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sábado, 4 de julho de 2026

Pescadinha de Ar Condicionado na Boca



O ar condicionado é o equipamento doméstico com maior pegada ecológica devido ao consumo de eletricidade, emissões de gases estufa e libertação de ar mais quente.  

"O ar condicionado contribui com cerca de 3% das emissões de GEE, consome quase 7% da eletricidade mundial e liberta calor para o exterior durante a utilização, agravando o efeito de ilha de calor nas cidades, tornando o seu uso mais necessário, num círculo vicioso. Além disso, o aumento do consumo pressiona as redes elétricas em picos de calor, agravando situações de pobreza energética. Impactos que podem triplicar até 2050". (Joana Guerra Tadeu)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Muito Calor na Europa? Construam Mais Centros de Dados para a IA

Vou deixar aqui excertos do artigo publicado no jornal escocês "The National" a 26 de Outubro de 2025 por Hamish Morrison. Lembrei-me desta notícia que li na altura, agora que, além de só se de falar de Ró-Naldo e da seleção (que joga daqui a pouco contra a Croácia) só se fala também do calor anormal que faz na Europa. 

"Energia para alimentar centro de dados de IA poderia abastecer cinco cidades"


"A Professora Ana Basiri, diretora do Centre for Data Science and AI da Universidade de Glasgow, apelou às empresas de dados para melhorarem a forma como comunicam o seu impacto ambiental.

Dois novos centros de dados de inteligência artificial propostos para Edimburgo exigiriam uma quantidade de energia equivalente à necessária para construir cinco cidades do tamanho da capital dentro dos seus limites, pode revelar o Sunday National.

A revelação sobre a enorme quantidade de eletricidade que os locais irão consumir levantou preocupações entre ambientalistas, mas a autarquia local, dirigida pelo Partido Trabalhista, não exigirá às empresas responsáveis que apresentem um estudo de impacto ambiental.

Combinados, estes centros necessitariam de tanta energia como cerca de 1,3 milhões de lares. De acordo com a Edinburgh Health and Social Care Partnership, existem 253 222 agregados familiares na capital.

A deputada dos Verdes, Maggie Chapman, declarou:

“Estas propostas devem ser objeto de uma análise rigorosa e transparente, e os seus impactos devem ser mais bem avaliados. As pessoas têm o direito de saber quando há uma instalação ao lado das suas casas a consumir quantidades enormes de energia e água, e os governos precisam de considerar isso antes de conceder autorizações.”

“Cabe à indústria reduzir drasticamente o impacto que está a ter no nosso planeta. Mas se a história nos ensina algo, é que não podemos confiar que as grandes empresas tecnológicas ajam por sua própria iniciativa. Precisamos de regulamentação robusta e avaliações de impacto, e de governos dispostos a dizer não quando necessário.”

As normas de planeamento atuais significam que as avaliações de impacto ambiental não são obrigatórias para centros de dados de IA, ficando ao critério da autarquia decidir se uma é necessária.

O grupo de pressão Action to Protect Rural Scotland (APRS) está a fazer campanha para que as avaliações de impacto ambiental sejam obrigatórias para todos os novos centros de dados de IA.

A diretora da APRS, Kat Jones, disse ao Sunday National que era “inacreditável” que tal ainda não fosse exigido e que os decisores locais “não estão a receber uma imagem completa dos impactos ambientais”.

domingo, 3 de agosto de 2025

Boas Ideias Pelo Clima

 


Não é sempre, mas às vezes tenho boas ideias. 

Hoje estiveram 41º aqui em Gondomar. 

Se acima de trinta graus nenhum trabalhador pudesse trabalhar e o patrão fosse obrigado a pagar, aposto que se começavam a tomar medidas a sério pelo ambiente.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

domingo, 17 de novembro de 2024

Irracionalmente as Pessoas Votam em Quem as Quer Destruir

Este texto de Antonio Muñoz Molina no El País de dia 16 de Novembro, fala sobre as cheias em Valência, e como os valencianos votaram em quem atentou contra os seus interesses, mas poderia ser também sobre os mais jovens que votam em partidos que favorecem a especulação imobiliária, ou sobre os pobres que votam em políticos que defendem os interesses dos mais ricos do mundo, ou sobre os pretos que votam em políticos racistas ou sobre gays que votam em políticos homofóbicos. Este texto é sobre a irracionalidade reinante nos dias de hoje, em que os cidadão, hipnotizados pela agenda dominante dos média e das redes sociais, conseguem votar naqueles que os querem destruir. 


