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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

#1000 - Quando me seguravas a mão, isso não era real?

Há filmes que, por este ou aquele motivo, nos ficam na memória por muitos anos.
Estávamos em 2001, ano do Dragão (e também eu nasci num ano do Dragão) quando fui ao cinema ver o filme "O Tigre e o Dragão" de Ang Lee. Já não sei ao certo de quem terá sido a escolha do filme, se minha se dela, mas suspeito que terá sido minha. 


À primeira vista é só mais um filme de artes marciais de exímios guerreiros(as) com espadas, que levantam voo e saltam por cima de casas e andam sobre florestas de bambus. Mas o filme é muito mais que efeitos especiais e muito mais que artes marciais. Este filme é bem mais que um Matrix asiático. Tal como está descrito na sinopse do filme, O Tigre e o Dragão é um filme de amor:

Dois romances ligados às artes marciais, um incapaz de reconhecer o seu amor e o outro vivendo uma relação apaixonada, cruzam-se num cenário de crime e de disputas políticas da China Imperial, quando a preciosa espada "Destino Verde" é roubada. À medida que cada guerreiro luta pela justiça, depara-se com o seu maior inimigo - e o inevitável e sofredor poder do amor...

De diferentes filmes que vi no cinema guardo diversas memórias e diferentes sensações que me causaram. E o final deste filme, e talvez não consiga explicar bem porquê, teve o condão de me causar um grande impacto emocional. Ainda bem antes da cena final e de se perceber o que iria acontecer em seguida, já os meus olhos se enchiam de lágrimas...


Revi o filme por estes dias. Foi o segundo filme do ano que (re)vi. O primeiro foi o Cyrano de Bergerac (1990). E ao rever o Tigre e o Dragão, mal ouvi o nome Li Bu Mai como que fui, de novo, transportado no tempo para aquela sala de cinema. 

Não há eternidade nas coisas que podemos tocar. O meu mestre costumava dizer:
Não há nada a que nos possamos agarrar neste mundo. Só deixando ir é que podemos possuir o que é real". 
Mesmo para um velho tauísta como tu, nem tudo é real. Quando me seguravas a mão, isso não era real?
A tua mão é fria e tem calos de praticares com a faca. Todos estes anos nunca tive coragem de lhe tocar. Há tigres aninhados e dragões escondidos no submundo, tal como os sentimentos. As espadas e as facas têm perigos escondidos, tal como as relações humanas. 
Eu dei a Espada Verde do Destino com sinceridade, mas trouxe-nos problemas. 
Reprimir os sentimentos só os torna mais fortes. 
Eu não posso reprimir o meu desejo. Quero estar contigo. Estar sentado assim, dá-me uma sensação de paz.


O Tigre e o Dragão teve dez nomeações aos Oscares e é considerado por alguns críticos como um dos melhores filmes de sempre. Para mim, mais importante que a crítica mais ou menos positiva é tratar-se de um dos meus filmes preferidos. 

E esta é a publicação 1000 deste blogue. 


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Tu és uma Pessoa Tarte de Mirtilo?

"Bem, pelo que tenho observado é melhor não saber... e outras vezes não há razão nenhuma para encontrar. 
Tudo tem uma razão. 
Como estas tartes e estes bolos. No final de cada noite... o cheesecake e a tarte de maçã estão todos vendidos. A torta de pêssego e o bolo de chocolate estão no fim, mas fica sempre uma tarte de mirtilo inteira. 
Então qual é o problema da tarte de mirtilo? 
Não há nenhum problema com a tarte de mirtilo, só que as pessoas fazem outras escolhas. 
Não podes culpar a tarte de mirtilo, simplesmente ninguém a quer. 
Espera! Eu quero uma fatia. 
Com gelado? 



