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quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Como Atirar a Máscara ao Chão de Forma Ecológica


Bem sabes que "não há planeta B" e que "emergência climática" está aí. E, tal como uma palhinha pode, por exemplo, ir parar ao nariz de uma tartaruga marinha, sabe-se lá onde poderá ir parar uma máscara, não é?

Então, nunca te esqueças. Quando fores, por exemplo, dar a tua caminhada aqui na aldeia, deves atirar a tua máscara ao chão corretamente e não de qualquer forma. Então nunca te esqueças. Antes de a atirares ao chão, deves sempre cortar os atilhos. Porque o "planeta agradece"!

domingo, 17 de janeiro de 2021

Crónicas da Pandemia: Quando os Média Mentem por Ocultação

https://www.manipalthetalk.org/

As pessoas continuam-me a dizer que tenho que usar máscara na rua porque é proibido andar fora de casa sem máscara. Por estes dias fui dar uma caminhada com o meu padrasto, e ele, a medo perguntou: é melhor levar máscara não é? Mas se nós somos do mesmo agregado familiar, e vamos andar pelo meio do monte, qual seria o sentido de andar com a máscara colocada? O que lhe disse foi que, se prefere, leva a mascara consigo que, caso nos encontremos com alguém, podemos colocar, mas mesmo assim não seria necessário, porque estamos a falar de uma aldeia, onde facilmente, na rua, podemos ficar a dois metros uns dos outros!

Esta foi das coisas que mais me irritou nos média. Ainda me lembro muito bem. A minha colega chega ao trabalho e diz-me "amanhã já vai ser obrigatório andar de máscara na rua". Ao que eu lhe respondi "isso não pode ser verdade", e ela contrapõe "mas eu ainda agora ouvi na Rádio Comercial". Não interessava onde ela tivesse ouvido! Se nesse mesmo dia a lei estava a ser votada no parlamento como é que no dia seguinte já seria obrigatório o uso de máscaras na rua? Era uma impossibilidade! Se a lei é discutida no parlamento, primeiro tem que ser aprovada pelos deputados, depois tem que ser aprovada pelo presidente da república, mas depois ainda tem que ser publicada em Diário da República, e só a partir daí é então lei e alguém pode ser multado pelo seu incumprimento.

Curiosamente logo no dia seguinte fui a uma consulta no hospital e a verdade é que constatei que as pessoas andavam generalizadamente de máscara nas ruas ainda que, em bom rigor a maioria não tivesse que o fazer. Porquê? Porque os média não informaram corretamente. Os média focaram o "obrigatório" mas não leram a lei até ao fim, acabando por semear o medo pela fata da máscara e não informaram corretamente. 


E a correta informação é que SIM, o uso de máscara é OBRIGATÓRIO por lei, mas, sempre que não seja possível o distanciamento de dois metros. E claro que ninguém vai andar com uma fita métrica no bolso para medir se está, ou não, a dois metros de distância dos outros. É uma questão de sensatez. Se eu vou ao Porto e vou passar pela rua Santa Catarina que está com centenas de pessoas, pois com certeza que vou colocar a minha máscara para me proteger e, principalmente proteger os outros. Se estou a caminhar sozinho não faz sentido colocar a máscara se não a estava a usar antes.

Que as pessoas confundam o que ouvem é normal. Mas que sejam os jornalistas, profissionais da comunicação, em que a sua vida é informar os outros, a não o fazer convenientemente e espalhem a desinformação é que já não se admite. 

Outra questão noutro sentido. É sabido que o valor das coimas para o não uso da máscara duplicou. Então e qual é, pergunto eu, a multa para, publicamente, apelar ou difundir ideias de que a máscara e o distanciamento não protege nada? Aquela malta dos Mentirosos pela Verdade foi multada? E a médica que andou a explicar como falsear os resultados dos testes, foi impedida de exercer medicina?

sábado, 7 de novembro de 2020

Mais Historiadores, Menos Epidemiologistas


Na pandemia de pneumónica de 1918, difundida pelo mundo por causa do regresso das tropas da casa, a máscara foi o grande método de proteção, conjuntamente com outras recomendações como não cuspir, não tossir nem espirrar em cima das outras pessoas e evitar os grandes aglomerados de pessoas. A pandemia chega aos Estados Unidos em Outubro, e voluntariamente quatro em cada cinco pessoas usa uma máscara para se proteger e para proteger os outros. Entretanto graças a bandalheira que se instaurou, o uso da máscara acabou mesmo por ser obrigatório e com multas pesadas para quem não cumprisse. 

