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sábado, 13 de novembro de 2021

A Verdadeira Experiência Real

Muitos disseram que isto nunca seria possível. Mas há uma revolução a acontecer na forma como nos podemos contactar. Uma experiência tão real que não precisa de internet, eletricidade, muito menos de óculos e auscultadores bizarros que fazem as pessoas parecer idiotas.

Para ter uma experiência verdadeiramente real basta ir para o mundo real, em que a água é molhada e onde há humanos de carne e osso para nos conectarmos. Tal como há milhões de anos.

domingo, 29 de março de 2020

Resumo de Um Ano nas Redes Sociais

É verdade, na sequência do encerramento do Google+, que foi basicamente a única rede social que usei desde os tempos do Myspace, acabei por me registar, no último ano e alguns meses, nas três maiores redes sociais da década que termina no fim deste ano e aqui fica um breve resumo do que encontrei e do que achei de cada uma delas.


Primeiro fi-lo no Instagram porque a minha amiga blogger que percebe destas coisas das redes sociais e dos blogues insistiu disse que fazia todo o sentido, porque até os bloggers estavam todos a abandonar os blogues e a mudar-se para lá, e porque eu tenho tantas fotografias espetaculares, e porque poderia trazer visitantes para os meus blogues tal e coisa. Tanto falou que eu acabei mesmo por me registar naquilo para ver como funcionava, apesar de o ter feito no computador porque ainda não uso um telemóvel com internet (apesar de ter um velho que cá ficou do meu tio). Registei-me e lá fui metendo uma fotografia de vez em quando, adicionando alguém de vez em quando e sendo seguido por mais uma ou outra pessoa de vez em quando. 

O que é que eu achei do Instagram? Parece-me um Pinterest ou blogue de fotografias, com muitas fotos dos cus das gajas empinados ao espelho, mais parecendo que se estão a oferecer para uma canzana, e muitos decotes e gajos em tronco nu, e muitos pratos de comida! Comentários muito poucos porque dá trabalho escrever e quer-se já passar à fotografia seguinte e não há tempo para isso (excluindo claro, os perfis de figuras públicas porque aí já têm mais interação). Mas uma rede social é aquilo que cada utilizador quiser, e como a mim me interessa seguir algumas coisas, nem chateia nada. Cinco minutos por dia chega para ver as fotografias de toda a gente, e não, não tenho paciência para ver as stories de ninguém. Mas quantas pessoas leram a biografia do Instagram e quiseram visitar os meus blogues? Zero! 


Mais recentemente o Inferno Congelou quando me registei no Facebook! E porque é que eu me registei lá se até escrevi um texto a explicar porque estava fora da cardeneta? Dois motivos, primeiro por causa de divulgar material relativo ao clube de ténis-de-mesa, segundo para ganhar dinheiro. E percebi que andei a perder algum dinheiro estes anos todos porque, tanto por via do Marketplace quer por via de determinados grupos específicos, é um bom sítio para promovermos as coisas que queremos vender. E tem sido basicamente essa função da coisa. O grupo de conversa do clube, partilhar e divulgar material do clube e fazer dinheiro com vendas. 
Tirando isso, o que é que eu achei do Facebook como rede social? Um vazio completo. Um deserto.  Parece que o Facebook entrou em quarentena há muito tempo e as ruas estão vazias e toda a gente mantém grande distanciamento social! Ninguém publica nada, ninguém comenta nada! Não entendo como é que, por exemplo, o meu patrão, que é uma pessoa muito informada sobre redes sociais e as últimas novidades do digital me diz que é a maior rede social do mundo e há-de continuar a ser. Não, não é! É verdade que determinados grupos, sobre determinados temas são muito ativos na entreajuda e nas publicações, mas não é isso que vejo nas contas pessoais. Um colega do meu clube até me disse passado um mês,"ainda agora te registaste e já partilhaste mais coisas que eu nos últimos anos"!  Sim, eu partilho mas nem é para ter gostos, partilho porque fica ali espalhada informação. E, por falar em informação, aproveitei também para criar uma página do Bucólico-Anónimo nesta rede social que vai precisamente funcionar para divulgar certas coisas que não cabem como publicação. Ah, coisa espetacular, mal faço o registo, e, surpresa!, tinha lá vários pedidos de amizade com vários anos! E eu ainda nem sequer lá estava, mas já tinha pedidos de amizade! Espetacular! Sinal evidente que, sim, esta rede social tinha os meus dados pessoais lá, apesar de eu por lá nunca ter andado. Por último dizer que, não, até à data não fui fazer qualquer pesquisa sobre as ex namoradas!