My Blueberry Nights / Kar-Wai Wong / 2008

domingo, 9 de setembro de 2018

Coisas que se Compram por 1 Euro


Dracula de Bram Stoker é, provavelmente, o meu filme preferido dos anos noventa. "Pois, tem a Monica Bellucci", dizia-me uma amiga minha! Mas na verdade já nem me lembrava que ela entrava, porque já não vejo o filme há muitos anos! Mas sempre venerei o filme, com grandes interpretações, grande caracterização e guarda-roupa... e tem Monica Belluci!
Há algum tempo que gostava de o arranjar. E de repente tropecei nele quando procurava uma outra coisa qualquer. E a um euro melhor ainda!

Entretanto, também dos anos noventa, e também a um euro, comprei usado na net o Fight Club (Clube de Combate) edição especial dois discos, com embalagem de cartão que qualquer colecionador gosta de ter e fica logo todo húmido só de colocar a estante! 


Aproveitei, e à mesma pessoa comprei ainda outro filme de culto, desta vez o Laranja Mecânica, e outros dois que nem conhecia, mas logo vejo se gosto ou não. Por um euro cada, também não se há-de perder grande coisa.

(A propósito, para quem for fã de Woody Allen ou Hitchcock, o Jumbo estava a vender os filmes destes senhores todos a 1€)

domingo, 26 de agosto de 2018

Coisas que se Completam Anos Depois

Três anos depois completei a triologia "Antes do Amanhecer". 
Sim, logicamente que não precisaria de tanto anos. Bastaria pegar em pouco mais de dez euros, comprar o filme e ter a coleção completa. Mas se algum leitor-fantasma me lesse há algum tempo, saberia que eu não preciso de ter tudo no imediato. O prazer está na viagem, não está em chegar ao destino depressa. Até porque, quanto mais depressa alcançarmos o que desejamos, se calhar, mais depressa matamos a coisa desejada.


Foi uma das melhores amigas que conhecendo-me muito bem, me, apresentou o primeiro filme, naquele que foi o seu grande amor da sua vida: o seu Sony Vaio. E, soube por estes dias, ainda está aí para as curvas, ao contrário daquele que o veio substituir, e que rapidamente deu o peido em três tempos.

De imediato fiquei encantado com o filme. Acho mesmo que tem a melhor cena de engate de sempre . Seria também com esta amiga que iria ao cinema ver este último "Antes da meia-noite". E se o primeiro filme é o mais encantador e romântico e, se o segundo é  sobre tudo aquilo que poderia ter sido e não foi porque quando somos mais jovens cometemos o erro de achar que iremos encontrar imensas pessoas ao longo da vida com as quais iremos ter aquela cumplicidade, este terceiro e último filme (até ver) é menos fácil de se gostar, porque é o constatar de que, com o passar do tempo, as relações têm o seu desgaste e as pessoas acumulam frutrações e, ao contrário do último episódio das novelas, essa coisa do "viveram felizes para sempre" não existe.

sábado, 21 de julho de 2018

Tudo o que me resta de ti...

Sempre fui fazendo, mesmo quando na minha cabeça não havia motivos para tal , tudo o que me pedias com um propósito, e que se calhar só estado na tua cabeça e entendendo melhor todas as possíveis implicações, eu compreenderia melhor. E resta talvez uma só coisa que talvez eu devesse fazer... 

E só ainda não fiz, porque acho que é quase a última coisa que me resta de ti... 

E isto fez-me lembrar do filme Definitely, Maybe (que teve as brilhantes traduções de "Para sempre talvez" em Portugal, e pior ainda de "Três vezes amor" no Brasil") e sim, eu sou homem e seguro como sou da minha sexualidade não tenho problemas em assumir que gosto daquilo que se catalogou de "comédias românticas", ainda que, muitos desses filmes até dêem pouco para rir.



E lembrei-me precisamente deste filme porque, já quando o filme caminha a passos largos para o fim, e quando confrontando acerca do porquê de não ter devolvido logo algo que não lhe pertencia, a personagem Will Hayes respondeu precisamente: "porque era tudo que me restava de ti"...






segunda-feira, 2 de julho de 2018

Jornalismo: Inventar Paragonas

A ortografia está correta e já tenho lido pior gramática, mas é dar com o cerne da história que faz um bom jornalista. Começa inventando parangonas. Curtas, com força, dramáticas.
Lá ao longe, que vês? Diz a parangona. 
"Horizonte Coberto por Escuras Nuvens". 

