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sábado, 9 de agosto de 2025

Anda um Cheiro Nauseabundo no Ar...

 ... um forte cheiro a Troika. A ADEGA - PSD - CDS - CH - travestiu-se de nova Troika.

Ontem, o Tribunal Constitucional decretou que a lei dos estrangeiros que o governo do Luís queria fazer é inconstitucional (como se fosse preciso ser jurista para o saber), mas, o senhor Marcelo, que foi professor de direito constitucional, não quis vetar para assumir a responsabilidade e preferiu esperar e enviar para o Tribunal Constitucional. 

Logo de imediato os fascistas estrebucharam, até me fizeram lembrar o Passos Coelho a barafustar que era preciso escolher melhor os juízes do Constitucional! Passos Coelho, o Grande, que prometia em campanha eleitoral acabar com a austeridade e que a oposição mentia quando afirmava que ele se preparava para aumentar os impostos e cortar salários, o grande primeiro-ministro que reclamava contra a dívida e que, no final do seu mandato, deixou ainda mais país para o país o pagar!




Mas voltemos à ADEGA. Mal o Tribunal Constitucional decretou insconstitucional, Montenegro e André Ventura espumarem pela boca disseram que, apesar do veto, vão persistir na mentira, porque é de uma mentira que se trata, não há nenhum aumento com pedidos de nacionalidade, tal como não há mulheres a cometer fraudes durante o período de amamentação. São mentiras para aplicar a sua cartilha e fazer regressar o país aos tempos da Troika de Passos Coelho.



Anda um cheirinho a fascistas no ar. Ataques às mulheres, aos trabalhadores, aos estrangeiros precários (que os ricos, os unicórnios e esses são bem-vindos), deixar as pessoas morrer ao desmazelo e o SNS a definhar cada vez mais e nem sequer ter aviões tinham preparados para combater os incêndios. 

Há 14 anos a crise económica mundial e a vinda do FMI foi a desculpa perfeita. Só que desta herdaram, pela primeira em democracia, um superavit e, um ano depois, já estão, de novo, a atacar os mais pobres, os trabalhadores, e as mulheres, com uma cartilha completamente reacionária.  

Só no último mês:





















segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Ser Pobre Não é Crime...

Ser Pobre Não é Crime e o Rendimento Mínimo foi a Melhor Coisa que se Fez  em Portugal nos Últimos Trinta Anos


No tasco que serve presunto com mão - sim, não me enganei, devem ser uns três centímetros de presunto fatiado fininho, com pão - fiquei a saber que, apesar de no ano passado quase todo o concelho ter ardido,  andava a arder novamente aqui na união de freguesias, mas não propriamente aqui na minha aldeia. 

E é curioso que foi preciso, no dia anterior ter ido treinar, para ficar a saber que por lá andava a arder, primeiro porque vi o monte a arder, e depois o colega que ia treinar, escrever no grupo do Whatsapp, que não ia treinar porque tinha ficado de prevenção. 

E no dia seguinte, enquanto almoçava no tasco, fiquei a saber, porque na televisão mostrava o incêndios entre Penafiel e Gondomar. 

De imediato a simpática senhora que serve às mesas diz:

"Era meter os do rendimento mínimo a apagar incêndios".

E logo me ferveu o sangue!

O Rendimento Mínimo, criado por Guterres (que depois a direita como nada sabe fazer nada mudou o nome para Rendimento Social de Inserção) foi a melhor coisa que se fez em Portugal depois de António Arnaut (também do Partido Socialista) ter criado o Serviço Nacional de Saúde. 

Mas não sei porquê, nunca foi um apoio muito popular, pelo contrário! O Estado pode gastar milhões de euros seja lá no que for, por exemplo, num palco para a vinda do Papa, mas se dá 155€ a um pobre, que não dá sequer para se alimentar convenientemente durante um mês, ui que é o fim do mundo!


E é verdade, o rendimento mínimo são 155€, não são, como o outro acólito mentiroso passa a vida a dizer, que são mil euros e dá para ter um BMW à porta. É que cada pessoa que recebe o rendimento não é o Macaco que tem um Pinto da Costa que, apesar de declarar o salário mínimo, consegue construir uma casa de dois milhões de euros!

Mas, para esta senhora pobre - porque se vivesse bem não andava a servir à mesas - ser mais pobre do que ela, e, infelizmente, precisar de ajuda do Estado, é crime.

