"A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão."
sexta-feira, 10 de novembro de 2023
Séneca Sobre a Amizade
domingo, 20 de agosto de 2023
Intimidade Artificial - A Calamidade do Século
Este artigo foi publicado no jornal Folha de São de Paulo a 20 de Março de 2023.
"Esther Perel é psicoterapeuta. Nasceu na Bélgica, filha de sobreviventes do holocausto. Hoje é professora da universidade de Nova York e especialista em temas como solidão e relacionamentos contemporâneos, incluindo relações amorosas.
Quando nos relacionamos com nossos amigos, amantes ou familiares nunca estamos 100% presentes. Nossa atenção está sempre dividida entre as pessoas e o nosso telemóvel, redes sociais, notificações e assim por diante. Neste contexto não é possível ter intimidade real.
As redes sociais e o telemóvel funcionam como anestesia seletiva para as relações humanas. Queremos as partes boas do convívio, que são do nosso interesse, mas evitamos ao máximo atritos, conversas desconfortáveis, o tédio etc. Sempre que algo desconfortável começa a materializar-se, partimos para o mundo confortável e controlado do telemóvel, que nos distrai do que é verdadeiramente humano.
Esta é a intimidade artificial. Estamos todos a viver coletivamente a experiência do rosto parado que o psicólogo Edward Tronick realizou nos anos 1970. Nele, uma mãe primeiro é gravada relacionando-se normalmente com seu bebé de 6 meses. Ela sorri, o bebé sorri de volta. Ela fala qualquer coisa e o bebé dá uma gargalhada. No segundo momento a mãe paralisa seu rosto. Olha fixamente para o bebé, sem expressar reação. O bebê então gargalha. A mãe permanece impassível. O bebé começa então a gritar. Nenhuma reação da mãe. O bebé então chora e grita desesperadamente, até que a mãe retoma suas reações normais e acolhe a criança.
No mundo atual somos todos simultaneamente a mãe e bebé. Como somos incapazes de dar atenção integral ao outro, estamos sempre em dívida emocional com os que nos rodeiam. Ao mesmo tempo, somos o bebé, sedentos por atenção. Nunca houve uma carência tão grande por escuta e acolhimento como a que viver coletivamente no mundo de hoje.
Esther nos conclama a nos rebelarmos contra a intimidade artificial. A exigir e a dar atenção total para aqueles com quem nos relacionamos. A darmos o difícil passo de aceitarmos o conflito e o atrito, parando assim de nos anestesiarmos parcialmente o tempo todo. Sem isso seremos obrigados a conviver com relações que julgamos “defeituosas” o tempo todo.
Uma investigação realizada nos EUA em 2019 apontou que 22% dos “millenials” têm hoje zero amigos; 25% dizem não ter conhecidos. Muitos têm um número de seguidores gigantesco, mas amigos mesmo, nenhum. Nas gerações anteriores só 9% afirmavam não ter amigos. E não é por acaso que ansiedade e depressão são um dos assuntos que hoje mais circulam nas redes sociais entre adolescentes e crianças.
Na era da intimidade artificial, não são só as amizades que estão em risco, mas também as relações amorosas e familiares. Apertem os cintos para a sociedade da solidão, com consequências nefastas para todos os campos da vida humana.
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
A Amizade de Marx & Engels
sábado, 25 de julho de 2020
Os Amigos Podem Foder? ou Vão 'Destruir a Amizade'?
quarta-feira, 20 de maio de 2020
Amizade Entre Mulheres é Apenas Uma Trégua Nas Hostilidades
domingo, 1 de setembro de 2019
Interessa Mesmo Que Eu Esteja a Namorar?
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| Via Pinterest |
Há muito tempo que me demonstravas receio que eu voltasse a namorar. Se por um lado querias muito que eu encontrasse alguém especial, que aos teus olhos me merecesse, e com quem eu pudesse ser feliz, por outro lado isso deixava-te desconfortável, porque sentias que isso nos iria afastar ainda mais.
Eu sei que é um paradoxo fodido. Querer a felicidade de alguém, nós mesmos querermos que pudéssemos ser nós a fazer o outro feliz, mas não o podermos fazer. E como é que se pode querer a felicidade do outro, se ver o outro feliz implica vê-lo sem nós. Fodido, hein?
Mas muito sinceramente, interessa mesmo que eu esteja a namorar?
Afinal, de que é que adiantou eu não estar a namorar durante os últimos novecentos dias se nem por uma só vez nos pudemos ver? Se deixámos de falar ao telefone, e se passam meses sem nos correspondermos?
Interessa mesmo que eu esteja a namorar?
Pois eu acho que não interessa nada. Tal como não interessa que tenhas ainda, ou não, marido. O que interessa é o que nós sentimos um pelo outro, e que eu, sinceramente, acho que não vai mudar tanto assim com o tempo, mesmo que um de nós se mude para um planeta distante. Diferentes são as nossas vidas que têm se seguir, como as de toda a gente, dia após dia, após dia, até ao dia final.
E na vida não dá para fazer Pausa. Os dias correm. Novecentos dias passam a correr. Quando mal dermos conta estamos velhinhos e desperdiçamos toda uma vida sem nos falamos. E isso sim é um bocado triste. Eu sei, gostar de alguém com quem não se pode estar também é muito triste.
Mas, se não nos pudemos ter, ou se não nos quisemos ter porque não nos podíamos ter, interessa mesmo que outras pessoas entrem (e saiam) das nossas vidas? Tu sabes que não podemos fazer Pausa nas nossas vidas. A vida é uma correria. Cruzamo-nos com tanta gente que um dia esbarramos em alguém...