Por último falar no Twitter. Registei-me no Twitter no primeiro dia de 2019. Primeira impressão: "não percebo um caralho desta merda! que raio de confusão"! Mas pronto, nada de desistir ao início e deixa lá ver que no que isto dá. Começa-se a seguir uma pessoa e depois outra, vêem-se comentários de outras pessoas e lá se descobre que aquilo até pode ser interessante. Sigo hoje cerca de trinta pessoas, maioritariamente jornalistas e por vezes é muito mais divertido vê-los a discutir entre eles que ver porno! Nesta rede social sim, há um lado de voyeur em mim que se diverte com as postas de pescada que uns mandam aos outros. E depois é ou parece-me, a rede social das discussões, das ideias, da política. E eu gosto disso! E é por isso que é o Twitter hoje, das três grandes redes sociais da década, aquela que mais me prendeu a atenção. A minha miga dizia-me que eu ainda me iria perde rno Facebook. Mas isso se calhar poderia acontecer se tivesse sido há dez anos! E eu não me perdi com o Twitter, simplesmente acho interessante e, fofinho vá, especialmente quando a Rita Marrafa de Carvalho se põe a dar música aos seguidores em tempos de quarentena!

Sobre os blogues e as redes sociais, e, na minha modesta opinião de gajo que não percebe um cu disto, é que as redes sociais não substituem o blogue. Podem ajudar a divulgá-lo, podem complementá-lo mas não o substituem. Apareceu o Facebook por volta de 2009-10 e foi ver muita gente a desistir dos blogues. Mais à frente, quando já davam os blogues como mortos, aparece uma nova vaga de gente a fazer dinheiro e foi ver muita gente de novo a regressar pensando que iriam ficar todos ricos. E as pessoas deixam a informação espalhada por dezenas de redes sociais que mais à frente abandonarão, mas quem fica no blogue como eu ficarei, tem a informação toda sempre aqui. É uma espécie de diário, um blogue é isso mesmo, uma espécie de diário. Um dia mais à frente, podemos sempre relembrar qualquer texto ou fotografia. Daqui a uns anos as redes sociais que fazem hoje furor se calhar não existirão, ou estarão vazias, como as ruas ficaram vazias de pessoas em tempos de quarentena. Mas o blogue é sempre a minha casa, onde me posso refugiar quando me apetecer. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Conversas Improváveis (46) - O Inferno Congelou

Breves momentos depois de ter aberto as portas do Inferno, e de ter logo tropeçado em vários cadáveres e mortos-vivos do meu passado, recebo de imediato uma SMS de uma amiga que de imediato me deve ter pressentido naquele antro de perdição:

"Algures, nos confins do além, o Inferno congelou". 



domingo, 17 de março de 2019

Os Utilizadores do Facebook São Vítimas da Violência Doméstica?



Por estes dias, depois de ter tomado conta do mais recente escândalo facebuquiano, em que, qualquer pessoa, (mesmo não estando registado) dessa rede social, pode, através de várias aplicações, informar o Facebook de dados pessoais como, por exemplo, quando determinada mulher está menstruada ou quando está no período fértil, e depois dessas informações privadas terem sido comprometidas, surgiu-me a pergunta:

Nos dias de hoje, depois de tantos escândalos que se sucedem uns atrás dos outros, será que um ainda utilizador de Facebook não é como uma vítima de violência doméstica que tolera o seu agressor porque acredita, lá na sua cabeça, que o agressor bate-lhe porque gosta de si?



Eu devo ser o último português (ou quase) sem Facebook. Nunca me registei apesar das muitas pressões, e só eu sei pelas pressões por que passei. É que nem se compara às pressões que vou tendo agora para usar um tal de Whatsapp (fui agora ao Google ver como se escreve) porque descobri agora que, afinal, segundo algumas pessoas, enviar e-mails dá muito trabalho! Anexar imagens nem se fala! Mas não sei, talvez com esse Whatsapp baste às pessoas pensarem e as outras pessoas amigas com quem queremos comunicar, recebam de imediato, virtualmente, o que queremos dizer! Se assim é deve ser realmente espetacular! Não dá trabalho nenhum!

