E, ao contrário do que muitos querem romantizar, Salazar, não nasceu pobre - comparado com a média das famílias daquele tempo - muito menos morreu pobre.
"A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão."
domingo, 26 de julho de 2026
O Dinheiro de Salazar
sexta-feira, 22 de agosto de 2025
A Fome e a Miséria em Portugal na Ditadura Fascista de Salazar
Quando, entretanto, em 1958, a minha campanha eleitoral me levou ao Alentejo, mulheres a chorar agarravam-se a mim dizendo-me que no Inverno anterior tinham recebido 8 escudos por dia e, mesmo assim, só durante parte da semana. Podia-se ver a verdade das suas palavras nas crianças que me rodeavam, pele e osso, com grandes olhos tristes que obrigariam qualquer pessoa, inevitavelmente, a dar-lhes um pedaço de côdea.
(...)
A minha secretária Brasileira, Sra. Arajarŷr Campos, disse-me um dia que tivera uma jovem criada Portuguesa, à qual ouviu dizer que em Portugal jamais comera carne, e que, só agora, na casa da sua patroa, podia finalmente comer uns bifes.
Esta esfomeada rapariga tocara num ponto muito importante, pois o consumo anual de carne em Portugal é, efectivamente, de 15 quilos por pessoa, contra 69 quilos nos Estados Unidos, 61 na Inglaterra, 43 na Alemanha Ocidental. Quanto ao leite, o Português bebe 1 litro por mês, em contraste com 20 a 40 litros nos países menos atrasados.
Tudo isto prova que as proteínas fundamentais são um luxo para as classes pobres e médias. Basta olhar para as populações rurais, para se ver como, em pouco tempo, se tornam num simples saco de ossos; as mulheres, entre os quarenta e os cinquenta anos, envelhecem precocemente, e os homens começam a ficar curvados e com as pernas arqueadas, perdendo ambos os sexos, muito cedo, os dentes. A carência de vitaminas origina magreza, ou pelo excesso de carbo-hidratos, obesidade doentia.
Acertadamente, embora com dolorosa acuidade, o consumo de proteínas em Portugal foi assim descrito: «Um pequeno copo de leite por dia, um bife por semana, três ovos por mês, uma galinha por ano». Considerando que muita gente come três ovos por dia e uma quantidade proporcional de outros alimentos, não é de surpreender que, tal como constatei, haja muitas pessoas, tanto nos meios rurais como na cidade, que nunca comem tais alimentos, excepto em dias de festa. No campo, não comem ovos nem galinhas, pois que, mal dando o seu rendimento para se alimentarem, só vendendo estes pequenos extras conseguem comprar alguma coisa para além das necessidades básicas.
Contudo, o trabalhador Português gasta 67 a 87% do seu rendimento na alimentação, e, por consequência, vive pouco melhor do que um animal. Se fizermos uma comparação com um país semi-socializado do tipo democrático-progressivo, como a Suécia, constatamos que somente 31% do orçamento familiar são consagrados à alimentação. Se tomarmos a França como exemplo, o mais politicamente amadurecido e socialmente progressivo dos países latinos, constatamos que 49% do rendimento é consagrado ao mesmo fim.
SALÁRIOS
Um salário só pode ser avaliado com relação ao seu poder de compra. Assim me recordo claramente das lições de estatística que segui, há mais de cinco anos, quando me matriculei na Universidade Americana de Washington, muito embora não passasse de um curioso, interessado somente em aprender um pouco mais acerca de economia. Um trabalhador americano trabalhava cinquenta horas para comprar uma camisa de algodão, um fato e um par de sapatos, enquanto um trabalhador russo precisava de cinco vezes mais para adquirir as mesmas coisas. Isto diz-nos mais do que qualquer declaração em rublos ou em dólares, que falharia certamente, ao darmos qualquer informação acerca do respectivo poder de compra.
Uma análise similar da situação em Portugal dá-nos resultados alarmantes. É difícil calcular o salário do trabalhador rural, porque é geral o desemprego, mas ascende provavelmente a dois terços da média do trabalhador na indústria, que é de cerca de 24 escudos. Uma comparação do rendimento deste último mostra que, para comprar um quilo de carne, ele tem de trabalhar quase um dia inteiro (6 a 7 horas) em contraste com hora e meia na Inglaterra. Quanto ao leite, um inglês só precisa de trabalhar um quarto de hora para comprar um litro, enquanto o trabalhador Português, que, de qualquer forma, nunca bebe leite, teria de trabalhar quatro vezes mais. Um quilo de batatas, um dos ingredientes do «cavalo verde», dieta típica dos habitantes subalimentados do norte, requer quase uma hora do tempo do trabalhador Português, contra cinco minutos na América. Que pode ele fazer se tiver uma família a alimentar, especialmente porque um quilo de pão, alimento básico em Portugal, não custa menos do que uma hora de salário?