Para muitas pessoas, receber o rendimento mínimo é como se fosse um crime! E então têm que ser punidos! 

Tenho horror a Pobre!, dizia Caco Antibes!

Que os mais ricos, tenham horror aos pobres, e até calcem botas e vistam calças de ganga quando visitam um bairro social, até aceito, que outros pobres criticam os apoios a outros pobres, mais pobres do que eles, acho verdadeiramente aberrante. 

Eu nasci numa família, que, fruto das circunstâncias era muito pobre. Não passei fome, mas comi muita sopa e a minha mãe teve de trabalhar muito, porque, ao contrário do meu pai, quis pôr-me a estudar. 

E sempre tive apoio escolar. Se calhar, para estas pessoas, também deveria ter ido apagar incêndios! Ou, sei lá, varrer as ruas! Para me punir por eu ser pobre! Afinal eu tive culpa de ter nascido numa família extremamente pobre, que precisou inclusive da ajuda da família para poder ter um abrigo. 

Sim, foi o esforço da minha mãe, mas o Estado deve existir para diminuir as desigualdades e não aumentá-las e perpetuá-las. Senão para que serve um governo? 

Pequenos apoios, tal como, por exemplo, os que Lula da Silva implementou no Brasil, conseguem tirar milhões de pessoas da pobreza. E depois é lamentável que sejam os próprios pobres a criticar os apoios que se dão a outros pobres como eles. 

E, nem de propósito, deixo aqui uma análise de uma longa entrevista que saiu no Jornal de Negócios na semana passada à historiadora Josephine Quinn:

“É do interesse dos ricos e poderosos que os pobres e menos poderosos se ataquem entre si”

Os nacionalismos crescentes e os discurso anti-imigração apoiam-se nesse pressuposto?

"Vemos isso acontecer ao mais alto nível político – nos discursos intermináveis de Putin e nos discursos bizarros de Trump, nos comunicados oficiais – e, ao mesmo tempo, assistimos a um movimento mais “popular” de isolacionismo, populismo e, acima de tudo, de medo de contaminação ou até de aniquilação cultural. Esse medo deixa-me furiosa, porque é um medo fabricado e alimentado pelas classes políticas. Parece um movimento vindo das bases, mas não é. Não é do interesse de 99% de nós estarmos a lutar uns contra os outros. É do interesse dos ricos e poderosos que os pobres e menos poderosos se ataquem entre si. Por isso, se conseguirmos pôr de parte a ideia de civilizações fixas, deixa de haver algo “a defender”, algo “a temer”. E já não há propriamente motivo para lutar. Podemos simplesmente viver juntos, neste mundo que é de todos.

(Josephine Quinn)

domingo, 22 de setembro de 2024

O Presidente Marcelo e a Dualidade de Critérios

 


Meados de setembro de 2024. Temperaturas de trinta graus, de manhã eu já saio de casaquinho mas a humidade está muito baixo e faz vento. 

Os responsáveis enviam SMS a alertar os incendiários que esta é uma excelente altura para ir incendiar a mata. 

Trabalho junto ao Cais de Gaia. Na segunda-feira deparamo-nos com uma enorme fumarada, quase não se vê nada. Uma amiga envia-me um vídeo de Aveiro e na avenida central está está cheio de fumo. Nas notícias ficamos a saber que há grandes incêndios em Albergaria e Oliveira de Azeméis, mas também em Gaia e Gondomar. 

Os incêndios rapidamente tomam grandes proporções e, em Gondomar alastram com grande gravidade. Na quarta-feira, ao sair de casa já vejo as chamas ao longe e a entrar na estrada nacional N108 tenho a estrada cortada. Consigo chegar ao trabalho mas com o coração nas mãos. Como é que vou encontrar as casas, a minha e a dos meus pais quando chegar a casa?

Leio nas notícias que a noite em Melres foi horrível. Os responsáveis autárquicos queixam-se da falta de meios e não há aviões, mas com tanto fumo, se calhar também nem poderia atuar. Há incêndios por todo o lado, na zona norte e centro, e basta comparar o mapa dos eucaliptos com o mapa onde arde, é o mesmo. Arde o Cavaquistão ou o Eucaliptugal 

Houve muitos prejuízos, casas que arderam, feridos e mortos a lamentar.

