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sábado, 23 de novembro de 2019

Da Minha Rua Para o Multiusos


Muita coisa aconteceu desde o torneio de ténis-de-mesa do ano passado cá na semana cultural da união de freguesias. Este ano, e como já era mais do esperado não houve revalidação do título! E se no ano passado a minha presença no torneio deveu-se ao folheto que encontrei na caixa do correio, este ano tudo foi diferente porque passei de paraquedista a elemento da organização.

Findo o torneio do ano passado, logo tratei de me filiar na coletividade para poder bater umas bolas todas as semanas e tentar evoluir um pouco mais. E assim foi. O que não estava à espera era que, apesar do ténis-de-mesa na coletividade ser praticado quase só por lazer, pudesse ter tido a oportunidade de ter um treinador a sério, com curso de desporto e tudo, e bater bolas com o seu pai, um ex-campeão nacional. Se o ping pong sempre foi uma paixão de criança, e todos os intervalos lá estava no polivalente da escola a jogar, trinta anos depois, a vida encarregou-se de me presentear. E eu sinto-me muito grato por isso. É uma coisa tão simples, mas é algo que me faz feliz. Certamente que não é agora que vou treinar para competir, mas vou treinar simplesmente porque gosto. É essa a definição de amador, sinónimo de amante, apreciador ou diletante. Não por ofício ou obrigação como os profissionais, mas simplesmente por gosto.

Começamos a treinar nas manhãs de domingo e duas vezes a meio da semana, conforme a disponibilidade de cada  um. Os meses foram passando e começamos a pensar na organização de um torneio cá na terra, mas por vários motivos acabamos por não reunir o apoio necessário para fazer um evento num espaço apropriado  e onde pudéssemos captar atletas  federados e não federados. Mas entretanto movido pela motivação de ter mais condições de treino indaguei os meus camaradas e presidente do clube sobre a possibilidade de conseguirmos arranjar um espaço melhor, com mais condições, e perguntei (depois de ter visto uma disputa do campeonato distrital) se por ali perto não haveria, por exemplo, uma escola vazia que se  pudesse solicitar na Junta de Freguesia. Havia, e a uns quinhentos metros, e mesmo em frente de um café sede de um rancho folclórico, que por certo iria atrair atenções.


E assim foi. Tinha ficado decidido treinar na escola, à experiência, para ver como as coisas correriam, durante dois meses, até à data do torneio. Se houvesse adesão, seria para continuar, assegurara o presidente do clube. Começamos a treinar na antiga escola primária, e treino após treino mais gente começou a aparecer, mesmo que alguns mal soubessem pegar na raquete, mas nesses mais visíveis ainda  eram os progressos mal passavam pela mão do Mister.

Entretanto começou-se a preparar o torneio anual da semana cultural. Divulgou-se nas redes sociais, imprimiu-se cartazes e eu espalhei inclusive vários nos locais de maior afluência na minha freguesia e outros noutros locais. Na ausência de algum material para o torneio (que não houve nas duas edições anteriores) contactei a associação distrital da modalidade no sentido de saber da disponibilidade para emprestar. Fiquei surpreendido, a resposta foi muito favorável, emprestavam o que quiséssemos e incentivaram a divulgação da modalidade.

Os dois meses a treinar na escola, com treinos abertos e gratuitos para a população tinham sido um sucesso. Fizeram-se alguns vídeos que foram divulgados nas redes sociais. Já o número de inscritos para o torneio não foi assim grande sucesso. E todos aqueles, amigos e colegas, a quem disse para se inscreveram, nem um sequer, por diferentes motivos apareceu. Porque uns tinham um casamento, outros de tarde tinham cenas marcadas, outros porque por este ou aquele motivo, a verdade é que nem um só se inscreveu. E dois antes da data marcada tinha chegado o dia do sorteio. A mim havia-me calhado na fase de grupos o finalista do ano anterior e um nome que ninguém conhecia.

E até ao dia do torneio algumas coisas não correram como o devido. E o pior foi mesmo o balde de água fria que não esperava, mas esses aspetos prefiro agora não mencionar.

Mas o que interessa é que, mal ou bem, com melhor ou pior organização, com maior ou menos afluência o torneio realizou-se. O vencedor foi o óbvio, com os seus sessenta anos, que entretanto poderemos ver arbitrar nos nacionais. Eu acabei por vencer o meu grupo. O tal nome desconhecido era uma criança de onze anos! Ainda nos aquecimentos comentei logo com os meus colegas que o miúdo tinha muito jeito. Vinha pela mão do pai que também dava uns toques.