 A retaguarda protetora, a arrière-boutique para a qual Montaigne nos encoraja a retirar-nos de tempos a tempos, não precisa de ser um quarto solitário nem um espaço fechado. O próprio Montaigne, apesar do afastamento dos assuntos mundanos que escolheu aos trinta e poucos anos, continuou muito viajado e ativo até ao fim da vida, que foi ceifada por uma feroz cólica nefrítica. Montaigne percorreu a Itália a cavalo com uma pompa principesca, envolveu-se em assuntos públicos e em diplomacias cortesãs secretas, andou de um lado para o outro com a família e os criados, tentando escapar ao flagelo das guerras religiosas e da peste. E, quando permanecia no seu castelo, nem sempre estava isolado com livros e papéis na torre circular onde tinha instalado a sua biblioteca. Como senhor feudal, não escrevia à mão, mas ditava a um secretário. Das janelas da torre, podia observar a vida nos pátios e galerias do castelo e vigiar as vinhas e florestas das suas propriedades, sempre alerta para a possibilidade de que, por aqueles caminhos traçados sobre a terra fértil, surgissem grupos de bandidos a cavalo ou fanáticos armados das várias seitas religiosas.

Embora a forma dos ensaios de Montaigne fosse o monólogo, quase um fluxo de consciência, o seu instinto não era de isolamento, mas de conversação. Dizia que escrever, para ele, era como começar a falar com um desconhecido na rua. E na origem das suas reflexões e ideias estava um propósito de diálogo frustrado, pois Montaigne quis sempre continuar a conversar com o seu grande amigo e amor da alma, Étienne de La Boétie, que morreu quando ambos eram ainda muito jovens. Nele, Montaigne encontrou, como Adolfo Bioy Casares escreveu sobre outra amizade, “a pátria da sua alma”.

Montaigne não cultivou a tolerância, a liberdade de espírito ou a irreverência face aos dogmas numa atmosfera cultural favorável a esses valores. Fê-no contra a corrente da terrível maré dos tempos, quando protestantes e católicos se massacram com fúria idêntica, e o destino certo de qualquer dissidência era a tortura e a fogueira. O defensor e propagandista dos livros, felizmente multiplicados pela imprensa, que devolviam ao mundo a sabedoria e beleza dos autores gregos e latinos, viu como livros condenados ardiam nas mesmas chamas onde se queimavam os seus autores. E também viu como outros livros propagavam não o conhecimento, mas o obscurantismo, envenenavam consciências, incitavam ao extermínio e forneciam justificações teológicas. Gravuras rudes representavam os inimigos como canibais, ratos, bruxas espetadas em tridentes demoníacos, ou criaturas excrementícias vestidas de frades e freiras, emergindo do traseiro elefantiásico do Papa.

A retaguarda, infelizmente, não é uma escolha, mas um privilégio e, também, um golpe de sorte. Não há espaço para bastidores para as pobres gentes martirizadas de Gaza, agora sujeitas a um cerco de fome, além do terror das bombas; nem houve, há duas semanas, para aquela multidão que, em poucas horas, na província de Valência, viu as suas vidas devastadas por um dilúvio universal que não era só de água, mas de lama, lixo e carros esmagados como brinquedos ridículos. Os antigos conheciam os golpes súbitos de crueldade impessoal da natureza e, sem outro recurso intelectual além de os atribuir à malevolência dos deuses, ao menos tinham acumulado, ao longo dos séculos, as sabedorias necessárias para atenuar a destruição, limpando leitos de torrentes, desenhando ruas e construindo edifícios que, em vez de barreiras ou armadilhas mortais, pudessem ser escoadouros para o colapso das águas, respeitando dunas, pântanos, espécies vegetais e ambientes resistentes e flexíveis às invasões do mar. Precisamos de uma retaguarda, mas somos tão vulneráveis à irracionalidade dos poderosos como às catástrofes naturais, percebendo cada vez mais que uns são tão perigosos quanto as outras, numa escalada assustadora cujo desfecho desconhecemos.

Na véspera da calamidade de 29 de outubro, as principais medidas ambientais do governo valenciano foram extinguir um organismo regional de emergências, cortar fundos dedicados à prevenção e autorizar novas construções ainda mais próximas do mar, seguramente com o objetivo prático de serem varridas rapidamente pelas tempestades, desde que os construtores tivessem tempo de receber os seus lucros e os vereadores e altos cargos corruptos recolhessem as devidas comissões.