Felizmente nesse mesmo dia as coisas acalmaram e, apesar do muito fumo, o incêndio foi extinto. 

Várias pessoas contactaram-me a saber se estava tudo bem, incluindo algumas com quem não falavam há imenso tempo.

Foi uma tragédia. Todos conhecemos as causas mas ano após ano nada se faz e tudo continuará a arder, para encher os bolsos a alguns, muito poucos, e para miséria de todos os portugueses, para miséria da nossa flora e fauna. 

Mas agora olho para o comportamento do nosso presidente da república e comparo as atitudes de 2017 com as que tomou agora. 


Em 2017 o "Estado falhou", era preciso rolarem cabeças, despediu a ministra da administração interna em direto. Mas agora, sete anos depois, em que a ministra nem sequer apareceu, nem se dignou a falar, e em que um primeiro-ministro mente descaradamente, e atira areia para os olhos das pessoas, falando de fantasmas, como se houvesse um plano orquestrado para prejudicar o país, quando o que os dados oficiais nos dizem que a maioria dos incêndios é resultado de negligência, já o nosso presidente-das-selfies nada faz e nada diz. 

Agora que o governo é da sua cor, e ele que tudo fez para os colocar lá, agora já está tudo bem. 

Não, Marcelo, não está tudo bem. Está tudo igual. A única coisa que está diferente é o teu comportamento, o teu e o da comunicação para com o este novo governo. Agora a comunicação está muito mansinha, quase amestrada perante todo o rol de irresponsabilidades que têm acontecido: assaltos aos computadores com os segredos do Estado do Ministério da Administração Interna, fuga de presos perigosos de uma cadeia de alta segurança, a falta de milhares de professores no início do ano letivo, o caos na saúde com urgências fechadas e as grávidas a terem os filhos na autoestrada...

Pensado bem, se calhar, os incêndios até deram jeito ao governo... 

domingo, 17 de julho de 2022

Cada um Por Si Vamo-nos Queimar Todos



Hoje em dia anda por aí uma ideologia, que se espalha mais depressa que um vírus e ataca principalmente os mais jovens que votam em partidos neofachos, porque são aqueles que têm menos defesas, porque, ao contrários dos pais e avós, cresceram num mundo de poucas dificuldades, em que basta aceder a uma APP para vir logo alguém limpar-lhes o cu. Os pais e avós tiveram que fazer pela vida, viver num tempo em que nem sequer se podia falar livremente, num tempo de fome e da "sardinha para três". Mas hoje em dia muitos destes jovens acreditam nessa ideologia que lhes vende a ideia que podem ser o que quiserem e ter muito sucesso na vida, para isso basta acreditar e que o pior inimigo é o Estado. 

Livres principalmente para ser burros e escravos dos que tudo têm e aumentar o fosso entre ricos e pobres, que, sistematicamente, tem vindo a aumentar e aumentou ainda mais com a pandemia e a guerra na Ucrânia.  

E todos vimos o lindo resultado dessa ideologia na pandemia. Toda a gente usava máscara para se proteger mas, principalmente, para proteger os outros, mas essa gentalha negacionista da "liberdade individual", que fala do livro "Mil Novecentos de Noventa e Quatro" mas se calhar na maioria dos casos nem sequer o leram, quis ser diferente e vendeu a ideia que vivíamos num estado ditatorial e manifestou-se contra o uso da máscara, contra os confinamentos, contra as vacinas (mesmo que ninguém tenho sido obrigado a ser vacinado) e até foram insultar o Gouveia e Melo responsável pelo processo de vacinação. Tudo em prol da "minha liberdade individual"!

Antigamente dizia-se que "a união faz a força", mas agora é o tempo do "eu faço o que me apetece"! E o Estado, que somos todos nós, é o bicho papão que nos quer "dominar".

"O Estado mandou colocar ali um STOP mas eu paro se eu quiser porque eu não sou um carneiro como os outros todos"!

"O Estado introduziu uma disciplina de aulas cidadania nas escolas mas os meus filhos não vão porque eu é que sei o que é melhor para eles"!

"O Estado manda limpar os terrenos por causa dos incêndios, mas eu não limpo porque eu é que sei e sou mais esperto que os outros que pagam para serem limpos".

Estamos em meados de Julho de 2022 e nesta semana, ao contrário do que tem sido este ano, de temperaturas baixas, sofremos uma vaga de calor, ou seja, significa que, durante vários dias seguidos tivemos temperaturas acima da média para esta altura. 

