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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

O Segurança do Lidl de Dark

Os meus colegas de trabalho já me tinham avisado: "se viste alguma coisa interessante do folheto do Lidl vai já lá, porque o pessoal limpa tudo. Às vezes até vão para a porta à espera que abra". E eu fui. Comprei uma das coisas, a outra deixou-me a pensar se se valeria a pena e não trouxe... mas depois achei que, se calhar, até poderia ser uma compra aceitável e até me iria dar jeito naquele mesmo dia. 

Já tinha ido ao Lidl de Viana do Castelo mas já lá não tinha nada. Até que deixei a cidade e rumei a sul. Deixei o rio Lima para trás, e resolvi ir ao Lidl ali de uma terra que se chama Dark! Haverá nome mais fixe? De onde é que tu és? Sou de Dark! 
Estacionei, entrei na grande superfície, dirigi-me ao local onde por lá deveria encontrar a dita coisa, mas também nada. Bom, toca a ir embora e sair sem compras. Olho para o segurança e faço-lhe sinal se poderia sair por ali. Este diz-me que sim, mas aproveita para fazer um comentário sobre a t-shirt que eu envergava. 

E este foi o pequeno sinal, como se na verdade pertencêssemos a uma sociedade secreta - à espera da contra-senha  - para confirmarmos que pertencíamos à mesma tribo. Bom, na verdade, como lhe disse, já não sei se ainda pertenço a alguma tribo, sou mais uma alma negra perdida por sua conta e risco. 

Este segurança - que tem o mesmo nome que eu! - tem postura. Durante o tempo que por ali estivemos a conversar, bem sei, no seu posto de trabalho, estava sempre atento. Enquanto eu ia debitando conversa, ele observava atentamente as movimentações das pessoas, e dizia-lhes se podiam entrar com sacos, verificava o porquê de ao entrarem accionarem o alarme, e fazia recomendações para a próxima vez que ali vierem. Uma postura educada, disponível, tranquilo, não demasiado simpático (porque não tem de o ser), mas extremamente profissional.  

Falamos de bandas que ouvimos, de antigos festivais, das bandas portuguesas, do STOP, do Metal Point, do Festival de Barroselas. Dos vocalistas que se cortam em palco. Falamos das nossas vidas. Ele que está com a mesma mulher (que é do meio) há doze anos; eu que, depois de muitos anos a calcorrear esses caminhos metálicos na companhia da mesma pessoa, caminho agora sozinho há muitos mais anos ainda. 



Das pessoas que não interessam nem ao Diabo, o querido amigo 666. Os falsos satânicos. Os fariseus. Os vendidos. Os outros tempos. Os novos tempos. Como quando as coisas não são tão fáceis nós lhe damos tanto mais valor, e como quando temos a papinha, como agora, toda feita já não sabemos aproveitar. 

Se calhar passei ali demasiado tempo a falar com ele, que estava no seu local de trabalho. "Já estão a olhar para mim, a controlar-me". Percebi a mensagem. Era a senha para eu me despedir. Cumprimentei-o efusivamente, desejei-lhe tudo de bom, tal como me despeço de todas as pessoas: como se nunca mais as fosse ver, e voltei para o carro para continuar a seguir viagem. 

O dia estava muito agradável, vinte e pouco graus. No rádio tocava, baixinho, o "Romantic Tragedy's Crescendo" de 1998. A minha cabeça pensava naquele encontro imediato e nas vicissitudes da vida. E de repente, já estava na Maia, e numa rotunda vi mais uma seta a anunciar outro Lidl à esquerda. Bom, deixa-me ir lá ver se este ainda tem alguma coisa. Fui novamente ao sítio onde aquilo deveria estar e, o desânimo: tudo vazio. A barriga já dava horas. Bem, deixa-me mas é ir comprar qualquer coisa para comer. E, de repente: "Que é que estás aqui a fazer"? Eu olho e era o Torrejõn!, acompanhado da sua cria mais pequena de quatro anos! Este foi outro encontro imediato que fica, quem sabe, para contar depois...