Aqui, como em todo o lado, a irracionalidade e a cegueira parecem contagiar uma grande parte da cidadania. Os mesmos que mais sofrem com as alterações climáticas votam massivamente em demagogos que as negam, instigados pela turba macabra da extrema-direita e financiados pelas oligarquias do petróleo, agora aliadas aos antigos apóstolos bondosos das empresas tecnológicas. Nas zonas mais castigadas pelos furacões no sudeste dos Estados Unidos, de Florida às Carolinas, os moradores mal saem das suas ruas inundadas e casas em ruínas para votar em Donald Trump, com o mesmo entusiasmo com que os israelitas estão prontos para votar, assim que possível, em Benjamim Netanyahu e na sua coorte de supremacistas vingativos.

Ligamos o telejornal, e a nossa neta Leonor, de seis anos, que quer ver desenhos animados, pergunta porquê. Quando lhe dizemos que queremos saber o que se passa no mundo, ela fica séria e responde: “Pois eu não gosto do que se passa no mundo.” Nós também não. Assistimos às notícias com apreensão e, às vezes, durante o pequeno-almoço, lemos o jornal em papel ou digital e ouvimos a rádio. Mas o desejo de saber e compreender acarreta o perigo de sermos inundados não apenas pelas informações ameaçadoras, mas pelo lodo pútrido das mentiras, calúnias e bulos, sustentados com fria desfaçatez por quem aprendeu a encobrir a sua incompetência e corrupção acusando outros de serem corruptos. Nesse telejornal que a menina quer que desliguemos rapidamente, vejo Alberto Núñez Feijóo a culpar Pedro Sánchez e Teresa Ribera pela tragédia de Valência. Essa expressão de sarcasmo turvo e máscara de borracha provoca-me um repúdio físico, como uma má digestão. Há graus de vileza que talvez surpreendam, secretamente, até quem os pratica.

Por isso, é necessário recolhermo-nos nos bastidores, desligar a rádio, apagar a televisão, ou deixar que as crianças vejam os seus desenhos animados, buscar o silêncio, passear pelo campo numa manhã de novembro, observar com a paciência de um botânico os últimos abelhões sobre as pétalas desfeitas das últimas dálias, ler um conto às crianças ou assisti-las nas suas leituras. 

Ler Montaigne ou o seu parente espiritual, Miguel de Cervantes. Enviar dinheiro à Cruz Vermelha de Valência. E também sair dos bastidores para nos manifestarmos por um ar limpo, uma habitação digna, cidades não colonizadas por especuladores ou turistas, uma educação pública crítica e humanista para todos, um serviço nacional de saúde universal a salvo dos mercadores, um mundo habitável e justo onde, oxalá, essas crianças possam viver quando forem mulheres adultas e nós já não estivermos cá.

domingo, 19 de novembro de 2023

Tudo que dá Milhões Não Prejudica o Ambiente

Estava aqui a folhear o Jornal de Notícias e fico a saber que:

"Os navios atracados em Lisboa são responsáveis por cerca de 3,5 vezes mais emissões de dióxido de enxofre que todo o parque automóvel da cidade num ano inteiro. É o reverso da medalha do terminal de cruzeiros de Lisboa, que recentemente comemorou seis anos de existência, durante os quais recebeu 1436 navios e gerou receitas de centenas de milhões de euros".



Mas é preciso entender uma coisa muito importante:

Aos olhos de câmaras municipais e governos, nada que dê muito dinheiro prejudica o ambiente! 

Por exemplo, se eu quiser entrar em Lisboa no meu pequenino Toyota de 1995 não posso! Faço muito mal ao ambiente da capital. Tenho de compreender que posso matar os lisboetas todos com a imensa poluição que o depósito de 40L do pequeno Starlet emite. Os barcos megalómanos que por lá atracam poluem mais do que todos os carros  juntos durante um ano, mas esse sim, podem lá entrar, porque dão muito dinheiro a muita gente!

No fundo, hoje em dia, o capitalismo defende o ambiente como a Igreja defendia as almas na Idade Média. Não podias fazer nada porque tudo é pecado e vais arder no fogo do Inferno mas, se pagares muito bem, a gente fala com Deus e arranja-te lá um lugarzinho lá no céu!

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Os Três "R" da Ecologia e a Aberração de Aumentar o IUC dos Carros Velhos

Primeiro proibiram os pobres de entrar com o carro velho em Lisboa e ninguém fez nada... 




O que quer que esteja escrito no orçamento do Estado para 2024 não interessa nada pois atualmente só se discute o aumento do IUC para os carros de quem não tem dinheiro para comprar um mais moderno, ou porque não acha que ter um carro caro é uma prioridade. 