 A reportagem é do Jornal de Notícias sobre um incêndio em Baião. 

 "Pedimos às pessoas para limpar os terrenos e ainda nos tratam mal. Até desligam o telefone na nossa cara". 

"Gastei 400 euros a limpar os meus terrenos e de nada valeu, porque o vizinho não limpa os dele”, denuncia. Vinha, árvores de fruto e um trator de lenha: tudo ficou queimado. “Salvou-se a casa e a oficina”, certifica, com ombros caídos pelo peso da tragédia. Até poderia ter sido pior, não fosse “uns metros de mangueira” que anteontem, ao final do dia, tinha comprado por temer o pior face ao fogo que já lavrava nas redondezas. Foi com a mangueira ligada à rede pública e com a ajuda da família munida de baldes que conseguiu travar o avanço das chamas. “Ficamos à nossa sorte. Apareceu um carro de bombeiros, às 10 horas da manhã, mas sem água. Cortaram a estrada e ajudaram-nos no que puderam. Mas sem água..."

E é assim que, cada um por si, nos queimamos todos. 

domingo, 20 de maio de 2018

Se Voltarmos a Ter uma Tragédia nos Incêndios, Os Diretores das Televisões Vão-se Demitir?

Ainda me lembro bem. Estávamos em Agosto de 2005. 

(Sim, grandes incêndios não é de agora. Tem décadas. Os eucaliptos também.) 



Francisco Louça insurge-se na Assembleia da República contra a cobertura televisiva dos incêndios em Portugal. E lembrou o antigo líder do Bloco de Esquerda que, em muitos outros países, as televisões não mostram as imagens das chamas. Fazem as suas reportagens, e cumprem o seu dever de informar, mas nunca mostram as imagens, pois, como se sabe, as imagens dos incêndios são um incentivo para os pirómanos. Como em tudo, é o efeito imitação.

Mas curiosamente, na altura, António Costa (atual primeiro-ministro) e ministro da administração Interna da altura, disse que era "errado os agentes políticos pronunciarem-se sobre este assunto". No entanto lembrou que, por exemplo, em Espanha, "há um acordo estabelecido segundo o qual não há exibição de chamas. Muito menos existe um pivot de telejornal com chamas em fundo".

Na sequência destas declarações, o diretor de informação da RTP, Luís Marinho afirmou que "temos de ver refletir e ver o que fazer". Ainda assim, e apesar do serviço público a que está obrigado o canal do Estado, lembrou que a fazer-se algo teria que ser a três, entre a RTP, SIC e TVI. 

Só que os canais privados não quiseram fazer este pacto para ajudar a travar este flagelo. E se um ou dois pirómanos não se sentissem motivados a provocar incêndios, estou em crer que já seria uma vitória para todos. 

Mas esta gente, que não faz a mínima ideia do que seja jornalismo, e que se limita a cumprir uma determinada ideologia e determinada linha editorial, vive e respira para as audiências e dá às pessoas o que de pior pode haver, e relatar os dramas individuais, de quem tudo perdeu, na sequência de um incêndio, é um prato cheio. 

O senhor Presidente da República, figura decorativa da democracia portuguesa, veio dizer - de forma despropositada - dizer que não se recandidataria a um segundo mandato caso voltássemos a ter uma tragédia este ano com os incêndios.

Então e os diretores das Televisões? Lavam as mãos? 
Pois é...

domingo, 5 de novembro de 2017

Um Estado que Premeia os Preguiçosos

Arderam centenas de casas este ano e muitas empresas também. E o Estado, que somos todos nós, vai pagar isso tudo porque coitadas das pessoas, ficaram sem casa. 

Mas imaginemos a seguinte situação:
Eu pego numa mala cheia de dinheiro, e deixo-a dentro do carro, aberta, com as notas a verem-se. E resolvo deixar as janelas abertas para entrar o ar, enquanto vou dar um passeio a pé. Mas quando chego, fico muito surpreendido ao ver que me roubaram a mala cheia de dinheiro. Então, reclamo veementemente que a culpa é do meu país que é o uma merda, porque o meu país não defende as pessoas. O meu país falhou comigo. Afinal, uma pessoa já nem pode deixar o carro na cidade com o vidros abertos porque é logo roubado! Vou para a rua gritar que a culpa é do Estado! O meu país falhou! O meu país deveria colocar um polícia junto de cada carro, para que nenhum carro possa ser roubado! E vou exigir que o Estado me pague os prejuízos. 

