerca de 50 mil euros. Já o jovem que foi para a universidade, e que por lá estará durante cinco anos, vai pagar propinas, muitas vezes terá que pagar o aluguer de um quarto e todas as despesas inerentes ao estudo, como manuais, material, etc.

Se daqui por cinco anos o jovem que se ficou pelo 12º ano terá ganho cinquenta mil euros, o recém licenciado só daqui por cinco anos ganhará o seu primeiro salário (sim, é verdade que entretanto poderá fazer uns biscates, mas esse dinheiro será para sustentar os seus estudos). Fazendo as contas sem aumentos salariais será então assim:

Daqui por seis anos e seguintes:

                                  58.800    /    14.000
                                  68.600    /    28.000
                                  78.400    /    42.000
                                  88.200    /    56.000
                                  98.000    /    70.000
                                107.800    /    84.000 
                                117.600    /    98.000
                                127.400    /  112.000
                                137.200    /  126.000
                                147.000    /  140.000
                               156. 800    /  154.000
                                166.600    /  168.000
                                   
Respondendo, um licenciado que fique cinco anos na universidade, com estes valores estimados que introduzi, precisa de dezassete anos para ultrapassar o rendimento obtido por um aluno que se ficou pelo secundário.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Já Que se Fala Tanto em Ambiente e Produtividade...

Agora não se fala de outra coisa. É Ambiente para cá ambiente para lá, são as palhinhas e beatas, mas falemos de coisas verdadeiramente importantes: e se experimentássemos trabalhar só quatro dias por semana? 

Sim senhor António Costa, em vez de proibir a entrada de carros anteriores a 2000 na cidade de Lisboa (como fez quando era presidente da câmara) medida simbólica e que apenas descrimina as pessoas que não têm rendimentos para terem carros mais modernos, diga-me lá,  quanto é que representaria retirar 20% por semana, dos mais de um milhão de carros que todos os dias circulam só em Lisboa e Porto?

Ah, mas ó Konigvs, e quanto é que isso custaria às empresas, tadinhas das empresas...

Falemos então de produtividade. Senhor empresário: interessava-lhe ter um aumento de 40% produtiviade na sua empresa?

Então atente no seguinte. Ontem o The Guardian trouxe uma reportagem muito interessante. Então não é que a Microsoft testou uma semana de trabalho de quatro dias em seus escritórios no Japão e descobriu que os funcionários não eram apenas mais felizes, mas também significativamente mais produtivos?



Durante o mês de Agosto, a Microsoft experimentou um novo projeto chamado Work-Life Choice Challenge Summer 2019 (qualquer coisa como Trabalho-Vida Desafio-Escolha 2109) oferecendo a todos os seus 2300 trabalhadores as cinco sextas-feiras seguidas sem diminuir os salários.

"Trabalhe por um curto período de tempo, descanse bem e aprenda muito", afirmou o presidente e CEO da Microsoft Japão, Takuya Hirano, em comunicado ao site da empresa. "Quero que os funcionários pensem e experimentem como podem alcançar os mesmos resultados com 20% menos tempo de trabalho."

Então não é que além do aumento da produtividade, os trabalhadores tiraram ainda menos folgas durante o teste, o uso de eletricidade caiu 23% no escritório e imprimiram menos 59% páginas de papel?

Já um estudo publicado pela Harvard Business Review mostrou que, dias de trabalho mais curtos, diminuindo as oito horas de trabalho para seis horas, aumentam a produtividade. Outro estudo realizado em 2018 com 3000 trabalhadores descobriu que metade dos trabalhadores achava que poderia fazer o seu trabalho em cinco horas por dia.

Então, e até porque também não se pode fazer tudo de uma vez, e visto que os políticos querem tanto proteger o Ambiente (nem dormem de noite a pensar no Ambiente!) mas querem também captar votos, porque raio o governo não começa por dar o primeiro sinal, reduzindo o horário de trabalho dos trabalhadores do privado, tornando igual o que neste momento é desigual em relação aos trabalhadores do Estado? 

E depois por que é que a União Europeia não coloca um horário de trabalho igual em todos os países da zona Euro e reduz definitivamente a semana de trabalho para quatro dias?

terça-feira, 29 de outubro de 2019

De Onde Vem a Palavra Trabalho?



O que é trabalhar? 

Na coluna "Ainda ontem" do Miguel Esteves Cardoso no Público intitulada "Sai-nos do couro", ele explica-nos que trabalhar vem do latim tripaliare que significa torturar alguém no tripálio. Ou seja, antigamente ao torturado dava-se o nome de escravo, depois servo ou criado, mais recentemente ao escravo deu se o nome de empregado ou trabalhador. Mas como convém higienizar as palavras, a novilingua contemporânea passou a usar o termo "colaborador", dando ao escravo atual a falsa ideia de liberdade, afinal, os escravos colaboram, como quem diz, que é só quando lhes apetecer, logo não são escravos forçados! E a verdade é essa, o escravo de hoje é muito diferente do que era torturado no tripálio. O escravo do século vinte e um vive livre numa prisão...