O assunto IUC secou por completo todas as outras discussões na opinião pública, o que, diga-se, só favorece o governo. Não se fala de verbas para o SNS, para médicos nos urgências dos hospitais, ou para, de uma vez por todas resolver o problema dos professores; ou a questão da habitação. Nada! Discutem-se sim os aumentos de 1000% nos carros velhos dos pobres. 

Tenho visto muitos argumentos interessantes contra, quer do ponto de vista da justiça fiscal, quer pelo lado ambiental. Mas o meu ponto de vista é, se calhar, o mais elementar de todos, e já assim foi quando António Costa, então presidente da Câmara de Lisboa, decidiu proibir os carros velhos, dos pobres, de entrar na capital, o que a meu ver é uma completa aberração e um contrassenso. 

Aprendemos todos na escolinha os três R da ecologia, do ambiente ou da sustentabilidade. Ora, se bem me lembro, os três R dizem que, primeiro, devemos Reduzir. E reduzir significa desde logo produzir menos. Então se o tema é carro, devemos produzir menos carros. Devemos comprar menos carros. 

O R que vem a seguir é Reutilizar. Significa isto que devemos utilizar as coisas o máximo tempo possível, e não andar sempre a mudar para impressionar a vizinhança ou para tentar engatar uma loira burra que se impressione com o tamanho do empréstimo em que nos metemos para mostrar um bólide moderno. 

Devemos então utilizar o mesmo carro o maior número de anos possível. Devemos estimá-lo, fazer as revisões, repará-lo, para só então, quando não for economicamente viável, ter que o trocar por outro. De preferência, outro caso usado. Isto era o que se deveria fazer, sempre!

As marcas, como acontecia antigamente, deveriam manter o mesmo modelo em produção, e que fosse fiável por dez, vinte ou trinta anos, como muitos modelos emblemáticos foram produzidos no passado. Hoje em dia, fruto da voracidade capitalista que só pensa em lucro e mas lucro, o que interessa é produzir muito, muitos novos modelos, para que as pessoas sintam que já estão desatualizadas e que se sintam pressionadas a ter o último grito da tecnoclogia- tal como acontece com a indústria têxtil ou da tecnologia -  mesmo que um carro seja só um objeto com o intuito de levar a pessoa do ponto A ao ponto B e, nesse particular são todos iguais. Têm quatro rodas, assentos, e andam rasteirinhos ao chão, em cima da terra. Ainda nem sequer levantam voo!, e isso sim, seria realmente uma mudança tecnológica. Mas até lá são todos iguais.  

Produz-se muito, muito depressa e mal. Tão depressa que não raras as vezes as marcas mandam recolher determinados modelos porque vêm com defeitos de fabrico. E além de serem produzidos dezenas de novos modelos todos os anos (ainda que cada vez mais iguais), parecem feitos de merda porque não valem nada a ponta dum corno! Estão sempre a avariar, e os custos de reparação são altíssimos! Além de depois ter que se esperar meses por peças de substituição!

E assim sendo, e porque têm uma pegada ecológica muito menor ao não consumir tanto, as pessoas deveriam ser incentivadas e beneficiadas por manter carros antigos. Mas o que é que faz o governo? Precisamente o contrário! Penaliza fortemente as pessoas que reutilizam o mesmo carro anos sem fim! A medida do governo é absurda, por um lado, do ponto de vista da justiça fiscal, porque penaliza os mais pobres mas, por outro, porque incentiva o consumo, a compra massiva de novos carros, o contrário do que se deveria fazer.

Ninguém está minimamente interessado em proteger o ambiente ou pelo menos ser sustentável. Ninguém! A única coisa que interessa é o negócio, o dinheiro. Há vinte anos andava o Durão Barroso a dizer "comprem carros a diesel, são os mais eficientes e serão o futuro". Vinte anos depois já não prestam! Porque agora o que interessa é vender carros elétricos, mesmo que isso seja um embuste, porque têm uma pegada ecológica muito superior, e, ao contrário do que se disse, as pessoas não estão a comprar elétricos para as grandes viagens, nem poderiam, porque as baterias ainda não dão esse número de quilómetros de autonomia sem terem que ser recarregadas. 

O que o ambiente precisa é de menos carros. Nós não precisamos trocar um carro a gasolina ou gasóleo por um elétrico! Nós precisamos de produzir menos carros, de usar menos o carro diariamente! Precisamos de melhores transportes públicos. Precisamos de comboios, que infelizmente andaram a ser destruídos e ainda nem sequer temos uma ferrovia de alta velocidade. 