Não acham que isto seria realmente muito estúpido?


É mais ou menos a mesma estupidez que eu acho que o Estado pague casas a particulares e danos em empresas, a pessoas que deixaram o mato entrar pelas casas e empresas adentro. Nem as pessoas  cumpriram a lei, nem as câmaras municipais fizeram com que a lei se cumprisse. Mas pela incúria de uns, todos vão pagar. E afinal o desleixo e a preguiça compensam sempre. É mais ou menos como quando o mesmo Estado beneficia quem não paga os impostos a tempo e horas e depois aplica perdões fiscais permitindo que os incumpridores paguem, sem juros, o que já deviam ter pagado aquando todos os outros. E quem cumpre acaba sempre por sair prejudicado. 

Este Outono eu tinha planeado limpar o terreno em volta da minha casa, como o faço todos os anos, se bem que, desta vez, tinha mesmo pensado cortar vários pinheiros, para estar a salvo de qualquer incêndio no futuro. Mas afinal não preciso de o fazer. Se a minha casa arder, não há problema, todos ma vão pagar!

domingo, 22 de outubro de 2017

Em Portugal Há Mais Hipocrisia que Eucaliptos



"Para acabar fica aqui o meu beijinho lambuzado para os canais televisivos informativos do querido Portugal. Agora estão cheios de imagens e entrevistas sobre o incêndio e muito pesar pelo abandono a que as pessoas foram sujeitas, mas na noite do drama estavam a dar programas de bola na TV, e às 3 foram todos para a cama e estavam-se para as tintas para o drama. Coisas docinhas não é?

Em Portugal há mais hipocrisia do que eucaliptos. É pena não arder a primeira."

Bruno Nogueira / Mata Bicho / 20 de Outubro de 2017

sábado, 21 de outubro de 2017

Não ter a Puta da Vergonha na Cara

Estávamos em 2013 e o governo de Passos Coelho e Paulo Portas, pela mão da então Ministra dos Eucaliptos, Assunção Cristas, aprovou o Decreto-Lei nº 96/2013, que ficou conhecido como "Lei do Eucalipto Livre". Esta lei veio permitir que se pudesse plantar eucaliptos livremente, favorecendo, mais uma vez, os interesses da indústria da pasta de papel e dos proprietários. Por outro lado, e por incrível que pareça, este novo regime passa também a penalizar a plantação de espécies autóctones! Não é fantástico? De uma assentada beneficia-se a indústria e os grandes grupos económicos, e por outro lado, dificulta-se a defesa da floresta nacional!

Só que entretanto a ministra deixou de ser ministra e passou a ser líder do seu partido, o CDS. E foi aí que apareceu uma rã. Uma rã que queria ser boi...


"Em declarações à Antena1, o presidente da Liga para a Proteção da Natureza e especialista nesta área, Eugénio Sequeira, mostra-se contra a hipótese de se regar eucaliptos com equipamentos de regadio público mesmo que sejam antigos. “Quem é que paga a água? A água é precisa para outras culturas. O pior é que vai ficar tudo com eucalipto e nós não comemos papel. E não temos água para isto tudo. E vão aumentar os fogos, porque o regadio, em vez de ter culturas que não ardem, vai ter eucalipto, que arde”, avisa Eugénio Sequeira." (clicar para ouvir)

E se passamos anos e anos a ouvir esta gente do CDS (bem como do PSD) a falar que precisamos de menos Estado, que menos Estado (que somos todos nós) é melhor Estado. Tal como passamos anos a ouvir até dizer que o papel social do Estado deveria ser feito pelas IPSS! Claro, meter ainda mais dinheiro no cu de privados, de gente rica que se disfarçada de caridosa. 
Mas, subitamente, o fumo dos incêndios começou a toldar convenientemente os ideias a esta gente de extrema-direita. Não é que, começamos agora a ouvir a senhora Cristas vir dizer que o SIRESP tem de ser gerido pelo... quem é mesmo Cristas? O Estado, aquele que tu querias Menos! Quer até que os bombeiros sejam funcionários públicos (que são do Estado!) Mas muito pior ainda! Quer ainda que os meios aéreos de combate aos incêndios deixem de ser entregues a privados! E passem para as mãos de quem? Do Estado! 