... e agora em seguida podem ler a frase de Huxley que está por baixo do título deste blogue. 


terça-feira, 24 de setembro de 2019

Não Trabalhar a Partir de Casa




Já não é de agora que há pessoas que trabalham a partir de casa. Não precisam deslocar-se para a empresa. Muitas podem até mesmo trabalhar a partir de qualquer sítio.

E eu agora estava cá a pensar com as minhas barbas... 
Quer dizer...
Eu levanto todos os dias cedo. Vou para o banho e tomo o pequeno-almoço, meto-me no carro e faço cinquenta quilómetros a poluir o ambiente num carro a gasóleo, para depois basicamente ficar na empresa à espera da hora de sair, nove horas depois. 

- Será que não dá para não trabalhar a partir de casa?

sábado, 2 de março de 2019

Dúvida Existencial (6) - Trabalhadores do Porto e Trabalhadores de Lisboa

Via Pinterest

A meio da semana estive a trabalhar perto de Lisboa. A dado momento, a pessoa que estava a trabalhar comigo (subcontratado e que não é da minha empresa) dizia-me que, uns dias antes, tinha estado a trabalhar na Exponor com pessoal de Lisboa, e que, não tinha nada a ver a forma deles trabalharem. Segundo ele, eles não fazem metade de nós.

Depois do nosso trabalho feito, e de, visivelmente, o cliente estar satisfeito, comentou-se o facto de ficado muito agradado com o nosso trabalho, e falou-se, de novo, também nisso, de ser normal ficarem muito satisfeitos com o pessoal do norte, porque nós somos muito mais trabalhadores do que a malta de Lisboa, em que o trabalho não é para se fazer, é para se ir fazendo. 

Mas isto deixou-me a pensar com as minhas barbas:

"Oh pá, então se nós no norte somos assim tão bons trabalhadores, tão espetaculares, e ainda por cima o pessoal do Lisboa pede licença a uma mão para mexer a outra, então porque será que nós no grande Porto ganhamos, genericamente, bem menos que o pessoal de Lisboa?

Quer-me parecer que se calhar aqui no grande Porto deveríamos era começar a fazer menos, para ver se os nossos patrões nos aumentavam, para ganharmos, pelo menos, tanto como a malta de Lisboa. 

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Trabalhadores Pseudo-Dedicados

"Um estudo conduzido no Reino Unido pela Ashridge, da Hult International Business School, uma faculdade de gestão, concluiu que em 28 empresas existem colaboradores que parecem ter um elevado grau de empenho, parecendo sempre muito ocupados, quando na realidade trabalham pouco e prejudicam a produção coletiva, noticia a BBC.

Estes trabalhadores, que a equipa de pesquisa batizou de “pseudo-dedicados” caracterizam-se por se saberem vender bem, promovem-se em reuniões de equipa e têm a tendência de se juntarem às conversas que lhes convém, no local de trabalho. Por isso, são normalmente encarados como colaboradores “altamente dedicados”. (Jornal Económico)

Conheço-os bem. Todos conhecemos não é? Todos, vírgula, pois na verdade, só um bom trabalhador pode identificar um trabalhador pseudo-dedicado. Quando um pseudo-dedicado está na presença de outro pseudo-dedicado o mundo deles é aquele, são ambos espertos, os outros, os verdadeiros bons trabalhadores é que são uns otários.

Na imagem abaixo vemos um exemplo do trabalhador pseudo-dedicado. Mal o patrão ou a chefia abriu a porta ou ficou num ângulo em que o possa observar, ele ataca furiosamente o teclado:



Mal o chefe ou o patrão vira costas e o trabalhador pseudo-dedicado lá volta à sua rotina de fazer o menos possível. Não há como dizê-lo doutra forma. O trabalhador pseudo-dedicado é um especialista, especialmente na arte de não fazer um caralho! Mas aparenta, sempre, logicamente quando as chefias estão por perto, muita pró-atividade e dinamismo! Está sempre preocupado com a empresa! O trabalhador pseudo-dedicado passa o dia a consultar páginas da internet que não era suposto, de telecrã na mão a atualizar a rede social mas, subitamente, quando alguém se aproxima, rapidamente comuta para o que era suposto estar a fazer. Só que por vezes é lento, e quando a porta abriu lá vemos aquela comutação de janelas tããããão lenta! Acho que há trabalhadores pseudo-dedicados que deveriam fazer um curso para pseudo-dedicados, para se tornarem mais rápidos na arte  invisível de mudar de janela sem ninguém se aperceber!

O trabalhador pseudo-dedicado tem um ego imenso. É o maior. Não há ninguém como ele. Os outros é que são uma merda. Ele é que trabalha muito e os outros é que não fazem nenhum. São super despachados, principalmente a despachar o seu trabalho para os outros! Mas quando entram mais pessoas para a empresa "no tempo deles é que era"! Sozinhos faziam o trabalho de três ou quatro pessoas! Eu nem quero imaginar como seria!