Quis o sortilégio do sorteio que nas eliminatórias se  defrontassem, vejam só!, pai e filho! O filho de onze anos, implorava ao pai que o deixasse ganhar! E que é que vocês fariam no lugar do pai, hein?  O pai acabou por jogar normalmente, e a três ou quatro pontos da vitória já eram visíveis as lágrimas nos olhos do pequeno jogador. Eu fui avançando nas eliminatórias mas já sabia, iria tão longe possível enquanto não apanhasse o nosso campeão! Mas pelo meio ainda  perdi um set e comecei-me a enervar e tive com calma fui até à meia final onde perdi por 3-0 e venci depois o pai da criança para ficar em terceiro lugar.

Os senhores convidados, entre os quais o autarca procedeu à entrega dos prémios, deixou elogios aos treinos realizados na escola primária e deixou-nos à vontade para por lá ficar. De imediato aproximei-me dele, agradeci, mas a verdade é que ainda estou para saber porque raio não mais para lá voltamos.
Toda aquela gente que ia treinar se perdeu. O pai e o filho, que no torneio logo se mostraram interessados em fazer sócios e treinar também nunca apareceram. Acabamos por angariar mais dois jogadores, o Leandro e o Paulo, sempre cheios de motivação e continuamos à espera que o treinador venha do exílio, ou do fim do trabalho escravo como ele diria.

Vai daí vi divulgado nas redes sociais o tornei anual do Ala Nun'Alvares em que também se iria realizar um torneio de "populares" que é como quem diz não federados. E nem pensei duas vezes! De imediato falei com os meus colegas e  inscrevi-nos a todos. Mas logo os avisei que iríamos levar uma valente tareia! O torneio aconteceu numa sexta-feira, às oito da noite, à mesma hora que se realizava, umas mesas ao lado, um jogo do campeonato nacional de femininos! Eu era uma espécie de gladiador deslumbrado por pisar pela primeira vez o Coliseu de Roma, mesmo sabendo que estava a fazer o aquecimento para morte! Fiquei mesmo deslumbrado! Eu ali no pavilhão multiusos a pisar aquele vinil e a jogar naquele espaço com mesas profissionais e a ter a oportunidade de competir.

Dois colegas nossos, incluindo o nosso melhor representante, infelizmente não puderam ir. Um amigo meu foi e depois ainda tirou algumas fotos para recordar. A minha ideia em ir, era que, por um lado iria competir o que é sempre importante, por outro seria fazer alguns contactos e aprender, ver ali ao vivo como é que quem sabe, organiza as coisas. E aconteceu um pouco de tudo isso.
Começamos por treinar, bater bolinhas, e rapidamente percebi que o nível amador ali era alto, nada comparável aos nossos torneios que levam pessoas que estão habituadas a jogar uma ou duas vezes por ano! Nos gestos de manobrar a raquete rapidamente ficamos a saber o nível de determinado jogador ainda que, uma coisa é bater bolinha, outra bem diferente é jogar.

Ao certo não sei, mas estariam por ali entre trinta e quarenta atletas. Por ali estavam pessoas mais velhas, de cabelos brancos, tantos homens como mulheres, por certo alguns ex-federados, e também malta jovem do desporto escolar. Percebi que a organização dividiu bem o mal pelas aldeias. Todos os grupos (de três ou quatro pessoas) tinham uma mulher, e nenhum de nós ficou no mesmo grupo. Eu fiquei num grupo com dois miúdos de dezoito anos, um rapaz e uma rapariga, que me tratavam por você. Equipados a rigor, como grande parte dos presentes, com equipamentos de marcas de ténis-de-mesa, o que já diz muito do nível das pessoas. Nós fomos de forma descontraída, nem sequer vestimos os pólos do clube (ficará para a próxima vez!)