Isto prova que o nível nutritivo do Português é equivalente ao de um Tunisiano ou de um Congolês, como acentua o «New Scientist» de 21 de Julho de 1960. Os salários portugueses, que desceram cerca de um terço entre 1938 e 1958, só podem comprar fome, e por isso, na falta de pão, os únicos luxos possíveis são os equivalentes Salazaristas do circo Romano - futebol, fado e Fátima. (O fado é uma canção nacional melancólica e Fátima é uma localidade onde se supõe que tenha aparecido Nossa Senhora em 1917).
O PROBLEMA DA SAÚDE
Na verdade, o Português nasce em circunstâncias pouco usuais, dado que em muitas aldeias jamais se ouviu falar de parteiras ou de médicos e 50% das mães dão à luz sem assistência.
A taxa de mortalidade durante o primeiro ano de vida é de 88 por mil, contra uma média de 50 por mil em 102 países. Durante o reinado de Salazar a posição com relação à Checoslováquia, Japão e Singapura, por muito estranho que pareça, foi invertida, pois, em 1925, era o dobro da de Portugal enquanto agora é precisamente o contrário («W.H.O.», Relatório das Estatísticas Vitais e Epidemiológicas).
Mesmo que o Português não morra no berço, é-lhe quase impossível conseguir cuidados médicos, uma vez que tem de escolher entre comer e receber tratamento; este é muitas vezes demasiado caro, não deixando outra alternativa além da morte. Em Portugal há apenas 1 médico por cada 1 400 habitantes, contra 1 por 800 na Itália; similarmente, existe uma enfermeira por 3 000 habitantes, contra 1 por 500 nas democracias ocidentais. As consequências são inevitáveis e significam que 58 pessoas em cada 1 000 morrem de tuberculose, contra 5 por 1 000 na Holanda, e que, por cada criança que morre de tosse convulsa na Inglaterra, morrem quatro em Portugal, enquanto a percentagem de sarampo nestes dois países é de 1 para 9.
HABILITAÇÃO E ASSISTÊNCIA PÚBLICA
Suponhamos que um Português consegue sobreviver a tudo isto e que pretende comprar uma casa, para casar. O último recenseamento mostra que, num total de 2 047 398 famílias, 2 592 não tinham acomodações, 10 596 viviam em casas temporárias, 2 583 em habitações impróprias, 193 221 em partes de casa. Dos factos que me foram fornecidos por pessoas que vivem no país, posso assegurar que estas estatísticas oficiais ficam muito aquém da verdade.
Não se pode ler à luz de uma lâmpada nem ouvir o rádio, porque, tal como descobri quando passei um Verão em Cela, não há electricidade, apesar das promessas feitas há uns doze anos. Quando finalmente ia ser instalada, visitei a localidade na minha qualidade de candidato à Presidência, e então o Presidente da Câmara de Alcobaça, sob cuja jurisdição se encontra aquela povoação, informou os pobres desgraçados que ali viviam de que, ao fazerem-me um tão entusiástico acolhimento, tinham perdido o direito àquele luxo. Em 1953, só 1 251 das 3 374 freguesias de Portugal, possuíam electricidade, e, ainda assim, 484 já a tinham em 1935, o que implica portanto um singelo aumento de 42 freguesias por ano.
Quando chega a velho e já não pode trabalhar, o Português sem meios pessoais tem de depender dos filhos, ou, como acontece na maioria dos casos, acaba por viver da caridade, porque a assistência pública e as pensões de velhice só raramente são mais do que simples benefícios teóricos.
A situação respeitante à assistência nacional Portuguesa mostra até que ponto o país precisa de sangue novo e de novas ideias. O Estado, muito embora pague muito menos, tira muito mais ao empregado e ao patrão do que em qualquer outro país Europeu; dos 7% ao empregado e 18% ao patrão, 25% cabe ao Socorro Social, contra 5,3% na Inglaterra, 18,66% na Alemanha e 18% na Espanha.
(...)