(aceno negativo com a cabeça)

"Tempestade Iminente Ameaça Aldeia". 
E se não houver nenhuma tempestade? 
"Aldeia Poupada por Tempestade Violenta". 




The Shipping News" (2001)

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O Engate no Século XVIII - Orgulho e Preconceito

"Hoje não há regras não sabemos como agir quando nos encontramos. Apertamos a mão? Um beijo na cara? Dois beijos na cara? Batemos nas costas um do outro? Ninguém sabe. Não há regras.


O comportamento mais aceitável era parecer que não se queria um marido, apesar de se querer. Mas com a natureza humana a ser o que é, mulheres e homens tiveram de descobrir maneiras de se atraírem e deixarem a outra pessoa saber. Isso era aceitável. E uma grande parte disto aconteceria no salão de dança. 

A dança era absolutamente central para a sociedade da época no que diz respeito a encontrar um bom marido ou uma boa mulher. Quando se ia a um baile ou se havia uma dança no fim de uma festa, estar-se-ia sempre na presença dos pais. Portanto, se pensarmos como nos queremos comportar em frente aos nossos pais...

Era muito definido, muito claro. Ajudava muito, acho, olhando para trás. Levantamo-nos se uma senhora entra e fazemos uma vénia. Acho que hoje em dia, vemos isso como oprimente e demasiado formal. Eu de certa forma, gosto disso. Acho que dá à coisa um certo quê... Acho que é, na verdade bastante libertador.

O facto de ser difícil falar com alguém por quem se está apaixonado está brilhantemente realçado no período de Austen, onde não se podia falar com a pessoa a sós, exceto quando se dançava. Só assim podiam estar a sós e poder utilizar a dança dessa maneira. 

Os homens e as mulheres podiam estar juntos sem um chaperone e podiam falar um com o outro. 


É por isso que a ideia de um baile era tão excitante para elas. Porque se podia dançar com o filho do talhante, alguém que, num dia normal, não seria possível abordar para conversar. 

Se só se pode ter contacto físico na dança, então dançar com alguém é elétrico, é intenso. E é ter essa estrutura formal. Especialmente a dança. Representar esses pequenos momentos nessa altura formal. 

Eles não se tocam realmente. As mulheres não apertam as mãos dos homens. A primeira que o Darcy toca na Elizabeth é quando a ajuda a subir para a carruagem. E é um momento mesmo bonito. Porque é o primeiro toque de pele. E eu acho que hoje em dia não pensamos sobre isso, de todo. Eu apertoa mão às pessoas, beijo-as, o que for. É interessante pensar, se não se tiver essa natureza tátil, quão importante um toque pode ser."

sábado, 28 de outubro de 2017

Nos Meus Sonhos Beijo a Tua Cona...




In my dreams I kiss your cunt, 
your sweet wet cunt. 
In my thoughts I make love to you all day long.








Atonement / Joe Wright / 2007

domingo, 8 de outubro de 2017

Como Lágrimas na Chuva

"Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva."




Não sei se já tinha visto o Blade Runner, filme de 1982, já com uns quantos anitos portanto. Quase de certeza que sim, que em adolescente o tenha apanhado na televisão, mas na verdade se vi não retive grande coisa. E é curioso que já me lembro bem, por exemplo d' A Boneca Mecânica (Cherry 2000) de 1987, filme igualmente de ficção científica, e que também explora um pouco, ainda que de outro ponto de vista, os sentimentos entre seres humanos e robôs. 

Mas em Blade Runner, o que mais me chamou a atenção foi aquela frase do replicante Nexus-6 Roy Batty que, depois de inesperadamente ter salvo Deckard, diz-lhe que já viu coisas que ninguém imagina, e que todos esses momentos, se perderão para sempre.