Como sempre entrei muito nervoso. Por isso talvez seja importante competir mais. Talvez todo este nervosismo comece a desaparecer, ou não. Nao sei. Mas às vezes parece que o meu maior opositor está dentro de mim mesmo e as coisas não me saem naturalmente. De repente, no primeiro set já estava a perder 6-0 contra o rapaz! Como é possível estar eu a perder os pontos todos? Respirei fundo, tentei acalmar-me e fiz um e outro ponto seguido. E de repente já dava para sentir o nervosismo no adversário. E a verdade é que consegui mesmo empatar a 10-10 e depois ganhei o set. E a partir daí parece que a tensão abrandou e comecei a jogar mais tranquilamente. Venci a primeira partida e depois a segunda contra a menina que também jogava bem e estava apurado para os oitavos de final em primeiro lugar. Os meus dois outros colegas também se conseguiram apurar o que foi ótimo!

Nos oitavos de final a todos nós nos calharam mulheres! E não vale a pena fazer grande mistério, a verdade é que todos perdemos contra elas! A mim calhou-me a irmã da menina que perdera comigo na fase de grupos. E neste caso se calhar não entrei focado o suficiente. Os jogos foram muito renhidos, mas ela venceu as duas partidas, para minha incredulidade no final. Porque cá entre nós, não fiquei totalmente convencido. Acho que tinha jogo para lhe ganhar, mas ela venceu bem. De qualquer das formas, caso eu vencesse, iria ficar-me pelos quartos de final porque iria defrontar o senhor que venceu o torneio com grande destaque.

Lá continuamos até ao final, a ver as restantes eliminatórias e entretanto as meninas que tinham estado a disputar o jogo do campeonato nacional, incluindo a campeã nacional também por ali apareceram, e estavam a apoiar as suas amigas, incluindo a que jogou contra mim! Entretanto o Leandro telefona ao meu colega, e este informa-o que já tínhamos sido todos eliminados, ao que ele terá falado em limpeza, porque o meu colega diz-lhe "Sim sim, limpavas isto tudo. Até parece que tem por ali uma vassoura"!

Foi muito fixe, competir ali, num clima de boa disposição e desportivismo. Entretanto logo veremos o que se sucederá na nossa coletividade onde estão previstas obras para breve.

domingo, 4 de agosto de 2019

De Volta à Escola Primária...



... para jogar Ténis-de-Mesa!



Cuidado com o que se deseja. Por vezes pode tornar-se realidade.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Conversas Improváveis (43) - A Coisa Mais Espetacular do Mundo

Emprestada da net

Meia-hora a fazer de ama para duas crianças de dez e oito anos, entretendo-as com ping pong na empresa. Entretanto depois de um bom bocado de tempo e mostrar-lhes como se usa a raquete, e como se bate com ela na bola, viro-me para o patrão e:

Vamos agora mostrar-lhes como se joga ténis-de-mesa, como este é o desporto mais espetacular do mundo?

De imediato, a Rita sem pensar, responde em modo automático:

- "A coisa mais espetacular do mundo é a mãe".

... mas... a tua mãe... não é um desporto! Observei eu, estupidamente!


terça-feira, 5 de março de 2019

Crónica de uma Campeã Nacional Emocionada



Acabava de sair da biblioteca de Matosinhos e liguei o telemóvel. Uma mensagem do treinador (que é o sujeito que treina a dor, como diria o Abel Xavier!):
"-'Tás muito ocupado agora"? 
Oh pá, acabo de deixar de estar, mas ando extremamente cansado (porque não há fome que não dê em fartura e já vomito trabalho pelos olhos) e por acaso não me apetecia muito ir agora bater umas bolas. Mas afinal não, não era para treinar, era para ir ver os outros jogar. 

Estava a decorrer no fim-de-semana passado o campeonato nacional de ténis-mesa. 
- Fôda-se! Por que é que o pessoal se lembra sempre de me convidar para as coisas em cima da hora? De manhã era uma amiga que tinha vindo ao Porto para ir ao cinema e perguntava-me se eu queria ir... Mas será que as pessoas acham que, por eu não estar casado nem ter filhos, que não tenho nada de interessante para fazer e estou sempre de pernas abertas (como as putas) para satisfazer vontades alheias?!  

Meto-me na carroça todo-terreno e dez minutos depois já estava no Multiusos de Gondomar! Ele estava com a mãe e estavam a prestar atenção aos jogos que o pai estava a arbitrar. Pelo meio chamou-me a atenção de alguns atletas, uma mesatenista em particular, muito forte segundo ele, que estava a disputar um jogo de pares. 
"-Queres ver, ela vai ser para tentar marcar dois pontos nos serviços..." 
E marcou mesmo, a adversária mandou ambas as bolas para fora! 
"- Não te disse?!"