Tu andas por aí sabe-se lá por onde e eu estou aqui a escrever-te porque, para mim, verdadeiramente importante é não esquecer quem foi importante para nós. Por isso, diz-me, interessa mesmo que eu esteja a namorar?
domingo, 26 de maio de 2019
O Sábio Basta-se a Si Mesmo
"Para quê arranjar então um amigo?" Para ter alguém por quem possa morrer, alguém que possa acompanhar ao exílio, alguém por quem arrisque e ofereça à morte. Isso a que aludis e que tem em vista o interesse, que considera as vantagens práticas, isso não é amizade, é uma negociata!
(...)
"O sábio basta-se a si mesmo". Amigo Lucílio, muita gente interpreta incorretamente esta máxima, afastando o sábio do mundo que o rodeia e reduzindo-o aos limites do seu corpo. Por conseguinte é imprescindível distinguir bem o que significa, e qual o alcance desta frase: o sábio basta-se a si mesmo para viver uma vida feliz, não simplesmente para viver, na medida em que para viver carece de muita coisa, mas para ter uma vida feliz basta-lhe possuir um espírito são, elevado e indiferente à fortuna.
(...)
O sábio precisa das mãos, dos olhos, de muita coisa necessária à vida quotidiana, mas não carece de coisa alguma: carecer implica ter necessidade, ser sábio implica não ter necessidade de nada.
Por isso mesmo, embora se baste a si próprio, precisa ter amigos; deseja mesmo tê-los no maior número possível, mas não para viver uma vida feliz, pois é capaz de ter uma vida feliz mesmo sem amigos.
(...)
A sua cidade fora tomada, os filhos e a mulher pereceram, tudo era pasto das chamas; sozinho, e apesar de tudo feliz, Estilbão partia quando Demétrio, aquele que das cidades destruídas tomou cognome de Poliorcetes, lhe perguntou se havia perdido alguma coisa. Resposta do filósofo: "não, todos os meus bens estão aqui comigo". Isto é que é ser um homem forte e indomável, capaz de vencer a própria vitória do seu inimigo! "Nada perdi", disse ele; e com isto forçou Demétrio a duvidar do seu triunfo.
(...)
Que importa, de facto, a situação em que te encontras, se tu a consideras má? "Como é isso? Então se um ricaço desonesto, se um homem senhor de muitos escravos mas escravo ainda de mais, disser: "eu sou feliz!", o facto de pronunciar esta frase fará dele um homem feliz?" Não, o que interessa não é o que ele diz, mas o que sente e o que sente continuamente e não num dia qualquer. E não receies que tão afortunada situação possa ser apanágio de um ser indigno: só um sábio se contenta com o que tem, todos os insensatos sofrem de descontentamento consigo mesmo.
Cartas a Lucílio (Carta 9) / Lúcio Aneu Séneca
terça-feira, 19 de março de 2019
Um Abraço de Dois Anos
Coisas Que me Lembram de Ti (2) - Árvore das Rosas
- Acho que já não te lembrarás! É normal. Eu sei que não é propriamente um nome de muito fácil memorização e podia-te ter explicado o nome, bem mais interessante que tem em português.
Rododendro vem de "Rhodon" + "dendron". Em que "rhodon" significa "rosa" e "dendron" significa "árvore". Ou seja, a um rododendro podes chamar-lhe: "Árvore das rosas".
Já viste que bonito que é? E agora já sabes que sempre que vejo uma árvore das rosas é-me impossível não me lembrar de ti...
quinta-feira, 9 de agosto de 2018
Conversas Improváveis (30) - A Amizade Não Deveria Ser Incondicional?
segunda-feira, 18 de junho de 2018
Coisas que me Lembram de Ti
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| Foto emprestada da net |
domingo, 25 de fevereiro de 2018
Retirar o Time de Campo
terça-feira, 28 de novembro de 2017
Não Me Morras
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Vidas Paralelas
Estou melhor, mas perdi a fé num monte de coisas, exceto nos olhos das pessoas que falam a sua linguagem. A linguagem da solidariedade, a linguagem de continuar a fazer as coisas contra o que as leis acham que se deve ou não fazer.
Deixei de dançar, então agora danço sozinha na minha casa ou no meu jardim. Eu também perdi alguém de quem gostei há 2 anos, mas ele era mau para mim, e levei algum tempo para recuperar.
Acho que estou a ficar mais madura com as coisas que me acontecem, tornaram-me mais sensível a tudo. Parecemos mais velhos mas estamos mais macios por dentro. (ou é só comigo)
Tenho uma sobrinha com 5 anos! Ela é a coisa mais linda para mim e ama-me muito. Agora eu gostaria de ter um filho, mas a possibilidade é muito baixa.
Eu lembro-me de ti também. As tuas tartarugas, os teus passeios naqueles sítios lindíssimos. Se quiseres podes-me enviar fotografias dos teus novos passeios?
Beijos!!!
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
O Corvo que adotou um gatinho
O corvo tratou de arranjar comida para alimentar o bichano. E protegeu-o como se fosse seu próprio filho. O gatinho cresceu, arranjou uma família de humanos que lhe deu comida sem ele ter que fazer qualquer esforço, mas apesar disso nunca deixou de ser amigo do Corvo. Ambos ficaram amigos para a vida.
Provavelmente se esta história se passasse entre dois humanos, o humano-gato cagava no humano-corvo pois já não precisava dele para nada. Ou então pior, certo dia, quando o humano-corvo estivesse distraído, comia-o.
Acho que temos mesmo muito a aprender com os animais, em especial com os corvos.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Bactéria Multirresistente
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| Foto emprestada da net |
Curiosamente foi esta pessoa que, já há uns quantos anos, me disse certo dia, a propósito da minha resiliência, que por mais mais dificuldades que a vida me coloque, eu resisto e resisto, sempre... como uma "Bactéria multirresistente".