Não admira, pois, que, no período 1948/53, a esperança de vida média do Português fosse de 49 anos, contra 71 na Suécia, 69 na Holanda e 68 na Inglaterra.
RENDIMENTO NACIONAL
Depois de apreciar o aspecto individual, gostaria de me dedicar à situação mais geral. O trabalhador não tem direitos. O sindicato não passa de uma pequena engrenagem na roda totalitária. O trabalhador não pode estabelecer qualquer opção e mal se atreve a expor as suas opiniões, não sendo pois de surpreender que somente 40% da produção industrial seja consagrada ao pagamento de salários, deixando os outros 60% para lucros de capital, em contraste com os respectivos 70% e 30% dos países democráticos mais avançados. Em Portugal não existem Keynes nem Marx.
Não é igualmente de espantar que, por causa desta medieval estagnação, o rendimento do país per capita não ultrapasse os 182 dólares, contra 1 453 dólares nos Estados Unidos, 342 na Argentina, 209 na Turquia, e isto apesar da sua grande fonte de matérias-primas nas colónias, as quais são, pelo menos, 23 vezes mais importantes do que as da mãe-pátria.
terça-feira, 15 de julho de 2025
Os Melhores 50 Anos de Sempre
Já agora, para recordar como estes últimos cinquenta anos foram os melhores da nossa História basta ler alguns factos na crónica de Filipe Luís na Visão do dia 3 de julho:
"Os últimos 50 anos, período que coincide com o regime democrático, foram, provavelmente, aqueles em que o nível de corrupção, em Portugal, terá sido mais baixo (...) Os cartazes e os discursos populistas – sim, refiro-me ao Chega – que falam de 50 anos de corrupção são desmentidos pelos factos: houve imensa corrupção, como há, em todos os regimes, mas nunca ela tinha sido tão sistematicamente prevenida, investigada e, no final – o mais difícil e, portanto, ainda com caminho para andar –, punida. Os portugueses mais velhos, com boa memória, lembram-se do País da “atençãozinha”, do “empenho”, do untar as mãos ao fiscal, ao polícia de trânsito ou ao simples manga de alpaca das Finanças. Tudo isto ainda se passa? Sim, pontualmente. Mas é muito mais arriscado. Na pirâmide de favores, cunhas e endogamia sistémicos, a dimensão da metástase corruptiva aumentava consoante crescia a importância do detentor do cargo público ou do servidor do Estado, até à dimensão da oligarquia pura e simples. Antes disso, desde os Descobrimentos, passando pela Monarquia Constitucional e pelos desmandos da I República, é bom nem falar. No Estado Novo, a inexistência de imprensa livre e a ficção de uma separação de poderes que não existia eram sinónimo de inexistência, também, de exemplos de corrupção. Claro, nunca apareciam à luz do dia. E até um escândalo sexual, o caso Ballet Rose, em que altas figuras do regime estiveram comprovadamente envolvidas numa terrível organização de pedofilia, quando foi denunciado, pela oposição, à imprensa internacional, valeu aos seus denunciadores perseguições políticas implacáveis, ordenadas pelo governo e pela polícia de Salazar.
segunda-feira, 22 de julho de 2024
Efeméride do Dia: Salazar, a Maçã Podre
domingo, 26 de maio de 2024
O Regime de Salazar descrito por Henrique Galvão
domingo, 14 de maio de 2023
Empatia com Casal Desconhecido
Quando me telefonou gostei logo dela. Que vozinha de menina e que doçura, simpatia e que educação. Ficou combinado passarem cá por casa por volta da hora de jantar. E que idade teria aquela voz? Vinte e cinco, quarenta? Não, é um casal com idade para ser meus pais e, nota-se, com um certo nível cultural e, se calhar até, certo nível económico também.
Confidenciou-me que quando chegaram e me viram que disse ao marido que eu era parecido com ele há uns anos. Também ele usava cabelos compridos pelo fundo das costas, ainda que ele andasse de moto e eu, se aos vinte anos gostava da ideia, a verdade é que, e ainda bem, desisti da ideia por ser extremamente perigoso.
Eu sei que falo de mais. Deveria ser mais reservado. Não me deveria expor tanto. Mas não vai ser agora quase com cinquenta anos que conseguirei mudar. Culpem o meu mapa astral.
E conversa vai e conversa vem, e já com o marido presente (que não interessa saber porque se ausentou e chegou com um punhado de magnórios) acabo a falar aqui da aldeia. Todos gostam deste sossego que eu também gosto e que não trocaria um T4 na Foz pela minha caverna, mas, menciono o problema da poluição da central a gás.