O trabalhador pseudo-dedicado é especialmente dedicado na arte da coscuvilhice. A informação é poder, logo, há que se fazer amigo de toda a gente, ou, no mínimo, tentar parecer amigo de toda a gente, estar sempre em cima do acontecimento, ter o máximo de informação para se conseguir sempre antecipar ao que irá acontecer. Por exemplo, se há uma auditoria ou um trabalho mais chato de se fazer, convém antecipadamente saber a data, para que, com tempo se elabore uma estratégia de fuga, de fugir com o rabo à seringa! Porque a verdade é essa, o pseudo-dedicado é muito esperto, principalmente na arte de fazer o menos possível da forma mais rápida possível, nem que para isso tenha de atalhar caminho e deixar tudo mal feito!

Só que, infelizmente, não se consegue enganar toda a gente ao mesmo tempo. Há ângulos de visão diferentes e, aos poucos, estes pseudo-dedicados começam a ser apanhados nos seus estratagemas. E nós, os trabalhadores comuns, até fazemos de conta, mas por favor, não insultem a nossa inteligência ou os nossos ouvidos! Eu estou-me a cagar se os pseudo-trabalhadores não fazem um caralho! Não sou eu que lhes pago o salário! Eu não sou polícia, quem paga que abra os olhos, se quiser. Mas já me incomoda um bocadinho, quando vejo certos espertinhos a picar o ponto depois de almoçar, ficando assim com quase meia hora de almoço que eu. Contudo, também não me estou a ver no papel de queixinhas. Incomoda-me e revolta-me, mas, o papel de queixinhas está reservado aos pseudo-dedicados. No entanto, quando elas tiveram que sair, certamente que sairão.

Mas como os pseudo-dedicados gostam de mostrar que se preocupam muito com a empresa, passam a vida a enviar e-mails às chefias. A fazer queixinhas, a mostrar como os outros é que são maus trabalhadores, para que eles passem pelos pingos da chuva. Daí que seja normal ver um pseudo-dedicado chegar a chefe. Porquê? Porque um chefe não tem de trabalhar como os outros, só tem que mandar os outros fazer!

Por isso, muito cuidadinho com risinhos e palmadinhas nas costas. Pode ser só um trabalhador pseudo-dedicado a espetar-te uma faca nas costas. 

domingo, 18 de novembro de 2018

A Fidelidade Laboral Não Compensa - Queres um Aumento? Muda de Emprego!



Ser "fiel" para com a entidade patronal não compensa. Minimamente. Vamos ficando porque nos sentimos bem, porque estamos confortáveis, mas não somos valorizados naquilo que mais interessa, que é a retribuição do nosso trabalho ao fim do mês, porque palmadinhas nas costas não compram bens no supermercado para comermos. E a larga maioria dos trabalhadores trabalha porque precisa, não trabalha porque gosta do que faz. E os anos passam (e eu que o diga) e aumentos salariais nem vê-los. 

Por outro lado, quem está empregado e muda de emprego é logo valorizado à cabeça. 
- Não é estranho isto?
Valoriza-nos mais quem não nos conhece, que aqueles para quem trabalhamos há anos e que sabem que desenvolvemos um bom trabalho. E se calhar é assim em tudo na vida. 

Portanto, se queremos ser valorizados e receber um aumento salarial só temos uma solução: mudar de empresa. Não podemos esperar que sejamos valorizados pelo bom desempenho, temos simplesmente procurar quem nos valorize mais. Isto é um concelho que eu mesmo deveria seguir. Porque não o fazemos? Isso são outros quinhentos. 

sábado, 3 de novembro de 2018

O Evangelho da Riqueza

"A santificação da propriedade privada e a conversão de qualquer valor mercantil têm por consequência a profunda desumanidade da classe dirigente, o seu desprezo pelo homem, a maior parte das vezes mascarado sob as aparências de uma falsa filantropia, mas então exibido cinicamente. Os homens são julgados pela sua força de trabalho e considerados como simples instrumentos. As relações humanas são vazadas de qualquer conteúdo que não seja utilitário e o trabalho de um assalariado pode ser comparado a qualquer mercadoria: "O trabalho como farinha ou o tecido de algodão, deveria ser sempre comprado ao preço mais baixo e vendido ao preço mais alto". A regra que comanda a retribuição dos operários ("qualquer salário é equitativo se é igual ao que obtém este tipo de trabalho no mercado livre") não deve sofrer nenhuma exceção nem ser submetida consideração de ordem humanitária. Pois "a beneficiência e os negócios são e devem permanecer eternamente dissociados. Um patrão não está mais adstrito a obrigações financeiras em relação aos seus operários após lhes ter pago salários ordinários, que estes a seu respeito ou ao de um desconhecido". A verdadeira ética do business está completamente contida nesta declaração de um industrial: "Eu considero os meus operários exatamente como considero as minhas máquinas. Enquanto puderem executar o meu trabalho por aquilo que decidi pagar-lhes mantenho-os tirando  deles o que posso tirar". E sem dúvida espera tirar ainda mais convencendo o operário que o triunfo está à mercê de todos, que só depende do mérito individual. Daí o regresso a um puritanismo militante e agressivo. 