É sempre um prazer para quem quase só joga em lazer, ver ténis-de-mesa ao mais alto nível, e acho até que se aprende a ver. A minha própria colega costuma dizer que aprende vendo-nos jogar, e é verdade. Nós aprendemos a observar quem sabe. Há músicos que vão ver concertos de outros músicos tocar. Tal como, provavelmente, quantos mais livros lermos mais nós mesmos saberemos escrever, e aí por adiante. 

E não terá sido acaso que na manhã de domingo eu já estava, anormalmente, a bater de forma mais assertiva de backhand (dizer que um destro bate de esquerda parece-me muito parvo! deveria ser qualquer coisa como costas-da-mão ou detrás-da-mão), precisamente porque o meu cérebro ainda estaria com as imagens dos atletas a fazer os movimentos mais corretos. 

No domingo à tarde disputavam-se as finais de seniores e infantis, masculinos e femininos. Desta vez fui sozinho. Entrei, escolhi o primeiro lugar vago na bancada que encontrei e comecei a ver o que se ia passando nas várias mesas. Não pude deixar de reparar que dois jogadores (um masculino e outra feminino) do clube da terra, o Ala Nun'Álvares, estavam a disputar as meias-finais. Olha que bem!
Aos poucos comecei prestar mais atenção num jogo que se disputava na mesa mais próxima da bancada, e a reparar na jogadora da casa porque, de facto, achei-a engraçada. Falhava um ponto e ria-se!, e não raras vezes olhava para o treinador, aliás, se estivesse a jogar de costas para ele, virava-se mesmo para ele, como que tentando perceber o que é que fez de errado. Mas com maior ou menor dificuldade, conseguiu passar à final. Como a fui seguindo com o olhar, quis-me até parecer que ela estaria a chorar... Talvez não estivesse, talvez tivesse sido só impressão minha. Mas entretanto ela vai para a zona onde os atletas têm as mochilas, descansa um pouco, come qualquer coisa (a final ia acontecer passado pouco tempo) mas afinal eu estava certo, ela acabava de tirar lenços de papel da mochila. 

Terminadas as meias-finais, esperou-se algum tempo, não muito, e já os atletas, conjuntamente com os árbitros (que neste desporto não são assobiados nem insultados) se perfilavam para disputar as finais, as quatro ao mesmo tempo, seniores masculinos e femininos e iniciados. 


Dois pontos de interesse nas mesma linha de visão, para onde olhar? Ora ia botando um olho na final masculina, que cedo percebi que seria ganha sem grande dificuldade pelo suspeito do costume, ora ia prestando atenção à mesa 4 onde se disputava a final feminina. 

A jogadora da casa que me tinha chamado a atenção é Marta Santos que disputava a final com Rita Fins (que tinha visto jogar no dia anterior em duplas, e que também já tinha visto anteriormente noutra competição) e que é do clube de Mirandela, outro clube que tenho percebido que é bastante forte no ténis-de-mesa. Mas uma coisa é certa, ambas (no meu modesto entender) jogam muito. Melhor dizendo, toda a gente que esteve lá joga muito! Até os pequeninos jogam muito! 


Ao início eu não estava secretamente a torcer por nenhuma das jogadoras. É verdade que sou do concelho de um dos clubes, mas estava ali para ver ténis-de-mesa, que ganhasse a melhor. E a primeira partida foi ganha pela Rita, sempre muito forte e consistente. Cheguei a pensar que seria ela a vencedora, talvez por a Marta me ter parecido um pouco instável emocionalmente. Mas entretanto, e se calhar, fruto também dos incentivos que vinham da bancada, a verdade é que Marta empatou e a coisa ficou muito renhida, ora ganho eu, ora ganhas tu. 


Na bancada, à minha frente e na primeira fila da bancada estava agora, nem de propósito, a jogadora que a Marta tinha derrotado na meia-final. E a determinado momento alguém comentou qualquer coisa sobre a Marta chorar se ganhasse a final, ao que ela diz "ela chorou depois de me ganhar"! (mas também verdade seja dita que eu vi lágrimas nos olhos desta jogadora, mas pronto, a tristeza por se perder é mais compreensível que a tristeza por se ganhar)
Mas esta mesma jogadora, acrescentou logo de seguida uma coisa interessante, e que certamente me perdoará a inconfidência:

"A Marta joga mesmo bué ("bué" assim com pronúncia de gente que é lá de báxo - 'tão a ver?) mas nunca foi campeã nacional..."

