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segunda-feira, 30 de março de 2026

Ser Português - Coisas que Escrevia no 12º nos Anos Noventa

Continuando a arrumar tralhas e a separar montes de coisas para o ecoponto azul, deparo-me com este texto, talvez, digo eu, um teste qualquer do 12ºano. Não tenho o enunciado, não faço ideia do que se pretendia, mas o texto tem o título "Ser português" e foi classificado como 50/60 (numa escala de 20 daria 17 valores)

A trinta anos de distância, noto no jovem Königvs, sem grande surpresa, uma grande revolta e crítica social muito acirrada. Vamos ao texto, tal como o escrevi na altura:


Ser Português 

Estando a Europa a atravessar um período em transformação, visando interesses comuns, quer de ordem económica, militar e cultural, interessa saber até que ponto este tal federalismo irá modificar a nossa cultura, porque quer se queira ou não, ser europeu na Inglaterra não é o mesmo que ser português na Europa. Qual será então a cultura dos europeus que vivem em Portugal denominados por portugueses?

Bom, sem querer generalizar, até porque nada é generalizável, o português tem um metro e setenta, cabelo preto, olhos castanhos, e é macho ou não fosse latino e a prova disso é o seu bigode assovelado.

A mulher do português, a portuguesa, com menos de dez centímetros, é simpática e formosuras e gosta de ver telenovelas brasileiras na televisão. O português acompanha a telenovela com a esposa mas perante os amigos diz que não vê, porque não é dado a costumes efeminados, prefere, sem dúvida, o futebol. Por vezes desloca-se aos estádios para acompanhar o seu clube, não para o incentivar como se faz no resto da Europa, mas para elogiar a mãe do árbitro e lançar gritos e apupos à equipa adversária.

O português é radical, gosta de fazer rali nas estradas com o seu carrinho de choque. E tão bom condutor que ele é, a culpa é dos outros porque em Portugal é assim, os outros é que são maus condutores.

E por falar nos outros, o português não se preocupa muito com os outros, pensa mas mais em si, já que em greve e manifestações os outros que as façam que ele depois lá está a usufruir os dividendos sem ter feito nada para o merecer.

Enquanto em Espanha e França camionistas conseguem reivindicar os seus direitos, paralisando países enormes comparativamente com o nosso. Enquanto cá milhares de utentes de uma ponte pagam cobardemente uma portagem. contra o esforço de muito poucos que legitimamente mostram o seu direito à indignação.

Cá a população manifesta-se a favor de um polícia quando este mata um jovem presumível assaltante a três metros de distância. Mas nestes casos é normal, porque sempre que polícia adverte alguém disparando para o ar, acaba sempre por matar algum ser vivo.

Portugal é um dos países da Europa em que os ordenados são mais baixos, contudo o nosso país tem maior número de telemóveis per capita. Isto mostra bem a filosofia do português: o supérfluo é importante, o necessário fica para depois, ou ainda "passo fome mas não perco a pose".

Em termos de cultura o português é um expert, é mais ou menos assim pró big popular pimba. Os Lusíadas têm quatro cantos e o Che Guevara deve ser o próximo reforço do Benfica.

Gosta de ler, como lê o português, lê “A Bola” e a "Caras", tudo o que tenha a ver com futebol ou com intrigas de figuras públicas e políticas. Política, ora aí está uma coisa de que gosta o português, hoje vota num, amanhã vota noutro, ou então como a minha vizinha que votava no Cavaco porque ele é um homem muito bonito. Agora deve votar nos sinais do Guterres, nos olhos do Marcelo ou nos cabelos grisalhos do Carvalhas.

O que o português não entende muito bem, é isso da esquerda e da direita, já que, como é ambidextro chuta com o pé que está mais à mão.

Anda uma geração a educar outra para depois a apelidar de “rasca”. É muito fácil falar do passado, pois não é preciso alterá-lo. E que seja esta nova geração a dar esperança para que, de futuro um jovem tenha orgulho na sua pátria, no fundo em ser português.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Facilidade na Expressão Escrita

Depois de um monte de fichas, bastante elogiosas, mas em que não se dá grandes detalhes, nesta lê-se que sou "muito nervoso" e que "penso precipitadamente". Por outro lado tenho muita facilidade na expressão escrita, sobretudo nas composições.

3a classe |  1984 

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Largos Dias Têm Três Anos ou O que Tem de Ser Tem Muita Força

Há três anos e meio escrevi aqui :

"Os senhores convidados, entre os quais o autarca, procedeu à entrega dos prémios, deixou elogios aos treinos realizados na escola primária e deixou-nos à vontade para por lá ficar. De imediato aproximei-me dele, agradeci, mas a verdade é que ainda estou para saber porque raio não mais para lá voltamos. Toda aquela gente que ia treinar se perdeu. O pai e o filho, que no torneio logo se mostraram interessados em fazer sócios e treinar também nunca apareceram. Acabamos por angariar mais dois jogadores, o Leandro e o Paulo, sempre cheios de motivação e continuamos à espera que o treinador viesse do exílio, ou do fim do trabalho escravo como ele diria".