... mas o mais fantástico disto tudo é pensar que, se na quinta-feira eu tivesse comprado aquela simples tesoura de poda por 9€, nada disto me tinha acontecido.

sábado, 7 de outubro de 2017

A Mirabolante História da Planta do Lidl

Entrei no Lidl, e logo à entrada botei o olho nalgumas plantas suculentas que lá estavam. Um vaso em particular chamou-me a atenção. Peguei nele, tentei ver se tinha alguma identificação da espécie (nunca tem não é?) e fiquei a admirá-lo, pois era uma espécie que não tinha. Sem me aperceber, um casal, a alguma distância, observava os meus movimentos. A amiga que estava comigo foi ao multibanco, e enquanto por ali fiquei, achei que, se calhar, o melhor seria, no fim de todas as compras passar então por ali, para colocar a planta por cima para não se danificar. E fui ter com a minha amiga. 

Quando volto, um minuto depois, já o casal, no meio de todas aquelas plantas, tinha pegado, precisamente, no vaso que eu queria levar. É preciso não ter sorte nenhuma pensei! Tinham precisamente pegado na única que eu queria levar! Bom, também não é caso para entrar em depressão, é só uma planta de quase dois euros, que provavelmente posso encontrar noutro sítio qualquer... ou não! E lá fomos fazer as compras. 

Até que, eis se não quando, junto à prateleira dos alhos, olho, e o que vejo? Precisamente o mesmo vaso, ali deixado por entre os restantes alimentos. Isto só podia ser um milagre! Alguém tinha ali deixado um vaso com a mesma planta que eu queria, ou, o mais provável, aquele casal que tinha pegado nela, desistiu da ideia de a levar, e deixou-a ali ficar. Para mim! Olha que sorte?! Deixei-a escapar, porque era a única e não a meti logo no carrinho, mas agora tinha a segunda oportunidade de ficar com ela. Lá peguei nela e coloquei-a num cantinho do carrinho por entre as outras compras. 

Ainda fomos ver mais qualquer coisa, até que, de repente, sou interpelado pelo senhor, o mesmo que tinha visto na entrada a admirar o mesmo vaso que eu tinha escolhido, e que me pergunta se fui eu que peguei no vaso que estava na prateleira, e enquanto isso, vê a planta no carrinho. Lá me explica que tinha sido a mulher, que a ali tinha pousado enquanto foram comprar outras coisas, que até me tinham visto, mas que não tinham visto eu a pegar na planta.

https://www.3dartistonline.com
Explicou-me que me tinham visto na entrada, a escolher especificamente aquela planta, mas como eu tinha desistido (não tinha não!) foram ver, e ele achou que eu tinha mesmo bom gosto: aquela era a planta mais bonita que ali estava! E então, lá me pediu desculpa, uma e outra vez, se podia levar a planta. E já que, ao que parece eu parecia perceber de plantas, perguntou-me se tinha de mudar de vaso. Pois claro que tem de mudar de vaso. E lá levou a planta com ele.
Mas que história mirabolante, comentei. "Mesmo", respondeu o senhor, que me ouviu apesar de já ir alguns metros mais à frente. 

O que retiramos daqui? Em primeiro lugar que, quando queremos realmente algo, ainda para mais raro ou único, como era o caso, e se chegamos primeiro ou se temos oportunidade de quisermos ficar com ela para nós, devemos, logo ali, exercer o nosso direito reivindicativo de tomarmos conta da ocorrência. Em alternativa, depois, podemos sempre dizer "já não tinha de ser". 

Em segundo lugar, como é interessante analisar que as pessoas adoram seguir os outros, seguir as escolhas dos outros. Se eu escolhi aquela planta, é porque ela deveria ser a melhor, a mais bonita. Na verdade eu nem achava que fosse a mais bonita, era tão somente uma espécie interessante, mas um cromo que não tinha na caderneta. Mas quando aquelas duas pessoas olharam para ela, e que já tinha sido namorada por mim, acharam logo que, para eu a querer, então é porque ela era mesmo bonita e especial. Muitas as vezes as pessoas nem sabem do que gostam e precisam sempre que lhes digam do que gostar. Lembram-se do filme "Runaway Bride"? A personagem de Júlia Roberts, que passava a vida a deixar os noivos no altar, no fim confessa, que nem sequer sabe como gostava dos ovos, gostava deles, simplesmente da mesma forma que o atual noivo gostasse. Ou quantas vezes vemos inúmeras pessoas interessadas nesta ou naquela pessoa, só porque anda meio mundo atrás dela? E se andam, é porque valerá a pena. Porque será que quando várias pessoas se junta na frente de uma tenda de vendas, logo muitas pessoas ali se vão juntar para ver o que se passa? 

Entretanto, vamos ver. Pode ser que aquela mesma planta me volte às mãos!