E será que vai ser desta vez?, perguntei-me. 

O jogo de masculinos acabou muito antes porque só foram disputados quatro set's e o Diogo Carvalho (Sporting) revalidava o título, e assim sendo, todas as atenções estavam centradas na final feminina. 

Nas bancadas ouvia-se cada vez mais "Vamos Marta". Os aplausos sucediam-se, por vezes mesmo para a Rita, a adversária da jogadora da casa. Este é o verdadeiro desportivismo. E houve algumas jogadas verdadeiramente espetaculares, alguns golpes de sorte também, com as bolas a bater na quina da mesa e a impossibilitar a resposta da adversária. Pena eu não ter filmado as grandes jogadas. Entretanto a Marta faz o 3-2 e passa para a frente e pressente-se que pode mesmo ganhar. O sexto set é disputado, há alguns erros de parte a parte, é normal, porque a tensão está no auge. 


E a Marta chega aos 10-8 ou 10-9 e tem agora a oportunidade única de servir para vencer o encontro e ser, pela primeira vez, campeã nacional. E ganha mesmo logo no primeiro match point! Festeja-se na bancada com muitos aplausos. 

E a Marta, a nova campeã, como é que reagiu? 
Desabou... 


Havia qualquer coisa dento dela, dentro daquele coração que tinha mesmo de sair e manifestou-se em lágrimas. Muitas lágrimas que quase afogaram todas as pessoas presentes naquele pavilhão.
Eu pressionei o botão da máquina fotográfica e comecei a disparar sobre ela. Ela aninhou-se junto ao solo, como que agradecendo aos deuses por esta vitória que, se calhar (estou a especular) já esperaria há muitos anos. Levantou-se, tapou a cara com as costas da mão para se tentar proteger. Mas todos os olhares estão fixos nela. Não te podes esconder Marta. Hoje és tu a vencedora, és o centro das atenções. Ela cumprimenta a adversária que sorri. Já a Marta volta a tapar a cara.



Mas não há ninguém que lhe dê um abraço?! 
Ela dirige-se ao treinador que a tentar confortar, mas nada consegue parar aquele vale de lágrimas sofrido. Cumprimenta a treinadora adversária, até que, instantes depois, alguém, não sei se familiar (pai?) ou alguém do clube, sei que seria alguém próximo, um senhor já de cabelos brancos, irrompe pavilhão adentro, salta os separadores e abraça-a. Pouco depois um outro homem, este bem mais jovem, talvez namorado, marido ou um amigo próximo, também a abraça timidamente. 
Abracem-na com força! Ela ganhou, merece um abraço apertado como deve ser! 

Uma mulher desce as bancadas, dizendo para toda a gente ouvir: 
"- Isto é emoção demais"! 

Eu não fiquei para a entrega de prémios, talvez aquilo ainda demorasse e ainda por cima a barriga já dava horas, até porque uma banana não é lanche de jeito. Fui saindo tranquilamente para regressar a casa. Talvez estivesse a sorrir, certamente que, pelo menos, os meus olhos estariam a sorrir. Acabava de assistir a uma experiência de grande intensidade. Emocionalmente muito forte. Tal como eu gosto. 

Finais masculinos e femininos seniores ténis-de-mesa / Diogo Carvalho - Duarte Mendonça / Marta Santos - Rita Fins

Para saber mais sobre os novos campeões nacionais: AQUI

sábado, 1 de dezembro de 2018

Miúda de 18 anos Esmaga Chinesa Nº1 do Mundo


O ténis-de-mesa é um desporto verdadeiramente democrático. É para grandes e pequenos, para novos e mais velhos.

Mima Ito, uma japonesa de dezoito anos, um peso pluma de 45Kg fez história no torneio da Suécia ao ter despachado todas as melhores jogadores do mundo nas eliminatórias  (chinesas) , e na final, ter mesmo esmagado a nº1, a chinesa Zhu Yuling por uns impressionantes 4-0 como se pode ver no vídeo do jogo:




No vídeo abaixo podemos vê-la a treinar arduamente, e ainda troca umas bolas com Dimitri Ovtcharov, atleta alemão que este ano já foi número um mundial, e que depois, mesmo ao longe enquanto treinava botava o olho na menina japonesa a treinar. É que realmente impressiona. Cá  para mim aquilo é um rotot que os japoneses fizeram e vestiram-no com pele humana para disfarçar! É que o treinador falha mais a atirar-lhe bolas que ela a devolver rapidamente as bolas de um lado para o outro!