E refleti sobre mim, sobre as minhas vivências, as minhas memórias, as coisas que vi, pelas quais passei, o que aprendi. As coisas que todos nós vimos, aprendemos, toda a sabedoria que carregamos. E talvez seja esse o medo pelo qual temos de morrer. Se calhar não tenho propriamente medo de morrer, de não poder continuar a viver e a acumular sabedoria, mas a tristeza que seria, ver todas essas memórias desfazerem-se... "Como lágrimas na chuva". 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Anónimo

"Jonson, aproxime-se.
Sabia que a árvore genealógica da minha família é a mais antiga do que qualquer outra família do reino? Combatemos em Crecy, Bosworth Field, Agincourt. Quando herdei o meu título, era um dos homens mais ricos de Inglaterra. No fim da minha vida,serei um dos mais pobres. Nunca tive voz no governo. Nunca ergui a espada numa gloriosa batalha. As palavras... as simples palavras serão o meu único legado. Só você vê as minhas peças e sabe que são minhas. 
Quando ouço os aplausos...os vivas do público, as mãos a aplaudir... sei que aplaudem outro homem. Mas naquela...cacofonia de sons, esforço-me por ouvir apenas duas mãos. As suas. Mas nunca as ouvi. Nunca me disse...nunca... me disse o que achava do meu trabalho. 

Acho... as suas palavras... as mais...maravilhosas...jamais ouvidas no nosso palco. Em qualquer palco. Desde sempre. O senhor...é a alma dos nossos tempos.


Prometa-me, Jonson... que guardará o nosso segredo que não vai denunciar Shakespeare. 
- Vossa senhoria...
- Já o vi na sua cara. Ele envergonha-o. Como podia não o fazer. Mas ele não é fardo seu. É meu. 
Tudo o que escrevi...as minhas peças, os meus sonetos... mantenha-os em segurança.Esconda-os da minha família. Os Cecil. Espere uns anos e depois publique tudo. 
Vossa senhoria, eu... não sou digno dessa tarefa. Eu traí-o. Contei-lhes da sua...
A tarefa da minha vida foi conhecer o carácter dos homens, Jonson. Eu conheço-o. Pode ter-me traído...mas nunca trairá as minhas palavras. 

Anonymous / Roland Emmerich / 2011

domingo, 10 de setembro de 2017

É Mais Fácil Viver com uma Mulher que se Sente Amada

Então porque não a deixas?
Quem?
À Edith.
- E ia deixá-la porquê?
Por estares apaixonado por outra.
Não estamos na Idade Média...
- Tem acontecido, homens têm deixado as mulheres por outras e sido felizes.
Até começarem a enganar a nova.
Pois, tu é que sabes...
- Contigo não vale a pena falar.
És amoroso de mais para foder sem sentir amor, certo? Portanto comer outra era prova de que não amas a Terry?
Tens falado com a minha amante?
Olha, ama todas as que puderes. E os teus filhos, a tua mulher, mantém a harmonia. E uma vez, só por uma vez, tenta foder alguém só por te saber bem. A tua mulher bem pode estar a viver segundo esses princípios...