Fala-se de política. Do filho da puta do Salazar e das recentes simpatias fascistas. Das dificuldades dos tempos dos meus pais e avós. De como a minha mãe ia para a escola quase descalça de inverno com o gelo que fazia. Da miséria e da fome que havia. De como Portugal era uma espécie de Coreia do Norte e de como ficamos atrasados. Dos 2/3 que as pessoas que faziam os terrenos tinham que dar ao senhorio. De como agora os terrenos estão todos a mato e silvas porque já não há escravos a trabalhar por uma codea de broa e uma malga de vinho.
Da revolta que sinto quando ouço alguém dizer que "precisávamos era de outro Salazar". O Portugal fascista não foi o "Conta-me Como Foi" do centro de Lisboa. A ditadura salazarista, principalmente nas aldeias, foi fome e miséria. Foi racionamento. Era preciso enterrar os cereais para não levarem as "sobras de Portugal".
Até que a senhora me diz: "ele foi perseguido pela PIDE porque os pais eram de esquerda. E ele ainda hoje tem traumas do que passou"...
segunda-feira, 2 de janeiro de 2023
"Ao Menos no Tempo de Salazar Não Havia Corrupção"
De vez em quando lá me vem alguém com o mito: "ao menos no tempo de Salazar não havia corrupção". Não sei se é ingenuidade, se é o poder na negação (agora chamado de negacionismo) ou se é mesmo burrice. E para que, da próxima vez que me vierem com essa tanga de que no tempo da ditadura fascista-católica, que apesar das pessoas não terem liberdade, serem presas e mortas arbitrariamente, mas que, ao menos, era tudo gente muito séria, aqui deixo o testemunho do historiador Fernando Rosas na revista Sábado de 18 Novembro de 2020:
"Os pedidos de cunhas e de empregos ao Presidente do Conselho
quarta-feira, 15 de setembro de 2021
O Paraíso Que Era Portugal nos Anos 60
Por estes dias andei a separar um montão de tralhas para deitar ao lixo, desde toda uma sérias de capas ainda do tempo da escola, bem como o primeiro computador (que me custou 250 contos!) e toda uma série de tralhas que já não faz sentido estar estar guardadas, apesar de eu ainda ter espaço (até porque estou solteiro e não tenho filhos) mas é preciso que nos livremos de um monte de tralha desnecessária, para que outras tralhas ocupem o seu lugar.
Foram horas e horas a passar os olhos por muita tralha antiga, até que cheguei a um monte de revistas, a maioria de Heavy Metal que fui colecionando ao longo dos anos e que, definitivamente, não irão para o lixo, mas encontrei também outros tipos de revistar, mormente Notícias Magazine, dos tempos em que comprava, quase religiosamente, todos os domingos, o Jornal de Notícias. Mas porque há hábitos que se perdem, há muitos anos que deixei de comprar, quer revistas ou jornais de quaisquer espécie.
Um número em particular da Notícias Magazine chamou-me a atenção. A capa do #832 de Maio de 2008 sobre os quarenta anos do Maio de 68 fez-me pegar e abrir a revista. No meio de várias reportagens interessantes, como, por exemplo, o feminismo em Portugal, as "Três Marias", as drogas, o rock, os equipamentos eletrónicos dos anos sessenta, até que passo por uma entrevista com Jacinto Godinho, vencedor do Grande Prémio Gazeta 2006 pelo documentário da RTP "Ei-los que partem - Uma história da Emigração Portuguesa".
E as imagens dos portugueses nos arredores de Paris, em bairros de lata, fotografados por Gérald Bloncourt chocam, e levam a questionar, mas que raio de boa vida se levaria no Portugal fascista de Salazar para ser preferível ir viver para outro país naquelas condições?
"Foi uma consequência da crise do modelo económico do Estado Novo. Por variadíssimas razões, os campos ficaram esgotados, não tivemos a capacidade de basear a nossa produção industrial apenas nas matérias primas nacionais. A mecanização tardia nos campos, nos anos cinquenta, introduziu mais uma crise neste modelo, voltando a produzir muitos desempregados: a industrialização absorveu parte da mão-de-obra mas não a absorveu toda. França porquê? Porque a América estava fechada. E no Brasil praticamente tinha deixado de existir trabalho para mão-de-obra barata.
Porque é que as pessoas emigravam na década de sessenta?