O Capitalismo Selvagem nos Estados Unidos - Marianne Debouzy (1972)

domingo, 16 de setembro de 2018

Bem-vindos Às Falsas Promessas do que Seria o Trabalho no Século XXI

Quando eu era miúdo prometiam-nos uma vida muito melhor. Diziam-nos que num futuro próximo as máquinas de escrever iam ser substituídas por computadores e imaginem que até se dizia que o papel iria desaparecer. Infelizmente o papel não desapareceu, e por causa disso temos um país infestado de eucaliptos. Diziam também que iríamos ter de trabalhar muito menos horas por dia e com os computadores até se poderia passar a trabalhar de casa.

As novas máquinas vieram, e hoje, ao contrário de quando era criança, em que basicamente a maioria das pessoas só tinha uma motorizada para se deslocar, hoje, toda a gente tem o seu carro, dois ou mais até, ou pelo menos um para cada elemento do agregado familiar. Hoje, ao contrário do tempo em que era criança, todos já têm o seu computador de secretária ou portátil, têm dois ou três, e todos até têm o seu telemóvel com acesso à internet. A indústria sofreu uma verdadeira revolução e até aí estão os robots para, supostamente, substituir os humanos. Mas afinal, até que ponto a nossa vida mudou verdadeiramente para melhor? A vida mudou realmente para melhor, ou as pessoas passaram a ter de trabalhar muito mais para comprarem as merdas que o capitalismo meteu na cabeça das pessoas não podem sem as ter? 

Pois é. Afinal todas as promessas não passaram de mentiras deslavadas e continuamos a ter de trabalhar de sol a sol, tal como antigamente. Simplesmente já não nos levantamos com o sol com uma enxada na mão para ir cavar. A única coisa que mudou foram os objetos dos escravos trabalhadores. Se antigamente os trabalhadores usavam foices e martelos, hoje vão para a jorna de trabalho (olha o Google nem sabe o que é jorna e sublinha como se fosse erro!) e vão para a jorna dobrar roupa, estar o dia todo, de pé a passar códigos de barras ou de telefone na mão a atender clientes ou a impingir-lhes serviços. As ferramentas foram a única que mudou.

De resto, continuamos a ter que trabalhar de sol a sol, oito horas por dia. Talvez hoje ainda se trabalhe mais, visto que antigamente as pessoas só se levantavam com o sol, e hoje, graças aos carros, já todos poderemos ir trabalhar para bem longe de casa, nem que para isso tenhamos de sair de noite, e percamos duas horas de viagem, todos os dias e viagens essas que os patrões não pagam. Mas depois as pessoas revoltam-se é com a mudança da hora! Se trabalhássemos duas horas de manhã e duas horas de tarde, alguém andava a discutir se era preciso ou não mudar a hora? Andamos sempre a discutir o que não interessa para nada, em vez de exigirmos as mudanças que interessam verdadeiramente. 


Sim, o futuro chegou, a nossa realidade mudou e foi higienizada, e tomamos dois ou três banhos por dia, mas ao contrário do que se pensa, a nossa realidade mudou para pior. Acham que não? Então pensem um bocadinho. Hoje já ninguém se reforma aos cinquenta anos, ao contrário do tempo em que era criança. Hoje, em pleno século vinte e um, vamos ter de trabalhar em prol de outro ser humano, não até aos cinquenta anos mas sim até morremos! Quão espetacular é isso, trabalhar até morrer? E vamos ter de trabalhar até morrer porque não vai haver dinheiro para pagar as reformas. Mas dizem-nos até, como se nós fôssemos muito burros, que é por causa da "esperança média de vida"! Maldita esperança média de vida que deveria era de diminuir para não sermos obrigados a trabalhar, sem forças, até aos setenta anos! E dizem-nos ainda, como se fôssemos muito burros, que temos de fazer muitos bebés para que depois, quando eles crescerem, nos possam pagar as reformas que não vamos ter porque não há dinheiro para as pagar!

Quando eu era criança, maioritariamente só o homem o trabalhava e o dinheiro de uma só pessoa chegava para construir uma casa. Acham que estamos melhor hoje? Hoje quase nenhum jovem terá dinheiro para comprar um terreno e construir uma casa! Antigamente a mulher ficava em casa a tomar conta dos filhos que não precisavam de infantários nem de amas. Eram verdadeiramente educados pelos pais. Hoje são educados por quem? Eu vou ter um filho para quê? Para ter de pagar para os outros o educarem? Antigamente as crianças brincavam livremente, tal como eu brinquei, sem horários, pelo menos até aos seis anos de idade, quando então tínhamos de ir para a escola primária.  

