Mostrar mensagens com a etiqueta COVID-19. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta COVID-19. Mostrar todas as mensagens

domingo, 3 de outubro de 2021

Conversas Improváveis (63) - A Nova Estirpe Perigosa que Nasceu em Portugal

Contei-lhe que ontem os jornais chamaram-lhe o "Dia da Libertação" só porque iam abrir as discotecas. Falei-lhe também que, se nos centros de vacinação alguém tivesse que esperar mais de meia hora, já lá estavam jornalistas para tentar melindrar o excelente processo de vacinação, mas esperar horas para ir fazer compras na Primark ou esperar horas para entrar numa discoteca já não há problema, está tudo bem, e não tem direito a reportagem jornalística sensacionalista porque já não é da responsabilidade do governo. 

Ela achou que foi mais um "Dia do Suicídio". 

Mas eu expliquei-lhe que só entra quem tiver certificado de vacinação ou teste negativo. Ainda que seja quase estúpido pedir certificado de vacinação quando somos o país mais vacinado do mundo com quase 90% da população vacinada. 

Ainda assim, talvez por ser de um dos países com mais mortos do mundo, ela acabou por batizar uma nova estirpe perigosa que surgirá em Portugal: a variante Teca.

De "discoteca"!


terça-feira, 24 de agosto de 2021

Estamos Todos Vacinados Mas Porque é Que Morrem Dez Vezes Mais Pessoas em Portugal?


Por estes dias estamos todos contentes. Somos um dos países do mundo com mais pessoas vacinadas contra a COVID-19! O Serviço Nacional de Saúde, a Ministra da Saúde e o Almirante das vacinas estão todos de parabéns. Ao contrário do que muitos queriam, principalmente os partidos de direita - e basta relembrar o que Rui Rio disse em Janeiro, sobre os privados não terem sido incluídos no processo de vacinação - e a direita serve basicamente para isso, para defender os interesses dos privados - mas, afinal contra o que muitos desejavam, o SNS esteve à altura e ganhamos os Jogos Sem Fronteiras das Vacinas 2021. 

É um dado adquirido. A vacinação, que foi, e bem, voluntária e não obrigatória, porque só se vacinou quem quis, correu muito bem. Portugal é um dos países do mundo com menos pessoas resistentes às vacinas (o que se calhar pode ter surpreendido muita gente) e a população aderiu em massa e o governo até resolveu antecipar a maior abertura de pessoas nos restaurantes e em espetáculos. 

Mas depois parece que a pandemia já acabou. Há miúdos a dizer que se foram vacinar para poder deixar de usar máscara na escola!?, e também encontro muita gente que não sabe como funciona uma vacina e acha que por se ter vacinado já nada lhe vai acontecer! Nem vão morrer nem nada!

Não sei se foram as vacinas que tiveram esse efeito pernicioso, mas parece mesmo que a pandemia acabou, só que não, e se calhar, e espero ser só eu a ser pessimista, mas a pandemia, infelizmente, ainda está muito longe de acabar. E basta olhar para os números! a cada duas semanas morrem entre 200-250 pessoas em Portugal de COVID-19. Não está tudo bem! Pelo contrário, está uma valente merda! Estamos no pico do Verão, época menos propícia à transmissão do vírus e estamos com números absurdos apesar da enorme taxa de vacinação, e de já termos ultrapassado o primeiro milhão de pessoas que tiveram a doença ou testaram positivo e que desenvolveram, naturalmente, anticorpos. 


Só que, apesar da vitória de sermos um dos países do mundo com mais pessoas vacinadas, algo de muito errado se está a passar. Atingimos aquele número utópico que nos venderam da alegada imunidade de grupo (70% da população) e, apesar de sermos dos poucos países na Europa que ainda usa máscaras nas ruas, como é que então ainda morrem tantas pessoas de COVID-19 em pleno verão?

Como sou um bocadinho curioso e gosto de olhar para os números - apesar de há meses não ligar puto ao que vai acontecendo na pandemia - lembrei-me de fazer uma coisa engraçada. E que tal se fosse comparar Portugal, com a Suécia e a Chéquia - que têm os mesmos dez milhões de habitantes que Portugal - e verificar quais as taxas de vacinação e os números médios de mortos por semana? E foi o que fiz. 

Mas as conclusões são desconcertantes. Países que, como nós, têm dez milhões de habitantes, e com taxas de vacinação bem inferiores, e no entanto nós temos dez vezes mais mortos? O que é que explica isto?

Eu não sei explicar porque não sou nem infecciologista ou da área da saúde, muito menos tudólogo das televisões que esses é que sabem tudo e mais alguma coisa, contudo, acho que não é preciso ser tudólogo ou especialista em saúde pública para perceber que, apesar da maioria da população estar vacinada as coisas não estão bem e não acho nada que estamos preparados para o próximo Outono e Inverno. Espero estar redondmente enganado. 