Precisava que fizessem amor comigo. Tu já não fazes amor, já só me fodes. Sentei-me nos degraus e o Hank deu-me a mão. E ouviu-me. Ouviu-me enquanto eu falava desta merda de casamento. E disse que se sentia chegado a mim. E fiquei feliz por o ouvir. E feliz por fazer amor com ele, por um minuto senti-me tão estupidamente feliz... Até que pensei em ti. E só me apetecia estar aqui contigo e voltarmos ao que éramos e voltar para esta cama, para o meu marido e para os meus filhos, que é o meu lugar...
Sentimentos realmente admiráveis Terry.
Neste instante eu amo-te, talvez mais do que há anos. Mas estou furiosa, Jack, estão tão fodida...Porque tu preparaste isto tudo, e é claro que aconteceu! E não sei mais o que irá acontecer.
Vais voltar a vê-lo?
Credo, eu sei lá...
Então, está acabado? É o que estás a dizer?
Que se passa nessa cabeça? Para ti fazer amor é como fumar?
É...
- O quê? É uma promessa.
Prometeste-lhe que o voltavas a ver?
Não tive de dizer nada, abrir as pernas já é uma promessa.
E ele também não disse nada? Alguma coisa deve ter dito.
Tu estás a adorar isto...Queres pormenores?
Primeiro demos umas voltas. Depois pôs-me uma mão na mama. Quase me vim, mal me tocou.
E sabes o que aconteceu depois? Fodemos como doidos. E sabes que mais? Eu vim-me antes dele. E da segunda vez, estava eu por cima, olhei-o bem nos olhos e disse-lhe que o amava.
Bom, já chega. Chega.
Devias estar a partir-me os dentes, mas qual quê? Tu não, porque tu gostas. Queres ver-nos Jack? Queres assistir?
Fode quem e quanto queiras, mas poupa-me é as tuas estúpidas noções sobre a alma de um homem que nunca compreendeste. Porque são idiotas!
Estúpidas noções sobre a alma de um homem que não compreendo? Coitadinho...Falas e falas até achares que te conheces, mas olha, sabes? És um porco. Vou dormir; temos dois filhos que daqui a pouco acordam e pequeno-almoço é coisa que não lhe dás.
Eu dou-lhes, deixa que dou.
Ora aí está uma coisa que me podes ajudar...
Infelizmente com o meu outro problema já não podes. É que eu já não sei bem o que fazer...Amanhã que faço, digo ao Hank "Obrigadinha mas aquilo foi ontem, hoje é hoje e não sei se quero foder mais?Admitirás que até o adultério tem de ter alguma moral? Portanto vou ter de pensar bem.

We don't live here anymore / John Curran / 2004

quinta-feira, 27 de julho de 2017

A melhor cena de engate de sempre

E por falar em viagem, comboios e estações, encontros e desencontros:

Pensa assim. Avança no tempo, dez, vinte anos e estás casada.

Só que o teu casamento já não tem a mesma energia. Começas a culpar o teu marido.

E começas a pensar em todos os gajos que conheceste na tua vida e no que teria acontecido se tivesses escolhido um deles. Bom, eu sou um desses gaijos. Sou eu! Podes pensar nisto como uma viagem no tempo, de lá até agora, para ver o que estarias a perder. Vê isto como um grande favor para ti e para o teu futuro marido do que isto poderia ser. Uma hipótese de veres como realmente não perdeste nada. Que afinal eu sou uma merda como ele, tão desmotivado e chato quanto ele, e tu fizeste a escolha acertada e estás muito feliz.



Acho que descer do comboio com este desconhecido seria praticamente impossível de recusar, tivesse ela namorado ou não. E se tivesse namorado, e sendo ele um homem, deveria ela recusar? Será que a partir do momento em que estamos numa relação (no caso dos heterossexuais) só podemos conhecer pessoas do mesmo sexo que o nosso? Se calhar essa é a teoria da burka..

E se não tivesse namorado, o que fazer com este desconhecido que tanto impacto causou, mas que vive lá do outro lado do mundo?
- Nem sequer pensar nisso porque depois vamos sofrer imenso?
- Vamos-lhe dar uma oportunidade e logo se vê?
- Ou se gostarmos muito dele, não há entraves para o amor?

É um dos meus filmes preferidos, e no meu modesto entender, esta é provavelmente uma das melhores cenas de engate de sempre.


Antes de Amanhecer / Richard Linklater / 1995

domingo, 2 de julho de 2017

As nossas rotinas dão poemas e filmes

Durante o dia apanhei na rádio - por duas vezes! - o programa CineMax, e daquela revista dos filmes que estão em cartaz, só um acabou por me captar a atenção. E começou por prender-me a atenção por causa do nome Jim Jarmusch, porque o último filme que tinha ido ver - sim já foi há muito tempo! - foi precisamente deste realizador, mas também já tinha visto pelo menos um outro, o "Homem morto".