A guerra foi um fator, mas o motivo principal que levava as pessoas a saírem do país era a falta de emprego. A agricultura ocupava muita gente e quando a mecanização chegou aos campos, com a introdução das ceifeiras, a partir dos anos cinquenta e muito fortemente na década de sessenta, deixou de haver trabalho".
Aos poucos querem apagar e reescrever uma história passada. Branqueador o nosso ditador, que, afinal, nem matou tantas pessoas como os outros. Se calhar até era fofifnho. Se calhar nunca vivemos tão bem como no tempo de Salazar. Se calhar, o que precisávamos, hoje, a meio dos anos vinte do terceiro milénio é de outro Salazar!
Não! Vivemos 48 anos de obscurantismo, de repressão, fome, miséria e de morte. De prisões e mortes arbitrárias. De um atraso descomunal. A vida era tão difícil que os portugueses arriscavam um ano de cadeia a tentar emigrar ilegalmente. E só na década de sessenta, nos últimos anos governados pelo ditador, cerca de um milhão de portugueses emigrou, principalmente para França.
Não precisamos de outro Salazar. Precisamos é de aprender alguma coisa com a História.
terça-feira, 18 de agosto de 2020
Será Que Não Aprendemos Mesmo Nada Com 48 Anos de Fascismo?
Mesmo antes do final do livro já tinha pensado para comigo em jeito de piada que, se calhar, a grande última missão do autor na luta pela liberdade já em tempos de democracia foi as duas filhas que deu à democracia no parlamento.
"Foi numa quarta-feira de manhã, na cave-"poço" da Repro-Rapid, n número 4 da rua de Cretet, Metro Pigalle ou Anvers em Paris, que por volta das nove da manhã ouvi o Idálio gritar: É pá, a rádio está a dizer que houve uma revolução em Portugal...
O dia 27 foi destinado a carregar o Simca e a convencer os colegas da minha decisão inabalável de participar da Festa tão esperada, nem que fosse a última coisa a fazer na vida.
A estrada até Vilar Formoso era o Rio da Alegria, bandeiras e cantares enchiam a paisagem de cores e as gargantas anunciavam aos ventos... Somos livres! Somos livres! Mesmo sem saber se de facto o éramos. Os peitos inchados de orgulho! Finalmente, íamos demonstrar ao mundo que neste país também havia gente capaz de lutar pela sua dignidade, capaz de sacrifícios para alcançar a LIBERDADE.
Chegámos a Vilar Formoso por volta da meia-noite do dia 30 de Abril e a Lisboa ao romper da mais bela aurora da minha vida!
Da minha e, certamente, da de todos os que encheram as estradas da Europa a caminho da pátria em festa, de todas as organizações, de todos os comités. Trotzquistas, maoistas, comunistas, de todas as tendências e inspirações, cruzavam-se, saudavam-se abraçavam-se como nunca tinham feito."
E não é que, no mesmo dia em que terminei o livro do herói revolucionário romântico que lutou como poucos, arriscando muitas vezes a própria vida contra a ditadura de Salazar, nesse mesmo dia da semana que passou, e na sequência da manifestação de cara tapada, ao melhor estilo KKK que a extrema-direita nazi e fascista fez em frente sede da SOS Racismo, nesse mesmo dia venho a saber que a sua filha, Mariana Mortágua, foi ameaçada de morte conjuntamente com outras deputadas e pessoas ativistas anti-racismo? E para a semana ter terminado em beleza, a PSP processou o jornal Público por causa de um cartoon satírico!
sábado, 18 de julho de 2020
A Incredulidade e a Raiva de Salazar
quarta-feira, 17 de junho de 2020
Quem Foram os Responsáveis pela Ditadura em Portugal?
sábado, 9 de maio de 2020
A Doutrinação Política que o CDS Gosta
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Maldito Salazar!
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| roubado daqui: http://pedroribeiroferreira.blogspot.com |
Alto! Para tudo! Então a democracia não presta - bem lhe tentei explicar que em democracia governa quem tem mais deputados! - mas, espera lá, a solução é uma ditadura em que o ditador pode matar qualquer pessoa que pensa diferente? Mas o que é que esta gente tem dentro da cabeça, caralho?