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Irresponsabilidade Pandémica no Cu dos Outros é Refresco



Domingo, hora de jantar (que em casa dos meus pais é sempre cedo) e eu ainda estou a acabar de comer. 
Aparecem por cá familiares do meu padrasto que, à semelhança da restante família dele (que mora aqui a meia dúzia de quilómetros) não o visita há anos. 
A minha mãe vai recebê-los, de longe, eles fora do portão, e depois vai chamar o meu padrasto que estava na sala. Eu continuo na mesa, sozinho, e a televisão, que tinha sido deixada ligada, porque eles gostam de ver o programa de domingo à tarde na SIC, é-me indiferente com as suas musiquinhas deprimentes mas faz o barulho suficiente para ir ocultando a conversa. 

Os meus pais não os convidam a entrar, a minha mãe explica que não querem ajuntamentos dentro de casa por causa da pandemia. Consigo percebo que vêm convidar para um batizado/casamento, um ajuntamento de família que nuca mais acaba. Os meus pais, por causa da pandemia, declinam (ainda que também por certo há outras questões pessoais) mas consigo ouvir a sua irmã dele: 

"Isto está mau mas é por causa dos mais novos que se juntam todos".

domingo, 24 de janeiro de 2021

Por Todo o Mundo Falam de Portugal Por Causa da Pandemia mas Mostram a Fotografia Deste Café?


Ontem passava os olhos por notícias no estrangeiro até para perceber o que se dizia de Portugal e deparamo-me com esta fotografia. Olhei melhor e pensei "Espera lá, mas isto não é um Hospital! Isto é a montra de um café"! Num hospital não há montras com lanches e croissants! 

Agora com certeza que os diferentes sites de informação não se lembraram todos de pegar nesta imagem do nada. Esta foto é da Associated Press, uma agência de notícias independente, que lança as notícias e depois muitos outros pontos de informação vão lá bebê-las. 

Movido pela curiosidade decidi tentar investigar e com recurso ao Google Maps consegui mesmo chegar à identificação! Isto é na rua Silva Carvalho em Lisboa, e está sinalizado com sendo um edifício da Sociedade Filarmónica Aluno de Apolo. 

Alguém precisa de um detetive?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Sim, Já Tomei a Vacina

https://www.distractify.com/

 Logo às 9h a notícia já tinha corrido. A colega irrompe pelo armazém adentro e pergunta-me:
- Então ouvi dizer que já tomaste a vacina?
- Sim é verdade. 
- Tu és um privilegiado! Nem os médicos todos já tomaram a vacina e tu já tomaste?

Na 6a feira tinha deixado a vacina na frigorífico para que, depois, quando saísse do trabalho, fosse ao centro de saúde tomar a terceira dose da vacina. E  antes de vir embora para fim-de-semana, disse à colega do escritório "bem, vou-me lá tomar a vacina".  
O que se passou depois da minha saída vim a saber depois. Aproveitando esta deixa da vacina a colega que trabalha comigo lembra-se de dizer que, sim, ele vai tomar a vacina da COVID-19!
Logo na segunda-feira, entro na empresa, e, quase como todos os dias, entro  bem disposto e a colega do escritório vendo-me acelerado comentou logo que "são efeitos da vacina"!

- Mas qual vacina, perguntei à colega que falou em privilégio?
Eu tomei foi a terceira dose da vacina da hepatite A e B! 

Desde que cá estou nesta empresa já fui conhecido por ler o futuro nas borras do café; por ter sido presidiário; agora por ter sido uma das primeiras pessoas em Portugal a tomar a vacina da COVID-19!

Sabem o que vos digo? Pró que lhe havia de dar!!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

As Pessoas Com as Vacinas São como os Cães Pela Comida!


É extraordinariamente interessante como funcionam as pessoas e os comportamentos de grupo. Foi-se falando da chegada das vacinas, que eu confesso que não estava à espera que fosse para breve, até porque já nos tinham dito que chegariam em Setembro. Olhando à minha volta, mas principalmente para o que ia lendo nas redes sociais, parece que ninguém queria ser vacinado (eu incluído). Os motivos eram os mais variados, porque foi feita depressa demais, porque não sabemos que efeitos podem causar; pessoas que escrevem nos jornais falaram até em alterações do ADN (que outras rapidmente se aressaram a desmentir) e por aí a fora com as mais variadas teorias da conspiração, associadas ao Bill Gates, que isto é mas é tudo para nos controlar, com um chip incorporado na vacina!