Quanto ao resto, é tudo tanga. Ninguém está interessado em produzir menos, aliás, quem mais consome, até é beneficiado em IRS! E agora tudo conta: a mercearia, dormir em hotéis, ir ao restaurante, ir ao cabeleireiro, deixar o carro na oficina! Toda a nossa sociedade está organizada para o consumo. Consuma muito que nós damos-lhe mais dinheiro!

Ninguém está minimamente interessado no ambiente. Nem os governos, nem as pessoas. 



domingo, 7 de maio de 2023

O Planeta Está Todo Fodido, Mas, Enfim, Esqueçamos Isso!


O que interessa é que parece que estamos na Idade Média e até vão montes de jornalistas cá do burgo lá para o reino de sua majestade porque parece que há um novo rei para ser coroado e é preciso mostrar aquela gente toda, os príncipes e princesas e toda a gente bem vestida, e uma grande festa que vai custar milhões ao povo quando o rei, ele mesmo, possuí muitos milhões roubados ao povo. 

O que interessa são e as intrigas e o diz-que-disse entre Marcelo e Costa, outrora professor e aluno, horas a fio, com comentadores, todos da mesma cor e a debitar a mesma cassete e a salivar nas televisões para que o ex-comentador e rei das selfies dissolva o parlamento sem ter qualquer fundamento para o fazer. Ainda assim, isto tem a vantagem de servir para educar, pois, se já em 2015 algumas pessoas aprenderam que não se elegem primeiros-ministros mas sim deputados, tenha agora esteja a servir, espero, para que tenham ficado a saber - especialmente entre aquelas pessoas que não fizeram a instrução primária, e parece que são muitas - que, quem fiscaliza o governo é o parlamento e não o presidente da república. Mas tranquilizemo-nos, Marcelo, sete anos e dois meses depois, vai estar "atento"!

O que interessa é que vai ser campeão de futebol. Pois que seja o meu clube, que é sempre prejudicado, o teu não que é sempre favorecido pelos árbitros, e ainda que, mesmo depois de terem metido os árbitros a ver na televisão, pois mesmo assim ainda há comentários sobre a arbitragem! Mas, no fundo, todos roubam e é preciso roubar muito para pagar salários de milhões a uns tipos que só sabem dar uns chutos numa bola. Mas isso não se questiona. O que importa é que o nosso clube ganha e, se ganhar, ficamos estupidamente felizes, sem saber bem porquê! 

E o festival da canção também interessa muito. Pois desta vez é que vamos vencer. E se não for desta será para o ano. Também mandamos sempre uns gajos que não sabem cantar nada de jeito e com aspeto de drogado como aquele que tinha problemas do coração... mas quando ganhou eu fui logo para as redes sociais dizer que sempre disse que desta é que íamos ganhar! Desta vez é que tínhamos alguém que sabia cantar!

Fado, futebol e, claro, Fátima! Estamos em Maio e o que interessa são as encenações de Fátima. As idas a pé a Fátima rezar à santinha e aos pastorinhos. Ainda que tenhamos sempre que meter uma cunha, até nos pedidos de milagres! Mas lá têm que ir a Fátima rezar e acenar para o boneco, ainda que a bíblia as proíba, aos bonecos e às imagens. 

Sim, o planeta está todo fodido, mas, enfim, esqueçamos isso! Há coisas mais importantes para serem faladas nos media. Depois quando houver novamente eleições, aí sim, os políticos podem vir falar de todas as coisas grandiosas que vão fazer para salvar o planeta. 

Já agora, alguém me sabe dizer quando é começam os saldos, para eu comprar um monte de merdas, só porque estão mais baratas?

sábado, 17 de dezembro de 2022

Mas, Enfim, Esqueçamos Isso...

"Em 2021 a Amazon produziu embalagens plásticas suficientes para envolver a Terra mais de 800 vezes em plástico almofadado e isso é um grave problema para os oceanos..."


Mas enfim (vem aí o Natal e tudo) esqueçamos lá isso agora que nós queremos é mandar vir paletes de chinesices para oferecer à família e fazer bonito. 

A notícia pode ser lida na íntegra aqui.

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Ainda Bem Que os Carros Elétricos Não Têm Pneus nem Travões!



 Metam na cabeça: no status quo da política atual ninguém está preocupado com o Ambiente! 
Ninguém! Nada, zero! Tudo tangas para seduzir o voto, principalmente dos mais jovens. Mas na verdade ninguém está minimamente interessado em combater a poluição, na sustentabilidade ou no (alegado) aquecimento global (e digo alegado porque ainda há não muito tempo a ciência dizia-nos que íamos todos morrer congelados) 

Há só uma única coisa que interessa no mundo atual: fazer mais dinheiro! 
E defender o Ambiente implica produzir muito menos, reutilizar mais e reflorestar. E isso vai radicalmente contra a economia. É preciso "crescer" mais, dizem-nos constantemente. É preciso "produzir" mais. É preciso "produtividade". E produzir é poluir. Sempre. 