Eu comecei por tentar explicar - não estava a ser fácil fazer-me ouvir! - porque parece que as pessoas já se esqueceram do que aconteceu na sequência das eleições legislativas de 2015! Vêm com a puta da cantilena que quem teve mais votos foi a coligação de direita, mas fazem o choradinho que foi o Costa que tomou o poder., como se ele tivesse montado num tanque de guerra e tomado o pode de assalto! Não! Não foi nada assim que se passou. A PAF teve mais votos nas eleições e o senhor presidente da república Cavaco Silva (aquele que não conseguia viver com 15 mil euros por mês, lembram-se?) empossou como primeiro-ministro o Passos Coelho, mesmo já sabendo que os partidos de esquerda no parlamento se tinham pela primeira vez unido para varrer a direita, visto que como tinham maioria absoluta no parlamento poderiam suportar um novo governo. Chama-se a isso democracia!
O senhor Passos Coelho toma posse, mas fica na história portuguesa como o primeiro-ministro dum governo que durou menos tempo: onze dias!, porque após uma moção de censura, 123 votoram a favor e 107 votaram contra. E caía assim o governo de Passos e Portas, simplesmente porque tinha menos deputados no parlamento. Então se calhar a direita não ganhou eleições nenhumas, tão simplesmente porque não elegeu 116 deputados (mais de metade do total de 230) A isto chama-se: democracia, mas parece que anda por aí muita gente, até com responsabilidades, que não sabe bem o que isso é!
Depois desta explicação o meu contendor começa a disparar em todas as direções! Mais parecia um soldado com uma metralhadora descontrolada! Que não deveria ser assim, que está mal, que os partidos se deveriam coligar antes e não depois das eleições - o que faz um sentido do caralho visto que eu posso-me identificar com um partido, que estando coligado com outro que detesto já irá perder o meu voto! Os partidos vão a votos, as alianças a existir fazem-se depois, ainda que também possa ser feitas antes. Mas caso não se concorde com este sistema então que se mude a Constituição e se façam leis diferentes! Mas para já são estas as regras que temos, não temos mais nenhumas, nem se mudam as leis a meio do jogo.
E conversa vai e conversa vem, e fico a saber que nos tempos de Salazar é que afinal o país estava muito bem!! Puta que pariu!!
E são sempre os mesmos argumentos de sempre! Já parecia os argumentos dos defensores das touradas! Porque no tempo de Salazar havia "respeito" e não havia crime como hoje! "Tu vives no terceiro país mais pacífico do mundo caralho, queres o quê"? No tempo de Salazar não havia respeito, havia era muito medo, porque arrebitavas cabelo e ias servir de alimento aos peixes no fundo do rio Douro!
Ah, e a economia!! Sempre o argumento da economia! O povo morria de fome, os bens eram racionados, mas o país estava rico! Recentemente também houve outro iluminado, Luís Montenegro, ex-líder da bancada parlamentar do PSD que, em pleno governo de Passos Coelho veio dizer essa alarvidade: "a vida das pessoas não está melhor, mas o país está muito melhor"! Fico realmente na dúvida em saber o que afinal será um país!
As pessoas morriam de fome, fala-se na célebre "sardinha para três" e comia-se muita batata com couves - quem as tinha! - senão era batatas com batatas, mas o país estava um espetáculo! Havia racionamento, aos agricultores era confiscada toda a produção do que produziam, mas depois todo esse roubo ia para o estrangeiro em comboios que diziam - veja-se da falta de vergonha da propaganda fascista! "As Sobras de Portugal"!
Eu gosto de discutir e trocar ideias, porque "é da discussão que se faz luz" mas quando encontramos gente que diz este tipo de barbaridade, então simplesmente é melhor cada um ficar na sua. Passamos uma hora a discutir em vez de treinar - e há torneio na 6a feira! - e ainda por cima apanhei um leve resfriado, e aquela hora da noite se calhar ainda incomodamos os vizinhos.
Maldito Salazar!
domingo, 13 de abril de 2014
A "escola de excelência"
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| Deus, sempre amigo dos fascistas! |
Eu já nasci depois do antigo regime ter caído da cadeira, não vivi nesse tempo, mas tive pais e avós, e sei muito bem, ao contrário de alguns, que sempre viveram numa bolha e protegidos da realidade o que se passava na altura. A cultura de excelência da escola dos fascistas, era uma criança ter de andar a trabalhar no campo de manhã bem cedo, para ajudar os seus pais, e depois ir para a escola quando calhasse, além de suja, na maioria dos casos descalça, pois a maioria das pessoas, nem dinheiro tinha, para poder comprar um par de sapatos para dar aos seus filhos.
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| São tão lindos os "pretinhos" - não são? |






