Entretanto no dia 8 de dezembro as primeiras pessoas do mundo começaram a ser vacinadas no Reino Unido. Mas em Portugal, avançava-se na imprensa, no dia 16 de dezembro, que apenas 39% das pessoas estavam disponíveis para tomar a vacina no imediato. A vacinação foi avançado e foram sendo difundidas cada vez mais imagens e informação sobre o assunto, e, estranhamente, oito dias depois, os 39% de portugueses que estavam dispostos a tomar a vacina passaram para uns incríveis 98%! 

As pessoas não são muito diferentes dos cães. Quem já teve cães sabe que eles agem exatamente da mesma forma. Se deitarmos qualquer coisa para um cão comer, ele muitas vezes chega, olha, e dá meia volta. Mas, se de repente aparece outro cão que olha e começa a comer com grande vontade, então o primeiro regressa e é capaz de começar a rosnar porque também quer comer a mesma comida que antes não gostava! (

Foi precisamente o que aconteceu este ano com as vacinas da gripe em que o governo comprou vacinas mais do que suficientes para todos os grupos de risco mas depois não chegaram. Foi o que aconteceu com o papel higiénico dos supermercados e com muitas outras coisas que desapareceram das prateleiras. 

Muitas vezes o ser humano nem é um cão mas sim um macaco de imitação. 

sábado, 7 de novembro de 2020

Mais Historiadores, Menos Epidemiologistas


Na pandemia de pneumónica de 1918, difundida pelo mundo por causa do regresso das tropas da casa, a máscara foi o grande método de proteção, conjuntamente com outras recomendações como não cuspir, não tossir nem espirrar em cima das outras pessoas e evitar os grandes aglomerados de pessoas. A pandemia chega aos Estados Unidos em Outubro, e voluntariamente quatro em cada cinco pessoas usa uma máscara para se proteger e para proteger os outros. Entretanto graças a bandalheira que se instaurou, o uso da máscara acabou mesmo por ser obrigatório e com multas pesadas para quem não cumprisse. 

Os jornais publicaram instruções sobre como as pessoas poderiam fazer suas próprias máscaras em casa. Pessoas que não cumpram podem enfrentar pena de prisão, multas ou ter seu nome publicado no jornal, revelando que são os “preguiçosos das máscaras”.
E se hoje em dia os avisos chegam por telemóvel, há cem anos os conselhos importantes como o de arejar as casas eram afixados nos autocarros.


Mas depois do uso generalizado de máscara ter resultado e as infeções tinham baixado muito, as autoridades de saúde resolveram levantar estar restrições logo em Novembro, um mês depois da chegada da pandemia aos Estados Unidos. Houve imensas festas na rua, milhares de máscaras espalhadas pelo chão, com as pessoas a dançar e abraçadas umas às outras. Resultado: as infeções voltaram a subir e a máscara acaba por voltar a ser obrigatória em 1919, só que desta vez há enormes manifestações contra o uso das máscaras, prisões, devido àquilo que se designa por "cansaço pandémico".


Ora, se a política prestasse mais atenção aos historiadores e à história, já teria antecipado que, ou se ataca a dispersão de uma pandemia logo no início, com medidas obrigatórias ou, se deixar as coisas nas mãos da responsabilidade individual a coisa vai descambar com ajuntamentos como os que vimos por estes dias na Nazaré e já com mais de três mil casos diários reportados. Mais. Quando depois quiser impor alguma coisa, começarão a aparecer os negacionistas dos movimentos anti-máscara ou, pior, dos negacionistas da própria pandemia, exatamente como aconteceu em 1918.

Não era preciso inventar muito, bastaria olhar para o que aconteceu há cem anos. As mesmas formas de combater a transmissão da doença, as mesmas reações que as pessoas começaram a ter fruto do cansaço pandémico. Por isso, se calhar, teria sido bem mais importante os governos rodearem-se de historiadores e não tanto de epidemiologistas. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Sabes o Que Quer dizer Sputnik em Russo?

A primeira vacina patenteada para a COVID-19 é russa e chama-se Sputnik. Mas sabes o que é que quer dizer Sputnik em russo?

"Mas Sumire revelou-se muito mais competente do que eu alguma vez teria imaginado e encarregou-se de uma série de coisas por mim. Comprava os bilhetes, fazias as reservas dos hotéis, negociava os preços, tomava notas das despesas, descobria os bons restaurantes, esse tipo de coisas. Tinha feito grandes progressos no seu italiano e foi graças a ela, e àquela dose de proverbial curiosidade que é seu apanágio, que fiz uma série de coisas em que não pensava caso viajasse sozinha. Nunca julguei que pudesse ser tão agradável passar tanto tempo na companhia de outra pessoa. Em parte, acho que isso se ficou a dever ao ele afetivo muito especial que se criou entre Sumire e eu.