Apesar de ser a atividade humana que mais polui, todos querem é viagens de avião baratas - e depois não deixa de ser engraçado que os combustíveis não parem de aumentar mas o preço das viagens de avião estão, ironicamente!, cada vez mais baratas! - tal como todos querem é trocar de brinquedo eletrónico todos os anos, só porque sim, e comprar muita roupa barata, mesmo que seja produzida no Camboja com recurso a exploração de trabalho infantil. 

E, depois de terem passado anos a venderem-nos a ideia de que o gasóleo é que era ecológico, não é senhor Barroso? agora iniciou-se uma cruzada contra os carros de motor a gasolina e gasóleo. Porque o motor elétrico é que é verdadeiramente ecológico! Como se bastasse estalar um dedo e as baterias elétricas se carregassem ou, como se um carro elétrico não tivesse uma pegada ecológica muito maior, ou, como se soubesse o que se vai fazer aos milhões de baterias que se vão produzir e que, ciclicamente, se terão de substituir, como já têm que ser substituídas as baterias dos empilhadores, dos computadores portáteis ou dos telemóveis. 

Mas eu depois eu olho para o que se passa na própria empresa onde trabalho, que até, diga-se, é uma empresa que reutiliza equipamentos, evitando assim a produção de novos todos os anos, mas quando vejo milhares de baterias de lítio usadas e pergunto ao chefe qual será o destino de todo aquele material perigoso, a resposta que ouço é: aterro sanitário porque ninguém trata aquele tipo de resíduo. Mas os carros elétricos são totalmente ecológicos! Vamos fazer de conta que acreditamos. 

E já sabíamos que, metade da poluição do carro é desgaste de pneus e travões, mas esta semana a coisa ainda ficou mais divertida quando um estudo publicado no The Guardian nos diz que:
"A poluição provocada pelos pneus dos carros é duas mil vezes mais do que a poluição que sai dos escapes. Os tubos de escape estão agora tão limpos que se estivéssemos a começar do zero nem os regularíamos"

Fico muito mais sossegado quanto ao futuro visto que, como sabemos, os carros elétricos serão vendidos sem pneus e sem travões!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

A Roupa Mata

O mesmo Estado que proíbe certas plantas que nascem espontaneamente há milhares de anos, é o mesmo Estado que permite que outras substâncias quimicamente fabricadas com o intuito de viciar e que fazem muito pior. Mas, para lavar as mãos, como Pilatos, o mesmo Estado manda escrever nos maços de tabaco que o "Tabaco Mata".

Então e que tal, já que os políticos entraram agora todos numa vertigem hipócrita de defesa do Ambiente, começar também a escrever que certos cortamentos matam o Ambiente?

https://www.researchgate.net/
Vou só dar o exemplo da roupa. Para produzir um par de calças de ganga são precisos cerca de dez  a vinte mil litros de água para obter cerca de um quilograma de algodão e vinte por cento da poluição industrial da água em todo o mundo é atribuído ao tingimento e tratamento dos têxteis. 
Então porque não, colocar em todas as lojas de roupa as seguintes mensagens:

"Para produzir este par de calças de ganga, foram gastos dez mil litros de água"

"Comprar roupa mata o Ambiente".



segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Já Que se Fala Tanto em Ambiente e Produtividade...

Agora não se fala de outra coisa. É Ambiente para cá ambiente para lá, são as palhinhas e beatas, mas falemos de coisas verdadeiramente importantes: e se experimentássemos trabalhar só quatro dias por semana? 

Sim senhor António Costa, em vez de proibir a entrada de carros anteriores a 2000 na cidade de Lisboa (como fez quando era presidente da câmara) medida simbólica e que apenas descrimina as pessoas que não têm rendimentos para terem carros mais modernos, diga-me lá,  quanto é que representaria retirar 20% por semana, dos mais de um milhão de carros que todos os dias circulam só em Lisboa e Porto?

Ah, mas ó Konigvs, e quanto é que isso custaria às empresas, tadinhas das empresas...

Falemos então de produtividade. Senhor empresário: interessava-lhe ter um aumento de 40% produtiviade na sua empresa?

Então atente no seguinte. Ontem o The Guardian trouxe uma reportagem muito interessante. Então não é que a Microsoft testou uma semana de trabalho de quatro dias em seus escritórios no Japão e descobriu que os funcionários não eram apenas mais felizes, mas também significativamente mais produtivos?