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Portugal Apura-se Para o Europeu de Ténis-de-Mesa Frente à Áustria


Salvo erro de memória, acho que foi ontem que, pela primeira, fui apoiar uma Seleção Portuguesa... e foi a seleção de Ténis-de-Mesa que disputava ontem o apuramento para o Europeu de 2019 que se realizará em Nantes. A noite estava fria e chuvosa. À mesma hora jogava a seleção de futebol. Lá rumei ao pavilhão de Gaia e cheguei uns quinze minutos antes da partida começar. 

Estacionei tranquilamente a cinquenta metros do pavilhão. A entrada era gratuita. Entrei para o recinto e ninguém me revistou como se fosse um terrorista, nem havia polícia, nem os adeptos precisaram de escolta policial para as bancadas como se fossem animais selvagens. Eu estava confortavelmente instalado num pavilhão, bem quentinho apesar de estar frio e a chover lá fora. Tive direito a um espetáculo, não de noventa minutos mas de três horas, em que, de minuto a minuto, se aplaude os jogadores e as jogadas espetaculares que fazem, e não raras vezes, aplaude-se mesmo os próprios adversários, que no ténis-de-mesa, são isso mesmo, adversários, e não inimigos. No público, ninguém insultava os árbitros do princípio ao fim dos jogos. E mesmo tendo Portugal perdido o jogo (mas termos conseguido o apuramento) saí de lá enebriado pela beleza deste desporto. Onde é que o futebol (chamado de desporto-rei) se consegue comparar a isto? 

A primeira partida foi disputada entre João Geraldo 2 - Robert Gardos 3  (11-4, 10-12, 11-13, 15-13, 12-14)








Entretanto no banco, ia-se petiscando qualquer coisa, que isto do ténis-de-mesa é precisa muita energia!





Segunda partida Diogo Carvalho 1 x Daniel Habesohn 3 (6-11, 11-8, 4-11, 10-12)






Na terceira partida, quando Portugal já perdia por 2-0, entra em campo o jogador português mais cotado de sempre, Marcos Freitas (que já esteve no Top 10, e é atual 16º do mundo) para impedir a imediata derrota da seleção portuguesa e consequente afastamento do Europeu de Nantes.

Marcos Freitas 3 – Stefan Fegerl 1 (11-9, 11-7, 9-11, 11-7)






No último jogo André Silva 2 – Daniel Habesohn 3 (8-11, 13-11, 2-11, 11-8, 5-11)



Parece-me que nas bancadas só estava gente da modalidade, jogadores (muito jovens) treinadores, ex-jogadores, público em geral, como eu, se calhar pouco. Sim, também vi por lá a menina árbitra.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Ainda Podemos Ganhar!


A coisa não está a correr bem. Estamos a ser verdadeiramente humilhados. Falta um só ponto para o adversário ganhar mais um set. Mas ainda não ganhou. Falta esse ponto que não vamos entregar facilmente. Os próximos serão todos nossos pois se ainda não perdemos, ainda estamos vivos, não vamos desistir e ainda podemos ganhar!

Vigésimo Torneio Aberto de Ténis-de-Mesa Ala Nun'Alvares de Gondomar.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

A Menina Árbitra


No vigésimo Torneio Aberto de Ténis-de-Mesa Ala Nun'Alvares de Gondomar, quando a árbitra* captou a atenção da minha objetiva.


domingo, 9 de setembro de 2018

O Melhor da Minha Rua......... e da Aldeia Vizinha!


A meio da semana tinha um folheto na caixa do correio, com os eventos culturais cá da terra. Subitamente - o quê? Um torneio de ténis-de-mesa e eu nem sequer soube? Cheguei ao trabalho e a primeira coisa que fiz - primeiro estão as coisas verdadeiramente importantes! - toca a informar-me sobre o torneio e se poderia ainda inscrever-me. Sim, ainda me poderia inscrever!

Na sexta-feira, piquei o ponto para sair e, em vez de vir embora, não, fui para a cave, sozinho, praticar serviços! Sim, poderia-me dar para pior! Mas há que treinar. Sim, eu sou um bocadito para o obsessivo. E na verdade de repente pus-me a pensar como parecia aqueles alunos a querer aprender toda a matéria dois dias antes do exame. 