Hoje trabalha o homem, trabalha a mulher e aos seis meses as crianças vão para a ama ou para o infantário que é mais uma despesa no orçamento familiar. As pessoas correm de um lado para outro, as crianças correm de um lado para o outro. As pessoas não têm tempo nem pachorra para se ouvirem. Não têm disponibilidade física nem mental para ainda chegar a casa, depois de um longo dia de trabalho, e terem de fazer as tarefas domésticas, cuidar dos filhos, ouvir os problemas do cônjuge ir para a cama e ainda ter vontade fazer sexo. Temos setenta, repito, 70% de divórcios e as crianças além de correrem de um lado para o outro por causa das dezenas de atividades que os pais agora as obrigam a fazer, têm ainda de correr de casa da mãe para casa do pai por causa da guarda partilhada. E há uma nova geração de gente que cresceu em famílias disfuncionais, que mais não foram que armas de arremesso entre pais e mães. 

A vida supostamente melhor que o século vinte e um prometia, no final de contas, é ser ainda mais escravo do trabalho e ter cada vez menos tempo. É trabalhar mais horas, é fazer mais horas-extra que agora deixaram de ser pagas porque se inventou uma coisa chamada banco de horas, e é trabalhar de noite com menos horas de subsídio noturno (muito obrigado aos senhores Passos Coelho & Paulo Portas), e é, por exemplo, trabalhar sábados e domingos no turismo, que em Portugal está a fazer dinheiro como ninguém faz no mundo, e ter um salário principesco de 620€. Repito: 620€ para trabalhar aos sábados e domingos!!  E é viver num dos países da Europa onde os patrões se aumentam a si mesmos 40%  em três anos, mas onde ironicamente os escravos, perdão, é a força do hábito, onde os trabalhadores (que agora lhes chamam colaboradores) são os menos aumentados da Europa. 

sábado, 3 de março de 2018

Ofereço-me para Trabalhar na Indústria Hoteleira Portuguesa

Farto de ouvir os empresários portugueses, especialmente os ligados ao turismo que, segundo eles, não encontram ninguém disponível para trabalhar no setor, motivo pelo qual não conseguem crescer mais e, por conseguinte, a economia portuguesa também ela deixa de poder crescer ainda mais, eu , num ataque de patriotismo, decidi desde já disponibilizar-me para trabalhar na industria hoteleira para qualquer trabalho indiferenciado. Seja fazer camas, limpar casas de banho, conduzir aqueles veículos arejados pela cidade com turistas, seja o que for. Faço o que for preciso. Aproveitem, têm aqui um trabalhador, de quem, julgo eu, nunca nenhuma entidade patronal teve o que dizer.

Estou pronto a abandonar a minha profissão, o ténis-de-mesa diário na empresa e, dois meses depois, ingressar nesta nova atividade. Não quero que fiquem novos hotéis ou novos negócios turísticos por abrir. Eu estou aqui! E digo presente! E todos os portugueses deveriam fazer o mesmo. 

É incompreensível que tantos portugueses abandonem o país, tantas vezes para trabalhar em hóteis, fazendo camas e limpando e que depois, em Portugal, os empresários do turismo não tenham gente para trabalhar! Não faz sentido nenhum.

Diário de Notícias
Mas por que é que os portugueses não querem afinal trabalhar em Portugal, no seu próprio país, onde têm família e amigos, e vão para tão longe trabalhar? Não fiz qualquer sentido não é?

Se calhar vão para tão longe, fazer as camas dos outros, limpar e trabalhar nos hotéis dos outros, porque se calhar os donos dos hotéis e empresários do turismo em Portugal querem é ter escravos para trabalhar. Não querem pessoas que recebam salários minimamente dignos. Querem é escravos, sem direitos, que trabalhem sábados e domingos, a troco - pasmem-se!! - de um salário médio de 632€ por mês!! Quando na maioria dos casos não contratam pessoas a falsos recibos verdes a troco de salários mínimos.

Pois bem, eu estou disposto a deixar a minha atividade e ir trabalhar para o turismo, e estou a falar muito seriamente, e nem exijo muito. Sé peço um mero salário mínimo. Mas é um salário mínimo do Luxemburgo. Arredondando são dois mil euros. E por um contrato de 2 mil Euros mensais, um mero salário mínimo do Luxemburgo, eu estou à vossa disposição para trabalhar no turismo, no que for preciso.

Ofereçam salários decentes. Deixem de ser um chupistas e de quererem ficar com o dinheiro todo. Portugal bate recordes no turismo, os empresários fartam-se de ganhar dinheiro, mas continuam a pagar salários miseráveis. E é por isso que as pessoas abandonam o país. Ofereçam salários decentes que as pessoas deixarão de abandonar o país. Deixarão de estar longe dos seus familiares e amigos, e trabalharão, com todo o gosto, fazendo no seu próprio país, as merdas que vão fazer para o estrangeiro.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A Inveja é uma Coisa muito Feia

De repente toda a gente se lembrou de falar da Autoeuropa. Parece que os trabalhadores estiveram em greve. E se há uma ou outra pessoa que a ouço defender os trabalhadores, outros há, a maioria, que fazem deles uns abusados, uns idiotas que não sabem o que é melhor para eles, e que não sabem ver que já ganham muito dinheiro e mais não sei o quê. Sim, como se quem os critica, fosse algum exemplo, e passasse constantemente a vida a dizer ao patrão que está a ganhar demais, e que, se tivesse oportunidade de ganhar mais algum recusasse.