Os jornais publicaram instruções sobre como as pessoas poderiam fazer suas próprias máscaras em casa. Pessoas que não cumpram podem enfrentar pena de prisão, multas ou ter seu nome publicado no jornal, revelando que são os “preguiçosos das máscaras”.
E se hoje em dia os avisos chegam por telemóvel, há cem anos os conselhos importantes como o de arejar as casas eram afixados nos autocarros.


Mas depois do uso generalizado de máscara ter resultado e as infeções tinham baixado muito, as autoridades de saúde resolveram levantar estar restrições logo em Novembro, um mês depois da chegada da pandemia aos Estados Unidos. Houve imensas festas na rua, milhares de máscaras espalhadas pelo chão, com as pessoas a dançar e abraçadas umas às outras. Resultado: as infeções voltaram a subir e a máscara acaba por voltar a ser obrigatória em 1919, só que desta vez há enormes manifestações contra o uso das máscaras, prisões, devido àquilo que se designa por "cansaço pandémico".


Ora, se a política prestasse mais atenção aos historiadores e à história, já teria antecipado que, ou se ataca a dispersão de uma pandemia logo no início, com medidas obrigatórias ou, se deixar as coisas nas mãos da responsabilidade individual a coisa vai descambar com ajuntamentos como os que vimos por estes dias na Nazaré e já com mais de três mil casos diários reportados. Mais. Quando depois quiser impor alguma coisa, começarão a aparecer os negacionistas dos movimentos anti-máscara ou, pior, dos negacionistas da própria pandemia, exatamente como aconteceu em 1918.

Não era preciso inventar muito, bastaria olhar para o que aconteceu há cem anos. As mesmas formas de combater a transmissão da doença, as mesmas reações que as pessoas começaram a ter fruto do cansaço pandémico. Por isso, se calhar, teria sido bem mais importante os governos rodearem-se de historiadores e não tanto de epidemiologistas. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Amor em Tempos de Máscaras


 Hoje saí de casa para mais um longo e duro dia de trabalho sem ter nada que fazer, entretido nos últimos capítulos do Ana Karenina intercalando com vegetar de vez em quando com o telecrã. Saio, no carro o relógio ainda marca 8:30 porque ainda não me dei ao trabalho de acertar as horas, ponho o motor a trabalhar, ligo os médios e lá vou eu, devagarinho aldeia abaixo. 

Um quilómetro depois, passo pela mesma menina de todos os dias, sozinha na paragem de autocarro, e ainda há tão pouco tempo uma criança e agora cada vez mais com formas de mulher. Vestia hoje calças brancas  que condiziam com a máscara branca. 

Continuando a descer por entre mais curvas e contracurvas, quinhentos metros adiante, tendo já começado a subir em direção à estrada nacional, e logo após a curva mais fechada de todo o percurso, o momento romântico do dia. 

Mal percorro a curva e começo a ver a nova prolongada subida, deparo-me com dois adolescentes na paragem. Trata-se mesmo só de uma paragem de autocarro, sem as comodidades, por falta de espaço, do comum abrigo, mais ou menos moderno, de betão ou de vidro, e com o banco onde as pessoas se podem sentar. Eles eram uma rapariga, em quem reparei primeiro, cheiinha, de cabelos escorridos pelos ombros, e sorridentemente desconfortável de máscara no queixo. Ele, mais alto e trinca-espinhas, abraçava-a pela cintura e tomava conta do momento, beijando-a, certamente não tão à vontade quando a minha carroça lhes surgiu na estrada. 

É assim que, em tempos de pandemia, que os mais jovens vivem os seus primeiros amores, na clandestinidade de uma máscara caída no queixo.