E por grande coincidência, ao fim da tarde, uma amiga minha pergunta-me se não quero ir ao cinema ver o filme Paterson, precisamente o tal filme que me tinha chamado a atenção, e que tinha ficado a saber no programa, que se tratava do relato do quotidiano de um casal, durante uma semana. 


Escolhemos uma sala de um teatro onde eu nunca tinha estado, em detrimento das salas mais confortáveis dum num grande centro comercial, sem direito a pipocas nem refrigerante cancerígeno, nem a stress para estacionar o carro ou enorme bicha para a bilheteira.

Eu gostei do filme:

      

Não nos conta uma história com princípio e fim, conta-nos simplesmente o dia-a-dia, de Segunda-feira a Domingo, na vida de um de casal comum, desde o momento em que Paterson (Adam Driver) acorda, sempre depois das seis horas, mas sempre (como eu) sem despertador, até ao fim do dia, em que pega no cão Marvin (que a mulher terá querido comprar porque agora está muito na moda) e vai dar o seu passeio noturno, parando sempre no mesmo bar onde bebe a sua cerveja, e quando a sua cerveja chega ao fim ele sente-se feliz. Volta para casa, para no dia seguinte ter um dia exatamente igual ao anterior

O filme mostra-nos que a beleza da vida está nas pequenas coisas, nos pequenos detalhes. 

Paterson é motorista de autocarro na cidade onde nasceu e que se chama também Paterson. Todos os dias sai de casa, com a sua lancheira na mão, daquelas típicas que se vê nos filmes americanos, feitas de chapa (da marca Stanley, pormenor completamente irrelevante em que reparei) onde guarda a sande que a sua bonita, criativa e sonhadora mulher Laura (Golshifteh Farahani) lhe faz todos os dias, e onde vê a fotografia dela (que ela lá terá colocado) sempre que abre a tampa da lancheira. 


Peterson é motorista de autocarro numa cidade chamada Peterson. Peterson é também um livro de poemas escrito por William Carlos Williams que Peterson, o motorista, leu e tem na sua estante, juntamente com muitos outros livros só de poesia. No bar, o dono, coloca na parede todos os recortes de jornais de gente famosa que se relacionam com a pequena cidade Peterson, que nunca terá direito a autocarros novos. 

Certo dia o autocarro avariou. Não, "não explodiu numa bola de fogo", foi só um problema elétrico. E então Peterson tinha de contactar a empresa para rebocar o autocarro e uma menina perguntou-lhe se ele não tinha um smartphone, ao que ele respondeu que não. Ela ofereceu-lhe o seu para ele telefonar, que tinha um formato de boneco de criança. "Se calhar deverias comprar um", disse-lhe em casa a mulher. Ao que ele respondeu: "Durante milhões de anos o mundo viveu bem sem eles". Já a sua mulher tem computador portátil, Iphone, Ipad e essas bugigangas eletrónicas todas. 


Peterson é um motorista de autocarros,  mas é também um poeta. E em todos os tempos mortos, Peterson pega no seu caderninho secreto e põe-se a escrever poemas, que nem rimam, tal como ele gosta. No início da semana ele começa a escrever um poema para a sua mulher, e se é para ela, como ele diz, então é um poema de amor, mesmo que comece a descrever os fósforos preferidos do casal.  


A mulher há muito que insiste com ele, que ele deveria fazer alguma coisa com aqueles poemas, que ele guarda secretamente, até mesmo dela. E ela acha que "todo o mundo deveria conhecer". E isto deixou-me a pensar na minha última querida namorada... Também ela achava que eu deveria fazer qualquer coisa com a minha escrita, pois achava mesmo que eu escrevia muito bem, apesar de eu sempre lhe ter dito que achava que não, que só sabia escrevinhar, não sabia escrever. Pus-me também a pensar em todas as pessoas anónimas, com quem nos cruzamos todos os dias, pessoas com quem até podemos trabalhar e que pensamos que conhecemos, mas que não sabemos que, por baixo daquela camada da rotina de todos os dias, e muitas vezes de empregos pouco relevantes, escondem-se pessoas com dons que ninguém imagina. Um simples motorista de autocarros, pode ser um grande poeta e ninguém sabe. Nem ele mesmo. 


domingo, 25 de junho de 2017

Algures. Longe de mim...