Mas entretanto os mais jovens começaram a debandar do Facebook e muitos agora já nem se registam lá ("porque não querem frequentar o mesmo sítio de pais e avós") e, aos poucos, começaram os sucessivos escândalos. O senhor Zuckerberg, qual criancinha que fez uma asneira, teve que dar explicações no Senado americano e no Parlamento Europeu, e ficamos a saber, verdadeiramente, como eram tratados os utilizadores do Facebook, e mais grave ainda, pessoas que, como eu, que nunca sequer lá estiveram registados, mas que, mesmo assim, podem lá ter dados pessoais por causa de pessoas comuns que lá estejam e interajam connosco.

A DECO/Proteste colocou o Facebook em tribunal e as pessoas querem indemnizações. Claro que querem algum dinheiro que venha, contudo, o que eu pergunto é: toda essa gente que subscreveu a petição para ser indemnizada apagou as suas contas de Facebook ou ainda continuam por lá?

E esta semana, todos os sites do senhor Zuckerberg (Facebook, Instagram, Whatsapp) estiveram em baixo. E foi o caos! Houve mesmo uma televisão australiana que pediu à população para não chamar a polícia! Afinal, como é que as pessoas conseguem viver sem redes sociais, sem gostos ou sem cuscar a vida das outras pessoas? Felizmente que foi só um dia, e o Twitter estava a funcionar, senão, certamente iriam acontecer suicídios em massa! 




Será que não poderemos então dizer que os utilizadores do Facebook estão para a internet como as vítimas de violência doméstica para com os agressores? Repare-se que, neste apagão do Facebook, é como se a vítima de violência doméstica, reclamasse por não ter o seu agressor para lhe dar porrada! 
Mas o mais grave é que, uma vítima de violência doméstica, na pior das hipóteses pode morrer; uma vítima do Facebook, se morrer, ainda assim continuará a ter a sua conta por lá, eternamente, a ser interagida pelas outras pessoas. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

domingo, 17 de dezembro de 2017

Conversas Improváveis 15

"Elas quiseram tirar uma fotografia e então o que eu fiz foi abaixar-me e ficar bem escondido para ninguém me reconhecer. E tu acreditas que a fotografia foi partilhada, e a minha mulher só pelas sapatilhas reconheceu-me e veio-me logo com aquela conversa que ficou cá a cuidar dos filhos e eu andava lá comer gajas. Facebook? Nunca mais!"



"No Brasil não posso é ir à praia, senão tenho de andar sempre curvado."

"No Brasil não acredito em santinhos. Todos se perdem."


# Brasileiras: uma ciência que desconheço

domingo, 30 de abril de 2017

Conversas Improváveis 11

Pode-me mandar foto se faz favor?
- Sim, dê-me o seu e-mail que envio para lá.
Desculpe mas não tenho e-mail. Mande-me para o messenger para o fac.

(Foda-se! O Messenger acabou há uns anos quando a Microsoft comprou o Skype. A gaija quer que eu lhe mande para o fac? Que raio será o fac? Faculdade? Na volta é alguma merda nova que surgiu e eu ainda nem sei o que é...)

Senão mande por mensagem.
- Não dá porque o meu telemóvel é muito antigo.

(Por acaso não é assim tããão antigo pois até tem câmara e tudo - que modernice! - mas agora as MMS, com o advento dos telemóveis com internet pagam-se - sabias?!)

AH, não tem fac?
(Foda-se, e ela a dar-lhe com o raio do fac!!)
- Não sei o que é isso.
Facebook

Castor Troy / Nicolas Cage /Face Off

A sério? "Fac" é Facebook? Toda a gente que envia mensagens abreviadas para o telemóvel deveria nascer-se um azevinho no cu! Para quem não sabe, as abreviaturas começaram-se a usar nos telemóveis, porque as mensagens escritas pagavam-se! E então poupavam-se espaços e carateres! mas desde há muitos anos que as mensagens escritas não se pagam! Então porque caralho é que há pessoas que continuam a abreviar? É por preguiça? Esperem! Querem ver que também abreviam quando vão à casa de banho? Tu queres ver que também há pessoas que cagam e puxam as calças para cima para ser mais rápido e abreviado? Se calhar há!

