Mostrar mensagens com a etiqueta língua portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta língua portuguesa. Mostrar todas as mensagens

domingo, 23 de agosto de 2026

Safa & Aguça

 Ouvi dizer que os miúdos de hoje em dia não sabem o que é uma safa e uma aguça. Até fui buscar o dicionário:


sábado, 28 de março de 2026

"No Final do Dia" Morre a Língua Portuguesa

O rádio estava ligado e o programa era o Entre Políticos da Antena 1, que debatia com diferentes pessoas, de vários partidos os nomes dos juízes para o Tribunal Constitucional. De repente, algo começa-me a causar comichão. A deputada do PSD, Inês Ramalho, começa a repetir constantemente a expressão "no final do dia".


Fui contar e, em três minutos, a senhora conseguiu repetir oito vezes "no final do dia". Acho que todos nos lembramos, eu pelo menos ainda me lembro, quando os professores de português referiam que deveríamos evitar as "muletas linguísticas", de estar sempre a repetir as mesmas palavras, porque denotava um vocabulário fraquinho. De igual forma, quando escrevemos um texto, deveremos evitar estar sempre a repetir a mesma palavra.

"No final do dia", vem do anglicismo "at the end of the day", que é um jargão para parecer modernaço, típico dos tecnocratas liberais, e de quem diz "colaborador" e "resiliência" e que depois de acabado de dizer não acrescenta absolutamente nada à linha de argumentação.

Exemplo dito por Inês Ramalho: "...porque no final do dia os portugueses querer é que lhe resolvam os problemas". A sério? Uau, que conclusão brilhante para constatar o óbvio! 

Exemplo máximo de muleta linguística: "Eu, honestamente, no final do dia, a preocupação que me trás sistematicamente quando vejo estas discussões é que parece que o PS só está com este grau de irritação...". Afinal o que é que a senhora quis dizer? Nada, andou para ali às voltas a engonhar sem dizer nada de concreto.

Que palavras em português se poderiam usar:

- Em última análise

- No fundo

- No fim de contas

- Na prática

Assim, infelizmente, "no final do dia", e com tanto uso dos anglicismo, a língua portuguesa vai morrendo.  

domingo, 13 de julho de 2025

Tributo é Imposto



"Dois milênios antes do debate atual sobre justiça tributária, a palavra latina “tributum” já queria dizer aquilo que só pés-rapados pagavam.

Tributo é um dos frutos de “tribus”, tribo, divisão do povo romano que, como em outras culturas da Antiguidade, englobava pessoas ligadas por território e parentesco.

Ainda no latim clássico, o sentido geográfico de “tribus” se desdobrou no sentido classista de “povo, classe pobre (em oposição aos senadores e aos cavaleiros)”. As palavras estão no dicionário latino-português de Santos Saraiva, obra do século XIX insuspeita de ser veículo da esquerda populista.


Encontramos o DNA de “tribus” em vocábulos como contribuição (o que se dá para o bem de todos), distribuição (a repartição de algo entre os membros da coletividade), retribuição (o que se devolve em paga a um benefício recebido de outro) e, claro, tribuno (magistrado que defendia os interesses do povo no Senado romano).

No entanto, é no “tributo”, no imposto, na taxação que se revela o fosso estrutural entre quem tem muito e quem tem quase nada. O tributo nasceu em tempos perdidos nas amnésias da história para nomear a grana que os membros mais pobres de uma tribo tinham de pagar à elite, aos donos da terra, para nela poderem trabalhar, fazer negócios, viver.

O tributo se chamava imposto porque era imposto mesmo, de impor, “imponere”.

Sérgio Rodrigues | Folha de São Paulo