Muita coisa aconteceu nestes três anos e meio, se calhar, tudo menos o que deveria ter acontecido.

Como referi, por motivos que até agora me são alheios, não continuamos, como acordado a treinar na escola, apesar de tudo ter corrido bem. E eu não gosto nada que as pessoas não cumprem a sua palavra e nem sequer me tenham dado uma satisfação, até porque já não sou um cachopo. 

No nosso grupo, uma mera dúzia de pessoas e tantas confusões, egos, intrigas e constantes manipulações. E ainda se diz que as mulheres são intriguistas. Homens maiores de idade, alguns casados e com filhos e a comportar-se como crianças. 

Fizemos uns quantos torneios, não raras vezes éramos os mais fraquinhos, mas, como costumo dizer "é preciso alguém perder para os outros ganharem". Outras vezes, em torneios de gente não federada como nós, já era diferente e batíamo-nos de igual para igual. 

Mas o importante é o parecer. Não é treinar com afinco. É parecer. Os polos que usávamos em competição eram quentes e feios. Porque o importante é perder com estilo. Importante não é treinar com afinco e ganhar, mesmo com polos pouco bonitos. 

Intriga vai e intriga vem, conversas por trás, sempre por trás, a minar, porque pela frente é preciso ter tomates, e lá se conseguiu um patrocinador que pagasse uns equipamentos novos. Porque o que importa é parecer. 

Nunca fui tido nem achado em nada. Era sempre o corno, o último a saber das coisas. Se calhar nem tinha que saber, afinal, não era responsável de nada no clube. Mas depois fui chamado a reunir quando fizeram merda. Disseram ao patrocinador que os equipamentos ficavam por 500€, mas afinal, iam ficar por 1250€.

À frente de toda a gente perguntei: "Mas está tudo louco? Vós fodestes 1250€ em equipamentos para oito pessoas"? Afinal tinham mandado fazer 16 equipamentos, porque "já fica, para quem vier"! Como se já soubessem que quem vier veste S, M, L ou XL! E voltei a perguntar: "1250 em equipamentos? Acham que não precisamos de nada mais importante?" Mas o que importa é parecer. 

Os equipamentos iam custar o dobro do que tinham dito ao patrocinador. Esse era o problema. O presidente do clube nem sequer tinha sido informado. Colocou-se a carroça à frente dos bois. Mas quem fez merda que se limpasse.

Entretanto o presidente do clube que foi presidente durante tantos anos comunicou que iria viver para o Algarve e iria abandonar a direção do clube. Mal ou bem foi sempre ele que tratou de tudo, com tudo de bom e de mau que isso tem. E, apesar de ter as minhas questões pessoais, sempre disse que os nossos problemas não eram criados por ele, mas pelo pessoal que treinava, no fundo, por nós. 

O Leandro, que é  jovem e podia ser meu filho, que tinha vindo treinar quando estivemos aqueles dois meses na escola chegou-se à frente e foi o único. Ia fazer uma lista e tomar conta do clube. Os outros, os que manipulam, que são como aqueles cãezinhos pequenos que ladram muito pelas escondidas, mas perante os problemas metem os rabinhos entre pernas, esses nem um pio. Desde logo disse que tinha o meu apoio, afinal, era é dali da terra e é novo. Vai cometer muitos erros, mas irá aprendendo com eles. 

Na campanha eleitoral para as autárquicas recebemos a comitiva do PSD. Fiquei a saber que a nossa pequena coletividade deverá ser a que tem mais associados na união de freguesias. Surpreendente.  

Mas porque o que importa é aparecer, e porque alguns egos ficaram melindrados por, ou não terem sido escolhidos ou posteriormente, excluídos da lista por falarem de mais, acabaram por sair do clube e foram-se embora. E, apesar das perdas competitivas, interessa olhar o lado positivo e constatar que o ar ficou mais respirável. 

Tomamos posse no início do ano. Logo fiz questão de pressionar para reunirmos com a Junta de Freguesia. E de falar em sítios com espaço para treinar. Lá reunimos e muito surpreendido ficou o presidente da junta. Então vocês não estão na escola? O antigo presidente não nos deixou continuar a treinar na escola mas nem se dignou a avisar a junta de freguesia que não íamos continuar a treinar lá! 

O presidente da junta quis reunir connosco e com a responsável da outra associação que também está na escola. Eu fui representar o nosso clube. Enquanto esperava, via pelo retrovisor o carro do antigo presidente a aproximar-se e a passar na estrada. Parecia quase um sinal. Uma passagem de testemunho.

Mas como as coisas são curiosas. Fomos para a escola por minha iniciativa. Na altura o Leandro era só um jovem que frequentava o café em frente e foi lá experimentar. Ficou a treinar, evoluiu imenso como jogador e hoje é o presidente do clube e eu o tesoureiro. E três anos depois, sou de novo eu a formalizar o regresso à escola. Porque largos dias têm três anose porque o que tem que ser tem muita força. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

A Nova Faixa Rodoviária para Papás que Vão Levar as Crias à Escola

Dia de hoje, dezassete de Setembro de 2018
Saí de casa à mesma hora de sempre.
Depois de deitar comida às tartarugas, saí, fechei o portão que está cada vez menos branco, e montei no cavalo preto. Liguei os médios e o relógio marcava 7H43
Todos os dias atravesso a estrada nacional Nº1 mais ou menos a quinze minutos de chegar ao trabalho. E há muitas semanas que vinha sendo um sossego atravessar a estrada nacional, bastando para isso chegar ao semáforo e atravessá-lo nos dez segundos enquanto não muda de novo para vermelho.