Na verdade eu raramente gosto de atafulhar a memória do meu cérebro com informação inútil, e este é um desses casos. Não trabalho na Autoeuropa, estou-me a cagar para a greve, para o que os alemães lhes propuseram. Simplesmente não me interessa. Mas as pessoas querem logo saber! Ultrage! Há gente a ganhar muito mais do que! Esperem, para tudo! Mas só agora descobriram que na empresa que mais dinheiro ganha em Portugal se ganha bem? É que então estavam muito mal informados!

Mas no entanto, depois de tantas manifestações contra os trabalhadores, que não roubaram nada a ninguém, nem foram eles que quiseram mudar as regras do seu contrato a meio (foi a empresa!), pergunto então, a todos aqueles que são trabalhadores como eu, se isso tudo é só inveja? Porque se não é, parece! Parece que caiu o Carmo e a Trindade quando descobriram que são trabalhadores a trabalhar numa linha de produção e que ganham tanto dinheiro. No entanto, e contra os tipos que nem falar sabem, e que simplesmente dão uns chutos numa bola e que ganham numa hora aquilo que os trabalhadores da Autoeuropa ganham num mês, contra isso já ninguém se insurge! Ah, malandros daqueles trabalhadores que deveriam ganhar menos do que eu! 
É que, para mim, é muito feio estar do lado do patrão em vez de estarem do lado daqueles que são trabalhadores como nós. É que, entre uns e outros eu defendo a minha classe, defendo os meus, não defendo aqueles que muitas vezes querem pagar pelo meu trabalho, o mínimo possível. Mas e se fosse convosco nas vossas empresas? Estou a ver que rapidamente vergariam o cuzinho e aceitariam tudo o que vos propusessem.

Então, se não estão por dentro da situação, se não sabem o que é estar na pele deles, então, não julguem os outros. Ainda por cima eu sempre ouvi dizer que quem está de fora racha lenha. E parece-me mesmo muito feio, que, sem conhecerem minimamente a realidade, estarem do lado dos que estão do outro lado da barricada, quando um dia poderá ser com vocês, e gostava de saber o que fariam.

E sabem que mais? A inveja é uma coisa mesmo muito feia. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Só Quando me Apetece Time

Todos nós sabemos que existem dois tipos de horários: a tempo total (Full time) e a tempo parcial (Part-time) mas hoje constatei que ainda há um outro tipo: 

É o "Só-Quando-Me-apetece Time"! referiu de forma certeira a minha colega, aludindo ao nosso colega estagiário, que apesar de muito disponível e voluntarioso, gosta de trabalhar, mas só quando o trabalho lhe cheira, e quando lhe apetece, até porque, ainda por cima, há muitas tarefas que "não lhe competem"! 



Bom, se quiserem dar-lhe um nome pomposo estrangeiro, talvez lhe possam chamar: 

"Only-when-in-the-mood Time"!


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Coração de Desportista

"Já vos contei que a enfermeira disse que eu tinha um coração de desportista? Ah pois é!"

Passei o dia de ontem a dizer isto aos colegas de trabalho. E é verdade, eu por vezes consigo ser mesmo muito chato.  Por que é que acham que eu ainda estou solteiro? Não há mulher que me ature! 

Passou-se mais um ano, e lá tivemos nós mais uma consulta de medicina do trabalho. E isto agora é muito modernaço, nem temos de sair da empresa, sair e arejar, perder duas ou três horas e regressar. Agora são eles que vêm até nós, para os trabalhadores não perderem produtividade. 

Eles vêm à empresa e em minutos - não devo ter estado mais do que cinco minutos dentro da carrinha - e já nos conseguem dizer se estamos aptos ou não para trabalhar. Basta medir a pressão arterial, levar uma picada no dedo, e encostar um aparelho ao peito que se vê logo se estamos aptos ou não para trabalhar! Eu estou em crer que antigamente, quando se compravam escravos - uma pouca vergonha terem acabado com a escravatura, ao que isto chegou!, pois agora têm que pagar pelo trabalho e tudo! - e eu estou em crer que antigamente, quem comprava escravos, demorava bem mais tempo a analisar se determinado preto(a) estava em boas condições! 

Agora não há cá tempo a perder, tem de ser tudo muito rápido como convém, à tão falada produtividade. É sempre a aviar, sempre a despachar, que há muito dinheiro para ganhar noutras freguesias.



Cinco minutos e já se sabe tudo!

Um gaijo até tem um cancro terminal, está com os pés para a cova nos próximos dias, mas tem a tensão boa e os níveis de açúcar no sangue impecáveis, está apto para o trabalho! 