E chegou hoje o dia. Tinha-me inscrito num torneio a realizar-se na freguesia vizinha e iria lá chegar sem conhecer ninguém, o que também teria as suas coisas positivas, entre as quais, ninguém me conhecer a mim, e mais importante, a minha maneira de jogar. 

Bom, mas antes de mais as coisas verdadeiramente importantes! A roupa! Eu não pertencia a nenhum clube, ia como individual, mas tinha de escolher a roupa! Escolher de entre os vários calções e as inúmeras T-shirts! Mais importante ainda, pensei, que calçado? Uma pessoa tem que se sentir confortável a jogar! Liberdade de movimentos e conforto são essenciais!

Levantei cedo, preparei as coisas, levava a minha menina no saco e lá fui eu. O dia apesar de um pouco cinzento até estava bonito. No carro procurava um música que me deixasse mais tranquilo. Nao encontrei, mas lá fui, sempre bem disposto. Quando lá cheguei, dez minutos antes de supostamente as eliminatórias começarem,, ainda andavam a preparar as coisas: colocar as redes nas mesas, ver a melhor disposição da mesa, colocar a mesa dos árbitros. Apresentei-me e rapidamente travei conhecimento com algumas pessoas. 

O sorteio tinha sido efetuado ontem. Como não conhecia ninguém, tanto se me dava se ia jogar com o Manuel ou o Joaquim. Lá logo via quem me havia calhado em sorte, e se encontrasse alguém forte no primeiro jogo, já sabia que corria o risco de ser logo despachado!

Sou muito ansioso e nervoso, sempre fui, desde criança. E hoje, tal como em criança quando tinha de ir as primeiras vezes para a escola, senti-me logo a tremer quando chamaram o meu nome para a segunda partida das eliminatórias. Mais nervoso fiquei quando, às primeiras trocas de bolas, as deixava todas na rede. Não parecia eu... Este primeiro adversário era alto, elegante, corpo cuidado. Aos poucos, depois do jogo começar, lá fui ganhando confiança, e rapidamente vendi a primeira partida sem grande dificuldade por 3-0 e passei à fase seguinte. 

Fui vendo os jogos entre todos os participantes e fui percebendo quem é que me poderia colocar mais dificuldades. O miúdo (sim, eu sei que estou velho) com a t-shirt do curso de engenharia, o senhor de t-shirt do clube, amarela, que cortava muito bem as bolas, e a primeira pessoa que conheci, do clube organizador, que também me pareceu um bom jogador. Havia-me contado que, como não tinha com quem jogar, ofereceu a mesa ao clube (que nos dias de hoje o seu forte é a orientação) e assim as pessoas jogar lá no clube. 

Havia jogadores de quase três geração. Mais ou menos novos, eu, e ainda gente mais velha que do eu. Não sabendo como estava o emparelhamento das eliminatórias, percebi depois que me havia calhado o miúdo de engenharia, de barba de um centímetro. O meu nervosismo estava de tal ordem, que comecei a falhar os serviços quase todos, uns atrás dos outros, e só sei que, antes de perder o primerio Set, pensei mesmo que ia ser despachado na segunda ronda. Tentei focar-me ao máximo, e no mínimo teria de vender cara a derrota. Eu sabia que era melhor jogador, mas é preciso prová-lo em jogo e simplesmente os nervos não me deixavam jogar o que sei. Aos poucos, com calma, fui dominando desde o início o segundo Set e acabei por o vencer com alguma margem. Estava 1-1, íamos disputar o último Set para ver quem seguia em frente. Com calma e agora a vencer quase sempre os meus serviços, acabei por dar a volta ao marcador e vencer por 2-1. E dos dez Set's que fiz até chegar à final, este seria o único que haveria de ter perdido. 

A meia-final era com a pessoa da organização que ofereceu a mesa ao clube, porque (tal como aconteceu comigo) não tinha com quem jogar. Desde logo achei que aquela seria a final antecipada. Achei que tanto ele como eu éramos melhores jogadores que os outros dois da outra meia-final. Fui sempre liderando o marcador, mas o rapaz da mesa por vezes desconcentrava-se e em vez de assinalar ponto para o jogador correto, virava o marcador do outro jogador, e a meio do primeiro Set, quando pensava ter dois ponto à maior por 6-4, vi no marcador 5-5. Fiquei um bocadinho chateado mas aquilo só serviu para me motivar, e achar que ia ganhar na mesma. E assim foi. Venci as duas partidas sem grande dificuldade e estava na final.