Mas hoje estranhamente algo se passava. Não conseguia perceber muito bem o porquê mas, setecentos metros antes de chegar ao semáforo tinha uma enorme bicha de trânsito à minha frente. 
(É curioso que sempre se disse, nas rádios e televisões, bicha de trânsito, tal como as pessoas sempre disseram bicha no centro de saúde. Muitas pessoas à nossa frente era uma bicha. Mas de repente, com a inundação de programas brasileiros nas televisões portugueses, de repente, as pessoas começaram a sentir-se inseguras quanto à sua sexualidade, e então higienizaram o português passando a dizer "fila". "Estava uma fila muito grande. E não deixa de ser muito irónico que, as mesmas pessoas que hoje acusam o acordo ortográfico de ceder aos brasileiros, depois sejam as primeiras a deixar de usar as palavras que sempre usaram, para não serem confundidas com os significado dúbios que têm no Brasil).
Estranhamente estava uma enorme bicha de trânsito à minha frente. Teria sido algum acidente? Os carros lá iam andando, a passo de caracol, e eu, ora metia a primeira, ora estava parado, até que finalmente percebi, quando passava pelas várias escolas que estão antes do semáforo, que seria o primeiro dia de escola para muita canalha, pois bem via, algumas mamãs, com as crias ao lado. E depois de ter atravessado o semáforo, e quando atravessava a estrada, tive mesmo que buzinar pois vinha um enorme bando de pré-adolescentes no meio da estrada, tranquilamente como se nada fosse. E eu tenho muito mais pena de atropelar um cão ou um gato, que passar por cima de uma pessoa que parece que anda desgostosa para atravessar uma estrada sem passadeira ou atravessar quando está vermelho para os peões.

Quando eu tinha seis anos e fui pela primeira vez para a escola primária, ia a pé, sozinho, todos os dias. Tinha de andar uns vinte minutos, por estradas de terra batida, subir um monte e andar por um carreiro de cabras até chegar à escola. Quando deixei a escola primária e fui para o quinto ano, passei a andar de transportes públicos, e até ao dia que deixei de estudar, nunca que os meus papás me foram levar à escola. Mas hoje, em pleno século vinte e um, como estamos a criar uma geração de incapazes os papás têm de ir levar os filhinhos à escola. 

E esse simples gesto complica a vida de toda a gente. Há o trânsito normal quando as escolas estão fechadas, e depois há o trânsito quando a escola começa. E é absurda a diferença! 

Ainda estava no carro e tive a ideia genial (mais uma!). Já temos o corredor BUS, onde também podem andar os táxis e as motas, mas agora há algo ainda bem mais importante.

É preciso criar a faixa para os papás que vão levar os filhos à escola de carro. Para que a vida de todos os outros que vão trabalhar fique melhor. 


domingo, 13 de abril de 2014

A "escola de excelência"

Passava os olhos pelas capas dos jornais, e o cherne Durão, ex-comunista e ex-primeiro-ministro, que abandonou o país, para ir nadar em águas europeias, bem mais ricas que aquilo que as nossas lhe poderiam dar, vem agora, com grande lata, falar da "cultura de excelência" da escola de Salazar. Ainda por cima escolhe o momento certo, quando estamos a duas semanas de comemorarmos os quarenta anos de 25 de abril. E como eu não acredito em coincidências...

Deus, sempre amigo dos fascistas!

Eu já nasci depois do antigo regime ter caído da cadeira, não vivi nesse tempo, mas tive pais e avós, e sei muito bem, ao contrário de alguns, que sempre viveram numa bolha e protegidos da realidade o que se passava na altura. A cultura de excelência da escola dos fascistas, era uma criança ter de andar a trabalhar no campo de manhã bem cedo, para ajudar os seus pais, e depois ir para a escola quando calhasse, além de suja, na maioria dos casos descalça, pois a maioria das pessoas, nem dinheiro tinha, para poder comprar um par de sapatos para dar aos seus filhos.

São tão lindos os "pretinhos" - não são?

A cultura de excelência da educação nos tempos de Salazar era tal, que a larga maioria das pessoas era analfabeta! E com muita sorte, as crianças naquele tempo, tinham a oportunidade de fazer a quarta-classe, mesmo que tivessem capacidades para muito mais. Ainda hoje é o dia, que a minha mãe se lamenta, de não ter tido a oportunidade, de ter podido estudar e fazer mais do que a instrução primária. Olha que sorte teve ela teve em viver na "cultura de excelência" fascista!

Propaganda fascista nos livros de instrução primária
E tu cherne, também  ias para a escola descalço, ou caminhavas com sapatinhos de burguês?