Eu fui logo o primeiro. As minhas colegas já tinham avisado, que ela, a enfermeira, era feia. Mulheres! Eu achei-a simpática, e para mim, feias são as mulheres que não sabem sorrir. E lá por uma mulher usar uns óculos com alguma graduação já é feia? Mulheres! 

E depois de me apertar o braço para medir a tensão arterial, e de me picar o dedo, lá me disse, depois de encostar um aparelhómetro, mais pequeno que os telemóveis de agora, ao peito:

"Pratica desporto? Tem uma frequência cardíaca baixinha, típica dos desportistas". 

(e nem queiras saber como são outros dos meus órgãos! Olha, se soubesses como é a minha vesícula ou meu fígado, ficarias boquiaberta!)

E lá empurrei a porta para ser visto pelo médico. E "ser visto" é mesmo a expressão apropriada, Ele só olhou para mim, e não fez mais nada, além de, durante um minuto me ter perguntado meia dúzia de coisas a que respondi quase sempre na negativa. E lá saí da carrinha e fui trabalhar. 

Eu já vos disse hoje que tenho um coração de desportista? 

(ou então estou a morrer!)

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Conversas Improváveis II

A uns cinco metros de mim, um patrão para outro patrão?

Via Pinterest


"Viste como ele impermeabilizou aquilo tudo? Ele parece o Dexter antes de assassinar as vítimas..."
E minutos depois. surge outra observação:
"Estás a ver o que ele está a fazer?"
Mas ouve, ele não sabe o que está a fazer! Ele está a fazer naturalmente, porque ele não vê televisão"!!

Após uma breve pesquisa por "Dexter" parece-me que esta imagem é bastante apropriada ao que eu estava a fazer... (sorriso maléfico!)


terça-feira, 15 de março de 2016

À Luz da Escuridão

Este é um daqueles dias em que quereríamos esquecer a efeméride que passa. Mas... vá lá saber-se porquê, não esquecemos. Passam dezassete anos e mesmo não pensando nesse passado, há sempre qualquer coisa neste dia que nos faz olhar para a data e lembrar. 

Mas só lembrei a data. Não passei o dia a pensar nesse passado longínquo. 
Como que ironicamente até passei o dia a pensar no passado recente. É que quando o efeito da droga começa a passar, começamos a ressacar. E então das duas uma, ou vamos em busca de mais uma dose, ou então as dores começam a fazer-se sentir. Violentamente.



No trabalho foi um dia engraçado. Falhou a luz por um longo período. É preciso arranjar o que fazer mas que não necessite de eletricidade. E lá se arranjou entretenimento. Querendo, há sempre muito que se pode fazer. E é curioso, quando ponho outras pessoas a trabalhar, e agora tenho-o feito quase todos os dias, digo-lhes "pronto, já tens entretenimento". E o trabalho não deveria ser precisamente isso?

Mas houve uma coisa que não teve graça alguma. Todos se riram e achavam muita piada. e até faziam piadas da deficiência dela. E ainda por cima depois descobri que ela não estava muito longe. Será que eles se aperceberam disso? E se ela tivesse ouvido o que eles disseram dela? Quase fiquei embaraçado ao vê-la chegar de novo. Fiquei muito mal impressionado. Não gosto que se faça pouco de deficiências físicas. E nas costas dos outros vemos as nossas. Sim, sempre achei que o humor tem limites, e se não tem deveria ter. Nem que seja por uma questão de bom gosto. Não lhe vi a deficiência, porque sou discreto. Não fico a olhar as pessoas de cima abaixo. Mas eu achei-a simpática, pelo menos sorriu para mim. Posso achar que uma mulher bonita, que saiba sorrir, vale mais que uma deficiência? Posso pensar diferente? Posso?

Mas esta quebra de rotina, a falta de luz, deixou-nos um pouco mais próximos. Ainda por cima chovia. Ninguém saiu à hora de almoço. E teve de se conversar. Às vezes tudo fica em silêncio se eu não falo. Outras vezes falo demais. Outras ainda consigo ser espirituoso, sem ter necessariamente a mania que sou engraçado. E às vezes até consigo ter graça.

E talvez estivesse inspirado. A cada novo tópico de conversa saía-me um tema de uma música. Falou-se do silêncio. Poderia ter citado a "Enjoy the silence". Até me lembrei da banda de uma amiga do passado em que no CD até me colocou lá o meu nome nos seus agradecimentos. E eu só anos mais tarde é que vi isso lá, por mero acaso.

Mas preferi falar dos versos do refrão:

"Silence is not a way
 we need to talk about it".




E já ao fim do dia de trabalho, disse: "Estamos aqui... À luz da escuridão". 
E olha que belo título que isto dava.


sábado, 28 de novembro de 2015

Sem tirar nem pôr

Sempre achei que devo ter a cara mais banal do mundo, pois desde adolescente que há sempre alguém a comparar-me com outra pessoa, que sou mesmo muito parecido com não sei quem.