"Lembro-me perfeitamente da conversa que tivemos sobre o Sputnik da primeira vez que nos enontrámos. Ela estava a referir-se aos escritores beatnick e eu fiz confusão com Sputnik. Desatámos a rir e isso ajudou a quebrar o gelo. Sabe o que quer dizer Sputnik em russo? Companheiro de viagem. Pensando bem, não deixa de ser uma estranha coincidência para dar ao seu satélite. Gostava de saber onde foram os russos buscar um nome tão curioso para dar ao seu satélite. Afinal de contas, aquilo não passava de uma porcaria de um pedaço de metal que andava para ali a girar à volta da Terra. Miu calou-se por instantes, depois retomou o fio à meada.

Sputnik Meu Amor (Haruki Murakami (2002)

sábado, 6 de junho de 2020

Quando os Aviões Bombardeiam Nós Jogamos Futebol?

Disseram-nos que isto da pandemia era uma guerra, não foi? 

Muito bem. Então quando os canhões inimigos disparam incessantemente e as anti-aéreas ainda não conseguem abater todos os aviões que não param de nos bombardear,  nós dizemos "que se lixe" e vamos mas é jogar futebol?



Depois de três meses que foi um descanso sem futebol, eis que os responsáveis do futebol, com o total apoio dos responsáveis políticos e governo - que eu saiba nenhum partido se manifestou contra o regresso do futebol - aprovaram o regresso do futebol, esquecendo-se que, apesar de terem proibido os santos populares e os festivais de verão, passado umas semanas, no fim do campeonato os adeptos irão para as ruas festejar o título como se não houvesse amanhã.

Sim, é verdade. Os responsáveis disseram que contam com a responsabilidade dos adeptos. Obviamente, até porque, como todos nós sabemos, os adeptos de futebol são das pessoas mais responsáveis e cumpridoras da lei que conhecemos na sociedade! Não há quaisquer motivos para preocupações. Os adeptos de futebol vão ficar todos em casa vendo pela televisão estas dez jornadas que faltam, não se irão misturar, e quando houver campeão ficarão todos, cada um na sua casa. 

As pessoas insurgiram-se contra cem pessoas no parlamento aquando do 25 de Abril; insurgiram-se aquando da manifestação do 1º de Maio da CGTP e, que se saiba não infetou centenas de sindicalistas; as pessoas vão para as praias fotografar os outros e depois meter nas redes sociais: "vejam como vem toda a gente para a praia em tempo de pandemia". Mas, estranhamente, não vejo manifestações violentas de nenhum partido, nem de milhares de indignados nas redes sociais por causa do futebol. Devo ser só eu que considero isto um perfeito absurdo e que não está tudo bem.   

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Como Hoje Ganhei Uma Medalha Por Grandes Feitos de Bravura

Disseram-nos que isto da pandemia era uma guerra, não é? 

Então eu hoje vou contar-vos como ganhei uma medalha de guerra por grandes feitos de bravura. 

Qual soldado que abandona a trincheira e que atravessa as linhas inimigas e passa por balas rasantes que trespassam muitos colegas, qual quê! 



Eu hoje fui ao hospital. Muito mais aterrador!

Chegado à portaria de máscara não cirúrgica pediram-me para a retirar e deram-me uma. 
Enquanto o segurança me aponta uma espécie de arma à cabeça, pergunta-me ao mesmo tempo se me pode tirar a temperatura. 
Segui a sinalização que separava as pessoas consoante queriam ir para consultas ou para análises e entrei depois propriamente na central de consultas. As pessoas que entram não se cruzam com as pessoas que saem. Entrei e o senhor que estava a receber as pessoas pediu-me para passar as mãos por desinfetante. E voltaram-me a tirar a temperatura e lá me deu a senha. Quantas pessoas tinha à minha frente? Nenhuma! Eu era o próximo. 
E da receção lá me encaminharam para a zona dos vampiros. Nesta fase ainda não se paga nada.
Desci, e lá me encaminhei para a grande sala de espera que estava.... Vazia!! Nem uma só pessoa! As cadeiras estavam identificadas, em quais as pessoas se podiam, ou não, sentar. Eu fiquei de pé e dentro de dois ou três minutos fui chamado. 
Lá dentro explicaram-me. Diariamente são chamadas poucas pessoas para garantir uma distância de segurança, mas mesmo assim, a maioria falta! 

Agora digam lá que eu não sou um verdadeiro herói! Vou imprimir o comprovativo de presença e anexar ao currículo pois certamente é uma grandessíssima mais valia em qualquer recrutamento.