Depois outra coisa. Quer dizer, tu não tens e-mail mas estás registada no Facebook? E eu que pensava que para tudo que é preciso um registo na internet era preciso o e-mail. Mas tu queres enganar quem?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Conversas Improváveis 8

O Facebook é uma velha chata. Uma hipócrita e cuscuvilheira. 
É uma velha que se quer passar por muito casta, mas que depois anda a foder com o padre às escondidas. E é uma velha que permite tudo. Que se fale mal e se calunie toda a gente, que se dêem notícias falsas atrás de notícias falsas sobre tudo e mais alguma coisa; até que se vendam drogas e trafiquem armas. Mas onde é expressamente proibido mostrar os mamilos.

Via Pinterest

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Fora da caderneta

Ouvia à pouco a notícia na rádio, passam hoje dez anos sobre o aparecimento do Facebook. Por cá, lembro-me que a febre começou bem mais recentemente, há uns quatro ou cinco anos talvez. Lembro-me de ter visto uma reportagem sobre como uma nova rede social estava a viciar, principalmente nas mulheres de meia idade, para um jogo on-line em que plantavam virtualmente uma horta. E é essa ideia que tenho, que inicialmente o Facebook captou o interesse das pessoas para os jogos e muitas as aplicações, porque redes socais, essas já antes existiam muitas, para todos os gostos e feitios. 

Aos poucos e poucos comecei a notar a debandada das pessoas que me eram próximas da rede social onde todos estávamos (Myspace). E estranhamente comecei também a notar, que as pessoas passaram a abdicar de um pseudónimo em detrimento do seu próprio nome, algo que antes nunca tinha visto, pois desde os tempos do mIRC que toda a gente sempre tinha nicknames.
A internet é um mundo de desconhecidos, é como chegar a uma grande cidade e cruzar-me com milhares de pessoas. Na rua, não trazemos o nosso nome escrito na testa, que idade temos, se gostamos de homens ou mulheres (ou dos dois) se estamos casados ou solteiros, para que todos os outros saibam pois não? Mas por que é que teríamos de o escancarar na internet? E tenho ideia que foi com o Facebook que as pessoas também o começaram a fazer.

Eu cresci e vivo num pequeno meio rural, e uma das coisas que algumas pessoas que vivem em meios citadinos sempre me apontaram como uma grade desvantagem, era o facto da cusquice das aldeias. É verdade que nos meios pequenos, as pessoas conhecem-se todas, tratam-se pelo nome, dizem "bom dia" e "boa tarde", preocupam-se e entreajudam-se mutuamente. Noutros casos não é bem assim, mas é como tudo. Ainda assim, as pessoas só podem saber da nossa vida, aquilo que nós lhe contarmos. Basta pensar nos nossos pais. Saberão os nossos pais tudo sobre nós? 
Mas se as pessoas se queixam, que nos meios pequenos tudo se sabe, o que as redes sociais, e em particular o que o Facebook veio provar, é que são as próprias pessoas a quererem ser faladas! São elas mesmas que colocam lá tudo sobre a sua vida pessoal, para que todo o mundo saiba tudo o que elas fazem, e fiquem a saber todos os peidos que dão.

Não, eu não estou, nem nunca estive registado no Facebook, porque nunca achei que aquilo fosse rede social para mim. Confesso que se calhar toda a pressão que tive, por parte dos amigos para me registar foi o primeiro indicador que não o deveria fazer! Quando surgiu a febre eu costumava jantar com um grupinho de amigos e conhecidos. Há vários anos que o fazia. O mesmo restaurante de sempre, os mesmos bares de sempre, a mesma rotina de sábado à noite. De repente ao jantar, em vez de conversarmos sobre os mesmos assuntos de sempre: o trabalho ou a ausência dele, os amores e desamores, a política, o futebol ou a música, não, os meus camaradas passavam todo o santo jantar a falar do que haviam feito durante o dia no Facebook. Comecei-me a perguntar se o melhor não seria eles jantarem cada um na sua casa, e conversarem por video-conferência. Pior, estava sempre a vir à baila o facto de eu ser o único que ainda lá não estava, na nova rede social da moda, e não sabia o que estava a perder. E a coisa começou a atingir níveis de verdadeira pressão "Tens-de-te-registar-no-Facebook". E essa pressão não lhes era favorável, pois eu só faço o que a minha cabeça manda, e não é a "mal" que alguém me obriga a fazer o que não quero. 