Tal como eu previa, o meu adversário cilindrou no jogo de atribuição de terceiro e quarto lugar. Pouco depois ouvia-se nos altifalantes. "Não percam já a seguir a final, entre..." Mas as centenas de pessoas que estavam, depois de meio-dia, a encher o bandulho nas tasquinhas, deixaram-se estar. Na final estava o senhor de amarelo, e se sapatilhas com riscas amarelas. Bons serviços que o adversário raramente conseguia devolver provocavam estragos, e sem grade dificuldade vencia a final por 2-0. 

Tudo aquilo tinha-me deixado com muita fome! Eu não deixo estas coisas ao acaso! Na mochila, além da raquete, tinha uma garrafa de água, e algo para comer. A água fui sempre bebendo entre os jogos, apesar de nem ter transpirado muito. Era agora preciso esperar pela entrega dos prémios, pelo pódio e pelas fotografias, e que chegassem as pessoas da Junta (claro que os políticos não faltam nestas ocasiões). 

Foi um dia diferente em que saí da caverna para jogar e socializar um pouco. Irei-me fazer sócio do clube organizador, e aparecer por lá para dar umas raquetadas bem dadas! 

Não deixa de ser interessante que nada disto teria acontecido se eu não tivesse ido trabalhar para onde fui, e um certo jantar da empresa, me tivessem oferecido umas raquetes de ping pong:


... e aos poucos a minha nova menina vai somando vitórias:


.... quase como se, vitória atrás de vitória, a nossa raquete, adquirisse os poderes do adversário que acabamos de derrotar!

domingo, 15 de abril de 2018

A Minha Nova Menina e o Meu Novo Pau

Por vezes cometem-se algumas pequenas loucuras, como por exemplo, eu, um mero jogador amador, dar tanto dinheiro por uma raquete profissional de ténis-de-mesa. Mas agora tenho uma nova menina com um pau novo, uma Stiga Allround Classic (com borrachas Neos Sound) e é bom que os adversários tenham muito medo! 

Ou então não, pois como eu costumo dizer, o que interessa é o que tu fazes com o teu pau, até porque, também no que ao ténis-de-mesa diz respeito, não é o teu pau que que vale por si, mas sim o que tu jogas com ele! Mas certamente que eu voltarei, de novo, a este interessantíssimo assunto, mas dessa feita com uma reflexão bem mais elaborada. Estejam atentos... ou então não!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Ping Pong Sexy - Bernadette Szocs



Bernadette Szőcs tem 22 anos, 1,60m e é a campeã romena (de origem húngara) de Ténis de mesa. Foi uma promissora campeã júnior e está atualmente no lugar 40 do ranking mundial. Recentemente ganhou o torneio ITTF Europe Top 16 que conta com as 16 melhores jogadoras do ranking europeu (algumas de origem asiática naturalizadas).









O Ténis de mesa é o meu desporto preferido, que vou jogando quase diariamente de forma amadora. É para mim o desporto mais espetacular que conheço, é o jogo em que a bola tinge maior velocidade (cerca de 230Km/hora) e a modalidade de raquete que mais rotação imprime sobre a bola. É um desporto espetacular, e no meu entender, jogado no feminino, pode ser muito sexy!

Já agora, acho que a Bernadette Szocs também pode muito bem ir para a galeria:

# As Mulheres Atletas São Todas Feias!!


sábado, 4 de março de 2017

Faltam Três Horas para a Cirurgia...

...e cai um novo e-mail na caixa postal da empresa vindo de um dos administradores.

Assunto:"Se o Konigvs descobre"

No corpo da mensagem este endereço, que nos leva a uma notícia da NBC NEWS acerca de um novo robot, chamado de FORPHEUS, desenvolvido pela OMRON, e que pretende ser o primeiro treinador-robot de Ténis-de-mesa.


Bom, eu não preciso propriamente de um robot a treinar-me, visto que já toda a gente sabe que eu sou uma verdadeira máquina destruidora a jogar, tão destruidora que às vezes até perco por isso mesmo!

Brincadeiras à parte, acho que foi a sua maneira de fazer passar a mensagem, de que o seu pensamento estava comigo neste momento mais complicado.