E nos últimos dias isto voltou a acontecer.

Na última caminhada que fiz, faz hoje uma semana, ia eu a caminhar tranquilamente só nos meus pensamentos (que são sempre muitos) quando de repente uma senhora se aproxima de mim e pergunta-me:

- "O senhor não se chama Fernando"?

Esta senhora, professora da secundária, achava que eu tinha sido seu aluno.

- "Até a sua voz é igual. Sei que ele depois foi estudar artes para o Soares dos Reis no Porto. Ele tinha um irmão gémeo, mas há muito que não sei o que é feito deles".

(Depois fiquei a refletir como será interessante para os professores, imaginarem como serão aqueles jovens no futuro.)

Entretanto a meio da semana:

Olhando fixamente para a minha barba, como se ela tivesse crescido da noite para o dia, o patrão estabelece uma comparação que me surpreende:

- "Tu pareces aquele vocalista daquela banda...aquele tipo que tem uma pêra enorme"...

Eu tento ajudar:

- O baixista de System of a Down?


Shavo Odadjian, baixista da banda System of a Down

De facto nunca me tinha ocorrido. É que é, sem tirar, nem  pôr. 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Solteiros: como sacar mais 15 dias de férias?

Ser solteiro no trabalho não trás vantagens nenhumas. Um gaijo que está solteiro nunca que se pode escapar ao trabalho. É ver os outros a casar e gozar quinze dias de férias. É ver o pessoal depois a ter filhos e a ficar em casa uns meses. Mas não acaba aí! Depois de terem as crias, têm de ir aqui e acolá e têm sempre as faltam justificadas! Um gaijo solteiro só tem mesmo direito a trabalhar, como se não fizesse também coisas interessantes que merecessem uns bons dias de folga!

Por lei, depois deste governo fascista ter reduzido o número de dias de férias de 25 para 22 - e ainda por cima ter cortado nos feriados - eu só vejo mesmo uma solução para termos mais dias quinze dias de férias por ano. E isso é possível? Como? Eu explico!

Podemos arranjar quinze dias-extra de férias, casando todos os anos! Pode parecer um bocadinho parvo, mas se calhar, até nem é tanto assim. Mas vejamos então as coisas na prática:




Para casar gasta-se 100€ na conservatória e está feito! A partir desse dia já temos direito aos nossos quinze diazinhos espetaculares de férias (tecnicamente são dias de faltas justificadas mas remuneradas, que equivale ao mesmo!) Mas o gasto não se fica por aqui. Temos ainda de abrir mais os cordões à bolsa. Porquê?
- Porque temos de nos divorciar, isto se no ano seguinte quisermos voltar a ter os quinze dias-extra de férias! Caso contrário podemos continuar casados na mesma e poupamos o dinheiro da separação, mas não esquecer que estando casados pagamos mais impostos. 

Mas o divórcio - e não me perguntem porquê! - fica mais do dobro que o casamento! Isto deve ser tipo uma punição! As pessoas já estão - por norma vá - aquelas que casam mesmo por convicção (e não nós que queremos só casar para ir buscar os dias de férias!) já estão frustradas com a separação, mas ainda apanham por tabela, pagando mais do dobro na separação, que no casamento em si. 

Ora bem, temos de juntar aos 100€ do casamento + 280€ que é o custo do divórcio, ou seja, para casar e divorciar, temos um gasto de 380€/ano Mas calma!

O que temos de fazer, é só arranjar outra pessoa - e que agora tanto pode ser um homem como uma mulher! - mas que tenha o mesmo interesse que nós, em ir buscar os seus quinze diazinhos de férias! Dividem-se as despesas, e assim sendo, a coisa fica-se só pelos 190€.

Acho que se poderia até criar um site, ou rede social - se até os católicos criaram uma porque não? - para juntar o pessoal todo que quer fazer gazeta ao trabalho, e que alinhe em casar só mesmo para sacar os quinze dias de férias! E como isto é algo por mero interesse recreativo, até até se podem travar novos conhecimentos! Até se pode casar e arranjar companhia para as férias! Isto tem um sem número de possibilidades! Bora lá então casar por interesse?

P.S: Sim, é possível que esta talvez seja a mensagem mais idiota de todo o blogue... ou então se calhar é a mais genial!

sábado, 22 de novembro de 2014

Os mais novos e as novas posturas no trabalho

Estava um estagiário no seu posto de trabalho, com as pernas esticadas em cima da mesa, a jogar no telemóvel, quando entretanto chega o patrão e lhe pergunta: 
"Achas que isso é postura de se estar no local de trabalho"? 
Responde o estagiário:
"Tem razão", enquanto retira as pernas de cima da mesa, senta-se como deve ser e continua tranquilamente a jogar o seu joguinho no telemóvel. 

O que eu pergunto é: Como é que chegamos aqui? Que educação é que estes fedelhos tiveram em casa? E como é que agora as entidades de ensino preparam os putos para o mercado de trabalho?