Mas como é que eu posso dizer mal se nunca me registei? Simples. Explorei brevemente a coisa, usando a conta de uma outra pessoa que quase não usava aquilo e percebi rapidamente que aquilo não era coisa para mim. Sei hoje perfeitamente, que essa rede social pode ter outros usos, que não para saber exclusivamente da vidinha alheia, mas para mim, pelo menos até ao momento, ainda não senti necessidade de me deixar contagiar.


E por que não me seduziu o Facebook? Simples, porque eu não quero reencontrar pessoas das quais me quis ver livre, e não quero voltar a falar com elas como se nada tivesse acontecido, como se o tempo não tivesse quebrado todos os laços. Porque a amizade é como uma planta que precisa ser cuidada, e quando não se rega morre. Não é um simples "Gosto" que revitaliza uma amizade morta e enterrada. Ou ser reencontrado por pessoas que se afastaram de mim por algum motivo, e agora subitamente, sabe-se lá porquê, já seria de novo a pessoa mais interessante do mundo. Também não quero saber da vida de ex-namoradas, mais, não quero que elas saibam de mim. E quem diz amigos e namoradas diz pessoas da família. Devo ter familiares espalhados pelos quatros cantos do mundo, alguns que se passar na rua nem reconhecerei, mas também não me interessa ser amigo deles na net, porque os laços com a família são sem dúvida importantes, mas como devem sê-lo no espaço próprio que é o mundo real. 

No fundo o Facebook é quase isso, uma reunião de ex-amiguinhos da escola, de ex-namorados, até de vizinhos com quem não se fala, mas fala-se lá. E de familiares a quem se perdeu o rasto. E quem já foi a uma reunião de ex-coleguinhas da escola dez anos depois, sabe bem o que se passa. Quer-se mostrar o quão bem sucedidos fomos, mostrar o melhor carro, uma roupa melhor, no fundo impressionar. E rapidamente percebemos que já não temos nada a ver com aquelas pessoas. Foram pessoas que num determinado momento da nossa vida foram importantes, mas o tempo encarregou-se de apagar os laços. Até porque as pessoas mudam, nós mudamos. E quando as pessoas são verdadeiramente importantes, os laços de amizade não se perdem, passem os anos que passarem, e nem que as pessoas vão para o estrangeiro. Estejam onde as pessoas estiverem, saberão que podem sempre contar connosco, e nós sabemos que podemos contar com elas. 

Depois esta nova rede social, que segundo se diz que ao que parece já está no fim do prazo de validade, também não trouxe nada de novo na comunicação das pessoas. Já existia o correio eletrónico, as mensagens instantâneas, as imagens e o vídeo... No fundo o que veio trazer foi a preguiça. Sim a preguiça. A vantagem de ter tudo ali agregado. Os contactos, os jogos, as mensagens instantâneas. Estava tudo ali, tanto que até comecei a notar que comecei a ficar posto de lado, por parte de alguns "amigos". "Quem não aparece esquece". Quem não está no Facebook não é fixe, porque não pode ver fazer "Gosto" no meu perfil, logo não tem tanto interesse. Mas por outro lado, teve esse aspeto positivo, de servir como que de filtro a quem é verdadeiramente importante ou não. Houve muitas baixas, muitos perderam-se, mas ficou quem sempre foi importante.

A preguiça. Com o Facebook os portugueses passaram a sair à rua, a protestar violentamente contra este governo fascista com um simples clique de rato. E creio que esta terá sido a maior revolução tecnológica que o Facebook trouxe: a preguiça. Basta clicar aqui que já aprovo ou desaprovo o que o coelhinho e o paulinho-das-feiras andam a fazer, e já cumpri o meu dever cívico. 