Mas então em ficamos Cristas? Queres menos Estado ou ainda Mais Estado como andas agora a apregoar aos sete ventos? Mas afinal agora és mais comunista que o Jerónimo e a Catarina Martins? Que puta de ideologia é essa Cristas? És de extrema-direita no governo mas comunista convicta na oposição? Estás quê? A seguir a ideologia do monárquico Paulinho das Feiras, que na oposição passava a vida a falar na lavoura? Tu estás a seguir o quê? A ideologia do que mais convém à opinião pública no momento? Eu sei, tu és uma rã que quer ser boi. 

Mas sabes, eu acho mesmo é que preciso não ter nenhuma puta de vergonha na cara. Teres sido tu, a pessoa que, na letra da lei liberalizou as plantações de eucalipto em Portugal, e que venhas agora, de forma sorrateira, nojenta e oportunista, pedir a demissão do governo que travou o mal que tu fizeste. Só porque infelizmente morreram muitas pessoas nos incêndios e como se tu mesma, não fosses a pessoa que neste país mais tem as mãos sujas de cinza. 

É mesmo não ter a puta da vergonha na cara.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Intervenção Divina

Ontem:

Eu: A meteorologia dá chuva para aqui, para esta madrugada à 1h da manhã....
Mãe: Mas se Deus existisse mandava a chuva já, para apagar todo este inferno dos incêndios. 

Hoje:

De manhã acordei, fui lá fora, e o chão estava imaculadamente seco. Ao longe, do outro lado do rio, via os montes a arder. Ontem acabei por não regar o jardim, afinal parecia que ia chover. E para quê desperdiçar água, esse bem tão precioso, se ela iria cair dos céus? Só que, quis acreditar nos meteorologistas mas, infelizmente, podemos acreditar tanto nas previsões da meteorologia como nas previsões dos economistas. Mais ou menos como podemos confiar na intervenção divina. 

domingo, 2 de julho de 2017

Se calhar foi o Raio que vos Parta Ou Factos Alternativos à moda Portuguesa

Primeiro foi o raio, o único responsável pelo incêndio de Pedrógão Grande:



Agora, mais de duas semanas depois da tragédia, o Instituto de Meteorologia vem contrariar a tese da polícia judiciária, e afirma que não pode ter sido um raio, visto que as primeiras descargas elétricas só foram registadas três horas depois do início do incêndio! Uns encontram a suposta prova, a árvore atingida pelo suposto raio, outros afirmam que não houve raio nenhum! 




Se calhar, quem começou o incêndio que vitimou 64 pessoas foi o raio que vos parta a todos!

Ou factos alternativos à Portuguesa:

De há quinze dias para cá, que isto tem sido um fartote de notícias e logo a seguir outras notícias a contrariar as anteriores!

Caiu um avião no combate ao incêndio.
Caiu? Não caiu nada! Nenhum avião caiu no combate aos incêndios!

Há pessoas a suicidar-se por falta de apoio psicológico.
Não há nada. Nenhuma pessoa se suicidou. Aliás, o apoio psicológico tem sido excelente!

Agora ontem ficámos a saber que material militar foi roubado da base de Tancos.

Vai uma aposta, que ainda vamos ficar a saber que afinal nenhum material foi roubado?
Deve ter sido só o tipo que fez o inventário que contou mal!

É  o rigor político e jornalístico no seu melhor.

domingo, 25 de junho de 2017

Os Culpados do Incêndio de Pedrógão Grande

Tenho fugido das notícias sobre o incêndio de Pedrógão Grande como o Diabo da cruz! Mas digo-vos que não tem sido fácil! Basta abrir um qualquer site de um jornal, que de imediato levamos, no mínimo, com uns trinta artigos sobre o incêndio! Tenho de ser mesmo muito rápido no rato para não tropeçar numa qualquer desgraça pessoal. E depois também não é muito fácil escapar às notícias no local de trabalho apesar de, quando alguém me vem com o assunto, lá digo que não sei de nada sobre o incêndio, nem quero saber. Ainda assim, lá fiquei a saber que a Judite de Sousa andou ao chuto a um cadáver - suponho que, para estar verdadeiramente em cima da notícia! - ou que uma família, minutos antes de morrer queimada, tinha colocado no Facebook uma qualquer imagem romântica. Sim, informação  completamente irrelevante e desnecessária. 