Durante o mês de Agosto, a Microsoft experimentou um novo projeto chamado Work-Life Choice Challenge Summer 2019 (qualquer coisa como Trabalho-Vida Desafio-Escolha 2109) oferecendo a todos os seus 2300 trabalhadores as cinco sextas-feiras seguidas sem diminuir os salários.

"Trabalhe por um curto período de tempo, descanse bem e aprenda muito", afirmou o presidente e CEO da Microsoft Japão, Takuya Hirano, em comunicado ao site da empresa. "Quero que os funcionários pensem e experimentem como podem alcançar os mesmos resultados com 20% menos tempo de trabalho."

Então não é que além do aumento da produtividade, os trabalhadores tiraram ainda menos folgas durante o teste, o uso de eletricidade caiu 23% no escritório e imprimiram menos 59% páginas de papel?

Já um estudo publicado pela Harvard Business Review mostrou que, dias de trabalho mais curtos, diminuindo as oito horas de trabalho para seis horas, aumentam a produtividade. Outro estudo realizado em 2018 com 3000 trabalhadores descobriu que metade dos trabalhadores achava que poderia fazer o seu trabalho em cinco horas por dia.

Então, e até porque também não se pode fazer tudo de uma vez, e visto que os políticos querem tanto proteger o Ambiente (nem dormem de noite a pensar no Ambiente!) mas querem também captar votos, porque raio o governo não começa por dar o primeiro sinal, reduzindo o horário de trabalho dos trabalhadores do privado, tornando igual o que neste momento é desigual em relação aos trabalhadores do Estado? 

E depois por que é que a União Europeia não coloca um horário de trabalho igual em todos os países da zona Euro e reduz definitivamente a semana de trabalho para quatro dias?

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Daqui por Quatro Anos um Carro a Gasóleo Não Vale Nada!



"Hoje é muito evidente que quem comprar um carro a diesel muito provavelmente daqui a quatro ou cinco anos não vai ter grande valor na sua troca".  (Matos Fernandes, Ministro do Ambiente, Janeiro/2019)

Setembro/2019:
O número de carros a gasóleo subiram em Portugal de 713 mil para 846 mil. E na Europa são agora mais de 50 milhões. 

Gostei particularmente da adjetivação do Jornal de Negócios "veículos poluentes a gasóleo", como que dando a entender que os carros a gasolina, híbridos e elétricos não poluem!

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Em Breve Mil Bicicletas Elétricas "Como Novas" à Venda No OLX e Custo Justo


Há coisas que me fazem mesmo muita confusão. 
De repente, há uma vertigem pelo elétrico, pelas baixas emissões. Depois dos Toyota Prius, que até nos Estados Unidos faziam furor, é agora o elétrico que é mordenaço, verde e sinal de status, até porque um carro elétrico ou uma bicicleta elétrica não são propriamente baratos e acessíveis à generalidade das pessoas. 
Então vai daí o Estado, aprovado pelo parlamento, aprovou um incentivo de 250€ para a compra de mil bicicletas elétricas. 

Perante este cenário, a minha pergunta, senhores e senhoras deputados(as) é: 
- Por que é que em vez de andarem com medidas avulsas, que apesar de ficarem sempre bem na comunicação social, porque são "verdes" - "vejam o que estamos a fazer pela melhoria do ambiente"! - e apoiarem a compra de mil bicicletas elétricas (e claro que tem mil euros para dar por uma bicicleta, certamente que será uma pessoa que ganha um salário mínimo de 600€!) medidas esse avulsas que nada mudam na vida das pessoas em geral (unicamente na carteira de mil burgueses), por que é que não isentam de IVA a compra de todas as bicicletas comuns, aquelas que são movidas à energia dos músculos sobre os pedais, e bicicletas essas verdadeiramente zero emissões?

Uma bicicleta é veículo verdadeiramente ecológico, que faz bem à saúde e previne doenças, e que tem zero emissões para o ambiente (a não ser o cheiro a suor!) e que ainda por cima são fabricadas nas fábricas portuguesas, por trabalhadores portugueses, mas pagam de imposto 23%!
Mas já sabemos que, o que é preciso isentar ou beneficiar, senhores e senhoras deputados(os) é o IVA das touradas, um espetáculo de incentivo à tortura animal ou então o golf, como fez o anterior governo, pois como todos sabemos o golf só é praticado por pessoas com dificuldades económicas!  

