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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A Inveja é uma Coisa muito Feia

De repente toda a gente se lembrou de falar da Autoeuropa. Parece que os trabalhadores estiveram em greve. E se há uma ou outra pessoa que a ouço defender os trabalhadores, outros há, a maioria, que fazem deles uns abusados, uns idiotas que não sabem o que é melhor para eles, e que não sabem ver que já ganham muito dinheiro e mais não sei o quê. Sim, como se quem os critica, fosse algum exemplo, e passasse constantemente a vida a dizer ao patrão que está a ganhar demais, e que, se tivesse oportunidade de ganhar mais algum recusasse.

Na verdade eu raramente gosto de atafulhar a memória do meu cérebro com informação inútil, e este é um desses casos. Não trabalho na Autoeuropa, estou-me a cagar para a greve, para o que os alemães lhes propuseram. Simplesmente não me interessa. Mas as pessoas querem logo saber! Ultrage! Há gente a ganhar muito mais do que! Esperem, para tudo! Mas só agora descobriram que na empresa que mais dinheiro ganha em Portugal se ganha bem? É que então estavam muito mal informados!

Mas no entanto, depois de tantas manifestações contra os trabalhadores, que não roubaram nada a ninguém, nem foram eles que quiseram mudar as regras do seu contrato a meio (foi a empresa!), pergunto então, a todos aqueles que são trabalhadores como eu, se isso tudo é só inveja? Porque se não é, parece! Parece que caiu o Carmo e a Trindade quando descobriram que são trabalhadores a trabalhar numa linha de produção e que ganham tanto dinheiro. No entanto, e contra os tipos que nem falar sabem, e que simplesmente dão uns chutos numa bola e que ganham numa hora aquilo que os trabalhadores da Autoeuropa ganham num mês, contra isso já ninguém se insurge! Ah, malandros daqueles trabalhadores que deveriam ganhar menos do que eu! 
É que, para mim, é muito feio estar do lado do patrão em vez de estarem do lado daqueles que são trabalhadores como nós. É que, entre uns e outros eu defendo a minha classe, defendo os meus, não defendo aqueles que muitas vezes querem pagar pelo meu trabalho, o mínimo possível. Mas e se fosse convosco nas vossas empresas? Estou a ver que rapidamente vergariam o cuzinho e aceitariam tudo o que vos propusessem.

Então, se não estão por dentro da situação, se não sabem o que é estar na pele deles, então, não julguem os outros. Ainda por cima eu sempre ouvi dizer que quem está de fora racha lenha. E parece-me mesmo muito feio, que, sem conhecerem minimamente a realidade, estarem do lado dos que estão do outro lado da barricada, quando um dia poderá ser com vocês, e gostava de saber o que fariam.

E sabem que mais? A inveja é uma coisa mesmo muito feia. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

E o invejoso sou Eu II

Por estes dias encontrei-me com uma desconhecida para trocarmos uns livros. Enquanto decidia que livros escolher, íamos conversando e conversa vai, conversa vem, ela diz-me que anda a ler um livro do Rodrigues dos Santos. 
Este escritor, José Rodrigues dos Santos é também, como todos sabem, a Manuela Moura Guedes do Telejornal da RTP. Daquelas pessoas que, ou fizeram o curso de jornalismo por correspondência, ou então fizeram como o outro, que nem sequer fez curso nenhum, simplesmente relvaram-lhe o curso de doutor pelo simples facto de ter andado no rancho folclórico de Tomar. 
Se esta gente alguma vez tivesse feito um curso de jornalismo, certamente que saberiam o que é ética, deontologia, independência e isenção, e não, pelo contrário, dar opinião, ser tendencioso ou defender uma ideologia com unhas e dentes em vez de informar.


   

Logo lhe disse que seria incapaz de ler um livro dele porque o abomino como pessoa. Como dizia a outra, não quero negar à partida uma ciência que desconheço. Ele de facto pode escrever livros maravilhosos, nem ponho isso em questão, mas o problema é que eu à partida já sei que tipo de pessoa ele é, baseado no trabalho público que ele desenvolve. 
Eu provavelmente até já li livros que gostei, escritos por pessoas com um caráter igual ou pior ao dele, mas simplesmente não sabia. Mas o corno é sempre feliz enquanto não sabe não é? Ou finge não saber. O problema está quando descobre por si mesmo que é corno, ou quando os outros lhe dizem. Aí é que depois está o problema! Bom, na verdade também há quem goste de ser corno, muitos até pagam se for preciso para o ser, mas isto já é tema para ser abordado outra mensagem!

Mas será que um canalha pode escrever bons livros?


Seguindo o raciocínio de todos aqueles que chamam invejosos a quem quer que seja que diga algo de menos positivo sobre o Cristiano, isto deve-se também, porque eu tenho inveja do Rodrigues dos Santos. 
No fundo eu sou é um grande invejoso. Não gosto do Rodrigues dos Santos, porque eu queria era ser a Moura Guedes do Telejornal e ter uns abanadores como os dele. 
Haja paciência.