Por isso, genericamente, acho que devo ser o português menos informado sobre o incêndio de Pedrógão Grande, desde logo porque não tenho televisão, não estou no Facebook, e não consumo todas aquelas noticiazinhas sensacionalistas, macabras e deprimentes que os nossos média são pródigos em difundir.



E como sempre, após uma desgraça como esta, lá vêm agora, comentadores ou políticos fazendo demagogia - ainda por cima a quatro meses de eleições - tentando retirar proveitos políticos, como verdadeiros soldados com as metralhadoras descontroladas, disparando em todas as direções, mas nunca disparando contra si mesmos.

Mas querem mesmo saber quem são os verdadeiros responsáveis pela tragédia do incêndio que vitimou 64 pessoas? Eu digo-vos!

Se toda a gente aponta a trovoada como a fonte de ignição do incêndio que vitimou 64 pessoas, então, processe-se desde logo Santa Bárbara, pois ela é a protetora das trovoadas. Seria da sua responsabilidade, desviar o raio para um sítio que não causasse danos de maior. E isto levo-nos ao óbvio São Pedro, como responsável máximo pela meteorologia. Num dia de altas temperaturas, mandar uns relâmpagos sobre um pinhal? Cadeia com ele!
Depois, também responsável, é a Nossa Senhora de Fátima que é da diocese de Leiria, distrito a que pertence Pedrógão Grande e que nada fez pela sua terra, apesar dos milhões de crentes que ainda lá estiveram o mês passado a rezar. Para que é que precisamos de um santuário e de uma santa milagreira, que sabe coisas - segredos! - se depois não faz nada por ninguém, nem pelas próprias pessoas que são da sua diocese?
E como tal, junte-se também ainda como responsáveis os Pastorinhos de Fátima, um vez que já são santos há um mês, e na sua primeira oportunidade que tiveram de fazer o seu trabalho, não fizeram qualquer milagre para evitar a tragédia – e afinal para que é que nós precisamos de santos se não sabem sequer fazer milagres? E se os santinhos falharam, isto leva-nos ao Santo Papa, pois foi ele que os ordenou santos, e que como se viu, não estavam ainda minimamente preparados para o alto cargo que a santidade lhes exige. Cadeia com o Papa também!

Em último lugar Deus, como responsável máximo por tudo aquilo que de mal criou, a começar, desde logo, pela humanidade.

sábado, 24 de setembro de 2016

As penas dos incendiários

O problema dos incêndios e Portugal tem só a ver com uma questão: Dinheiro. Sempre que há um incêndio, há sempre alguém que tira proveito disso. Os incêndios são sempre uma oportunidade para alguém fazer negócio com a miséria dos outros, que é a miséria de todos. Porque se assim não fosse, se os incêndios não dessem muitos milhões a muito poucos, investiam-se milhões sim, mas na prevenção, limpando-se as florestas, ordenando-se o território e proibindo a plantação de eucaliptos, e não fazendo como sucessivos governos têm vindo a fazer, precisamente o oposto, alargando as áreas de plantação desta espécie exótica e altamente inflamável e tendo-se até acabado com os guardas florestais!

Mas lá está, se em vez dos milhões que se dá aos privados para o aluguer de helicópteros e aviões e para alimentar a cadeia alimentar da proteção civil e bombeiros, fossem canalizados para a prevenção, não se ganhava dinheiro nenhum! Não se vendiam fardas, equipamentos de proteção, carros, camiões, etc etc. Que dinheiro é que poderia dar, ter, como se tinha antes, pessoas a vigiar as florestas, ou pôr as pessoas de enxada na mão a cortar o mato? Não dava dinheiro nenhum! 


E depois, cria-se na opinião pública esta ideia que os incêndios só são provocados por maluquinhos, geralmente alcoólicos, esquizofrénicos, gente que não tem as sextas-feiras todas. Aquilo são tudo inimputáveis que têm prazer em ver arder. É uma chatice, não se pode fazer nada. E quão conveniente que é! É mais ou menos tão conveniente como a CP, que ainda sem ter sido investigado o descarrilamento de um velho comboio, numa linha que estava em obras, logo tenha vindo apressadamente dizer que a culpa foi do maquinista.... que morreu no acidente e não se pode defender! Muito conveniente!