Sabem o que é que vai acontecer à vossa linda medida de apoio com 250€ na compra de uma bicicleta elétrica? Vai originar que, daqui a uns tempos, todas elas, estejam à venda em sites como o OLX e Custo Justo, tal e qual como aconteceu com os computadores Magalhães. 

domingo, 18 de novembro de 2018

Obrigado Brasil pela Eleição de Bolsonaro - Aqui Vamos Todos Rir às Gargalhadas!

Se aquando das eleições americanas aqui referi que estava a torcer pela vitória de Donald Trump, de igual forma nas eleições brasileiras torci pelo fascista, simpatizante da ditadura militar, misógino e o diabo a quatro do candidato Jair Bolsonaro, porque, sem dúvida, o mundo passará a ser um lugar muito mais divertido com ele na presidência do Brasil. O mundo está muito chato, ainda pior depois da saída de Bruno de Carvalho da presidência do Sporting!

Se já em campanha eleitoral, o próprio Bolsonaro avançou ele mesmo que gostaria de ver Alexandre Frota como Ministro da Cultura, ficamos agora a saber que o nome de Maitê Proença, conhecida atriz de novelas brasileiras, foi proposto para.... Ministra do Ambiente! Isso mesmo! E num vídeo que publicou no Twitter em que confirmou o seu nome e se chegou à frente disse o seguinte:

"Bolsonaro não ganhou porque as pessoas querem a volta da tortura, as mulheres ganhando menos. Ele ganhou porque ele foi autêntico, porque ele inaugurou uma forma nova."

Maitê, querida, deixa ver se eu consigo perceber esse teu argumento. Então, as pessoas não querem de novo a tortura mas votaram num candidato que prometeu fazer voltar a tortura e como ele foi realmente autêntico e fez parecer às pessoas que vai mesmo fazer voltar a tortura, então as pessoas votaram nele! Fôda-se isso é um argumento genial! Que é que tu tens dentro dessa cabecinha linda? Ar e vento? Sim, o mesmo que todas as pessoas que votaram nele, é verdade!

Mas a senhora disse ainda mais:
"O homem comum ele quer segurança, emprego e comida na mesa. Ele abriu mão dos direitos humanos pra ter isso."


Puta que pariu Maitê! Qual humor britânico, isto é do melhor nonsense que tenho visto! 

Mas já agora relembrar aos mais esquecidos quem é Maitê Proença. É aquela mesmíssima atriz brasileira que ficou furiosa porque não lhe arranjaram um técnico de informática no Hotel cinco estrelas onde estava hospedada em Portugal, como se um Hotel, só por ser cinco estrelas, tivesse que ter disponível no minuto seguinte, um técnico de tudo e mais alguma coisa para satisfazer os caprichos e requintes de uma menina mimada. E então vai daí decide gozar com o país que a acolhe e para onde vem vender os seus livros e os seus espetáculos. E nesse rol de críticas, ironicamente goza com o facto dos portugueses terem sido governados durante vinte anos (?) pelo ditador Salazar e por este ainda ser muito querido por cá. Digo ironicamente porque agora apoiou, ela mesma, um fascista e candidato a ditador para a presidência do Brasil que, entre muitas barbaridades, defendeu abertamente a tortura e a pena de morte, bem como os próprios esquadrões da morte!


A todos os brasileiros que votaram na eleição de Bolsonaro, aqui deixo o meu sincero muito obrigado! Nós por cá deste lado do Atlântico certamente vamo-nos certamente rir às gargalhadas com a vossa presidência brasileira e que dure o máximo de anos possível!

domingo, 26 de novembro de 2017

Reciclar é Aliviar a Consciência Pesada

The Guardian
Reciclar não é ser sustentável. Ser sustentável é não comprar. Ser sustentável é usar o máximo tempo possível. Não é sustentável comprar um telemóvel a cada seis meses só porque saiu um novo. Não é sustentável comprar uma nova consola de jogos sempre que sai uma nova para o mercado. Não é sustentável comprar um batalhão de roupa nova, muita nem se vai usar, só porque está barata. Está barata mas alguém, pago miseravelmente, teve de a produzir. A Natureza foi, irremediavelmente prejudicada com essa produção. 

E depois, no fim disto tudo, da produção e da poluição, fala-se na reciclagem. Mas reciclar é mais ou menos como o bom cristão que peca, que comete um pecado grave e depois vai ao padre para confessar os seus pecados. E sente-se aliviado. Ou como aquelas pessoas que enchem o bandulho ao fim-de-semana, e comem um monte de porcarias, e depois na segunda-feira, com a consciência pesada, decidem aparecer no ginásio. E reciclar é mais ou menos isso: aliviar a consciência pesada.