No fundo, esta rede social visasa agregar as pessoas que se conhecem, os familiares, colegas e amigos, pôr tudo ali, sem dar muito trabalho, no mesmo sítio. Até os contactos telefónicos se ressentiram. É curioso que em muito poucos anos, deixaram-se de se enviar postais por alturas do Natal, para se passarem a receber carradas de SMS, para em muito pouco tempo estas também terem diminuído tremendamente, e aposto que sei quem foi o culpado. Está tudo lá, quem está pois muito bem, quem não está que estivesse, pois se não está é porque não interessa. O mesmo se passa por exemplo nos aniversários. De repente ninguém se lembra do meu aniversário, aposto que no Facebook nunca ninguém se esquece, afinal aquilo tem alertas, e memorizar ou tomar nota dá trabalho. Dá trabalho lembrar-mo-nos dos amigos. Sempre a preguiça. Eu faço o mesmo, afinal as coisas dão para os dois lados, e devem ser recíprocas para o bem e para o mal, também eu faço de conta que me esqueço do aniversário de quem se esquece sistematicamente do meu. 

O problema com as amizades via internet, é que eu quero fazer novos amigos, quero poder estar em contacto com pessoas que tenham, de certa forma, os mesmos interesses que eu, pois para falar com amigos e familiares posso falar com eles pessoalmente, posso-me meter no carro e ir visitá-los. E para isso, para se conhecer novas pessoas via internet, nem sequer é precisa uma rede social, às vezes até um simples Blog pode servir para conhecer novas pessoas, como me aconteceu recentemente.

Eu já fiz muitas amizades na internet. Amizades no verdadeiro sentido da palavra. Arisco mesmo, sem grande risco, a dizer que depois dos trinta, as pessoas mais importantes que conheci e que fazem hoje parte da minha vida, conheci-as pela internet. Na maioria dos casos, sem dúvida que valeu a pena, mas também houve pessoas que preferia nunca ter conhecido. Mas isso é como tudo, podemos conhecer pessoas no dia-a-dia, ficarmos amigos, e depois termos verdadeiras desilusões. A internet é um simples mecanismo de possibilita entrar em contacto com pessoas, depois compete a cada trazer essas pessoas para o mundo real. E eu acho que deverá ser sempre assim que as coisas deveriam funcionar, a não ser claro, quando as pessoas moram a centenas de quilómetros de distância, ou em países diferentes por exemplo, como também já aconteceu comigo. O que não pode acontecer é as pessoas servirem-se da internet como uma muleta virtual, dando uma falsa sensação de companhia, como antes dava a televisão. Socializar não é em frente a um computador, manter as amizades é no mundo lá fora, não é passar horas a fio, todos os dias aqui, como se fosse tudo real. 

O Facebook como já disse, não trouxe nada de novo, já desde os meados dos anos noventa que houve na internet muitas outras coisas com as costas muito largas para o aumento dos divórcios e separações. O Facebook acabará por desaparecer tal como o conhecemos hoje, e entretanto muitas outras "maravilhas" aparecerão. O que não desaparecerá, ou não deveria desaparecer, é a necessidade dos humanos estabeleceram laços de amizade reais. Lembro-me sempre de uma entrevista que passou no programa "Pessoal e Transmissível" na rádio TSF com a Ingrid Bettancourt. Quando perguntada sobre quais as maiores transformações que encontrou no mundo, depois de seis anos e meio sequestrada na selva pelas FARC, sem nada saber do mundo, respondeu que além dos telemóveis, foi a forma como agora as pessoas se publicitavam nas redes sociais. Numa tradução minha mais ou menos literal:

"Estamos a perder aquilo que é a essência da comunicação humana, que é, sentar num café a conversar com as pessoas. Hoje em dia não há tempo para se estar num café a falar com as pessoas, porque estamos sentados num computador, a falar com as imagens virtuais de muita gente. Estamos a perder o contacto pessoal. Pergunto-me como vai ser o mundo amanhã? Quando os jovens perderam a noção do que é perder tempo com uma pessoa a falar com ela. É importante que dediquemos o tempo a coisas profundas, e eu acho que não há nada mais profundo que dedicar o tempo aos outros. Não a si mesmo - porque o problema da internet - é que dedicamos tempo ao nosso ego, a vender-mo-nos, a pôr uma foto bonita no perfil, a publicitarmo-nos da melhor maneira, a criar um espaço virtual onde mostrarmos uma imagem de nós mesmos, da que queremos vender."