Olha...
Vem sentar-te comigo...
- Querida, a culpa disto é minha.
Não, é minha.
Ouve e não interrompas por favor. 
Ouve...
Se continuarmos juntos, estarás morta no Outono.
Não posso dizer-te mais, mas garanto-te que na realidade não envelheceste. 
Mal eu desapareça da tua vida, recuperarás a juventude e a beleza. 
Não me deixes, Dominic.
Por favor, não me deixes.
Eu estava condenado a perder tudo o que amo. 
Mas prefiro perder-te jovem e bela como eras e voltarás a sê-lo sem mim, do que ver-te morrer nos meus braços. 
- Prometeste que nunca me deixarias.
Eu vou deixar-te.
Se me deixares morrerei sem ti.
Se daqui a uns meses não estiveres como eras no Outono Passado, eu voltarei mal tenha notícias. São três ou quatro meses. Aguarda. 
Algures. Longe de mim. 
Não me deixes, por favor...


Youth Without Youth / Francis Ford Coppola / 2007 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A roupa para o Concerto

Liga-me a minha amiga. Está com uns problemas - e já sabemos que um mal nunca vem só - mas tudo o resto são coisas menores quando comparado com a situação absolutamente dramática que está a viver: não saber que roupa levar amanhã ao concerto.

- Como é possível que uma mulher não tenha planeado a roupa que ia vestir, sei lá!, pelo menos com um mês de antecedência?! 

Bom, eu acho que vou escolher da minha t-shirt mais ou menos assim:



Eta do "I Love Blood" até é bem gira. Aposto que ia fazer sucesso!

Spike, do filme Nothing Hill / 1999

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Do teu Cu sai o Brilho do Sol

Pareces para o soturno...
Que é que te deu?
'Tou só a perder a minha fé na humanidade.
Queres ser mais específica?
Gostava só de saber...
Duas pessoas podem ficar juntas para sempre?
Falas de casais?
Pois, de gente apaixonada. 
Problemas com o namorado? Não acho que devas andar com nenhum nesse teu estado, é assim para o ... marado. É assim que vocês dizem? Não é a palavra que vocês usam?
Não é do que se trata.


Só pretendo saber se será possível duas pessoas ficarem a viver juntas p'a sempre.
Bom, fácil não é... e sei que não sou o melhor exemplo que haverá no mundo, mas vivo com a tua madrasta já há dez anos e orgulha-me dizer que somos felizes. Para mim o melhor que podes desejar é encontrar quem te ame exatamente como és; com bom feitio, mau feitio, feia, bonita, eu sei lá... 

A pessoa certa vai sempre achar que do teu cu sai o brilho do sol. E gente dessa vale a pena agarrar. 

Juno / Jason Reitman / 2008 

terça-feira, 7 de março de 2017

Não há Famílias em K-PAX

Por diversos motivos, há já muitos anos que não vou acompanhando o que se vai passando no cinema, e certamente que há mais de vinte anos não acompanho os Óscares, pois cedo percebi que se trata, mais ou menos como o Euro Festival da Canção, de uma questão política e de interesses financeiros, bem mais que um justo prémio para os melhores da sétima arte. 

Eu nem sou grande entendido em cinema como por aqui já o devo ter referido por mais que uma vez. Eu nem conheço os artistas, os realizadores, os pintores das obras. Vejo os filmes mas na maioria dos casos nem retive quem foi o realizador. Muita gente mal começa a ver a forma como o filme está filmado ou editado já sabe quem filmou. Eu não. E claro que é bem mais fácil lembrar os atores. E um dos meus atores preferidos, creio que é mesmo o meu ator preferido, é o Kevin Spacey. E já cheguei a diversos filmes por causa dele. Até vi o "Super Homem Regressa" (não seria filme que me interessaria minimamente à partida) simplesmente porque ele participava, fazendo de Lex Luthor. E acho que isto é comum à maioria das pessoas. 