Mas na verdade eu nunca vi um maluco bater com a cabeça na parede. Já me relataram situações de de catatónicos que passam a vida a masturbar-se. Mas não batem com a cabeça nas paredes porque dói! Todos os seres sabem o que é certo e o que é errado. Ou será que preciso pôr faixas nas matas, com letras garrafais, a dizer "Incendiar a floresta faz mal à Natureza"? Mas por acaso há algum fumador que não saiba que fumar faz mal à saúde? Era preciso escrevê-lo nos maços? 


O problema é que, se não houver estes supostos maluquinhos, se não houver quem bote fogo nas matas, não há incêndios, logo, o negócio está em risco. E como se explicar penas tão leves para ato tão grave e tão prejudicial para pessoas e natureza? E para mim não há nada mais grave que atentar contra a natureza, nada! Como é que se explica que a maioria dos incendiários saia em liberdade, com penas suspensas, ou até que depois as veja reduzidas para quem provoca incêndios que tantos danos, morte e prejuízos provocam?

E por que é que as televisões, continuam, livremente a transmitir  o espetáculo deprimente dos incêndios em direto, quando se sabe que isso só serve de motivação e sensação triunfo aos criminosos que cometeram tal crime? Por que é que se as televisões não têm esse senso comum, então não haja quem as proíba de o fazer?

Sobre esta problemática dos incêndios, em particular sobre de quem os bota, já se disseram muitos disparates, como ouvir a ministra defender que os incendiários paguem os prejuízos dos incêndios! Esperem, mas pagavam como? Faziam um empréstimo na Caixa Geral de Depósitos e pagavam com juro bonificado? Eu resolvia o problema de outra forma, e não, não estou a pensar cortar-lhes as mãos.


O problema dum incendiário, como de outros criminosos quaisquer, é a reincidência porque infelizmente nas cadeias portuguesas não se reeduca. Pune-se. Ora o que acontece é que um criminoso sai da cadeia ainda pior do que entrou. Logo, à mínima oportunidade vai repetir a gracinha. 

Temos então de garantir que o incendiário não mais o volta a fazer. 
Um pedófilo, um ladrão, um empresário corrupto, etc, todo e qualquer criminoso, pode cometer o seu crime durante doze meses certo? Onde é que quero chegar? É simples. 
O grande perigo de incêndio limita-se a três ou quatro meses por ano, período no qual existe sério risco de incêndio. Então, para que é que eu preciso ter um incendiário na cadeira, a dar prejuízo (cada presidiário custa 50€/dia) ao país durante o inverno, quando chove e não há risco nenhum do maluquinho ir no instante à mata matar a ressaca e botar um incêndiozinho? 


Há quem venha defender - até circulou por aí uma petição nesse sentido - de aumentar as penas dos incendiários. Mas eu não preciso meter um incendiário vinte e cinco anos na cadeia! Só preciso garantir é que, todos os anos, ele não o volta a fazer. Então, se eu aplicar uma pena de cinco anos de cadeia a um incendiário, primeiro de tudo, não o vou colocar sempre enfiado na cadeia a dar prejuízo, vou fazer dele um voluntário-compulsivo nos bombeiros sempre que se justifique.

Um incendiário adora o fogo certo? Então vai ser feliz, tendo utilidade no combate aos incêndios. Não havendo incêndios, regressa então à cadeia, mas só no período de grande risco de incêndio. Findo esse período, volta à sua vidinha normal. Mas no ano seguinte, de 1 de julho a 30 de setembro, o nosso amigo incendiário volta à cadeia e ao combate aos incêndios. E durante o resto do ano, caso haja incêndios também ajudar, voluntariamente, no seu combate.


Veja-se como com uma pena de dez anos efetivos, tendo uma pessoa a dar prejuízo enfiada numa cadeia doze meses por ano, eu consigo poupar e fazer o incendiário feliz por quarenta anos! 

Mas uma vez incendiário, incendiário para sempre. Não existem ex-fumadores. Uma vez viciado, viciado para sempre. Pode-se estar cinco anos sem fumar, mas basta facilitar uma vez e tudo volta de novo. Uma vez incendiário, incendiário para sempre. E basta facilitar uma vez para o desastre acontecer novamente. Como tal, comigo, incendiário apanhado uma vez, significaria prisão perpétua, ainda que só três meses por ano. 

Mas convém que nada seja feito, porque os incêndios são um negócio que não dá jeito acabar.