K-PAX é um filme de 2002. Depois de ter ido ao cinema ver, em dois anos seguidos, dois filmes dele, vi este filme já em DVD, porque K-PAX, se não estou em erro, quase nem entrou no circuito de cinema e foi quase de imediato para o mercado de aluguer/venda. 

O filme desenrola-se quase exclusivamente num hospital psiquiátrico. Um homem é apanhado pela polícia, sem documentos, dizendo que a luz deste planeta é demasiado brilhante para ele. Depois de algum tempo a ser tratado e a não se obter qualquer resposta, ele é entregue aos cuidados de Mark, um psiquiatra experiente (Jeff Bridges). Mas o problema é que Prot (Kevin Spacey) é muito convincente, e Mark começa a encarar este novo doente quase como um desafio pessoal, como se tivesse "escolhido este para salvar" como lhe dirá a sua mulher. 

O filme coloca muitas questões éticas ou filosóficas, muito pertinentes em que podemos refletir. Uma delas é sobre as famílias e sobre as relações que estabelecemos uns com os outros:


Mark: Bem, Prot, gostava que me contasse mais a sua terra...
Prot: O que é que quer saber?
Mark: Bem... tem família em K-PAX?
Prot: Em K-PAX não é como aqui. Não temos famílias como vocês as considerariam. Na verdade, a família seria um "nom sequitur" no nosso planeta. como em muitos outros. 
Mark: Por outras palavras...você...nunca conhecer os seus pais...
Prot: Em K-PAX as crianças não são criadas pelos pais biológicos. mas sim por todos. Circulam entre nós, aprendendo, com um e com outro. 
Mark: Tem um filho?
Prot: Não. 
Mark: Tem alguma esposa à sua espera? 
Prot: Mark, Mark, Mark... Você não está a prestar atenção ao que lhe estou a dizer pois não?
Não temos casamentos em K-Pax. Não há esposas nem maridos. Não há famílias. 
Mark: Estou a ver.. e a estrutura social... Governo?
Prot: Não precisamos.
Mark: Não há leis?
Prot: Nem leis, nem advogados. 
Mark: Como distinguem o bem do mal?
Prot: Todos os seres do Universo distinguem o bem do mal. 
Mark: Mas e se... alguém fizesse algo de errado? Cometer um homicídio. Ou uma violação. Como o puniriam? 
Prot: Deixe-me dizer-lhe uma coisa Mark. A maioria de vós, humanos, subscrevem esta política do "olho por olho, dente por dente"...que é conhecida em todo o Universo pela sua estupidez. Até o vosso Buda e o vosso Cristo o entendiam diferentemente. Mas estão-se todos nas tintas, até budistas e cristãos.Vós humanos...Às vezes é difícil entender como conseguiram chegar tão longe. 

sábado, 31 de dezembro de 2016

A recusa em aceitar uma vida de infelicidade


Acho que compreendo o que sentes por este livro. Dantes também me custava a engoli-lo. Quando o li no liceu, achei a Madame Bovary uma parva. Casou com o homem errado, faz parvoice atrás de parvoíce...Mas quando o li desta vez, apaixonei-me por ela. Ela está encurralada, mas tem uma alternativa. Pode aceitar a vida de infelicidade, ou pode lutar contra ela. E ela escolheu lutar.



E que luta..! Meter-se na cama com qualquer um que lhe diga olá!
No fim acaba por falhar, mas há algo de belo e heróico na rebelião dela. Os meus professores matavam-me se me ouvissem dizer isto, mas... À sua maneira estranha, a Emma Bovary era uma feminista.
Que bonito!Então enganar o marido faz de ti uma feminista?
Não... Não é o enganar. É a fome. A fome duma alternativa, e a recusa em aceitar uma vida de infelicidade.


Litle Children / Todd Field / 2006